Ator vive o Rei do Futebol em “Brasil 70: A Saga do Tri”, série da Netflix sobre a conquista do tricampeonato mundial da Seleção Brasileira.
Lucas Agrícola assumiu um dos papéis mais emblemáticos de sua carreira logo em sua estreia no audiovisual. O ator, que surpreende pela semelhança com o personagem, interpreta Pelé em “Brasil 70: A Saga do Tri”, série da Netflix que retrata a campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970, realizada no México.
Natural de Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, Lucas integra o elenco da produção que alcançou o primeiro lugar entre as séries mais assistidas da Netflix Brasil logo nas primeiras semanas de lançamento. A escolha para interpretar o camisa 10 da Seleção também chamou atenção pela semelhança física com Pelé, considerado uma das maiores referências da história do futebol mundial.
A produção revisita a trajetória da Seleção Brasileira rumo ao tricampeonato em 1970, conquista que consolidou ainda mais o legado de Pelé no cenário esportivo internacional. Nas redes sociais, o ator compartilhou detalhes sobre o processo de preparação para o papel e destacou a importância da experiência em sua trajetória profissional.
“Dar vida ao Pelé foi uma das experiências mais intensas e especiais da minha vida. Foram meses de entrega, estudo, emoção e muito amor por essa história que marcou gerações”, escreveu.
O relato expressa o significado do personagem para um ator que chega às telas interpretando uma figura de extrema importância para a história do futebol brasileiro e demonstra que interpretar Pelé exigiu pesquisa, dedicação e o compromisso de representar um dos nomes mais reconhecidos do esporte em nível mundial.
A poucos dias do início daCopa do Mundo 2026, o maior torneio de futebol da história já coleciona casos de racismo e abusos migratórios. Jornalistas, atletas negros e equipes de seleções africanas e asiáticas passam por humilhações, vistos são negados e a FIFA (Federação Internacional de Futebol) mantém distanciamento diante dos acontecimentos no governo de Donald Trump nos Estados Unidos.
A jornalista brasileira Karine Alves, apresentadora do programa Esporte Espetacular na Globo, relatou uma situação constrangedora ao desembarcar no país nesta terça-feira (9). Ela relatou ao vivo durante o programa Bom Dia Brasil que as autoridades de imigração revistaram seu cabelo. “Muitas mulheres negras passam por isso e reclamam disso na chegada aos Estados Unidos. Foi algo muito pontual, mas que outras colegas não passaram por aqui“, afirmou. Karine está escalada para cobertura da Copa do Mundo 2026.
Karine Alves (Foto: TV Globo)
Omar Abdulkadir Artan, eleito o melhor árbitro africano de 2025, deveria marcar história como o primeiro árbitro somali em uma Copa do Mundo. Mesmo viajando com passaporte diplomático, seu visto foi negado pelas autoridades de imigração norte-americanas. Ele foi recusado na entrada do aeroporto de Miami e enviado de volta para a Somália. “Acho que eles têm um problema com o meu país […] Estou muito, muito desapontado. Eu tinha a documentação correta e tudo mais. Tinha o visto certo“, afirmou ao jornal NY Times.
Omar Abdulkadir Artan (Foto: Kenzo Tribouillard/AFP)
Na segunda-feira (8), a FIFA se pronunciou sobre o caso: “Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar nem atuar na Copa do Mundo 2026 após ter sua entrada nos Estados Unidos negada. A FIFA não se envolve nos processos de imigração dos países sede, incluindo concessões de vistos, e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada neste momento“.
Equipe senegalesa (Foto: Reprodução/Globo)
Já a delegação do Senegal passou por uma fiscalização desrespeitosa durante o desembarque no aeroporto da Carolina do Norte. Em vídeos compartilhados nas redes sociais, jogadores aparecem retirando os sapatos para inspeção e sendo revistados individualmente, enquanto membros da comissão técnica aguardam em fila. Segundo relatos, todos os integrantes da equipe foram submetidos às verificações antes do embarque. Após a repercussão nas redes, a seleção do Senegal disse que a abordagem “seguiu padrão”, mas os internautas ainda destacam o tratamento ofensivo dado às equipes.
Breel Embolo (Foto: Marco Steinbrenner/DeFodi Images/DeFodi via Getty Images)
Na semana passada, o atacante camaronês-suíço Breel Embolo teve seu visto negado para entrar nos EUA para a Copa e foi colocado em revisão. O atleta só conseguiu se juntar à seleção três dias depois. Ele é um dos principais jogadores da seleção, com 24 gols marcados em partidas internacionais.
Mais casos de violação e xenofobia
Ao desembarcar em Chicago para amistoso contra a Holanda ontem, a seleção do Uzbequistão foi recepcionada com cães farejadores de bombas e drogas. A operação incluiu scanners portáteis e detectores de metal, atrasando a entrada dos jogadores e exigindo que levantassem os braços para inspeção. “Eles me disseram que eram as regras, mas, no fim, a checagem de segurança foi só com a gente. Você vai ter que perguntar para eles“, criticou o técnico da seleção, Fabio Cannavaro.
