Jessie e D’Lila Combs dão primeira entrevista desde a condenação do pai e comentam conselhos recebidos dele para tocar nova marca de roupas, a 12TWINTY1.
Jessie James Combs e D’Lila Star Combs, filhas gêmeas de 19 anos de Sean “Diddy” Combs e da atriz Kim Porter, concederam à jornalista Nischelle Turner, da Entertainment Tonight, a primeira entrevista desde a condenação do pai, cumprida em julho de 2026 por dois crimes de transporte para fins de prostituição, que resultaram em pena de 50 meses de prisão na unidade federal de Fort Dix. Combs foi absolvido das acusações mais graves de organização criminosa e tráfico sexual que também constavam do processo.
Questionadas sobre eventual receio em se expor ao público neste momento, as irmãs foram responderam: “Não. De forma alguma”, e explicaram o motivo: “As pessoas não percebem que, só porque ele é o nosso pai, não significa que a imprensa dele seja a nossa imprensa. A nossa imprensa é a nossa imprensa. Nossa linha de roupas é a nossa linha de roupas, não a linha de roupas dele. É separado. As pessoas não entendem que também somos indivíduos.”
Sobre o momento escolhido para lançar a marca, em meio à repercussão do processo do pai, as gêmeas reforçaram que o projeto vinha sendo amadurecido havia anos. “Nós queríamos ter uma linha de roupas há muitos, muitos anos. Agora é o momento porque estamos nos tornando adultas. Nós realmente temos tempo. Temos 19 anos, não estamos mais no ensino médio, estamos nos tornando jovens mulheres.” A coleção de estreia da 12TWINTY1 recebeu o nome de “777”, em referência aos sete minutos que separam o nascimento das duas.
A respeito da relação atual com o pai, as irmãs descreveram vínculo próximo: “Está ótima! É ótima, com certeza somos muito próximas. E ele dá os melhores conselhos. Ele é muito, muito experiente nesse aspecto. Nós perguntamos a ele o tempo todo, tipo, quando precisamos de ajuda com algo.” Segundo as gêmeas, um ensinamento do pai se tornou referência direta na condução do negócio. “O sucesso não será entregue de bandeja para você. Tipo, não espere estender as mãos e o sucesso virá. Você tem que trabalhar duro, tem que dedicar tempo. Esse conselho realmente nos moldou hoje, porque nós nos esforçamos muito. Ele tem sido muito, muito prestativo.”
Procurado pela imprensa americana após o lançamento da marca, Combs declarou orgulho do empreendimento das filhas e disse esperar que o público julgue a 12TWINTY1 pela qualidade do que foi criado, sem associar o projeto à situação jurídica dele.
Atriz angolana vive Binta Faye, candidata a rainha que desperta o interesse do rei Jendal na novela A Nobreza do Amor, com estreia em 17 de julho.
A atriz angolana Lesliana Pereira estreia nesta sexta-feira, 17 de julho, na novela “A Nobreza do Amor”, da TV Globo, na pele de Binta Faye, uma jovem da nobreza senegalesa que chega ao reino fictício de Batanga para disputar o posto de rainha ao lado do rei Jendal, vivido por Lázaro Ramos. A personagem surge como uma das principais concorrentes ao título logo na cerimônia de apresentação das candidatas, quando desperta a atenção imediata do monarca.
Jendal demonstra fascínio por Binta e comenta o significado do nome da personagem, associado à força, à beleza e à inteligência, além de elogiar sua aparência diante das demais concorrentes. Ao notar as joias e os sinais de riqueza da família da jovem, o rei passa a considerá-la também uma possível aliança política e econômica para Batanga, fator que altera o equilíbrio entre as pretendentes ao trono e projeta consequências para a trajetória do vilão da trama.
Foto: Globo/ Fábio Rocha
Em comunicado distribuído pela Globo, Lesliana Pereira descreve a personagem como “o diamante da temporada” e destaca o caráter estratégico de Binta na disputa pela coroa. Natural de Soyo, na província do Zaire, em Angola, e criada entre Angola e Portugal, a atriz conquistou os títulos de Miss Zaire e Miss Angola em 2008, marco que impulsionou sua carreira internacional na televisão e no cinema entre os dois países, além de destacar a proximidade que sente com o público brasileiro, resultado de afinidades culturais entre Angola e o Brasil na música, na alegria e no ritmo de viver.
Ferramenta considera tempo de trabalho, materiais, deslocamento e despesas operacionais para ajudar profissionais a calcular o valor dos serviços
Definir o preço de uma trança envolve tempo de execução, produtos, deslocamento, taxas de pagamento e despesas do espaço de atendimento, mas nem sempre esses gastos são considerados pelos profissionais.
