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“Esperança de que cheguemos aos mandantes”, diz Anielle Franco após investigação sobre morte de Marielle e Anderson ser enviada ao STF

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Foto: Renan Olaz/CMRJ

Na noite da última quinta-feira, 14, a imprensa divulgou que o caso sobre o assassinato de Marielle Franco e de Anderson Gomes, motorista da vereadora do Rio de Janeiro, que completou seis anos ontem, será enviado para o Supremo Tribunal Federal (STF), para que o depoimento de Ronie Lessa, acusado de atirar nas vítimas, seja analisado e validado. De acordo com o UOL, o ministro Alexandre de Moraes foi sorteado como relator.

Anielle Franco, Ministra da Igualdade Racial, irmã de Marielle Franco, afirmou que a nova etapa da investigação “deixa a todos nós da família com esperança de que cheguemos aos mandantes”: “A nova etapa da investigação sobre o assassinato de Marielle e Anderson deixa a todos nós da família com esperança de que cheguemos aos mandantes, pela memória de Mari e Anderson e pela democracia. No entanto, suposições e desinformações sobre os envolvidos não ajudam. Seguimos confiando no devido processo legal e com fé de que chegaremos às respostas que esperamos há seis anos”.

Segundo informações divulgadas pelo portal, o ministro do STJ, Raul Araújo, enviou o inquérito ao STF depois que o nome de um parlamentar federal com foro privilegiado foi mencionado em novas provas. De acordo com a legislação brasileira, os processos em que autoridades com foro privilegiado, como deputados, senadores e presidentes são citados devem tramitar no Supremo Tribunal Federal.

A jornalista Andréia Sadi, confirmou em seu blog de política no g1, que fontes do STF afirmaram que a delação do ex-policial Ronie Lessa, preso desde 2019 acusado de atirar em Marielle e Anderson, estava no Superior Tribunal de Justiça e foi encaminhada para a corte e até a quinta estava aguardando homologação.

Se isso se confirmar, esta será a segunda delação relacionada ao caso. A primeira foi feita pelo ex-PM Élcio Queiroz, que confessou participação no assassinato da vereadora e do motorista. Élcio contou na delação que Edilson Barbosa do Santos, conhecido como Orelha, era o dono do ferro-velho acusado de fazer o desmanche do carro usado no dia do crime, a prisão de Orelha aconteceu no final de fevereiro deste ano.

‘Shirley Para Presidente’: ainda há um sonho possível para as mulheres negras na política?

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Foto: Glen Wilson/Netflix © 2023

Quando a Netflix lançou o trailer do filme ‘Shirley Para Presidente’, logo me empolguei com o que estaria por vir. Um longa-metragem que acompanha a história real de Shirley Chisholm (1924 – 2005), a primeira congressista negra eleita, que também ousou se tornar a primeira mulher negra a se candidatar para a presidência dos Estados Unidos pelo partido dos Democratas, na década de 70.

A vencedora do Oscar, Regina King, é quem dá vida à personagem e também é uma das produtoras. Sempre com uma atuação impecável, trouxe desde o início do filme, a seriedade da Shirley para garantir que fosse levada a sério com o seu trabalho e lutava por uma sociedade justa, defendendo as pautas raciais e feministas. A fé e a confiança da candidata é muito encorajadora para nós, mulheres negras.

Assim como no Brasil, os Estados Unidos, até hoje, também nunca elegeu uma mulher negra para a presidência. Com o longa, nós podemos acompanhar apenas o que já sabíamos ou imaginávamos, com um enredo ainda tão atual: os democratas, pessoas brancas e a própria comunidade negra, ainda não confiam na competência de uma mulher negra para este cargo ou temem dar tanto poder para tal. 