O atacante Aymen Hussein, autor do gol que garantiu a vaga do Iraque na Copa 2026, foi detido e interrogado por quase 7 horas no aeroporto de Chicago. Após 7 horas, foi liberado e incorporado ao grupo.
Com o tratamento hostil aos jogadores e equipes das seleções, torcedores de diversos países do mundo também começam a se preocupar com a recepção nos Estados Unidos.
No final do ano passado, a Fifa entregou à Donald Trump o Prêmio da Paz, que estreou como vencedor da recém categoria criada pela federação, que voltou a ser alvo de críticas nas redes sociais.
Cantora fará sua primeira participação em uma novela da TV Globo e dará vida à personagem Mirtes na nova fase da trama das nove.
MC Carol fará sua estreia como atriz em novelas da TV Globo. A artista integrará o elenco de “Quem Ama Cuida”, trama escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, onde interpretará a personagem Mirtes.
A entrada da cantora acontece na segunda fase da novela, que contará com uma passagem de tempo e a ampliação de alguns núcleos da narrativa. Na história, Mirtes administra um restaurante ao lado do marido, Laurentino, personagem interpretado por Alan Rocha.
A personagem também tem um papel importante na dinâmica familiar apresentada pela trama. Foi ela quem criou o sobrinho, Camilo, interpretado por Antonio Caramelo, durante o período em que sua cunhada, Nancy, personagem de Jeniffer Nascimento, esteve presa.
A artista conhecida por sua trajetória na música e por suas contribuições para o funk brasileiro, agora amplia sua atuação ao estrear na teledramaturgia. A participação marca um novo momento na carreira da cantora, que passará a integrar um dos núcleos que ganharão destaque após a passagem de tempo prevista na novela.
A Copa do Mundo 2026 estreia oficialmente na próxima quinta-feira, 11 de junho, e os brasileiros poderão acompanhar Jordana Araújo, uma jornalista negra, comentando os jogos na ge tv, com transmissão no Globoplay e no YouTube. Criada na Zona Norte de Osasco, na Grande São Paulo, Jordana superou as barreiras de um ambiente historicamente masculino e branco para alcançar a cabine de transmissão do maior evento de futebol do planeta. “Quando a gente vê uma figura que vai incentivar a gente a quebrar esses paradigmas, é fundamental“, disse em entrevista ao Mundo Negro, ao relembrar que na infância sentia falta de referências negras na TV cobrindo esportes.
Para a jornalista, ocupar esse espaço vai muito além de uma realização profissional. “Eu sei o quanto isso pode mudar vidas. Eu sei o quanto isso pode inspirar trajetórias, não só para jornalistas esportivos, mas para outras áreas de atuação, principalmente pra gente que vem de regiões mais periféricas, com menos acessos”, destaca.
Questionada sobre as expectativas em relação à Seleção Brasileira, Jordana afirma que, pelo lado analítico, mantém os pés no chão devido aos desafios que a equipe enfrentará no torneio. “Mas o lado do coração quer muito que a seleção chegue numa final que conquiste esse Hexa tão sonhado e esperado.“
A comentarista também projeta um Mundial de forte protagonismo negro, destacando nomes como Vini Júnior e Mbappé, e chama a atenção para a evolução tática e a intensidade de seleções africanas como Marrocos, Senegal, Gana e África do Sul.
Leia a entrevista completa abaixo:
Foto: Estevam Avellar/Globo
O jornalismo esportivo ainda é um espaço majoritariamente masculino e branco. Nessa época, você chegou a ter referências negras na cobertura esportiva? E o que a sua chegada à cabine de transmissão da Globo na Copa do Mundo representa hoje para as adolescentes negras e periféricas?
Eu decidi que queria ser jornalista esportiva com 11 para 12 anos, meados de 2004, 2005. Nessa época, as referências negras dentro da comunicação eram poucas, contando o dedo de uma mão. Isso impactou muito de uma forma negativa, infelizmente, porque quando as pessoas refutavam o meu sonho, eu não tinha ali muito no que me agarrar. A Glória Maria era referência negra na época, mas ela era sempre colocada como uma exceção da exceção, o Abel Neto, e isso em alguns momentos me atingiu de uma forma muito negativa, porque eu também pensava “pô, será que é pra mim esse lugar?” Justamente pela falta de referências negras. Hoje eu sei o quanto é importante ocupar esses espaços. O espaço da cabine, o espaço dentro da comunicação de um modo geral. Mas esse espaço de estar na cabine como comentarista também é muito importante porque eu sei o quanto isso pode mudar vidas. Eu sei o quanto isso pode mudar e inspirar trajetórias, não só para jornalistas esportivos, mas para outras áreas de atuação, principalmente pra gente que vem de regiões mais periféricas, com menos acessos. Às vezes a gente é limitado a acreditar em filosofias que foram ensinadas para nossos avós, para as nossas mães, e quando a gente vê uma figura que vai incentivar a gente a quebrar esses paradigmas, é fundamental. Eu sei do tamanho que é ser vista por meninas e meninos negros, eu sei o quanto isso pode fazer a diferença, porque ao longo da minha trajetória eu fui encontrando algumas referências negras, como Luiz Teixeira, o Marcos Luca Valentim, a Rafaelle Seraphim, o Rafael Alves, foram pessoas que foram me ancorando ao longo dessa caminhada. Então, é muito importante.
