Maria Gal: “Na teledramaturgia é como se o negro não tivesse família”

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Imagem: Reprodução Instagram

Na novela,  As Aventuras de Poliana, a atriz Maria Gal interpreta a Gleice, uma mãe negra, trabalhadora, honesta e que sonha com um futuro grandioso para os seus filhos. Sim, ela faz parte do núcleo mais pobre da novela do SBT, trabalha como doméstica,  mas sua personagem é rara por interpretar a matriarca de uma família completa, com pai presente e filhos, filhos estes que estudam em um ótimo colégio e têm um bom destaque na trama, assim como a Gleice. “Muitas têm deixando mensagens na página do Facebook da emissora falando como gostam das personagens do núcleo”, detalha a atriz.

Conversamos a atriz sobre famílias negras na TV, logo após a polêmica campanha do dia dos pais da marca O Boticário.

Mundo Negro: Você se lembra de alguma família negra na teledramaturgia que tenha te tocado?

Maria Gal: Família negra, pensando em novela em confesso que eu não lembro de alguma que tenha me tocado. Lembro de outros tipos de produções, mas não uma novela.

Por que você acha que não somos retratados como uma família normal e harmoniosa?

Essa questão está muito associada a um determinado padrão de pensamento inconsciente. É como se o negro não tivesse o lugar do afeto. Até no cinema, não temos comédias românticas protagonizadas por casais negros. É como esse lugar do afeto não fosse permitido para o negro. Os temas que estão alinhas à questão racial são sexo, violência, samba, mas afeto não.

E por que essa dissociação com negros e afetividade acontece?

Acho que tudo isso está muito no inconsciente coletivo porque infelizmente a gente viveu o mito da democracia racial por muito tempo. Questões tão urgentes que a gente está discutindo, falando e expressando agora, como a questão do empoderamento negro, feminino, colorismo, eram pare ter sido a discutidas há anos atrás, e falamos disso agora, em 2018.

A novela As Aventuras de Poliana, passa durante a semana no SBT às 20h45.

 

 

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