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Vereadora Benny Briolly é hospitalizada após agressão em shopping de Niterói durante protesto pelo uso de banheiros por pessoas trans

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Foto: Divulgação

A  vereadora e ativista Benny Briolly (PT-RJ) foi conduzida ao hospital na última terça-feira (19), após sofrer agressões durante um protesto pacífico realizado no Plaza Shopping Niterói, em defesa do direito de pessoas trans utilizarem banheiros públicos de acordo com sua identidade de gênero.

A equipe da parlamentar informou em nota pública, que Benny foi agredida nas proximidades do banheiro feminino e precisou passar por um processo de estabilização médica após bater a cabeça no chão. Segundo a assessoria, a agressão teria sido cometida por um homem durante o protesto.

“Fui violentamente agredida durante o ato Libera Meu Xixi, mobilização pacífica em defesa do direito básico de pessoas trans usarem o banheiro de acordo com sua identidade de gênero. Fui atacada com violência física, jogada no chão, e precisei ser hospitalizada às pressas. Isso não é opinião política. Isso é ódio e violência. Chega de transfobia!”, escreveu a vereadora nas redes sociais. 

Após o ocorrido, parlamentares ligados à oposição passaram a alegar que a vereadora teria sido atingida por spray de pimenta utilizado por integrantes do próprio grupo de manifestantes. Em resposta, a assessoria de Benny Briolly negou a informação e afirmou que a manifestação já havia sido desmobilizada devido às ameaças recebidas e à preocupação com a segurança dos participantes.

Em nota à imprensa, o Plaza Shopping Niterói afirmou que a equipe de segurança acompanhou toda a movimentação e prestou toda a assistência necessária durante o episódio. O estabelecimento, no entanto, não se posicionou sobre o uso de banheiros públicos por pessoas trans.

“O shopping é um espaço privado de visitação pública e, por isso, manifestações de qualquer natureza não são encorajadas, para preservar o bem-estar de todos. A equipe de segurança acompanhou toda a movimentação, que não impactou o funcionamento do empreendimento, prestando todos os auxílios necessários”, declarou o shopping.

Benny Briolly, primeira mulher trans eleita vereadora em Niterói, é conhecida pela atuação em defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+ e pelo enfrentamento à violência contra pessoas trans no Brasil.

Chef quilombola Alexandre Marques transforma sabedoria ancestral em ferramenta de resistência através da gastronomia

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Foto: arquivo pessoal

“Nutrir nosso povo também é uma forma de revolução”. Nascido e criado na Mussuca, maior quilombo do estado de Sergipe, o jovem chef e articulador cultural Alexandre Marques carrega na cozinha as memórias, os afetos e os saberes ancestrais que atravessam gerações em seu território. A gastronomia passou a fazer parte da sua trajetória ainda na infância, muito antes de ser entendida como profissão.

“Eu cresci brincando pelos terreiros das casas das minhas avós. Minha rama inteira, como dizem os mais velhos, vem desse chão”, relembra Alexandre. Em meio às vivências comunitárias da Mussuca, as lembranças da infância carregam os sabores preparados pelas avós, como o pirão, o bolo manauê, a massa puba do pé de moleque e a meladinha servida para celebrar o nascimento de crianças na comunidade, sendo a comida sinônimo de encontro, cuidado coletivo, organização comunitária e permanência no território quilombola.

Foi ouvindo os mais velhos e observando o cotidiano da comunidade que o chef começou a compreender sua identidade e a potência dos conhecimentos produzidos dentro do quilombo. Em oposição à ausência dessas narrativas nos espaços formais de ensino, encontrou na memória viva do território uma ferramenta de construção política e cultural.

Alexandre relata que o reencontro com a espiritualidade e com o terreiro de candomblé fortaleceu ainda mais sua relação com a ancestralidade e com a luta coletiva. Dessa experiência nasceu a Cozinha de Vó, movimento comunitário criado para defender a permanência no território quilombola Mussuca e preservar os saberes alimentares ancestrais da comunidade.

