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O amor preto 

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Por Rodrigo França

Mesmo no Dia dos Namorados, esta escrita não é — ou não é apenas — sobre o amor romântico. Porque antes de amar o outro, é preciso aprender a se amar. E para nós, pessoas negras, esse amor-próprio é também um gesto político, um ato de cura, uma reaproximação daquilo que tentaram arrancar: nossa dignidade, nossa beleza, nossa inteireza.

Todo mundo deveria ter o direito de amar, de escolher com quem deseja construir afeto. Mas é preciso lembrar que toda escolha carrega um contexto. E que, em um país atravessado por tantas camadas de violência, nenhuma decisão é neutra. Amar, também, é político. Especialmente quando se trata de nós, que por tanto tempo fomos ensinados a não nos amar — nem a nós mesmos, nem entre nós.

Este texto não é um julgamento. É um convite. Um chamado à consciência, não ao constrangimento. Porque aquilo que a gente vive no íntimo também é atravessado por séculos de imposições. A nossa autoestima foi alvo. O nosso desejo foi moldado. A nossa humanidade, tantas vezes, negada. E isso tudo não desaparece num gesto de carinho, por mais sincero que ele seja. Está nas entrelinhas. Nos silêncios. Na forma como, até hoje, se representa — ou se apaga — o amor preto.

Falar de amor preto não é levantar um muro. É abrir um espaço. É lembrar que fomos afastados da possibilidade de amar com liberdade, com ternura, com profundidade. Que nos fizeram acreditar que só seríamos amáveis se nos aproximássemos daquilo que o sistema valoriza: a branquitude, o corpo moldado, o cabelo liso, a alva. Isso não foi natural. Foi aprendido. E o que é aprendido pode — e deve — ser questionado.

O que propomos é um outro horizonte. Um amor que não repita o que tantas vezes já falhou. Um amor que não reproduza os afetos hierárquicos, baseados na posse, na desconfiança, na comparação constante. Um amor que seja nosso. Que converse com a nossa história, com os nossos saberes, com o tempo que pulsa no nosso corpo. Que seja decolonial. Que recuse os moldes prontos do Ocidente, que nos prometem plenitude e nos entregam solidão.

Porque a solidão da mulher negra, por exemplo, não é resultado de uma suposta inadequação. É reflexo de um sistema que a vê como forte demais para ser cuidada, como “exótica” demais para ser escolhida. E o homem negro, por sua vez, carrega o peso de uma virilidade imposta, da desconfiança constante, da dificuldade de ser vulnerável. Não somos culpados por isso. Mas somos responsáveis por não perpetuar essas dores.

Amar preto é reeducar o olhar. É perceber beleza naquilo que nos ensinaram a rejeitar. É reconstruir a confiança, a parceria, o encantamento. É romper com o modelo do negro único — aquele que “deu certo” e, por isso, se distancia dos seus. É entender que o amor que desejamos e merecemos se constrói a partir da comunidade, do cuidado mútuo, da escuta generosa. É se permitir ser visto e ver o outro por inteiro, sem filtros coloniais.

O amor preto não é exceção. Não é compensação. Não é resistência solitária. Ele é revolução quando se propõe a curar, a reinventar, a oferecer aquilo que o sistema sempre nos negou: leveza. E é justamente essa leveza — construída com dignidade, consciência e afeto — que nos aponta um novo caminho. Amar preto é quebrar o ciclo da negação. É afirmar que somos possíveis. Que somos desejáveis. Que somos completos.

Neste Dia dos Namorados, celebre se quiser — mas, sobretudo, reflita. Que tipo de amor estamos construindo? Que valores estamos repetindo? E o que podemos criar de novo a partir da nossa ancestralidade?

Porque se o projeto foi nos desumanizar, que o amor seja o caminho para nos reumanizar. E que ele seja inteiro, nosso, com a nossa cara, o nosso ritmo, a nossa memória.

