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“Enquanto a publicidade pinta de verde seus slogans, o colapso climático afoga a periferia”, diz Domitila Barros

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Foto: @yared

Enquanto marcas se preparam para o marketing verde visando a COP30, Domitila Barros fala ao Mundo Negro sobre racismo ambiental e cobra rastreabilidade ética na publicidade brasileira 

A publicidade está preparando suas lonas verdes para a COP30, mas em muitos bairros do Brasil, o que se estende é a lona do desespero. Enquanto marcas e agências se mobilizam para aparecer bem na foto da próxima Conferência do Clima da ONU, que será realizada em Belém (PA) em novembro, comunidades negras e periféricas já enfrentam, cotidianamente, os efeitos de um colapso climático silencioso, seletivo e perverso.

“É impossível falar em sustentabilidade sem falar em racismo. O colapso climático tem cor, território e histórico. E ele se agrava toda vez que a publicidade decide fingir que não vê”, dispara Domitila Barros, ativista, comunicadora e consultora internacional em sustentabilidade e marketing ético, em entrevista exclusiva ao Mundo Negro.

Natural da periferia do Recife, Domitila carrega no corpo e na fala o atravessamento de duas urgências: a da justiça social e a da justiça ambiental. Ela já palestrou em 12 países, foi reconhecida como Influenciadora do Ano em Sustentabilidade pelo WIBA Awards em Cannes, atua como embaixadora das Fronteiras Planetárias nos Jogos Mundiais Universitários FISU 2025 e colabora com o Greenpeace. Mas é a partir de sua vivência nos territórios racializados do Brasil que ela constrói sua crítica mais urgente: sustentabilidade sem compromisso com a equidade é só mais um privilégio pintado de verde.

A face racial do colapso

No Brasil, 85% das pessoas que vivem em áreas de risco ambiental são negras ou pardas, segundo o IBGE. A cada novo desastre, seja no litoral norte de São Paulo, nas encostas do Rio de Janeiro, nas enchentes do Rio Grande do Sul ou nos bairros baixos do Recife, o padrão se repete: as mortes não são apenas causadas pela chuva, mas pela negligência política, pelo racismo estrutural e pela lógica de um país que normaliza a exclusão.

Domitila é direta: “Quem morre nas tragédias ambientais do Brasil é quem sempre foi empurrado para a margem. Não adianta encher os aeroportos de banners sobre biodiversidade se o povo preto continua sendo removido sem política de moradia, se os quilombolas são assassinados e os indígenas são silenciados. A publicidade precisa parar de posar de ambientalista enquanto lucra com o silêncio.”

Com a proximidade da COP30, cresce a pressão para que o Brasil assuma protagonismo na agenda climática global. Mas, internamente, o país enfrenta retrocessos sérios, como a recente aprovação no Senado do PL 2159/2021, conhecido como PL da Devastação, que desmonta o licenciamento ambiental e abre caminho para obras e empreendimentos em áreas sensíveis sem avaliação adequada de impacto.

“Ao mesmo tempo que diz liderar a pauta ambiental, o Brasil afrouxa leis que protegem biomas e ignora as vozes das comunidades tradicionais. Isso é greenwashing institucional. E muitas marcas embarcam nesse discurso superficial porque é mais fácil vender utopia do que encarar a verdade: não existe futuro possível sem reparação histórica e redistribuição de poder”, critica Domitila.

Na visão da ativista, a publicidade brasileira, especialmente a de grandes marcas, tem sido covarde. “Estamos em 2025, às vésperas da COP30, e ainda vemos campanhas genéricas sobre sustentabilidade, com slogans recicláveis, mas práticas descartáveis. Onde estão os quilombolas nas campanhas? Onde estão os catadores? Onde estão os corpos reais que fazem a economia circular girar neste país?”

Ela lembra que a publicidade ajudou a construir símbolos de consumo, beleza e pertencimento no Brasil e, por isso, tem o dever de desconstruí-los. “Não é sobre vender produtos ecológicos a quem pode pagar. É sobre devolver dignidade a quem sempre sustentou esse país com trabalho invisível. É sobre quem a marca escolhe colocar no centro da história ou deixar de fora dela.”

