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MIS exibe documentário indicado ao Oscar sobre o assassinato de Patrice Lumumba e o golpe de Estado no Congo

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Foto: Divulgação

No dia 21 de agosto, o documentário belga “Trilha sonora para um golpe de Estado”, indicado ao Oscar 2025, será exibido em sessão gratuita, às 19h, no MIS (Museu de Imagem e Som), em São Paulo. O filme combina jazz, política e lutas por independência em um relato impactante sobre o assassinato de Patrice Lumumba e a história do Congo. Em parceria com a Pandora Filmes, os ingressos gratuitos devem ser retirados na bilheteria da instituição com uma hora de antecedência.

Com depoimentos e apresentações de nomes como Malcolm X, Louis Armstrong, Nina Simone, John Coltrane, Thelonious Monk, Dizzy Gillespie, Abbey Lincoln e Max Roach, o filme revela a violência do processo de colonização do Congo Belga e acompanha a luta do país por independência. Após a sessão, haverá debate com a professora de Relações Internacionais Natalia Noschese Fingermann.

Foto: Divulgação

Dirigido por Johan Grimonprez, o documentário reconstitui os últimos meses antes do assassinato de Patrice Lumumba, primeiro presidente democraticamente eleito do Congo, em 1961. Entre os eventos retratados, está a invasão do Conselho de Segurança da ONU pelos músicos Abbey Lincoln e Max Roach, em protesto, enquanto Louis Armstrong é enviado para o país como uma cortina de fumaça dos planos norte-americanos de depor Patrice. A partir desse episódio, Grimonprez expõe as conexões entre imperialismo, capitalismo e jazz, contextualizando as tensões políticas internacionais da época.

Marcado pela Guerra Fria, pelos movimentos pan-africanistas, pelas mudanças na ONU e pelas lutas por direitos civis nos EUA, o século 20 é apresentado como cenário de revoluções e disputas de poder que moldaram o mundo moderno.

Além da indicação ao Oscar, o aclamado documentário acumula 35 indicações em festivais e premiações, incluindo o European Film Awards e o Sundance Film Festival. No Rotten Tomatoes, o filme mantém 97% de aprovação da crítica e do público.

Foto: Divulgação

Serviço | Doc.MIS – “Trilha sonora para um golpe de Estado”

Data: 21/08, às 19h

Local: Auditório LABMIS – Avenida Europa, 158, Jd. Europa, São Paulo

Ingresso: gratuito (retirada com uma hora de antecedência na bilheteria do MIS)

Classificação: 14 anos 

Djavan anuncia novo disco e turnê em celebração aos 50 anos de carreira

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Foto: Divulgação

Quase cinco décadas após o lançamento de ‘A Voz, o Violão, a Música de Djavan’ (1976), o cantor Djavan anunciou nas redes sociais que está finalizando no estúdio o seu 26º álbum de inéditas. Intitulado ‘Improviso’, o disco terá 12 faixas e chega às plataformas digitais no dia 13 de novembro.

O músico alagoano, ícone da música brasileira, ainda anunciou que haverá uma turnê especial para celebrar os 50 anos de carreira, para a alegria dos fãs que acompanham sua obra ao longo de gerações.

Mais informações sobre o projeto e datas da turnê devem ser divulgadas em breve, mas já deixou os seguidores animados com as novidades.

“Eu ouvi TURNÊ??? 😍😍😍😍 Ja tô com a roupa de ir!”, escreveu uma fã na publicação feita no Instagram do Djavan. “Queremos show em Angola”, disse outro seguidor com expectativas para shows internacionais.

Mãe e filha são condenadas a 12 anos de prisão por darem banana e macaco de pelúcia a crianças negras em vídeo

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Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Justiça do Rio de Janeiro condenou, nesta segunda-feira (18), as influenciadoras Nancy Gonçalves Cunha Ferreira e Kerollen Vitória Cunha Ferreira a 12 anos de prisão em regime fechado pelo crime de injúria racial.

Mãe e filha, que juntas somavam mais de 12 milhões de seguidores nas redes sociais na época do inquérito, foram responsabilizadas por entregar uma banana e um macaco de pelúcia a duas crianças negras, em tom de deboche, durante um vídeo publicado em 2023, em São Gonçalo (RJ).

Além da prisão, a sentença determinou que ambas paguem indenização de R$ 20 mil para cada vítima, valor corrigido monetariamente.