Ame-se, primeiro. Como nossos mais velhos sempre sinalizaram: se a sua escolha for um relacionamento monorracial, beije sua preta ou seu preto em praça pública. Sem vergonha, sem medo, sem disfarce. Seu — não no sentido de posse, mas de espelho. De quem caminha ao lado, refletindo sua história, sua luta, sua beleza.

O básico nas mãos dos negros é ouro

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Foto: Freepik

O maior espetáculo para o pobre da atualidade é ter o que comer em casa. – Carolina Maria de Jesus

De uma conversa animada e descontraída, com o meu sobrinho, acabei passando para um estado de tristeza e perplexidade. Mas antes de comentar do que se trata, vou te situar um pouco sobre a vida dele.

O Gabriel é um jovem negro. Está com dezesseis anos. Mora com os pais na Zona Sul de São Paulo. Adora ouvir samba, e até entrou numa escola de música para aprender cavaquinho. É entusiasta de diversas modalidades de esportes e estuda em escola pública. 

Ele está sempre ligado nas notícias e debates sobre o racismo; quando vê notícias, imediatamente compartilha comigo pelo WhatsApp “o que acha disso, tio?”.  A minha irmã às vezes comenta “esse aí parece você!”. Eu dou risada, claramente com orgulho do sobrinho.

Falando da minha irmã, ela é professora do ensino básico na rede municipal. Sai para trabalhar no período da manhã e retorna somente à noite; o marido trabalha de vigilante em duas empresas. Encontrá-lo em casa é como acertar na loteria; a propósito, a residência foi financiada a perder de vista. Até o início do ano, eles eram caseiros de uma chácara.

No mês passado, o Gabriel foi passar um fim de semana comigo. Em meio às nossas conversas, comentou que na escola os amigos chamam ele de “nego boy”. Isso está causando certo incômodo no moleque, porque não é verdade. Ele sabe que o pouco de conforto desfrutado decorre da própria ausência dos pais que passam mais tempo trabalhando do que no convívio familiar.

A provocação começou após ele levar os amigos para fazerem trabalho escolar em casa. Os jovens se surpreenderam com os detalhes da moradia. O quarto dele, por exemplo, é uma pequena suíte. Nela tem uma TV bacana, notebook, ar condicionado, pintura nova. Nada luxuoso. A sala é aconchegante. O quintal é espaçoso. Se abrirmos a geladeira e o armário de mantimentos, constataremos o suficiente para o consumo do mês. Nem sempre dá. Mas, no geral, a moradia contém o básico para a sobrevivência.

Obviamente, a visão manifesta dos jovens é reflexo do estabelecido no imaginário brasileiro, nos suscitando algumas perguntas: afinal, qual o valor do que é básico em uma sociedade racista? Até quando o rompimento de estereótipos causará espanto nas pessoas?

Olhares, um show de Péricles e um beijo: o início da história de Clara e Breno

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📸 Breno Ferreira e Clara Moneke — Foto: gshow/Marcos Serra Lima

Foi durante um show de Péricles que Clara Moneke e Breno Ferreira perceberam que havia algo além da amizade que já cultivavam desde 2022, quando atuaram juntos em uma série. “A gente ficou se fuzilando a noite inteira”, brincou Breno. O primeiro beijo veio ali mesmo, e, como Clara define com bom humor: “Foi uma coisa que no primeiro beijo a gente sabia. Ferrou. Foi amor ao primeiro beijo.”

Hoje, quase um ano depois desse encontro, o casal — no ar em Dona de Mim e Vale Tudo — celebra o primeiro Dia dos Namorados juntos e já fala abertamente sobre planos de casamento e filhos. “A partir do momento em que a gente tem essa relação muito apaixonada, é o natural da vida ir para esse lugar”, afirmou Breno. Clara completa: “Para a gente é só daqui para debaixo da terra, até que a morte nos separe.”