Rastreabilidade é poder

Para Domitila, marcas que desejam ocupar espaço com coerência na COP30 precisam mais do que presença institucional. Precisam fazer autocrítica, rever cadeia de produção, abrir os bastidores e garantir rastreabilidade ética. “Não adianta estar na COP com tenda climatizada se não sabe dizer quem costurou seu uniforme, quem colheu o que você serve no coquetel, ou onde vai parar seu lixo. O consumidor negro e periférico está atento. A era da ingenuidade passou.” Ela afirma que regeneração é o novo prestígio. “Saber de onde vem, para onde vai, com que impacto… Tudo isso é status. E se a publicidade não entender isso agora, vai ficar obsoleta.”

Domitila encerra com uma provocação direta ao mercado: “Não é mais tempo de influenciar sem responsabilidade. Celebridades, agências e empresas precisam decidir de que lado da história vão estar. O mundo está observando. E as periferias também”.

Prefeitura de Niterói assume custos de traslado de Juliana Marins, morta em vulcão na Indonésia

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Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Prefeitura de Niterói (RJ) informou, na noite desta quarta-feira (25), que irá arcar com os custos do traslado do corpo da publicitária Juliana Marins, 26, morta após uma queda no vulcão Rinjani, na Indonésia, e sofrer com a negligência nas operações de resgate.

Em publicação nas redes sociais, o prefeito Rodrigo Neves (PDT) afirmou ter conversado com a irmã da brasileira, Mariana Marins, e garantido o apoio da gestão municipal. “Reafirmei o compromisso da prefeitura de Niterói com o translado da jovem para nossa cidade, onde será velada e sepultada. Que Deus conforte o coração da linda família de Juliana e de todos os seus amigos e amigas”, disse.

Em nota, a administração municipal informou que também será responsável pelos trâmites do sepultamento, que ocorrerá em Niterói, na região metropolitana do Rio.

A decisão ocorre após o Ministério das Relações Exteriores informar que, por lei, não pode custear esse tipo de despesa. Segundo o Itamaraty, a assistência consular não inclui o pagamento de traslado ou sepultamento de brasileiros no exterior, salvo em situações humanitárias.

Diante da negativa, o ex-jogador de futebol Alexandre Pato chegou a se oferecer para financiar o traslado do corpo. A repatriação deve ser organizada nos próximos dias.

O corpo de Juliana foi localizado na terça-feira (24), após quatro dias de buscas, e deve passar por necrópsia nesta quinta-feira (26). Ele foi içado da encosta do vulcão na manhã de quarta-feira (25) e levado ao Hospital Bayangkara.

Relembre o caso

Juliana estava desaparecida desde sexta (20), quando caiu de uma trilha no Monte Rinjani, em Lombok. Segundo familiares, ela tropeçou e escorregou por cerca de 300 metros. Mesmo consciente e com os braços em movimento, não conseguiu sair do local. Foi avistada por turistas horas depois, que alertaram a família com a ajuda de imagens e coordenadas de geolocalização.

Além da negligência denuncia pelos familiares com a demora para resgatarem Juliana, as operações ainda enfrentaram dificuldades por conta da topografia íngreme, das pedras escorregadias e da intensa neblina, o que retardou o acesso das equipes ao local do acidente.

Desde 2020, ao menos oito pessoas morreram e cerca de 180 se acidentaram no vulcão, um dos principais destinos turísticos da Indonésia. Visitantes e especialistas apontam falhas na infraestrutura de segurança, como ausência de sinalização, socorro lento e falta de equipamentos adequados.

Museu Afro Brasil é alvo de denúncias de ex-diretor artístico e sofre renúncia de dois conselheiros

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Foto: Divulgação/Museu Afro Brasil

Um símbolo da arte e culturas africanas e afro-diaspóricas no mundo, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo está sendo alvo de denúncias graves como a prática de pessoalismo, pouca transparência e pessoas em cargos de poder que são contra a diversidade e o protagonismo negro, divulgada em carta aberta do Hélio Menezes, que ocupou a Direção Artística da instituição por um ano e cinco meses. 

