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Em Belém, Giovanna Nunes aposta no hambúrguer com tucupi preto e cachaça de jambu: “Nossos produtos de uma forma diferente”

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Foto: Divulgação/Crow Burguer

A cidade de Belém (PA) será palco da COP 30, em novembro de 2025, e com ela se abre a oportunidade de o mundo conhecer a potência da culinária amazônica, inclusive em uma hamburgueria. Com atendimento delivery, a chef Giovanna Nunes, proprietária da Crøw Burger, hamburgueria artesanal que une técnica de parrilla e insumos da região, já está pronta para servir o público com um cardápio diferenciado.

Neste ano, Giovanna adicionou o ‘Nobre’, um hambúrguer feito com shiitake no tucupi preto e cebola flambada na cachaça de jambu. “Estamos tentando mostrar pro mundo nossa culinária. A gente quis fugir um pouco do ‘comum’ e apresentei nossos produtos de uma forma diferente”, contou em entrevista ao Mundo Negro e Guia Black Chefs. 

Segundo Giovanna, a cachaça de jambu é um produto bastante exportado para a Alemanha, mas pouco conhecido pela população local. “Isso me fez perceber que precisamos com urgência aprender sobre nossos insumos e nunca devemos perder a humildade, principalmente na cozinha, ela é um local para todos e devemos respeitar”, defende.

Giovanna Nunes (Foto: Divulgação)

Ela diz que o mesmo ocorre com o tucupi preto. “Em Portugal, vi que alguns chefs usavam o tucupi preto, porém aqui acredito que poucos utilizam. A maioria das pessoas não conhece esse insumo e ele é um dos mais exportados. Produto originário com um baixo aproveitamento local”, pontua. 

Ainda assim, a chef acredita que a presença de casas como a Crøw é fundamental para apresentar ao mundo a culinária nortista. “Como cozinheira do Norte do país, acredito que seja muito importante lutarmos pela exploração interna dos nossos insumos, ensinar, aprender e se reinventar”, destaca.

Trajetória inspirada e incentivada pelo avô 

Nascida na capital do Pará, Giovanna se apaixonou pela cozinha ainda criança, aprendendo com o avô o universo do churrasco. Estagiou numa das churrascarias mais famosas da cidade e depois, encontrou no hambúrguer a sua paixão principal.

Foto: Divulgação

“Meu estilo de cozinha é o street food, o que mais ganha meu coração mesmo é o Burger na parrilla. É o que eu mais amo, criar Burgers não é somente pão, carne e queijo. Cada mordida que você dá no Burger é uma composição harmoniosa que você tem”, descreve.

Em 2022, após ser demitida de um restaurante por machismo, decidiu fundar o próprio negócio. O avô foi um incentivador decisivo, mas faleceu antes da inauguração. Hoje, ao lado da sócia e namorada, Luana Sousa, Giovanna mantém a proposta de oferecer burgers feitos na brasa, acessível e de qualidade.

“Passei por alguns países como Estados Unidos, Portugal, Espanha, França e Itália. Com isso tentei trazer pra minha loja as referências de lá, como o fato de você morder nosso burger e ele “derreter” na sua boca, o pão principalmente. Fiz o possível pra ele não ser massudo e que se encaixasse na forma que eu queria entregar meu produto. Focamos em ser uma hamburgueria low cost para que todos possam ter a oportunidade de experimentar”, declarou. 

Desta forma, Giovanna criou uma identidade única ao Crow Burguer. “Todos nós carregamos uma história na cozinha, eu tento juntar os aprendizados herdados dentro casa com os aprendizados adquiridos em restaurantes. Tento sempre buscar e trazer pra mesa pratos com história, com uma harmonização que valorize as minhas raízes com um toque especial”, concluiu. 

Serviço

Crøw Burguer

Local: Almirante Wandenkolk, 565, Belém – PA

Horário: 19h00 às 23h30

Instagram: @crowburgerbr 

PEC da Igualdade Racial: Hélio Lopes não comparece à votação para realização da audiência que ele mesmo solicitou

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Foto: reprodução

A audiência pública que iria debater a Proposta de Emenda à Constituição nº 27/2024, conhecida como PEC da Igualdade Racial, foi retirada de pauta na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial (CDHMIR) da Câmara dos Deputados. A decisão ocorreu em 10 de setembro, porque o próprio autor do requerimento, deputado Hélio Lopes (PL-RJ), não estava presente na reunião deliberativa extraordinária, conforme registro da Câmara dos Deputados.

