A Powerlist Mundo Negro – Mulheres Negras Mudam Histórias chega à sua quinta edição reconhecendo mulheres negras de destaque em diversos setores da sociedade. Entre as premiadas deste ano, está Conceição Evaristo sendo reconhecida na categoria Trajetória Transformadora, escolhida pelo Júri Técnico da Powerlist.
Escritora de obras consagradas como ‘Olhos d’água’ e ‘Canção para Ninar Menino Grande’, Conceição Evaristo também é pesquisadora e uma das vozes mais potentes da literatura brasileira contemporânea, com uma carreira marcada pelo compromisso em dar voz à ancestralidade, às vivências e às resistências das mulheres negras por meio de sua escrevivência. Suas obras oferecem uma contribuição inestimável para a literatura, para os estudos de gênero e raça, e para a reflexão sobre a identidade negra.
O prêmio na categoria Trajetória Transformadora reconhece mulheres que, por meio de sua história, criaram impacto social consistente e inspirador. A escolha de Conceição Evaristo pelo Júri Técnico reforça o reconhecimento de sua relevância e legado, evidenciando a importância de seu trabalho.
Reforçando o compromisso do Mundo Negro em dar visibilidade a histórias que inspiram e transformam, a edição de 2026 reconheceu as premiadas em duas frentes. O Júri Técnico, responsável por cinco categorias, foi formado por nove mulheres negras de destaque — incluindo a atriz Taís Araujo e a jornalista Flávia Oliveira—, que avaliaram critérios sólidos como impacto, consistência de carreira, relevância pública e inovação. A premiação contou ainda com a votação popular, que mobilizou milhares de votos na escolha de outras cinco categorias, garantindo um processo seletivo legítimo, representativo e plural.
Em 2026, a quinta edição da premiação conta com o patrocínio do Grupo L’Oréal, e da TV Globo, que assina a parceria com a marca de sua novela das seis, A Nobreza do Amor, reforçando ainda mais a relevância cultural e o alcance do evento.
A cerimônia oficial da Powerlist 2026 está marcada para o dia 31 de julho, no Rio de Janeiro, na sede da L’Oréal Brasil, integrando as celebrações do Julho das Pretas, Latino-Americanas e Caribenhas. O encontro reunirá as homenageadas, executivas, artistas, lideranças e representantes de marcas parceiras comprometidas com o avanço da equidade racial e de gênero no país, consolidando o evento como referência nacional no reconhecimento de mulheres negras que mudam histórias.
Todas as vencedoras da Powerlist 2026 serão divulgadas amanhã, 1º de julho, nos canais oficiais do Mundo Negro.
Sobre o Prêmio
Criada em 2022, a Powerlist Mundo Negro nasceu para reconhecer e celebrar o protagonismo de mulheres negras que transformam o Brasil com suas trajetórias. Em sua quinta edição, o prêmio se consolida como um dos eventos mais aguardados do calendário de diversidade e inovação, reunindo representantes de diferentes setores e marcas em prol da equidade racial.
Projeto de interiores assinado pela arquiteta Gabriela Branco, valoriza referências afro-brasileiras e objetos que contam a trajetória dos moradores.
O apartamento de 110 m² onde vivem os criadores de conteúdo Maycon Cabral, de 27 anos, e Matheus Galdino, de 31, no Grajaú, Zona Norte do Rio de Janeiro, passou por uma transformação que priorizou identidade, funcionalidade e acolhimento sem recorrer a mudanças estruturais. Com curadoria da arquiteta Gabriela Branco, em parceria com a Westwing, o projeto apostou em mobiliário, obras de arte, plantas e uma seleção cuidadosa de objetos para construir um ambiente pensado tanto para o cotidiano quanto para a produção de conteúdo audiovisual.
A proposta concentrou esforços na ambientação, preservando a estrutura existente e criando uma nova atmosfera por meio da decoração e da organização dos espaços.
A sala, integrada em dois ambientes, tornou-se o centro da casa. É onde o casal recebe amigos e familiares, trabalha em projetos criativos e realiza gravações para as redes sociais. O desafio era fazer com que o apartamento transmitisse a sensação de permanência e conforto sem abrir mão da praticidade exigida pela rotina de quem produz conteúdo.
Segundo os moradores, a curadoria de móveis e objetos permitiu que cada espaço desempenhasse múltiplas funções sem comprometer a identidade visual do apartamento. A escolha de materiais naturais, como madeira e palhinha, reforça essa proposta ao criar uma base neutra, aconchegante e atemporal.