Foto: Arquivo Pessoal
Como você enxerga o atual momento da Seleção Brasileira e quais são os principais desafios que a equipe precisa superar para buscar o sonhado Hexa este ano?
O grande desafio da seleção para 2026 é o ciclo encurtado, o trabalho recente do Carlo Ancelotti, que é um técnico capacitadíssimo para estar neste cargo da seleção brasileira, pelo histórico, pelo currículo. É o técnico que conquistou, nos últimos anos, duas Champions League, apaixonado pelo futebol, tem metodologias muito interessantes, principalmente para um país que é acostumado com futebol bonito, bem jogado. Eu acho que ele atende muito esses requisitos, porém, eu acredito que tudo na vida, incluindo futebol, é tempo, e eu acho que esse período de um ano talvez não seja o suficiente. Ele já demonstrou um caminho muito interessante, mas eu acho que vai precisar de um pouco mais de tempo pra gente encaixar algumas filosofias para conseguir fazer com que o coletivo funcione, e mais do que isso, fazer com que a seleção passe por alguns processos de renovações em algumas posições que é importante. Saber que ele vai iniciar esse processo de renovação vai ser muito legal. Eu acho que o lado comentarista um pouco mais frio está com o pé no chão. Principalmente quando a gente faz uma comparação com seleções como a França e Espanha que, no meu entendimento, estão melhor preparadas para esse Mundial. Mas o lado do coração quer muito que a seleção chegue numa final que conquiste esse Hexa tão sonhado e esperado.
Foto: Divulgação
Senegal e Marrocos tiveram um excelente desempenho na Copa Africana de Nações deste ano. Quais são as suas expectativas para o desempenho dessas seleções, além de outras do continente?
São seleções africanas que chegam muito fortes. O Marrocos, a gente não pode deixar de citar o desempenho na última Copa do Mundo. Chegou naquela época como uma das surpresas, mas foi um ciclo que a equipe foi buscando essa consolidação. Fez um ciclo bem interessante, porém hoje vive um momento de transição técnica que não sei até que ponto isso pode atrapalhar. Em 2022, era uma seleção que se defendia muito bem e atacava em transição rápida. Esse ano, com a troca de técnico, agora o Mohamed Ouahbi, que já estava dentro das categorias de base da seleção. Recentemente ele foi chamado para assumir a seleção principal. Ele é um técnico que aposta mais em um jogo ofensivo. Então a gente vai ver um Marrocos mais agudo e esse encaixe de proposta de jogo leva um pouco mais de tempo. Eu acho que vai ser um adversário duríssimo para o Brasil, por exemplo. A gente fala muito da questão física, não de uma forma pejorativa, mas vai ser um jogo muito intenso para a equipe do Brasil.
O Senegal também vem muito forte. Tem uma base muito forte liderada por estrelas internacionais que jogam nos principais clubes europeus, tem um sistema defensivo bem consolidado. É muito difícil ser vazado, transição ofensiva e uma experiência bem interessante em relação aos torneios internacionais. Então Senegal também chega com essa tutela de ir bem na Copa do Mundo e aí eu acho que dá para incitar também a seleção de Gana e África do Sul.
A África do Sul também, no meu entendimento, é uma seleção que pode chegar forte porque tem uma base também muito interessante, entrosamento de atletas que jogam no mesmo clube, o modelo tático deles é bem focado na posse de bola rápida e em alguns anos, vai ser bem interessante ver. E Gana vem com uma nova geração de atletas, são atletas jovens, habilidosos, que também atuam no futebol de elite, tem uma tradição histórica de se agigantar. Na Copa conseguiu complicar a vida historicamente de algumas seleções europeias, tem um meio de campo muito combativo e é uma equipe que cuida muito da marcação e da recuperação de bola, pode ser uma equipe que tem a capacidade de resolver o jogo numa bola, tá num grupo que é um tanto quanto complexo, mas acho que essas seleções são as que dá pra gente ficar de olho.
Foto: Divulgação
Hoje, quais jogadores negros você acha que podem se destacar mais durante a Copa do Mundo e contribuir para elevar o nível de suas respectivas seleções?
