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Halle Bailey acusa DDG de agressão e abuso psicológico; cantora solicita medida protetiva

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⚠️ ALERTA DE GATILHO
Esta publicação contém informações sobre violência doméstica e abuso psicológico.

A atriz e cantora Halle Bailey, conhecida por interpretar Ariel no live-action de A Pequena Sereia, entrou com um pedido de medida protetiva contra o rapper DDG, pai de seu filho, após uma série de acusações graves de agressão física e abuso emocional. A denúncia foi feita nesta terça-feira (13), em Los Angeles.

Segundo os documentos obtidos pelo site TMZ, Halle relatou que os episódios de violência começaram em janeiro deste ano, meses após o fim do relacionamento. Ela afirmou que foi agredida por DDG durante uma tentativa de conversa sobre a guarda de seu filho, Halo. No relato, Bailey diz que teve o cabelo puxado, teve o rosto jogado contra o volante do carro do ex-companheiro, e sofreu uma lasca em um dos dentes. A artista anexou fotos dos ferimentos no pedido judicial.

Halle também afirma que o rapper invadiu sua casa sem permissão em março, enviando uma foto de sua cama vazia com uma mensagem insinuando traição. Dias depois, DDG teria voltado à residência, destruído a câmera de segurança, tomado o celular da cantora e, ao fugir, arremessado o aparelho pela janela do carro, gritando insultos.

A artista relatou o caso à polícia e afirmou ter imagens da câmera que comprovam sua versão. O rapper, por sua vez, usou as redes sociais para afirmar que estaria “lutando para ver o filho há meses”.

Memórias do dia 13 de maio

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Carrego lembranças desagradáveis relacionadas ao 13 de maio, celebração da abolição da escravidão. E nem digo pela questão histórica que todos nós sabemos ser uma narrativa racista para alienar as nossas consciências e colocar a Princesa Isabel como heroína do povo negro. O sistema ofusca as críticas às condições em que a liberdade estava colocada, após séculos de massacre e exploração de pessoas africanas. A

s memórias incômodas têm relação com a experiência na escola. O racismo saía pelos poros de algumas crianças brancas, principalmente no mês de maio. Eu queria sumir sempre que os professores abordavam a escravidão no Brasil, pois em meio à narrativa de sofrimento as crianças brancas ficavam olhando com cara de piedade para nós, negros. Era puro fingimento, afinal, quando íamos para o intervalo elas se transformavam. Gargalhando, diziam coisas do tipo: “Cuidado! A Lei Áurea foi assinada a lápis…. qualquer borracha apaga.” O pior é que não adiantava falarmos para os professores, eles não tinham atitudes enérgicas para acabar com o racismo recreativo.

Em uma ocasião, a mãe de um amigo foi à escola denunciar que o filho havia chegado em casa chorando, pois foi chamado de “macaco escravo”. Mas adivinha o que aconteceu? O caso foi tratado como “coisa de crianças”, e que “não seria motivo para tanta preocupação”, nas palavras da diretora. Claramente, ela estava negligenciando o papel da escola como espaço de celebração e respeito às diferenças. A formação escolar que ignora tal componente não contribui para uma sociedade solidária e democrática. Essa é uma escola que não nos interessa como nação.

Conheço pessoas que dizem que essas situações foram superadas nas escolas, no entanto estão enganadas. Afirmo sem sombra de dúvidas, a pertinência atual do pensamento da doutora Nilma Lino Gomes (2003), “A escola, enquanto instituição social responsável pela organização, transmissão e socialização do conhecimento e da cultura, revela-se como um dos espaços no qual as representações negativas sobre o negro são difundidas.”

Para os que acham exagero da minha parte, basta pesquisarem nos portais de notícias e encontrarão uma imensidão de casos de racismo nas escolas. Inclusive associações que remetem diretamente ao período da escravidão : “Macaco, escravo, preto adotado”, “Saudade de quando preto era escravo”, “Quer ser meu escravo?”. Essas manchetes de notícias, encontrei numa pesquisa básica pelas redes sociais. Diante dessa realidade complexa, com os aparelhos do Estado cada vez mais omissos na proteção do nosso povo, os militantes e ativistas negros, além de organizações compromissadas com a luta antirracista, devem construir formas de educar as crianças e jovens negros para se defenderem da violência racista. Afinal, a escola continuará sendo um espaço hostil e adoecedor para as nossas crianças.

