O Zimbabué apresentou oficialmente uma nova moeda lastreada em ouro chamada ZiG (Zimbabwe Gold). Ação acontece com o objetivo de tentar controlar a hiperinflação que assola o país.
“A partir de hoje os bancos converterão os saldos atualmente denominados em dólares zimbabuenses na nova moeda chamada de Zimbabwe Gold (ZiG)”, afirmou o governador do Banco Central, John Mushayavanhu, em uma coletiva de imprensa durante a última sexta-feira (5). O ZiG substitui um dólar do Zimbabué, o LBTR, que perdeu três quartos do seu valor em 2024.
No entanto, o dólar americano, que representa 85% das transações no país, continuará a ter curso legal e é provável que a maioria das pessoas continue a preferir essa moeda. Com a alta inflação, de acordo com o observatório Zim Price Check, um dólar americano era trocado por cerca de 30.000 dólares zimbabuenses.
Diferente das moedas convencionais feitas de aço inoxidável e baixo carbono, as moedas ‘lastreadas em ouro’ possuem uma pequena quantidade do metal nobre, o que ajuda a manter o seu valor estável. O principal objetivo é reduzir a quantidade de dólares do Zimbabué em circulação.
Os zimbabuanos terão 21 dias para trocar as notas antigas, atingidas pela inflação, pela nova moeda. Embora o ouro seja tradicionalmente a proteção ideal contra a inflação e a incerteza econômica geral, nenhum país tentou anteriormente enfrentar o enfraquecimento financeiro através da venda de moedas de ouro.
Luh Maza acaba de conquistar mais um feito na carreira e estreia como diretora na série ‘Da Ponte Pra Lá’, nova série nacional da Max, cujo os três primeiros episódios chegou à plataforma de streaming, na última quinta-feira, 4 de abril. Ao todo, sete capítulos do drama investigativo jovem serão lançados, dois novos a cada semana.
Na trama da série, Malu (Gabz, ‘Um Ano Inesquecível: Outono’), uma jovem preta e periférica, se infiltra na escola mais exclusiva da alta sociedade paulistana em busca de uma resposta: Quem matou o seu melhor amigo Ícaro (Victor Liam), um jovem trans e negro? Ela não acredita em caso de suicídio, como insistem as autoridades. Agora, os novos colegas de Malu, que é rapper e filha do maior traficante da cidade, membros das famílias mais poderosas do Brasil, se tornarão cúmplices, amigos, amantes e suspeitos.
Além de ser uma das diretoras, Luh Maza também assina o roteiro, sendo a única negra e trans na equipe. Em 2019, ela se tornou a primeira roteirista trans da televisão brasileira com a série ‘Sessão de Terapia’. Para a cineasta, o personagem Ícaro representa vários transmasculinos que morrem no Brasil só por serem quem são e homenageia o modelo Demétrio Campos, um jovem negro e trans de 23 anos, que suicidou-se no dia 17 de maio de 2020, Dia Internacional do Combate à LGBTfobia.
A diretora acredita que a série pode ser um ponto positivo na mudança do cenário de sub-representação de pessoas pretas e trans em posição de protagonismo e liderança, mas alerta que é preciso manter a atenção. “Nós, profissionais negros – e também os profissionais trans – somos contratados para escrever, dirigir, atuar, mas temos sempre a tarefa extra de ensinar, pedagogizar, reduzir danos… Mas as intenções se tornam vazias se houver hipocrisia entre quem faz e seu conteúdo. O limite entre a referência/homenagem e a apropriação, tokenismo e descarte são muito tênues”.
Victor Liam e Gabz em Da Ponte Pra Lá (Foto: Ariela Bueno)
O lançamento de um ator trans e negro como Victor Liam é a grande celebração de Luh Maza: “O Victor é um garoto brilhante a ser visto e aplaudido. E também é um marco da representatividade na nossa tv/streaming. Um protagonista trans, retinto. Espero que seja o primeiro de muitos personagens lindos que o Victor pode nos apresentar.” A cineasta aproveita para destacar que a conquista de espaços como o ocupado por Victor é fruto do trabalho de muita gente como o CATS – Coletivo de Artistas Transmasculines, que tem dado visibilidade à pauta.
Luh Maza dirige a série ao lado de Giovanni Bianco, Tatiana de Lamare e Rodrigo Monte, e compõe a equipe de roteiro junto com No roteiro Rafael Spínola e Thais Falcão.