As duas ainda poderão recorrer em liberdade, mas estão proibidas de publicar conteúdos semelhantes nas redes sociais ou de manter contato com as vítimas. Após o trânsito em julgado, serão expedidos mandados de prisão e cartas de sentença.

Racismo recreativo contra crianças negras

Na decisão, a juíza Simone de Faria Ferraz, da 1ª Vara Criminal de São Gonçalo, destacou que os presentes oferecidos — banana e macaco de pelúcia — são símbolos historicamente associados a estereótipos racistas. Ela apontou que o episódio configurou “racismo recreativo”, previsto na Lei 7.716/1989, agravado pelo fato de ter sido cometido em contexto de entretenimento e por mais de uma pessoa.

A juíza ressaltou que as influenciadoras “animalizaram” as crianças e “monetizaram a dor”. Os vídeos tiveram consequências graves para as crianças que passaram a sofrer bullying e isolamento social. O menino de 10 anos, chamado de “macaco” na escola, desistiu do sonho de ser jogador de futebol. Já a menina de 9 anos passou a brincar sozinha e precisou de acompanhamento psicológico.

Defesa das famílias

Para os advogados Marcos Moraes, Felipe Braga, Flávio Biolchini e Alexandre Dumans, do Escritório Modelo Nilo Batista (SACERJ), responsáveis pela defesa das famílias, a condenação representa um marco. “A sentença projeta-se para além do caso concreto: ela afirma que a infância negra não pode ser objeto de humilhação recreativa e que o racismo estrutural deve encontrar resistência efetiva no judiciário”.

O comunicado ainda reforça que a decisão transforma “a memória histórica de impunidade em compromisso real com a igualdade e a dignidade humanas”.

Já o advogado Mário Jorge dos Santos Tavares, que representa Nancy e Kerollen, declarou ao g1 que respeita a decisão da Justiça, mas discorda do resultado. Segundo ele, as rés “as rés sempre colaboraram com o processo e confiam que a Justiça reconhecerá sua inocência. Por isso, será interposto recurso ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, visando a reforma da condenação”.

A defesa já anunciou que irá recorrer ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Tyla no brasil: Estrela sul-africana é a atração internacional na inauguração da H&M em São Paulo

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Foto: reprodução

Às vésperas de inaugurar sua primeira loja no Brasil, a H&M preparou um calendário de ativações que promete movimentar a cena urbana de São Paulo durante todo o mês de agosto. A marca escolheu a capital paulista para traduzir seu DNA diversificado e cultural para o público brasileiro, combinando moda, música e experiências imersivas.

No dia 20 de agosto, pouco antes da abertura oficial da loja no Shopping Iguatemi, Tyla, estrela da campanha SS25 da H&M, será a headliner de um evento musical exclusivo para convidados. O line-up ainda contará com apresentações de Gilberto Gil, Anitta e Agnes Nunes, reunindo fãs e membros do programa de fidelidade da marca, o Clube H&M.

Além do evento, a H&M vai ocupar a cidade com experiências únicas. Um sound system personalizado, com cerca de 3 metros de altura, percorrerá festas icônicas da cena paulistana, começando pela Batekoo e seguindo para Caracol, Ephigenia, Heavy Love e VHS, promovendo diversidade e senso de comunidade através da música.

Outra ação que chama atenção é a transformação do túnel de transferência entre as estações de metrô Consolação (linha verde) e Paulista (linha amarela) em um corredor imersivo H&M. Com a campanha “Ritmos do Brasil”, fotografada por Hick Duarte, o espaço celebra a cultura brasileira e convida os passageiros a mergulhar no universo da marca até 1º de setembro.

Com quatro lojas confirmadas até o fim de 2025 e o lançamento simultâneo do e-commerce no Brasil, a H&M inicia oficialmente sua operação no país, trazendo não apenas produtos, mas experiências culturais que conectam moda e música.

Patrícia Ramos estreia nos cinemas em Uma Mulher Sem Filtro

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A influenciadora e apresentadora Patrícia Ramos fará sua estreia nas telonas com o filme Uma Mulher Sem Filtro, que chega aos cinemas em 21 de agosto. Na produção, protagonizada por Fabiula Nascimento, Patrícia interpreta Roberta.