13 de Maio: o mito da abolição e os grilhões do século XXI

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Foto: Reprodução/Freepik

Por Luciano Ramos

O 13 de maio de 1888 é comumente lembrado como o dia em que a escravidão foi oficialmente extinta no Brasil. A narrativa histórica dominante, por muito tempo, celebrou esse momento como símbolo de liberdade e civilização, com a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. No entanto, uma análise crítica nos leva a enxergar esse marco não como um gesto de emancipação plena, mas como o início de uma nova forma de opressão — mais velada, mas igualmente violenta.

A abolição foi formal. Os negros e negras que por séculos sustentaram economicamente o país sob o regime de escravidão foram deixados à própria sorte. Nenhuma política de inclusão foi implementada. Não houve acesso à terra, à educação, ao trabalho digno, tampouco qualquer tipo de reparação. Os senhores de escravizados, por outro lado, permaneceram intocados, muitos inclusive indenizados pelas “perdas” que tiveram. O Estado brasileiro se omitiu diante da miséria previsível, institucionalizando o abandono da população negra recém-liberta.

Mais de um século depois, vivemos sob a permanência dos grilhões do racismo estrutural. O Brasil do século XXI continua sendo um país onde a cor da pele determina, em grande medida, quem vive e quem morre, quem é preso e quem ocupa cargos de poder, quem tem acesso a oportunidades e quem sobrevive à margem. Jovens negros são alvos preferenciais da violência policial. Mulheres negras são a base da pirâmide do trabalho informal e precarizado. A exclusão não apenas persiste — ela se reinventa.

É urgente também desfazer o mito de que a liberdade foi um presente dado à população negra. A abolição foi conquistada com muita luta: quilombos, revoltas, fugas, articulações políticas e intelectuais do movimento negro da época. Essas resistências foram sistematicamente apagadas da história oficial, substituídas pela imagem salvadora da princesa branca. Ressignificar o 13 de maio exige reconhecer esse apagamento e devolver o protagonismo a quem de fato construiu o caminho da liberdade.

O Brasil tem uma dívida histórica com sua população negra — uma dívida que ainda está longe de ser paga. Reparação não é favor, é justiça. Isso passa por políticas públicas robustas de ação afirmativa, pela defesa das cotas raciais, pelo fortalecimento das culturas negras, pela proteção das juventudes negras, pelo combate ao genocídio institucionalizado, pelo acesso à terra, à saúde, à educação e à dignidade.

O 13 de maio deve ser lembrado, sim. Mas não como um dia de celebração. Deve ser um dia de memória crítica, de denúncia, de reafirmação da luta antirracista e de compromisso com um país verdadeira

Halle Berry reflete sobre James Bond: “Talvez já tenha passado a hora de 007 ser uma mulher”

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Halle Berry, a eterna Jinx de 007 – Um Novo Dia para Morrer (2002), foi o grande nome da coletiva do júri do Festival de Cannes nesta terça-feira, 13 de maio. Quase duas décadas após sua última participação no evento, a atriz voltou a Cannes em grande estilo, dividindo espaço com a presidente do júri, Juliette Binoche, e sendo questionada sobre sua trajetória e visões sobre o cinema atual.

Ao ser lembrada de que sua personagem quase ganhou um filme solo, uma ideia que acabou sendo descartada pelos produtores da franquia James Bond, Berry falou com franqueza. A conversa evoluiu para uma pergunta recorrente na internet: será que já não é hora de 007 ser uma mulher?

Ela respondeu.
“Em 2025, é bonito dizer que 007 deveria ser uma mulher, mas não sei se esse é o caminho certo. E não, duvido que isso vá acontecer. Teve um momento em que isso poderia, e provavelmente deveria, ter acontecido. Teríamos adorado. Mas acho que esse tempo passou.”