Para auxiliar nesse processo, o Salão Preta Brasileira lançou uma calculadora gratuita de precificação voltada aos trancistas. A ferramenta permite reunir os custos envolvidos no atendimento e obter uma estimativa que pode servir como referência para a formação do preço.
O lançamento ocorre pouco mais de um ano depois da inclusão da ocupação de trancista na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), sob o código 5161-65. Oficializada em 2025, a medida ampliou a visibilidade administrativa do ofício e sua identificação em registros relacionados ao mercado de trabalho.
A inclusão na CBO, no entanto, não equivale à regulamentação da profissão. O próprio Ministério do Trabalho e Emprego explica que a classificação reconhece a existência da ocupação para fins administrativos e estatísticos, enquanto a regulamentação depende da aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional.
O que fica de fora na hora de calcular o preço?
A calculadora foi desenvolvida a partir do acompanhamento de mais de 300 trancistas formadas pelo Preta Brasileira e das dúvidas apresentadas em grupos de desenvolvimento profissional, segundo a instituição.
“A precificação é uma das dúvidas mais recorrentes entre as trancistas. Muitas dominam a técnica, mas nem sempre possuem ferramentas para calcular corretamente seus custos e transformar seu trabalho em um negócio financeiramente sustentável”, afirma Suelen Lima, cofundadora do Salão Preta Brasileira.
Entre os problemas identificados está a definição do preço baseada apenas no valor da fibra ou na comparação com o que outras trancistas cobram. Essa referência externa não necessariamente contempla as diferenças entre a rotina, os custos e as metas de cada profissional.
Um serviço de tranças pode incluir, além dos materiais principais, produtos utilizados na preparação e na finalização dos cabelos, transporte, alimentação, energia elétrica, manutenção do espaço, taxas de cartão ou plataforma de pagamento e as horas dedicadas ao atendimento.
“Quando a profissional passa a analisar todos os custos envolvidos, muitas vezes percebe que estava trabalhando com uma margem muito menor do que imaginava”, explica Suelen.
Como a calculadora funciona?
Na plataforma, a trancista pode informar o modelo de trança, o tempo estimado para concluir o serviço, os gastos com materiais, o deslocamento, os custos adicionais, a frequência de atendimentos e o objetivo de faturamento.
A partir desses dados, a calculadora apresenta uma estimativa. O resultado não determina quanto todas as profissionais devem cobrar, mas oferece uma base para que cada trancista avalie o valor de acordo com sua realidade, experiência e condições de trabalho.
A lógica de cálculo foi elaborada pelo Preta Brasileira com base em 15 anos de atuação no setor. A equipe utilizou inteligência artificial generativa como apoio na programação da plataforma, mas afirma que os critérios considerados pela ferramenta foram definidos a partir do acompanhamento das profissionais.
“O conhecimento foi construído na prática, acompanhando a realidade das trancistas ao longo dos anos. A tecnologia nos ajudou a transformar essa experiência em uma ferramenta simples e acessível, capaz de apoiar profissionais em diferentes momentos da carreira”, diz Suelen.
Antes de ser disponibilizada ao público, a calculadora foi testada por mais de 80 trancistas ligadas à instituição. A etapa serviu para avaliar se os campos e resultados estavam próximos das situações encontradas no trabalho cotidiano.
Christopher Nolan parece ter conquistado o público com A Odisseia. O épico de 172 minutos, escrito e dirigido pelo vencedor do Oscar, estreou hoje (16) nos cinemas brasileiros cercado de grande expectativa e, após a divulgação das primeiras críticas, já desponta com 98% de aprovação no Rotten Tomatoes.
A Odisseia é baseada em um dos maiores poemas da Grécia Antiga, de autoria de Homero, e acompanha Odisseu (interpretado por Matt Damon) em sua longa jornada de volta para casa após a Guerra de Troia, enquanto seu palácio é ameaçado por um grupo que acredita que o rei está morto. Na nova versão, o diretor amplia o peso dramático do conjunto de personagens diversos e inclui nomes como Zendaya, Lupita Nyong’o, Travis Scott, Corey Hawkins e Himesh Patel em um universo marcado por mitologia, conflitos e disputas de poder.
As avaliações iniciais têm elogiado o elenco estelar, o alcance visual, a escala da produção e o modo como Nolan combina grandiosidade com tensão dramática. Em diferentes veículos, os críticos destacaram o uso do IMAX, as sequências de ação e a capacidade do diretor de transformar um texto clássico em cinema de alta voltagem.