A paleta de cores segue a mesma lógica. Tons claros predominam nos ambientes e recebem pontos de contraste em locais estratégicos. No hall de entrada, a pintura em arco na cor Calcita Alaranjada, da Suvinil, marca a chegada ao apartamento e estabelece um elemento de personalidade logo na entrada.
Arte que dialoga com memória e cultura
A presença da arte ocupa um papel central no projeto. Em vez de funcionar apenas como elemento decorativo, as obras ajudam a contar a trajetória dos moradores por meio de viagens, experiências e referências culturais.
Entre os destaques está uma reprodução oficial de Portrait de Madeleine (1800), da artista francesa Marie-Guillemine Benoist, adquirida durante uma visita ao Museu do Louvre, em Paris. A pintura retrata Madeleine, uma mulher negra nascida em Guadalupe, e permanece como uma das obras mais conhecidas sobre representação negra na história da arte europeia.
Outra peça incorporada ao projeto é uma escultura em terracota produzida por artesãos de Japaratinga, em Alagoas. O trabalho valoriza a produção artesanal brasileira estabelecendo um diálogo com formas inspiradas na estética afro-brasileira.
No hall de entrada, um quadro do artista baiano Ray Bahia aproxima o apartamento das referências culturais de Salvador ao retratar personagens e elementos marcantes da cultura afro-baiana. Já na sala de estar, a obra Remador, de Reinaldo Giarola, complementa a composição visual com uma linguagem que enfatiza movimento e fluidez.
Plantas e materiais naturais reforçam sensação de acolhimento
A vegetação que ornamenta o local também participa da construção dessa atmosfera. Espada-de-São-Jorge, Espada de Iansã, Zamioculca, Areca-bambu e Comigo-ninguém-pode foram distribuídas pelos ambientes com o intuito de expandir a conexão com elementos naturais e contribuir para uma composição leve.
Entre os móveis, a mesa de centro Aura, produzida em madeira com palhinha sextavada, assume protagonismo na sala de estar. O restante da decoração acompanha essa linguagem com sofá em boucle, rack em madeira, luminárias, cerâmicas e peças de design que equilibram textura, funcionalidade e conforto.
Embora pensado para atender às demandas de gravação e produção de conteúdo, o apartamento preserva sua função principal como espaço de convivência acolhedor e autêntico. Cada escolha busca refletir a identidade dos moradores sem descaracterizar a simplicidade da proposta, como explicam Maycon Cabral e Matheus Galdino:
“A intenção foi criar um ambiente acolhedor, com sensação de casa mesmo dentro de um apartamento, equilibrando descanso, convivência e uma estética mais contemporânea, sem perder leveza […] Na decoração, foram incorporadas peças com valor afetivo e narrativo, vindas de viagens e do acervo pessoal dos moradores, contribuindo para um espaço mais autoral e com identidade.”
Padrões numéricos, datas e repetições históricas circulam nas redes sociais conforme a Seleção avança na Copa do Mundo de 2026
A Seleção Brasileira segue viva na Copa do Mundo de 2026 após vencer o Japão por 2 a 1, na segunda-feira (29), em Houston, resultado que garantiu a vaga nas oitavas de final pelos 32 avos de final do torneio. O time de Carlo Ancelotti havia terminado a fase de grupos na liderança do Grupo C, com sete pontos somados em dois triunfos e um empate diante de Marrocos, Haiti e Escócia, repetindo o desempenho da campanha de 1994, quando também avançou na primeira colocação de sua chave antes de erguer a taça nos Estados Unidos.
Enquanto o torneio segue para a fase eliminatória, torcedores espalham nas redes sociais uma série de coincidências numéricas e históricas que, segundo eles, apontam para a conquista do sexto título mundial.
O jejum que nunca passou de 24 anos
O Brasil acumula 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo, contados desde o pentacampeonato de 2002, e essa marca chama atenção por nunca ter sido ultrapassada na história da Seleção. O mesmo intervalo separou o tricampeonato de 1970 do tetracampeonato de 1994, período em que o Brasil também enfrentou um jejum recorde até quebrá-lo justamente nos Estados Unidos. A coincidência ganha força entre os torcedores porque 2026 representa exatamente a marca do tempo limite histórico sem título.