Regina King como Shirley Chisholm (Foto: Glen Wilson/Netflix © 2023)

Apesar da árdua luta, mulheres negras continuam resistindo para ocupar a política. Prova disso, é a própria Barbara Lee (Christina Jackson), que está em seu 12º mandato como congressista nos EUA. Jackson nos mostra no longa, uma Barbara que muitas de nós já nos identificamos um dia, desacreditada da política, mas que ao trabalhar com Shirley, mudou a sua vida completamente e também deseja fazer a diferença.

Dirigido por John Ridley, o longa também traz outras pessoas que foram importantes para sua campanha, como Robert Gottlieb. Interpretado por outro vencedor do Oscar, Lucas Hedges, Gottlieb, um homem branco, foi o braço direito de Shirley desde o início e também vivencia situações conflituosas por conta do racismo e da violência política contra ela. Uma escolha até questionável para época, mas a democrata sempre mostrou a sua vontade de ver pessoas negras e brancas lutando juntos por um mesmo propósito.

Dentre os diferentes obstáculos que a candidata terá de enfrentar pelo caminho, uma das mais tocantes ainda é sua relação com a família, que tem muita dificuldade para aceitar que ela é uma mulher congressista e posteriormente candidata à presidência. 

Christina Jackson como Barbara Lee and Regina King como Shirley (Foto: Glen Wilson/Netflix © 2023)

Muriel (Reina King), irmã de Shirley, chama atenção para o nosso interior, de quando, em algum momento, tivemos medo ou receio de estar em um lugar onde seríamos apenas julgadas e desvalorizadas. Na década de 70, uma mulher negra que tentava ser eleita em um cargo dominado apenas por homens brancos, ela facilmente seria tratada como louca. Mas apesar disso, conseguiu abrir caminho para inspirar as pessoas ao seu redor e em como fazer política. 

Hoje, mais de 50 anos depois desse ocorrido, o filme nos deixa uma reflexão: países como os Estados Unidos e o Brasil estão prontos para eleger uma mulher negra para presidência? Para mim, todos os personagens e situações apresentadas, poderiam facilmente ser comparadas com outras pessoas e situações de hoje, em 2024. O racismo e a misoginia também continuam fortes, então esse sonho precisa ser sonhado por mais mulheres negras para que se torna realidade.

‘Shirley Para Presidente’ estreia na Netflix dia 22 de março. Veja o trailer abaixo!

“Não é um álibi para racistas”, explica Silvio Almeida sobre uso do termo ‘racismo estrutural’

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Foto: José Cruz/Agência Brasil

O Ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, publicou em suas redes sociais um texto onde comenta o uso do conceito ‘racismo estrutural’, que tem sido adotado por muitas personalidades para justificar comportamentos racistas. Ao compartilhar um trecho do livro que explica o conceito, Almeida disse: “o que mais me deixa impressionado nas polêmicas não é ver pessoas que nunca estudaram o tema ou que não são da academia distorcerem o conceito, mas o fato de pessoas supostamente estudiosas ou que vem da academia falarem de algo que evidentemente não conhecem ou de um livro que nunca leram”.

Um caso recente de uso do termo foi o vídeo publicado pela cantora Wanessa Camargo nas redes socias, expulsa do Big Brother Brasil 2024 depois de ser acusada de agredir o motorista de aplicativo, Davi. No vídeo, ela se desculpa pelo modo como tratou o participante e justifica: “hoje eu entendo que algumas das minhas falas e comportamentos dentro da casa do BBB, em relação ao Davi, se enquadram no racismo estrutural, que está enraizado na nossa sociedade e dentro de nós, pessoas privilegiadas”.

Após a publicação do vídeo, a cantora foi bastante criticada, além disso, algumas pessoas criticaram o próprio conceito difundido por Silvio Almeida no livro ‘Racismo Estrutural’, publicado pelo advogado em 2018 através da coleção ‘Feminismos Plurais’. Além de criticar o uso distorcido do conceito, Almeida também afirmou ficar impressionado com “pessoas supostamente estudiosas” que não leram o livro, afirmando que: “A ignorância, nessa último situação, vem acompanhada de tanta autoridade e arrogância que a gente passa a duvidar se escreveu certas coisas”.