Mesmo sem defender diretamente a mudança, Berry expôs a frustração com as oportunidades perdidas e a resistência da indústria. Como mulher preta que já fez parte desse universo, sua opinião carrega peso e experiência.

Um jornalista perguntou se ela se sentia preparada para avaliar os filmes da Competição de Cannes. Uma pergunta raramente feita a artistas brancos. Berry respondeu com firmeza.
“Estar nessa indústria por mais de 30 anos já me dá uma perspectiva. Ninguém aqui é dono da verdade. Viemos de culturas e famílias diferentes.”

Ela também deixou claro para onde seu coração aponta quando o assunto é cinema.
“Pessoalmente, gosto de ver cada vez mais mulheres, e mulheres pretas, contando suas histórias.”

A presença de Halle Berry em Cannes não foi apenas uma celebração da sua carreira. Foi também um lembrete do poder da representatividade e da urgência em abrir espaço para novas narrativas.

Com destaque em profissionais negros na gastronomia, “O Urso” estreia nova temporada em junho

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A aclamada série “O Urso” (“The Bear”), produção da FX exibida no Brasil pelo Disney+, foi oficialmente renovada para sua quarta temporada, com estreia marcada para 25 de junho de 2025. O anúncio reforça o sucesso contínuo da produção, que não apenas conquistou crítica e público, mas também tem se destacado por ampliar a representatividade negra em papéis de protagonismo no universo da gastronomia.

Entre os maiores destaques está Ayo Edebiri, que interpreta a chef Sydney Adamu, uma jovem sous-chef ambiciosa que luta para se afirmar em um ambiente de alta pressão e predominância masculina. Com uma atuação elogiada pela crítica, Edebiri conquistou o Emmy e o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia em 2024. Ela também foi indicada ao prêmio do Directors Guild of America por sua estreia como diretora no episódio “Napkins”, centrado na trajetória de uma cozinheira negra durante a pandemia.

Outro nome importante do elenco é Lionel Boyce, que vive Marcus Brooks, o confeiteiro apaixonado pela arte e pela precisão da doçaria. Sua personagem é uma das mais sensíveis da trama e reflete, com delicadeza, as barreiras que homens negros enfrentam para serem levados a sério em setores criativos e técnicos da gastronomia. A série também conta com Liza Colón-Zayas no papel de Tina, funcionária experiente da cozinha cuja jornada de transformação profissional traz à tona questões de raça, gênero e pertencimento.

Na premiação do Emmy de 2024, “O Urso” fez história ao se tornar a série de comédia mais indicada em uma única temporada, com 23 indicações. Levou 11 prêmios, incluindo Melhor Série de Comédia. Foi também a primeira vez que duas mulheres negras venceram simultaneamente as categorias de Melhor Atriz Principal e Melhor Atriz Coadjuvante em série de comédia, com Quinta Brunson e Ayo Edebiri, respectivamente.

Com episódios que mesclam tensão, sensibilidade e crítica social, “O Urso” se firma como uma narrativa contemporânea sobre pertencimento, coletividade e as fissuras emocionais de quem vive para servir aos outros, temas que se intensificam quando atravessados por raça e classe. A quarta temporada promete dar continuidade a esses arcos, aprofundando os dilemas de Sydney, que agora precisa decidir entre permanecer no restaurante “The Bear” ou aceitar uma proposta em um restaurante de alta gastronomia. Marcus e Tina também devem ganhar mais destaque, reafirmando o compromisso da série em mostrar personagens negros em espaços de protagonismo e excelência.

Festival Negritudes Globo reúne Alcione, Gilberto Gil e mais nomes no Rio em celebração à cultura negra

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Foto: Globo/ Daniela Toviansky | Foto Alcione: Globo

A segunda edição do Festival Negritudes Globo no Rio de Janeiro já tem data confirmada: 15 de maio, quinta-feira, no Galpão da Cidadania, com entrada gratuita. O evento, que celebra as narrativas negras na cultura brasileira, terá como atrações musicais Alcione e Mumuzinho, além de painéis com Gilberto Gil, Maju Coutinho, Tony Tornado, Duda Santos, Isabel Fillardis, Kenya Sade e Erika Januza, entre outros.

