O Prêmio Ubuntu de Cultura Negra, uma das mais importantes iniciativas dedicadas a reconhecer artistas, coletivos e agentes culturais negros, continua vivendo um impasse. Mesmo após a confirmação de apoio institucional em agosto, o evento ainda não recebeu o aporte financeiro prometido pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SECECRJ), o que inviabiliza a realização da cerimônia que estava prevista para o Novembro Negro. O evento estava marcado para o dia 12, foi adiado para o dia 27, e agora segue sem uma nova previsão.
Segundo a organização, o acordo foi firmado durante uma série de agendas conduzidas pelo representante de captação de recursos do prêmio. A parceria garantiria segurança e planejamento para o evento, que celebra produções e trajetórias fundamentais para a valorização da cultura negra no Brasil.
A situação se agravou na última semana. “Na terça-feira (25), após a nota de adiantamento, pela segunda vez, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa entrou em contato, por volta das 22h, solicitando uma reunião para o dia seguinte pela manhã. Durante o encontro, apresentamos novamente todo o projeto e reforçamos a necessidade do aporte financeiro, a fim de cumprir com vários compromissos que exigem contratação prévia, considerando que a parceria já estava confirmada desde agosto e, desde então, nunca houve devolutivas negativas, seja de forma presencial, por telefone ou por mensagens”, afirma a organização.
Para a equipe, o silêncio institucional revela uma fragilidade no comprometimento do poder público com pautas raciais e com o próprio Novembro Negro — período simbólico para reafirmar a identidade e a produção cultural negra. O impasse também contraria o “Pacto Cidade Antirracista”, firmado no Rio em 2022, que prevê estratégias de combate ao racismo e promoção da igualdade racial.
“Essa ausência de posicionamento coloca em evidência uma questão séria: estamos diante de uma falha de comunicação institucional ou de um sinal claro de desinteresse por uma pauta que deveria ser prioridade”, afirma Paula Tanga, fundadora do Prêmio Ubuntu.
Sem o aporte financeiro, o evento continua estruturado, mas sem previsão de nova data ou continuidade institucional. A organização reforça que precisa do apoio prometido para garantir uma execução digna, segura e à altura da importância do prêmio.
“Seguimos aguardando com responsabilidade e transparência, reafirmando nosso compromisso com o público, com a cultura e com a conscientização da urgência da agenda preta no Brasil. Esperamos que o Governo do Estado, por meio da SECECRJ, cumpra seu papel de garantia de políticas públicas de manifestação e expressão cultural e ofereça o suporte devido com a celeridade e o respeito que este projeto merece”, conclui Tanga.
“Bloco do Prazer” chega a Fortaleza em dezembro com uma proposta que ultrapassa o olhar sobre a festa enquanto celebração. A mostra, que ocupa o Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE) a partir de 02 de dezembro, investiga a Festa como força estética, articuladora de comunidades e ferramenta de disputa simbólica no Brasil. Realizada pelo Ministério da Cultura e pelo Instituto Dragão do Mar, com patrocínio da Petrobras, a exposição tem acesso gratuito e permanece em cartaz até maio de 2026.
Em sua versão cearense, o projeto se expande de forma significativa, reunindo cerca de 250 obras e conectando diferentes períodos, linguagens e perspectivas. Ao chegar ao Ceará, a mostra amplia seu território, abraçando a vitalidade de manifestações tradicionais como maracatus, reisados, mestres da cultura popular e os Tesouros Vivos da Cultura. São mais de 50 artistas nordestinos presentes, reafirmando a força da cultura preta e periférica em pinturas, fotografias, trabalhos têxteis e peças híbridas que destacam expressões afro-brasileiras, afro-indígenas, celebrações religiosas e cortejos urbanos.
A diversidade de gênero e identidade é um dos pilares desta edição. Entre as novas obras produzidas entre 2020 e 2025, está o inédito Cariri Delícia, de Charles Lessa, que tensiona corpo, som e rito. Artistas cearenses como Bárbara Banida e Blecaute reforçam o caráter político da mostra ao colocar vivências periféricas e discussões sobre gênero no centro do debate, em trabalhos como A cisgeneridade é uma ruína e Brincadeira como forma de aquilombamento. Como destaca a Secretária da Cultura do Ceará, Luisa Cela, a exposição acolhe e celebra a Festa como linguagem de liberdade, colocando o Ceará e o Nordeste no centro das reflexões contemporâneas do país, ao mesmo tempo em que fortalece políticas culturais que valorizam território, saberes populares e protagonismo local.
