A Billboard anunciou na última quarta-feira, 21, que North West, filha do cantor Kanye West, estreou no Hot 100, ranking das músicas mais tocadas nas rádios e streamings, baixadas e vendidas, na semana nos Estados Unidos. North estreou oficialmente a carreira musical no dia 7 de fevereiro, com a música “Talking”, gravada em parceria com o pai e com o rapper Ty Dolla Sign.
A notícia foi compartilhada pelo perfil da Billboard no ‘X’, que revelou que a música está na 30ª posição das paradas norte-americanas: “North West ganha sua primeira entrada no #Hot100 esta semana, graças ao seu crédito de destaque em “Talking” (No. 30) de @kanyewest e @tydollasign.”, dizia a publicação, que também destacou que North se tornou a artista mais jovem a figurar a lista: “Aos 10 anos, ela é uma das artistas mais jovens a chegar às paradas”.
“Talking” integra o álbum ‘Ventures’, projeto lançado no dia 9 de fevereiro por Kanye West em colaboração com Ty Dolla Sign. A filha de Dolla Sing, Jailynn Crystal, também estrela o clipe, dirigido pelos irmãos D’Innocenzo, Damiano e Fabio.
Vai ficar uma bagunça. Vai ficar uma bagunça, sim, apenas me abençoe. Abençoe-me. É sua melhor amiga, senhorita senhorita Westie. Apenas tente me abençoar. Apenas me abençoe”, diz o verso cantado por North West na música.
MC Soffia está pronta para um novo capítulo em sua trajetória. Com muito trabalho e novas perspectivas profissionais no concorrido mercado musical, a rapper celebra 20 anos neste dia 20 de fevereiro. Nesse percurso, já são mais de 13 anos de carreira. Usando sua música como entretenimento, mas com muita consciência social e racial, Soffia já foi destaque no BET Awards, já foi reconhecida pela ONU, além de diversas nomeações internacionais.
Ao MUNDO NEGRO, a rapper diz que deseja muito mais e faz planos para a próxima década. “Tenho muitos sonhos e planos, mas também consciência de que a luta é grande. Mas sigo sempre em frente acreditando muito nos meus sonhos. Espero na próxima década ter conseguido furar a bolha e conquistados mais fãs no Brasil todo e estar com minha carreira internacional bem adiantada“, diz ela, que destaca ainda alguns dos maiores desafios em sua carreira. “O racismo e o machismo faz com que uma boa parte das rappers sejam invisíveis ou quase invisíveis. Mas sou muito resistente e não desanimo nunca“, conta ela.
Para 2024, Soffia já possui muitos planos e uma agenda repleta de compromissos. No final de 2023, a artista lançou a primeira parte de seu álbum ‘It Girl’. Agora, ela adianta detalhes do que podemos esperar nos próximos meses, incluindo uma super participação num longa-metragem. “Muita coisa boa, o lançamento da parte 2 do álbum It Girl, meu primeiro show no palco do Lollapalooza, que aliás, estou já planejando para dar tudo certo, já tenho um show internacional em Nova York e uma participação bem linda no filme ‘Tô de Graça’ que estreia em abril. E espero muitos shows pelo Brasil.
Inspirando outras jovens negras que também sonham em seguir carreira no mundo do hip-hop, Soffia diz que o segredo é ‘acreditar nos sonhos’. “Estudem, tenham paciência, mas nunca desistam”, pontua ela.
A cantora Normani anunciou nesta quarta-feira (21), a capa do seu debut álbum em carreira solo, intitulado ‘Dopamine’: “Chorando digitando isso agora”, escreveu na legenda da publicação, após alarmar o seu retorno musical ontem, ao apagar todas as fotos das redes sociais.
A ex-integrante do grupo musical Fifth Harmony prometeu o seu álbum de estreia em 2018, mas isso não ocorreu. Em 2021, ao falar sobre o projeto, ela revelou que o projeto estava finalizado. No entanto, ela lançou apenas seus dois singles de grande sucesso: Motivation (2019) e Fair (2022), deixando os fãs cada vez mais ansiosos.
A artista ainda divulgou o sitewheresthedamnalbum.com para pré-save, com indicação do lançamento em 2024, mas ainda sem data oficial.
Há um mês, durante uma entrevista ao Deadline, a cantora havia informado sua empolgação para lançar o álbum de estreia neste ano. “A capa está linda. Eu quero que esse projeto saia tanto quanto vocês. É a melhor música que eu já criei. Eu não poderia estar mais orgulhosa. Sei que quando sair vocês vão dizer: ‘certo, a espera valeu a pena’”, disse a cantora.