A programação começa com um show de abertura de Alcione e Mumuzinho, seguido por um painel em homenagem à “Dama do Samba”, com participação da atriz Isabel Fillardis e do pesquisador Pedro Rajão, mediado por Aline Midlej. Gilberto Gil, ícone da música e da cultura negra no Brasil, será entrevistado pela jornalista Maju Coutinho no painel “Tempo Rei, Tempo Gil”, em que compartilhará sua trajetória e influências na identidade brasileira.

Outros destaques incluem debates sobre fé, amor e família, com a participação dos atores Tony Tornado e Lincoln Tornado (pai e filho), o casal Aline Wirley e Igor Rickli, além da jornalista Flavia Oliveira e sua filha Isabela Oliveira. Já a mesa “Luz, Câmera e Autoestima Negra” discutirá representatividade no audiovisual, com a atriz Duda Santos, a roteirista Renata Sofia e o filósofo Renato Noguera, mediados por Kenya Sade.

Quem não puder comparecer poderá acompanhar a transmissão ao vivo pelo Canal Futura, no Globoplay, com acesso aberto a não assinantes. O festival também terá edições em Salvador e São Paulo ao longo de 2025. A primeira parada, em 2024, reuniu mais de 1,5 mil pessoas na Gamboa, com participações de Taís Araujo, Lázaro Ramos e Regina Casé.

Cobertura especial

O evento também contará com a cobertura especial do podcast “Ubuntu Esporte Clube”, do ge. Os jornalistas Marcos Luca Valentim, Pedro Moreno, Rafaelle Seraphim e Thales Ramos, apresentadores do projeto – idealizado e produzido integralmente por profissionais negros –, farão uma live a partir das 15h, entrevistando personalidades que passarão pelo evento. A transmissão será no portal do ge e no YouTube do canal.

Programação principal (Palco Negritudes Globo):

  • 9h: Abertura dos portões
  • 10h: Show de Alcione e Mumuzinho
  • 10h20: Painel sobre Alcione, com Isabel Fillardis e Pedro Rajão (mediação: Aline Midlej)
  • 11h45: Debate “Fé, amor e família”, com Tony Tornado, Aline Wirley e Flavia Oliveira
  • 13h45: Painel “Luz, Câmera e Autoestima Negra”, com Duda Santos e Renato Noguera
  • 15h05: Mesa sobre música negra, com MV Bill, Neguinho da Beija-Flor e Erika Januza
  • 16h15: Entrevista de Gilberto Gil com Maju Coutinho

As inscrições podem ser feitas no site negritudesglobo.com.br.

Cassie Ventura relata abusos e “rituais coreografados” em depoimento perturbador durante julgamento de Diddy

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Foto: Getty Images

⚠️ Alerta de Gatilho: Este conteúdo aborda temas como abuso sexual e violência doméstica.

A cantora Cassie Ventura, ex-namorada do rapper e produtor musical Sean “Diddy” Combs, prestou um depoimento considerado bastante perturbador e detalhado na terça-feira (13), durante o julgamento federal que investiga o artista por tráfico sexual e outros crimes. Um dia antes, o júri havia assistido a um vídeo em que Combs aparece espancando Cassie em um hotel, em 2016.

Cassie, que está grávida de seu terceiro filho, fruto de seu casamento com Alex Fine, se emocionou ao relatar abusos físicos e psicológicos, sexo forçado e episódios de violência durante os mais de dez anos de relacionamento com Combs. Segundo ela, as agressões incluíam socos, chutes, pisões e arrastões, em geral após discussões violentas. Questionada sobre a frequência da violência, respondeu: “Com muita frequência”.