Entre os destaques do elenco, Zendaya interpreta Atena, a deusa grega da sabedoria, da estratégia e da guerra. Ela atua como uma figura de orientação e proteção na trajetória de Odisseu, com uma presença que promete ser decisiva para a narrativa.
Já Lupita Nyong’o chega ao longa-metragem interpretando duas personagens: Helena de Troia e sua irmã gêmea, Clitemnestra — figuras fundamentais para o imaginário da Guerra de Troia e seus desdobramentos. “Esperamos que o público sinta o peso da guerra sobre as duas, embora cada uma carregue esse peso de uma maneira muito diferente”, disse a atriz em entrevista ao UOL.
O rapper Travis Scott foi escalado para interpretar Demódoco, um poeta cego — papel diretamente ligado à tradição oral da história. A presença do artista no filme chamou a atenção por aproximar a linguagem de um clássico grego a uma performance musical contemporânea.
Himesh Patel dá vida a Euríloco, o cunhado de Odisseu, enquanto Corey Hawkins também interpreta Polybus.
A Odisseia também é estrelada por Tom Holland, Anne Hathaway, Elliot Page, Robert Pattinson, Jon Bernthal e muitos outros.
O Festival Julho das Pretinhas chega à 7ª edição entre 20 e 25 de julho em Salvador, com programação gratuita voltada para crianças, adolescentes, famílias e educadores. Idealizado pela atriz, escritora e educadoraCássia Valle e realizado pelo Instituto Calu Brincante, o evento tem curadoria de Lázaro Ramos, Valdineia Soriano, Lucila Laura, Pietra Gomes e Ayana Dantas e propõe fortalecer identidades das infâncias negras por meio da arte, da literatura e do brincar.
Com o tema “Imaginação, criatividade e criação para a construção das identidades infantis pretas”, esta edição destaca o poder criativo das crianças negras e investiga como práticas artísticas positivas para o pertencimento, a autoestima e o reconhecimento de suas histórias. “O Julho das Pretinhas nasce do desejo de construir lugares onde nossas crianças possam se enxergar, criar e sonhar a partir das suas próprias referências. Quando uma criança negra encontra histórias, personagens e experiências que valorizam sua existência, ela entende que sua imaginação também é território de potência e transformação”, afirma Cássia Valle.
A 7ª edição acontece na Biblioteca Monteiro Lobato e na sede da Didá. A abertura está marcada para 20 de julho, às 14h, na Biblioteca Monteiro Lobato, com a ação Fala Pretinhas — encontro com autores da coleção Linguinha do Dendê que compartilhamão processos criativos e inspirações — seguido da leitura dramatizada Maria Felipa.
No dia 21 de julho, das 14h às 17h, a sede da Didá recebe a Oficina Brinquerê, com atividades de escrita criativa, musicalização, teatro, dança e palhaçaria externas a crianças e profissionais da educação.
No dia 23 de julho, às 14h, será inaugurada a exposição Pretinhas Brincantes, seguida da apresentação de Griot Yaya, com participação do Bonde da Calu. O encerramento ocorrerá em 25 de julho, às 15h, com a Mostra Brinquerê — apresentações dos participantes das oficinas e sorteio de livros para o público.
Desde sua criação em 2019, como desdobramento do Julho das Pretas, o festival se afirma como espaço de formação, encontros e celebração das narrativas negras através de workshops, espetáculos, exposições, música, dança, literatura e contação de histórias.
SERVIÇO:
O quê: 7ª edição do Festival Julho das Pretinhas
Quando: 20 a 25 de julho
Onde: Biblioteca Monteiro Lobato e sede da Didá – Salvador (BA)
Quando eu era mais nova, acreditava que construir uma carreira dependia apenas de competência.
Bastava estudar, trabalhar duro, entregar resultados e as oportunidades chegariam.
Com o tempo, descobri que existia uma camada muito mais complexa: também era preciso aprender a ocupar espaços onde eu quase nunca encontrava mulheres negras como referência.
Essa ausência nunca impediu que eu continuasse caminhando. Mas fez com que eu entendesse, muito cedo, que construir uma carreira também significava construir novas referências.
Escrevo este artigo no Julho das Pretas olhando para a minha trajetória, mas principalmente para as mulheres negras que estão começando suas carreiras ou que ainda sonham em ocupar posições de liderança. Porque, por muito tempo, eu também procurei alguém que me mostrasse que aquele caminho era possível.