Os episódios 4 e 5 da série ‘Da Ponte Pra Lá’ serão lançados na plataforma Max no dia 11 e os dois últimos em 18 de abril. Ela também aguarda o lançamento das séries ‘Candelária’ (Netflix) e ‘Torto Arado’ (Max), em que foi roteirista, e o lançamento do longa-metragem Insubmissas em que também é uma das diretoras.
Durante a Brazil Conference na Universidade de Harvard, duas palestrantes brasileiras denunciaram episódios de racismo. Em um painel mediado pela atriz e apresentadora Regina Casé, as embaixadoras do evento, Naira Santa Rita e Marta Melo, leram uma carta manifesto.
As palestrantes revelaram que três brasileiras brancas fizeram comentários racistas em inglês sobre suas tranças e dreads, incluindo risos enquanto sugeriam que elas poderiam ter piolhos. “Olha essas negras? Será que tem piolho nessas tranças e dreads?”, teriam dito as mulheres brancas.
“O que elas não esperavam é que eu falo inglês”, declarou Naira. “Imediatamente eu as olhei de forma que elas entenderam que eu havia entendido o racismo que estava acontecendo ali. As mesmas se retiraram depois do meu olhar. Em outras situações, eu as teria confrontado, porque o constrangimento, principalmente em situações de racismo, é pedagógico, mas diante de tamanha violência, eu precisei calcular. Pois eu e Marta, mulheres negras, temos muito mais a perder do que 3 meninas brancas de Harvard. Se nós as tivéssemos confrontado, nós teríamos sido vistas como mulheres negras raivosas, escandalosas e até mesmo vitimistas”.
Após o incidente, a Brazil Conference divulgou um comunicado oficial repudiando ‘qualquer forma de discrimnação racial’. “A Brazil Conference reconhece e reitera seu compromisso contra o racismo em todas as suas formas. Repudiamos veementemente qualquer ato de discriminação racial e não compactuamos com tais comportamentos em nossos eventos”, declarou o evento.
O evento também prometeu realizar medidas para melhorar a próxima edição da conferência. “Como princípio norteador está o comprometimento de que tais episódios não se repetirão”, informou a organização.
Abaixo, é possível ler na íntegra a carta de repúdio escrita por Naira Santa Rita e Marta Melo.
CARTA DE REPÚDIO
Por Naira Santa Rita e Marta Melo
Foram muitas situações de violência que vivenciamos enquanto embaixadores da Brasil Conference, mas vou enfatizar uma específica. Ontem, em Harvard, durante um painel eu e nossa outra embaixadora, Marta, aqui presente, enquanto juntas estávamos assistindo, três brasileiras brancas, questionavam-se em inglês, entre si: “see these black women? Are there lice in those braids and dreads?”
Que em tradução livre significa: “vê essas negras? Será que tem piolhos nessas tranças e dreads?” Seguido de risos.
O que elas não esperavam é que eu falo inglês. Imediatamente eu as olhei de forma que elas entenderem que eu havia entendido o racismo que estava acontecendo ali, as mesmas se retiraram, depois do meu olhar.
Em outras situações, eu as teria confrontado, porque o constrangimento, principalmente em situações de racismo, é pedagógico, mas diante de tamanha violência em um espaço como a Brasil Conference, que se considera inclusivo, diverso, eu precisei calcular.
Pois eu e Marta, mulheres negras, temos muito mais a perder do que três meninas brancas de Harvard. Se nós as tivéssemos confrontado, nós teríamos sido vistas como mulheres negras raivosas, escandalosas, e até mesmo, vitimistas.
O racismo é meticuloso, e vem se sofisticando cada vez mais, de tal modo que elas se sentiram confortáveis em proferir intencionalmente tais comentários racistas em inglês, acreditando e subestimando que não entenderíamos.
Agora, questionamos: Quantas pessoas negras aqui estavam e passaram pelo mesmo?
O quão a comunidade brasileira aqui presente, e os demais, realmente age para combater o racismo e efetivamente praticar o antirracismo?
O que dialogamos nesse espaço durante esses dias, e nos últimos nove anos, é vazio?
Quantos negros vocês viram aqui enquanto organizadores da Brasil Conference?
Quais são os líderes do futuro que esses espaços como Harvard e MIT estão formando?
Quem são os brasileiros negros, as mulheres negras, indígenas e plurais que estão nesses espaços para além das iniciativas de impacto social?
