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CEO da Target pede demissão após retirar programas de diversidade e sofrer boicote da comunidade negra

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Fotos: Fornecido por Jamal Harrison Bryant/Group La e The Walt Disney Company via Getty Images

Após 11 anos no comando da varejista Target, o CEO Brian Cornell pediu demissão e deixará o cargo em 1º de fevereiro de 2026. A decisão acontece em um momento de grande queda nas vendas e fortes reações à decisão da empresa de encerrar parte dos programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI).

Embora Cornell tenha revitalizado a companhia desde 2014, modernizando lojas e fortalecendo o e-commerce para competir com a Amazon, os últimos três anos foram marcados por dificuldades. Mas 2025, em especial, trouxe uma forte turbulência para os negócios.

O principal ponto de desgaste foi a decisão da empresa de reduzir seus programas de diversidade e inclusão, medida que surpreendeu e revoltou clientes, ativistas e até mesmo membros da família fundadora. Anne e Lucy Dayton, filhas de um dos cofundadores, classificaram a medida como “uma traição”. A própria empresa reconheceu que a decisão foi prejudicial às vendas.

“As pessoas reavaliaram a situação e começaram a dirigir quilômetros extras para ir a outros lugares. Sentimos que era uma traição gritante”, disse Jamal Bryant, reverendo que liderou um boicote contra a Target, à CNN.

O movimento começou como um “jejum de 40 dias”, batizado de #TargetFast. Em 2020, em meio aos protestos após a morte de George Floyd, a empresa havia prometido investir 2 bilhões de dólares em empreendedores negros. Para Bryant, o recuo da Target foi um desrespeito com uma comunidade que movimenta aproximadamente 12 milhões de dólares por dia nas lojas da rede. “Quando percebemos que nosso gasto diário tem esse peso, entendemos também o poder de escolha que temos”, disse na época ao The Guardian.

Embora outras corporações também tenham recuado em políticas de DEI, a Target foi especialmente cobrada por ter construído sua imagem em torno da valorização da diversidade. A reversão, somada a um cenário de tarifas elevadas e queda no consumo, ampliou a pressão sobre a marca.

Cornell será substituído por Michael Fiddelke, atual diretor de operações, que iniciou sua trajetória na Target como estagiário há duas décadas. A escolha, segundo a empresa, veio após avaliação de candidatos internos e externos.

União Africana apoia campanha por mapa-múndi que represente o tamanho real da África

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Crédito: The New York Times

A União Africana (UA) declarou apoio a uma campanha que pede o fim do uso do mapa-múndi de Mercator, do século XVI, ainda adotado por governos e instituições internacionais. O movimento defende a substituição pelo mapa Equal Earth, que mostra com mais precisão as dimensões da África.

A projeção criada por Gerardus Mercator foi pensada para a navegação, mas distorce o tamanho dos continentes. Regiões próximas aos polos, como a Groenlândia e a América do Norte, aparecem maiores, enquanto África e América do Sul são representadas de forma reduzida.

“Pode parecer apenas um mapa, mas, na realidade, não é”, disse a vice-presidente da Comissão da UA, Selma Malika Haddadi, à Reuters. Para ela, a projeção de Mercator reforçou a visão equivocada de que a África seria “marginal”. Com 30,37 milhões de km² (11,73 milhões de milhas quadradas), o continente é o segundo maior do mundo em território e abriga mais de um bilhão de pessoas. “Tais estereótipos influenciam a mídia, a educação e as políticas”, completou.

Crédito: The New York Times

A crítica ao Mercator não é nova, mas ganhou novo fôlego com a campanha “Correct The Map” (Corrija o Mapa, traduzido em português), liderada pelas organizações Africa No Filter e Speak Up Africa. A iniciativa incentiva escolas, empresas e organismos internacionais a adotarem a Equal Earth, lançada em 2018 para refletir de forma mais justa o tamanho dos países.

“O tamanho atual do mapa da África está errado. É a mais longa campanha de desinformação e desinformação do mundo, e ela simplesmente precisa acabar”, afirmou Moky Makura, diretor executivo da Africa No Filter. Já Fara Ndiaye, cofundadora do Speak Up Africa, ressaltou o impacto simbólico da distorção: “Estamos trabalhando ativamente para promover um currículo em que a projeção da Equal Earth seja o padrão principal em todas as salas de aula (africanas)”.