A promotoria acusa Combs de conspiração para extorsão, duas acusações de tráfico sexual por força, fraude ou coerção, e duas de transporte para fins de prostituição. O rapper se declarou inocente. No interrogatório conduzido pela procuradora-assistente dos EUA, Emily Johnson, uma pergunta se repetiu: de quem foi a decisão? Cassie respondeu, sempre: “Sean”. Ela afirmou que o artista a envolvia em “aberrações” sexuais, chamadas de “freak offs” — encontros altamente orquestrados com uso de óleo de bebê, acompanhantes do sexo masculino, cera de vela e drogas. “As aberrações se tornaram um trabalho em que não havia espaço para fazer mais nada além de me recuperar e tentar me sentir normal novamente”, disse.

Cassie contou que o controle de Combs se estendia a todos os aspectos da vida dela, da carreira ao modo de vestir. Disse que mantinha relações sexuais com ele por obrigação e sob ameaça de chantagens. “Eu não sabia o que ‘não’ poderia ser, ou no que ‘não’ poderia se transformar”, afirmou.

Ela descreveu episódios em que, após recusar seus chamados, era perseguida por ligações incessantes e por seguranças do artista. Disse que Combs monitorava seus passos e que chegou a lhe alugar apartamentos em Nova York e Los Angeles para mantê-la próxima, com acesso livre a ambos os locais.

Durante o depoimento, Cassie chorou ao lembrar que os únicos momentos em que se sentia próxima de Combs eram justamente durante os “surtos” sexuais. Em uma ocasião, ela foi colocada em uma piscina inflável com óleo de bebê e lubrificantes, dentro de um quarto de hotel, onde deveria entrar com “roupa” e sapatos. “Foi uma bagunça”, disse. “Era como se eu dissesse: ‘O que estamos fazendo?’”

A promotora também abordou o impacto dos episódios na carreira de Cassie, que assinou com a gravadora Bad Boy Records, de Combs, em 2006. Segundo ela, criou centenas de músicas, mas apenas algumas foram lançadas. “Os surtos viraram um trabalho”, afirmou. Os encontros duravam até 48 horas e exigiam recuperação física por causa de desidratação, fadiga e uso de entorpecentes, disse.

Cassie contou que Combs apresentou a ela o ecstasy durante uma viagem a Miami, onde também aconteceu a primeira relação sexual entre os dois. Ela afirmou que era sexualmente inexperiente à época, tinha 22 anos, e que se sentia confusa, mas também apaixonada. “Eu estava realmente confusa na época. E jovem.”

Fotos exibidas no tribunal mostravam momentos de intimidade do casal, inclusive no banco de trás de um carro e em clubes noturnos. Cassie disse que no início não falavam publicamente sobre o relacionamento, porque Combs temia que parecesse favorecimento, já que produzia suas músicas.

O depoimento também incluiu menção a um episódio em que Combs deixou uma “surpresa” sexual em sua casa para confrontar o executivo Suge Knight em um restaurante em Los Angeles. Cassie disse que o rapper saiu com armas após ser informado sobre o paradeiro de Knight. “Eu estava chorando. Eu estava gritando, tipo ‘Por favor, não façam nenhuma besteira’. Eu estava muito nervosa por eles. Eu não sabia o que eles iam fazer”, afirmou. “É como se eu nem estivesse lá.”

A defesa de Combs, representada pelo advogado Marc Agnifilo, argumentou que os vídeos usados como provas são de “natureza pornográfica adulta” e que não deveriam ser exibidos publicamente. A promotora Emily Johnson rebateu, alegando que há precedentes para manter os registros fora do domínio público.

O júri é composto por doze pessoas — oito homens e quatro mulheres — e seis suplentes. Entre eles estão um massagista, um analista de investimentos e um atendente de delicatessen. Suas identidades são conhecidas pelas partes envolvidas, mas não foram reveladas ao público.

O julgamento continua nos próximos dias.

OBS.: Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência doméstica ou suspeita de abuso sexual infantil, é fundamental buscar ajuda. No Brasil, denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100 (Direitos Humanos) e pelo 180 (Central de Atendimento à Mulher). Além disso, delegacias especializadas, conselhos tutelares e o Ministério Público também podem ser acionados. Em casos de emergência, ligue para o 190 (Polícia Militar). A denúncia é um passo essencial para interromper o ciclo da violência e proteger as vítimas.

