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Michelle Obama homenageia a mãe com saia estampada na abertura do Obama Presidential Center

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Foto: PABLO MARTINEZ MONSIVAIS / Getty Images

Peça exclusiva, criada pela Acne Studios em parceria com a stylist Meredith Koop, estampou a imagem de Marian Robinson no evento para apoiadores e parceiros do centro, realizado em Chicago na terça-feira (16)

Peça exclusiva, criada pela Acne Studios em parceria com a stylist Meredith Koop, estampou a imagem de Marian Robinson no evento para apoiadores e parceiros do centro, realizado em Chicago na terça-feira (16)

Michelle Obama subiu ao palco do Obama Presidential Center em Chicago na terça-feira (17) com uma saia lápis em tom sépia, personalizada pela Acne Studios, estampada com o retrato de sua mãe, Marian Robinson, falecida em 2024, aos 86 anos. A aparição aconteceu durante uma recepção para apoiadores e parceiros do centro, equipamento cultural de 850 milhões de dólares construído no South Side, bairro onde Marian criou os filhos, na véspera da cerimônia oficial de abertura, marcada para esta quinta-feira (19) de junho, data de Juneteenth.

A saia foi encomendada com a participação da estilista Meredith Koop, parceira de longa data de Michelle, e traz uma das fotos favoritas da ex-primeira-dama de sua mãe. O design se baseou em um look da coleção outono-inverno 2026 da Acne Studios, apresentado em Paris, que trazia uma saia similar com a imagem de um jovem fotografado pelo artista holandês Paul Kooiker. A composição seguiu de perto a referência da passarela: saia combinada com um fino cinto, camiseta em marrom chocolate e scarpin com tira.

Barack Obama, visivelmente emocionado ao ver a homenagem, disse que amava muito a sogra. “Ela construiu um lar para Michelle e Craig, não com muito, mas com muito amor, esperança e perspectiva. Para mim, eles representam o melhor deste país”, afirmou o ex-presidente.

A matriarca do South Side

Marian Robinson cresceu no South Side de Chicago em meio a uma cidade ainda marcada pela segregação racial, filha de Purnell Shields e Rebecca Jumper. Ela estudou para ser professora antes de se casar com Fraser Robinson, com quem criou Michelle e Craig. A escolha do local onde o centro foi construído carrega dimensão pessoal direta: é o mesmo bairro onde Marian criou os filhos e onde Michelle passou a infância.

Quando Barack Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos em 2008, Marian segurou sua mão na noite da eleição. Ao longo dos oito anos de mandato, ela se mudou para a Casa Branca para ajudar a cuidar das netas, Malia e Sasha.

A exposição permanente “Opening the White House” receberá o nome de Marian Robinson, reunindo maquetes de ambientes da Casa Branca como o East Room, o State Dining Room e o South Lawn, além de registros das apresentações artísticas, esportivas e culturais realizadas durante a presidência Obama.

No domingo, Michelle conversou com 100 jovens mulheres no centro ao lado do irmão Craig Robinson e da criadora de “Abbott Elementary”, Quinta Brunson. Na ocasião, ela disse: “Vivi uma vida incrível, mas a verdade é que quem importa para mim, quem me formou, é Marian Robinson, do South Side de Chicago.”

Samuel Gomes receberá Prêmio Baobá em Angola e produz documentário sobre identidade negra 

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Samuel Gomes
Foto: @josedeholanda_

Reconhecido pelo projeto Guardei no Armário, comunicador será homenageado na primeira edição internacional do Prêmio Baobá e aproveitará a viagem para registrar cenas de um documentário sobre identidade, ancestralidade e apagamentos históricos. 

O comunicador, escritor e criador de conteúdo Samuel Gomes será homenageado em Angola durante a 10ª edição do Prêmio Baobá, reconhecimento voltado a iniciativas ligadas à oralidade, literatura e storytelling. A premiação acontece entre os dias 7 e 14 de julho e marca a primeira edição internacional do evento, realizada no continente africano.

Criado em 2016 pela contadora de histórias Antonia Andréa Sousa, o Prêmio Baobá se consolidou como uma das principais iniciativas voltadas à valorização da narrativa oral, da leitura e da memória cultural. Ao realizar sua edição comemorativa de dez anos em Angola, a premiação reforça conexões históricas e culturais entre diferentes territórios da diáspora africana.

Conhecido pelo trabalho à frente do projeto Guardei no Armário, Samuel receberá o prêmio por sua trajetória como storyteller e pela contribuição da iniciativa na preservação e circulação de narrativas LGBTQIA+.

A viagem também marcará um novo capítulo de sua pesquisa sobre memória e ancestralidade. Durante a passagem por Angola, o comunicador irá gravar cenas do documentário “Isidro – Quem Roubou Minha Identidade?”, dirigido por Emanuel Araquan.