Quando os VPs da Brazil Conference falam sobre a representação dos brasis, quais brasis estão aqui? E eu questiono, nós questionamos, enquanto embaixadores da décima edição da Brasil Conference e seus financiadores, sponsors: o Brasil que está aqui é o fruto do privilégio do histórico escravocrata?
O Brasil que está aqui reflete os herdeiros do Brasil? Os indicados do Brasil? O Brasil que tem legado de tráfico, exclusão, violência e exploração dos corpos negros, indígenas e plurais estão aqui?
Enquanto estivermos com discursos cheios de práticas vazias, não só o Brasil, nosso amado país, mas também a Brasil Conference e suas estruturas vão continuar refletindo e perpetuando a manutenção das estruturas racistas, excludentes, que não representam o Brasil que queremos de forma alguma.
O Brasil que queremos no presente, e não no futuro, é legitimado e celebrado em sua diversidade, promotor da equidade, inclusão, e dignidade para todos, e não para poucos.
O Brasil que queremos é o Brasil que a educação como oferecida por Harvard e MIT, assim como a cultura, sejam tidas como acessíveis e ordinárias, como bem fala nosso Gilberto Gil, e não como títulos que diferenciam quem é mais capaz que quem, ou que acentuam ainda mais as desigualdades e abismos sociais.
Quero agradecer a Brenda Maria e ao professor Maurício Antônio, ao Eduardo e Rick, pela acolhida e intencionalidade em promover efetiva tratativa ao que ocorreu e no comprometimento em não permitir que seja negociável que situações como as que os embaixadores vivenciaram esse ano, ocorram novamente em próximas edições da Brasil Conference em Harvard e no MIT.
Essa fala é com o intuito que a Brasil Conference, seus financiadores e sponsors, como o YouTube, Nomad, Fundação Lemann e outros, consigam a partir dessa histórica décima edição, se fortalecer na construção genuína e legado no que realmente queremos como Brasil hoje e não existe Brasil sem diversidade.
Na manhã desta segunda-feira, 8, o ator Jonathan Majors recebeu a sentença após ser condenado por agressão imprudente no processo movido pela ex-namorada Grace Jabbari. Majors foi sentenciado a frequentar um programa de aconselhamento contra violência doméstica durante um ano, que será realizado em Los Angeles, onde o ator mora atualmente.
Michael Gaffey, juiz do Tribunal Criminal de Manhattan, em Nova York, também determinou que Jonathan Majors deve continuar a fazer aconselhamento e terapia de saúde mental, além de enviar atualizações regulares ao tribunal sobre o progresso do tratamento. Além disso, o tribunal concedeu uma ordem de proteção total para Jabbari.
O veredicto foi anunciado após o julgamento ocorrido no dia 18 de dezembro de 2023, no qual Majors foi considerado culpado pelas acusações de agressão por contravenção em terceiro grau, lesão física imprudente e assédio em segundo grau. No julgamento, que durou cerca de quatro meses, ele foi inocentado das acusações de agressão intencional de terceiro grau e assédio agravado.
Durante o processo, os advogados de Majors, que chegou ao tribunal acompanhado da namorada Meagan Good, solicitaram a possibilidade de conduzir algumas sessões virtualmente, afirmando estarem otimistas a respeito de sua reintegração na indústria cinematográfica. No entanto, o juiz Michael Gaffey disse que essas solicitações seriam consideradas caso a caso.
A primeira data para cumprimento da sentença está agendada para o dia 13 de setembro. Caso não cumpra as determinações do juiz, Majors pode pegar até um ano de prisão por violações das determinações judiciais.
O Instituto C&A anunciou a abertura das inscrições para o IC&A Black FashionLab, uma imersão técnica inovadora voltada para empreendedores de moda autoral negros e indígenas. Com inscrições abertas a partir do dia 8 de abril, a iniciativa oferece uma oportunidade única, com trilha de conhecimento conduzida por especialistas em moda e consultoria contratada, conduzindo e preparando os empreendedores para um pitch de investimento. O projeto também oferece visibilidade de marca para todos os participantes selecionados.