“A Cozinha de Vó também nasce para dizer que a juventude quilombola está presente. Que nós não estamos perdidos, como tantas vezes disseram sobre nós. Estamos construindo caminhos a partir do legado dos nossos mais velhos. Porque comida para nós nunca foi apenas alimento. Comida é ciência ancestral, é saúde, é cultura, é economia, é espiritualidade, é política e também é luta pelo território vivo e saudável”, destaca Alexandre.

Ao defender a valorização das cozinhas negras, quilombolas e de terreiro, ele reforça a importância da reafirmação identitária para a preservação de conhecimentos historicamente invisibilizados e da continuidade de formas ancestrais coletivas de existência, cuidado e bem-viver.

Esta matéria é parte de uma parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs, uma iniciativa que busca amplificar vozes e práticas que transformam a gastronomia brasileira a partir de suas raízes.

#IngredientePrincipal #TheMainIngredient #CozinhaQuilombola 

Viola Davis e editora Todavia firmam parceria para impulsionar literatura afro-brasileira no mercado internacional 

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Foto: Divulgação

A parceria entre a Ashé Ventures, produtora comandada por Viola Davis, e a editora brasileira Todavia busca criar caminhos e ampliar o alcance de produções literárias afro-brasileiras no cenário internacional. A proposta envolve o desenvolvimento de projetos literários e possíveis adaptações audiovisuais, aproximando autores brasileiros do mercado norte-americano.

O lançamento da primeira obra fruto da parceria é da pesquisadora e autora paulistana Lília Guerra, conhecida pelo título “O céu para os bastardos”. A publicação do romance “Velha Guarda” está prevista para julho e já possui trechos traduzidos para a língua inglesa, visando a projeção da obra para parceiros no exterior.

Apesar de a literatura negra brasileira vir conquistando maior reconhecimento nacional, impulsionada por leitores que buscam narrativas mais plurais e conectadas às vivências e experiências provenientes da diáspora africana, o alcance dessas produções no exterior ainda encontra barreiras motivadas pelo déficit de investimento e visibilidade em outras culturas.

Ao apostar na circulação internacional dessas obras, a iniciativa da produtora reforça como a literatura também atua como ferramenta de preservação de memória e disputa de imaginário, ampliando o espaço de autores afro-brasileiros no mercado global e exportando histórias que afirmam que as nossas vozes também merecem ser lidas, traduzidas e reconhecidas mundialmente.

TV Globo exibe especial do “Prêmio Sim à Igualdade Racial” no próximo dia 24, após o Fantástico

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Foto: Divulgação

A 9ª edição do Prêmio Sim à Igualdade Racial, promovido pelo Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) , será exibida na TV Globo no próximo domingo, 24 , após o ‘Fantástico’. A cerimônia homenageia personalidades, iniciativas, empresas e organizações que são reconhecidas por atuar em prol da igualdade racial no Brasil, reunindo cultura, arte e debates sociais em uma mesma celebração.

A jornalista e comunicadora Kenya Sade, é a apresentadora responsável por conduzir o público pelos principais momentos da premiação, incluindo apresentações musicais e discursos que dialogam com questões raciais, sociais e culturais do país.

Em 2026, a edição simbólica que marcou os 10 anos de atuação do Instituto, apostou no conceito “Surrealismo Afro-Indígena Brasiliano”, proposta que convida a sociedade a enxergar o Brasil a partir de suas raízes afro-indígenas, utilizando o sonho como ferramenta política, social e de transformação coletiva. O tema também tem como enfoque, ampliar discussões sobre justiça climática, valorização de saberes ancestrais e conexões entre diferentes territórios brasileiros.

A cerimônia realizada no Rio de Janeiro, reuniu artistas de diferentes linguagens e gerações da música brasileira. Entre as atrações presentes no evento estavam Péricles, A Julia Costa, Melly, Duquesa, Majur, Mestrinho, Lucy Alves e Kaê Guajajara, em reforço ao compromisso da premiação com a valorização de artistas negros e indígenas do cenário cultural brasileiro.

Conheça a trajetória de Samara Siqueira, a primeira mulher negra brasileira a estrear na gigante do K-pop, HYBE!