O requerimento havia sido protocolado em 2 de setembro e previa a realização de audiência pública para discutir os possíveis impactos da PEC, que cria o Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial (FNREPIR). A proposta prevê aportes da União estimados em R$ 20 bilhões ao longo de 20 anos, além de doações voluntárias, destinados a financiar políticas públicas voltadas à população negra, como educação, empreendedorismo e bolsas de estudo, segundo o Ministério da Igualdade Racial.

A ausência de Lopes foi criticada por lideranças e movimentos sociais, já que o parlamentar, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, defendeu a audiência com o argumento de que a PEC poderia provocar um “apagamento” da identidade parda. A justificativa foi contestada por especialistas, que lembram que desde o Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/2010) a categoria “negro” já inclui pretos e pardos, definição também adotada pelo IBGE e utilizada em políticas de cotas raciais.

Mesmo sem a audiência, a PEC segue em tramitação. O texto já foi considerado admissível pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e deverá ser analisado em comissão especial antes de chegar ao plenário. Caso seja aprovado, seguirá para o Senado.

A PEC da Igualdade Racial tem sido alvo de fake news nas redes sociais, onde passou a ser chamada equivocadamente de “PEC dos pardos”. O Ministério da Igualdade Racial esclareceu que o texto não cria novas categorias raciais, mas busca estabelecer um fundo de reparação histórica. Para a Uneafro, trata-se de “reparar o maior crime de lesa-humanidade da história” (Brasil de Fato).

PEC 27/2024: o que está em jogo na proposta de fundo para igualdade racial

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Foto: Getty Imagens

Nos últimos dias, circulou nas redes sociais a ideia de que a Proposta de Emenda à Constituição nº 27/2024, em análise no Congresso Nacional, seria uma “PEC dos pardos” destinada a unificar categorias raciais. A informação é falsa. O texto em discussão não tem relação com redefinição de identidade racial, mas propõe a criação do Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial (FNREPIR).

O que a PEC realmente propõe

Aprovada em sua admissibilidade pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, a PEC prevê que a União aporte recursos estimados em R$ 20 bilhões ao longo de 20 anos, além de permitir doações voluntárias. O fundo será utilizado para financiar políticas públicas de promoção da igualdade racial, como bolsas de estudo, apoio ao empreendedorismo e projetos de desenvolvimento econômico voltados à população negra.

De acordo com o Ministério da Igualdade Racial, a gestão será feita por um conselho misto, formado por representantes do poder público e da sociedade civil, com objetivo de garantir transparência e participação social (gov.br).

Pretos e pardos na lei

Outro ponto que gera desinformação é a interpretação sobre quem a PEC beneficiaria. O Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/2010) já estabelece que a categoria “negro” abrange pretos e pardos. Essa classificação também é usada pelo IBGE e em políticas afirmativas, como cotas raciais. Portanto, não há novidade na inclusão dessas categorias; a PEC apenas segue a definição legal já consolidada.

Por que importa

O debate em torno da PEC 27/2024 é estratégico para o futuro da reparação racial no Brasil. Organizações do movimento negro destacam que o fundo representa um marco histórico no enfrentamento das desigualdades estruturais deixadas pela escravidão e pelo racismo. Para a Uneafro Brasil, trata-se de “reparar o maior crime de lesa-humanidade da história” (Brasil de Fato).

Enquanto fake news tentam desviar o foco, a discussão central é sobre como o Estado brasileiro pode reparar financeiramente uma população historicamente prejudicada.

Fundador da primeira agência especializada em modelos negras no Brasil pede ajuda após complicações de saúde

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Foto: Reprodução/Instagram

Há quase três anos sem conseguir trabalhar por complicações de saúde, Helder Dias, fundador da HDA Models, a primeira agência especializada em modelos negras no Brasil, tem mobilizado as redes sociais pedindo ajuda para custear suas necessidades básicas. 

“Estou há dois anos e dez meses em tratamento no HC/InCor [Hospital das Clínicas e Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP], usando traqueotomia, não tenho como trabalhar por orientação médica e não estou falando”, escreveu em entrevista ao Mundo Negro, ao apresentar os laudos médicos das unidades de saúde. 

Portador de estenose laringotraqueal (ELT), doença que dificulta a passagem do ar para os pulmões e pode resultar em insuficiência respiratória, Helder mora sozinho em São Paulo, enquanto sua mãe mora sozinha na Barra dos Coqueiros, em Sergipe. “Diante desse momento delicado que me encontro, resolvi através das redes sociais, pedir socorro e ajuda, pois não tenho mais nada de dinheiro e estou passando necessidade”, relatou.