Snoopy apresenta: Bem-vindo ao lar, Franklin [Apple TV+]
Uma história de amizade ganha novo destaque com o lançamento do especial “Bem-vindo ao Lar, Franklin”, parte da saga dos Peanuts (Snoopy) disponível para os assinantes da AppleTV+.
Dirigido por Raymond S. Persi, conhecido por seu trabalho em “Os Simpsons” , o projeto mergulha na importância do personagem negro na narrativa. Não por acaso, o projeto foi lançado agora em Fevereiro, Mês da História Negra Americana.
Com coautoria de Robb Armstrong, criador da história em quadrinhos Jump Start, o especial oferece uma visão única sobre a inclusão e a diversidade na cultura pop. O enredo acompanha a trajetória de Franklin, desde sua primeira aparição na tira de Peanuts em 1968 até sua mudança para a cidade, explorando temas como identidade, amizade e aceitação.
Persi destaca a relevância histórica de Franklin na turma dos Peanuts, lembrando que sua inclusão ocorreu em um período marcado por convulsões sociais nos Estados Unidos. A criação do personagem foi uma resposta à solicitação da professora Harriet Glickman, que escreveu a Charles M. Schulz pedindo mais diversidade na série após o assassinato de Martin Luther King Jr.
“Naquela época da história dos EUA, estávamos passando por muitas convulsões sociais. O líder dos direitos civis, Martin Luther King Jr., acabara de ser assassinado”, observa Persi.
“Quando uma professora de Los Angeles chamada Harriet Glickman escreveu para Schulz e pediu-lhe para adicionar um personagem negro à tira, ele inicialmente relutou porque queria ter certeza de que estava sendo respeitoso. Depois de se convencer de que só ver um personagem negro representado na tira já seria algo positivo, ele decidiu criar Franklin.”
O diretor ressalta o cuidado em abordar a história de Franklin de maneira respeitosa e autêntica, buscando representar as experiências e desafios enfrentados pelo personagem negro. O especial não apenas celebra a diversidade, mas também destaca a importância da empatia e da compreensão mútua.
Ao refletir sobre os desafios do projeto, Persi enfatiza a importância de ouvir e incluir diferentes perspectivas na narrativa. Ele espera que o especial inspire o público a valorizar a diversidade e a buscar conexões genuínas uns com os outros, mantendo viva a mensagem de inclusão que sempre foi central na obra de Schulz.
Alice Carvalho, 27, atriz da série brasileira de sucesso ‘Cangaço Novo’, estreia na novela das 9, ‘Renascer’, da TV Globo, no capítulo desta quarta-feira (21), junto com outros três personagens. Ela interpretará Joana, papel vivido por Tereza Seiblitz na versão original, de 1993.
Segundo a descrição da Globo, Joana, mulher de Tião Galinha (Irandhir Santos), é uma moça humilde e trabalhadora. Apesar de apaixonada por Tião, sofre com os devaneios do marido, que sonha em enriquecer para tirar a família da miséria. Ela chama a atenção do Coronel Egído (Vladimir Brichta) que a leva para trabalhar dentro de sua casa, sob as ordens de Dona Patroa (Camila Morgado).
Joana e Tião Galinha (Foto: Estevam Avellar/Globo)
Ao ser revelada a primeira imagem da Alice para o remake da novela, a atriz desabafou no X (antigo Twitter) sobre os ataques que tem sofrido nas redes sociais. “Claro que já estão me chamando de feia demais para ser Joaninha, em todas as publicações que saíram da personagem”. E depois completa: “vai a feinha mesmo kkkkk fé”, escreveu ontem (20).
Os fãs e seguidores logo responderam a publicação com mensagens afetuosas. “Todos os perfis que eu vi fazendo isso têm uma característica em comum que eu não vou dizer para não ser processada. Faz o L de Linda, por favor”, brincou uma internauta.
Em uma ótima fase na carreira, após Colman Domingo, 54, estrelar o filme ‘Rustin’ e ‘A Cor Púrpura’, em 2023, ele ainda foi escalado para a cinebiografia ‘Michael’, para interpretar o Rei do Pop, Joe Jackson, e irá dirigir e protagonizar o astro Nat King Cole, em outro longa. Mesmo com tantos trabalhos em andamento, ainda há rumores de que Domingo substituirá o Jonathan Majorspara assumir o papel do vilão Kang, O Conquistador, após o ator ter sido demitido da Marvel ao ser condenado no final do ano passado, por agressão contra a ex-namorada, Grace Jabbari.