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Foto: Divulgação/ Samara Siqueira

Representatividade negra no K-POP! Samara Siqueira, a jovem carioca de 20 anos, debutou, recentemente, no novo grupo feminino global Saint Satine, nova aposta da empresa de entretenimento sul-coreana HYBE (antiga Big Hit Entertainment), responsável pela formação, lançamento e gestão de sucessos mundiais como BTS e SEVENTEEN.

Samara nasceu em 2005, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e deu os seus primeiros passos na música ainda na infância, por influência da família. O sonho de se tornar artista começou a ganhar forma em 2021, quando a brasileira foi selecionada para representar o país em um bootcamp em Los Angeles, promovido pelo grupo global Now United com o intuito de selecionar novos integrantes para o grupo.

Na época, porém, ainda não havia chegado o momento de estreia para Samara. Em 2023, seu talento foi descoberto pela HYBE e pela gravadora norte-americana Geffen Records através de seu Instagram. Entre mais de 120 mil inscritos, ela foi uma das 20 selecionadas para participar do reality transmitido pelo YouTube, The Debut: Dream Academy, que posteriormente teve seus bastidores transformados na produção da Netflix, Pop Star Academy.

Apesar de ter conquistado o 7º lugar ao final do reality e não integrar o grupo de seis integrantes KATSEYE, Samara construiu uma forte comunidade de fãs, chamando atenção pelo talento vocal, representatividade, potencial artístico e profissionalismo, mesmo após sofrer uma lesão durante o programa.

Após sua marcante participação e o crescimento da sua popularidade e visibilidade, Samara Siqueira foi anunciada, em de agosto de 2025, como integrante oficial do novo girl group global da empresa, até então ainda sem nome, durante o programa Prelude: The Final Piece, nova parceria entre a HYBE e a Geffen Records, responsável por definir a integrante final do grupo.

Mais do que uma estreia no cenário da cultura pop mundial, a trajetória de Samara Siqueira marca a chegada de novas narrativas brasileiras e negras ao centro da indústria global do entretenimento. Ao atravessar fronteiras culturais e linguísticas, a jovem artista inicia não apenas uma carreira promissora, mas também se torna um marco de representatividade, ressaltando a identidade e o potencial da comunidade negra também na cena pop internacional.

Para acompanhar os próximos capítulos da trajetória de Samara Siqueira no Saint Satine, acompanhe as redes sociais oficiais da artista e do grupo: @samisiqueiraa e @saintsatine

Da periferia de Salvador, Danilo foi dispensado por telefone e hoje vai jogar a Copa do Mundo

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Fotos: Getty Images via AFP

Danilo dos Santos de Oliveira nasceu em 29 de abril de 2001 em Salvador, na Bahia, e cresceu em Fazenda Coutos III, bairro do Subúrbio Ferroviário, uma das regiões mais populosas e periféricas da capital baiana. Foi ali, no campo do Realce e na escolinha de futebol do professor Adenílson de Jesus Freitas, o Dego, que o menino começou a jogar bola, se destacando mesmo sem ter ainda uma posição definida. De acordo com Dego, que o acompanhou desde a infância, a família de Danilo era de origem humilde e o pai chegava a pegar dinheiro emprestado para que o filho pudesse treinar.

Paralelamente à escolinha, Danilo ingressou nas categorias de base do Bahia em 2008, onde permaneceu por oito anos. Em 2015, aos 14 anos, foi dispensado pelo clube tricolor sem que nenhuma explicação consistente fosse dada à família. Segundo o pai do jogador, a notícia chegou por telefone, pelo técnico da equipe sub-15, que informou apenas que o nome de Danilo estava na lista de dispensas e que a decisão havia vindo de instâncias superiores. Para o jovem, que havia dedicado quase toda a infância ao clube, o impacto foi profundo o suficiente para fazê-lo cogitar abandonar o futebol definitivamente.

