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Met Gala 2025: as referências da moda negra que estarão no tapete vermelho

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Foto: John Wronn

O Met Gala 2025 é um dos mais aguardados pela comunidade negra! “Superfine: Tailoring Black Style” (Impecável: a confecção do Estilo Negro) como tema deste ano, é uma reverência direta ao dandismo negro, uma expressão estética que representa a elegância e a política da vestimenta masculina negra. O evento será realizado nesta segunda-feira, 5 de maio, a partir das 19h (no horário de Brasília). 

A escolha de Colman Domingo, Lewis Hamilton, A$AP Rocky e Pharrell Williams como anfitriões do evento, e LeBron James como copresidente honorário, é muito simbólica: todos homens negros que traduzem, cada um à sua maneira, o poder da representatividade na moda e na resistência, com o dandismo negro em destaque. 

O tema do Met Gala também é a exposição no Instituto de Trajes do Metropolitan Museum of Art, inspirada no livro da professora e curadora convidada Monica Miller, ‘Escravos da Moda: Dandismo Negro e o Estilo da Identidade Negra Diaspórica’, publicado em 2009.

Foto: Divulgação/The Metropolitan Museum of Art, New York

“A história por trás do Dandismo Negro é esta nova entrada em uma era em que os descendentes de escravos negros americanos começam a se expressar com um novo senso de orgulho, influência e dignidade”, afirma Chuck Amos, hairstylist da atriz Tracee Ellis Ross, em entrevista à revista Essence. 

Embora a assinatura da Proclamação da Emancipação tenha ocorrido em 1863, o dandismo negro começou a germinar ainda no século XVIII, na Inglaterra. Homens negros, em especial, passaram a usar a moda e os códigos aristocráticos como ferramentas de subversão, reinventando a elegância em suas próprias narrativa, resultado em um estilo que ousa existir com excelência mesmo diante da opressão.

O que esperar no Met Gala 2025?

Como referências de expressões de beleza, o público pode esperar no tapete vermelho a moda nos Juke Joints dos anos 1930, exposta no filme ‘Pecadores’, a força visual de Cowboy Carter, de Beyoncé, que revisita o legado do Chitlin’ Circuit dos anos 1950 —, os signos da velha guarda preta estão vivos e pulsando, segundo Chuck Amos, considerado uma enciclopédia viva sobre a beleza negra do século XVIII até hoje.

Cortesia da Warner Bros. Pictures

“Versões de ternos — desde versões da silhueta zoot popularizada por músicos de jazz na década de 1940 até os estilos ousados ​​e coloridos usados ​​por sapeurs congoleses”, também destaca a revista Vogue. 

Algumas das inspirações certas da noite são figuras como o poeta e ativista social Langston Hughes, a antropóloga Zora Neale Hurston e a dançarina e atriz Josephine Baker. Baker foi quem eternizou o Eton crop, um pixie colado com gel, símbolo das melindrosas dos anos 1920. 

“Acho que o visual é ótimo, especialmente agora porque, culturalmente, celebra nosso estilo e beleza históricos, o que é necessário em nosso atual estado de divisão”, afirma Larry Sims, cabeleireiro de Gabrielle Union e Kerry Washington.

Eton Crop de Josephine Baker (Foto: Getty Images)

“Você verá o cabelo como uma peça de destaque — uma reivindicação, uma homenagem e uma forma de arte voltada para o futuro”, acrescenta a hairstylist Pekela Riley. “Espere ver texturas esticadas e dispostas, rolinhos franceses macios e esculpidos, cachos curtos e penteados inspirados na elegância e na ousadia do dandismo negro.” 

O Met Gala é realizado anualmente, presidido pela editora-chefe da Vogue Anna Wintour desde a década de 1990. O aguardado tapete vermelho poderá ser assistido ao vivo no Vogue.com, YouTube ou E!.

O tempo e o gênero: o etarismo feminino e a invulnerabilidade masculina

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Claudia Di Moura (Foto: Divulgação)

Texto: Claudia Di Moura

A passagem do tempo, por mais que seja um aspecto cientificamente mensurável, tem efeitos bastante distintos na vida do homem e na da mulher. E nada disso está necessariamente ligado às nossas biologias. 