Com inscrições abertas até o dia 18 de abril, o projeto, criado com o intuito de promover a diversidade étnico-racial no cenário da moda, vai selecionar 10 empreendedores de moda autoral negros ou indígenas que possuam CNPJ ativo há pelo menos um ano. Eles terão a chance de aperfeiçoar seus conhecimentos em áreas como aprimoramento e sortimento de produto, além de estratégias de comunicação, em uma imersão programada para acontecer nos dias 15, 16 e 17 de maio no Escritório Central da C&A Brasil, localizado em Alphaville, Barueri, região da Grande São Paulo.
Durante a imersão, os empreendedores poderão desenvolver um projeto para o pitch de investimento. Uma banca avaliadora composta por especialistas do setor será responsável por selecionar a melhor proposta, a qual receberá R$ 10 mil como investimento para a marca.
O Instituto C&A também se responsabilizará pela passagem, alimentação e hospedagem de um representante de cada marca selecionada durante os dias da imersão técnica, ainda que sejam de fora da Grande São Paulo, garantindo acesso para empreendedores de todo Brasil.
Os interessados em participar do IC&A Black FashionLab podem realizar suas inscrições através do link oficial disponibilizado pelo Instituto C&A (CLIQUE AQUI).
A partir de 25 de abril até 1º de dezembro deste ano, o Sesc Pinheiros, localizado na Zona Oeste de São Paulo, será palco da exposição “Um Defeito de Cor”. Inspirada no livro homônimo da autora mineira Ana Maria Gonçalves, lançado em 2006, a exposição promete uma imersão profunda nos contextos sociais, culturais, econômicos e políticos do Brasil Império (1822-1889), bem como suas reverberações contemporâneas.
A curadoria, liderada pela própria autora em conjunto com Marcelo Campos e Amanda Bonan, busca através de 372 peças, entre arte têxtil, fotografias, instalações, cartazes, pinturas e esculturas, traçar uma narrativa complexa que confronta lacunas e apagamentos históricos, especialmente relacionados à população negra. O livro “Um Defeito de Cor” é reconhecido como um dos mais importantes clássicos da literatura feminista negra e nacional, tendo sido premiado pela Casa de las Américas.
Após passagens pelo MAR (Museu de Arte do Rio), no Rio de Janeiro, e pelo Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, a exposição chega à capital paulista com algumas novidades. Entre elas estão os figurinos e croquis das fantasias do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, assinados pelo artista e carnavalesco Antônio Gonzaga, que se inspirou na obra de Ana Maria Gonçalves para desenvolver o samba-enredo do Carnaval 2024.
Além disso, obras inéditas serão exibidas, como o “Retrato de Ana Maria”, quadro de Panmela Castro; “Bori – filha de Oxum”, do artista e babalorixá Moisés Patrício, e “romaria”, mural que será pintado por Emerson Rocha na entrada do Sesc Pinheiros. A exposição também contará com uma programação integrada de ações educativas ao longo do período expositivo.
Obra ‘Romaria’ do artista Emerson Rocha / Foto: Reprodução
Dividida em dez núcleos não-lineares, que se espelham nos dez capítulos do livro, a exposição busca transmitir uma visão multifacetada do Brasil, destacando momentos históricos e recortes sociais por meio de uma produção intelectual e visual presente na arte contemporânea. Temas como levantes negros, empreendedorismo, protagonismo feminino, culto aos ancestrais e a África Contemporânea serão abordados, reexaminando os caminhos da população afro-brasileira desde os tempos da escravidão até os dias atuais.
Ana Maria Gonçalves, que faz sua estreia na curadoria da mostra ao lado de Amanda Bonan e Marcelo Campos, destaca a importância desse retorno ao universo de “Um Defeito de Cor”, afirmando que é uma experiência que mistura tanto o retorno no tempo quanto no espaço, reconhecendo o papel coletivo na construção de narrativas históricas.
A exposição “Um Defeito de Cor” estará aberta ao público no Espaço Expositivo do Sesc Pinheiros, localizado na Rua Paes Leme, 195. A visitação ocorrerá de terça a sábado, das 10h30 às 21h, e aos domingos e feriados, das 10h30 às 18h. A entrada é gratuita e haverá estacionamento disponível no local. Grupos interessados em agendar visitas podem entrar em contato através do e-mail: agendamento.pinheiros@sescsp.org.br.
O impacto do racismo, especialmente na progressão profissional das mulheres negras, que enfrentam múltiplas barreiras estruturais no Brasil, perpassa o desafio de conquistar uma posição de liderança. Embora a ascensão de lideranças negras, particularmente mulheres, a posições de destaque nos últimos anos seja um sinal positivo de mudança, o racismo sistêmico ainda cria barreiras significativas que limitam seu crescimento profissional. Este fenômeno, pode ser referido como o “teto de vidro racial”, uma metáfora que descreve como o racismo impõe limitações invisíveis, mas profundamente enraizadas, ao avanço profissional.