SERVIÇO
Exposição: Bloco do Prazer Onde: Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE) – Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura Endereço: R. Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema, Fortaleza (CE) Período: 02/12/2025 a 05/2026 Entrada: gratuita Realização: Ministério da Cultura e Instituto Dragão do Mar Patrocínio: Petrobras, via Lei Rouanet
As reflexões acerca do Dia da Consciência Negra e de Zumbi dos Palmares — uma data que potencializa a luta do povo negro por seu lugar de direito — são também um dia de balanço e de revelação. Para onde estamos caminhando? E a quem a narrativa do racismo importa?
Muitas dessas respostas estão nos nossos discursos repetidos insistentemente e exaustivamente — não por nosso desejo — uma vez que ainda somos apenas 8% nos cargos de lideranças, ainda somos apenas 11% nas universidades, ainda não chegamos ao Supremo Tribunal Federal (STF), ainda somos nós que, mesmo sendo protagonistas de tantas narrativas, seguimos sendo invisibilizados pela sociedade e pelos algoritmos.
Quando chegamos “lá”, todo e qualquer movimento nos coloca à prova e nos questiona se de fato aquele lugar nos pertence. O que só acontece quando a cor da pele antecede o saber. Não somos parte do seleto grupo dos 1% mais ricos do Brasil. Mas ainda somos nós que fazemos a economia girar desde os primórdios.
O Dia da Consciência Negra, que esse ano pela primeira vez engloba todo o território brasileiro, move milhões de posts, comentários, campanhas, palestras e por aí vai — o que é ótimo! Informação e ações antirracistas são sempre bem-vindas. Mas, e após o dia 20, como fica este cenário?
Para além dos discursos inspiradores e das campanhas institucionais, seguimos convivendo com estruturas que insistem em manter as mesmas hierarquias de sempre. E é aqui que números importam. Segundo o IBGE, pessoas negras representam mais de 56% da população brasileira, mas continuam sendo minoria nos espaços de decisão: ocupam menos de 30% dos cargos de liderança no país, e apenas 5% chegam aos altos postos executivos.
Esses dados não são apenas estatísticas; são sobre um cenário desigual que ainda trata diversidade como pauta de marketing, e não como estratégia de sustentabilidade social e econômica. Uma pesquisa da McKinsey mostra que organizações com maior diversidade racial em posições de liderança têm até 33% mais chance de superar a concorrência. Já provamos nossa capacidade, já trouxemos resultados, e o que fica evidente é que essa luta não deve ser do povo negro, e sim da sociedade brasileira.
O racismo não precisa de grandes acontecimentos para existir: ele opera no cotidiano, silenciosamente, moldando oportunidades, expectativas e até a forma como pessoas negras são percebidas antes mesmo de abrirem a boca. São questionadas, interrompidas e abordadas independentemente de sua classe social. Há um comportamento que impera na sociedade e que é naturalizado: o de que uma pessoa preta, não importa seu grau de conhecimento ou lugar hierárquico, está sempre a serviço. Portanto, tudo bem importuná-la com perguntas descabidas sobre sua aparência, profissão e, consequentemente, pautas racistas.
Podemos observar essa dinâmica em programas de debate. No Saia Justa, por exemplo, a vivência de raça e classe molda fortemente o discurso. É um estudo de caso que diz muito sobre a nossa sociedade: temos ali uma diversidade de mulheres e temas, e a reação de cada uma delas evidencia como suas diferentes realidades as impactam, com maior ou menor intensidade.
Quando a pauta é raça e classe social, percebemos a dor sobressaltando em Érika Januza, mulher negra retinta de origem periférica. Já Bela Gil, mulher negra nascida em uma família miscigenada, intelectual, de posses e com traços que não são identificados de imediato como características da negritude, compreende o discurso, participa ativamente, mas não transmite o sofrimento que recai sobre o tema, pois não foi afetada diretamente por ele, dado que sua pele mais clara e classe social a colocaram em uma posição mais privilegiada e protegida, como dita o colorismo.