Existem alguns ditados na moda masculina que reforçam a ideia de uma austeridade quase intrínseca à sua natureza. Um deles diz que o relógio é a joia do homem. Mas, numa análise mais polissêmica, tem algo mais por aí. O próprio tempo, do qual o relógio é avatar, parece estar agarrado ao pulso do homem, não como um adereço, e sim, como sua principal ferramenta de manutenção de hegemonia. Porque para homens e mulheres, o tempo passa diferente – não pelo que dizem os relógios, mas pelo que nos contam sobre os prazos de vida socialmente estabelecidos para os gêneros. 

Historicamente, o homem detém a manivela do tempo na mão. A ele cabe decidir o que é velho e o que é novo, qual a maioridade penal, quantas semanas de gestação até um aborto ser considerado homicídio, quanto vale o tempo dedicado pela mulher ao lar e aos filhos, qual o preço de uma hora trabalhada no chão da fábrica e se uma menina de menos de quatorze anos está pronta para lhe servir sexualmente. O homem é senhor do tempo, e a mulher é vulnerável a ele, pois já nasce com prazo de validade, enquanto o homem “envelhece igual a vinho”. Por exemplo, uma gestação que acontece depois dos trinta e cinco anos de idade é chamada “gravidez idosa”. Ou tardia, que seja. O ponto é que, para o homem, nada nunca é tardio. 

Com o decorrer do tempo, o homem tem enaltecido seu autoproclamado amadurecimento. Posa de sábio, distribui conselhos, ganha autoridade em seus cabelos brancos e uma virilidade celebrada. Já a mulher é ridicularizada, crê-se indesejável ou é fetichizada, tem suas emoções negligenciadas e diminuídas por um sistema que a invisibiliza. Se antes ela era criminalizada pelas mudanças de humor provocadas pelos ciclos hormonais, agora ela é lida como louca e amargurada por culpa da menopausa. E, ao contrário do que acontece com o gênero oposto, na tela do rosto feminino não cabem rugas ou sinais da passagem do tempo. Daí ela é obrigada a se submeter a procedimentos estéticos que reprimem a expressão facial das suas emoções básicas.

Isso porque, na revista da sociedade, o homem é o texto, e a mulher é a ilustração, muito bem impressa, revisada no Photoshop. A juventude eternamente registrada no retrato, enquanto, na vida real, o relógio dela gira mais rápido que a hélice de um liquidificador, moendo e destruindo sua dignidade. Medir a validade do corpo feminino a partir da funcionalidade do seu útero é mais um sinal de que, no dress code dos gêneros, a mulher é a bolsa do homem. Enquanto ele porta consigo as chaves, a carteira e o celular, ela precisa carregar a casa, a rotina das crianças, a integridade dos seus óvulos e o kit de maquiagem, indispensável para que seja socialmente apresentável. 

Precisamos nos atentar para essas assimetrias e entender que o tempo é um construto ideológico fabricado, como todos os outros, pelas mãos hegemônicas do homem branco, heterossexual, cisgênero e capitalista. Lembrar que, para além de uma dimensão natural, o tempo é entortado em favor dessa classe, é fundamental e libertador, para que não caiamos em suas armadilhas e não nos permitamos a tatuagem, na testa, de um prazo de validade determinado por alguém que não nos criou.

*Claudia Di Moura é uma atriz afro-indigêna e ativista. Como atriz, busca levar para o mercado audiovisual e para o teatro as múltiplas lutas pelos direitos das mulheres, do povo negro e dos povos originários

Festival Latinidades lança concurso para revelar novas vozes literárias negras em escolas públicas do DF

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Escritora Kiusam de Oliveira no Festival Latinidades - Foto: Divulgação

Estudantes de escolas públicas do Distrito Federal têm até o dia 21 de maio para se inscrever no Concurso Literário Afrolatinas, que em sua primeira edição desafia participantes a escrever sobre o tema “Mulheres Negras Movem o Mundo”. A iniciativa, voltada para alunos do Ensino Fundamental (4º ao 9º ano), EJA (Educação de Jovens e Adultos) e Ensino Médio, oferece premiação em dinheiro, certificados e menções honrosas.