Neste momento, ele está aguardando realizar novos exames e procedimentos para fazer uma cirurgia torácica após passar por uma intubação prolongada depois do infarto sofrido em 2022, que o deixou em coma por mais de 40 dias. 

Foto: Divulgação

Na época, depois de receber alta da UTI, Helder agradeceu a amiga Angela Coelho por tocar uma música no celular, que o fez acordar logo na sequência. “A equipe médica do InCor e Hospital das Clínicas não tinha mais nada para fazer por mim, se eu não acordasse. Foi aí que veio aconteceu o MILAGRE de DEUS!”, descreveu nas redes sociais. 

No ano 2000, Helder Dias fez história ao fundar a HDA Models, a primeira agência especializada em modelos negras no Brasil. Apesar de estar fechada atualmente devido ao tratamento de saúde, no próximo dia 21 de setembro, será celebrado os 25 anos da agência. 

Dados bancários para ajudar:

Nome completo: Helder Dias Araújo 

Chave PIX: dias.was.joelma@gmail.com

Banco: Nubank

“ATENÇÃO: NÃO LIGUE, NÃO ESTOU FALANDO E NÃO TENHO COMO ATENDER. Muito obrigado, pela atenção e ajuda de todos vocês! Helder Dias Araújo”, destacou.

⁠”Coisa de Rico” e as bolhas sociais que sustentam o privilégio no Brasil: Reflexões sobre o livro de Michel Alcoforado

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Foto: Divulgação

O livro “Coisa de Rico”, de Michel Alcoforado, oferece uma análise profunda e provocadora sobre a mentalidade, os códigos sociais e os privilégios que moldam a elite brasileira. A obra desmistifica o conceito de meritocracia e expõe as estruturas históricas, econômicas e raciais que sustentam as desigualdades no Brasil, desmontando o discurso de que a ascensão social é fruto exclusivo do esforço individual.

Alcoforado contextualiza essas discrepâncias desde o período colonial, quando a sociedade brasileira foi estruturada sobre bases escravocratas e patriarcais. Essa herança não apenas definiu quem detém o poder e os recursos, mas também perpetuou barreiras simbólicas e práticas que garantem a manutenção dessas estruturas de privilégio.

Um dos pilares explorados pelo autor é a questão racial, um elemento intrínseco e determinante na composição dessa elite. Para além da riqueza material, a noção de pertencer a esse grupo social — ou, como colocado por Alcoforado, “ser dele” — envolve códigos de comportamento, traços físicos, sobrenomes e acessos que estão, historicamente, vinculados a um padrão branco e europeu. Essa realidade evidencia como, em muitos casos, o discurso de “igualdade de oportunidades” não passa de uma narrativa conveniente.

Alcoforado ilustra como a elite brasileira limita e filtra o acesso a seus círculos, utilizando não apenas o capital econômico, mas também símbolos de pertencimento que excluem os corpos e histórias que não se alinham aos seus. Pessoas negras e de classes sociais menos privilegiadas enfrentam barreiras que vão desde processos seletivos enviesados até a constante necessidade de comprovar legitimidade em espaços nos quais sua presença é uma exceção.

Para mim, em minha atual posição profissional, a leitura ressoou de uma forma muito particular. Me deparei com a certeza de que “eu não sou uma deles”: não tenho as melhores roupas, não moro nos melhores bairros, não tenho o sobrenome, o mestrado ou o doutorado na University X ou Y. Sinto na pele a dificuldade de furar bolhas, uma barreira que se agrava ainda mais pelas lentes da raça e do gênero. Você pode estar se perguntando: isso acontece no Terceiro Setor? Sim, aqui mesmo, um ambiente que depende do Primeiro e do Segundo Setor, onde quem se destaca e consegue circular com fluidez e certeza de continuidade dos projetos vem “deles” ou é “apadrinhado” por eles.

A raça como código social de exclusão

No Brasil, ser “de rico” não é apenas ter dinheiro, mas circular e ser aceito por um grupo que historicamente se construiu em torno da herança branca e elitista. Michel Alcoforado explora características como tom de pele, sobrenome e formação educacional preferencialmente em instituições internacionais de prestígio que operam como marcadores de inclusão neste grupo. Enquanto isso, indivíduos negros e periféricos são frequentemente invisibilizados ou enfrentam um isolamento que transcende o aspecto econômico, abrangendo valores simbólicos e culturais.

O livro aponta que a “bolha” descrita pelo autor não é permeável pelo mérito individual. Pelo contrário, o acesso é restrito por critérios que remontam a séculos de desigualdade institucionalizada. Para quem vive fora da bolha, o caminho não apenas é mais árduo e solitário, mas também está repleto de obstáculos que exigem esforços contínuos de adaptação e resistência.