5 chefs negros e a conexão entre identidade racial e gastronomia

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Neste 13 de maio, Dia Nacional do Chef de Cozinha — data criada em 1999 pela Associação Brasileira da Alta Gastronomia (ABAGA) — celebramos aqueles que transformam ingredientes em experiências memoráveis. Para o Guia Black Chefs, essa é também uma data de resistência e afirmação: valorizar chefs negros é reconhecer os saberes, as histórias e os sabores que constroem a diversidade da cozinha brasileira.

Neste especial, cinco chefs negros compartilham como suas trajetórias e identidades raciais moldam seu trabalho e sua visão da gastronomia. São vozes que carregam ancestralidade, superação, intuição e o desejo de construir novos espaços para a culinária negra no Brasil.

Igor Gabriel – Arquivo pessoal

Chef Igor Gabriel Alves dos Reis — Belo Horizonte/MG
Instagram: @igorgabriel_28
“Vejo uma profunda conexão de representatividade. Estou aqui para romper com a falta de oportunidades que existe para nós, pretos.”

Chef Júlio G. Meira – Arquivo pessoal

Chef Júlio G. Meira — Santa Maria/RS
Instagram: @chefjuliogmeira
“Minha identidade racial é profundamente ligada à minha ancestralidade, espiritualidade e união familiar, refletindo diretamente na minha gastronomia.”

Chef Thais Ferreira Alves Monteiro — Rio de Janeiro/RJ
Instagram: @kinitysgourmet_ “Já enfrentei o preconceito inúmeras vezes, mesmo trazendo histórias, lembranças e sabor nos meus pratos. Continuo resistindo pela força da minha identidade negra.”

Chef Júlia Almeida
Instagram: @julia.hsalmeida
“Minha identidade racial e espiritualidade guiam cada criação na cozinha. Me inspiro nas raízes da culinária brasileira, na resistência negra e indígena.”

Chef Andreza Cristina Silva Conceição
Instagram: @confeitariaeuforia
“Sonho com uma confeitaria onde a negritude esteja presente em todos os detalhes: funcionários negros, decoração com ídolos negros e sabores que celebrem nossa cultura.”

Neste Dia do Chef, celebramos mais do que técnicas e receitas — celebramos história, força e pertencimento. Que a cozinha continue sendo um espaço onde a identidade negra floresce, alimenta e transforma.

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Michael B. Jordan amplia universo de ‘Creed’ com série ‘Delphi’ para o Prime Video

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O astro Michael B. Jordan está trabalhando na expansão do universo de ‘Creed’ após o Prime Video confirmar a produção da série ‘Delphi’, drama que mergulhará no mundo de aspirantes a boxeadores da academia homônima, palco de momentos marcantes tanto na saga ‘Rocky’ quanto em seu spin-off protagonizado por Jordan.

A produção será liderada pelo próprio Michael B. Jordan – estrela dos filmes Creed – e por Marco Ramirez, que ficará responsável pelo desenvolvimento criativo da nova série. A trama se passará na Delphi Boxing Academy, fundada por Tony “Duke” Evers, treinador de Apollo Creed, e hoje administrada por seu filho, Tony “Little Duke”. O local também serviu como base para Adonis Creed (personagem de Jordan), filho de Apollo.

A ideia de expandir o universo Creed para além dos cinemas vem sendo discutida há anos. Em comunicado, Jordan destacou o espírito da nova série: “Delphi honra a essência do que fez Rocky e Creed tão especiais – histórias sobre superação, legado e a família que construímos no caminho. Mal posso esperar para apresentar essa nova geração de lutadores”.

A aposta faz parte da estratégia da Amazon em aproveitar o catálogo da MGM, adquirida por US$ 8,5 bilhões em 2021. Além de ‘Delphi’, o estúdio prepara adaptações como ‘Elle’ (baseado em Legalmente Loira), ‘Barbershop’ e uma nova versão de ‘Tomb Raider’.