Organizado pela Universidade Afrolatinas e integrado ao Festival Latinidades 2025, o concurso busca estimular a produção textual sobre o legado histórico e a atuação contemporânea de mulheres negras em diferentes esferas sociais. Os interessados em participar devem preencher o formulário disponibilizado pela universidade (CLIQUE AQUI).

As categorias variam conforme o nível escolar, abrangendo poesia, contos, crônicas, redações dissertativo-argumentativas, manifestos e cartas abertas. Os melhores textos em cada modalidade serão premiados com valores em dinheiro (não especificados no edital) e certificados. O resultado será divulgado em junho, e a cerimônia de premiação ocorrerá durante o Festival Latinidades, entre 23 e 31 de julho.

Para Jaqueline Fernandes, presidente da Universidade Afrolatinas e diretora geral do festival, o concurso é um desdobramento natural de 17 anos de atividades que incluíram oficinas literárias e publicações. “Esperamos estar abrindo portas para mais Evaristos, Carolinas, Lucindas, Suelis”, disse, citando escritoras negras de destaque.

Serviço

TVE exibe documentário ‘Not Dead’ resgata história de punks negros que marcaram Salvador nos anos 80

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Imagem: Reprodução

Em sintonia com as discussões sobre trabalho e autonomia, o documentário “Not Dead”, do cineasta baiano Isaac Donato, estreia na TVE-Bahia neste sábado (3), às 20h. A obra, que integrou a Mostra Aurora da Mostra de Cinema de Tiradentes em 2024, retrata a trajetória de punks negros que frequentavam a “Not Dead”, primeira loja punk de Salvador, localizada no Centro Histórico, na Rua Chile.

O longa-metragem, classificado como documentário criativo, aborda a vida de personagens que construíram suas trajetórias sob os princípios da autogestão e da autonomia, discutindo temas como capitalismo, identidade, etarismo e raça. Produzido pela MAA Filmes, da cineasta Marília Cunha (também corroteirista), o filme reúne bandas históricas como “Ato 5” e “Pandemônio”, além de iniciativas contemporâneas como o coletivo “Levanta, Véio!”.

Entre os entrevistados estão figuras como Robson Véio (Gatilho Kósmico/Urbano Tattoo), Luciana Rangel (Rango Vegan), CR Moska (Cervejaria Acrática), Rai Silva (Móveis Planejados) e Ednilson Sacramento (Rede PCD Bahia). Além da transmissão de hoje, o filme terá exibição especial no dia 19 de maio, às 20h, na TVE.

Donato, vencedor do prêmio de Melhor Filme em Tiradentes em 2021 com “Açucena”, consolidou “Not Dead” em circuitos internacionais, como o DocMontevideo (Uruguai) e o Dok Leipzig (Alemanha), o mais antigo festival de documentários do mundo.

A expansão geoeconômica da África é um convite para o Brasil ampliar sua presença

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Lagos, Nigéria (Foto: Effi/Getty Images)

Texto: Rachel Maia

O avanço das potências econômicas africanas e as oportunidades estratégicas para o Brasil no cenário global é algo que tem chamado minha atenção. Estive na África em março, mais precisamente em Luanda, na Angola, e pude ver de perto líderes empenhados estrategicamente e os resultados desses feitos.

A ascensão das economias africanas tem reposicionado o continente como uma potência geoeconômica no século XXI, com países como Nigéria, Gana, África do Sul, Egito e Quênia liderando em setores-chave — de energia e agricultura à tecnologia e infraestrutura.

O continente africano abriga algumas das economias que mais crescem no mundo. A Nigéria é um exemplo — o país que, em 2024, teve um aumento considerável na economia, indicando alta na projeção do Produto Interno Bruto (PIB) —, com forte presença nos setores energético e tecnológico.