Sou formada em Publicidade e Propaganda e iniciei minha carreira na Bahia, um estado reconhecido pela potência criativa, mas que ainda está distante do centro das grandes decisões da indústria da comunicação. Durante anos, ouvi que, para crescer profissionalmente, seria necessário estar no eixo Rio-São Paulo. E talvez essa seja uma das primeiras barreiras invisíveis que muitas mulheres negras enfrentam: a sensação de que o lugar onde nasceram, ou de onde vieram, determina até onde podem chegar.
Em vez de esperar que o mercado criasse espaço para mim, decidi construir o meu.
Foi assim que nasceu a Asminas. Mais do que uma agência, ela representava uma inquietação: mostrar que Norte e Nordeste não eram apenas mercados consumidores de campanhas, mas territórios que produzem repertório, comportamento, cultura e inovação. Durante essa jornada, tive a oportunidade de liderar equipes, negociar projetos com algumas das maiores marcas do país, desenvolver estratégias para empresas nacionais, participar do Festival Internacional de Criatividade em Cannes e entender que criatividade também é uma ferramenta de transformação social.
Mas seria desonesto contar essa história apenas pelos resultados.
Também existiram dias de dúvida. Dias em que precisei sustentar uma empresa enquanto lidava com as inseguranças que quase todo empreendedor conhece. Dias em que entrei em salas onde era uma das poucas — ou a única — mulher negra presente. Momentos em que percebi que competência, embora indispensável, nem sempre era suficiente para garantir acesso às mesmas oportunidades.
Foi nesse percurso que compreendi uma diferença importante: entrar em uma empresa não significa, necessariamente, conseguir construir uma carreira.
Nos últimos anos, o debate sobre diversidade avançou de forma significativa. Felizmente, vemos mais mulheres negras sendo contratadas e ocupando espaços que, por muito tempo, lhes foram negados. Mas acredito que a próxima grande conversa precisa ir além da porta de entrada.
Ela precisa falar sobre permanência.
Sobre desenvolvimento.
Sobre liderança.
Sobre quem participa das decisões mais importantes das organizações.
Segundo levantamentos do Instituto Ethos e do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), mulheres negras seguem amplamente sub-representadas nos cargos de alta liderança das grandes empresas brasileiras. Ao mesmo tempo, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que elas continuam concentradas nas ocupações de menor remuneração e enfrentam barreiras persistentes para ascensão profissional.
Esses números revelam que o desafio já não é apenas ampliar o acesso. É garantir desenvolvimento de carreira.
Recentemente, tomei uma decisão importante: depois de anos empreendendo, escolhi voltar ao mercado corporativo.
Muita gente poderia interpretar esse movimento como um recomeço. Eu prefiro enxergá-lo como uma expansão.
Estar novamente dentro de uma grande organização me fez perceber que a diversidade precisa ser acompanhada por algo igualmente importante: ambientes capazes de desenvolver talentos, oferecer oportunidades reais de crescimento e formar novas lideranças.
Carreiras não crescem apenas por competência.
Elas crescem por visibilidade.
Por confiança.
Por boas lideranças.
Por pessoas que patrocinam talentos, compartilham conhecimento e indicam profissionais para projetos estratégicos.
Esse talvez seja um dos maiores desafios das mulheres negras no mundo corporativo: transformar presença em influência.
Ao longo da minha trajetória, aprendi que construir uma carreira não é apenas acumular experiências ou conquistar cargos. É ampliar repertórios, abrir caminhos e desafiar imaginários.
Porque referências mudam perspectivas.
E perspectivas mudam destinos.
Durante muito tempo, achei que meu maior objetivo era ocupar espaços. Hoje entendo que meu maior compromisso é fazer com que outras mulheres negras não precisem chegar nesses mesmos lugares acreditando que estão sozinhas.
Quero que elas saibam que é possível liderar equipes.
Negociar grandes projetos.
Sentar nas mesas onde decisões são tomadas.
Empreender.
Recomeçar.
Mudar de rota.
Construir autoridade.
E, acima de tudo, permanecer.
Se hoje uma jovem profissional consegue olhar para uma mulher negra ocupando uma posição executiva, liderando projetos estratégicos, escrevendo sobre mercado e cultura ou sendo reconhecida por sua capacidade analítica, ela passa a enxergar essas possibilidades também para si.
E talvez esse seja o maior legado que uma carreira pode deixar.
Não apenas os resultados que conquistamos.
Mas as possibilidades que ajudamos outras mulheres a imaginar.
Porque, no fim das contas, construir uma carreira também é construir novas referências.
Djavan – O Musical: Vidas pra Contar volta ao Teatro Claro Mais SP em 24 de julho, após duas temporadas esgotadas no Rio de Janeiro e turnê por nove cidades.