Os dois também revelaram o lado leve e divertido da relação. “Meu amor é brega, com todo orgulho”, disse Clara. “Eu sou de fazer camisa, fiz um cordão com um ‘B’ para mim e um anel para ele de ‘C’. É muito bom esse amor saudável, de poder amar e ser retribuída.” Já nos apelidos carinhosos, eles entregaram uma lista: “Eu adoro Beco, Becoleco…”, contou Clara. Breno completa: “Aí eu falo Becaleca. Também gosto de Nenega, do Nenego.”

Apaixonados e bem-humorados, Clara e Breno também não se incomodam com o assédio do público, que costuma elogiar o casal nas redes sociais. “É bom ser querido, reconhecido pelo trabalho e também como casal preto. Mas é claro que às vezes tem quem passa do limite”, pondera Breno. Clara, entre o orgulho e um leve ciúmes, diz: “Posta essa foto sem camisa, amor, tá lindo… mas depois eu fico lá, hum… (risos).”

Seja no trabalho, nos pequenos gestos ou nos grandes planos, o casal vive um momento de construção e parceria. “Nosso casamento vem aí, com Pericão cantando”, brincou Breno. Clara reforça: “A gente tem sonhos, de filhos, de família. O casamento vai acontecer no momento certo. Por enquanto, estamos aproveitando cada dia juntos.”


📸 Breno Ferreira e Clara Moneke — Foto: gshow/Marcos Serra Lima

Ajuliacosta é revelação do ano e Doechii critica Trump em discurso: os grandes destaques do BET Awards 2025

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Fotos: Reprodução/Instagram e Christopher Polk

O Bet Awards 2025, premiação que celebra a excelência negra na música, foi realizado na noite desta segunda-feira (9), com muitos momentos marcantes, vitórias históricas e discursos poderosos. A cerimônia foi apresentada pelo ator e comediante Kevin Hart.

Entre um dos grandes destaques da noite, a rapper brasileira Ajuliacosta, venceu a categoria Melhor Artista Revelação Internacional. Até então, MD Chefe era o único brasileiro a conquistar esse prêmio.

“Eu estou muito feliz por estar levando esse prêmio! Eu quero agradecer a todo mundo que me fortaleceu nessa, a mobilização que os rappers fizeram, à toda bancada que olhou meu trabalho com um olhar carinhoso…Só gratidão! Isso me impulsiona cada vez mais”, agradeceu a artista. 

Doechii também se destacou na cerimônia ao se posicionar publicamente contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso de vitória do prêmio de Melhor Artista Feminina de Hip Hop. A rapper contestou o envio de tropa da Guarda Nacional para Los Angeles em meio aos protestos contra as batidas policiais de imigração. 

“Trump está usando forças militares para impedir um protesto e quero que todos vocês considerem que tipo de governo ele parece ser, já que cada vez que exercemos nosso direito democrático de protestar, o exército é mobilizado contra nós. Que tipo de governo é esse?”, criticou. 

“As pessoas estão sendo arrastadas e arrancadas de suas famílias, e sinto que é minha responsabilidade como artista usar este momento para falar em nome de todos os oprimidos, dos negros, dos latinos, das pessoas trans, das pessoas em Gaza. Todos nós merecemos viver com esperança e não com medo. E espero que nos unamos, meus irmãos e irmãs, contra o ódio, e protestemos contra ele”, acrescentou.

Stevie Wonder e Jamie Foxx no BET Awards 2025 (Foto: Christopher Polk)

Ícone da noite

Em dos momentos mais emocionantes da noite, Jamie Foxx recebeu o prêmio Ultimate Icon Award das mãos de Stevie Wonder, e fez um discurso comovente, ao agradecer a Deus pela “segunda chance” após ter sofrido uma hemorragia cerebral que resultou em um derrame em abril de 2023.

“Não consigo nem começar a expressar o amor que sinto de todos. Tenho que ser sincero, quando vi o In Memoriam, pensei: cara, poderia ter sido eu. Não sei por que passei por tudo o que passei, mas sei que minha segunda chance não vou recusar”, declarou. 