Eliana Michaelichen, Tati Machado e Astrid Fontenelle costumam se surpreender, se indignar e colaborar com a discussão — mas até a página dois. Porque, quando as câmeras desligam, elas seguem protagonistas, sem que suas existências sejam questionadas a cada passo, sem serem interpeladas na base ou terem sua legitimidade colocada à prova diariamente.
Já mulheres como Gaby Amarantos, Taís Araújo e Rita Batista saem das mesmas conversas com a necessidade de estarem ainda mais fortes. Precisam retornar ao cotidiano onde o debate não termina: ele continua na rua, no trabalho, nas redes e no corpo. Uma trajetória de expectativas, projeções e luta contínua para não serem únicas nos espaços de destaque.
Continuamos sendo atravessados pelo julgamento, pelo controle, pela dúvida. Seguimos sendo lidos como exceção quando damos certo ou como ameaça quando existimos sem pedir licença. Enquanto isso, há quem permaneça confortável apenas no discurso — especialmente nas datas comemorativas. Reconhece a importância, fala bonito, emociona, compartilha posts… mas vive as mesmas escolhas, nos mesmos círculos, e os mesmos hábitos que sustentam privilégios históricos e alimentam práticas racistas.
Quem não carrega as marcas dessa história precisa ir além da conscientização: precisa aprender a ceder espaço, abrir portas, questionar privilégios, mudar práticas, rever os próprios vieses inconscientes e estar disposto a mudar. Reconhecer as microagressões que recaem sobre pessoas negras e entender qual é o seu papel em sua reprodução. Revisitar o passado é fundamental, mas mapear o presente é o que possibilitará resultados futuros. Entender que representatividade importa, mas não basta; inserir pessoas negras em espaços estratégicos não é concessão, é reparação e inteligência organizacional.
Construir um Brasil onde a cor da pele não tenha relevância na tratativa, um Brasil que seja justo não apenas no discurso, mas também na prática, é um dever de todos. O que fica depois do Dia da Consciência Negra é, enfim, uma reflexão coletiva para que a mudança seja efetiva para toda sociedade brasileira.
A palavra coragem sempre esteve no topo para que o povo negro pudesse avançar. Agora, já está mais do que na hora de a sociedade brasileira tomá-la para si e ter a coragem de mudar práticas, revisar privilégios e assumir responsabilidades nos demais 364 dias do ano.
O Prêmio Ubuntu de Cultura Negra, que chegaria à sua 5ª edição em novembro, estava previsto para ocupar o Parque Bondinho Pão de Açúcar em uma celebração dedicada ao tema “Conexões Ancestrais”. A cerimônia reuniria artistas, produtores e agentes culturais em um dos cartões-postais mais emblemáticos do país. No entanto, o evento foi adiado sem previsão de nova data após a falta de retorno dos órgãos estaduais responsáveis pela liberação dos recursos, o que inviabilizou sua execução.
Segundo a idealizadora e presidente da ONG Afrotribo, Paula Tanga, a decisão não teve origem na organização, mas na ausência de compromisso institucional com a continuidade do prêmio. “Estamos com tudo pronto. Dói, gente. Dói muito estar aqui”, afirmou, destacando que meses de planejamento foram interrompidos por falta de resposta formal do poder público.
Emocionada, Paula gravou um vídeo em que expõe a dimensão humana desse cancelamento. Ela enfrenta, ao mesmo tempo, a internação da irmã, em tratamento contra um câncer, e a frustração de ver um projeto de 20 anos de luta ser interrompido por falta de sensibilidade do poder público. “Não estou bem, não estou legal. Foi o cancelamento do prêmio devido à responsabilidade do Poder Público. Desde agosto a gente vem dialogando, que nos deu certeza”, disse, reforçando que o atraso e o silêncio das autoridades desmontaram meses de trabalho.
O impacto é ainda maior porque o Prêmio Ubuntu nunca foi só uma cerimônia. Ele sempre foi um gesto político: colocar lado a lado famosos e anônimos, reconhecer trajetórias que transformam territórios, criar caminhos onde a cidade costuma erguer barreiras. “O prêmio não incentiva a disputa entre os nossos. Ele incentiva a igualdade entre os nossos”, afirma Paula. E ocupar o Pão de Açúcar, neste ano, seria também afirmar o direito à cidade — especialmente no Novembro Negro.