Em uma das cenas divulgadas nas redes sociais, a narrativa apresenta a personagem Bia, vivida por Fabíola Nascimento, que tenta desabafar sobre um momento difícil, mas vê sua amiga Roberta, Patricia Ramos, transformar a conversa em um monólogo sobre si mesma.

O trecho, compartilhado no Instagram, mostra de forma bem-humorada um comportamento comum em relações pessoais: quando até o drama alheio vira palco para a autoafirmação.Conhecida pelo trabalho como criadora de conteúdo e apresentadora, Patrícia Ramos agora amplia sua trajetória artística com o cinema.

Sinopse

Em “Uma Mulher Sem Filtro”, interpreta Bia, uma publicitária que precisa lidar com um chefe machista e sem noção, um marido encostado, uma melhor amiga extremamente egocêntrica, e uma irmã muito diferente dela. Como se não bastasse, a jovem influencer Paloma, interpretada por Camila Queiroz, assume o cargo de CEO de conteúdo na empresa em que Bia trabalha e espera uma promoção há anos. À beira de um colapso, Bia aceita a sugestão de Paloma e resolve se encontrar com Deusa Xana, para uma espécie de sessão esotérica. Como resultado, ela perde todos os filtros e passa a dizer tudo o que pensa.

Empresas lançam curso de inteligência artificial para capacitar 10 mil mulheres até 2026

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Um grupo de 50 empresas, em parceria com a Prosper Digital Skills, especializada em desenvolvimento de habilidades digitais para transformação social, lançou o Potenc.IA, programa gratuito de capacitação em inteligência artificial voltado para mulheres. O objetivo é mitigar os efeitos da automação no mercado de trabalho feminino, já que estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que 9,6% dos empregos ocupados por mulheres estão sob risco de automação, contra 3,5% dos ocupados por homens.

A primeira turma do programa, que começa com 1.600 alunas, terá duração de seis meses e pretende formar 10 mil mulheres até março de 2026. Metade das vagas será destinada a colaboradoras das empresas patrocinadoras, enquanto a outra metade será preenchida por mulheres indicadas por ONGs, institutos sociais e inscrições diretas na Prosper.

Diversidade e interseccionalidade

Para promover a inclusão, o programa prioriza mulheres negras, indígenas, LGBTQIAPN+, com deficiência e acima de 50 anos. “A IA impactará funções administrativas, operacionais e de serviços, majoritariamente ocupadas por mulheres. Queremos garantir que elas avancem junto com a nova economia”, afirma Silmara Pereira dos Santos, head do Potenc.IA e ex-executiva de empresas como Philips e iFood.

Diferente de outras iniciativas, o curso é híbrido, com conteúdo assíncrono, exercícios práticos e mentorias semanais. As participantes serão direcionadas para três trilhas de aprendizado, conforme seu nível de conhecimento: “Uso de IA”, “Agentes de IA” ou “Decisão baseada em dados”. Ao final, um novo assessment medirá o desenvolvimento das habilidades.

Mentoria e empregabilidade

Além da formação técnica, o programa inclui feiras de contratação e mentorias para facilitar a recolocação profissional em ambientes que valorizem a equidade de gênero. “Queremos formar lideranças em habilidades digitais, não apenas técnicas”, diz Silmara, que também é mentora do Insper.

A iniciativa foi inspirada no trabalho da pesquisadora jamaicana Margaret Spencer, consultora do programa. “É uma ação concreta para que a transformação digital aconteça com equidade e protagonismo feminino”, destaca Silmara.

Mais informações estão disponíveis no site: https://potencia.prosperdigitalskills.com/

64% dos empreendedores negros fazem dos seus negócios uma arma contra o racismo e um motor de identidade cultura

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O empreendedorismo negro pulsa na economia brasileira, gerando renda, oportunidades e inovação. Mas, para que essa engrenagem continue girando, é preciso mais do que esforço individual: são necessárias políticas públicas capazes de articular recursos e criar condições para que esse ciclo não se quebre. É sobre essa força econômica e os caminhos para fortalecê-la que vamos falar nas próximas linhas.

Nos últimos anos, programas de incentivos públicos e projetos de lei vêm ganhando força para reduzir desigualdades históricas e impulsionar negócios liderados por pessoas negras. Além das iniciativas governamentais, as empresas privadas podem desempenhar um papel fundamental nessa empreitada — incentivar o afroempreendedorismo não é apenas um gesto de responsabilidade social, mas também um movimento estratégico para o desenvolvimento social e econômico do Brasil.