O ministro então compartilhou um trecho do livro que explica o conceito e destaca que “Não é um álibi para racistas”: “Como ensina Anthony Giddens, a estrutura “é viabilizadora, não apenas restritora”, o que torna possível que as ações repetidas de muitos indivíduos transformem as estruturas sociais. Ou seja, pensar o racismo como parte da estrutura não retira a responsabilidade individual sobre a prática de condutas racistas e não é um álibi para racistas”.

CSW: “Muitas situações de transferência de renda aumentam a violência doméstica”, aponta coordenadora do Instituto Avon

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Foto: Freepik

Metade das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência doméstica ao longo de suas vidas, mas parte delas ainda não se reconhece exatamente como vítima. O dado faz parte da primeira atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, projeto de parceria entre o Observatório da Mulher Contra a Violência (OMV) e o DataSenado, ambos do Senado Federal, o Instituto Avon e a Gênero e Número.

Durante o lançamento internacional, promovido pela Pacto Global da ONU, nesta quinta-feira (14), a Beatriz Accioly, Coordenadora de Parcerias, Políticas Públicas e Relações Institucionais, Instituto Avon, abordou a importância de combater a violência doméstica, mas pontuou uma preocupação em relação às políticas de transferência de renda para as vítimas, com base em outros dados levantados.

“Muitas situações de transferência de renda, como o caso do Bolsa Família no início, aumentam a violência doméstica. Você dá um dinheiro na mão da mulher e ela vive uma situação violenta porque ele retira o dinheiro dela a partir da violência. Aconteceu a mesma coisa com o Auxílio Emergencial durante a pandemia”, explicou, durante a 68ª Sessão da Comissão da ONU sobre a Situação das Mulheres (CSW), em Nova York.

“A gente precisa reconhecer que a violência contra a mulher acontece por uma série de questões relacionadas à desigualdade. E aí a gente fala para as mulheres: ‘está sofrendo violência? Vai trabalhar’. Aí ela vai trabalhar e ela vai para uma situação onde ela reconhece que sofreu algum tipo de assédio moral ou sexual. Então ela sai de uma violência para outra. A gente já escutou de várias mulheres com quem a gente trabalha: ‘eu prefiro sofrer violência em casa de uma pessoa que eu gosto, do que uma violência na rua de uma pessoa que eu não conheço’”, lamentou a coordenadora.

De acordo com o levantamento inédito, 48% das brasileiras ouvidas já passaram por alguma situação de violência doméstica e familiar. Do total das mais de 20 mil mulheres brasileiras entrevistadas, 30% reconheceram a violência vivida e a nomearam como tal. No entanto, 18% ainda não se identificam espontaneamente como vítimas, porém, quando foram apresentadas a situações específicas de violência doméstica, admitiram ter passado por elas – dado que indica que o número de brasileiras que sofrem violações é muito maior do que os registros oficiais.

Apesar da incidência de violência doméstica ocorrer de maneira relativamente uniforme em todo o território nacional, a pesquisa também identificou que estados da região Norte do Brasil, como Amazonas (57%), Amapá (56%), Rondônia (55%) e Acre (54%), atingem patamares ainda maiores do que os índices nacionais. A região Sudeste também chama atenção com Rio de Janeiro e Minas Gerais, ambos com 53%,

Na ocasião, Beatriz Accioly ainda aproveitou para defender a importância de levantamento de dados como esse. “O mapa hoje é um exemplo do que a gente consegue fazer enquanto empresa e enquanto setor público para contribuir com a Agenda de Acesso aos Direitos do Brasil, que inclusive é a missão do Pacto Global. A gente acredita que o mapa é uma ferramenta nessa direção, é um meio para a gente alcançar a cidadania, uma gestão pública de qualidade, transparência, de uma alocação de recursos eficiente. E ele é um meio para democracia”.