Mesmo diante da dor, Paula fez questão de agradecer quem não soltou a mão, como a equipe do Parque Bondinho. Mas não aliviou a crítica. “A falta de incentivo para esse tipo de projeto só mostra o quanto temos que evoluir. Fala-se de equidade racial, fala-se de Ubuntu. Muitas pessoas falam de Ubuntu, mas não praticam Ubuntu, e eu tô sentindo isso na pele.” É um recado direto sobre como políticas culturais seguem falhando com iniciativas negras, mesmo quando elas já provaram sua relevância e capacidade de mobilização.
Paula afirma que seguirá lutando para garantir uma nova data e retomar o prêmio na dimensão que ele merece. “Eu vou lutar para que o prêmio aconteça, e que aconteça grandão”, diz. O adiamento, porém, expõe um cenário mais amplo: não se trata de um caso isolado. Em todo o país, projetos e movimentos negros vêm enfrentando cortes, atrasos e falta de resposta institucional, um padrão que se repetiu de forma ainda mais cruel neste Novembro Negro, mês que deveria fortalecer, e não fragilizar, iniciativas dedicadas à memória, arte e existência preta.
Prontos para se despedir da nossa Erica Sinclair? Aos 19 anos, Priah Ferguson não está encerrando o ciclo apenas com ‘Stranger Things’. Recentemente ela concluiu o ensino médio e está se preparando para novas etapas na vida pessoal e profissional. Um ciclo duplo que ela descreve como “agridoce”, mas absolutamente necessário.
Em entrevista ao Elite Daily, Ferguson refletiu sobre a década que passou no set da produção, para a qual foi escalada aos 10 anos. Como a série era filmada em sua cidade natal, Atlanta (Geórgia), ela conseguiu equilibrar gravações e estudos. “Estou muito animada para fazer coisas novas. Estou fechando este capítulo da minha vida e mal posso esperar para seguir em frente e ver o que mais o futuro me reserva”, afirmou.
Longe do universo de Hawkins, Priah planeja estudar marketing e ciência cosmética. “Quem sabe um dia eu possa ter minha própria linha de produtos para a pele”, diz a jovem. Mas a atuação continua como prioridade. Ela acaba de finalizar ‘Samo Lives’, cinebiografia de Jean-Michel Basquiat, ao lado de nomes como Jeffrey Wright e Dane DeHaan.
Apesar dos rumores sobre possíveis spin-offs, Ferguson diz estar tranquila para deixar sua personagem seguir seu próprio destino. “Acho que a Erica já deu o que tinha que dar. Acho que ela está cansada dos Demogorgons e dos monstros. Acho que a Erica só quer viver e se livrar de tudo isso”, brinca.
Ainda assim, o impacto de Erica é permanente em sua trajetória pessoal. Segundo ela, interpretar a personagem a tornou mais direta e assertiva. “Interpretar a Erica me tornou mais direta, não de uma forma grosseira, mas tipo, ‘Ei, vamos logo com isso’. Normalmente sou mais quieta, mas aprendi a adotar essa atitude por causa da Erica”.
A quinta temporada de Stranger Things estreia hoje, 26, na Netflix. Os quatro primeiros episódios chegam às 22h, e os novos episódios serão disponibilizados no Natal e na Véspera do Ano Novo, no mesmo horário.
O coletivo Entre Vinhos e Afetos (@entre_vinhoseafetos) realizou, na última sexta-feira (21), o último encontro do ano, reunindo 22 homens negros em uma roda de afeto, escuta e fortalecimento no restaurante da chef Dani Pimenta (@chefdanipimenta), em São Paulo. Criado em abril de 2025 pelo psicólogo Mauricio Ortiz (@ortiz_psi), o espaço tem se consolidado como um território íntimo e seguro voltado exclusivamente para homens negros que buscam partilha, acolhimento e reconstrução de vínculos afetivos, e já conta com 35 integrantes.
“Nosso encontro acontece na minha casa. um lugar de energia boa, acolhimento e partilha e por isso, a participação é feita sempre por indicação de outros homens que já integram o coletivo. Essa é uma forma de garantir que o espaço continue sendo seguro, respeitoso e verdadeiro”, destaca o idealizador, que também é Coordenador de um grupo de Masculinidades Negras do Afro Amparo Saúde, sobre as reuniões que acontecem sempre na última sexta-feira de cada mês.