Inclusão governamental e corporativa

São Paulo, Goiás e Pernambuco são exemplos de estados onde as políticas de inclusão ao empreendedor negro já se estabelecem. Mas, é importante ressaltar que temos em curso projetos de lei nacional para contemplar todos os estados brasileiros (Projeto de Lei n 2.538/20 e n 5.619/2023) ambos visando criar apoio e políticas públicas para fomentar o desenvolvimento econômico por meio do afroempreendedorismo.

O impacto desses recursos na engrenagem social e econômica do país colabora para quebrar o ciclo de exclusão financeira de pessoas que constroem diariamente soluções de negócios para toda a sociedade, e, com isso, fortalece a geração de renda, a mobilidade social e impulsiona recursos para uma economia mais participativa.As empresas têm um papel fundamental no processo de desenvolvimento social, e podem contribuir de diversas maneiras — desde apoio financeiro e institucional até a adoção de políticas de compra que priorizem produtos e serviços de empreendedores negros, fortalecendo cadeias produtivas de maneira sustentável e escalável.

Formalizar para crescer

De acordo com o portal SEBRAE (2025), pessoas negras representam 52% dos empreendedores no Brasil — cerca de 16 milhões de empreendedores. No entanto, 60,1% estão na informalidade, o que limita acesso a crédito e proteção social.

Esses dados reforçam a urgência de uma comunicação assertiva para a construção de processos que viabilizem a formalização desses negócios e a manutenção desses recursos, garantindo que o empreendedor tenha acesso a mecanismos estruturados que fortaleçam a empresa e assegurem sua competitividade e sustentabilidade no mercado.

De acordo com pesquisa realizada pela AfroBusiness, 64% dos empreendedores negros afirmam que seus negócios têm como missão fortalecer a identidade cultural e combater o racismo. Isso mostra que, para além de fazer a roda girar, eles também direcionam seus negócios de maneira inovadora.

É preciso reconhecer as pessoas negras como o que são: desenvolvedores de projetos que ampliam a transformação socioeconômica do país. Elas estão presentes na tecnologia, na moda, na beleza, na arte e, sobretudo, na alimentação — atuando tanto no e-commerce quanto nas periferias ou nas grandes metrópoles. Com maestria, poucos recursos e muita dedicação, esses empreendedores vêm construindo negócios inovadores que refletem resistência, criatividade e protagonismo, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento econômico e cultural do Brasil.

“Vai ser uma virada de página”, revela Iza sobre novo show com influência reggae

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A cantora Iza adiantou, neste domingo (17), detalhes sobre seu próximo projeto musical durante participação no evento Rio Gastronomia, no Rio de Janeiro. Em entrevista a Julio Fersil, a artista afirmou que o novo álbum marcará uma “virada de página” em sua carreira, com um repertório inspirado no reggae, ritmo que, segundo ela, sempre esteve presente em sua trajetória.

“Vai ser uma virada de página que eu estou esperando há bastante tempo”, disse Iza, destacando que trabalha no projeto desde os sete meses de gravidez de sua filha, Nala, hoje com 10 meses de nascida. “Estou ansiosa, animada para mostrar tudo que está acontecendo. A nova era está bem perto”, completou.

A cantora, que já explorou o gênero em sucessos como Pesadão e Brisa, descreveu o novo trabalho como um “reggae delicioso” e “universal”. “Tem tudo a ver comigo. É um ritmo que eu amo muito”, afirmou. Sem revelar datas ou detalhes específicos, Iza brincou: “Acho que tem umas paradas que eu quero falar que combinam com o estilo, e acho que eu seguro a bronca também de cantar reggae”.

O último álbum da carreira de Iza foi Afrodhit, lançado em agosto de 2023.

Médica endocrinologista cria série que une ancestralidade, ciência e saúde para repensar o cuidado com o corpo negro

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Foto: Divulgação

“Quando a gente fala de grandes atletas nos EUA, falamos de corpos negros com metabolismo acelerado, massa muscular exuberante. Essa é nossa herança, mas também precisamos falar dos impactos do estresse racial na saúde”, afirma a Dra. Suzikelli Lisboa, médica endocrinologista, criadora da série Elegância Negra, publicada em seu perfil no Instagram. Com relatos pessoais e embasamento científico, a médica conecta questões raciais, fisiologia e cuidado integral em um projeto que ressignifica o cuidado para populações negras.