O curador anunciou a sua demissão, além da renúncia dos conselheiros Wellington Souza e Rosana Paulino. “Se nossos trabalhos criativos, nossas articulações políticas, estéticas e intelectuais não conseguem atingir o tutano do poder institucional, por que prosseguir?”, iniciou o texto publicado nas redes sociais, nesta quarta-feira (25). 

Hélio contou sobre os avanços conquistados durante sua gestão, junto com outros profissionais, como a produção de mais de uma dezena de exposições temporárias, o primeiro inventário da história do museu e a criação da Rede de Acervos Afro-Brasileiros, que conecta espaços culturais negros em todo o Brasil. 

“Assumi essa função com o compromisso de contribuir para a reestruturação de um museu que enfrentava graves fragilidades em todas as suas diversas áreas de atuação, para além da dimensão artística”, destacou. 

Apesar dos bons resultados, segundo o curador, o processo de reestruturação encontrou barreiras profundas: “Enfrentar estruturas decisórias consolidadas por práticas marcadas por informalidade, pessoalismo e pouca transparência, ainda majoritariamente compostas por perfis alheios à diversidade e ao protagonismo negro que o Museu representa (ou deveria representar), sem envolvimento com o mundo das artes plásticas e visuais, revelou-se uma coreografia impossível de habitar”, afirmou. 

Sua demissão ocorreu em meio a um delicado processo de saúde. “A deliberação e o anúncio da minha destituição ocorreram durante um período de grave problema de saúde, ao longo de uma internação hospitalar delicada e de convalescença ainda em curso, sem a observância de práticas institucionais que prezem por critérios mínimos de respeito e cuidado, e distantes de qualquer protocolo ético desejável”, relatou com mais denúncias.

Rosana Paulino e Wellinton Souza, que renunciaram ao Conselho de Administração da Associação do Museu Afro Brasil, estavam entre as poucas pessoas negras com poder real de decisão dentro da instituição, segundo o comunicado.

Com a saída das lideranças negras, houve recuo de artistas, instituições culturais e parceiros que haviam firmado compromissos para o biênio 2025/26, afetando projetos, doações de obras e o plano de reestruturação da exposição de longa duração do museu.

Apesar do tom de despedida, Hélio finaliza com esperança de que o projeto visionário de Emanoel Araujo, o fundador do Museu,  possa florescer sob novas formas de governança, à altura de sua importância simbólica. “Não o deixemos morrer em vida”, alerta.

Conheça os chefs negros do ‘Chef de Alto Nível’, novo reality show gastronômico

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Foto: Globo/Beto Roma

Com estreia marcada para o dia 15 de julho, logo após a novela ‘Vale Tudo’, o reality show Chef de Alto Nível promete aquecer a disputa na cozinha. Entre quase 15 mil inscritos, 24 participantes foram selecionados para mostrar seu talento e disputar o prêmio de R$ 500 mil, mentoria com chefs renomados e o título inédito que nomeia o programa.

Divididos em três categorias — cozinheiros da internet, profissionais e amadores — os participantes vêm de diversas partes do Brasil e levam para a Torre das Cozinhas uma rica mistura de sotaques, técnicas e histórias de vida. Entre eles, se destacam nomes negros que já chegam fazendo história e levando representatividade em espaços de visibilidade nacional.

Conheça os participantes negros abaixo:

Allan Mamede | Cozinheiro da internet

Vencedor do Que Seja Doce (GNT) em 2023, Mamede soma quase 200 mil seguidores nas redes, onde compartilha sua vivência e receitas autorais que mesclam afeto e sofisticação. No Chef de Alto Nível, ele quer ser referência para jovens negros e periféricos como ele.

Foto: Globo/Beto Roma

Bruno Manoel, o Preto | Cozinheiro da internet

Conhecido como Preto na Cozinha, o pernambucano soma mais de 800 mil seguidores e conquistou o Brasil ao vencer o Que Delícia! no Mais Você. Criado pela irmã após perder a mãe na adolescência, Preto vê na culinária uma ponte entre sua história e seu futuro.

Foto: Globo/Beto Roma

Adriana Veloso | Cozinheira profissional

Natural do Maranhão, com raízes no Pará e vida no Rio de Janeiro, Adriana é referência em gastronomia amazônica e comanda um restaurante premiado. Ela chega com a missão de valorizar a comida raiz.