Para Haddadi, o apoio da União Africana à campanha está alinhado à luta por reparações históricas para “reivindicar o lugar legítimo da África no cenário global”, disse, acrescentando que a UA discutirá ações conjuntas com seus 55 Estados-membros.

A projeção de Mercator segue sendo usada em larga escala, especialmente em escolas e empresas de tecnologias. No caso do Google Maps, a versão para desktop passou, em 2018, a exibir o globo em 3D, mas ainda permite que usuários voltem ao modelo antigo de Mercator se desejarem.

O Banco Mundial informou que já utiliza a Equal Earth ou a Winkel-Tripel em mapas estáticos e que está eliminando gradualmente o Mercator em ambientes digitais. A campanha também enviou uma solicitação ao órgão geoespacial da ONU (UN-GGIM), que deverá ser avaliada por especialistas.

O movimento recebeu apoio além da União Africana. Dorbrene O’Marde, vice-presidente da Comissão de Reparações da Comunidade do Caribe (CARICOM), endossou a Equal Earth como símbolo de resistência e rejeição à “ideologia de poder e dominação” do mapa de Mercator.

Fonte: CNN

Powerlist Mundo Negro 2025 anuncia apoio do Grupo L’Oréal e se firma como a edição mais aguardada

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A Powerlist Mundo Negro – Mulheres Negras Mudam Histórias 2025 se firma como a edição mais aguardada desde a criação do prêmio. A premiação criada pelo portal Mundo Negro anuncia o apoio do Grupo L’Oréal como patrocinador desta edição, reforçando o compromisso em ampliar a visibilidade de mulheres negras que transformam cultura, ciência, negócios, artes e comunicação.

Este ano marca uma virada. Pela primeira vez, parte da escolha será feita pelo público, com votação popular em quatro categorias: Criadora Digital, Empreendedora do Ano, Profissional da Beleza e Gastronomia. As demais áreas seguem sob Curadoria Técnica, formada por especialistas que garantem diversidade de trajetórias e rigor na seleção nas frentes de Tecnologia e Inovação, Liderança Corporativa, Comunicação e Cultura, Diversidade e Inclusão, Medicina e Ciências e Artes e Entretenimento.

“Desde a 1ª edição, temos a felicidade de sermos parceiros da Powerlist, fortalecendo esta plataforma de visibilidade e reconhecimento das trajetórias de mulheres negras que geram impacto real no Brasil. Como Grupo número 1 em beleza no mundo, a equidade de gênero é uma pauta prioritária para a agenda de diversidade e nosso compromisso é ir além na representatividade de mulheres negras, promovendo uma transformação na sociedade brasileira”, afirma Eduardo Paiva, Diretor de Diversidade, Equidade e Inclusão do Grupo L’Oréal no Brasil.

“A Powerlist Mundo Negro é hoje uma das maiores ferramentas de visibilidade e reconhecimento para mulheres negras que vêm se destacando, influenciando e elevando suas vozes em espaços de poder ainda tão inacessíveis para muitas de nós. É uma honra ver o Grupo L’Oréal apoiando essa iniciativa desde o seu nascimento, em 2022, ano em que estive entre as top 10. Mais do que uma premiação, a Powerlist representa um movimento de transformação. A cada edição, vemos mais mulheres negras sendo reconhecidas como referência e inspiração para uma comunidade que exige, e merece, respeito, representatividade e inclusão estratégica, especialmente no mundo dos negócios”, afirma Márcia Silveira, Head de Diversidade, Equidade e Inclusão para Advocacy e Influência no Grupo L’Oréal no Brasil.

Silvia Nascimento, Head de Conteúdo do Mundo Negro e idealizadora da premiação, destaca a importância dessa trajetória conjunta: “A primeira edição da Powerlist Mundo Negro, em 2022, aconteceu na sede da L’Oréal, no Rio de Janeiro. Ter o apoio contínuo da marca é uma das grandes satisfações na história desse prêmio. Assim como a L’Oréal, acreditamos no poder da autoestima e do amor-próprio, na certeza de que mulheres negras valem muito.”