As sedes onde o Brasil já foi campeão
A relação entre as sedes do torneio e conquistas anteriores também alimenta a expectativa popular. A Copa de 2026 é disputada em três países, Estados Unidos, México e Canadá, sendo a primeira edição da história a reunir tantas sedes simultâneas. México e Estados Unidos têm relação direta com títulos brasileiros, já que a Seleção venceu o tricampeonato em solo mexicano, em 1970, e o tetracampeonato em território americano, em 1994. A final de 2026 está marcada para o MetLife Stadium, em Nova Jersey, reforçando entre os torcedores a ideia de que o continente americano costuma favorecer o desempenho brasileiro em decisões.
O ano que carrega o número do título
Uma das coincidências mais citadas nas redes envolve a relação entre o algarismo final do ano da conquista e o número de títulos acumulados pelo Brasil naquele momento. Em 1962, ano que termina em dois, o Brasil se tornou bicampeão, e em 1994, terminado em quatro, o time conquistou o tetracampeonato. O ano de 2026 termina em seis, número que corresponderia ao hexacampeonato caso a Seleção vença o torneio.
O Grupo C como caminho de campeões
A trajetória do Brasil pelo Grupo C reacende outra simetria histórica apontada pelos torcedores, já que a Seleção também disputou essa chave na campanha do pentacampeonato, em 2002. Desde então, o Grupo C acumulou outras seleções que se sagraram campeãs a partir dele, caso da França em 2018 e da Argentina em 2022, e o fato de o Brasil ter sido novamente sorteado nessa posição em 2026 surge entre os torcedores como mais um indício favorável.
A sequência alfabética que pode ser quebrada
Nas últimas três edições da Copa do Mundo, o Brasil foi eliminado por seleções cujo nome inicia com letras sequenciais do alfabeto, sendo a Alemanha responsável por encerrar a campanha brasileira em 2014, a Bélgica em 2018, e a Croácia nos pênaltis em 2022. Como nenhuma seleção classificada para 2026 tem nome iniciado pela letra D, torcedores apontam que a sequência seria interrompida nesta edição, livrando o Brasil de um padrão que se repetiu nas três últimas tentativas.
Inovações da FIFA e os títulos brasileiros
Mudanças estruturais promovidas pela FIFA ao longo das edições também aparecem como ponto de conexão entre os torcedores mais atentos. A primeira transmissão internacional via televisão, em 1958, coincidiu com o título inaugural da Seleção, assim como o novo critério de desempate por saldo de gols, em 1962, a estreia dos cartões amarelo e vermelho, em 1970, e a mudança na pontuação por vitória, em 1994, anos em que o Brasil também foi campeão. A Copa de 2026 representa a maior reformulação recente do torneio, com a expansão para 48 seleções e a primeira edição sediada por três países simultaneamente.
A pior fase nas Eliminatórias, antes e agora
A trajetória conturbada do Brasil nas Eliminatórias Sul-Americanas integra outra camada da lista de coincidências. Antes do título de 2002, a Seleção protagonizou a pior campanha classificatória de sua história até aquele momento, marcada pela saída de Vanderlei Luxemburgo e pela passagem instável de Emerson Leão, substituído por Luiz Felipe Scolari poucos meses antes da Copa. O ciclo rumo a 2026 superou aquele recorde negativo, com quatro técnicos diferentes no comando e a pior campanha eliminatória da história brasileira, mesmo com a vaga garantida ao final do processo.
A lesão que repete o mesmo clube
Um paralelo específico chamou atenção pela coincidência de clube entre dois episódios de lesão em vésperas de Copa. Em 2002, o capitão e titular Emerson sofreu uma luxação no ombro durante um treino recreativo antes do torneio e precisou ser substituído por Ricardinho, e em 2026, o lateral Wesley sofreu uma lesão muscular na coxa em amistoso pré-Copa e também foi cortado da convocação, repetindo a situação de Emerson justamente atuando pelo mesmo clube em que o ex-jogador defendia à época, a Roma, da Itália.
Os 32 anos que separam os títulos
Outra simetria numérica reforça o argumento dos torcedores mais atentos às datas, já que entre o bicampeonato de 1962 e o tetracampeonato de 1994 transcorreram exatamente 32 anos, intervalo idêntico ao que separa o tetra de 1994 do ano de 2026.