Pensar nas possibilidades econômicas para o Brasil, ao fortalecer laços comerciais com países do continente africano, potencializa uma via de crescimento mútuo. Mais do que uma aproximação cultural e histórica, a relação Brasil-África representa o futuro. Um novo cenário é impulsionado por investimentos em tecnologia, aumento da urbanização, expansão do consumo interno e parcerias estratégicas com países emergentes.

Com expertise em agricultura tropical, o Brasil tem know-how para colaborar com países africanos no aumento da produtividade rural — um ganho duplo, econômico e social. Ampliar a exportações de alimentos, máquinas agrícolas, medicamentos e bens industrializados são possibilidades assertivas a serem exploradas.

Tecnologia e interconexão

Países como Quênia e Gana, onde o ecossistema digital cresce em ritmo acelerado, propiciam a startups e fintechs brasileiras oportunidades para expandir suas soluções. Outro ponto que considero relevante é pensarmos no continente africano como aliado estratégico para o Brasil em fóruns multilaterais, reforçando a voz do Sul Global em temas como sustentabilidade, inovação e inclusão econômica.

Importante ressaltar a atuação das mulheres nas transformações comerciais e econômicas desenvolvidas não apenas na África, mas no mundo. A nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala é um exemplo notável: ela é a primeira mulher africana a ocupar o cargo de diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), e está no posto desde março de 2021. Sua atuação tem sido fundamental para abrir caminhos de desenvolvimento inclusivo, destacando países do Sul Global. De acordo com o portal Nações Unidas do Brasil, em discurso, ela fala da importância de fazer conexões: “Moldar e implementar as respostas políticas necessárias para fazer a economia global funcionar novamente”, afirma Ngozi.

O cenário africano está em transformação acelerada, com economias robustas ganhando tração nos mercados globais; portanto, é essencial identificar sinergias para entender o potencial da relação com o Brasil.

A expansão geoeconômica da África é um convite para o Brasil ampliar sua presença, construir parcerias sólidas e gerar impacto positivo. Investir nesse relacionamento é mais do que uma estratégia comercial: é uma aposta em um futuro mais equilibrado, cooperativo e sustentável.

99Food promete revolucionar o delivery ao zerar taxas para restaurantes e desafia monopólio do setor

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Para donos de pequenos restaurantes, estar em um aplicativo de entrega muitas vezes é uma escolha entre ganhar visibilidade ou preservar a própria margem de lucro. Comissões que podem chegar a 30% por pedido, cobranças mensais e taxas sobre transações tornam as plataformas uma faca de dois gumes: ajudam a alcançar novos clientes, mas corroem o caixa do negócio.

Essa é a realidade enfrentada hoje por milhares de estabelecimentos que operam com plataformas como o iFood, líder do setor no Brasil. No modelo mais popular do app, o plano “Entrega”, a comissão por pedido é de 23%, somada a uma taxa de 3,2% sobre o pagamento online e uma mensalidade de R$150 (para quem fatura acima de R$1.800). Os custos pressionam ainda mais os pequenos negócios, que precisam aumentar os preços dos pratos para manter alguma rentabilidade, o que afasta o consumidor e fecha um ciclo vicioso.

Diante desse cenário, a 99, conhecida por seu serviço de mobilidade, anunciou a chegada da 99Food, uma nova plataforma de entregas que pretende romper esse modelo. A promessa é ousada: restaurantes cadastrados não pagarão nenhuma comissão nem mensalidade pelos primeiros 24 meses de operação.

De acordo com a empresa, a iniciativa tem como objetivo devolver rentabilidade aos estabelecimentos e garantir preços mais acessíveis para os consumidores. “Restaurantes não precisam mais ceder um terço do que ganham só para cobrir custos”, afirmou Bruno Rossini, diretor sênior da 99. Segundo ele, os estabelecimentos parceiros podem aumentar em até 20% o lucro por pedido, comparado aos modelos atuais.