Datas-chave

• Curadoria Técnica: 5 a 30 de agosto

• Votação Popular: no site oficial da premiação
Primeira fase: 26 de agosto a 31 de agosto
Segunda fase: 03 de setembro a 16 de setembro

• Cerimônia da Powerlist: 17 de outubro


‘Cinco Tipos de Medo’: Filme com Bella Campos e Xamã estreia hoje no Festival de Gramado

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Fotos: Divulgação

‘Cinco Tipos de Medo’, filme estrelado por Bella Campos e Xamã, está entre um dos grandes destaques na programação do 53º Festival de Cinema de Gramado e estreia no evento nesta quinta-feira (21). O longa dirigido por Bruno Bini é o primeiro longa-metragem do Mato Grosso a competir na mostra.

Na trama, Bella interpreta Marlene, enfermeira que vive um relacionamento abusivo com o traficante Sapinho (Xamã). Embora envolvido no crime, ele é visto pela comunidade como responsável pela segurança do bairro. A vida da personagem se complica ainda mais quando ela se apaixona por Murilo (João Vitor Silva) e teme por grandes consequências.

O enredo é inspirado em um episódio ocorrido no Jardim Novo Colorado, em Cuiabá, quando moradores se mobilizaram para pagar a fiança de um líder do tráfico, temendo que sua ausência ocasionasse na violência de facções rivais.

De volta à sua terra natal para gravar o longa e no ar atualmente em ‘Vale Tudo’, Bella Campos destacou o significado pessoal do trabalho em entrevista ao gshow: “Receber esse convite foi um presente. Estou vivendo um processo profundo de reencontro, inclusive com meu sotaque. Marlene é uma mulher brasileira em essência: resiliente, determinada e cheia de camadas.”

Para Xamã, a estreia no cinema também carrega uma mensagem de impacto social: “Quero dar humanidade ao personagem. A gente sabe que muitas vezes a criminalidade nasce da falta de opção, e o cinema é uma dessas opções. Fazer parte desse filme é também falar sobre caminhos possíveis”. 

O tapete vermelho no Festival de Gramado se abre às 16h40 para a equipe do filme ‘Cinco Tipos de Medo’, e a exibição será às 18h.

8 casos de racismo por dia: crianças negras seguem sem segurança nas escolas

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Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

As crianças negras precisam da nossa atenção. A escola deveria ser um espaço seguro para todas, mas os dados mostram o contrário. Entre janeiro de 2024 e julho de 2025, as escolas estaduais de São Paulo registraram 4.554 casos de injúria racial — uma média de oito por dia. Os números fazem parte de um levantamento da Seduc-SP, publicado pelo Metrópoles a partir de dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). A maior parte das ocorrências aconteceu no interior (55,9%), seguida da capital (24,3%), região metropolitana (18%) e litoral (1,8%). Especialistas, no entanto, alertam para a subnotificação: a realidade pode ser ainda mais grave.

Esses números apenas confirmam o que muitas famílias negras já sabem. O racismo não espera a vida adulta para se manifestar. Ele atravessa a infância, se mostra no recreio, nas salas de aula, nos grupos de WhatsApp e, muitas vezes, até nas relações com professores. E sabemos que esse cenário não é exclusivo de São Paulo. Ele se repete em todo o país.

Falo também da minha experiência. Quando criança, ouvi “piadas” sobre meu cabelo. Minha mãe, sem letramento racial, tentava me proteger. Penteava meus cachos com escova até alisar a frente e prendia em rabo de cavalo. Eu nunca ia para a escola de cabelo solto. Era a forma dela de evitar as micro — que na verdade são macroviolências — do cotidiano escolar.

O jurista Adilson Moreira chama isso de racismo recreativo: quando o preconceito vem disfarçado de brincadeira, piada ou comentário “inofensivo”. Ele o define como um tipo de “racismo sem racistas”, porque quem pratica raramente reconhece a violência que causa. Mas, na prática, essas atitudes sustentam desigualdades, reforçam estereótipos e questionam a capacidade de pessoas negras ocuparem espaços de destaque. E Moreira lembra: essas ofensas não atingem só a vítima direta. Elas ferem a coletividade. Ser ridicularizado pela cor da pele não marca apenas uma criança — marca todo um grupo.