O musical “Djavan – O Musical: Vidas pra Contar” reestreia em São Paulo no dia 24 de julho, dessa vez no Teatro Claro Mais SP, dentro do Shopping Vila Olímpia. A segunda temporada paulistana do espetáculo segue em cartaz até 30 de agosto, com sessões de quinta a domingo, e chega depois de uma trajetória de casas cheias em outras cidades do país.
O espetáculo dramatiza episódios da vida pessoal e artística de Djavan Caetano Viana, cantor e compositor nascido em Maceió, em 1949, conhecido por misturar samba, jazz, pop e ritmos afro-brasileiros ao longo de uma carreira marcada por parcerias internacionais, incluindo colaborações com Stevie Wonder, e por canções regravadas por nomes como Al Jarreau, Carmen McRae e o grupo The Manhattan Transfer. “Djavan é de todos. É samba, é forró, é Gonzaga, é jazz”, afirmou o diretor artístico João Fonseca, em entrevista ao portal Tribuna do Agreste. “Falar de um artista nordestino, negro e vivo é uma grande responsabilidade, mas também uma alegria imensa”, completou.
Antes de chegar à atual temporada, o musical cumpriu duas temporadas esgotadas no Rio de Janeiro e uma primeira passagem de sucesso por São Paulo, além de uma turnê nacional que passou por nove cidades, entre elas Curitiba, Fortaleza, Maceió, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Goiânia, Recife e João Pessoa. A produção também recebeu indicações ao Prêmio APTR, na categoria de Melhor Produção em Teatro Musical, e ao Prêmio Arcanjo, como Melhor Produção em Teatro Musical Brasileiro.
Assinado por Patrícia Andrade e Rodrigo França, com direção artística de João Fonseca, direção musical de Fernando Nunes e João Viana e coreografias de Marcia Rubin, o espetáculo é idealizado por Gustavo Nunes e realizado pela Turbilhão de Ideias em parceria com o GovBR. A montagem é apresentada pelo Ministério da Cultura e pela Caixa Vida e Previdência, com patrocínio da Atlas Schindler e apoio da Caixa Seguridade.
Serviço
Espetáculo: Djavan – O Musical: Vidas pra Contar Reestreia: 24 de julho Temporada: até 30 de agosto Local: Teatro Claro Mais SP, Rua Olimpíadas, 360, São Paulo Horários: quinta e sexta, às 20h. Sábado, às 16h e às 20h. Domingo, às 18h. Ingressos: site da Uhuu ou bilheteria do Teatro Claro Mais SP Desconto: 30% para clientes da Caixa Vida e Previdência
Turista argentino fez gesto de macaco durante jogo da Copa em Morro de São Paulo, na Bahia
Um jovem negro denunciou ter sido vítima de injúria racial na noite de terça-feira (15), em Morro de São Paulo, distrito do município de Cairu, no litoral da Bahia, durante a transmissão de uma partida de futebol da Copa do Mundo em um bar da região. Segundo o portal Alô Juca, que teve acesso a vídeos do momento, o estabelecimento estava lotado de turistas, entre eles um grupo de argentinos que comemorava o segundo gol da seleção do país.
Em imagens enviadas ao portal, um dos torcedores aparece se virando em direção ao jovem e fazendo gestos imitando um macaco, em atitude interpretada como racista pelas pessoas presentes no local. Testemunhas relataram ao Alô Juca que o rapaz ficou abalado, chegou a chorar e precisou ser amparado por outras pessoas que estavam no bar. A Polícia Militar teria sido acionada, mas, segundo o mesmo portal, nenhuma guarnição compareceu ao estabelecimento durante a confusão.
Depois do episódio, o jovem gravou um vídeo relatando o ocorrido e cobrando providências das autoridades. “Eu sofri racismo e não quero deixar assim”, disse ele, em vídeo publicado nas redes sociais e reproduzido pelo Alô Juca. O rapaz pede que o responsável pelo gesto seja identificado e responsabilizado pelas autoridades competentes.
O episódio em Morro de São Paulo se soma a uma sequência de casos recentes envolvendo torcedores argentinos e acusações de racismo contra brasileiros. Durante a Copa do Mundo de 2026, o influenciador norte-americano IShowSpeed foi hostilizado com insultos e gestos racistas por torcedores argentinos em dois jogos diferentes do torneio. Em fevereiro deste ano, a turista argentina Agostina Páez foi presa no Rio de Janeiro após ser acusada de chamar um funcionário de bar em Ipanema de negro de forma pejorativa, em um caso que teve repercussão também na Argentina, onde chegou a ser explorado por figuras da base política do governo Javier Milei.