Lançado em novembro de 2023, o Mapa Nacional da Violência de Gênero é uma plataforma interativa que reúne os principais dados nacionais públicos e indicadores de violência contra as mulheres do Brasil, incluindo a Pesquisa Nacional de Violência contra as Mulheres – a mais longa série de estudos sobre o tema no país. Dos dias 21 de agosto a 25 de setembro de 2023, 21.787 mulheres de 16 anos ou mais foram entrevistadas por telefone, em amostra representativa da opinião da população feminina brasileira.

Esta é a primeira vez, desde 2005, que a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher apresenta recortes estaduais, possibilitando uma análise mais aprofundada do cenário de diferentes territórios do país.

Após ganhar Emmy de atuação, Ayo Edebiri também vai dirigir novo episódio da série ‘O Urso’

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Foto: Frazer Harrison / Getty Images.

Além de atriz, Ayo Edebiri também vai estrear como diretora. A estrela revelou que vai dirigir um novo episódio da 3ª temporada da série ‘O Urso’. Em janeiro, ela venceu o prêmio Emmy de ‘Melhor Atriz em Série de Comédia’ pelo trabalho na obra.

O criador de ‘O Urso’, Christopher Storer, convenceu Ayo a assumir a direção da nova temporada da série. “Eu tinha 21 anos e ele disse ‘você é diretora’. E eu fiquei tipo ‘não se mete’. Mas então, na temporada passada, ele disse: ‘venha para o set e veja o que acontece’”, contou Edebiri. “E eu pensei, ‘oh, ok. Sim. Eu acho que quero fazer isso’”, completou.

Dentro de ‘O Urso’, Ayo interpreta Sydney, uma jovem é contratada para liderar o restaurante The Beef. Rapidamente, ela demonstra seus talentos culinários e administrativos, ao implementar mudanças significativas dentro do negócio. A personagem conquista o respeito relutante dos outros chefs por estar certa na maior parte do tempo e acaba ensinando uma série de truques para os outros chefes.

Ayo Edebiri também venceu o Globo de Ouro pela atuação em ‘O Urso’. Foto: Getty Images ; FX

A terceira temporada de ‘O Urso’ ainda não tem data de estreia definida. Os episódios das temporadas anteriores estão disponíveis no Star+. De acordo com a sinopse, dentro da série, somos apresentados à história de Carmy Berzatto (Jeremy Allen White), um chef de cozinha premiado que sai de Nova York para administrar um restaurante desorganizado e repleto de problemas em Chicago.

‘Quem mandou matar Marielle?’: Seis anos se passaram e pergunta continua sem resposta

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Foto: Mídia Ninja / Reprodução

Seis anos se passaram desde a trágica noite de 14 de março de 2018, quando a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foram brutalmente assassinados no Rio de Janeiro. A dor da perda ainda ecoa fortemente entre familiares, amigos e todos aqueles que veem em Marielle um símbolo de luta por justiça social, igualdade e direitos humanos. Apesar dos desdobramentos, até hoje a pergunta ‘Quem mandou matar Marielle?’ permanece sem resposta.

A vereadora saía de um evento com mulheres negras quando foi atingida com quatro disparos na cabeça. Anderson Gomes, motorista do carro que a transportava pela cidade, também foi alvejado no crime.

Em 2023, durante a posse do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, foi determinada a instauração de um inquérito na Polícia Federal, para aprofundar as investigações que já são feitas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Polícia Civil.

Foto: Márcia Foletto/VEJA.

O policial militar reformado Ronnie Lessa, acusado de ter feito os disparos que mataram Marielle e Anderson e o ex-policial militar Élcio de Queiroz, acusado de dirigir o carro usado no crime, estão presos e nunca revelaram quem mandou cometer homicídio. 