Ancelotti repete a cena de 1994, agora do outro lado
A trajetória pessoal do técnico italiano Carlo Ancelotti também entra na lista de coincidências citadas nas redes. Ele integrava a comissão técnica da Itália na final de 1994, justamente a partida em que o Brasil encerrou um jejum de 24 anos e conquistou o tetracampeonato, e agora, no comando da Seleção Brasileira, volta a estar associado a uma campanha que busca repetir o mesmo intervalo histórico sem título, ainda que dessa vez do lado oposto.
Remo voltou à elite depois de 31 anos
O futebol de clubes também entrou na lista de coincidências, já que o Remo, do Pará, retornou à Série A do Campeonato Brasileiro em 2026 após 31 anos de ausência, e sua última participação na elite havia ocorrido justamente em 1994, ano da conquista do tetracampeonato pela Seleção.
A foto que intrigou os torcedores
Um registro fotográfico também circulou entre os torcedores como suposto indício da data da final. A imagem de Endrick, Vinícius Júnior e Rayan comemorando após o jogo contra a Escócia foi associada por internautas a uma leitura numérica que apontaria, segundo a interpretação popular, para o dia da decisão da Copa de 2026.
A fase eliminatória do torneio segue com o Brasil entre os favoritos ao título, e a expectativa entre os torcedores brasileiros é que as treze coincidências reunidas nas redes sociais se confirmem dentro de campo nas próximas semanas.
Capela dos Aflitos, marco da presença negra na Liberdade, em São Paulo, reabre após reforma e antecede exposição sobre o bairro no Museu do Ipiranga.
A capela Nossa Senhora das Almas dos Aflitos, erguida em 1779 no bairro da Liberdade, em São Paulo, foi reinaugurada no sábado (27) após reforma, reunindo representantes de diferentes religiões e etnias no entorno do templo. A capela está ao lado do cemitério de mesmo nome e é considerada um dos marcos mais antigos da presença negra na região, anterior à chegada das comunidades japonesa, chinesa, italiana e alemã que também se fixaram no bairro ao longo de mais de dois séculos.
A presença negra na Liberdade remonta a um período anterior aos ciclos migratórios do século XX que hoje definem a identidade visual do bairro. Durante a escravidão, a região concentrava espaços associados à punição e à morte, entre eles a Casa de Pólvora, que armazenava o arsenal da cidade, além da forca e do pelourinho, o que afastou as elites paulistanas de construir residências na área, segundo o diretor do Museu do Ipiranga, Paulo Garcez. “Era um lugar de tortura, morte e risco”, afirma Garcez, acrescentando que mesmo a proximidade com o centro da cidade não atraiu investimentos das classes mais altas.
A capela dos Aflitos integra um conjunto de referências da presença negra na Liberdade que inclui também a Frente Negra Brasileira, organização fundada no bairro em 1931 e transformada em partido político em 1936, antes de ser extinta no ano seguinte, durante o Estado Novo. A entidade reuniu lideranças negras em torno de pautas de educação, trabalho e cidadania, em um dos episódios centrais da organização política da população negra no país na primeira metade do século XX.
A reabertura do templo acontece dias antes da estreia da exposição “Liberdade: Bairro Plural”, que o Museu do Ipiranga inaugura em 7 de julho com documentos, objetos e fotografias emprestados por 15 instituições. A mostra propõe um olhar sobre os diferentes grupos étnicos que formaram o bairro e busca romper com a leitura da Liberdade como território exclusivamente japonês, segundo a curadoria.
A associação do bairro à cultura japonesa se consolidou a partir de 1974, quando a prefeitura de São Paulo instalou lanternas decorativas na rua Galvão Bueno com o objetivo de transformar a região em destino turístico. As primeiras famílias japonesas haviam se instalado na rua Conde de Sarzedas em 1912, mas o visual nipônico que hoje identifica o bairro só foi adotado décadas depois, por iniciativa da prefeitura. Chineses e taiwaneses já formavam parte expressiva da população local na época, comunidades que acabaram ofuscadas pela estética japonesa escolhida como marca visual da região.
Garcez avalia que a Liberdade concentra, como poucos bairros de São Paulo, a pluralidade dos grupos que formaram a cidade, processo que segue em curso com a chegada recente de imigrantes andinos, caribenhos e africanos atraídos pelo custo de moradia mais baixo da região em relação a outras áreas próximas ao centro.