A obra investiga a trajetória de Isidro Gomes, bisavô de Samuel, cuja história foi preservada principalmente por meio da oralidade familiar. A partir dessa busca, o documentário propõe reflexões sobre identidade negra, ancestralidade, espiritualidade afro-brasileira e o direito à memória.

Parte das gravações acontecerá em locais historicamente relacionados à diáspora africana e aos processos de escravização que conectam Brasil e Angola. A proposta é aproximar experiências familiares de debates mais amplos sobre apagamentos históricos e reconstrução de narrativas negras.

Com direção de Emanuel Araquan, profissional que acumula trabalhos para plataformas e produtoras nacionais e internacionais, “Isidro – Quem Roubou Minha Identidade?” aposta em uma linguagem que explora temas como investigação, memória familiar e experiência sensorial.

Ao comentar a importância da viagem, Samuel destacou o significado simbólico da experiência para sua trajetória pessoal e para a construção do documentário.

“Vou a Angola por conta do Guardei no Armário, para receber um reconhecimento como storyteller. Mas estar nesse território também representa um reencontro com uma memória que foi interrompida”, afirmou.

Gui Ventura protagoniza primeira biografia musical de Gilberto Gil

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Gui Ventura ao lado de Gilberto Gil durante encontro no Rio de Janeiro
Foto: Gabriel Wickbold/ Divulgação

Ator e cantor mineiro interpretará Gilberto Gil em “Gil — Andar com Fé” e revelou ter chorado ao encontrar o artista pela primeira vez.

Escolhido entre mais de 800 candidatos para interpretar Gilberto Gil no primeiro musical dedicado à vida e a obra de Gilberto Gil, o ator e cantor Gui Ventura afirmou que não conseguiu conter a emoção ao encontrar o músico que irá representar nos palcos.

As declarações foram dadas à Folha de S.Paulo após um encontro entre os dois, realizado no Teatro Fernanda Montenegro, no Rio de Janeiro. A reunião marcou uma espécie de apresentação oficial do artista escolhido para protagonizar a primeira biografia musical dedicada à vida e à obra de Gilberto Gil.

Natural de Santa Luzia, em Minas Gerais, Ventura foi apresentado ao cantor pelo diretor Miguel Falabella e descreveu o momento como um dos mais marcantes de sua trajetória.

“Eu estava encontrando uma entidade, um Deus, Deus da música. A sensação era essa. Quando vi Gil entrando pela porta do teatro, desabei a chorar”, afirmou o ator à Folha.

Segundo Ventura, a emoção superou qualquer tentativa de preparação para o encontro. Durante a conversa, ele preferiu ouvir o artista e compreender melhor momentos marcantes de sua trajetória, sua relação com a música e a forma como enxerga a própria história.

O ator também apresentou a Gil uma composição autoral intitulada “Orixá da Palavra” e cantou ao lado do músico a canção “A Paz”.

A responsabilidade de interpretar um dos maiores nomes da música brasileira tem guiado a preparação de Ventura para o espetáculo. Para construir o personagem, ele vem pesquisando entrevistas, documentários e registros de diferentes períodos da carreira de Gilberto Gil.

Entre os desafios do processo estão a reprodução do sotaque baiano, a musicalidade característica do cantor e o aprendizado da sanfona, primeiro instrumento tocado por Gil.

Com texto de Newton Moreno e direção de Miguel Falabella, o musical estreia em 20 de agosto no Teatro Santander, em São Paulo. O espetáculo percorrerá diferentes momentos da trajetória do artista, reunindo canções que marcaram sua carreira e sua contribuição para a cultura brasileira.

Cáren Cruz lança livro sobre imagem, raça e padrões de elegância

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Cáren Cruz lança livro sobre imagem, raça e padrões de elegância
Foto: Divulgação

Na obra, a consultora de imagem identitária Cáren Cruz propõe uma reflexão sobre os códigos sociais que definem o que é considerado elegante, sofisticado ou adequado, especialmente para pessoas negras e outros grupos racializados. 

A pergunta, que dá nome ao novo livro da consultora de imagem identitária Cáren Cruz, também orienta uma reflexão sobre raça, poder e os significados atribuídos à aparência na sociedade brasileira. Em “Quem Decide o Que é Elegante? Imagem, raça e poder na construção da aparência”, a autora investiga os mecanismos que historicamente moldaram percepções sobre sofisticação, adequação e legitimidade estética.

CEO da Pittaco Consultoria e participante da 9ª temporada do Shark Tank Brasil, Cáren parte da compreensão de que a imagem não se trata somente da escolha de roupas ou acessórios. Para ela, a aparência é pautada por códigos sociais, culturais e raciais que influenciam a forma como indivíduos são percebidos e interpretados.

O olhar social e a construção da aparência

O debate ganha relevância em um contexto em que, segundo levantamento da The Panel Station, 76% dos consumidores globais consideram suas roupas muito importantes para expressar sua identidade. Ao mesmo tempo, a crescente valorização de tendências como quiet luxury e minimalismo corporativo reacende discussões sobre quais referências são reconhecidas como elegantes e quem estabelece esses critérios.