Um convite à reflexão e ação

“Coisa de Rico” é muito mais do que uma observação sobre a elite econômica brasileira; é um estudo sobre privilégios, exclusão e as dinâmicas de poder que moldam a sociedade. Michel Alcoforado nos lembra que repensar essas dinâmicas é essencial para a construção de um país mais justo e igualitário. O livro não apenas questiona quem detém o poder, mas provoca os leitores a refletirem sobre o papel que cada um desempenha nesse cenário.

Para quem busca compreender como raça e classe se entrelaçam na criação das desigualdades no Brasil, esta é uma leitura imprescindível. A obra provoca discussões essenciais para que as estruturas sejam não apenas analisadas, mas desafiadas. Afinal, o verdadeiro progresso exige uma tomada de consciência e ações concretas para romper com as bolhas sociais que Alcoforado tão bem descreve.

Itamaraty disponibiliza acervo digital inédito sobre o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas

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Fotos: Museu Histórico e Diplomático @palaciodoitamaratyrj

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil concluiu a digitalização de documentos históricos do Museu Histórico e Diplomático, preservados pelo Arquivo Histórico do Itamaraty, lançando luz sobre uma das páginas mais marcantes da história brasileira: o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas no século XIX.

O acervo reúne cerca de 50 metros lineares de registros — mais de 25 mil páginas — que detalham aproximadamente 160 navios negreiros interceptados por forças navais britânicas, brasileiras e de outros países. Esses casos foram julgados pela Comissão Mista de Combate ao Tráfico em Serra Leoa, que funcionou entre 1815 e meados do século XIX.

Os documentos oferecem informações sobre as condições a bordo das embarcações, além de estratégias jurídicas e políticas utilizadas para tentar legitimar o comércio de pessoas escravizadas. Hoje, servem como fonte essencial para pesquisadores das áreas de História, Direito, Relações Internacionais, Memória Social e Direitos Humanos.

A iniciativa de digitalização do Itamaraty cumpre um papel crucial: preservar a memória histórica, democratizar o acesso aos documentos e incentivar pesquisas sobre essa etapa fundamental da história da diáspora africana.

O acervo está disponível gratuitamente no portal Itamaraty Digital: https://atom.itamaraty.gov.br/index.php/cmis

Afroesporte anuncia ‘Edição Estrelas’ com bolsa mensal e mentorias para atletas negros de alto rendimento

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A Afroesporte, em parceria com a Betano, anunciou a 4ª edição do Afroesporte Fund – Edição Estrelas, o primeiro fundo de apoio ao empreendedorismo no setor esportivo voltado para atletas negros. O programa oferece bolsa mensal de R$ 6 mil, mentorias, acompanhamento psicológico e uma formação prática com duração de 12 meses.

As inscrições ficam abertas de 8 a 21 de setembro de 2025, pelo site da Afroesporte, e são voltadas para atletas negros de alto rendimento, com 18 anos ou mais, de todo o país. Os candidatos devem ter disponibilidade para estar em São Paulo (capital) ao menos cinco vezes ao longo do projeto, especialmente atletas que desejam empreender no setor esportivo e ampliar presença digital.

Estrutura que garante permanência

Mais que apoio financeiro, o programa combina infraestrutura de permanência: bolsa mensal, mentorias e rede de suporte. “Num momento em que tantas marcas descontinuam times de diversidade, ter a Betano como parceira no combate ao racismo é ousado e inovador. Muitos atletas desistem por falta de condições, e sermos pioneiros em um programa que garante permanência com bolsa é uma conquista histórica”, afirma Mia Lopes, CEO da Afroesporte.

A iniciativa busca enfrentar um desafio estrutural: segundo pesquisa Esportes para Todos? (Serasa/Opinion Box), 39% dos atletas precisam trabalhar fora do esporte para se manter, e 32% apontam a falta de incentivos financeiros como obstáculo à carreira.

Quem avalia

A banca do júri reúne nomes de destaque no esporte e na comunicação, como Rafaela Silva, Fofão, Márcia Fu, Negrete, Neide Santos e Diego Moraes, além de especialistas da Afroesporte e da Betano.

Compromisso com reparação

Para a Betano, o apoio é um passo estratégico. “Sabemos quanto potencial pode ser desperdiçado por falta de apoio e acesso. Se queremos ser os grandes patrocinadores do esporte brasileiro, é preciso também que iniciemos ações que combatam desigualdades históricas”, destaca Fernanda Brunsizian, diretora de Comunicação e Responsabilidade Social da Betano.

