Imagem: o substrato da ação

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Imagem: o substrato da ação
Beyoncé e Jay-Z no Museu do Louvre no clipe Apeshit. Foto: Reprodução.

Texto por Jonathan Raymundo.

Não existe nada que possa ser realizado, sem que antes se dê como pensamento. No que pensamos e na sua qualidade estão as sementes daquilo que iremos realizar. Importante dizer que nossa mente incorpora mais profundamente (inconsciente) as imagens, do que palavras.

A qualidade do nosso pensamento, fundamental para nossas realizações, está intimamente realicionada com as imagens que vamos absorver ao longo do tempo. Sabíamos disso e por isso inventamos a ioga para sermos capazes de direcionar nossos pensamentos, erguemos pirâmides, estátuas, símbolos e imagens de poder.

O colonizador aprendeu e por isso nos obrigou a ajoelharmos a um deus loiro de olho azul, feito a sua imagem e semelhança, bombardeou as características Africanas nas estátuas kemeticas (Egito antigo) e produz e só distribui imagens de um continente africano bárbaro, miserável, incapaz.

O controle da imagem (propaganda) é um dos pilares fundamentais de qualquer guerra. É preciso produzir imagens que destituem o inimigo de humanidade, para produzir uma razão, um objetivo moral, um pensamento que justifique a sua eliminação. São se atira na cabeça de seres humanos, mas é fácil sob o domínio da imagem mental: “bandido bom é bandido morto”. Imagem, pensamento e ação.

Durante as últimas semanas vimos homens pretos brutalmente assassinados, de forma arrogante, publicamente como baratas, vermes desprovidos de valor. Vimos mulher negra sendo humilhada na TV. Homem negro acorrentado, manequim negro quebrando vidraça. Como essas imagens afetam as nossas capacidades de pensar e agir? Nao estou defendendo que não vejamos, mas que precisamos (nós inventamos essas técnicas de controle mental) adquirir a capacidade de usar essas imagens para o nosso objetivo.

Treinarmos a nossa mente e jamais estarmos ingênuos nesse jogo, acharmos que a nossa condição subterna é produzida pelo acaso e sem o trabalho e a atenção profissional daqueles que nos dominam. Alimente seu Ori com imagens que reforcem o seu poder, que nutrem seus objetivos e realizações. Foi isso que nos ensinou o espelho na mão de Oxum.

Nossas crianças estão sendo mortas aos montes, não podemos nos dar o luxo de sermos ingênuos e distraídos. Hoje as discussões públicas sobre o racismo não visam resolver o problema (a única solução é o poder preto e ninguém doa poder), mas terem a nossa atenção voltadas ao que eles querem (me ensina sobre isso negro??), ao invés daquilo que a nossa própria agenda, a partir dos nossos próprios critérios exigem.

Um exemplo desse entendimento é a recusa do Douglas Silva no BBB 22, diante da inúmeras tentativas de fazê-lo de explicador de pautas raciais. Ele não foi ali para isso, foi para ganhar o prêmio. Enfim, mantenha sua agenda e filtre as imagens que alimentam seu Orí.

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