Os estereótipos de negros na mídia reforçam a imagem racista de que somos bandidos

0
Os estereótipos de negros na mídia reforçam a imagem racista de que somos bandidos
Sabiá (Jonathan Azevedo) da "Força do Querer" um dos vários negros traficantes das novelas da Globo - Foto: Divulgação

Mesmo após as diversas reflexões depois da morte de George Floyd, que perpassaram a inclusão de pessoas negras em projetos audiovisuais, nós ainda nos deparamos com produtos nacionais na TV que reforçam nossa imagem de forma estereotipada.

Um exemplo recente, foi o desperdício de talento Douglas Silva como o traficante Marconi em Amor de mãe. O núcleo dele, com exceção do amigo branco Sandro que virou moço bom e rico, era negro e criminoso.

Lembrando o caso que aconteceu com Matheus Ribeiro, no RJ, onde o casal branco o acusou falsamente de roubar uma bicicleta, as novelas de Manuel Carlos e tantas outras novelas e séries que tem como paisagem o Leblon, não têm personagens negros que não estejam ligados à pobreza ou criminalidade. Nós não somos mostrados como consumidores potentes, pessoas com poder aquisitivo e muito menos vítimas de pessoas brancas.

Quando na dramaturgia e nos noticiários os rostos negros só aparecem nesse recorte, se cria um viés inconsciente que automaticamente associa na vida real o que se vê massivamente na TV. Obviamente o racismo também explica isso, e é o ponto de partida de qualquer reflexão nesse sentido

Cidade de Deus e derivados, Irmandade ( Netflix), Impuros (Fox) são outros exemplos de filmes e séries onde negros aparecem no cenário do crime.

A Wolo.Tv por exemplo, é uma das plataformas seguras de ver conteúdo negro nacional representativo de forma positiva e a Casa da Vó é uma das séries que mais representa o que é ser negro no Brasil hoje. Nossas lutas aparecem, mas também nossas vitórias e conquistas, por meio de discussões sobre Black Money e Mercado de trabalho.

Temos médicos, cientistas, advogados, empresários negros e negras em número crescente no Brasil. Se quem tem essa formação não é lido como tal profissional, é porque não somos vistos na mídia dessa forma.

Negros são os mais detidos e presos, mas não necessariamente os que comentem mais crimes. Há estudos que apontam inclusive, que brancos carregam mais quantidade de drogas quando presos, do que pessoas pretas. A Ponte Jornalismo copilou alguns dados que falam sobre criminalidade raça.

Eu sugiro boicotar programas e séries que nos representam de forma estereotipada e consumir produções pretas nacionais que nos mostram como realmente somos. Ah, e séries sobre negros também deveriam ser consumidas por pessoas brancas.

Participe de nosso grupo no Telegram

Receba notícias quentinhas do site pelo nosso Telegram, clique no
botão abaixo para acessar as novidades.

Comments

No posts to display