Da seleção brasileira, não tem como não destacar o Vini Júnior, que nas últimas temporadas desequilibrou positivamente para o Real Madrid na seleção. A gente entende que neste ciclo ele teve alguns altos e baixos, mas isso não diminui a enormidade que ele tem para essa geração, para esse ciclo também. Acho que ao lado dele a gente tem Luiz Henrique, que também é um jogador que eleva o nível do ataque da seleção, contribui muito, que joga na ponta e tem muita qualidade, tem explosão, tem também uma coisa que eu gosto muito dele, que é o equilíbrio emocional, principalmente em partidas grandes. O Danilo Santos, meio campista, que atualmente está no Botafogo. O Rayan, jovem, promessa, nova geração. E aí, olhando para outras seleções, olhando pra França, você tem o Mbappé, o Ousmane Dembélé, são jogadores que tem um futebol coletivo muito forte, mas individualmente esses três desequilibram, o Saka, o Bellingham da Inglaterra, o Davis do Canadá. É uma lista muito extensa de atletas negros que são importantes para suas respectivas seleções. É uma Copa para a gente ficar de olho nos talentos negros.
A obra reúne mais de cem reflexões baseadas nos ensinamentos associados aos Pretos-Velhos, entidade de destaque nas tradições religiosas afro-brasileiras, e já está em pré-venda.
O ator, cantor e escritor Thiago Thomé anunciou a pré-venda de Um Velho Preto Disse, livro que reúne reflexões inspiradas nos ensinamentos dos Pretos-Velhos, figuras centrais da espiritualidade afro-brasileira e da transmissão de saberes ancestrais.
A publicação surge a partir de uma série de mensagens compartilhadas por Thomé nas redes sociais que, segundo o autor, já ultrapassaram 50 milhões de visualizações. Agora, esses conteúdos passam a circular também em formato impresso, ampliando o acesso a ensinamentos sobre ancestralidade, fé e autoconhecimento.
Nas tradições afro-brasileiras, os Pretos-Velhos ocupam um lugar de profundo respeito e sabedoria. Eles representam a memória ancestral e a valorização da experiência acumulada ao longo da vida, e sua presença é reconhecida especialmente em religiões de matriz africana, onde seus conselhos e orientações integram práticas espirituais e comunitárias.
Em Um Velho Preto Disse, Thomé apresenta mais de cem mensagens construídas a partir de sua interpretação e vivência desses ensinamentos. A proposta é oferecer ao leitor momentos de reflexão que possam ser acessados em diferentes situações do cotidiano, seja em períodos de desafio, na busca por equilíbrio emocional ou na conexão com a ancestralidade.
A obra será publicada pela Editora Planeta e já está disponível em pré-venda nas redes sociais e nos canais divulgados pelo autor. As datas dos eventos de lançamento ainda não foram anunciadas.
Veja 12 presentes afrocentrados para o Dia dos Namorados que celebram a vivência e a estética da comunidade negra com intenção.
O Dia dos Namorados, celebrado no Brasil em 12 de junho, movimenta bilhões em presentes todos os anos e coloca em evidência uma pressão que muita gente conhece bem: a de acertar na escolha sem decepcionar o parceiro ou a parceira. A data aquece o comércio, mas também expõe um descompasso comum, já que a maioria das listas de sugestões de presentes ignora a vivência e a estética da mulher negra, entregando opções genéricas que pouco têm a ver com sua rotina, sua cultura e sua identidade.
Para quem quer ir além do óbvio, a resposta está nos presentes afrocentrados, aqueles que dialogam com a comunidade, fortalecem marcas e produtores negros e chegam com significado real. De um tratamento capilar a um jantar em restaurante de culinária africana, as opções a seguir foram pensadas para quem quer presentear com intenção.
Sessão de tranças Deixe um voucher pago em um espaço de confiança para o amado ou a amada escolher o estilo.
Dica bônus: Almofada e touca de cetim para proteger as tranças enquanto dorme.
Sugestão: @eleejigbo
Tratamento capilar Agende e pague sessão de hidratação ou cronograma capilar em salão especializado em cabelos afro.
Dica bônus: Confirme a experiência do profissional com o cabelo dela antes de fechar.
Sugestão: @emillvyc
Kit de Skincare Monte um kit com produtos formulados para a pele negra, como sérum, protetor solar e hidratante.
Dica bônus: Tiara para ela usar durante a rotina de skincare.
Sugestão: @negrarosaoficial
Vale nails Vale presente em esmalteria para ela escolher o estilo na hora que quiser, do geométrico à nail art.
Dica bônus: Kit de hidratante para mãos e uma lima de cristal.
Sugestão: @unhasbycaty
Um look novo Observe o estilo do seu afeto e pesquise lojas e marcas negras brasileiras que falem com o gosto dela.
Dica bônus: Acessório de cabeça para compor o visual.