Danilo e Sandry, os novos baianos na final da Libertadores

Foi Dego quem impediu que isso acontecesse. O professor o convenceu a continuar, levou Danilo para o Instituto Social Manassés, projeto que combatia o uso de drogas nas comunidades de Salvador e mantinha parceria com o Cajazeiras Esporte Clube. Pelo Cajazeiras, Danilo foi relacionado para a segunda divisão do Campeonato Baiano e passou a chamar atenção de olheiros. Antes disso, ainda fez uma rápida passagem pelo juvenil do Jacuipense. A trajetória pelos clubes menores da Bahia foi o caminho que o levou até São Paulo.

O Palmeiras e os títulos

Em 2018, Danilo assinou com o Palmeiras e integrou as categorias de base do clube paulista. Nos primeiros meses, enfrentou outro momento de desânimo: pouco utilizado na transição do sub-17 para o sub-20, chegou a falar ao próprio Dego que queria desistir novamente. Em documentário produzido pela Conmebol, o professor relembrou que respondeu ao jogador com uma mistura de firmeza e afeto, citando o esforço que o pai havia feito para que ele chegasse até ali. Danilo ficou.

Mônaco oferece 'craque' brasileiro em troca por Danilo, do Palmeiras: “R$  120 milhões” - NossoPalmeiras
Foto: Cesar Greco

A decisão de permanecer rendeu resultados que poucos conseguem acumular em tão pouco tempo. Em setembro de 2020, foi promovido ao elenco profissional pelo técnico Vanderlei Luxemburgo e estreou na vitória por 2 a 1 sobre o Red Bull Bragantino. A partir daí, consolidou-se como titular sob o comando de Abel Ferreira e viveu o período mais vitorioso da carreira, conquistando duas Copas Libertadores, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Recopa Sul-Americana e Campeonato Paulista. Em 141 partidas pelo Palmeiras, marcou 12 gols. Sua primeira convocação para a seleção brasileira veio em junho de 2022, quando tinha 21 anos e ainda atuava pelo clube paulista.

A Premier League e a lesão

O desempenho constante no Palmeiras abriu caminho para o futebol europeu. Em janeiro de 2023, Danilo foi negociado com o Nottingham Forest, da Premier League inglesa, por 20 milhões de euros, cerca de R$ 110 milhões à época. No clube inglês, atuou em 62 partidas, marcou seis gols e deu quatro assistências, mas teve a temporada de 2024 interrompida por uma grave lesão na perna esquerda sofrida numa disputa aérea contra o Bournemouth, em agosto, que resultou em fratura e lesões parciais nos ligamentos do tornozelo. A recuperação demandou meses e colocou em dúvida seu retorno ao nível anterior.

Nottingham Forest define pedida para negociar Danilo, alvo do Milan
Foto: Visionhaus via Getty Images

Superada a lesão, Danilo retornou ao Brasil em julho de 2025, contratado pelo Botafogo por 22 milhões de euros, cerca de R$ 142 milhões em valores fixos, metas e bônus, tornando-se a contratação mais cara da história do clube carioca. A negociação foi facilitada pela relação entre John Textor, dono da SAF do Botafogo, e Evangelos Marinakis, proprietário do Nottingham Forest. No Alvinegro, assinou contrato até julho de 2029 e rapidamente assumiu a titularidade.

O retorno à seleção e a Copa

No Botafogo, Danilo encontrou o melhor futebol da carreira. Na temporada atual, soma 21 partidas, nove gols e duas assistências, números expressivos para um volante e que chamaram atenção de Carlo Ancelotti. Na Data Fifa de março de 2026, foi convocado e marcou seu primeiro gol pela seleção brasileira no amistoso contra a Croácia, pelo qual o Brasil venceu por 3 a 1. A atuação consolidou seu nome entre os 26 escolhidos para a Copa do Mundo.

Com a convocação anunciada no Museu do Amanhã no dia 18 de maio, Danilo se torna um dos representantes mais simbólicos do elenco, carregando uma trajetória que passou por um campo de projeto social em Fazenda Coutos, por uma dispensa aos 15 anos, por duas Libertadores, pela Premier League e por uma lesão grave, até chegar ao maior torneio do futebol mundial. O Brasil estreia em 13 de junho contra Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, no Grupo C ao lado de Haiti e Escócia.