“Eu tenho tanto amor para dar. Eu disse a ele [Deus], ​​eu disse, cara, me dá mais uma chance nisso”, disse com os olhos cheios de lágrimas. “Eu disse, seja lá por que motivo você me impuser isso, eu prometo que vou fazer a coisa certa. E vou fazer a coisa certa na frente de vocês, porque eu sei que muitas vezes, quando nos damos bem, esquecemos de onde viemos. Quando fiz meu especial [Jamie Foxx: What Had Happened Was… na Netflix], foi na frente de pessoas negras. As pessoas negras foram as que disseram, cara, nós te pegamos. Não quer dizer que os brancos também não saibam rezar. Eu sei que parece estranho, mas vocês sabem do que estou falando. É como se vocês tivessem me pressionado, e eu não quero fazer esse discurso inteiro sobre isso, mas vocês não podem passar por algo assim e não testemunhar.”

Os cantores Snoop Dogg, Mariah Carey e Kirk Franklin também venceram o Ultimate Icon Award. 

Veja a lista completa de vencedores do Bet Awards 2025 aqui!

Astro da NBA, Giannis Antetokounmpo inaugura quadra de basquete no Rio

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2025.06.09 - O jogador grego da NBA Giannis Antetokounmpo participa da reinauguração de quadra com seu nome no bairro do Leblon Rio de Janeiro. Foto: Daniel Ramalho para INPRESS / Divulgação.

Giannis Antetokounmpo, astro da NBA e conhecido como “Greek Freak”, esteve no Brasil neste final de semana para uma agenda especial no Rio de Janeiro. Ao lado de sua família, o jogador participou da inauguração de uma quadra pública de basquete revitalizada na Praça Cláudio Coutinho, no bairro do Leblon.

A ação foi promovida em parceria com a marca de jogos Betano, que tem sede na Grécia. O objetivo da iniciativa é incentivar o esporte de base e criar espaços acessíveis para novos talentos.

“Minha história está ligada às quadras públicas. Foi assim que descobri minha paixão pelo basquete. Espero que essa quadra, inaugurada hoje pela Betano, permaneça sempre cheia e possa incentivar a formação de novos talentos”, declarou Giannis durante a cerimônia.

Além do compromisso oficial, Giannis aproveitou para vivenciar um pouco da cultura local. O jogador experimentou uma tradicional feijoada e curtiu um bom samba, mostrando seu entusiasmo com a receptividade e a energia brasileira.

Com uma carreira marcada por superação e conquistas, Giannis é hoje um dos maiores nomes da NBA. Sua passagem pelo Rio reforça a importância de iniciativas que promovam o acesso ao esporte e aproximem ídolos de comunidades ao redor do mundo.

Fotos: Daniel Ramalho e ALOB Spor

Religiões afro crescem 300%: Estranha mania de ter fé na vida

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O ano de 1830, que marca a instituição do primeiro templo de Candomblé do Brasil, foi caracterizado pelo crepúsculo do Livro V das Ordenações Filipinas, que criminalizava a heresia, a blasfêmia de Deus e punia a feitiçaria com pena de morte. Em dezembro daquele mesmo ano era aprovado o primeiro código penal brasileiro, que incriminava a zombaria da religião oficial e o culto a qualquer outra religião, bem como quaisquer ideias contrárias à existência de Deus. Acima do código de 1830 pairava a Constituição do Império, de 25 de março de 1824, que reafirmava a “Religião Catholica Apostólica Romana” como religião oficial de estado.

Os horrores do escravismo, o cristianismo compulsório e a supremacia racial e religiosa legitimada pela norma jurídica (o curandeirismo prossegue tipificado no Código Penal vigente) não foram suficientes, entretanto, para impedir três africanas – Iyá Detá, Iyá Akalá e Iyá Nassô de edificarem o Ile Axé Iya Nassô Oka, conhecido como Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, atualmente instalado na Vasco da Gama, em Salvador – Bahia.