Na obra, Cáren argumenta que a consultoria identitária não começa no guarda-roupa, mas na leitura social. Isso significa compreender que a imagem é construída na relação entre a identidade de uma pessoa e os significados atribuídos a ela pelo ambiente em que está inserida.

“O corpo funciona como contexto. E o olhar social atua como ponto de partida. A identidade se forma justamente nesse espaço de tensão entre aquilo que uma pessoa é e aquilo que o ambiente insiste em interpretar sobre ela”, afirma a autora.

Quem define os padrões da elegância?

Ao longo do livro, a especialista propõe uma série de questionamentos acerca dos indivíduos que interpretam a imagem e os seus respectivos repertórios culturais, e aborda a diversidade fenotípica brasileira, chamando atenção para os limites de padrões estéticos tratados como universais.

Segundo ela, diferentes características físicas e tonalidades de pele interagem de formas distintas com elementos visuais, tornando insuficientes modelos únicos de análise da aparência.

Sob essa perspectiva, Cáren argumenta que conceitos como elegância e sofisticação não são neutros. Muitas vezes, refletem repertórios culturais dominantes que acabam sendo apresentados como critérios universais de avaliação estética.

“A consultoria identitária não busca produzir imagens perfeitas ou universalmente aprovadas. O objetivo é construir presenças visuais coerentes, conscientes e contextualizadas. Presenças que reconheçam tanto a individualidade quanto o campo social em que essa individualidade se manifesta”, conclui.

Saturnino, fundador do Popline é homenageado com medalha e título de cidadão carioca

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Flávio Saturnino Barbosa recebe homenagem da Câmara do Rio
Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Ao celebrar a homenagem, o comunicador relembrou a jornada que começou na Bahia e resultou na criação do POPline, hoje um dos principais veículos de entretenimento e música da América Latina.


O empresário e comunicador baiano Flávio Saturnino Barbosa, fundador do POPline, recebeu nesta semana a Medalha Pedro Ernesto e o título de Cidadão Carioca Honorário, concedidos pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A homenagem aconteceu em uma data simbólica: o dia de seu aniversário.

Ao compartilhar o reconhecimento em suas redes sociais, Saturnino relembrou o início de sua trajetória. “Há 20 anos, eu era apenas um adolescente de 16 anos que saiu de São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano, para estudar”, escreveu.

Filho de mãe solo, estudante de escola pública e apaixonado por música, ele criou o POPline ainda na adolescência. O projeto, que começou como um site desenvolvido por um fã de cultura pop, tornou-se um dos maiores veículos do nicho na América Latina.

Segundo Saturnino, o portal acumula mais de 10 bilhões de visualizações ao longo de sua trajetória, além de mais de 200 mil matérias publicadas e uma ampla cobertura da indústria musical e do entretenimento.

Na publicação, ele também destacou a relação construída com a cidade do Rio de Janeiro, onde consolidou sua carreira e construiu iniciativas voltadas à comunicação, à cultura e à economia criativa.

“Foi aqui que transformei um sonho em profissão. Foi aqui que vi nascer movimentos culturais que ajudamos a amplificar, especialmente o funk carioca”, afirmou.

Embora tenha nascido na Bahia, Saturnino ressaltou que foi na capital carioca que construiu grande parte de sua história profissional e pessoal. Para ele, o reconhecimento representa uma celebração da cidade que acolheu sua trajetória e seus projetos ao longo dos últimos 20 anos.

Serena e Venus Williams reatam dupla histórica para disputar Wimbledon

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As irmãs Serena e Venus Williams sorrindo juntas em uma quadra de tênis.
Foto: AFP

A maior dupla de todos os tempos está de volta! As irmãs Serena e Venus Williams receberam o convite da organização de Wimbledon e estão confirmadas para disputar a chave de duplas do terceiro Grand Slam da temporada, que começa no dia 29 de junho, em Londres. O retorno marca o reencontro de uma das parcerias mais vitoriosas e emblemáticas da história do esporte mundial.

Enquanto Venus, atualmente com 45 anos, mantém sua rotina ativa competindo em torneios de simples, Serena, de 44 anos, ensaia um retorno triunfal após ter anunciado sua aposentadoria em 2022. Juntas, as irmãs construíram um legado inigualável que não apenas redefiniu os rumos do tênis, mas também quebrou barreiras e abriu portas para a afirmação da excelência negra no esporte de elite.

Ao longo de suas carreiras, Serena e Venus conquistaram juntas uma coleção impressionante de troféus que inclui seis títulos de duplas no próprio gramado de Wimbledon, além de quatro taças no Australian Open, duas em Roland Garros e outras duas no US Open. O domínio da dupla ultrapassou o circuito tradicional e alcançou o topo do mundo nos Jogos Olímpicos, onde garantiram três medalhas de ouro para os Estados Unidos.