A escola, para minha geração, foi uma conquista. A Constituição democrática garantiu o acesso à educação pública, fruto da luta dos movimentos sociais. Esse espaço deveria significar aprendizado, convivência e desenvolvimento social. Mas para muitas crianças negras, ainda é também um lugar de violência e exclusão.

O movimento negro sempre da importância da escolarização. É por isso que lutamos, há décadas, para reduzir as desigualdades raciais na educação. Conquistas como a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, e a matrícula obrigatória a  artir dos quatro anos de idade são vitórias importantes. Mas sabemos: direito na lei não é sinônimo de justiça no cotidiano.

É doloroso reconhecer que o lugar que deveria proteger e formar também pode ferir. Cada ocorrência de racismo escolar deixa uma cicatriz profunda, que atinge a criança e a comunidade ao seu redor. Por isso, quando falamos em educação antirracista, não estamos tratando de um “tema extra” no currículo. Estamos falando de transformar a escola em um espaço que ensina, protege e valoriza todas as infâncias e adolescências.

Fenty Beauty Coffee Party chega em São Paulo com inscrições abertas ao público

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Foto: reprodução

O Brasil foi escolhido como palco para a chegada da Fenty Beauty Coffee Party, experiência gratuita que desembarca em São Paulo (30/08) e Salvador (06/09). A iniciativa faz parte de um movimento que tem ganhado força em várias partes do mundo: trocar as festas da madrugada por encontros diurnos, em torno do café, da música e de conexões reais.

As Coffee Parties surgem como resposta a um desejo coletivo de escapar do chamado “brain rot” — esse consumo excessivo de telas e conteúdos rasos — e recuperar espaços de troca, convivência e celebração cultural. E ninguém melhor do que a marca criada por Rihanna para traduzir esse espírito em uma experiência que une beleza, diversidade e lifestyle.

Durante as edições no Brasil, o público poderá viver uma imersão no universo Fenty Beauty: música, cafés especiais, interatividade e a experiência do Shade Matching, no qual profissionais ajudam cada pessoa a encontrar o tom ideal da base da marca — reconhecida justamente pela diversidade de cores disponíveis.

A Coffee Party reforça o compromisso da Fenty com a pluralidade e a inclusão, ao mesmo tempo em que insere o Brasil no circuito global do evento, que ainda terá edições no México, Caribe e outros países.

Fenty Beauty Coffee Party

São Paulo

  • Data: 30 de agosto, das 10h às 18h
  • Local: Lote Pinheiros — Rua Padre João Gonçalves, 80
  • Entrada: gratuita, com reserva online ou ordem de chegada
  • Capacidade: 1.000 pessoas
  • Inscrições: clique aqui para se inscrever

Salvador

  • Data: 06 de setembro, das 10h às 18h
  • Local: Trapiche Barnabé — Avenida Jequitaia, 05
  • Entrada: gratuita, por ordem de chegada
  • Capacidade: 500 pessoas

Matriarcas do Samba celebram os 90 anos de Candeia em show inédito no Rio

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Foto: Thaís Brum

No próximo sábado, 23 de agosto, o Rio de Janeiro será tomado pela força ancestral das Matriarcas do Samba, em um show inédito que homenageia os 90 anos de nascimento de Candeia, um dos maiores compositores do samba e da música popular brasileira, às 19h30, no palco do Teatro Rival Petrobras.

Nascido em 17 de agosto de 1935, em Oswaldo Cruz, Candeia teve uma trajetória marcada pela genialidade e pelo compromisso com a cultura negra e popular, deixando um legado de mais de 150 composições, entre elas clássicos como “Preciso me encontrar”, “O mar serenou”, “Dia de graça” e “Filosofia do samba”.

A homenagem tem um valor ainda mais especial porque reúne herdeiras diretas dessa memória: o trio vocal é formado por Selma Candeia, filha do compositor, ao lado de Vera de Jesus, neta de Clementina de Jesus, e Nilcemar Nogueira, neta de Cartola.