Serviço — Afroesporte Fund (4ª edição)

  • Inscrições: 08 a 21 de setembro de 2025
  • Resultado: 01 de outubro de 2025
  • Aula de boas-vindas: 18 de outubro de 2025
  • Encerramento: 03 de outubro de 2026
  • Vagas: 10 atletas negros de alto rendimento
  • Benefícios: bolsa mensal de R$6.000, mentoria financeira, media training, acompanhamento psicológico, kit de boas-vindas e certificado
  • Formação: masterclasses ao vivo quinzenais (sábados, 13h–18h) nos cinco módulos temáticos
  • Inscrições online: www.afroesporte.com/fund4

Deusa Cientista aproxima a ciência descolonizada das pessoas negras e periféricas: “Faz parte da nossa história”

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Foto: Reprodução/LinkedIn

Kananda Eller, conhecida nas redes sociais como Deusa Cientista, tem aproximado a ciência de pessoas negras e periféricas. Somando mais de 500 mil seguidores no Instagram e no TikTok, a química e mestra em Ensino de Ciências Ambientais pela USP, explica que seu objetivo é mostrar que a ciência “faz parte da história delas e que elas podem se apropriar desse conhecimento para mudar a qualidade de vida delas”, disse em entrevista ao Mundo Negro. 

Desde o início da pandemia de covid-19, em 2020, Kananda ampliou seu conhecimento para as redes, levando informações científicas de forma acessível e descolonizada para comunidades que historicamente foram excluídas desse campo. “Trazer referências de intelectuais negros para alimentar o imaginário coletivo das pessoas negras de que elas são intelectuais, foi o que me fez ir pra internet.”

Além de trazer referências de pesquisadores negros, Kananda mostra como a química está presente no cotidiano, por exemplo, desmistificando produtos usados na desinfecção de alimentos e compartilhando dicas práticas para a rotina em casa.

Recentemente, ela entrevistou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, onde conversaram sobre o retrocesso da PL da Devastação, o perigo do Brasil para os ambientalistas, e a vulnerabilidade social das comunidades tradicionais. O encontro será disponibilizado em breve nas redes sociais da influenciadora. 

Leia a nossa entrevista completa abaixo:

MN: Como surgiu a ideia de tornar a ciência um território de representatividade, especialmente para pessoas negras e periféricas, nas redes sociais?

Deusa Cientista: A ideia de tornar-se acessível para pessoas negras e para comunidades periféricas surge assim, foi um processo. Eu tinha acabado de me formar em química, eu tinha estudado sobre formação de professor de química e como os professores relacionavam química com essas discussões raciais e eu me deparei com muitas discussões sobre racismo científico. Então eu percebi que o meu lugar seria muito mais interessante na internet do que na sala de aula, porque eu conseguiria trazer referências para professores e consequentemente também pra comunidade negra, pra comunidade periférica de como discutir a ciência para nossa comunidade. E aí quando veio a pandemia, foi aquele momento em que todo mundo tava falando sobre ciência, né? A maioria das pessoas da minha própria comunidade também vinham até mim, querendo entender sobre o que estava acontecendo, e eu comecei a fazer esse trabalho de aproximação da ciência das pessoas para que elas entendam que isso é algo que faz parte delas, faz parte da história delas e que elas podem se apropriar desse conhecimento para mudar a qualidade de vida delas. Durante a pandemia, a maioria dos divulgadores científicos, até hoje, essa comunidade ainda é muito branca. Então, trazer referências de intelectuais negros para alimentar o imaginário coletivo das pessoas negras de que elas são intelectuais, que houveram muitos intelectuais e que elas podem continuar produzindo conhecimento para que a gente não morra dentro desse lugar do pensar, do escrever, foi o que me fez ir pra internet.

MN: Durante esse período enquanto cientista e criadora de conteúdo, houve algum momento mais específico que para você reforçou a importância da divulgação científica de forma acessível?