Por que Danilo, estrela do Brasil contra Croácia, não vingou na Europa
Foto: Rafael Ribeiro / CBF

PowerList Mundo Negro 2026: chegou a vez das profissionais negras da moda serem celebradas

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Foto: gerada por IA

A PowerList Mundo Negro 2026 abre as indicações para a categoria Profissional da Moda até 26 de maio, e neste ano, pela primeira vez, quem quiser também pode se autoindicar. A cerimônia da 5ª edição acontece no dia 31 de julho, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro, com patrocínio do Grupo L’Oréal e da TV Globo.

Quem Pode Concorrer

Podem ser indicadas, ou se autoindicar, estilistas, costureiras, designers de moda, consultoras de imagem, modelistas, bordadeiras e demais profissionais negras que reinventam estilos e tendências, com atuação real e impacto comprovado no Brasil.

O Que Conta na Avaliação

A comunidade vota e define a homenageada, mas a curadoria valida as indicações com base em critérios claros: inovação criativa, impacto cultural e social, consistência na atuação e geração de renda. Quem se autoindica descreve o próprio trabalho e as conquistas dos últimos 12 a 18 meses, mostrando por que merece estar na PowerList 2026.

Em 2025, Moda e Beleza eram uma categoria única, homenageada por Najara Black pelo voto popular. Em 2026, a Profissional da Moda ganha espaço próprio, um reconhecimento de que esse mercado tem histórias, talentos e trajetórias que merecem holofote exclusivo.

Indique ou se autoindique em: powerlist.mundonegro.inf.br/votar

L’Oréal abre 25 vagas em área comercial exclusivas para profissionais com deficiência fora do eixo Rio-SP

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O Grupo L’Oréal no Brasil abriu inscrições para a nova edição do programa Recruta Diversidade, com 25 vagas na área comercial de campo destinadas exclusivamente a profissionais com deficiência. As candidaturas vão até 29 de maio de 2026 e, desta vez, são voltadas a candidatos que residem fora do eixo Rio de Janeiro–São Paulo, em um esforço de descentralizar o acesso ao mercado de beleza para talentos de todas as regiões do país.

A escolha pela área comercial é estratégica. Trata-se justamente do setor em que a representatividade de pessoas com deficiência ainda é menor no mercado de beleza brasileiro, com impacto direto na renda e na trajetória profissional. Na edição anterior, 28 profissionais foram contratados pelo programa.

Diferentemente de processos seletivos convencionais, o Recruta Diversidade foi desenhado do início ao fim para alcançar quem o mercado tradicional invisibiliza. As etapas são adaptadas, há acessibilidade garantida em todas as fases e acompanhamento especializado da Page PCD, consultoria parceira do programa desde sua concepção.

Segundo Eduardo Paiva, Diretor de Diversidade, Equidade e Inclusão do Grupo L’Oréal no Brasil, o programa rompe com a lógica da contratação por imposição. “O Recruta Diversidade não é cota. É a prova de que o pipeline de talentos com deficiência existe. O que faltava era um processo seletivo desenhado para encontrá-los. Em quatro anos de programa, a taxa de permanência dos contratados supera 85%. Isso não é inclusão por decreto, é inclusão por resultado”, afirma.

Para quem já passou pelo programa, a experiência ultrapassa a contratação em si. Luana Dantas, analista de educação na L’Oréal e participante da edição de 2025, mudou de estado para assumir o cargo. “A L’Oréal foi a primeira empresa em que minha deficiência não foi vista como um problema a resolver, mas como parte da diversidade que torna o time mais forte. Isso muda o que você aceita como normal”, relata.

Josué Bomfim, consultor de vendas contratado em 2024, resume o impacto na trajetória profissional. “Posso afirmar com muita certeza que, em 40 anos de carreira profissional, pela primeira vez me sinto respeitado, acolhido e motivado diariamente a evoluir como pessoa e como profissional.”

O Recruta Diversidade integra a estratégia One L’Oréal, que articula comunicação, cultura e negócios em torno de cinco causas prioritárias: étnico-racial, PCDs, LGBTQIAPN+, gênero e gerações.