13 de maio: 14 de maio, o dia seguinte

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Foto: Rui Santos/Domínio Público

por Rodrigo França

Naquela madrugada, as correntes já não tilintavam nas pernas dos corpos pretos — mas continuavam apertadas em torno de seus destinos. Não houve festa. Não houve promessa de futuro. Só o silêncio cruel de quem, ao supostamente conceder a liberdade, mesmo antes retirando o chão, a casa, o sustento, o nome e demonizando a fé. O 13 de maio chegou com uma assinatura e partiu como um abandono. No dia seguinte, era a fome quem aguardava nas esquinas. Era o esquecimento que tomava conta das igrejas, dos jornais, das praças e das escolas. A liberdade, para o povo negro, veio sem terra, sem teto, sem emprego, sem educação, sem indenização, sem cidadania. Porque antes da travessia tudo isso existia, com excelência.

O mito da abolição é um dos maiores engodos da narrativa nacional. Em vez de simbolizar um gesto de justiça, tornou-se marco da negligência: o Estado brasileiro rompeu formalmente com a escravidão, mas não com a lógica escravocrata. As pessoas antes mercadoria tornaram-se descartáveis. A liberdade virou sinônimo de marginalidade. Não foi à toa que os primeiros códigos penais do pós-abolição trataram de enquadrar a vadiagem como crime. Para o Estado, a presença negra livre nos centros urbanos passou a representar uma ameaça.

Em 1888, o Brasil era o último país do Ocidente a abolir a escravidão. Milhares de pessoas ainda estavam legalmente escravizadas. Mas milhões de outras, nascidas livres e descendentes de africanos, já haviam sentido a brutalidade de um sistema que se sustentava na racialização do trabalho, no controle dos corpos e na negação de direitos. A Lei Áurea, com seus míseros dois artigos, não previa nenhuma política de inclusão. Nenhuma medida de reparação. Nenhuma menção à justiça.

Enquanto os senhores de escravizados receberam indenizações por suas “perdas”, os libertos foram lançados à própria sorte. Sem terras, foram impedidos de participar dos programas de colonização voltados à imigração europeia. Sem acesso à educação, viram-se confinados ao subemprego. Sem direitos civis plenos, tornaram-se alvo fácil das forças repressoras. O 13 de maio não selou a liberdade: instituiu a exclusão como política pública.

Há uma permanência desse projeto de exclusão. Basta observar os dados contemporâneos. Segundo o IBGE, as pessoas negras representam mais de 70% da população em situação de pobreza extrema no país. São 75% das vítimas de homicídio, segundo o Atlas da Violência. São minoria nas universidades, nos cargos de liderança, nos espaços de poder. A cada passo da história brasileira, é possível rastrear o eco do abandono do dia seguinte.

O racismo estrutural não nasceu do nada — ele é herdeiro direto da escravidão não reparada. A ausência de uma reforma agrária, a negação de políticas afirmativas por décadas, a criminalização das culturas negras, a marginalização dos territórios quilombolas, tudo isso se conecta a 14 de maio de 1888: o dia em que o Brasil acordou sem escravidão, mas continuou profundamente escravocrata.

E, ainda assim, resistimos. A cada terreiro que se reergue após ataques. A cada roda de samba que entoa a ancestralidade. A cada sala de aula que hoje tem um professor negro ou professora negra contando outra versão da história. A cada artista preto que performa, canta, dirige, lidera. Não por generosidade do Estado, mas apesar dele. Cada conquista é fruto de uma luta árdua, silenciosa ou estrondosa, mas incessante.

A abolição, para o povo negro, continua sendo um processo inacabado. Ela não será completa enquanto houver genocídio da juventude negra. Enquanto mães pretas continuarem enterrando seus filhos. Enquanto os becos forem mais vigiados que os gabinetes. Enquanto a pele determinar o futuro de uma criança. Enquanto a dívida histórica não for reconhecida, debatida e reparada — e não com esmolas ou homenagens pontuais, mas com políticas públicas consistentes, com orçamento, com responsabilidade, com mudança de estruturas.

O 13 de maio, portanto, deve ser lembrado — não como data de libertação, mas como marco do não-feito, do que foi negado. Como memória da traição. E como combustível para o que ainda precisa ser construído: um Brasil onde o povo negro não precise mais resistir para simplesmente existir.

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