“Aqui, o vinho é apenas o pretexto, o que realmente nos move é a escuta, o afeto e o encontro entre nós. É um espaço para relaxar, celebrar o que temos de melhor, partilhar vivências e sustentar nossas vulnerabilidades com leveza e respeito”, conta o psicólogo, que levou essa provocação ao amigo e chef Júlio Cardoso (@chef_julio_cardoso), que topou de primeira fazer parte dessa construção potente.
“Por envolver bebida e por acontecer em um ambiente íntimo, reforçamos a importância de beber com moderação e manter o cuidado coletivo, sempre atentos ao bem-estar de todos”, afirma.
O grupo é plural: acolhe homens cis, gays, bissexuais e trans. Segundo Ortiz, “a potência do ser homem negro está justamente na multiplicidade de nossas experiências”.
Um espaço construído com propósito
A convocação de Conceição Evaristo, em sua participação no Mano a Mano Podcast, também ecoou entre os participantes. No episódio, a escritora pediu que os homens negros se unissem às mulheres negras em um movimento de corresponsabilidade e emancipação racial. Foi esse chamado que inspirou reflexões como a do comunicador Hebber Clementino, integrante do grupo.
“Quando a @conceicaoevaristooficial ‘convocou’ os homens negros a se juntarem às mulheres negras na sua participação no Mano a Mano Podcast, me despertou a reflexão de que a união estratégica dos #homensnegros brasileiros é a última etapa para mudarmos o status da comunidade negra no país”, escreveu Hebber. Para ele, o racismo estrutural mira o homem negro de forma contínua, e somente a organização coletiva tem força para alterar esse cenário.
Em seu relato, Hebber reconhece desafios dentro das próprias iniciativas de união entre homens negros, como ego e vaidade, que às vezes fragilizam as ações coletivas. Ainda assim, ele reforça: “Para honrar nossos ancestrais, desistir é algo que não faremos, pois o #ubuntu é o que nos guia”.
A Black Influence chega ao ano de 2025 marcando um marco relevante: seis anos de atuação dedicados a profissionalizar a influência negra no país e a transformar a relação entre marcas, cultura e comunidades diversas. Fundada e liderada por Ricardo Silvestre, a agência nasceu antes de a pauta da diversidade ocupar espaço central nas estratégias corporativas, o que reforça seu papel pioneiro no mercado publicitário brasileiro.
Desde 2019, a empresa tem estruturado uma rede de influenciadores, conectando talentos a grandes marcas e fortalecendo pautas culturais de forma consistente. Nesse período, já repassou R$ 40 milhões a criadores, consolidando-se como uma das principais referências em influência digital, comunicação inclusiva e impacto cultural.
Entre os clientes atendidos pela Black Influence estão L’Oréal, Natura, NIVEA, Meta, Prime Video, Banco Neon, YouTube, Pinterest e iFood. Os projetos, segundo a própria agência, não se limitam à visibilidade: o foco está na construção de narrativas duradouras e no desenvolvimento de oportunidades para profissionais negros no ecossistema da comunicação.
Para Ricardo Silvestre, o amadurecimento do mercado passa pela compreensão de que diversidade e estratégia caminham juntas. “Mais do que falar sobre diversidade ou visibilidade, é hora de entender que o marketing de influência é uma ferramenta estratégica para transformar negócios. Quando marcas investem de forma consistente e genuína, não só ampliam seu impacto cultural, mas também geram resultados concretos. Nós provamos isso todos os dias”, afirma.
Indicação ao Prêmio Caboré 2025
Em 2025, a agência foi indicada ao Prêmio Caboré, na categoria Serviços de Marketing, uma das categorias mais disputadas da premiação. Criado em 1980 pelo Meio & Mensagem, o Caboré é considerado o prêmio mais importante da indústria da comunicação no Brasil. Ele reconhece profissionais, agências e empresas que se destacam por inovação, impacto e relevância no setor.
A indicação da Black Influence reforça o entendimento de que diversidade, quando tratada como estratégia de negócio, move o mercado. “Existe um medo muito grande das marcas por esse bicho-papão que é a diversidade, mas elas não podem ficar em cima do muro. O futuro da influência é diverso, plural e potente, e a gente está aqui para lembrar disso com estratégia, excelência e entrega”, completa Silvestre.