Sugestão: @afroperifa_
Uma bolsa Artesãs negras e marcas independentes entregam peças com design exclusivo e produção rastreável.
Dica bônus: Chaveiro de búzios ou lenço afro amarrado na alça.
Sugestão: @ateliemasanga
Acessórios afro Brincos de palha, colares com búzios e tiaras de cetim têm significado cultural e uso no dia a dia.
Dica bônus: Combine dois ou três acessórios em uma caixinha presenteável.
Sugestão: @borboletapretaa
Jantar afro Reserve e pague o jantar em restaurante de culinária afro-brasileira ou africana com antecedência.
Dica bônus: Buquê de flores e uma carta escrita à mão para tornar a noite ainda mais especial.
Sugestão: @restaurantemandenbaoba
Ensaio fotográfico Contrate fotógrafa negra especializada em iluminação para pele negra e entregue o agendamento feito, seja para um ensaio solo ou do casal.
Dica bônus: Invista no look ou no cabelo dela para o dia da sessão.
Sugestão: @alemdojulio
Box de literatura negra Monte uma caixa com livros de autoras e autores negros que contam o Brasil por outra perspectiva, como “Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves, “Becos da Memória”, de Conceição Evaristo, e “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus.
Dica bônus: Café especial de cafeicultores negros para compor o momento de leitura.
Sugestão: @kitabulivraria
Kit vinho e velas Monte um kit com vinho, velas aromatizadas e bilhete à mão para ela criar o ambiente que quiser.
Dica bônus: Playlist de samba ou afrobeats para ela tocar enquanto aproveita.
Sugestão: @lunnare.co
Um show a dois Garanta ingressos com antecedência para show de artista da cena preta, seja para curtir junto ou para ela aproveitar na companhia dela mesma.
Dica bônus: Jantar antes do show para transformar a noite em programa completo.
Sugestão: Confira a programação cultural da sua cidade.
Por: osmar paulino – curador negro e, junto a João Teodoro (na foto), fundou o Projeto GRO
minha fia uma curadoria de arte é sobretudo uma comunicação de mundo, pautada na experiência subjetiva e objetiva do sujeito que a exercita. com isso, temos a materialização de ideologia ou visões de mundo expressos em forma de discurso nas exposição. portanto, toda vez que alguém entra em uma exposição de arte, ela esta sendo exposta a uma visão de mundo a qual o artista e o curador pertence. ou seja, ela esta tendo sua imaginação, sua subjetividade alimentada por ideias.
dito isto, é importante ressaltar que os museu e galeria de arte sempre foi negados a população negra no geral, por que eles foram espaço criados para sustentar a ideia de mundo da elite social e sua lógica liberal. e quem sempre trabalhou, de maneira escrava e precarizada, para criar este mundo liberal foi a população negra no brasil. vide que o dr. abdias do nascimento já apontou no livro “o genocídio do povo negro” que o papel do negro escravo foi decisivo para o começo da história econômica de um país fundado, como era o caso do brasil, sob o signo do parasitismo imperialista.
passado, mais de um século da conhecida abolição da escravidão o que vemo no brasil é um número nunca antes de artista visuais e curadores negro, mas eles não estão institucionalizado como aponta o mapeamento feito pela professora e curadora luciara ribeiro presente no site do projeto afro. ou seja, a elite brasileira que controla os museu do pais, continua contando a historia, a visão, e a perspectiva do herói branco, com isso alimentando a construção tacanha do imaginário social brasileiro.
mas o que uma exposição de arte com curadoria negra pode oferecer? um banquete na encruzilhada.
encruzilhada é um lugar de encontro de múltiplo caminhos, onde a coexistência e o co-habitar é a chave para o desenvolvimento do bem viver. não há apenas uma história a ser contada, mas a possibilidade de todas elas se cruzarem apontando para uma horizontalidade que permita a humanização dos seres sociais e por que não ambientais e animais que compõem um país. o nome disso é biointeração como apontou nosso mestre nego bispo.
no final do mês de maio e no início de junho a exposição “mãe preta erveira” que acontecia na câmara municipal de vereadores do rio de janeiro, com curadoria de marina alves e a exposição “funk: um grito de ousadia e liberdade” que acontecia no museu da língua portuguesa em são paulo com curadoria de renata prado, foram censurada. duas censura, interdição não só das exposição mas da possibilidades de existência, através da alimentação do imaginário positivo, de outros atores sociais, negros e indígenas, que não compõe em sua maioria a camada mais enriquecida no brasil que é ocupada por pessoas branca.
ça moço, diante disso tudo, quem tem medo da curadoria negra? aqueles que quer manter tudo como está. que quer contar a história excluindo nós, os preto os indigena. por que o que nós está fazendo é alimentando a fome de um país inteiro que não se conhece direito. estamo por tradição fazendo dos museu e galeria um quintal-terreiro-encruzilhada e servindo um banquete.