A caminhada de Serena para este retorno ganhou força há duas semanas, quando ela pisou em quadra após quase quatro anos longe do circuito competitivo. Ela disputou a chave de duplas no WTA de Queen’s ao lado da jovem Victoria Mboko. A parceria estreou com vitória na primeira rodada, mas foi forçada a abandonar a competição antes das quartas de final porque Mboko sofreu uma lesão em sua partida de simples.

Por conta do longo período de afastamento, Serena ocupa atualmente a 593ª posição no ranking da WTA, uma colocação que impossibilitaria sua entrada direta no torneio. Sabendo do peso histórico e do espetáculo que a presença das irmãs representa para o público, a organização de Wimbledon utilizou o recurso do convite especial para garantir que a realeza do tênis ocupe, mais uma vez, o seu lugar na quadra central.

Afropunk Brasil divulga line-up completo com Kehlani, Jorja Smith, Gilberto Gil e mais

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Fotos: Divulgação/ Oliver Holms

Festival confirma edição em novembro no Parque de Exposições, com programação que reúne referências da música negra internacional e brasileira em dois dias de shows

O Afropunk Brasil anunciou o line-up completo de sua edição de 2026, que acontece nos dias 7 e 8 de novembro no Parque de Exposições de Salvador. A grade reúne nomes que atravessam gerações e territórios da música negra contemporânea, com destaques internacionais como Kehlani, Jorja Smith, Kelela e o trio britânico FLO, ao lado de Gilberto Gil, Emicida, Criolo e Gaby Amarantos no eixo nacional.

Kehlani chega ao festival no momento mais significativo de sua carreira. A cantora e compositora nascida em Oakland venceu em 2026 dois Grammy Awards, nas categorias Melhor Canção de R&B e Melhor Performance de R&B, pelo single “Folded”, lançado em junho de 2025 e que se tornou um dos maiores hits do gênero nos últimos anos. Em abril de 2026, ela lançou seu quinto álbum de estúdio, autointitulado, com 17 faixas e participações de Missy Elliott, Cardi B, Usher e Brandy, entre outros. A presença no Afropunk Brasil será sua primeira apresentação no país.

Jorja Smith, por sua vez, chega ao festival cumprindo uma promessa adiada. A cantora britânica estava confirmada na edição de 2025 do Afropunk, mas cancelou toda sua passagem pelo Brasil em agosto daquele ano por motivos pessoais, com a organização do festival e as produtoras envolvidas garantindo publicamente que a artista retornaria em 2026. A confirmação no line-up deste ano encerra uma espera de mais de 12 meses do público brasileiro, que também a aguarda em shows solos em São Paulo e nos festivais Rock the Mountain. Jorja chega ao país ainda em um momento especial: o lançamento de um novo álbum previsto para agosto de 2026.

Foto: reprodução / Redes Sociais

A programação nacional coloca lado a lado artistas que representam momentos distintos da música negra brasileira. Gilberto Gil estreia no Afropunk Brasil logo após o encerramento da turnê “Tempo Rei”, que celebrou mais de seis décadas de produção musical. Emicida reafirma seu lugar como um dos principais artistas e pensadores da música brasileira contemporânea, enquanto Criolo apresenta um show dedicado ao repertório de “Nó na Orelha”, álbum lançado em 2011 que marcou uma geração inteira e permanece como um dos trabalhos mais relevantes da música brasileira do século XXI.

A força das sonoridades negras regionais aparece em Gaby Amarantos, que segue expandindo os caminhos do tecnobrega e da cultura amazônica, e em Lazzo Matumbi, uma das vozes centrais da música negra baiana. A nova geração está representada por AJULLIACOSTA, no rap nacional, por Fantasmão, referência histórica da cultura de periferia de Salvador, e por NandaTsunami, que une rap, moda e performance em linguagem própria.

A edição de Salvador encerra a jornada do Afropunk Brasil em 2026, que antes passa pelo Rio de Janeiro, no dia 15 de agosto, com o Afropunk Experience no Terreirão do Samba, e por Recife, no dia 12 de setembro, na Universidade Federal de Pernambuco. A expansão do festival para diferentes territórios do país consolida uma plataforma que, em 2025, reuniu mais de 75 mil pessoas presencialmente e alcançou 12 milhões de pessoas ao longo de suas ações.

Realizado pela IDW Company, o Afropunk Brasil mantém desde suas primeiras edições a proposta de ser um espaço de encontro entre música, moda, arte, ancestralidade e ocupação cultural. Os ingressos para a edição de Salvador estão à venda em breve.

