Para negros, “direitos dos manos”. Para brancos, “direitos humanos”

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Para negros, “direitos dos manos”. Para brancos, “direitos humanos”
Reprodução/Redes Sociais

Depois dos atos terroristas e golpistas conduzidos por bolsonaristas, que depredaram a praça dos três poderes, no DF, os presos no atentado cobram das autoridades uma coisa minimamente curiosa: respeito aos direitos humanos. Sim, Bolsonaristas presos inundam as redes sociais com vídeos reclamando das condições do “cárcere” e pedem que seus direitos, como pessoas humanas, sejam respeitados.

Acontece que estes mesmos bolsonaristas, há cerca de 4 anos atrás, elegeram Bolsonaro, porque o mesmo prometia não respeitar os direitos humanos. Diziam à época que os direitos humanos só protegem “vagabundos”. Bolsonaristas também se referiam a este conjuto de normas como “direitos dos manos”.  Então, por que, de repente, os “cidadãos de bem” passaram a dar valor aos direitos humanos? A resposta é simples: porque agora a mão punitiva do estado recai sobre costas brancas.

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Quando as forças de segurança oprimiam negros nas periferias, tinha-se a ideia de que elas estavam fazendo seu trabalho ao eliminar os elementos criminosos e proteger os “cidadãos ordeiros”. Inclusive, um famoso influenciador bolsonaristas, hoje suspenso das redes e investigado pelo MPF, bradava contra a “absurda decisão” do STF de proibir que a polícia subisse o morro durante a pandemia. Ocorre com os direitos humanos o mesmo que com as cotas raciais: o problema não é política, mas sim a quem ela, possivelmente, beneficiária mais. 

Para os extremistas presos pelo atentado à democracia no dia 8 de janeiro, o crime e a prisão têm cor e cep que, obviamente, não são as deles. O instinto antidemocrático e autoritário destes extremistas sempre esteve claro e cristalino. Sempre foram a favor de um estado de exceção e da violação de direitos fundamentais  de pessoas negras e periféricas. A própria ideia de humanidade é negada na fala “direito dos manos”.

Para os golpistas, “manos” não são humanos, mas sim cidadãos de segunda classe, naturalmente perigosos e  criminosos, diferente deles que são humanos. Como diziam “direitos humanos para humanos direitos”, ou seja, direitos humanos para humanos como nós brancos. Não se assustem, caso todos os extremistas forem punidos e presos, de vê-los reivindicar melhoria dos presídios e desmilitarização da polícia. 

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