“Nestes seios brancos que minhas mãos onipresentes acariciam, é da civilização branca, da dignidade branca que me aproprio.” — Frantz Fanon
Impossível encarar com naturalidade a opinião de algumas pessoas negras e brancas de que “o amor não tem cor”, ainda mais se considerarmos o tamanho da produção intelectual negra revelando os mecanismos racistas presentes na sociedade brasileira. Mas reconheço a força da ideologia dominante na produção e manutenção do racismo fazendo com que acreditássemos que “somos todos iguais”.
A construção do afeto numa sociedade marcada por múltiplas diferenças (raça, classe e gênero) não escapa da hierarquização de pessoas. O homem e a mulher ideais carregam os atributos elencados pelos que detêm o poder simbólico e concreto. Considerando tal aspecto, o papel da colonização tornou-se fundamental na moldagem do desejo dos colonizados. Como a animalização e a objetificação dos povos escravizados se fizeram presentes desde a formação da sociedade brasileira, o referencial positivo de humanidade tornou-se propriedade da população branca.
Quem ousaria amar um objeto? Essa herança não explícita esconde-se nas consciências e vai além: o corpo negro também pode ser útil como instrumento de prazer. O estereótipo da hipersexualização, o “negrão gostoso” e a “mulata assanhada”, excitou gerações de pessoas.
A intelectual Lélia González nos lembra do estigma das mulheres negras, consideradas especialistas em sexo, e cita o ditado popular que sintetiza essa visão social: “branca para casar, mulata para fornicar, negra para trabalhar”. Daí testemunhamos uma parcela de homens negros em ascensão social entregando-se à intimidade com mulheres brancas; mulheres negras empurradas para o espaço da solidão, por vezes, sem encontrar saída que não as condicione ao universo branco. E, somadas a todas essas complexidades, outras formas de amar encontram resistência no afeto dentro da própria comunidade.
Ao longo da vida, ouvi casos de pais negros cobrando dos filhos que se relacionassem com pessoas brancas, no intuito de embranquecer a família. Nisso incluía-se a suposição de uma vida objetivamente menos sofrida: o branco consegue melhores oportunidades profissionais, não é perseguido pela polícia e tem menor risco de morrer por violência, além de poder abrir espaços de acesso para o negro. No livro de Neusa Santos Souza, uma entrevistada disse que a avó falava que a negra deveria transar com “o branco para limpar o útero”. Nem há como medirmos o grau desse tipo de violência.
Mas esses conselhos não contavam que a relação inter-racial resultaria num ônus pesado para a saúde mental dos negros — o racismo estaria presente a todo instante, dentro da própria família. Nas famílias brancas, a educação para o afeto tinha como foco o que não é novidade: a manutenção da herança colonial, o fortalecimento da branquitude.
No entanto, a comunidade negra segue resistindo. O resgate da humanidade negra, colocado dentro da luta antirracista, trouxe a subversão até do que sugere o próprio título deste texto. As lutas dos movimentos negros abriram importantes caminhos na maneira de olharmos para dentro de nós e para o povo negro. A identidade negra e a produção de espaços para a manifestação da nossa cultura nos aproximam mais. Amamo-nos. Criamos resistência psíquica para não nos deixarmos seduzir pelo discurso da branquitude.
Eu sei que a hipocrisia e a alienação dificilmente irão acabar, mas podemos afirmar, sem meias palavras, que “o amor tem cor”. Hoje estamos conscientes de quem somos. Ainda bem!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FANON, Frantz. Peles negras, máscaras brancas. Tradução de Sebastião Nascimento. 1. Ed. São Paulo: Ubu Editora, 2020.
GONZÁLEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Organização de Flavia Rios e Márcia Lima. 1. Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro: ou as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. 2. Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2021.
Recentemente, passei um fim de semana na casa da minha mãe, em uma periferia de Salvador. Em um daqueles dias comuns, sem grandes acontecimentos, saímos para comprar os ingredientes do almoço. A primeira pergunta parecia simples: “O que vamos comer hoje?”
A partir dali, começou uma sequência de decisões que me fez pensar sobre algo que o mercado da comunicação ainda não conseguiu compreender. Seguíamos para a primeira compra quando minha mãe interrompeu o caminho. “Não vamos por esse lado não. Está cheio de polícia.”
Mudamos a rota. Fizemos um caminho mais longo, recalculamos o percurso sem sequer discutir a decisão. Foi automático. Quem vive em determinados territórios aprende desde cedo que chegar ao mesmo lugar nem sempre significa seguir pelo mesmo caminho. Pouco depois, percebemos que faltava um ingrediente importante para a receita. “Não precisa. Vou inventar uma coisa aqui e vai dar certo.” E deu! Não porque fosse sorte, ou improviso, deu certo porque aquela solução já existia no repertório de quem passou anos aprendendo a fazer muito com pouco.