SERVIÇO
Afropunk Brasil 2026 — Salvador
7 e 8 de novembro
Parque de Exposições — Av. Luís Viana Filho, 1590
Ingressos: à venda em breve

As divas da sua playlist agora comandam a primeira aula com halteres do HHWC

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Foto: divulgação

No dia 22 de junho, em Pinheiros, o HHWC celebra as divas do hip hop com halteres, elásticos e três turmas a partir das 8h

Beyoncé, Rihanna, Missy Elliott, Aaliyah, TLC, Destiny’s Child, Eve, Ciara, GloRilla, Karol com K, Flora Matos. São nomes que qualquer mulher negra reconhece antes mesmo de terminar a frase, artistas que ocupam um espaço específico na memória afetiva de quem cresceu ouvindo hip hop como forma de se ver no mundo. No próximo domingo, dia 22 de junho, essas mesmas vozes vão pulsar dentro de uma aula de musculação pela primeira vez no Brasil, quando o Hip Hop Workout Collective realiza a 21ª edição do HHWC no The Yard, em Pinheiros, São Paulo.

O evento, batizado de Divas do Hip Hop, marca uma virada na história do coletivo: até agora, todas as edições eram conduzidas apenas com o peso do próprio corpo. Halteres e elásticos entram pela primeira vez na dinâmica, transformando um treino de força em algo que nenhuma academia convencional oferece, uma aula em que a resistência muscular e a identidade cultural se constroem juntas, no mesmo movimento.

“O tema foi pensado para celebrar nossas cantoras que fazem a diferença na cena do hip hop, tanto nacional quanto internacional”, afirma Juliana Oliveira, uma das fundadoras do HHWC. “Uma aula com halteres ritmada com hip hop é algo que nunca aconteceu no Brasil. A gente traz esse conceito para inovar não só no treino, mas na rotina das alunas, que vão conhecer um outro lado do HHWC.”

O que o HHWC construiu em duas cidades

O Hip Hop Workout Collective nasceu em São Paulo fundado por três personal trainers e professoras de educação física: Juliana Oliveira, Caroline Araujo e Juliane Daianny. O projeto parte de uma constatação que as três conhecem na própria experiência: academias convencionais raramente foram espaços onde mulheres negras se sentiram representadas, seja na música que toca, nos corpos que aparecem nos espelhos ou nas pessoas que conduzem o treino.

Foto: divulgação

A resposta do coletivo foi montar um formato diferente. Cada encontro tem trilha sonora guiada pelo hip hop, dinâmicas que estimulam o coletivo tanto quanto o físico e uma proposta que coloca a cultura como parte estrutural do treino, não como decoração sonora. Em 2025, o projeto se expandiu para o Rio de Janeiro, onde realizou sua primeira edição em maio, consolidando o que começou como um encontro entre amigas em algo que hoje atravessa estados e conecta comunidades.

Os números que contextualizam essa escolha são diretos: apenas cerca de 33% das mulheres negras no Brasil praticam atividade física com regularidade, segundo dados recentes. O INCA aponta que mulheres negras têm 57% mais chance de morrer de câncer de mama do que brancas, com sedentarismo entre os fatores de risco mais documentados. Pesquisas da Universidade Charles, analisando mais de 130 mil mulheres, identificaram que a atividade física regular pode reduzir em até 40% o risco de desenvolver a doença. O HHWC opera dentro dessa equação com a hipótese de que, quando o espaço de movimento é também um espaço de pertencimento, o acesso muda.

Por que Divas do Hip Hop

A escolha do tema para a 21ª edição não é aleatória. As artistas que dão nome ao evento são, em sua maioria, mulheres negras que construíram carreiras dentro de um gênero que durante muito tempo tentou reduzir sua presença. Missy Elliott redefiniu o que uma produtora e rapper poderia ser nos anos 1990. Aaliyah levou suavidade e sofisticação para um espaço que raramente as valorizava. Beyoncé transformou o álbum visual em documento cultural. TLC abriu conversas sobre sexualidade e autonomia feminina dentro do mainstream. GloRilla e Karol com K representam a geração atual, que herdou esse espaço e continua ampliando.

Colocar essas vozes dentro de um treino de força não é só uma escolha de playlist. É uma afirmação de que a música que essas artistas fizeram sempre teve musculatura própria, e que o corpo que treina ao som delas carrega a mesma história.

As aulas acontecem em três horários: 8h, 9h30 e 11h. Os ingressos e informações estão disponíveis em linktr.ee/hhwc.br.

Soweto: o levante estudantil que acelerou a queda do apartheid

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Foto: Bongani Mnguni / City Press / Gallo Images

Em 16 de junho de 1976, estudantes negros de Soweto enfrentaram o apartheid e mudaram a história da África do Sul. Conheça o levante que abalou o mundo.

O apartheid transfom lei e a educação em instrumento de controle

O regime de segregação racial implementado na África do Sul em 1948 pelo Partido Nacional, composto por uma minoria branca, foi chamado de apartheid, palavra que em africâner significa separação. O que o nome descrevia com frieza burocrática era, na prática, um sistema que decidia onde cada pessoa podia morar, estudar, trabalhar, circular e se tratar, com base exclusivamente na cor de sua pele. A população sul-africana foi dividida oficialmente em categorias raciais: brancos, negros, mestiços e indianos, e o governo produziu uma legislação extensa para garantir que essa divisão fosse absoluta e permanente.