No depoimento, Élcio apontou a participação de mais uma pessoa, Maxwell Simões Corrêa, o Suel, nas mortes de Marielle e Anderson. O ex-sargento do Corpo de Bombeiros, é acusado de ter cedido um carro para a quadrilha, esconder as armas após o crime e auxiliar no descarte delas. Além de Lessa, Queiroz e Suel, outras cinco pessoas também foram presas em desdobramentos do caso, mas quatro delas acabaram soltas.

Em janeiro de 2024, Fávio Dino declarou que não há previsão para a conclusão do caso de Marielle. “Esse é um desafio que a PF assumiu no ano passado. Estamos há menos de um ano à frente dessa investigação, de um crime que aconteceu há cinco anos, mas com a convicção de que ainda neste primeiro trimestre a Polícia Federal dará uma resposta final do caso Marielle”, afirmou o Ministro

“É preciso que tenha uma política de cuidado voltada para nós”, declara Benedita da Silva sobre a necessidade de políticas voltadas para idosos

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Foto: Fabio Ura

A deputada federal do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, é uma das lideranças femininas a compor o grupo de mulheres brasileiras que estão na 68ª Sessão da Comissão da ONU sobre a Situação da Mulher (CSW), promovida pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil. Durante o café da manhã promovido pelo evento, na quarta-feira, 13, a parlamentar conversou com a head de conteúdo do Mundo Negro, Silvia Nascimento sobre a importância de reconhecer a economia do cuidado, feito, principalmente, pelas mulheres negras. Além disso, ela pontuou a necessidade de políticas voltadas para idosos.

A parlamentar é uma das principais referências negras femininas da política brasileira e liderou a luta em favor das empregadas domésticas – profissão que já exerceu – e das mulheres negras no país. Ela foi relatora da PEC das Domésticas, que completou dez anos em 2023 e garantiu direitos trabalhistas para os trabalhadores domésticos.

Ao ser questionada sobre como a pauta voltada para a economia do cuidado é importante para as mulheres negras, Benedita da Silva abordou a necessidade de reconhecimento financeiro e profissionalização: “As mulheres negras nessa pauta, já fazem isso desde o processo de colonização. O que falta é ter o reconhecimento pelo trabalho não pago dessas mulheres e que hoje precisam ter um reforço de qualificação para enquadrá-la nas tecnologias existentes hoje, nos métodos existentes de hoje, de modernização das suas práticas. Isso é o que nós precisamos e isso é um cuidado, porque nós temos hoje que cuidar realmente da inclusão digital, nós estamos vivendo num mundo diferente”.

Benedita pontuou que o acesso à internet é importante para que as trabalhadoras da economia do cuidado: “Para que elas possam também estarem nas redes e poderem se comunicar e reivindicar e acompanhar todos os interesses que elas têm e as ações que vão desde o legislativo ao executivo”, explicou.

“Cuidado, sem que você reconheça principalmente o trabalho das mulheres e as mulheres negras, você não tem nenhum cuidado. Eu tenho dito isso porque nós mulheres negras já carregamos nos nossos ombros um país. Já nos trouxeram do nosso país, já nos tiraram muita coisa e hoje nós temos que resgatar. Então, onde nós estivermos há uma dívida conosco”, lembrou ao destacar o trabalho de mulheres negras no setor.

A jornalista Silvia Nascimento também conversou com Benedita da Silva sobre a longevidade da população e como ela pode impactar as mulheres negras, que em muitos casos são responsáveis pelos cuidados de seus mais velho e de seus mais novos. Ao aconselhar essas mulheres, ela foi enfática: “Eu acho que deve ir para a política, porque eu estou com 82 anos e eu estou na política e penso que todas as pessoas da minha idade têm que estar se defendendo, porque não só com relação a uma população negra, estão abandonando a nossa idade. Nós estamos sofrendo muitas violências, nós estamos sendo usurpadas, nós estamos sendo roubadas, e estão tirando aquilo que nós construímos com nossas mãos. Com as nossas forças então é preciso que tenha uma política de cuidado voltada para nós que já contribuímos e demos tudo que temos, a política é o espaço onde você tem uma vez, onde você tem uma voz, onde você grita mais forte, então eu quero falar para você idosa, idoso, principalmente negras, vamos a luta, tem espaço para nós”.

