Diva da música brasileira falou com exclusividade ao Mundo Negro sobre seus aprendizados durante a pandemia, vida e carreira.

Dona de uma das vozes mais marcantes do Brasil, Paula Lima é referência quando se fala de música negra. Grande nome do soul, funk e samba rock, a cantora, que está há mais de vinte anos no mercado da música, conta que ainda tem sonhos a realizar, em entrevista exclusiva ao Mundo Negro.

Realizar uma turnê mundial e o fim das desigualdades sociais estão entre os sonhos da cantora. A pandemia de covid-19, que Paula classifica como trágica, trouxe também alguns aprendizados. “Me sinto melhor e mais evoluída. Aprendi a valorizar o que realmente importa”, analisa.

Foto: Divulgação

Confira a íntegra da entrevista:

Você está na carreira de cantora há bastante tempo, só na jornada solo, são 20 anos. O que você ainda tem como desafio hoje?

São inúmeros desafios. Novas canções, novos produtores, um novo público que some ao já incrível e fiel que tenho, novos caminhos sonoros, novas parcerias, novo show. Como divulgar um novo conteúdo nos canais de comunicação e plataformas. Todo som se torna novo, inédito. A vibração permanece a mesma do início. Tem muita água pra rolar, muita história pra contar e eu me sinto mais forte do que nunca para trazer algo diferente e bacana para o cenário.

Um – ou mais – sonhos da artista Paula Lima que ainda vai realizar?

Uma tour mundial! Europa, Ásia, América, grande, extensa, apaixonante. O outro sonho que sejamos todos tratados e vistos com igualdade! Que as oportunidades sejam iguais. Que não haja fome. E que eu veja o fim do racismo e da homofobia. Você canta, escreve, é ativista, dirigente de uma associação de classe, é presente nas redes sociais e conduz o programa de rádio Chocolate Quente. Conta pra gente os segredos e desafios de organizar o tempo para atuar em frentes variadas? O tempo tem que ser um grande amigo e aliado. Busco ferramentas para me organizar e dar o meu melhor em cada desafio aceito. Exponho aquilo que acredito, ciente da responsabilidade que tenho como artista, como mulher negra, como cidadã. Tento ser objetiva com foco no coletivo. Tenho as minhas referências, minha fé na vida e nos propósitos inseridos nela.

Que artistas você ouve sempre? Separa um tempo para ouvir quem está chegando na cena ou acontece naturalmente por indicações, navegando nas redes sociais?

Eu amo música. Adoro os clássicos e o que há de mais novo no cenário que é tão pulsante e interessante. Sempre pesquiso, eu gosto. Tenho paixão pela vitalidade e inteligência musical e que vai além dela de vários artistas. Adoro sons e vozes. Posso citar alguns: Marvin Gaye, Anderson Paak, Ari Lennox, Ella Fitzgerald, Jay Z e Beyoncé, Emicida, Liniker, Rael, Lucky Daye.

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A pesquisa da UBC revela que a maioria das mulheres no meio se declaram solteiras (53%) e sem filhos (68%). Como você orienta quem está na carreira para não entrar na dicotomia entre profissão e família? É possível ter o melhor dos dois mundos e ter o combo? Fale um pouco desse cenário, e se quiser, de sua experiência pessoal.

Acredito que tudo na vida é possível. Algumas vezes com mais ou menos dificuldade. Claro que a realidade das mulheres e principalmente das mulheres negras não ameniza o caminho. Mas acredito que temos missões e temos que sempre tentar ser donas das nossas próprias vidas. Temos escolhas ou forçar e buscar meios para que tenhamos essa liberdade. O importante é não desistir de nenhum sonho. Não há nada pior do que olhar para trás e se arrepender. Eu não tenho filhos, foi uma escolha. Fui casada por 16 anos e convivi ao todo por 21 anos. Conheci, escolhi e fui escolhida pela pessoa mais incrível e importante da minha vida, o Ronaldo. E não me arrependo de nada. O meu negócio sempre foi ser feliz e me realizar pessoal e profissionalmente. Seguindo sem medo, com força e com coragem. Tendo como negócio uma grande paixão: a música. 

O que a pandemia mudou em sua vida pessoal e de artista? Tem alguma mudança positiva que você destacaria?

A pandemia foi trágica de uma maneira geral. Não esperávamos. Ela foi e está sendo dolorosa. Senti falta de gente, falta dos shows, da proximidade, das viagens, mas de positivo, posso dizer que passei a olhar e buscar o que realmente importa na vida. E isso tem sido valioso. Me sinto uma pessoa melhor e mais evoluída. Aprendi a valorizar o que realmente importa.

Você é uma grande artista e uma das mulheres mais lindas desse meio. Quer nos presentear com alguma dica de cuidado pessoal que funciona para você?

Obrigada pela parte que aumenta a vibração positiva. Eu procuro dormir bem, bebo muita água, tento estar com pessoas que me fazem bem e procuro fazer as coisas que gosto. Tento levar muito a sério apenas o essencial. Voltei para o pilates, tento me manter em paz, com leveza, apesar de tantos pesares. Agradeço os presentes que recebi, as inúmeras fundamentais lições e procuro ter um olhar esperançoso sobre o mundo, sobre as pessoas e sobre o futuro.

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