Deusa Cientista: Eu venho de uma trajetória que eu sou do subúrbio de Salvador em Plataforma. Lá eu tinha um pré-vestibular social e nesse pré-vestibular social, a gente dava aula para que os estudantes pudessem acessar as universidades. Eram aulas gratuitas. Eu era professora de química, me formei assim como professora na prática. Nesse pré-vestibular, isso foi muito marcante para a minha trajetória. Quando eu fui para a internet, eu entendi que o meu lugar estava mais no lugar de trabalhar para essa opção pública, de ajudar, compartilhar ou trabalhar junto com a cultura do país, de trazer pro imaginário coletivo das pessoas essa ideia sobre essa ciência na perspectiva acessível, descolonizada. E eu vou para diversos lugares para fazer isso, para as escolas públicas. Até nas universidades públicas, porque isso não é uma coisa que a gente aprende na universidade. Se a gente aprendesse, eu não teria estudado isso fora dela, eu teria estudado dentro da universidade. Já fui para espaços, onde jovens, adolescentes, cumprem medidas socioeducativas para falar sobre ciência, para falar sobre esse imaginário, trazer referências de representatividade para essas pessoas e tornar a ciência mais acessível. Até a forma, a linguagem que eu utilizo, tudo isso são estratégias que eu vou usando para deixar as coisas mais fáceis, para mostrar que não é um bicho sete de cabeça, para tornar a ciência mais próxima das pessoas. Porque a ciência, essa ciência ocidental, ela se colocou muito no pedestal, ela se distanciou da comunidade. E isso espalha muito a gente, né, em cenários, por exemplo, como foi a pandemia, em que ficou fácil também desconfiar da ciência em alguns momentos do movimento antivacina, muita desinformação, muitas notícias falsas. Então, quando a gente tá próximo, quando a gente entende como que é, quando a gente entende que a gente faz parte disso também, fica muito mais fácil de se trabalhar junto com a população, que hoje no Brasil é maioria negra.

MN: Como enxerga o papel da ciência na luta por equidade e inclusão social?

Deusa Cientista: Eu acredito que a ciência, a filosofia, ela pensa e teoriza muito as formas da gente se comportar, viver no mundo. Então, a ciência é muito importante para que a gente consiga melhorar a qualidade de vida das pessoas, para que a gente tenha uma sociedade mais equânime. Então, pensar uma ciência que sirva ao povo, pensar uma ciência que traga respostas pro povo. Eu vejo, por exemplo, uma vez eu estive no Rio Grande do Sul para fazer uma palestra na universidade lá e aí tinha uma mãe de santo de uma ilha em Porto Alegre. E antes de acontecer o desastre ambiental, a casa dela já tinha sido inundada. Ela tava mostrando lá na universidade Unisinos, como que a casa dela estava inundada, a água passava, chegava perto do topo da geladeira. E ela falou assim: “Cadê a ciência que não tava aqui para me avisar que a casa ia alagar?” Então assim, quando a gente tem a inserção de jovens negros nas universidades, jovens, adultos, mais velhos, nas universidades, a gente tem uma demanda maior pela discussão sobre a comunidade negra que era esquecida pela ciência. Então, se a gente não tem dados sobre a comunidade negra que discrimine, que entenda que as pessoas negras são mais afetadas em termos de saúde, educação, aprendizagem, qualidade de vida, impactos ambientais, a gente não vai ter como criar políticas para essa comunidade, porque ela é invisível aos dados científicos e invisível ao que a gente tá pensando. Se a gente não sabe, a gente não tem como resolver o problema. Então, a ciência tem que partir desse princípio, de entender, de não negar mais a existência de pessoas negras, tanto na produção de conhecimento científico quanto nos dados, de não usar os nossos corpos como objeto, como a eugenia fez, de usar os corpos de pessoas negras como objeto e trazer respostas para ciência e fingir que aquelas pessoas não existem ou que não eram pessoas. E a gente precisa ter muito cuidado porque isso ainda acontece hoje em outra proporção. Então, a ciência vai trazer mais qualidade de vida para as pessoas, ela vai trazer mais dados e respostas para que a gente consiga trazer uma qualidade de vida e uma vida plena para as pessoas negras.

MN: Que impacto você percebe que seus conteúdos tem na autoestima e no senso de pertencimento de cientistas negros e negras? 

Deusa Cientista: A gente costuma estudar no marketing o público alvo e os públicos que a gente tá atingindo, mas eu sou muito feliz de ver que tem crianças e tem idosas e tem pessoas da minha idade que se afinam e que são impactadas com o meu conteúdo. Então as crianças conseguem criar no imaginário dela a existência de cientistas negras. E isso faz elas terem orgulho de quem elas são. Não veem elas mais somente com a corda no pescoço quando aparece nos livros didáticos, na aula de história durante a escravidão e acabou. Elas sabem que existe uma perspectiva de futuro para elas e que elas fazem parte desse futuro. Para muitas mulheres mais velhas, elas veem o quanto os sonhos se passaram pela frente delas por causa da violência do racismo, do machismo, enfim. Então, quando elas veem, elas falam assim: “Ah, eu quero voltar para a universidade”. Já vi muitas histórias de pessoas que falaram que estavam voltando pra universidade depois que viram o meu conteúdo. Para as pessoas que estão ainda na universidade, elas também são violentadas até hoje. Porque esse processo de desigualdade, de poucos orientadores negros, de não ter um letramento racial nesses espaços, existe uma disputa muito grande. Isso afeta a nossa autoestima, afeta a nossa vontade de permanecer, afeta a nossa vontade de pesquisar sobre nós mesmas. Então, quando você entende que o que você pensa, o que você vive é válido, é importante, existem pessoas que estão fazendo isso também, a gente se sente forte, a gente se sente capaz de continuar a nossa história, dar continuidade ao que a nossa ancestralidade fez. Então, eu sinto que é sempre um reforço dessa autoestima, o meu conteúdo para comunidade negra.