Regina King se emociona ao falar sobre a morte do filho: “A tristeza nunca irá embora, sempre estará comigo”

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Foto: HBO

Nesta quinta-feira (14), a atriz Regina King comentou, pela primeira vez, sobre a morte de seu filho, Ian Alexander, que faleceu em janeiro de 2022. “O luto é uma jornada, você sabe. Entendo que o luto é um amor que não tem para onde ir”, disse a artista para o programa Good Morning America. “Sei que é importante para mim homenagear o Ian na totalidade de quem ele é, falar dele no presente, porque ele está sempre comigo e pela alegria e felicidade que ele deu a todos nós”.

Regina King ao lado filho Ian Alexander. Foto: Kevin Manzur / Getty Images.

Sobre o processo de luto, Regina King declarou que no começou chegou a sentir ‘raiva de Deus’. “Às vezes, muita culpa toma conta de mim. Quando um pai perde um filho, você ainda se pergunta: ‘O que eu poderia ter feito para que isso não acontecesse?’ Eu sei que compartilho essa dor com todos, mas ninguém mais é mãe do Ian, sabe? Só eu. Então é meu. E a tristeza nunca irá embora. Sempre estará comigo“, desabafou.

King contou ainda que se tornou uma pessoa diferente após a perda do filho único. “Quando se trata de depressão, as pessoas esperam que tenha uma determinada aparência – esperam que pareça pesada”, disse a atriz. “Ter que vivenciar isso e não poder ter tempo para apenas aceitar a escolha de Ian, que eu respeito e entendo… Ele não queria mais estar aqui, e isso é uma coisa difícil para outras pessoas aceitarem porque elas aceitaram não vivemos nossa experiência, não vivemos a jornada de Ian.”

Vini Jr. expõe vídeo de torcedores fazendo cânticos racistas contra ele: “até nos jogos que eu não estou presente”

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Foto: Divulgação/Real Madrid

Um dos convidados a participar do comitê especial antirracismo da FIFA, o jogador de futebol Vinicius Jr. voltou a ser vítima de ataques racistas cometidos por torcedores europeus. O jogador compartilhou o vídeo que mostra torcedores do Atlético de Madrid, antes do início da partida contra Inter de Milão, pela Liga dos Campeões, entoando um canto em que chamam o brasileiro de ‘cimpanzé’. Em nota, a Laliga afirmou que deve denunciar o caso à Procuradoria de Combate ao Ódio.

O vídeo que mostra os torcedores do Atlético de Madrid fazendo um cântico racista contra Vini Jr., que sequer estava jogando, foi compartilhado pelo jogador na manhã desta quinta, 14, em seu perfil no ‘X’. Na legenda, ele cobrou providências da Champions League e da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA): “Espero que vocês já tenham pensado na punição deles”, escreveu marcando os perfis da liga. “É uma triste realidade que passa até nos jogos que eu não estou presente!”, disse.

Vini Jr. é constantemente atacado com insultos racistas por torcidas na Europa. No mês de junho do ano passado, ele foi convidado pela Fifa para liderar o comitê especial antirracismo. Na época, a informação foi divulgada pelo presidente da entidade Gianni Infantino, em entrevista à Reuters.

Mesmo assim, os ataques continuaram. Em outubro, depois de uma partida entre Real Madrid e Sevilla pelo Campeonato Espanhol, um torcedor imitou um macaco quando ele se aproximava. Ao falar sobre o episódio nas redes sociais, Vini Jr. escreveu: “Episódio isolado número 19”. Além disso, a Minisra da Igualdade Racial, Anielle Franco, também prestou solidariedade ao jogador, cobrando a responsabilização dos envolvidos: “Mais uma vez aqui para prestar solidariedade ao Vini Jr por mais um caso de racismo sofrido na @LaLiga, na Espanha. Os agressores precisam ser identificados e responsabilizados, a recorrência da violência contra Vini Jr afeta a todos nós”.