Foto: Globo/Beto Roma

Kelma Zenaide | Cozinheira profissional

Mineira, neta de quilombola, Kelma é um verdadeiro patrimônio da culinária afro-brasileira. Com um buffet voltado à comida de terreiro e uma formação que une gastronomia e literatura afro, ela é a tradução da memória viva no prato.

Foto: Globo/Beto Roma

Lucas Correia | Cozinheiro profissional

Lucas, o paranaense que hoje vive em Pernambuco, e com experiência internacional em Moçambique, une diversidade, repertório e visão social em sua trajetória. Já foi professor de gastronomia e aposta em uma gastronomia humanizada.

Foto: Globo/Beto Roma

Raphael Santos | Cozinheiro profissional

Nascido no Rio e radicado há 9 anos em Lisboa, Raphael quer voltar ao Brasil para abrir um restaurante com o pai, seu maior ídolo. Formado na escola clássica francesa, o chef carrega orgulho da gastronomia de matriz africana.

Foto: Globo/Beto Roma

Dih Vidal | Cozinheira amadora

Dona de casa e vendedora de roupas, a baiana Dih mora em São José dos Campos (SP) e quer realizar o sonho de abrir o seu próprio restaurante. Casada e mãe de dois filhos, quer mostrar a força da mulher preta que sonha e realiza.

Foto: Globo/Beto Roma

Flan Souza | Cozinheira amadora

Baiana de Salvador, Flan mora em São Paulo e carrega no tempero as memórias da mãe e da avó. Técnica de enfermagem, estudante de gastronomia e pesquisadora acadêmica da alimentação, ela é puro amor pela cozinha.

Foto: Globo/Beto Roma

Gilmar Francisco | Cozinheiro amador

Capixaba de nascimento e carioca por escolha, Gilmar é médico nutrólogo e anestesista. Após enfrentar a obesidade, se dedica em ajudar outras pessoas a cultivarem uma conexão mais equilibrada com a comida.

Foto: Globo/Beto Roma

Marina Cabral | Cozinheira profissional

Paraense de Belém, Marina vive em São Paulo e comanda uma empresa que distribui insumos amazônicos para restaurantes do Sudeste. Aprendeu a cozinhar com o pai e é movida pela relação afetuosa com a filha, que a incentivou a entrar no reality.

Foto: Globo/Beto Roma

Para a família de Juliana Marins, ela ter morrido fazendo o que amava “conforta um pouco o coração”

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Amante da natureza, do esporte e das viagens, Juliana Marins cresceu em uma família que valorizava experiências ao ar livre. E foi justamente esse amor compartilhado que traz um certo conforto ao pai da jovem publicitária, após sua morte trágica durante uma trilha no Monte Rinjani, um vulcão ativo de 3.726 metros em Lombok, na Indonésia.

Depois de um trabalho de mais de sete horas, o corpo de Juliana foi finalmente retirado do desfiladeiro onde ela caiu no último dia 20 de junho, durante uma caminhada. As condições climáticas e o terreno íngreme dificultaram o resgate, que precisou ser feito manualmente por uma equipe local de salvamento. O corpo agora segue para um hospital da região para os trâmites legais.

O pai de Juliana, Manoel Marins, usou as redes sociais para falar sobre a filha, que teve a morte confirmada enquanto ele ainda viajava para a Indonésia, vindo de Niterói, onde ela vivia. Para ele, o fato de a filha ter partido fazendo o que mais amava dá à família um pequeno alívio em meio à dor:

“E como você estava feliz realizando esse sonho. E como nós ficamos felizes com a sua felicidade. Você se foi fazendo o que mais gostava e isso conforta um pouco o nosso coração.”

Em seu depoimento, Manoel revelou detalhes da personalidade da filha, uma jovem independente que tinha como compromisso cuidar dos pais no futuro:

“Você sempre foi muito especial. Sapeca, inquieta, de sorriso lindo e uma imensa vontade de viver intensamente. Sempre preocupada comigo e com a Estela. Dizia que iria cuidar de nós na nossa velhice, embora eu lhe dissesse que isso não era necessário, que você deveria viver a sua vida.”