5 – Recentemente, você entrevistou a ministra Marina Silva. Como surgiu essa oportunidade e que reflexões você trouxe neste contato com a Ministra do Meio Ambiente?

O convite chegou através da comunicação do governo federal brasileiro e eles chamaram alguns influenciadores para fazer uma série de vídeos entrevistando a ministra Marina Silva e vai lá no perfil deles, no nosso. Foi um momento muito enriquecedor, a ministra Marina Silva tem uma trajetória longa na política e ela é muito profunda nas coisas, tudo o que ela vive. Ao mesmo tempo muito poética e muito conhecedora assim do trabalho de base, da política real e enfim de outros setores da sociedade no geral. A minha pergunta com ela foi com foco na educação para falar um pouco sobre a PL da Devastação que foi um retrocesso no Brasil, falar um pouco sobre desmatamento. Para finalizar, eu falei sobre o Brasil ser um país perigoso para os ambientalistas. Eu trouxe essa discussão junto com ela, que ela também entende e reafirma isso no discurso, dos indígenas, das comunidades quilombolas, dos catadores de materiais recicláveis, que são as pessoas que estão na base mesmo dessa discussão da sustentabilidade, do meio ambiente, e que são em sua maioria negros, indígenas, pessoas em vulnerabilidade social muitas vezes, porque elas nem sempre, essas comunidades tradicionais, estão em vulnerabilidade social, mas elas subsistem muitas vezes sem o apoio das políticas. E quando a gente tem um impacto os impactos ambientais chegam primeiro. Então eu pude discutir com ela sobre esse presente, porque quando a gente vai falar sobre sustentabilidade, fala muito que o planeta vai aquecer, que o nível da água do mar vai subir. Só que quando a gente vai falar sobre essas comunidades tradicionais, elas já estão vivendo isso agora. São comunidades que muitas vezes moram em territórios que ofertam água para cidades, para lugares onde o bioma já foi altamente devastado, e eles vivem uma lógica de existência ali que preserva esse meio ambiente. Mas ao mesmo tempo é muito comum você ver regiões, territórios assim que muitas vezes fornece a água para as cidades urbanas, os centros urbanos e as capitais, e que existe ali uma falta de água, uma escassez. Então, toda essa contradição da desigualdade social e do desequilíbrio ambiental. Então, quando a gente olha para a parte social, o desequilíbrio ambiental também tá aí nessa desigualdade. E foi isso que eu pude conversar com ela, tentei trazer esses aspectos.

A diversidade como motor econômico do Brasil

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Rachel Maia (Foto: Renato Pinheiro)

Por: Rachel Maia

Se as questões econômicas atravessam a todos nós, a diversidade e a expansão das políticas de inclusão também deveriam

Muito se tem falado sobre diversidade e inclusão nos últimos anos, especialmente nos contextos corporativo e acadêmico. Entretanto, uma pergunta essencial precisa ser feita: a quem, de fato, interessa a diversidade? Quem tem se articulado para que as políticas avancem para além do discurso e gerem impacto real na vida das pessoas e na economia do país?

Há quem pense que a diversidade é apenas uma pauta social, voltada a grupos historicamente marginalizados. Porém, ao observarmos os impactos econômicos e sociais da inclusão, percebemos que seu alcance é coletivo.

Estudos internacionais, como os da consultoria McKinsey, mostram que empresas com maior diversidade racial e de gênero são mais inovadoras e lucrativas. Isso ocorre porque diferentes experiências de vida ampliam a criatividade, aprimoram a resolução de problemas e fortalecem a capacidade de adaptação em mercados dinâmicos.

As pesquisas têm nos levado a uma reflexão: a diversidade como motor econômico. Sendo assim, precisamos sair da estagnação e partir para a ação. Não há o que discutir: somos múltiplos e precisamos de soluções que se materializem de acordo com a sociedade em que vivemos.