Casamentos inter-raciais eram proibidos, e o ato sexual entre pessoas de raças diferentes era punido com prisão. Negros não votavam, não ocupavam cargos no governo e não tinham acesso às mesmas estruturas públicas que os brancos. O apartheid não inventou o racismo sul-africano, que vinha sendo construído desde a colonização holandesa no século XVII e depois aprofundado pelos britânicos. O que ele fez foi organizar esse racismo, legislá-lo e torná-lo obrigatório. A educação, dentro desse sistema, funcionava como instrumento de rebaixamento deliberado: negros pagavam para frequentar escolas superlotadas com professores desqualificados, enquanto a educação para os brancos era gratuita e de qualidade.

Soweto existia para servir Joanesburgo e nunca para pertencer a ela

Construída como cidade-dormitório a 16 quilômetros de Joanesburgo, Soweto foi erguida pelo regime do apartheid para abrigar exclusivamente os negros que trabalhavam nas minas de ouro, nas fábricas e nas residências dos brancos da área metropolitana. O nome é uma contração de South Western Townships, as cidades-satélite criadas para manter a população negra afastada dos centros urbanos habitados por brancos. A lógica era simples e brutal: a força de trabalho negra era indispensável para o funcionamento da economia sul-africana, mas sua presença nas cidades brancas precisava ser controlada, limitada e, ao fim do expediente, devolvida para longe.

Foto: Getty Images / Goddard_Photography

Dentro desse arranjo, o sistema educacional funcionava como mais um mecanismo de contenção. As escolas de Soweto eram pagas, superlotadas e contavam com professores sem a qualificação exigida nas escolas brancas, que eram gratuitas e financiadas pelo Estado. Em 1974, o governo tornou ainda mais difícil ao publicar o chamado Decreto do Meio Africâner, determinando que as escolas secundárias para alunos negros passariam a ensinar matemática, ciências sociais e geografia obrigatoriamente no idioma africâner. Os estudantes se recusaram a aprender a língua dos colonizadores.

Uma geração formada para resistir chegou às ruas com consciência e organização

Os estudantes que marcharam em 16 de junho de 1976 não chegaram àquele ponto por impulso. Stephen Bantu Biko, ativista nascido em 1946, havia transformado a relação da juventude negra sul-africana com sua própria identidade por meio do Movimento da Consciência Negra. Em 1972, Biko fundou a Black Peoples Convention, que reuniu cerca de 70 grupos e associações, entre eles o South African Student’s Movement, organização estudantil que desempenhou papel central na articulação do levante de Soweto. O movimento adotou o slogan “Black is Beautiful” e combatia a noção de inferioridade que o regime tentava instalar na população negra desde a infância.

Foto: Getty Images / Bettmann

Biko entendia que o apartheid não operava apenas por leis e violência física. Ele funcionava também ao convencer os próprios oprimidos de que eram menos. Combater essa crença era, para ele, tão urgente quanto combater qualquer decreto do governo. Até aquele momento, o Congresso Nacional Africano, principal movimento de libertação do país, estava enfraquecido pela prisão de Nelson Mandela e de outros líderes. Foi nesse espaço que as ideias de Biko ganharam força entre os jovens. Os estudantes de Soweto chegaram ao 16 de junho com consciência política formada, cartazes escritos à mão e clareza sobre o que estavam fazendo.

Entre 10 mil e 20 mil estudantes saíram às ruas cantando.

O fotojornalista Sam Nzima, do jornal The World, principal veículo da comunidade negra de Joanesburgo, chegou a Soweto antes do sol nascer. A redação havia sido informada de que haveria uma grande marcha estudantil naquele dia. Nzima encontrou os alunos na Naledi High School às 6h da manhã e os acompanhou enquanto escreviam os cartazes que carregariam durante o protesto. À medida que as horas avançavam, os estudantes começaram a caminhar em direção ao Orlando Stadium, onde planejavam fazer um comício. No Morris Isaacson High School, o líder estudantil Tsietsi Mashinini subiu em uma árvore para ser visto e pediu à multidão, que já somava cerca de 15 mil pessoas, que mantivessem a ordem e a paz. Os cartazes diziam “Abaixo o Africâner”. Os jovens cantavam em suas línguas maternas: zulu, xhosa, sotho.