Além da indicação, Ricardo Silvestre integrou o júri do Cannes Lions 2025, o principal festival internacional de criatividade. A participação amplia a presença da Black Influence no cenário global e fortalece a discussão sobre diversidade e influência sob a perspectiva brasileira.
Os seis anos da agência chegam acompanhados de reconhecimento público, impacto cultural e um recado claro para o mercado: a influência negra é estruturante, estratégica e incontornável.
A tradição natalina ganha um novo brilho em “O Natal dos Silva”, primeira série da produtora Filmes de Plástico, criada por Gabriel Martins, diretor do premiado “Marte Um”. A produção, gravada em Belo Horizonte, estreia nesta quinta-feira (27), no Canal Brasil, com episódios semanais também disponíveis para assinantes do Globoplay.
A série aposta em histórias natalinas contadas a partir de uma família negra, com suas tensões, afetos e rituais. “Escrevi por sentir falta de ver esse gênero natalino com maior frequência no Brasil, mas dessa vez com o nosso tempero brasileiro”, afirma Gabriel, que partiu de memórias pessoais e das emoções que emergem neste período do ano.
A trama acompanha os Silva, que enfrentam o primeiro Natal após a morte da matriarca, dona Zelina. Bel, filha responsável por cuidar da mãe até os últimos dias, insiste em manter a tradição da ceia, mas não disfarça seu mau humor quando os parentes começam a chegar. Entre brigas, fofocas e o clássico amigo oculto, os conflitos se tornam inevitáveis — especialmente quando Luciano tenta encontrar o momento certo para anunciar que vai se casar com Lin, uma mulher que ninguém da família conhece. É nesse ambiente tão típico das festas brasileiras, cheio de afeto e turbulências, que a série constrói seu retrato intimista de luto, convivência e reconciliação.
“Embora seja uma família de volume alto, os Silva escondem seus problemas. A impressão é que existe tanto amor e dor que só resta o grito, o choro, como se fosse difícil conter ou explicar seus sentimentos”, explica Gabriel, que dirige o primeiro e o último episódios. Os três capítulos intermediários ficam sob responsabilidade dos parceiros Maurilio Martins e André Novais Oliveira.
Cada episódio adota um tom próprio — da câmera na mão ao plano-sequência — oferecendo novas perspectivas sobre a dinâmica da família. “A ideia era que cada ato dessa temporada pudesse ser também uma perspectiva estética diferente da família. Que cada episódio pudesse respirar à sua própria maneira”, comenta o diretor.
A produção é assinada por Thiago Macêdo Correia, completando o quarteto da Filmes de Plástico, em parceria com o Canal Brasil. A equipe já planeja novas temporadas, cada uma ambientada em datas comemorativas. Pensar que a história não terminaria agora foi algo totalmente novo e muito gratificante. Tenho ali esses personagens, que amo, sempre esperando a próxima aventura, o próximo evento”, afirma Gabriel.
No elenco estão talentos como Carlos Francisco (Marte Um), Rejane Faria (Três Graças), Carlandréia Ribeiro (Mãe de Ouro), Ítalo Laureano (No Coração do Mundo), entre outros.
Horários de exibição
No Canal Brasil:
Estreia: quinta, 27/11, às 21h30 (1 episódio por semana)
Os números mais recentes revelam um cenário alarmante de violência de gênero e raça neste Dia Internacional de Não Violência contra as Mulheres, 25 de novembro. Enquanto a taxa de homicídios de mulheres não negras caiu 2,8% entre 2020 e 2021, a de mulheres negras cresceu 0,5% no mesmo período, segundo o Atlas da Violência 2023, do Ipea.
As mulheres negras também são as principais vítimas de violência letal e sexual no Brasil. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2023, elas foram 63,6% das vítimas de feminicídio, 68,6% das mortes violentas intencionais e 52,5% dos casos de estupro e estupro de vulnerável. Além disso, 45% declararam já ter sofrido violência de um parceiro íntimo ao longo da vida.
O acesso desigual à segurança também fica evidente quando o recorte é feito pelo uso de armas de fogo. O estudo “O papel da arma de fogo na violência contra a mulher”, do Instituto Sou da Paz, aponta que 69% das mulheres assassinadas por arma de fogo em 2023 eram pretas ou pardas.