A exposição “Liberdade: Bairro Plural” fica em cartaz no Museu do Ipiranga a partir de 7 de julho, com entrada sujeita aos valores e horários de funcionamento do museu.
Em uma decisão que pode criar um precedente histórico no Judiciário brasileiro, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o juiz Cesar Augusto Borges de Andrade. O magistrado é acusado de racismo religioso, e esta é a primeira vez no país que um membro da magistratura corre o risco real de perder o cargo devido a práticas racistas.
A denúncia que originou o processo foi apresentada pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO) e pelachef Solange Borges. O caso aconteceu em fevereiro deste ano, no Fórum de Camaçari (BA), quando o juiz ordenou a retirada da fotografia da sacerdotisa do Candomblé que fazia parte de uma exposição. Para justificar o ato violento contra a memória e a fé de matriz africana, o magistrado alegou a “preservação da laicidade do Estado”. No entanto, uma imagem de um santo católico foi mantida no mesmo espaço, evidenciando o caráter seletivo e discriminatório da decisão.
Ao abrir o PAD, o próprio tribunal baiano reconheceu que há indícios suficientes de que o princípio da laicidade foi instrumentalizado para atingir e invisibilizar as religiões de matriz africana.
Para o Dr. Hédio Silva, advogado de Solange Borges e presidente do IDAFRO, a abertura do processo é um divisor de águas, mas também escancara a urgência de uma reforma estrutural na formação dos juízes brasileiros. “Pela primeira vez na história um juiz poderá perder o cargo por prática de racismo. Enquanto o Judiciário não investir nas provas dos concursos públicos, nos processos seletivos de juízes e no aprimoramento da formação dos magistrados, vamos continuar recorrendo às sanções. Ninguém comemora ver um juiz perder o cargo por qualquer razão que seja. Mas, enquanto não houver um trabalho preventivo, sobretudo de qualificação e formação dos magistrados, continuaremos utilizando o PAD, as representações criminais e o direito penal para combater as práticas racistas.”
O advogado destaca, ainda, que a relevância do processo ultrapassa a responsabilização individual do magistrado e alcança a própria atuação institucional do Poder Judiciário. “Este processo afirma que o princípio da laicidade não pode ser manipulado para invisibilizar religiões de matriz africana enquanto símbolos de outras tradições permanecem naturalizados nos espaços públicos. Quando a seletividade recai justamente sobre expressões religiosas afro-brasileiras, não estamos diante de um debate abstrato sobre neutralidade do Estado, mas de um caso concreto de racismo. A abertura do PAD demonstra que o Judiciário também precisa responder aos parâmetros constitucionais de igualdade.”
Historicamente, magistrados que cometiam faltas graves eram “punidos” com a aposentadoria compulsória — mantendo seus vencimentos intactos. Mas com as recentes alterações nas sanções disciplinares da magistratura, a perda definitiva do cargo tornou-se uma realidade palpável para casos de extrema gravidade, como o crime de racismo.
Evento gratuito ocupa a Pequena África entre 3 e 5 de julho com gastronomia, quadrilhas, brincadeiras juninas e estreia do documentário Pretonomia
A Pequena África, no centro do Rio de Janeiro, será palco de três dias de celebração da cultura afro-brasileira durante o Arraiá Gastronomia Preta 2026. Idealizado pelo pesquisador Breno Cruz como parte das ações do Festival Gastronomia Preta, o evento acontece entre os dias 3 e 5 de julho, no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), reunindo gastronomia, manifestações da cultura popular, atividades para crianças e adultos e o lançamento do documentário Pretonomia.
Com entrada gratuita, mediante retirada antecipada de ingressos, a programação reforça o papel da gastronomia como patrimônio cultural e espaço de preservação de saberes ancestrais presentes na formação da culinária brasileira.
Pequena África recebe celebração das tradições afro-brasileiras
Segundo Breno Cruz, a escolha do Muhcab ocupa um lugar simbólico na história da iniciativa por ter sediado a primeira edição do Prêmio Gastronomia Preta.
Localizado na Pequena África, território que reúne importantes marcos da presença negra na cidade do Rio de Janeiro, o espaço fortalece a relação entre memória, cultura, identidade e produção de conhecimento. A realização do evento nesse contexto expande o diálogo entre as festas juninas e as contribuições afro-brasileiras para a construção dessas manifestações culturais.
