A maioria das histórias de princesas clássicas da Disney contém um enredo de ingenuidade em que precisam de um príncipe para viverem um amor ‘felizes para sempre’. E em tempos de discutir a independência e o empoderamento feminino, as novas princesas são mais autossuficientes e dificilmente vivem em prol do romance. Mas nós, mulheres negras, tivemos a oportunidade de sonhar com um amor de conto de fadas sem uma variedade de referências? 

Em ‘A Princesa e o Sapo’, Tiana, a única princesa negra destes clássicos, foi a primeira princesa da Disney a ter um emprego. Ela trabalhava duro como garçonete e guardava cada moeda de gorjeta para abrir o seu próprio restaurante. O filme é um dos mais recentes, lançado em 2009.

Enquanto a amiga loira sonhava em ser a escolhida pelo príncipe, Tiana estava focada em realizar seu sonho de independência financeira, e logo, pelo machismo e pelo racismo, ela ouviu um ‘não’, pouco antes de conhecer um sapo que se apresentou como príncipe. E claro, que pela lógica racista, ela se submeteria a beijá-lo com a esperança de mudar a sua vida e realizar um sonho.

Entretanto, ao invés do sapo virar um príncipe, ela se transforma em sapo e em 100 minutos de filme, Tiana só aparece em sua forma humana por 19 minutos. A única princesa que havia se transformado antes foi a Ariel, quando escolhe viver como humana com o príncipe Eric, na reta final do filme.

Em ‘A Pequena Sereia‘, Ariel tem um fascínio pela vida humana, ao contrário do pai que prefere sempre manter a distância. Na curiosidade sobre a vida fora do oceano, ela salva o príncipe Eric, cujo navio havia afundado devido a uma tempestade e se apaixona por ele. Disposta a tudo para ficar com ele, ela desiste da sua voz encantadora e de ser uma sereia para viver esse romance.

Mesmo que hoje a maioria das mulheres tenham a compreensão desta, talvez, não ser a escolha mais sensata, pois ela estava arriscando inúmeras oportunidades, a essência dos contos de fadas é poder sonhar que viverá um amor feliz para sempre.

Quando a Disney anuncia Halle Bailey para a live action de ‘A Pequena Sereia’, aquece o coração de milhares de meninas e mulheres negras. Para as mulheres que cresceram assistindo ao filme, não se trata apenas de ser uma princesa negra, é também sobre resgatar uma autoestima que não tivemos na infância ou adolescência, de viver um amor pleno. Já que sem nenhuma referência de um amor pelo qual você lutar ou ter alguém para lutar por você, não há como acreditar que seja possível viver isso um dia.

Halle Bailey no trailer ‘A Pequena Sereia’ (Foto: Divulgação)

O protagonismo negro nos filmes ajudam na construção da autoestima das meninas desde pequenas, para que se enxerguem em uma história mágica ou sintam o poder de fazer escolhas na vida dela. Saber que tudo bem ter a pela negra e usar o cabelo com dreadlocks vermelho, por exemplo. Inúmeros vídeos tem circulado na web com a reação de garotas negras encantadas ao assistirem o trailer do filme que chegará aos cinemas em maio de 2023. Elas se reconhecem com a personagem do outro lado da tela, e terão a confiança de se acharem bonitas e de viverem um amor, se assim escolherem um dia.

Obviamente queremos novas princesas em que a narrativa já as coloquem como não-brancas desde a criação, mas essas novas personagens têm histórias mais aperfeiçoadas para época que vivemos. Como a Moana e a Mirabel do filme ‘Encanto‘, que lutam pela vida e magia de seus familiares. Mas as garotas negras também precisam de esperanças para viver um amor, assim como as garotas brancas.

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