Foto: Museu da Imagem e do Som/Divulgação

O espetáculo, intitulado “Matriarcas do Samba cantam Candeia 90 Anos”, contará ainda com participações especiais de Tia Surica, baluarte da Portela, da cantora Dorina, do cantor e compositor Leo Russo e do ator Ailton Graça, presidente da escola de samba Lavapés Pirata Negro (SP), que em 2026 levará para a avenida um enredo em celebração aos 90 anos de Candeia.

Além dos sucessos do próprio homenageado, o público também poderá reviver composições eternizadas por Clementina de Jesus e Cartola, como “Marinheiro só”, “Na hora da sede”, “O mundo é um moinho” e “O sol nascerá”, artistas que dividiram rodas de samba com Candeia em vida.

Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla, com valores entre R$ 50 e R$ 120.

Serviço
Show “Matriarcas do Samba cantam Candeia 90 Anos”
Local: Teatro Rival Petrobras (Rua Álvaro Alvim, 33 – Cinelândia, Rio de Janeiro)
Quando: 23 de agosto (sábado), às 19h30
Ingresso: entre R$ 50 e R$ 120
Vendas Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/108212/d/327397
Duração: 90 min
Classificação indicativa: Livre

Racismo não é entretenimento

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Foto: reprodução

Paula Batista

Já tem algum tempo que o que aparece para mim sobre a novela Vale Tudo nas redes sociais tem me incomodado. E me incomoda mais ainda como algumas pessoas passaram a achar que racismo pode ser visto como entretenimento.

Quando alerto alguém sobre como é problemática a fala da personagem Odete Roitman para o aprendizado e consolidação de uma cultura racista em nosso país, ouço como resposta “mas está mostrando a realidade, muitas pessoas falam isso”. O problema é que, assim como na dramaturgia, na vida real muitas pessoas são racistas, nada é feito e o racismo continua se cristalizando.

Ou você acha que um chafalhão e um tapa na cara são respostas à altura para uma violência racista?

Já vi comentários inclusive condenando a atitude das mulheres negras que revidaram à violência racista, como se alguém fosse capaz de ter controle diante de uma violência sofrida. Mas das mulheres negras até isso é exigido.

Para mim, essas cenas explícitas de racismo ensinam racismo e não denunciam o racismo. E as consequências sofridas pela agressora deseducam mais ainda, ao passo que consideram “bem feito” somente um tapa na cara contra alguém que cometeu um crime.

Por causa dessas narrativas, muitas pessoas negras, ao sofrerem racismo, silenciam e naturalizam essa violência!

Por causa dessas narrativas, algumas pessoas se acham no direito de serem racistas, já que na novela essa violência é transmitida às claras e até com ar de deboche.

Querem denunciar o racismo na dramaturgia? Façam da forma correta, criem narrativas em que o racismo é duramente criminalizado, em que os racistas respondem judicialmente pelo crime cometido e são punidos por isso.

Continuar mostrando o racismo no horário nobre como entretenimento só fortalece práticas racistas e deseduca. Estou errada? Me fala nos comentários.

‘Escola para Maridos’: Senegal forma homens para igualdade e cuidados familiares

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Foto: African Folder

No Senegal, uma experiência comunitária tem mostrado que a mudança no comportamento dos homens pode salvar vidas. Trata-se da Escola para Maridos, um programa criado para ensinar a chamada “masculinidade positiva”, conceito que estimula o respeito aos direitos das mulheres, a divisão das tarefas domésticas e o cuidado com a saúde familiar.

Atualmente, o Senegal conta com mais de 20 escolas e cerca de 300 homens participantes, todos escolhidos por serem figuras respeitadas em suas comunidades. Entre eles estão líderes religiosos, ex-combatentes e maridos que se tornaram referência de comportamento. Esses homens passam por formações e depois atuam como multiplicadores, levando a mensagem da igualdade de gênero para outros homens e famílias.

Um dos nomes mais atuantes é o do imã Ibrahima Diane, que usa seus sermões de sexta-feira para falar sobre violência de gênero, HIV, partos hospitalares e direitos reprodutivos. A iniciativa tem mostrado resultados concretos: cada vez mais homens acompanham as mulheres nas consultas médicas, apoiam partos seguros e compartilham responsabilidades no lar.