Confira o comunicado enviado pela assessoria da LaLiga no Brasil:

A LALIGA denunciará perante a Procuradoria de Combate ao Ódio os lamentáveis cânticos racistas contra Vinicius Jr. antes do jogo de ontem da UEFA Champions League entre o Atlético de Madrid e a Inter de Milão, mesmo que o jogo seja em outra competição e mesmo que os cânticos tenham ocorrido fora do estádio. A LALIGA está muito empenhada em fazer do futebol um espaço livre de ódio e continuará combatendo implacavelmente qualquer atitude de racismo, homofobia, violência, ódio… seja qual for a competição.

Raça é prioridade: para Camila Valverde, do Pacto Global da ONU no Brasil, o investimento em mulheres negras é fundamental para o desenvolvimento econômico do país

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Foto: Fabio Ura

Durante a 68ª Sessão da Comissão da ONU sobre a Situação das Mulheres (CSW), realizada em Nova York até o dia 22 de março, o Pacto Global da ONU – Rede Brasil está à frente de uma série de eventos paralelos. Este encontro anual, considerado um dos mais importantes fóruns internacionais sobre igualdade de gênero, reúne líderes globais, representantes de governos, organizações da sociedade civil e outras partes interessadas para debater e promover os direitos e o empoderamento das mulheres em todo o mundo. O Pacto Global da ONU, que tem como objetivo mobilizar empresas em torno de princípios de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção, está liderando uma delegação com mais de 150 mulheres brasileiras para participar ativamente dessas discussões. 

O recorte racial dentro do debate sobre a realidade das mulheres têm sido uma constante dentro dos debates. Seja em temas como violência doméstica, tecnologia e economia do cuidado, é um consenso que mulheres negras carecem de um olhar diferenciado. Para além dos cuidados assistenciais que esse grupo merece, Camila Valverde, COO e Diretora da Frente de Impacto, atribui às mulheres negras um poder em mudar a situação econômica do país e do mundo. E uma das funções dela é incentivar a iniciativa privada a participar dessa conversa e para além das palavras trazer recursos para mudanças efetivas.

“Pesquisas da ONU apontam que a pobreza no Brasil diminuiu, entretanto, 72% da população que é considerada pobre são mulheres negras, mães solteiras com filhos abaixo de 12 anos. Então tem um recorte muito claro de onde nós precisamos investir para que o nosso país se desenvolva” explicou Camila durante o Café da Manhã com Lideranças Femininas, realizado pelo Pacto Global, na manhã do dia 13. 

A rede brasileira do Pacto Global, tem uma frente específica com foco na comunidade negra, que é o  Movimento Raça é Prioridade em parceria com o CEERT. O Movimento também conta outras instituições parceiras estratégicas, e tem como ambição alcançar 1500 empresas comprometidas em ter 50% de pessoas negras em posição de liderança até 2030. 

“Há um recorte muito claro de onde nós precisamos investir para que o nosso país se desenvolva. Também deixa uma mensagem de otimismo, porque se estamos aqui reunidas é para discutir, debater e mudar atividades para que essa gente avance no Brasil”, diz Camila se referindo aos eventos paralelos realizados pela Rede Brasil do Brasil do Pacto Global da ONU dentro do CSW. 

Ela finaliza dizendo que empresas que não fazem investimentos ESG, não terão relevância no mercado. “Eu acredito que no futuro não terá espaço para as empresas que não pensem nas questões de desenvolvimento sustentável, como mulheres, pessoas negras, impacto ambiental. Eu sou bem otimista em relação a isso”. 

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