A 99Food funcionará em dois formatos:

  • Full Service: a 99 realiza toda a entrega, com taxa fixa conforme a distância.
  • Marketplace: o restaurante recebe os pedidos pela plataforma, mas faz a entrega por conta própria, com autonomia total.

O serviço estará disponível para o público em meados de 2025. Até lá, o cadastro de restaurantes já está aberto em todo o país por meio do site merchant.99app.com, com aviso prévio de 30 dias antes do início das operações em cada região. A plataforma pretende atrair parte dos mais de 400 mil restaurantes brasileiros que ainda estão fora do sistema de delivery por não conseguirem arcar com os custos das plataformas tradicionais.

E os entregadores?

Uma das críticas mais frequentes ao setor de delivery,  e também à economia de plataformas como um todo, é a precarização das condições de trabalho dos entregadores. Com a chegada de uma nova empresa ao mercado, é natural que surjam dúvidas sobre o que mudará para esses trabalhadores, principalmente os motoboys, que são peça-chave da cadeia.

Em resposta ao Guia Black Chef, a 99 informou que detalhes sobre a remuneração dos motociclistas parceiros serão divulgados antes da entrada em operação da 99Food. A empresa, que integra a Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), reforçou que apoia a regulamentação da categoria e aposta no crescimento do mercado como forma de gerar mais oportunidades de ganho para os entregadores.

“O ecossistema prevê mais oportunidades de ganhos para motociclistas com a opção de uma nova plataforma que tem mais de 55 milhões de usuários e que tem potencial para atrair parte dos 400 mil restaurantes que hoje não utilizam plataformas de entregas de comida”, informou a empresa. 

Para os pequenos restaurantes, pode ser o início de uma alternativa real ao modelo vigente,  com menos taxas, mais controle sobre os próprios preços e, talvez, a chance de fazer o delivery voltar a ser sinônimo de lucro.

Negros nas universidades, brancos nos cargos: quem bloqueia a mobilidade social?

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Foto: Freepik

Texto: Luciano Ramos

Nas últimas duas décadas, o Brasil avançou de forma significativa no acesso da população negra ao ensino superior. A adoção de políticas públicas como o sistema de cotas raciais, o Prouni, o Fies e a expansão das universidades federais criou caminhos para que milhares de jovens negros e negras pudessem ingressar na universidade — um espaço historicamente restrito à elite branca.

O resultado foi notável. Segundo o IBGE, entre 2010 e 2022, o número de pretos e pardos no ensino superior praticamente dobrou. De acordo com o Mapa do Ensino Superior no Brasil 2023 (Semesp), 53,8% dos estudantes matriculados em cursos de graduação são negros (pretos e pardos). Já nas universidades públicas, esse número chega a 51,2%, refletindo diretamente o impacto positivo das cotas raciais.

Mas se os dados educacionais apontam para um avanço, o mesmo não se pode dizer sobre a inserção da população negra no mercado de trabalho formal, especialmente em empregos de qualidade. Há um abismo entre o acesso ao diploma e o acesso a oportunidades reais de mobilidade social.

De acordo com a PNAD Contínua (IBGE, 2023), a taxa de desocupação entre a população preta é de 10,2%, enquanto entre brancos é de 6,3%. Quando se observa o rendimento médio, a diferença é ainda mais chocante: pessoas negras com ensino superior completo recebem, em média, 66% do salário de pessoas brancas com o mesmo nível de escolaridade.

O Instituto Ethos também mostra que apenas 4,7% das pessoas em cargos executivos nas 500 maiores empresas do país são negras — um número absolutamente desproporcional à composição racial da população. Em áreas como tecnologia, engenharia, direito e finanças, a presença de pessoas negras em posições de comando ainda é residual.

O que esses números revelam é que a educação, embora essencial, não é suficiente para garantir acesso igualitário a empregos de qualidade. O racismo estrutural atua como um filtro silencioso que rebaixa, ignora ou desacredita as competências da juventude negra. Isso se expressa em processos seletivos enviesados, redes de contatos excludentes, preconceitos sobre “perfil profissional” e ausência de políticas afirmativas no pós-universidade.