A questão também aparece no futebol profissional. No início deste ano, o jogador argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, foi acusado de chamar o brasileiro Vinícius Júnior de macaco durante uma partida em Lisboa, episódio que gerou controvérsia internacional. Especialistas ouvidos pela imprensa apontam ainda precedentes históricos, como uma capa de jornal argentino de 1920 que retratava brasileiros como macacos e uma manchete do Diário Olé, em 1996, que convocava publicamente os macacos antes de um confronto entre as seleções nos Jogos Olímpicos.
A injúria racial é crime previsto na legislação brasileira e, desde a sanção da Lei 14.532, em 2023, passou a ser equiparada ao crime de racismo, com pena de três a cinco anos de prisão, sendo inafiançável e imprescritível. Até a publicação desta reportagem, não havia informações sobre a identificação do autor das ofensas em Morro de São Paulo nem sobre prisões relacionadas ao episódio. A Prefeitura de Cairu ainda não havia se manifestado oficialmente sobre o caso específico até o fechamento desta matéria.
Tia Ciata, Madrinha Eunice e outras mulheres de terreiro protegeram o samba da perseguição policial no início do século 20, no Rio e em São Paulo.
Quem canta “Pelo Telefone” hoje dificilmente sabe que a canção considerada o primeiro samba registrado no Brasil nasceu no quintal de uma casa de candomblé, no centro do Rio de Janeiro, comandada por uma mulher negra baiana chamada Hilária Batista de Almeida. Ela ficou conhecida como Tia Ciata e, ao lado de outras sacerdotisas vindas da Bahia, transformou seu terreiro em abrigo para uma manifestação musical que a polícia da Primeira República perseguia como crime.
Nascida em 1854, com fontes divergindo entre Salvador e Santo Amaro da Purificação como sua cidade natal, Hilária foi iniciada no candomblé da nação Ketu ainda jovem, consagrada filha de Oxum. Aos 22 anos, ainda no período da escravidão, deixou a Bahia rumo ao Rio de Janeiro, então capital do país, integrando o fluxo migratório que ficou conhecido como diáspora baiana. Famílias inteiras de escravizados e libertos se deslocaram naquele período para os bairros da Saúde, da Gamboa, do Santo Cristo, da Praça Onze e da Cidade Nova, formando a região que passaria à história como Pequena África.
Antes de virar samba carioca, o gênero já existia como tradição no Recôncavo Baiano, onde o samba de roda reúne música, dança e poesia desde pelo menos a década de 1860, associado a festas de terreiro e a celebrações como as de São Cosme e Damião. Historiadores da música popular apontam essa manifestação, reconhecida em 2004 pelo Iphan e em 2008 pela Unesco como patrimônio imaterial da humanidade, como uma das principais fontes do samba urbano que se consolidaria no Rio de Janeiro décadas depois. O que Tia Ciata e outras baianas levaram para a Pequena África, portanto, não era uma novidade cultural, mas a continuidade de um saber que suas famílias já cultivavam em terreiros e casas de santo na própria Bahia.
Em solo carioca, Tia Ciata se estabeleceu inicialmente na Rua da Alfândega e, tempos depois, na Rua Visconde de Itaúna, próxima à Praça Onze. Foi lá que consolidou sua posição como mãe de santo respeitada, mantendo os preceitos religiosos aprendidos na casa de João Alabá e recebendo o título de Mãe Pequena dentro da hierarquia do terreiro. O casamento com o médico negro João Batista da Silva, que chegou a atuar no gabinete do chefe de polícia durante o governo de Wenceslau Brás, deu à casa uma camada extra de proteção em um contexto de vigilância constante sobre as religiões de matriz africana.
Foto:reprodução
A residência de Tia Ciata funcionava em duas frentes que dividiam o espaço físico e também a tolerância da polícia. Na sala de visitas, aconteciam bailes com músicas mais aceitas pela sociedade da época, como o choro e as modinhas, recebendo inclusive gente da alta sociedade da zona sul, que frequentava as festas atraída pela fama de curandeira e pelos doces vendidos pela anfitriã. No terreiro, nos fundos, formavam-se as rodas de samba, com batuques e partido alto entre sambistas mais jovens, entre eles nomes que se tornariam centrais na música popular brasileira, como Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Heitor dos Prazeres, Sinhô, Caninha e o jornalista Mauro de Almeida.