“É engraçado como as pessoas estão online falando sobre isso. E no momento em que tudo começou a acontecer, literalmente, acho que estava no meu sofá. E eu pensei, que boato? Quem? De onde vem isso? Eu simplesmente não pensei sobre isso. No dia seguinte acordei, está em todo lugar”, disse Domingo em entrevista à Vanity Fair, publicada nesta quarta-feira (21), sobre os rumores na web.
No entanto, o indicado ao Oscar 2024 pelo filme ‘Rustin’, revela que há uma conversa em andamento com a Marvel há anos. “Minha equipe conversa com a Marvel sobre alguns aspectos do MCU há anos. Eu sei que isso é verdade ou não? Na verdade, não sei. Sinto que minha equipe não me traz nada a menos que seja real. Então eu não sei. Eu poderia estar conversando, mas não tenho certeza. Eu adoraria uma conversa sobre isso”, diz o ator.
“O que quer que eles estejam trabalhando com Jonathan [Majors] e seu legado no MCU , eu sinto que tenho que estar no meu próprio caminho, seja lá o que for. Há boatos, há conversas, mas nem tenho certeza porque sinto que nada vem até mim até que algo seja real. Mas eu aceitaria isso”, conta Domingo.
Famoso também pelo seu papel como Ali, na série ‘Euphoria’, Domingo trouxe novidades para os fãs. “Estou nisso [risos]. O que sei é que teremos uma terceira temporada. Será um desafio da maneira mais bonita. Sempre penso que Sam [criador da série] está examinando a esperança e a fé, especialmente quando se trata de pessoas que estão lutando e tentando encontrar o seu caminho. Conheço Sam Levinson e seu coração, e sei que ele é um dos seres humanos mais gentis que conheço”, diz.
O Instituto DACOR, organização sem fins lucrativos dedicada à produção, integração e disseminação de dados, conhecimentos e evidências sobre o racismo no país, realizará um curso online e gratuito sobre o tema “Masculinidades Negras: Cura e Resignificação do que é ser homem negro no Brasil”. O encontro está marcado para a próxima quarta-feira, dia 28, às 19h30.
O curso tem como objetivo promover uma profunda reflexão sobre identidade, traumas, ancestralidade e futuro do homem negro em uma sociedade onde este grupo enfrenta estatísticas alarmantes de homicídios, encarceramento e é frequentemente associado a problemas enfrentados pelas famílias negras.
Conduzido por Bira Azevedo, homem negro com raízes em Salvador e vasta experiência em processos formativos baseados nas artes, a iniciativa busca não apenas a desconstrução de estereótipos prejudiciais, mas também a construção de identidades fortes e saudáveis.
“Inspirados por toda uma história de luta, resistência e ancestralidade, chegou a hora de nós, homens pretos, também nos engajarmos com determinação nessa luta de libertação. É um chamado para nos olharmos em uma dimensão de cura e de atuação, individual e coletiva”, afirma Bira Azevedo, que atua há 20 anos na formação de adultos.
“Mais do que uma oportunidade formativa sobre o tema, o curso é um convite para vislumbrar transformações, uma chance de ressignificar as masculinidades negras e construir um futuro para a nossa liberdade”, destaca o educador.
As inscrições já estão abertas e podem ser feitas através do link disponível no perfil do Instituto DACOR. (CLIQUE AQUI)
Uma reunião escolar entre pais e professores toma um rumo inesperado quando um homem levanta um importante debate sobre racismo: sua filha de 8 anos foi chamada de “negra fedorenta” por um colega branco. Esse é o mote do espetáculo “Para Meu Amigo Branco”, com direção de Rodrigo França, que chega à São Paulo após bem-sucedidas temporadas no Rio de Janeiro, em 2023. As apresentações acontecem no Sesc Belenzinho entre os dias 1º e 24 de março, com sessões às sextas e aos sábados, às 21h30, e, aos domingos, às 18h30.
Livremente inspirada no livro homônimo do jornalista e ativista social Manoel Soares, a peça venceu o edital Sesc RJ Pulsar e foi indicada ao Prêmio Shell de melhor cenário 2023. Na trama, enquanto a escola prefere lidar com a questão da violência contra a garota apenas como um mero bullying, seu pai, interpretado por Reinaldo Junior, luta para mostrar aos presentes que a situação é bem mais complexa. O impasse ganha novos contornos quando um pai branco (Alex Nader), inicialmente solidário à causa, muda de comportamento ao descobrir que seu filho é o responsável pela agressão.
O texto é assinado por Rodrigo França que atualmente concorre ao Prêmio Shell de Dramaturgia no Rio de Janeiro por “Angu”, e Mery Delmond. A ideia é que personagens brancos e negros discutam o racismo em cena, estimulando a plateia a refletir sobre as suas ações cotidianas.