Economia, inclusão e as políticas de diversidade na sociedade contemporânea

Adriana Barbosa (Foto: Tiago Simas)

Adriana Barbosa, diretora executiva do Preta Hub, CEO e fundadora do maior evento de cultura e empreendedorismo negro da América Latina — o Festival Feira Preta —, tem sentido na pele as dificuldades impostas pela falta de investimentos estruturados e de políticas públicas consistentes. Esse vácuo limita o avanço do fomento e impede que a potência criativa e empreendedora da população negra se traduza em impacto pleno para a economia e para o futuro do país.

“As mudanças políticas no Brasil expõem uma disputa de projetos: enquanto alguns avançam na agenda de equidade racial, outros insistem em retrocessos que aprofundam a desigualdade. Para a população negra, cada decisão do Estado é também uma disputa de vida e de futuro”, afirma a CEO do Festival Feira Preta.

No Brasil, 56% da população — pessoas pretas e pardas — enfrenta barreiras persistentes no mercado, seja como empresárias, empreendedoras ou colaboradoras. Para esse grupo, o motor econômico está diretamente ligado à oportunidade.

Um exemplo é o Festival Feira Preta, que existe há mais de vinte anos e, em sua última edição, injetou cerca de R$ 14 milhões na economia — segundo dados da organização —, beneficiando diretamente 170 empreendedores negros e gerando aproximadamente 600 empregos temporários. Contudo, em 2025, o evento foi adiado por falta de patrocínio, o que evidencia a fragilidade do apoio financeiro a iniciativas que impulsionam a economia negra e a cultura empreendedora no país.

O potencial transformador do evento deveria ser motivo suficiente para sua expansão. No entanto, o hiato em sua realização representa não apenas a ausência de uma celebração cultural, mas também a invisibilidade de uma cadeia inteira de empreendedores, artistas, veículos de mídia e influenciadores negros. Essa interrupção fragiliza iniciativas que poderiam se articular de forma mais ampla para promover a autonomia financeira e fortalecer o protagonismo da população negra.

Construir uma sociedade mais justa e sustentável não é tarefa apenas de talentos negros. É também responsabilidade das empresas que querem crescer, dos governos que buscam estabilidade e da sociedade que almeja equidade. Para que mulheres, pessoas negras, indígenas, pessoas com deficiência e outros grupos tenham acesso a trabalho digno, educação e consumo, é necessário o engajamento de toda a sociedade.

O erro está em tratar a diversidade como um tema de nicho. Na realidade, ela constitui uma agenda de desenvolvimento nacional. A expansão das políticas de inclusão não apenas atende minorias, mas reposiciona o Brasil em termos de inovação, justiça social e prosperidade econômica.

Portanto, a diversidade interessa a mim, a você e a todos nós!

Lizzo abre o coração sobre relacionamento com Myke Wright: “Me apoia muito, ele cuida de mim”

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Foto: Phillip Faraone/VF25/Getty Images

Lizzo falou sobre o relacionamento com o comediante e músico Myke Wright em entrevista à New York Magazine, publicada nesta segunda-feira (8). A cantora compartilhou sobre a intimidade da relação e destacou o quanto se sente apoiada pelo parceiro.

“Sou muito grata por ter alguém que me apoia muito, que não me pede nada, nem precisa de nada de mim”, afirmou. Brincando com o início da relação, Lizzo disse que a história deles é um clichê de “amigos que viram amantes — ou talvez inimigos que viram amantes”.

Durante a entrevista, a reportagem descreveu o momento que Wright se juntou a Lizzo em uma sessão de violão improvisada. A artista acompanhou a canção ‘Love in Real Life’ e foi recebida com aplausos e elogios do namorado.

Lizzo e Wright se conheceram em 2016, quando coapresentavam o programa musical ‘Wonderland’, da MTV. Os rumores de romance começaram em 2021, após serem vistos juntos em Los Angeles. A confirmação veio em abril de 2022, e em junho o casal fez sua primeira aparição pública no tapete vermelho durante um evento do reality ‘Watch Out for the Big Grrrls’, da Amazon Prime.

Desde então, Lizzo não esconde a intensidade do relacionamento. Em entrevista à Vanity Fair, em novembro de 2022, ela disse que acredita em uma parceria duradoura: “As pessoas lutam pela monogamia como se rezassem por ela todos os dias. Eu não sou uma pessoa poliamorosa, não estou apaixonada por múltiplos parceiros. Isso não é comigo. Ele [Wright] é o amor da minha vida. Somos companheiros para a vida toda”.

A artista também já refletiu sobre casamento: “Será que eu quero me casar? Se eu quisesse abrir um negócio com ele, eu me casaria, porque é aí que as finanças se encaixam”, disse.

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