A separação entre a sala e o terreiro foi resultado direto da legislação penal do início do século 20, que tipificava como crimes a vadiagem, a capoeiragem e o curandeirismo, categorias usadas pela polícia para criminalizar de forma discricionária a circulação de pessoas negras pelas ruas e a prática de manifestações culturais associadas a elas. A capoeira e gêneros musicais próximos ao samba eram enquadrados como capoeiragem, enquanto terreiros de candomblé e macumba sofriam batidas policiais sob a acusação de curandeirismo, com instrumentos apreendidos, sacerdotes presos e templos invadidos.
Casas como a de Tia Ciata funcionavam como um ponto de equilíbrio dentro desse quadro de perseguição, negociando espaço e proteção com as próprias autoridades que reprimiam outras rodas pela cidade. Relatos históricos registram que, em uma das batidas policiais, um investigador conhecido pela alcunha de Bispo aproveitou a fama de curandeira de Ciata para pedir ajuda contra uma ferida do então presidente Wenceslau Brás, considerada incurável pelos médicos da época. “Quem precisa de caridade que venha cá”, teria respondido a baiana, episódio que ilustra como sua autoridade espiritual também servia de moeda de negociação com o poder público. Durante o mandato de Wenceslau Brás, entre 1914 e 1918, as festas em sua casa chegaram a contar com a presença de dois soldados enviados para fazer a segurança, sinal de que a proteção conquistada por Ciata alcançava também suas festividades profanas.
Tia Ciata não estava sozinha nessa função, dividida com outras tias baianas que mantinham casas semelhantes espalhadas pela Cidade Nova e pela Praça Onze. Amélia Silvana de Araújo, a Tia Amélia, era mãe de santo e cantadeira de modinhas, promovia festas e encontros musicais em sua própria residência e criou o filho Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o futuro Donga, dentro desse ambiente de candomblé e samba. Preciliana Maria Constança, a Tia Preciliana, natural de Santo Amaro, era mãe de João da Baiana e liderava uma casa igualmente frequentada pelos jovens músicos da região. Veridiana, mãe de Chico da Bahiana, além de Bebiana, Mônica, Carmem, Gracinda, Josefa Rica, Tomásia e Dadá completavam essa rede de mulheres que reuniam comunidades inteiras em torno de festas religiosas, como as de São Cosme e São Damião, e de encontros musicais que misturavam sagrado e profano. Pesquisas mais recentes, como as do musicólogo Alberto Tsuyoshi Ikeda, levantam a hipótese de que a própria Tia Ciata não se limitava ao papel de anfitriã e chegava a tocar violão e improvisar como partideira nas rodas, o que sugere uma participação musical direta ainda pouco documentada.
Foto: Instituto Donga
Foi em uma dessas rodas, no quintal da casa de Tia Ciata, que a melodia de “Pelo Telefone” tomou forma ao longo de 1916. Donga registrou a partitura no Departamento de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional em 27 de novembro daquele ano, sob o número 3.295, incluindo posteriormente o jornalista Mauro de Almeida como coautor da letra. A canção foi lançada em disco pela Casa Edison em janeiro de 1917 e se tornou o grande sucesso do carnaval carioca daquele ano, consagrada pela historiografia musical como o primeiro samba registrado e gravado no país, ainda que pesquisas posteriores tenham identificado gravações anteriores, como “Em Casa da Bahiana”, de 1913, que não alcançaram a mesma repercussão popular.
A autoria individual atribuída a Donga gerou controvérsia entre os frequentadores da própria roda que deu origem à composição. Em fevereiro de 1917, o Jornal do Brasil publicou uma nota do Grêmio Fala Gente afirmando que o “verdadeiro tango Pelo Telefone” pertencia aos “inspirados carnavalescos João da Mata, o mestre Germano, a nossa velha amiguinha Ciata e o bom Hilário”, em uma disputa pública que nunca chegou a uma reconciliação entre os envolvidos. O episódio expõe um traço recorrente da formação do samba carioca, construído de forma coletiva nas rodas dos terreiros e, depois, registrado e comercializado em nome de compositores individuais, quase sempre homens.
Tia Ciata também sustentava sua casa com o comércio de doces vendidos pelas ruas e com o aluguel de roupas de baiana, confeccionadas com esmero, usadas em teatros e nos desfiles de carnaval por foliões de diferentes classes sociais. Esse figurino, hoje reproduzido pela ala das baianas nas escolas de samba, carrega até os dias atuais a memória direta dessas mulheres que sustentaram estruturalmente a formação do gênero.