Documentário apresenta trajetória do projeto Pretonomia
A abertura do Arraiá acontece na sexta-feira (3), às 16h, com uma sessão especial de lançamento do documentário “Pretonomia”. A produção reúne relatos de participantes do projeto de extensão desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), iniciativa voltada à formação de profissionais para os setores de alimentação, bebidas e hospitalidade.
O filme registra experiências de estudantes e participantes ao longo dos últimos três anos e apresenta os impactos da formação em suas carreiras, evidenciando o acesso à qualificação e ao fortalecimento de redes no setor gastronômico.
Após a exibição, o público poderá participar do início oficial da programação junina, que segue até as 22h, com apresentações de quadrilhas e atividades culturais.
Gastronomia com heranças afro-brasileiras
Durante o sábado (4) e o domingo (5), a programação começa ao meio-dia, apresentando feira gastronômica, quadrilhas, bingo e brincadeiras tradicionais.
O cardápio busca valorizar práticas alimentares transmitidas entre gerações, destacando receitas presentes nas festas juninas e pratos ligados à cozinha de terreiro. Entre eles estão xinxim de frango, canjiquinha com costela, cuscuz recheado, vaca atolada, milho cozido, chica doida, cachorro-quente, além de doces como canjica, curau com cocada, bolo de milho com queijo e goiabada, brigadeiro de milho, pé-de-moça e gumbe, sobremesa de origem africana.
Cultura, memória e território
Realizado em um equipamento cultural dedicado à preservação da história e da cultura afro-brasileira, o Arraiá Gastronomia Preta reafirma a conexão entre gastronomia, educação e patrimônio cultural.
Ao ocupar a Pequena África, território historicamente marcado pela presença e produção cultural negra, o Arraiá Gastronomia Preta busca conectar gastronomia, educação e patrimônio cultural, promovendo atividades abertas ao público e contribuindo para ampliar o reconhecimento dos saberes afro-brasileiros em diversos setores.
O evento é realizado pelo Festival Gastronomia Preta, Pretonomia e SAV Social, com apoio do Muhcab, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), da TV Globo e da plataforma O Que Fazer no Rio. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados antecipadamente pela plataforma Sympla.
Encontre mais informações no perfil oficial do evento @festivalgastronomiapreta.
Com foco nas vivências da juventude negra e periférica, a série ficcional dramática “Noiz por Noiz” entra em fase de desenvolvimento trazendo um time de peso do audiovisual negro brasileiro. Dirigida por Luh Maza(“Da Ponte Pra Lá”) e escrita por Akin e Alessandro Pereira, a produção acompanha a trajetória de Marcos, Imani e Samanta, três amigos inseparáveis que vivem na Favela do Adeus. Unidos pelos sonhos e pelos desafios cotidianos, os protagonistas buscam se estabelecer em profissões autônomas, numa tentativa de romper com a CLT e construir novas perspectivas de futuro por meio do próprio trabalho.
A produção, que se conecta diretamente com a cultura urbana e o SLAM (batalha de poesia falada), reúne nomes fundamentais do setor. A preparação de elenco fica sob a responsabilidade de Matriarcak e Eduardo Silva, que também integra o elenco da obra ao lado de Inara Santos.
Inara já demonstrou seu talento integrando produções de grande alcance como as séries “Manhãs de Setembro” e “Pico da Neblina”, além do aclamado longa “7 Prisioneiros”. Já Eduardo Silva carrega no currículo mais de quatro décadas de uma trajetória no audiovisual, com passagens por obras como “Quilombo”, “Castelo Rá-Tim-Bum”, “Carcereiros” e “3%”, tendo como trabalho mais recente a nova temporada de “Sessão de Terapia”.
A criação de “Noiz por Noiz” é fruto do talento de Akin, artista PCD, ator, roteirista e diretor natural de Diadema, no ABC Paulista. Crescido na periferia, Akin iniciou sua caminhada no audiovisual como figurante e, a partir desse espaço, pavimentou sua carreira como ator e desenvolvedor de projetos autorais. Seu primeiro papel de destaque na atuação foi na série “Quando Ela Desaparecer”, produção original do Globoplay que aguarda estreia.
Atualmente em fase de desenvolvimento, a equipe de “Noiz por Noiz” está em busca de patrocinadores, investidores e de uma produtora audiovisual que queira somar forças ao projeto, com o objetivo de viabilizar a produção e ampliar o alcance de narrativas urgentes sobre a juventude negra, a cultura urbana e a potência da arte independente.