Para a juventude negra, conquistar o diploma é vencer uma corrida de obstáculos. Mas, ao final, o prêmio muitas vezes não é o esperado: ao invés de estabilidade, reconhecimento e ascensão, o que encontram é um mercado de trabalho que os recusa ou subutiliza.

É urgente que o Brasil avance para uma nova etapa: da inclusão educacional à inclusão profissional. Isso significa:

  • Implementar programas de transição universidade-trabalho com recorte racial;
  • Exigir compromissos concretos das empresas com metas de contratação e promoção de pessoas negras;
  • Criar incentivos públicos e mecanismos de responsabilização sobre diversidade;
  • Investir em formação de lideranças negras e em ambientes corporativos antirracistas.

O racismo não termina no vestibular. Ele se adapta, se moderniza e se fortalece dentro das estruturas do mundo do trabalho. Por isso, lutar por equidade no mercado é tão fundamental quanto garantir acesso à educação.

Enquanto o diploma de um jovem negro não tiver o mesmo peso que o de um jovem branco, o Brasil seguirá desperdiçando talentos, frustrando trajetórias e reforçando um modelo de desenvolvimento que exclui a maioria.

Educação liberta. Mas só quando o trabalho também reconhece e acolhe essa liberdade.

Kenya Sade comanda cobertura do show de Lady Gaga na TV Globo

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Foto: Larissa Lopes

Lady Gaga está de volta ao Brasil e quem comanda a cobertura desse momento épico é a Kenya Sade, jornalista especialista em música, que estará à frente da transmissão de ‘Todo Mundo no Rio com Lady Gaga‘, que acontece neste sábado (3), logo depois da novela ‘Vale Tudo’, na TV Globo.

Depois de 13 anos longe do Rio de Janeiro, a Mother Monster retorna com um show gratuito na Praia de Copacabana. O espetáculo traz performances da aclamada turnê ‘The Mayhem Ball’, que mistura muita música e dança.

Lady Gaga (Foto: Getty Images)

Acostumada a cobrir eventos gigantes, como a transmissão do show gratuito da Madonna no Rio em 2023, Kenya disse em entrevista ao jornal Extra que o trabalho começa meses antes da diva pisar no palco: “Pesquisamos a fundo e estudamos bastante tudo sobre o artista. Esse é o maior show da carreira da Lady Gaga, um verdadeiro espetáculo teatral de música, dança e canto que resume toda a sua trajetória”.

Com uma carreira dedicada à música, Kenya coleciona momentos icônicos. Dois deles têm lugar especial no coração da jornalista: “A vinda da Beyoncé para o evento em Salvador, em dezembro de 2023, que fiz a cobertura para o ‘Fantástico’ Pude ver minha diva do pop bem de perto! Não teve show, mas foi emocionante. O Brasil acompanhou a vinda dela por uma das lives que eu fiz. O segundo momento foi a entrevista com a Demi Lovato em 2023 para o The Town. Na época, a entrevista viralizou nas redes sociais”.

Kenya também lembra de um perrengue engraçado nos bastidores. “Uma vez, o fio da minha roupa ficou preso na calça de uma artista, e ficamos tentando tirar e rindo da situação. Imagina, fiquei super sem graça!”.

Kenya Sade e Demi Lovato (Foto: Reprodução/Instagram)

Como assistir ao show da Lady Gaga?

O Multishow entra no clima a partir das 20h15 com o Esquenta TVZ Lady Gaga, apresentado por MC Daniel e Gominho, com clipes e curiosidades da carreira da cantora. Já o show começa às 21h15 no Multishow e no Globoplay, com apresentação de Dedé Teicher e Laura Vicente, direto dos pontos de ancoragem, e Diego Martins invadindo o pit Little Monster — uma área exclusiva reservada pertinho do palco. Na TV Globo, a transmissão entra no ar depois de ‘Vale Tudo’, com Kenya Sade e Ana Clara mostrando tudo direto da praia.