À perseguição estatal somou-se, a partir dos anos 70 do século passado, o discurso de ódio religioso apelidado de exercício da liberdade de expressão que basicamente atribui o aquecimento global, o buraco na camada de ozônio, o terraplanismo e dentadura trincada à existência das religiões afro-brasileiras.

Não será coincidência, a propósito, a similaridade entre a satanização das religiões afro-brasileiras utilizada para difundir o medo/multiplicar fortunas sacerdotais e o discurso nazista que atribuía aos judeus a responsabilidade por todos os males do planeta.

Por ocasião da tragédia climática que assolou o Rio Grande, por exemplo, houve quem chegasse à engenhosa conclusão de que o problema decorreria do grande número de terreiros de batuque existentes no estado mais branco do Brasil.

A novidade, publicada em 2017 numa pesquisa coordenada pela socióloga paranaense Lena Garcia, coadjuvada pelo autor dessas linhas, é que na cidade de São Paulo, entre o censo de 2000 e de 2010, as religiões afro-brasileiras experimentaram crescimento de cerca de 40%.

O perfil do macumbeiro novo não é mero detalhe: jovem negro(a), com formação universitária e renda superior – produto das ações afirmativas e da revolução provocada pelo Movimento Negro nas últimas décadas que não se resume à dimensão estética, como supõe muita gente boa.

O censo de 2022 ilustra uma realidade perceptível a olho nu mas mantém o equívoco na redação da pergunta sobre religião e com certeza subnotifica o número de brasileiros(as) que professam as matrizes africanas: se os macumbeiros somassem 1% da população o discurso de ódio religioso não teria produzido tantas fortunas e não teria sido explorado eleitoralmente a ponto de contribuir para a eleição de um capitão que trata quilombolas como animais inúteis inclusive para procriação, frase anunciada em meio a estrondosas gargalhadas no Clube Hebraica do Rio de Janeiro.

Em 1985 a luminosa canção “Milagres do Povo”, de Caetano, foi trilha da minissérie “Tenda dos Milagres”, escrita pelo mesmo Jorge Amado que defendeu efusivamente a liberdade de crença na Constituição de 1946 mas não foi capaz de trair o racismo. O aparente paradoxo, renovado pelo censo de 2022, reside na frase quase épica assinada por Caetano – “Quem era ateu e viu milagres como eu’!!!

Ou, na genialidade de Bituca – “Quem traz no corpo essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida”!!!!

Texto: Hédio Silva Jr., Advogado, Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela PUC-SP, fundador do Idafro – Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-brasileiras, é Ogã do Candomblé.

LENUR: a marca de moda conceitual de Gabrielle Juscelino que celebra a luz e a essência das mulheres 

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Fotos: Divulgação

Por trás de cada costura, há uma história. Por trás da LENUR, há Gabrielle Juscelino, uma estilista negra de Juiz de Fora, Minas Gerais, que fez da sua trajetória um manifesto de beleza e pertencimento.

Aos 9 anos, já desenhava roupas enquanto mergulhava em jogos de moda. Hoje, aos 25, é a mente criativa por trás da marca que carrega no nome a fusão entre Le, de Gabrielle, e Nur, de origem árabe, que significa “Luz”.

LENUR nasceu do incômodo e da inquietação, em 2023, depois de notar a ausência de roupas que falassem com sua estética, seu corpo e sua identidade. Foi então que Gabrielle começou a desenhar suas próprias roupas, costurar, modelar. Toda a produção, desde o criativo até a embalagem final dentro de casa, com o propósito de vestir mulheres com autoestima e verdade.

Os vestidos, conjuntos e peças autorais da marca revelam um design atemporal e casual, que flerta com a sensualidade sutil e com a força simbólica das cores.