Em entrevista ao podcast de Keke Palmer, atriz descreveu décadas vivendo com transtorno bipolar não diagnosticado, a resistência ao tratamento e o trabalho que transformou sua relação com a própria saúde
Jenifer Lewis, atriz com mais de 250 episódios de televisão e 60 filmes, falou abertamente sobre o transtorno bipolar que a acompanha desde a juventude e que, por anos, permaneceu sem diagnóstico e sem tratamento. Em entrevista ao podcast “Baby, This Is Keke Palmer”, Jenifer Lewis, atriz com mais de 250 episódios de televisão e 60 filmes, falou abertamente sobre o transtorno bipolar que a acompanha desde a juventude e que, por anos, permaneceu sem diagnóstico e sem tratamento. Em entrevista ao podcast “Baby, This Is Keke Palmer”, Lewis descreveu como o estado maníaco não gerenciado afetou diferentes áreas da sua vida e afirmou que, durante esse período, não reconhecia o que vivia como um problema. “Nunca soube que era um problema. Eu achava que todo mundo era assim”, disse.
O transtorno bipolar é uma condição de saúde mental caracterizada por oscilações intensas de humor entre fases de mania, marcadas por euforia, impulsividade e energia elevada, e fases de depressão, com tristeza profunda e dificuldade de funcionar no cotidiano. Quando não tratado, pode comprometer relacionamentos, carreira e colocar a vida em risco. Lewis foi diagnosticada em 1990, aos 32 anos, depois de um colapso nervoso desencadeado pela epidemia de AIDS, período em que perdeu aproximadamente 200 pessoas do seu círculo próximo, em sua maioria homens gays que integravam os elencos da Broadway. “Você chegava em casa e três tinham morrido. Você chegava em casa e cinco tinham morrido na secretária eletrônica. Foi uma época que não fazia sentido, porque éramos jovens demais para vivenciar aquele tipo de morte”, relatou no podcast.
Foi uma amiga que a convenceu a buscar ajuda, embora Lewis admita que resistiu. “Eu fui chutando e gritando, porque eu a admirava. E você ouve as pessoas que respeita. Mas quando você está naquele estado maníaco, você não ouve ninguém. Você só quer estar no alto. Você quer ser vista. Há um desespero ligado a essa necessidade”, disse. A atriz ressaltou que o estado maníaco cria uma ilusão de controle que dificulta o reconhecimento do problema, e que a disposição para se tratar precede qualquer avanço. “Você tem que querer estar bem. As pessoas não têm paciência. Ficam dizendo ‘não gosto de como isso me faz sentir’. Mas se você quer acelerar num carro e matar alguém na estrada, acho que vale a pena levar um tempo para gerenciar esses remédios.”
Lewis ressaltou que não defende a medicação como único caminho, mas é enfática sobre buscar acompanhamento profissional. “Eu promovo o tratamento. Vá conversar com alguém. Se alguém te tocou, se alguém te abusou, e você não está falando sobre isso, vá buscar ajuda”, disse. A atriz também falou sobre a necessidade de paciência com o processo de ajuste da medicação, explicando que cada organismo responde de forma diferente e que desistir cedo é um dos maiores obstáculos ao tratamento eficaz.
A decisão de tornar públicas essas experiências, incluindo o transtorno bipolar, os abusos sofridos na infância por um pastor e os comportamentos compulsivos da fase sem tratamento, foi descrita por Lewis como uma escolha deliberada de servir a quem ainda não consegue nomear o que vive. “Você acha que eu queria contar ao mundo que tinha transtorno bipolar? Você acha que eu queria contar ao mundo todas essas coisas? Você não sabe por quê? Porque eu queria que você aprendesse com isso. Eu consegui tudo o que queria porque disse a verdade”, afirmou. Lewis documentou essa trajetória no memoir “The Mother of Black Hollywood” e prepara um show solo no qual revisita cada uma dessas passagens, que segundo ela será entregue como legado para as gerações mais jovens.
A coletânea vencedora do Prêmio Jabuti foi escolhida como primeiro título da Manifesto Library, inaugurada na Livraria Lello, no Porto, em Portugal.