Mãe busca com urgência doador de fígado para filha de 3 anos que precisa de transplante

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Foto: Reprodução

Thuanny Cruz, mãe de Maria Júlia, 3, moradora do bairro Miguel Badra, em Suzano, região metropolitana de São Paulo, enfrenta uma corrida contra o tempo para salvar a vida da filha. A criança, que passou por um transplante de fígado quando tinha 1 ano e 7 meses devido a uma rara doença chamada atresia de vias biliares (AVB), agora precisa de um novo doador para ter uma vida saudável.

A AVB é uma condição em que os ductos biliares — responsáveis por transportar a bile do fígado para o intestino — ficam obstruídos, impedindo o fluxo adequado. Após o primeiro transplante, Maria Júlia sofreu complicações, incluindo uma infecção crônica no órgão transplantado e uma intervenção intestinal que exigiu nova cirurgia. O tratamento com imunossupressores, necessários para evitar a rejeição do fígado, trouxe outro desafio: a criança desenvolveu PTLD (doença linfoproliferativa pós-transplante), um tipo de câncer associado ao uso prolongado do medicamento tacrolimus. Maria Júlia passou por oito sessões de quimioterapia e, segundo a mãe, foi curada. No entanto, os médicos afirmam que apenas um segundo transplante pode garantir sua sobrevivência a longo prazo.

Thuanny não pode doar parte do próprio fígado por ser hipertensa e fazer uso de medicamentos e agora busca a solidariedade de voluntários compatíveis. Os requisitos para doação são: sangue O+, idade entre 18 e 50 anos, ausência de doenças crônicas e peso de até 75 kg. Doadores compatíveis pode entrar em contato por telefone (Número na matéria do site).

A família aguarda por um gesto que pode mudar o destino da pequena Maria Júlia. Enquanto isso, campanhas nas redes sociais seguem na tentativa de ampliar a busca por um doador compatível. Quem for compatível pode entrar em contato através do telefone: (11) 97328-7717.

JusRacial e OAB firmam parceria para curso sobre Protocolo de Julgamento com Perspectiva Racial

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Foto: Eugênio Novaes

Durante uma reunião, realizada na última segunda-feira (28), entre o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, e o advogado Hédio Silva Júnior, ex-Secretário de Justiça de São Paulo e fundador do JusRacial, foi firmada uma parceria entre as instituições para elaboração de um curso sobre o Protocolo de Julgamento com Perspectiva Racial, a ser ministrado pela Escola Superior de Advocacia Nacional (ESA Nacional).

Aprovado em novembro de 2024 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Protocolo de Julgamento com Perspectiva Racial estabelece diretrizes para que o Poder Judiciário incorpore questões raciais em suas decisões. O documento é obrigatório e traz recomendações para magistrados. A presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Silvia Souza, que também participou da reunião, afirmou que o curso deve ser lançado ainda neste semestre: “A OAB já está tomando essa providência para lançar ainda neste semestre o curso para toda a advocacia. Isso nos ajudará a preparar a classe para advogar com a perspectiva racial, não só para o Direito Penal, mas em outras áreas também que se aplique com essa perspectiva cobrando o Judiciário decisões nesse sentido”, contou.

“A OAB dá um passo fundamental no sentido de aprimorar a formação dos advogados, e, sobretudo, impulsionar a aplicação do recentemente aprovado Protocolo de Julgamento com Perspectiva Racial”, destacou. De acordo com a OAB, o conteúdo programático do curso deve ser definido no próximo encontro.

Beto Simonetti afirmou que a criação do curso representa “uma medida efetiva de conscientização. A discriminação é algo criminoso. A OAB quer contribuir para materializar políticas e protocolos para que todos sejamos tratados como irmãos, iguais, dentro daquilo que prevê efetivamente a Constituição da República”. Ele também lembrou outras medidas tomadas pela entidade que vão de encontro às políticas de reparação da população negra, como a aprovação da política de cotas raciais para negros (pretos e pardos), no percentual de 30%, nas eleições da OAB.

Também participaram da reunião, Ana Luíza Nazário, coordenadora acadêmica da JusRacial e a secretária-geral do CFOAB, Rose Moraes.

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