As fotos de Juliana nas redes sociais mostram que a paixão pela aventura, pelo esporte e pelo contato com a natureza era uma marca da família. Esse vínculo ficou também nas palavras do pai, na despedida emocionada que ele publicou:

“Ficaremos, na certeza de nos reencontrarmos um dia e fazer aquele voo de parapente que estávamos programando para o seu aniversário. Lá no céu, o bom Deus há de nos proporcionar isso. Daqueles que sempre te amaram: papi, mami e Mari.”

Nyesha J. Arrington: a chef negra do Next Level Chef

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Foto: Divulgação

Enquanto no Brasil a versão do reality Chef de Alto Nível, que estreia no próximo dia 15 de julho, terá uma bancada de jurados formada apenas por chefs brancos, Alex Atala, Jefferson Rueda e Renata Vanzetto, nos Estados Unidos o programa conta com uma jurada negra: a chef Nyesha J. Arrington. Um contraste que chama a atenção e levanta uma pergunta. Quem é essa chef que hoje ocupa um dos espaços de maior visibilidade na TV gastronômica americana?

Filha de pai negro e mãe coreana, Nyesha J. Arrington nasceu na Califórnia e formou-se no Art Institute of California – Los Angeles. Construiu sua trajetória em cozinhas estreladas, sob chefs como Josiah Citrin no Mélisse e Joël Robuchon em L’Atelier, até se tornar chef executiva no Wilshire Restaurant, em Santa Monica. Seu trabalho sempre refletiu uma combinação de técnica refinada com respeito às suas raízes culturais.

Foto: Divulgação

Decidida a imprimir sua identidade na cozinha, foi chef e sócia dos restaurantes Leona, de 2016 a 2017, em Venice, e Native, de 2017 a 2019, em Santa Monica. Ambos foram elogiados por críticos como Jonathan Gold, que descreveu seus pratos como o sabor de Los Angeles. Em 2015, foi eleita Chef do Ano pela Eater LA e, em 2012, entrou para a lista Zagat 30 Under 30. Sua cozinha valoriza ingredientes sazonais, memória afetiva e o território em que atua.

Além de sua carreira nos fogões, Nyesha se consolidou na televisão. Participou do Top Chef: Texas, em 2011, e desde 2022 é jurada e mentora do Next Level Chef, transmitido originalmente pela Fox e exibido no Brasil pela HBO. Para ela, ser mentora é um papel essencial. Ajudar chefs em formação a encontrar sua voz e evoluir na profissão é uma missão que leva a sério.

Com presença forte e carismática no programa, Nyesha J. Arrington reforça como a representatividade vai além da cozinha e chega aos espaços de decisão e visibilidade. Um exemplo que ainda falta no cenário brasileiro e que nos lembra da importância de ampliar as vozes e presenças negras em todos os níveis da gastronomia.

Naruna Costa integra nova temporada do musical “Elza”, que volta ao Rio na semana dos 95 anos da cantora

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Foto: Nicolle Krüger

A premiada diretora e atriz Naruna Costa faz sua estreia no elenco do musical “Elza”, que volta ao Rio de Janeiro em curta temporada a partir de 27 de junho, no Teatro Claro Mais. A remontagem celebra a memória de Elza Soares (1930-2022) na mesma semana em que a cantora completaria 95 anos.

Criado em 2018, o espetáculo já passou por 15 cidades brasileiras e agora será apresentado pela primeira vez após a morte da homenageada. Além de Naruna, o elenco traz as atrizes Ágata Matos, Janamô, Josy.Anne, Júlia Sanchez, Julia Tizumba e Sara Hana. As sete atrizes negras se revezam para dar vida a Elza em diferentes fases da carreira e da vida pessoal.

Com texto de Vinicius Calderoni e direção de Duda Maia, o musical tem direção musical de Larissa Luz e arranjos de Letieres Leite (1959-2021), maestro da Orquestra Rumpilezz. O repertório mistura sucessos desde discos antigos aos últimos lançamentos da cantora, como “Se Acaso Você Chegasse”, “Lama”, “Cadeira Vazia”, “A Carne”, “Maria da Vila Matilde” e “A Mulher do Fim do Mundo”.