O mesmo padrão de mulheres negras de terreiro sustentando a formação de escolas de samba se repetiu em São Paulo, com Deolinda Madre, mais conhecida como Madrinha Eunice. Nascida em Piracicaba em 14 de outubro de 1909, filha de pais que haviam sido escravizados e alcançado a liberdade por cartas de alforria, ela se mudou ainda criança para a capital paulista e cresceu no Bairro da Liberdade, região que concentrava famílias negras antes da chegada da imigração japonesa. Deolinda vendia frutas nas ruas do centro, chegou a manter quatro barracas na região e mantinha um terreiro de quimbanda, tradição religiosa afro-brasileira distinta do candomblé mas igualmente perseguida pela polícia no mesmo período.
Foto: arquivo pessoal
Em 1936, uma viagem ao carnaval carioca da Praça Onze a aproximou do desfile da Unidos de São Carlos, hoje Estácio de Sá, e a inspirou a criar sua própria agremiação de volta a São Paulo. Fundou, em 9 de fevereiro de 1937, a Sociedade Recreativa Beneficente Esportiva Escola de Samba Lavapés, a mais antiga escola de samba paulistana ainda em atividade, embora o primeiro desfile oficial só tenha ocorrido dezoito anos depois, em 1955, no Parque Ibirapuera. Madrinha Eunice foi por muitos anos a única mulher a presidir uma escola de samba na cidade e também compôs sambas-enredo, entre eles “São Paulo Antiga”, em parceria com Chico Pinga, Popó e Doca. Ela morreu em abril, com fontes divergindo entre 1995 e 1996 como o ano exato. “Foi um dos baluartes do samba, a primeira mulher negra, independente, avante do seu tempo”, disse a neta Rosemeire Marcondes, em entrevista ao portal Terra. Em 2022, uma escultura em sua homenagem foi inaugurada na Praça da Liberdade, em São Paulo.
Tia Ciata morreu em 1924, aos 70 anos, mas o espaço que ocupou na história do samba carioca segue sendo disputado e recontado. A Nova Casa da Tia Ciata, reinaugurada em 2025 como sede da Organização dos Remanescentes da Tia Ciata, funciona hoje como centro de referência da memória negra no Rio de Janeiro, com exposições permanentes que conectam o território da antiga Pequena África à produção musical que ali nasceu. Roteiros culturais pela região, incluindo visitas à Pedra do Sal e aos arredores da Praça Onze, seguem sendo oferecidos como forma de manter viva a ligação entre o candomblé, a resistência negra e a origem do samba. Em São Paulo, a estátua de Madrinha Eunice na Praça da Liberdade cumpre função semelhante, mantendo visível, no espaço urbano, o nome de uma mulher negra que também colocou o terreiro no centro da formação do samba brasileiro.
O movimento nos traz muitos benefícios para a saúde e uma delas é aprimorar a nossa criatividade!
Por: Juliana Oliveira
Estamos acostumados a associar a criatividade nos âmbitos da arte, música ou inovação, mas ela também nasce no movimento. Enquanto nos exercitamos, seja em qualquer tipo de modalidade, o cérebro aumenta a liberação de neurotransmissores como: dopamina, serotonina e endorfina, substâncias relacionadas ao bem-estar, à motivação e à capacidade de encontrar soluções para problemas. Ou seja, movimentar o corpo também movimenta ideias, aprimorando nosso lado criativo.
Para pessoas pretas, esse processo tem um impacto ainda mais profundo. A população negra convive, com maior frequência, com muitas situações de estresse como: situações de racismo, estresse crônico e sobrecarga emocional, são fatores que quando afetados, desregulam funções cognitivas como atenção, memória e criatividade. O exercício físico auxilia na redução de todo estresse, melhorando e criando espaços para novas ideias.
Temos alguns exemplos no aspecto cultural de como o exercício físico ajuda, cotidianamente, a população negra. Muitas manifestações corporais negras sempre foram espaços de criação coletiva. Da capoeira ao passinho, do breaking ao dancehall, do hip-hop às danças afro-brasileiras: movimento nunca foi apenas exercício para nossa população e sim, um ato de resistência e identidade. O corpo preto produz cultura quando se movimenta.
Alguns ambientes que valorizam a cultura preta fazem esse sentimento de pertencimento ser ainda mais significativo. Quando um corpo preto frequenta um local onde a música, estética e história são celebradas, ele tende a experimentar mais a liberdade para criar, experimentar e se expressar!
A ciência já nos mostrou que caminhar, correr ou fazer musculação já favorecem a criatividade. Mas quando o exercício acontece em locais de pertencimento, os efeitos vão além da atividade física. Quando o corpo encontra liberdade para se mover, a mente também encontra liberdade para criar.
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