“Para isso, o público deixa de ser passivo”, diz França. “A encenação faz o possível e o impossível para que as pessoas esqueçam que estão no teatro e mergulhem na realidade da reunião escolar. Ou seja, além de os espectadores estarem posicionados como se estivessem dentro da ação, a atriz que interpreta a professora circula entre todo mundo, incluindo todos os presentes naquele ambiente.”
“O espetáculo fala sobre uma figura paterna incansável, que não tolera o racismo e deixa isso bem claro. A peça clama por dignidade. O texto defende que só é possível respeitar o outro se enxergarmos a humanidade do outro”, defende França.
“Também foi importante para o diretor o fato de esse personagem combativo ser um pai.” “Embora o abandono paternal seja uma realidade bastante presente, esse fato não é uma verdade absoluta. Acredito que devemos oferecer bons exemplos para as crianças e jovens, mostrando que é possível viver de uma maneira diferente”, argumenta.
“Tudo que os pretos têm de positivo acaba sendo ofuscado pela agenda da dor. Essa agenda só vai deixar de existir se for dividida com as pessoas de pele clara”, analisa o comunicador e ativista Manoel Soares sobre o histórico de racismo no Brasil.
Repercussão do espetáculo
A peça foi sucesso de público e crítica em suas duas primeiras temporadas no Rio de Janeiro, no Arena do Sesc Copacabana, em agosto de 2023, assistida por mais de 3.400 espectadores, e no Teatro Domingos Oliveira. Segundo a crítica, é um espetáculo “para ver e rever”, “traz verdades difíceis de engolir” e pode causar “uma bela revolução interior”. Por esse motivo, tem sido intensa a procura pela peça por instituições e empresas interessadas em debater o racismo no interior de suas engrenagens.
“Muitas pessoas que se dizem não racistas acabam reproduzindo o racismo sem se dar conta. Ao assistir ao espetáculo, elas percebem que precisam se autofiscalizar e modificar seus comportamentos”, comenta o diretor e dramaturgo.
SERVIÇO Para Meu Amigo Branco Data: 1º a 24 de março de 2024. Sextas e sábados, 21h30. Domingos, 18h30. Local: Sala de Espetáculos I do Sesc Belenzinho (Rua Padre Adelino, 1.000, Belenzinho, São Paulo) Capacidade: 100 pessoas Ingressos: R$40 (inteira), R$20 (meia-entrada) e R$12 (credencial plena) Duração: 80 minutos Classificação indicativa: 14 anos
Rio de Janeiro (RJ), 24/08/2023 - Integrantes do movimento negro protestam contra a violência policial em caminhada na região da Candelária, centro da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Você tem que agir como se fosse mudar radicalmente o mundo. E você tem que fazer isso o tempo todo.
– Angela Davis
Não suporto mais as queixas contra o racismo inundando as redes sociais. É desproporcional quando comparadas às atitudes que deveriam ser tomadas no aspecto coletivo. Diversas páginas e perfis de influenciadores “antirracistas” aproveitam as notícias trágicas para se tornarem mais populares. Ainda assim, se pensarmos somente nas pessoas que realmente ficam indignadas e sonham com mudanças, chegaremos a seguinte conclusão: há muitos especialistas em reclamações. As ações antirracistas concretas são raras. A maioria parece acreditar que o racismo será abolido sem um enfrentamento organizado e radical, apenas com caracteres em suas páginas nas redes sociais.
No último final de semana, uma ocorrência policial em Porto Alegre deixou muita gente revoltada, e com razão. Um homem negro foi preso após sofrer agressão de um homem branco. O branco estava armado com uma faca. Os vídeos da ocorrência, largamente difundidos, só não nos deixam mais perplexos porque conhecemos o Brasil. Nunca foi diferente. O negro é tratado assim há quinhentos anos, “apenas”. As instituições são racistas, as pessoas são racistas, as leis e normas estão na mesma sintonia.
Eles nos consideram indignos de qualquer direito estabelecido na Constituição Federal. Na prática, os brancos são beneficiados por uma infinidade de privilégios, e os negros não saem das mazelas. Além disso, “a justiça criminal é implacável” como cantou o grupo de rap Racionais MC’s. Através do encarceramento em massa, o sistema transformou o ambiente gélido e sinistro das prisões na morada dos negros. Para tanto, o negro é julgado à priori, como aconteceu no Rio Grande do Sul; só faltou no momento da prisão acusar o negro de “vitimista”.