Além de Elza, o musical traz figuras importantes de sua história, como o compositor Ary Barroso (1903-1964), responsável por sua primeira aparição na rádio, e o jogador Garrincha (1933-1983), com quem teve um relacionamento marcado pela violência doméstica.

O espetáculo foi criado quando Elza vivia um momento de consagração, após o lançamento dos álbuns “A Mulher do Fim do Mundo” (2015) e “Deus é Mulher” (2018), que ampliaram seu público e lhe renderam reconhecimento internacional.

“A Elza me disse: ‘sou muito alegre, viva, debochada. Não vai me fazer um musical triste, tem que ter alegria’. Isso foi ótimo, achei importante fazer o espetáculo a partir deste encontro, pois assim me deu base para saber como Elza se via e como ela gostaria de ser retratada”, destacou Calderoni.

Durante os ensaios, o diretor também disse que abriu espaço para que as atrizes colaborassem com o texto, principalmente em temas ligados à experiência de mulheres negras. “Pedi a colaboração delas, das experiências vividas por uma mulher negra. Do mesmo jeito que a Duda propôs muitas coisas, as atrizes também tiveram este espaço.”

A construção musical também seguiu o modelo colaborativo, com as atrizes participando ativamente dos ensaios ao lado da equipe de direção musical e do maestro Letieres Leite, que promoveu oficinas com o grupo. Duas canções inéditas foram compostas especialmente para a peça: “Ogum”, de Pedro Luís, e “Rap da Vila Vintém”, de Larissa Luz.

SERVIÇO

Espetáculo “Elza”

Quando: 27 de junho a 20 de julho
Local: Teatro Claro Mais RJ
Data: Quinta e Sexta 20h | Sábado 16h e 20h | Domingo 18h
Ingressos a partir de R$ 19,80 na Uhuu!

Erika Hilton rebate acusação de contratar maquiadores com verba pública: “uma invenção”

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Foto: Antonio Araújo / Câmara dos Deputados

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) rebateu as acusações de que estaria utilizando verba de gabinete para contratar maquiadores. Segundo ela, a denúncia não passa de uma distorção mal-intencionada e faz parte de uma campanha coordenada de ataques da extrema-direita.

“Não, meus amores, eu não contrato maquiador com verba de gabinete. Isso é simplesmente uma invenção”, afirmou a parlamentar no início do texto publicado nas redes sociais nesta terça-feira (24).

Erika explicou que os dois assessores citados na polêmica, Ronaldo e Indy, são secretários parlamentares com funções reconhecidas oficialmente, com atividades que vão desde a assessoria técnica em comissões, elaboração de relatórios e briefings, até o contato direto com a população em agendas em São Paulo, Brasília e também em viagens ao exterior.

“E sim, conheci eles como maquiadores, identifiquei outros talentos e os chamei para trabalhar comigo. Quando podem, fazem minha maquiagem e eu os credito por isso. Mas se não fizessem, continuariam sendo meus secretários parlamentares”, explicou.

A deputada também criticou a velocidade com que a notícia se espalhou, partindo de um único tweet, que virou matéria com título tendencioso e, em seguida, trending topic nas redes sociais. Segundo ela, o episódio demonstra que o objetivo não é a fiscalização legítima, mas sim a perseguição política.

“São sintomas de uma revanche, daqueles eternos derrotados no debate público, que ainda não digeriram de tal PL que foi barrado, ou então porque tive sucesso em uma proposta ou denúncia que não queriam que avançasse”, disse Erika, em referência a sua atuação no Congresso Nacional que tem atingido a oposição.

Por fim, Hilton reforçou que seguirá trabalhando com sua equipe, mantendo a postura de transparência e enfrentamento às fake news: “Que a indigestão dessa gente comigo continue se acumulando. Que os exploda por dentro. Porque aqui, eu e meu gabinete continuaremos trabalhando. Comigo, com Ronaldo, com Indy e com tanta gente extremamente qualificada. Gente que você vai fazer uma maquiagem e percebe que a pessoa faria um trabalho melhor do que equipes inteiras.”