Para o Festival Negritudes Globo no Rio de Janeiro, realizado em maio deste ano, Gabrielle criou três vestidos marrons, a nova cor queridinha do momento. “Durante muito tempo, o marrom foi visto como uma cor sem status, até mesmo indesejada. Era difícil encontrar tecidos nesse tom para produzir. Mas hoje, ele virou tendência. E mais do que isso: se tornou símbolo de orgulho, beleza e afirmação”, declarou.

Foto: Reprodução Rede Globo

Para Gabrielle, a missão da LENUR é “criar produtos que realcem a individualidade de cada mulher, ajudando-a a reconhecer sua própria personalidade e a se sentir incrível”.

Precisamos falar sobre o poder da acidificação nos cabelos crespos

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A acidificação capilar é um cuidado fundamental, mas ainda pouco explorado nos cronogramas de quem tem cabelo crespo ou cacheado. Trata-se de um tratamento que regula o pH dos fios, fechando as cutículas e ajudando a manter a saúde da fibra capilar. Isso é especialmente importante para cabelos que passam por químicas, colorações ou que naturalmente têm uma estrutura mais porosa, como os fios crespos.

Muita gente confunde acidificação com hidratação, mas os efeitos são diferentes e complementares. Enquanto a hidratação repõe água e nutrientes, a acidificação age como um “selante natural”, equilibrando o pH dos fios e preservando os benefícios dos outros tratamentos. O resultado são cabelos com mais resistência, retenção de hidratação e brilho natural.

A frequência ideal da acidificação depende do estado do seu cabelo. Para fios muito danificados ou porosos, recomenda-se uma vez a cada 15 dias. Já para manutenções regulares, uma vez por mês costuma ser suficiente. O importante é sempre observar como os fios respondem.

O processo deve ser feito após o shampoo e antes da máscara de hidratação ou nutrição. Com o cabelo limpo, aplique o acidificante nos fios, deixe agir pelo tempo indicado no produto (geralmente de 5 a 10 minutos), enxágue e prossiga com o tratamento escolhido. O objetivo é preparar o fio para receber melhor os ativos e manter a cutícula protegida.

Entre as opções disponíveis no mercado, a Máscara Condicionante de Equilíbrio do pH Amend Essencial, o Acidificante Infusão 2.0 Widi Care e a Máscara Acidificante Densidade Lola From Rio são excelentes escolhas. Para quem prefere soluções caseiras, uma mistura de água com vinagre de maçã (proporção de 1 parte de vinagre para 4 de água) também funciona bem, sempre com cuidado para não exagerar na acidez. O segredo está no equilíbrio: acidificar é respeitar a estrutura do fio e garantir que ele fique forte, saudável e com toda a sua beleza natural.

O Movimento Black Money Inovahack 2025 abre inscrições para evento que transforma ideias da periferia em soluções tecnológicas de impacto social

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Foto: Divulgação

O hub de inovação da comunidade negra, o Movimento Black Money (MBM) , acaba de abrir as inscrições para a 4ª edição do MBM Inovahack, uma maratona de inovação social e tecnológica que acontecerá entre os dias 19 e 21 de junho de 2025, na cidade de São Paulo. Com o tema “Periferias em Foco: Inovação para Transformação”, o evento convida indivíduos, a partir de 16 anos, para participar de uma jornada imersiva de +54 horas de criação, colaboração e impacto.

Voltado especialmente para pessoas negras, periféricas e grupos sub-representados no ecossistema de inovação, o Inovahack oferece uma oportunidade concreta de colocar ideias no mundo, com o suporte de mentores experientes e empresas parceiras. As inscrições podem ser feitas até o dia 12 de junho ou até o preenchimento total das vagas pelo site da MBM.

Queremos mostrar que os maiores desafios sociais do país também podem ser os maiores berços de inovação. As periferias não só têm potencial como já são protagonistas de soluções que transformam realidades”, afirma Nina Silva, fundadora do Movimento Black Money.