Serviço

Inscrições abertas até 29 de maio de 2026, pelo Portal Gupy (Projeto Page PCD – CLIQUE AQUI ).

O processo é conduzido pela Page PCD, consultoria especializada em recrutamento inclusivo.

PowerList Mundo Negro 2026: chegou a vez das mulheres negras que transformam a gastronomia

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Foto: gerada por IA

A PowerList Mundo Negro 2026 abre as indicações para a categoria Destaque em Gastronomia até 26 de maio, e neste ano, pela primeira vez, quem quiser também pode se autoindicar. A cerimônia da 5ª edição acontece no dia 31 de julho, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro, com patrocínio do Grupo L’Oréal e da TV Globo.

Quem Pode Concorrer

Podem ser indicadas, ou se autoindicar, chefs, cozinheiras, quituteiras, banqueteiras, confeiteiras, doceiras e padeiras negras, além de empreendedoras e gestoras que lideram restaurantes, confeitarias, padarias, cozinhas de produção, marcas de alimentos e serviços de catering, com atuação real e impacto comprovado no Brasil.

O Que Conta na Avaliação

A comunidade vota e define a homenageada, mas a curadoria valida as indicações com base em critérios claros: saberes tradicionais, inovação culinária, impacto cultural, social ou econômico e iniciativas que formam novas profissionais e ampliam o acesso à boa alimentação. Quem se autoindica descreve o próprio trabalho e as conquistas dos últimos 12 a 18 meses, mostrando por que merece estar na PowerList 2026.

Em 2025, Sônia Oliveira Santos foi a homenageada da categoria pelo voto popular, uma trajetória que mostra a força das mulheres negras na cadeia da alimentação no Brasil.

Indique ou se autoindique em: powerlist.mundonegro.inf.br/votar

Eventos Pretos e o dinheiro na conta bancária dos brancos

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Por: Breno Cruz

Produtor cultural e empreendedor preto da cultura, esse texto vai te deixar triste ao final por você entender que o problema não é você. O problema é o sistema que você não faz parte – e não é por mérito do seu trabalho e da sua trajetória profissional. Você não faz parte talvez por não querer jogar o jogo que se apresenta no tabuleiro do mercado de eventos e captação; ou, pela ausência de relações políticas, pessoais e capitalistas com quem decide e assina patrocínios. 

Você pessoa preta que luta para sobreviver da cultura possivelmente não é nepobaby e nunca acompanhou negociações na mesa de jantar enquanto brincava com sua babá preta uniformizada. O foco deste artigo de opinião é refletir como é difícil para gente fazer eventos sérios e que realmente têm em sua gênese, planejamento e execução a realização por pessoas negras. Eu estou no lugar de fala por sentir literalmente na pele como é difícil captar recursos para fazer um evento gratuito de cultura negra no Rio de Janeiro – o Festival Gastronomia Preta.

Alguns de vocês devem saber que historicamente alguns eventos de cultura preta no Brasil não têm pessoas pretas como “donas”. Infelizmente, alguns empresários brancos usam da causa racial para criarem grandes eventos. Parabéns para eles que se apropriam do que é nosso sem que grande parte das pessoas percebam. Assim, o dinheiro fica na conta bancária deles e não das pessoas pretas – e essa é a grande disfunção. A grande fatia do capital continua a  circular nas mãos e nas contas dos brancos.

O Festival de Música Negra que ocorreu em Brasília é um exemplo disso. De acordo com o Portal Metrópoles, a Associação Brasiliense de Promoção à Cultura (ABC-DF) “recebeu R$ 1,6 milhão de emenda parlamentar para a realização da segunda edição do Festival de Música Negra, feita em 2025.” Segundo o mesmo portal, em matéria publicada no dia 30 de abril deste ano, “a chancela foi dada pelo Ministério da Igualdade Racial à época no dia 23 de Dezembro [de 2025] para o Festival de Música Negra.” E foi esse mesmo festival de música negra que não tinha em sua grande maioria artistas negros que foi chancelado financeiramente para acontecer por um ministério que deveria zelar pelo fomento de iniciativas negras, para pessoas negras e idealizadas por elas. 