Em entrevista à Focus Brasil, para a demógrafa Jackeline Aparecida Ferreira Romio, doutora pela Unicamp e especialista na redução de feminicídios, essa desigualdade aparece também na distribuição de serviços essenciais de proteção. Delegacias especializadas de atendimento à mulher e patrulhas da Lei Maria da Penha seguem concentradas em capitais e em estados do Sudeste — especialmente São Paulo — deixando regiões periféricas, Norte e Nordeste com cobertura insuficiente.
“A própria oferta de serviços de atenção às mulheres vítimas da violência baseada no gênero leva à sobrevitimização das mulheres negras, do Norte e Nordeste, das periferias, devido às desigualdades estruturais de acesso a serviços. Devemos investir na redistribuição dos serviços e priorizar abrir novos equipamentos em locais que ainda não contam com atenção”, afirma Romio.
Romio destaca que o racismo e o sexismo estruturais ainda atravessam as instituições brasileiras, impactando diretamente o acolhimento de mulheres negras. “Há um padrão histórico de naturalização da violência nas comunidades afrodescendentes e periféricas, além de um olhar enviesado que dificulta o acolhimento de vítimas negras e a atenção às suas queixas. Pesquisas apontam que vítimas negras têm mais dificuldades de registrar queixas e receber atenção que as brancas”, afirma.
Edvana Carvalho é uma voz ativa na defesa da educação dentro e fora das redes sociais! Após o sucesso no remake ‘Vale Tudo’, interpretando a costureira Eunice, a atriz de 57 anos continua a conciliar sua intensa rotina com o Mestrado em Dramaturgia na Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de seguir atuando como arte-educadora em escolas públicas de Salvador, manter o monólogo ‘Aos 50 – Quem Me Aguenta?’ em circulação e filmar o longa ‘Justino’, dirigido por José Eduardo Belmonte.
Em entrevista com o Mundo Negro, Edvana explica como o mestrado tem ampliado sua produção artística e seu compromisso político. “O meu mestrado em Dramaturgia na UFBA tem fortalecido profundamente o meu trabalho porque transforma aquilo que sempre carreguei: a escrita, a cena e a memória da mulher preta em método, consciência e linguagem”, afirma a artista que também é poetisa e apresentadora.
Ao pesquisar a construção de seu monólogo ‘Aos 50 – Quem Me Aguenta?’, ela mergulha em suas próprias vivências e nas de tantas outras mulheres negras para convertê-las em ficção, criando “uma dramaturgia feminina, preta, diaspórica e ancestral, alinhada ao conceito de Escrevivência de Conceição Evaristo, que afirma que nossas histórias são instrumentos de denúncia, ruptura e reexistência”.
A atriz também destaca como esse processo acadêmico a fortalece em múltiplas frentes: “Amplia minha potência como atriz, fortalece minha atuação como ativista, por compreender que narrar nossas experiências é disputar narrativas; enriquece meu papel como arte-educadora, ao me permitir inspirar outras mulheres e juventudes; e nutre minha voz de poetisa, transformando palavra em cura, invenção e afirmação identitária”. E completa: “Transformar vivências negras em dramaturgia é um ato ancestral de existência”.
Com mais de 40 anos de carreira, iniciada ainda na infância em Salvador, Edvana iniciou sua trajetória na escola pública, no Centro Educacional Luiz Pinto de Carvalho passando pelo Grupo de Teatro do SESC/SENAC, até integrar a primeira formação do Bando de Teatro Olodum, em 1990.
Edvana atua de forma marcante em diferentes linguagens — teatro, televisão, cinema e educação. Além de ‘Vale Tudo’, já brilhou em produções como ‘Renascer’, ‘Ó Paí Ó 1 e 2’, ‘Malês’, ‘As Verdades’ e ‘Irmãos Freitas’. Como arte-educadora, idealizou projetos como a Aula Palestra, que discute lutas e trajetórias de professores, e a Roda de Conversa, que leva cultura e educação extra-curricular para escolas públicas.
Apesar do prestígio e dos múltiplos projetos, Edvana pontua com sinceridade a realidade de tantas mulheres negras no Brasil. “Minha rotina é fazer tudo que posso para sobreviver”, afirma. Ainda assim, ela transforma a arte e a educação em ferramenta de transformação.
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