As notícias inundam as plataformas. Mostram o povo negro sendo violentado nas comunidades e periferias das cidades brasileiras; não que a violência seja somente aquela anunciada pelo disparo de uma arma do agente do Estado. No início do texto apontei a seletividade racista, porém, há outros tipos. Têm pessoas negras com problemas de saúde sem recorrerem ao tratamento médico por ausência de recursos financeiros. Há negros lutando diariamente para pagar as contas básicas, submetidos aos piores postos de trabalho, e a educação e habitação de qualidade é um tipo de luxo que nem podemos desfrutar. Na realidade, eu poderia escrever um monte de mazelas, mas demandaria horas e horas.
Os negros precisam se organizar! Não pode haver espaço para distrações. Vamos para cima dos racistas com estratégia e inteligência; construamos uma genuína autonomia política e econômica. Lágrimas não mudarão a realidade.
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil
Em texto publicado nas redes sociais nesta terça-feira, 20, o Ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, defendeu as declarações de Lula sobre o conflito na faixa de Gaza, quando o presidente comparou a ofensiva do exército de Israel contra o Hamas, que matou milhares de palestinos, ao Holocausto Judeu. O Ministro afirmou:”É importante que se frise o seguinte: é o governo extremista de Israel quem promove o massacre, e não a comunidade judaica, como os oportunistas e semeadores do ódio de dentro e de fora do Brasil tentam fazer parecer.”
Durante a 37ª Cúpula da União Africana, realizada em Adis Abeba, na Etiópia, Lula fez uma declaração, dizendo que “O que está acontecendo na Faixa de Gaza, com o povo palestino, não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler decidiu matar os judeus”. As palavras do presidente do Brasil causaram uma crise diplomática entre o governo brasileiro e o de Benjamin Netanyahu. O primeiro-ministro de Israel classificou como “vergonhosas” e “graves” as palavras de Lula e acusou o brasileiro de “banalizar o Holocausto”.
Ao defender o presidente, Silvio Almeida publicou parte do discurso de Lula que dizia: “Ser humanista hoje implica condenar os ataques perpetrados pelo Hamas contra civis israelenses, e demandar a liberação imediata de todos os reféns. Ser humanista impõe igualmente o rechaço à resposta desproporcional de Israel, que vitimou quase 30 mil palestinos em Gaza – em sua ampla maioria mulheres e crianças – e provocou o deslocamento forçado de mais de 80% da população”.
“Em nenhum momento o Presidente Lula manifestou-se contra o povo de Israel ou contra a comunidade judaica. Pelo contrário: Lula se indigna contra a ação desproporcional e assassina de um governo que, inclusive, passa a ser questionado por outros membros da comunidade internacional, que se unem ao Brasil na exigência pelo cessar-fogo diante do Conselho de Segurança da ONU”, afirmou o ministro.
Ele contou ainda que o Brasil deve “reiterar suas posições pela solução pacífica dos conflitos” durante participação na 55a Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, do qual o país é membro eleito.
Nada, absolutamente nada, é mais importante do que interromper a escalada da violência e o ciclo de mortes que têm destroçado a vida, em especial, de pessoas inocentes, mulheres e crianças.
O governo brasileiro, sob a liderança do Presidente Lula, desde o primeiro momento…
O conflito na Faixa de Gaza começou no dia 7 de outubro, quando o Hamas bombardeou Israel através de um ataque surpresa que foi considerado pelo movimento islâmico como uma operação para retomada de território. Muitos israelenses foram mortos e outros ainda estão mantidos como reféns do grupo. Desde então, o exército de Israel, que tem um grande poder bélico, mantém uma ofensiva com bombardeios e ataques por terra contra o Hamas que já matou quase 30 mil palestinos que viviam na Faixa de Gaza. Além de ter deixado quase 69 mil feridos.
O Comitê para Proteger Jornalistas (CPJ sigla em inglês para Committee to Protect Journalists), afirmou que 99 jornalistas e trabalhadores da mídia já foram mortos nos três primeiros meses da guerra.
O apelo para o cessar-fogo vem da União Africana, da Anistia Internacional e de Organizações Não Governamentais, que esperam uma solução pacífica para o conflito que atinge, principalmente, mulheres e crianças. O presidente da União Africana, Azali Assoumania afirmou que “Em nome do meu país [“Em nome do meu país, apoiei a queixa que a África do Sul apresentou à Corte Internacional, denunciando o genocídio que Israel está cometendo na Palestina”], apoiei a queixa que a África do Sul apresentou à Corte Internacional, denunciando o genocídio que Israel está cometendo na Palestina”, disse ele durante a 37ª Cúpula da União Africana.