Foto: divulgação

Ora, bolas… Eu faria um festival gastronômico sem comida? Eu faria um festival de cerveja sem cerveja? Eu faria um festival de Axé Music com cantores sertanejos? Mas, sim – foi feito um festival de música negra sem artistas negros. E o pior: um evento com recurso financeiro destinado pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR) por emenda (eis a grande disfunção). Será que ninguém da pasta analisou o projeto de curadoria artística antes? Se a ministra ou os funcionários da pasta aprovaram o repasse, deveriam fazê-lo mediante análise de um projeto técnico que tivesse uma programação prévia dos artistas. Mas no Brasil o tecnicismo dá lugar ao personalismo nas decisões dos ministérios e secretarias.

Por um momento eu fechei os olhos e sonhei por um minuto: imagina se desse a louca no MIR, eles ouvissem meus pedidos de apoio desde 2023 e nos enviasse um PIX de R$ 1,6 milhão de reais na conta bancária para fazer o Festival Gastronomia Preta 2026? Levaríamos Jorge Aragão (nosso sonho master), Xande de Pilares, Iza, Olodum, Bochecha, Alcione, Só Pra Contrariar, Grupo Arruda, Samba da Volta, Terreiro de Crioulo, Mangueira e É o Tchan. Seria música preta, cantada por artistas pretos, para pessoas pretas e com curadoria de pessoas pretas. 

Sonhar não custa nada, como já dizia a Mocidade Independente de Padre Miguel na década de 1990 – porém depende. Depende de muita coisa, principalmente, de ser um dos deles. E, quando se é persona non grata (como é o meu caso por eu me posicionar em relação ao descaso do MIR com o Festival Gastronomia Preta), o sonho se torna pesadelo. Sou Persona non grata por insistir durante dois anos um patrocínio de R$ 60.000,00 em 2024; por colocar a equipe do MIR contra a parede no Instagram depois de 9 meses de espera de uma promessa de que em 2025 o ministério teria mais tempo para construir um apoio financeiro robusto com o Festival Gastronomia Preta na última edição; e, por em 2026, criticar aquele post de que foi o ministério que mais investiu no povo preto na história do país.

E é por isso, meu povo, que eu digo não importa a qualidade da entrega do seu projeto e os grupos minoritários que você alcança; o impacto verdadeiro na vida de mães solos negras gerando renda a partir da participação no festival; o pilar de qualificação profissional do evento por meio do projeto Pretonomia que acelera a geração de renda por meio do trabalho na gastronomia. O que verdadeiramente importa para os políticos que assinam os contratos são as relações pessoais, os favores e os demais interesses.

A matéria publicada pelo Metrópoles escancara como as decisões parecem deixar de lado a dimensão técnica da proposta. Qualquer servidor público sério e minimamente conhecedor da música brasileira atuando naquele ministério, analisaria o projeto aprovado às vésperas do Natal com as características do evento e as atrações artísticas, questionaria o recorte da curadoria para os artistas escolhidos e vetaria aquela aprovação; ou, aprovaria com restrições de revisão da curadoria artística com asrtistas negros em sua grande maioria. 

O problema está aí, produtor cultural e empreendedor da cultura: as decisões não são técnicas quando o assunto é destinação de recursos – principalmente em ano político. E é por isso que eventos idealizados por nós pessoas pretas nascem, não se reproduzem e morrem. Não é a sua entrega ou qualidade técnica do que você fez que será julgado – é sobre quem você não é: se você não é amigo pessoal, parente, amigo do amigo ou empresário, ESQUECE! Eles nos vêem apenas como quantidade de CPFs na urna eletrônica. 

Sua qualidade técnica nunca será analisada se você for acima da média – sempre terá um “porém” acompanhado de um argumento que não faz sentido. A depender do político, ele vai colocar mensagem temporária no WhatsApp e depois vai sugerir que você mentiu sobre o que foi acordado – como fez a equipe daquela deputada estadual que diz lutar por nós.

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