A marcha seguia pacífica quando a polícia interveio. Um policial atirou uma bomba de gás lacrimogêneo, outro achou que eram os estudantes que tinham disparado, e todos começaram a atirar contra a multidão. Em segundos, uma passeata de jovens desarmados virou campo de batalha. Hector Pieterson, de 12 anos, foi uma das primeiras vítimas. A perícia realizada após sua morte revelou que ele foi atingido por um tiro disparado diretamente contra ele, não por uma bala ricocheteada no chão, como a polícia afirmou. Sam Nzima fotografou Hector sendo carregado pelo estudante de 18 anos Mbuyisa Makhubo, com a irmã de Hector, Antoinette, correndo ao lado com o uniforme escolar e o rosto desfigurado pelo choque. A imagem foi publicada naquele mesmo dia na edição vespertina do The World. No dia seguinte, a revista Time foi a primeira publicação internacional a circular a foto, seguida pela Reuters, que a distribuiu para redações em todo o mundo. A imagem foi reconhecida pela Time entre as 100 fotografias mais influentes do século. O próprio Nzima refletiu anos depois que havia quem acreditasse que aquela fotografia havia libertado a África do Sul, por causa das expressões nos rostos das pessoas nela retratadas.

O massacre se espalhou pelo país e o regime nunca mais foi o mesmo

Pelo menos 23 pessoas morreram no primeiro dia do levante, duas delas brancas e favoráveis à integração racial. Por três dias, em várias partes do país, houve confrontos, incêndios e saques, com centenas de mortos e mais de mil feridos. A revolta não ficou contida em Soweto. Espalhou-se por outras cidades e regiões da África do Sul, transformando o que começou como um protesto estudantil em uma insurreição que o regime não esperava e não soube conter. O governo designou o juiz Petrus Malan Cillié para liderar uma comissão encarregada de registrar e analisar o levante. A Comissão Cillié constatou oficialmente 575 mortos, mas há a compreensão geral de que o número real seria maior, e que dados podem ter sido omitidos para evitar prisões. Estatísticas não oficiais apontam até 700 mortos e 4 mil feridos ao longo de todo o período de agitação que se seguiu ao 16 de junho.

Foto: Getty Images/ Keystone

Mbuyisa Makhubo, o jovem que aparece na fotografia carregando Hector Pieterson, tornou-se alvo da polícia do apartheid após a imagem circular pelo mundo. Ele fugiu da África do Sul e desapareceu na Nigéria em 1979, com 21 anos. Nunca foi encontrado.

Soweto marcou o início do fim do apartheid e o nascimento de uma data que o mundo passou a reconhecer

Com o Levante de Soweto iniciou-se a contagem regressiva para o fim do apartheid. A data 16 de junho passou a ser chamada de Dia da Juventude na África do Sul, marcando o começo de uma série de manifestações que se prolongariam por 18 anos e culminariam nas primeiras eleições democráticas do país, em 1994, vencidas pelo Congresso Nacional Africano com Nelson Mandela eleito presidente. A exposição internacional da brutalidade do regime intensificou sanções econômicas e o isolamento diplomático da África do Sul, corroendo as bases de sustentação do apartheid por dentro e por fora. Em 1991, a Organização da Unidade Africana instituiu o 16 de junho como Dia Internacional da Criança Africana, em memória das vítimas de Soweto e em defesa dos direitos das crianças e jovens africanos.

Mesmo após as eleições de 1994, as décadas de educação deliberadamente precarizada deixaram marcas profundas no sistema educacional sul-africano. Em 2015, estudantes voltaram às ruas com o movimento Fees Must Fall, protestando contra as taxas cobradas nas universidades públicas. Um dos cartazes carregados durante aquelas manifestações dizia: “Pensei que tínhamos tido essa conversa em 1976.” O Museu Hector Pieterson foi inaugurado em Soweto em 2002, a poucos metros do local onde o menino foi baleado. Antoinette Sithole, a irmã que aparece correndo na fotografia de Sam Nzima, ainda vive em Soweto e segue contando o que aconteceu naquele dia. Algumas histórias não envelhecem. Elas cobram resposta.

Rio celebra os 187 anos de Machado de Assis com festival gratuito de 12 horas na Pequena África

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Foto: Fundação Biblioteca Nacional

Pela primeira vez, o Rio celebra os 187 anos de Machado de Assis com 12 horas de programação gratuita no MAR, na Pequena África. Saiba tudo sobre o festival.

A Prefeitura do Rio de Janeiro realiza no dia 21 de junho de 2026 o Festival Machado de Assis, evento gratuito e inédito que ocupa o pilotis e o térreo do Museu de Arte do Rio (MAR), na região da Pequena África, durante 12 horas de programação cultural contínua. A data marca os 187 anos de nascimento do escritor, considerado o maior nome da literatura brasileira, e a celebração reunirá caminhada literária, rodas de conversa, debates acadêmicos, apresentações musicais, microfone aberto, experiências imersivas e um baile charme como encerramento. A entrada é gratuita e as atividades começam às 9h.

O evento é apresentado pela Secretaria Municipal de Cultura e realizado pela Academia Brasileira de Letras e pela Terreiro Produções, com apoio do Itaú Cultural. A curadoria ficou a cargo da escritora e imortal Ana Maria Gonçalves, que também idealizou o festival, e dos artistas Felipe Oladélè, Hugo Germano e Muato. A escolha do MAR não é casual: o museu está situado na Pequena África, território que concentra parte significativa da memória cultural afro-brasileira do Rio de Janeiro e guarda relação direta com o universo que Machado de Assis habitou e descreveu ao longo de sua obra.