Gil do Vigor critica falta de responsabilidade pública no turismo da Indonésia após tragédia com Juliana Marins

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O caso de Juliana Marins, jovem publicitária brasileira que caiu durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, e foi encontrada morta nesta terça-feira (24), continua gerando forte repercussão e indignação. Desde o acidente, ocorrido no sábado (21), a família vem denunciando negligência e omissão no resgate por parte das autoridades locais. Agora, a tragédia também abre espaço para um debate mais amplo sobre a responsabilidade pública no turismo em áreas de risco.

Entre as vozes que se manifestaram, o economista e ex-BBB Gil do Vigor usou suas redes sociais nesta semana para fazer um recorte político e econômico do caso. Segundo ele, o episódio expõe um problema estrutural grave na gestão do turismo na Indonésia.

“Gente, o caso da Juliana é profundamente triste, eu tava aqui refletindo, muito abalado, acho que todo o Brasil tá abalado com isso. Eu percebi que esse caso escancara um problema muito sério, muito grave, que é a responsabilidade pública diante do turismo”, afirmou Gil. “Quando um local é promovido como destino turístico, ele precisa estar preparado minimamente, com infraestrutura, claro, mas principalmente com a possibilidade de garantir resgate em caso de emergência. Isso precisa ser viável e com uma capacidade de resposta rápida.”

O economista também destacou que, embora o turismo seja uma importante fonte de desenvolvimento econômico, não pode existir sem responsabilidade. “Como economista, a gente sabe que o turismo é super importante para o desenvolvimento econômico de um lugar. Ele gera renda, atrai investimentos, impulsiona a produção. Mas para que isso aconteça é preciso o principal, responsabilidade. Turismo sem estrutura e sem capacidade de resposta não é desenvolvimento, é brincar com a vida das pessoas.”

Gil reforçou o sentimento de abandono que marcou o caso de Juliana. “Nesse caso a gente viu claramente o abandono acontecer. Porque o mínimo que se espera de qualquer destino turístico é que o Estado esteja preparado para responder a qualquer situação de emergência. Infelizmente, não foi o que aconteceu. O que nós tivemos foi negligência e abandono.”

Família confirma morte da brasileira Juliana Marins após queda em vulcão na Indonésia

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A brasileira Juliana Marins, de 26 anos, foi encontrada sem vida nesta terça-feira (24) na encosta do Monte Rinjani, um vulcão ativo na ilha de Lombok, Indonésia. A confirmação veio por meio de um comunicado divulgado no perfil criado pela família para atualizar sobre as operações de resgate  .

Segundo os veículos locais que cobriram o caso, Juliana caiu ainda na madrugada de sábado (21), quando participava de uma trilha pré-dawn, em condições de neblina e visibilidade reduzida. Ela se separou do grupo após pedir uma pausa por exaustão e escorregou por um penhasco íngreme, sendo localizada inicialmente 300 metros abaixo, com vida, através de drones  .

Apesar de esforços incessantes, as equipes de resgate — cerca de 50 pessoas — enfrentaram dificuldades extremas, como terreno escorregadio, solo instável, neblina densa e falta de equipamento para descidas muito íngremes. Equipes chegaram a montar acampamentos avançados a cerca de 500 metros da localização da vítima, mas acabaram recuando por falta de segurança, especialmente ao cair a noite  .

O comunicado familiar expressa a dor e o agradecimento pelo apoio recebido:

“Hoje, a equipe de resgate conseguiu chegar até o local onde Juliana Marins estava. Com imensa tristeza, informamos que ela não resistiu. Seguimos muito gratos por todas as orações, mensagens de carinho e apoio que temos recebido.”  .

O caso atraiu atenção internacional. O Itamaraty e a embaixada brasileira em Jacarta acompanharam o resgate, solicitando reforços das autoridades locais. A tragédia também reacende debates sobre o risco das trilhas no Monte Rinjani — um dos picos mais altos da Indonésia, com mais de 3.700 m. O local já registrou várias mortes nos últimos anos, e especialistas alertam para a necessidade de estrutura maior e protocolos rigorosos para turistas 

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