Apesar dos avanços, os desafios ainda são grandes. O Senegal registra uma taxa de 237 mortes maternas a cada 100 mil nascimentos e 21 mortes neonatais por mil nascidos vivos, números ainda distantes das metas estabelecidas pela ONU para 2030. Nesse cenário, o engajamento masculino é visto como um aliado fundamental para a melhoria da saúde pública e a proteção das mulheres.

O sucesso do programa já inspira outros países da região. Níger e Togo começaram a implementar suas próprias versões da Escola para Maridos, demonstrando que o modelo pode ser replicado como estratégia de combate à violência de gênero e ao estigma que ainda afeta as mulheres em grande parte da África Ocidental.

Mais do que uma política pública, a iniciativa reforça uma lição importante: educar homens é também cuidar das mulheres.

“O que nos afasta da comida de verdade é a colonização”, diz Bruna Crioula sobre polêmica na COP30 com açaí e outras comidas típicas paraenses

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Foto: Reprodução/Instagram

A tentativa de proibição do açaí, tucupi, maniçoba, e sucos de fruta in natura, nos espaços dos eventos da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025), que será realizado em Belém (PA), continua repercutindo negativamente nas redes sociais. Para Bruna Crioula, nutricionista, pesquisadora e comunicadora alimentar, “o que nos afasta da comida de verdade é a colonização.”

Após críticas, a organização da COP30 recuou e alterou o edital de contratação dos restaurantes oficiais do evento, que acontece em novembro. A Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), responsável pelo documento, publicou uma errata após pressão do governo federal, após “análise técnica”, e garantiu a inclusão de alimentos tradicionais da culinária paraense, como o açaí e o tucupi.

“O que foi chamada de postura culturalmente preconceituosa eu chamo de racismo alimentar. Justiça climática não existe sem equidade racial e o respeito as culturas alimentares originárias de um povo é central nessa discussão. É assim que organizações multilaterais/internacionais – chamem do que quiserem -, compreende que a vida tem que ser: pasteurizada pela indústria de alimentos, pelo agronegócio e grandes corporações que são os principais negociadores que tem sentado nessas mesas de negociação”, escreveu Bruna Crioula nas redes sociais, em repúdio ao racismo alimentar.

“Vitrine lobista como bem falou Tainá Marajoara (@iacitata_ ), pensadora e cozinheira indígena que nutro profunda admiração. A COP30 com suas polêmicas e incongruências passará. O que sempre existiu antes dela e seguirá resistindo para além é a cultura alimentar amazônica que é indígena, ribeirinha, quilombola e contracolonial”, destacou.

Agora, o novo edital ainda determina que pelo menos 30% dos insumos adquiridos venham da agricultura familiar e prioriza empreendimentos coletivos e sustentáveis, como cooperativas, associações, grupos quilombolas, povos indígenas, mulheres rurais e comunidades tradicionais da região.

Entenda o caso

A polêmica começou quando a versão inicial do edital listou alimentos e bebidas considerados de “alto risco de contaminação” e, por isso, proibidos no evento – entre eles, o açaí, o tucupi, sucos de fruta in natura e a maniçoba. A medida foi vista como um desrespeito direto à cultura paraense e gerou revolta na web, especialmente entre chefs e representantes da gastronomia local, o que fez a organização da COP30 voltar a atrás.

Em nota, a organização disse que as recomendações do edital valem apenas para os espaços oficiais da conferência, não se estendendo a outros pontos de Belém ou do Pará. Segundo o documento, a definição do cardápio é responsabilidade da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), que segue critérios da Vigilância Sanitária nacional e local, incluindo orientações sobre produtos alimentícios.

Os menus apresentados poderão passar por ajustes para atender às exigências do edital, como diversidade de alimentos e segurança dos participantes. Nesta terça-feira (19), será realizada uma audiência pública para ouvir os candidatos à operação da alimentação da COP30.

Para encerrar a publicação nas redes sociais em crítica à organização da COP30, Bruna Crioula relembrou uma frase do Nêgo Bispo: “Mesmo que queimem os símbolos, Não queimarão os significados. Mesmo queimando o nosso povo, Não queimarão a ancestralidade.”

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