Mais tarde, minha irmã chegou do trabalho por uma rua diferente da habitual. “Vim por cima hoje. O ônibus demorou demais e eu precisava chegar antes das cinco. Ainda tenho aula de inglês.”
Mais uma escolha, uma adaptação, uma decisão tomada a partir da leitura do contexto. Naquele momento, comecei a perceber que havia passado o dia inteiro observando pessoas fazendo aquilo que o mercado costuma chamar de pensamento estratégico. Sem reuniões, sem apresentações de PowerPoint, sem metodologias sofisticadas, sem usar uma única vez a palavra estratégia.
Há alguns anos participei de uma formação voltada para estratégia de marcas, produtos e negócios, e aprendi que toda estratégia nasce de um problema, real ou percebido. No fundo, tudo se resume a uma pergunta: como resolvemos isso? Foi quando uma constatação me atravessou; Grande parte das pessoas com quem cresci já praticava pensamento estratégico muito antes de entrar em uma universidade, em uma agência ou em uma sala de treinamento corporativo.
Dependendo de onde você vem, aprende a desenvolver competências que muitas vezes nem percebe que possui. Quem cresce na abundância aprende determinadas habilidades, quem cresce na escassez aprende outras.
Na periferia, frequentemente somos treinados para antecipar problemas antes mesmo que eles aconteçam, se começa a chover, é preciso proteger o sapato que talvez seja o único disponível para trabalhar, estudar e circular pela cidade, se há uma operação policial no bairro, é preciso encontrar caminhos alternativos que garantam segurança, se falta um ingrediente, a receita muda, se o ônibus atrasa, a rota muda. Se o dinheiro não chega até o fim do mês, as prioridades mudam, a vida muda e nós mudamos junto com ela.
O que muita gente chama de sobrevivência talvez seja, na verdade, uma das formas mais sofisticadas de estratégia que existem, porque tudo isso exige leitura de contexto, adaptação rápida, capacidade de prever cenários, gerenciamento de recursos escassos e tomada de decisão sob pressão. Em qualquer agência de publicidade, consultoria de negócios ou laboratório de inovação, essas características seriam vistas como competências altamente desejáveis, mas quando elas vêm da periferia costumam receber outro nome: necessidade.
Talvez esse seja um dos pontos cegos mais persistentes da comunicação brasileira. O mercado procura estrategistas o tempo inteiro, procura pessoas capazes de resolver problemas complexos, identificar oportunidades e compreender comportamentos humanos, ao mesmo tempo, continua ignorando uma das maiores escolas de estratégia do país: a periferia.
Porque a estratégia não nasce apenas em salas de reunião, cursos de especialização ou frameworks importados, ela nasce no ponto de ônibus, nas feiras livres, nas cozinhas, nas vielas, nas casas onde a criatividade precisa ocupar o espaço que o dinheiro não consegue preencher. Existe uma inteligência construída pela experiência, uma sofisticação cognitiva produzida pela escassez, um conhecimento que dificilmente aparece nos currículos, mas que se manifesta diariamente na forma como milhões de pessoas organizam suas vidas.
O geógrafo Milton Santos defendia que os territórios populares produzem suas próprias formas de conhecimento e inovação. Faz sentido. Poucas pessoas precisam interpretar contextos com tanta rapidez quanto aquelas que vivem em ambientes marcados pela instabilidade. Por isso, talvez seja hora de revisarmos uma narrativa que acompanha a pobreza há décadas. O pobre não é apenas um sobrevivente, e antes de sobreviver, ele precisa pensar possibilidades, precisa observar, antecipar, negociar, adaptar, reorganizar, criar alternativas e tomar decisões com informações incompletas e recursos limitados.Todos os dias. Viver na pobreza ou na escassez é, em muitos aspectos, uma experiência antropológica profunda, desenvolvendo uma percepção aguçada sobre pessoas, territórios, riscos e oportunidades. É aprender a mudar a rota sem abandonar o destino, é por muitas vezes criar caminhos onde aparentemente não existem caminhos.
E talvez esteja justamente aí uma das competências mais valiosas para a comunicação contemporânea, porque marcas, produtos e serviços precisam entender pessoas antes de vender para elas e quem passou a vida encontrando soluções em cenários complexos carrega uma bagagem que nenhuma metodologia, sozinha, é capaz de ensinar.
A periferia não é apenas um lugar onde se consome comunicação, é um lugar onde se produz estratégia todos os dias.
Talvez a publicidade esteja procurando estrategistas nos lugares errados.
A contradição entre o sucesso de Black Alien e a falta de cuidado do público com sua saúde. Uma análise sobre arte, dependência química e racismo.