Foto: Editora Record / Divulgação

O dia começa com uma caminhada guiada a partir do conto “Noite de Almirante”, que conduzirá o público por locais históricos do centro do Rio ligados à trajetória do escritor e à memória cultural da cidade. A atividade funciona como porta de entrada para uma programação que percorre diferentes linguagens e públicos ao longo das horas seguintes, desde intervenções artísticas e um quiz literário até experiências fotográficas com tecnologia de filtros.

Uma das atrações do espaço será a Ocupação Captu, instalação cenográfica inspirada no século XIX que recria o ambiente presente nos romances machadianos, com móveis e objetos de época. Os visitantes poderão participar de uma ativação fotográfica com o filtro “Olhos de Ressaca”, referência direta à descrição de Capitu em “Dom Casmurro”, e receberão ao final uma fotografia impressa personalizada. A proposta conecta o texto literário a uma experiência sensorial contemporânea, aproximando o público de uma das personagens mais debatidas da literatura nacional.

Debates com acadêmicos da ABL

Entre 14h e 16h, o térreo do MAR recebe um ciclo de mesas que reúne pesquisadores e membros da Academia Brasileira de Letras. A primeira delas, intitulada “Machado de Assis: obra, contexto e permanência”, contará com o professor e pesquisador Eduardo de Assis Duarte e terá mediação de Ana Maria Gonçalves. O encontro examinará a sofisticação literária de Machado e sua relevância para a compreensão da sociedade brasileira, abordando aspectos que vão da técnica narrativa à crítica social presente nos textos.

A segunda mesa, “Leituras contemporâneas de Machado”, reunirá as acadêmicas Rosiska Darcy de Oliveira, Ana Maria Machado e Lilia Schwarcz para um diálogo sobre as diferentes interpretações da obra do autor ao longo do tempo. Raça, poder, subjetividade, desejo e política estão entre os temas previstos para a conversa, que busca demonstrar como textos escritos no século XIX continuam a produzir sentido quando lidos à luz do presente.

Para Ana Maria Gonçalves, a escolha do MAR como sede do festival reforça uma relação que o próprio Machado cultivou ao longo da vida. “Em seus livros, Machado de Assis sempre falou muito bem da cidade. Então é extremamente importante a gente fazer esse festival no MAR, com uma programação que engloba espaços instagramáveis, quiz literário, shows, mesas com os acadêmicos e terminando com baile charme, numa tentativa de trazer suas obras mais para perto do público, apresentando-o para novas gerações, para que eles possam entender o quão atual ainda é esse grande escritor”, afirmou a escritora.

Microfone aberto e espetáculo de encerramento

A partir das 16h30, o festival abre espaço para a participação direta do público com o Microfone Aberto, atividade que convida artistas e visitantes a compartilharem leituras, performances e interpretações a partir dos textos de Machado de Assis. A proposta dura duas horas e funciona como transição entre o ciclo de debates e o espetáculo que encerra o dia.

O fechamento da programação ficará por conta do “Machado Vivo”, espetáculo cênico-musical com direção de Felipe Oládélè, Muato e Hugo Germano e direção musical de Muato. O show reúne música, teatro, performance, poesia e dança para percorrer temas centrais da obra machadiana, como amor, liberdade, raça, ironia e crítica social. Os intérpretes Janamô, Marcos Sacramento, Natasha Félix e João Vitor Nascimento serão acompanhados pela banda formada por Gabriel Marinho, Rodrigo Ferreira, Márcio Sorriso e Pedro Carneiro.

Ao final do espetáculo, o festival se transforma em baile charme, conduzido pelo dançarino Marcus Azevedo e pelo DJ Bob Reis, encerrando as 12 horas de programação com música, dança e convivência coletiva.

Fundador da ABL e voz da cidade

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839, filho de um pintor negro e de uma lavadeira açoriana, e cresceu no morro do Livramento, na zona portuária da cidade, região que corresponde hoje à Pequena África. Autodidata, tornou-se tipógrafo, jornalista e, ao longo de décadas de produção literária, construiu uma obra que abrange romances, contos, crônicas, peças de teatro e poesia. Foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, que ajudou a fundar em 1897, e exerceu o cargo até sua morte, em 1908.

Romances como “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Quincas Borba” e “Dom Casmurro” consolidaram sua posição como o mais influente escritor da literatura brasileira, e seus textos são traduzidos e estudados em universidades de diversos países. Apesar disso, celebrações públicas de grande porte dedicadas exclusivamente a ele são raras no Rio, cidade onde nasceu, viveu e morreu. O festival de 21 de junho representa a primeira iniciativa do município com esse escopo e essa estrutura.

O evento é gratuito e aberto ao público, com programação das 9h às 21h no Museu de Arte do Rio, localizado na Praça Mauá, 5, no Centro do Rio de Janeiro.

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