Os Hackathons são eventos de curta duração, para  a colaboração rápida e intensa a fim de criar algo novo em um curto espaço de tempo, onde empreendedores, programadores, designers, cientistas de dados e outros profissionais de tecnologia trabalham em conjunto para desenvolver soluções para um problema específico ou para um projeto inovador.

Desde sua primeira edição, o MBM Inovahack se consolidou como um espaço de protagonismo negro e periférico dentro do universo da inovação e tecnologia. Nas últimas edições, o evento já mobilizou mais de 2.700 inscritos, com 84% de participantes negros e 70% de mulheres. Os melhores projetos recebem capital semente (premiação) e bolsas de formação para fortalecer o caminho rumo ao empreendedorismo e à empregabilidade tecnológica.

A 4ª edição conta com apoio institucional do SEBRAE, BNDES, Caixa Econômica e AMBEV, reforçando seu posicionamento como uma iniciativa de alto impacto social, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU — como igualdade racial e de gênero, educação de qualidade e inclusão produtiva.

Formação, networking e premiações

Durante os três dias de evento, os participantes terão acesso a workshops práticos sobre modelagem de negócios, inovação, inteligência artificial, além de mentorias individuais com especialistas de mercado. Ao final, as equipes apresentam seus projetos a uma banca avaliadora, que premiará os projetos melhores posicionados com mais de R$ 20 mil em dinheiro, bolsas de inglês e possível acesso a programas de incubação e aceleração.

Para ampliar ainda mais o impacto, o MBM incentiva os participantes a realizarem uma das trilhas formativas gratuitas da plataforma  educacional voltada para a formação em tecnologia, a Afreektech, com conteúdos em Ciência de Dados, Inteligência Artificial, Transformação Digital, Marketing Digital e Vendas B2B.

Para mais informações acesse

www.movimentoblackmoney.com.br

Trancistas passam a ter ocupação regulamentada e acesso a direitos ampliados

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Foto: Samaria Passos/Agência de Notícias das Favelas

Nesta sexta-feira (6), data em que se comemora o Dia da Pessoa Trancista, profissionais da área têm um motivo a mais para celebrar: a inclusão oficial da atividade na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), sob o código 5161-65. A medida, aprovada ontem (5), marca um avanço histórico não só pela profissionalização, mas também para a valorização de um saber ancestral, exercido majoritariamente por mulheres negras.

Além da nomenclatura “trancista”, a CBO reconhece também os termos “artesão capilar”, “profissional das tranças” e “trançadeiro capilar”. A formalização dá visibilidade a uma atividade que já movimenta bilhões de reais no país, impulsionada pela valorização da estética afro e da identidade negra.

O reconhecimento também representa inclusão no mercado formal: permite acesso a cursos profissionalizantes, emissão de nota fiscal, contribuição ao INSS por meio do MEI e abertura de negócios próprios.

“O mais urgente é o reconhecimento do valor cultural, histórico e identitário das tranças. O nosso saber não veio de uma sala de aula tradicional, ele vem de gerações, da oralidade, da vivência nas periferias, da ancestralidade africana que resiste em cada fio trançado”, afirma Denise Melo, trancista e ativista pela regulamentação da profissão, em entrevista ao jornal A Tarde.

Ela destaca que o avanço precisa ser acompanhado de políticas públicas. “É necessário investir em formação, acesso a políticas públicas, espaços de visibilidade e incentivo ao empreendedorismo negro, porque muitas de nós começamos com pouco ou nenhum apoio, apenas com coragem, talento e força de vontade.”

Ireuda Silva (Republicanos), vereadora de Salvador (BA), foi uma das articuladores pela inserção da ocupação na CBO, junto ao Ministério do Trabalho. “Ela foi até Brasília, conversou diretamente com o Ministro do Trabalho [Luiz Marinho] e defendeu com firmeza a regulamentação da nossa profissão. Isso foi um divisor de águas. Ver uma mulher preta em posição de poder nos representando e abrindo caminhos foi extremamente inspirador”, conta Denise.

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