No episódio “Corpo Preto, Metabolismo Vivo”, a especialista explica como experiências de estresse vividas pela população negra se refletem no corpo: “O estresse sobre a questão racial também pode levar ao ganho ou perda de peso. Não é só genética, é epigenética. O ambiente muda nosso corpo, e a gente pode intervir nisso”. O vídeo aborda como o racismo e outras formas de opressão atuam no organismo, influenciando desde a menopausa precoce até a hipertensão mais frequente em homens negros. “Não adianta só falar para comer melhor e fazer exercício se a pessoa vive sob um estresse que dispara cortisol todo dia”, diz. A médica defende que, sem olhar para esses fatores, o tratamento de condições como diabetes e obesidade fica incompleto.

Mais do que uma série sobre medicina, o projeto é um convite para enxergar o corpo negro em sua complexidade, considerando nossa ancestralidade e as pressões atuais. “Temos uma história, uma raiz. Cuidar da saúde é também honrar isso”, afirma Dra. Suzikelli. Com linguagem acessível, os episódios misturam ciência, relatos e estratégias práticas, em que a especialista reforça: “Você não está sozinho. Existem caminhos”.

Os próximos episódios trarão temas como como menstruação, SOP, menopausa e fertilidade, além de discutir a saúde hormonal dos homens negros e a menopausa e andropausa na terceira idade preta.

Nós por nós, pretos e pardos!

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Foto: Reprodução/Freepik

Amo minha raça, luto pela cor, o que quer que eu faça é por nós, por amor — Racionais MC’s

Afirmar-se publicamente como uma pessoa negra e orgulhosa da raça não era uma coisa simples para muitos afrodescendentes da maneira que é hoje. O racismo brasileiro é tão perverso que estimulava os negros a mutilarem a própria identidade, a negarem as origens étnicas e assumirem os valores e a estética que dialogam com a cultura eurocêntrica. Isso ainda persiste. A promessa implícita para os que se propõem a seguir essa lógica é receber um caloroso “seja bem-vindo” nos espaços segregados. No entanto, é uma ilusão, a tolerância quando acontece não pode ser confundida com acolhimento. E a busca pelo inatingível deixa marcas profundas na saúde mental, o adoecimento é inevitável quando o negro tenta a todo custo ajustar-se a uma cultura estranha.

Felizmente, crescemos, evoluímos no conhecimento e, diferentemente do passado, existe uma massa de negros ostentando as raízes, consumindo a cultura africana e afro-brasileira sem a necessidade de dar explicação e se desculpar por serem quem são. O próprio Dia de Zumbi dos Palmares e Consciência Negra (20 de novembro) revigora a luta. Nesse mês, rememoramos as histórias e lições de nossos ancestrais e demonstramos à sociedade que os negros estão juntos contra qualquer forma de exclusão e violência. Denunciamos os mecanismos de dominação que carregam em sua essência a manutenção ininterrupta do genocídio da população negra, ignorando que “a gente combinamos de não morrer” como nos lembrou a escritora Conceição Evaristo.

Essa resistência consciente não surgiu do nada. Ela emerge através da sabedoria dos nossos ancestrais, conhecimentos que atravessam gerações, difundidos no campo oral, na prática e na teoria. Ao beber dessa fonte, movimentos negros, intelectuais, ativistas e apoiadores das lutas antirracistas articulam o enfrentamento em diferentes camadas para as demandas negras ecoarem e serem transformadas em políticas públicas.

A população negra brasileira é enorme. Somos mais da metade da população, pretos e pardos presentes na mesma categoria racial. Esse contingente populacional deixa a branquitude em estado de atenção, sabem que temos potencial revolucionário. A história dos povos negros no Brasil e no mundo tem muitos registros nesse sentido. O que não pode é essa massa populacional se deixar enganar por migalhas ou ideias que fragmentem a nossa resistência. Ainda que tenhamos divergências nos métodos de luta, saibamos respeitar e compreender as diferenças existentes na comunidade negra, porque acima de tudo o racismo nos torna um corpo único. Estamos por nossa conta, enfrentando a todos que não nos enxergam como humanos.

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