A trajetória de Gustavo de Almeida Ribeiro na música brasileira é frequentemente narrada a partir de marcos de genialidade técnica. Desde o início de sua carreira em 1991, com o duo SpeedFreaks ao lado de Claudio “Speed” Márcio, que revolucionou o underground fluminense e paulista misturando hip hop, funk, punk e samba, Gustavo já se destacava. Antes mesmo de integrar oficialmente o Planet Hemp em 1997, suas rimas já moldavam o disco de estreia da banda, Usuário, que alcançou o disco de platina. Reconhecido internamente como o melhor letrista do grupo, ele consolidou sua assinatura em 2004 com o lançamento de Babylon By Gus Vol. 1: O Ano do Macaco. Gravado em cerca de 55 dias com colaborações de peso como Bi Ribeiro e Pupilo, o álbum tornou-se uma referência imediata do rap nacional através de faixas como “Mister Niterói” e “Caminhos do Destino”.
Essa caminhada moldou no imaginário do público uma figura muito específica: a do MC de vocabulário preciso, flow singular e erudição que transita entre Bob Marley e Carl Jung. Embora essa imagem seja real, ela permanece incompleta. E essa lacuna diz muito mais sobre as expectativas de quem ouve do que sobre a realidade de quem canta.
A Realidade Crua da Dependência e da Sobrevivência
Por trás da discografia reverenciada, existe a história de um dependente químico em recuperação. Gustavo nunca escondeu essa condição; pelo contrário, transformou-a em matéria-prima de sua obra recente. Os anos de dependência severa de álcool e cocaína foram descritos por ele como um período de alienação e apagamento, marcado por duas overdoses, em 1999 e em 2013, que resultaram em microderrames e comprometeram temporariamente sua fala. Esse processo significou a perda de documentos, de moradia, da produção musical e da própria identidade diante do espelho.
A situação se agravou em 2010 com a morte de seu parceiro Speed, um luto que Gustavo levou anos para começar a processar. O hiato de onze anos até o segundo volume de Babylon By Gus não foi uma escolha estética, mas o tempo necessário para a reconstrução de uma vida que incluiu internações em clínicas de reabilitação e um financiamento coletivo de R$ 50 mil, essencial para que ele voltasse a acreditar em si mesmo.
Apesar de esses fatos serem públicos e documentados pelo próprio artista, as narrativas dominantes nas redes sociais e nas listas de melhores do rap tendem a isolar esses episódios como meros detalhes biográficos. O foco quase exclusivo na técnica e na inteligência das rimas frequentemente esvazia o peso da sobrevivência que fundamenta a existência do homem por trás do microfone.
A Urgência do Olhar Humano sobre a Doença
Essa dinâmica se repete porque a sociedade opera sob uma lógica de consumo humano. O lançamento de Abaixo de Zero: Hello Hell (2019), aclamado pela crítica e premiado como um dos maiores discos do rap nacional, foi recebido como a “volta por cima” de um gênio. O próprio Gustavo precisou lembrar ao público que o título do álbum era literal: ele estava abaixo de zero na escala da dignidade humana antes de conseguir reerguer-se. Sua famosa afirmação de que a música é que prejudicou sua carreira nas drogas, já que o vício existia muito antes do primeiro verso, inverte a narrativa tradicional e exige que o encaremos como um homem inteiro, e não como uma engrenagem cultural.
A faixa “Carta Pra Amy”, uma das mais celebradas em suas apresentações ao vivo, resume essa linha tênue. Ao dialogar no presente com Amy Winehouse, morta em 2011, Gustavo canta sobre uma realidade que ele próprio protagonionu. A diferença trágica entre os dois não reside no talento ou no esforço, mas na imprevisibilidade da sobrevivência.
Esse distanciamento ganha contornos ainda mais nítidos quando se observa o recorte racial que molda a indústria da música. A engrenagem cultural historicamente tolera e até romantiza a autodestruição de ídolos brancos, frequentemente tratados como gênios incompreendidos ou almas torturadas. Para o homem negro, contudo, o sarrafo é outro: a vulnerabilidade raramente é vista com complacência. Quando um artista negro adoece publicamente, a estrutura tende a reduzi-lo ao estereótipo do descarte ou da marginalidade, esvaziando sua humanidade. Exigir de Black Alien a genialidade impecável sem oferecer o espaço para a fragilidade de seu corpo e de sua mente é perpetuar uma lógica que só valida a existência negra através da utilidade e do entretenimento.
Admirar Black Alien pelo que ele produz enquanto se ignora ou se ridiculariza o processo de adoecimento e cura que ele atravessou é o sintoma de uma sociedade que não sabe acolher. O deboche direcionado a Gustavo no passado é o mesmo desrespeito que os dependentes químicos sem voz sofrem diariamente nas calçadas e nos lares do país. O caso do MC carioca prova que, para a opinião pública, a vida de um homem em sofrimento só passa a ter valor e direito ao respeito quando ela se transforma em um produto esteticamente perfeito para ser consumido.
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