“Olhos d’Água”, coletânea de contos da escritora mineira Conceição Evaristo publicada em 2014, foi escolhida como a primeira obra a ocupar as prateleiras da Manifesto Library, biblioteca criada pela cantora britânica Dua Lipa e inaugurada no sábado (27) na Livraria Lello, na cidade do Porto, em Portugal. O espaço é a primeira versão física do Service95 Book Club, clube de leitura mensal comandado pela artista e integrado à sua plataforma de cultura e comportamento, a Service95.
A Manifesto Library nasceu com um acervo dedicado a obras censuradas ou silenciadas ao redor do mundo, reunindo mais de 100 títulos. Entre eles estão “O Conto da Aia” (1985), de Margaret Atwood, e “Felon” (2019), de Reginald Dwayne Betts. Em comunicado à imprensa, Dua Lipa descreveu o espaço como “um santuário para livros que desapareceram, para autores cuja coragem desmascara estruturas de poder e controle, e para leitores que se recusam a aceitar que alguém diga quais livros eles podem ou não ler”. A cantora citou ainda obras banidas por distritos escolares por abordarem raça ou sexualidade, títulos com circulação restrita voltados ao público LGBTQIA+ e casos em que autores pagaram com a própria vida por suas palavras.
Foto: divulgação
Conceição Evaristo esteve presente na inauguração e registrou o momento em suas redes sociais. “Junto à recepção calorosa que recebi na Livraria Lello, na cidade do Porto, em Portugal, tive a grata surpresa de saber que o livro ‘Olhos d’Água’, de minha autoria, foi escolhido como a primeira obra a ocupar as prateleiras da Manifesto Library”, escreveu a autora no Instagram, descrevendo o acervo como dedicado a “vozes silenciadas e histórias esquecidas”, capaz de “preencher lapsos e vazios da história e da literatura”.
Publicada pela Editora Pallas em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional, “Olhos d’Água” reúne 15 contos que percorrem o cotidiano de mulheres e homens negros, abordando desigualdade racial, violência urbana e relações de gênero a partir de uma perspectiva enraizada na experiência afro-brasileira. A obra conquistou o Prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas em 2015 e, em 2025, foi listada entre os 25 melhores livros brasileiros do século XXI pela Folha de S.Paulo. Cinco dos sete livros publicados por Evaristo foram traduzidos para inglês, francês, espanhol, árabe e eslovaco.
A presença do livro em uma biblioteca europeia dedicada a obras censuradas posiciona a produção de Evaristo no debate global sobre acesso à leitura e liberdade de expressão. Em Portugal, “Olhos d’Água” é publicado pela editora Orfeu Negro, que lançou o título em 2024 ao lado de “Canção para Ninar Menino Grande”, romance mais recente da autora. A Manifesto Library funciona em caráter permanente em um dos andares da Livraria Lello, disponibilizando os títulos para leitura presencial pelo público.
Após o clima caótico da Batalha da Goela na estreia da nova temporada de ‘A Casa do Dragão’, hoje (28) estreia o segundo episódio da série na HBO Max, às 22h. Agora, Rhaena Targaryen (Phoebe Campbell) retorna sabendo que só atrapalhou seus aliados do Team Black ao aparecer no confronto montada em Sheepstealer. Mas será que ela ainda pode conseguir domesticar o dragão?
Na obra ‘Fogo & Sangue’, escrita por George R. R. Martin, o dragão selvagem é reivindicado por Nettles, personagem de origem humilde que constrói sua relação com a criatura aos poucos, sem qualquer vínculo com a dinastia Targaryen.
Sheepstealer, conhecido por roubar ovelhas dos habitantes da região de Pedra do Dragão, sempre foi retratado como um dragão indomável e imprevisível. Na série, essa característica segue em destaque logo na aguardada Batalha da Goela, quando Rhaena leva a criatura ao combate e percebe que o vínculo entre os dois ainda precisa ser bem estabelecido.
No livro, Nettles se aproxima de Sheepstealer com paciência, oferecendo ovelhas diariamente até conquistar a confiança do dragão. O gesto, além de simbólico, rompe com a lógica tradicional de que apenas Targaryens seriam capazes de controlar essas criaturas.
Na prática, isso significa que a relação entre Rhaena e Sheepstealer ainda precisa de mais tempo para amadurecer. A série, até aqui, sugere que a conquista da criatura não garante domínio absoluto, o que abre espaço para novos conflitos e instabilidade entre os aliados de Rhaenyra Targaryen na reivindicação ao Trono de Ferro.
Isso torna a trajetória de Rhaena um dos pontos mais sensíveis da temporada.
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