Mulheres negras frequentemente enfrentam uma interseção de discriminações baseadas em raça e gênero, o que complica ainda mais sua trajetória profissional. Essas barreiras não são apenas um obstáculo para a entrada em campos de trabalho bem remunerados e de alto status, mas também limitam as oportunidades de avanço uma vez dentro dessas carreiras. O racismo institucional se manifesta de várias maneiras, das clássicas atitudes que incluem preconceitos de contratação e disparidades salariais, até às micro agressões cotidianas, silenciamento e desvalorização de competências para aquelas poucas que alcançam a tão desejada posição de liderança.
Apesar da falta de representação, algumas mulheres negras têm quebrado barreiras significativas no Brasil. No entanto, os números gerais ainda refletem disparidades significativas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mulheres negras compõem uma parcela substancial da força de trabalho brasileira, mas estão majoritariamente em posições de menor remuneração e menor status. Em cargos executivos e posições de liderança, a presença de mulheres negras é ainda mais escassa.
Um relatório de 2020 da Ethos, organização focada na promoção da diversidade nas empresas brasileiras, mostra que apenas uma pequena fração dos cargos de liderança é ocupada por mulheres negras. Em grandes empresas, a porcentagem de mulheres negras em posições de liderança é mínima, refletindo não apenas o racismo e sexismo institucional, mas também a falta de políticas eficazes para promover a diversidade e inclusão no ambiente corporativo.
Mas o que tem depois do “teto de vidro”? O que a branquitude teme ao dar acesso e oportunidades para uma parcela da sociedade (56%) tão fundamental para a sustentabilidade corporativa e social? Segundo a psicóloga, ativista e escritora, Cida Bento, no Livro Pacto da Branquitude, “Há um lugar da branquitude que é colocar todos que não são brancos em uma condição de inferioridade. Isso é um pacto. O branco tem muito medo de ser minoria e em alguma parte dele sabe que aquilo que ele tem como privilégio foi expropriado dos negros. Durante quase 400 anos de escravidão, entre pouco mais de 500 anos de Brasil, quem trabalhou no país foram os negros. Esse lugar do branco aciona o medo. Os negros são credores que incomodam”.
Para superar o “teto de vidro racial”, é crucial a implementação de políticas de igualdade racial e de gênero que não apenas abordem a contratação e promoção, mas também criem um ambiente de trabalho inclusivo e de suporte. Existem dezenas de listas de boas práticas corporativas facilmente encontradas nos sites de busca, e nenhuma delas fará sentido sem a intencionalidade e o compromisso de quem toma as decisões. Para que uma organização se torne verdadeiramente inclusiva, o primeiro passo é a intencionalidade. Lideranças comprometidas com os valores sociais e a intenção de uma política interna sustentável. O Pacto Global tem um programa de direcionamento chamado Liderança com ImPacto, voltado para líderes comprometidos com os valores sociais, consequentemente raciais, a partir dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). E para focar nas questões raciais, tem o Pacto de Promoção da Equidade Racial, uma iniciativa que propõe implementar um Protocolo ESG Racial para o Brasil, trazendo a questão racial para o centro do debate econômico brasileiro e atraindo a atenção de grandes empresas nacionais e multinacionais da sociedade civil para o tema. Ferramentas de transformação não faltam.
O caminho para desmantelar o “teto de vidro racial” que limita as mulheres negras no Brasil é desafiador, mas não intransponível. Às empresas: aumentar a representação de mulheres negras em posições de liderança não é apenas uma questão de justiça social; é também uma estratégia que enriquece o ambiente de trabalho, trazendo diversas perspectivas e experiências que podem impulsionar a inovação e o sucesso organizacional. Às mulheres negras: não aceitem trabalhar apenas nos bastidores. Busquem a luz, a visibilidade e o reconhecimento que lhes pertencem. Não se diminuam para caber em lugares que não a valorizem.
O Ministério Público Federal (MPF) lançou um parecer ao Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) solicitando justiça para João Cândido Felisberto, conhecido como o Almirante Negro e figura central na Revolta da Chibata, ocorrida em 1910. O parecer pede que a Marinha organize um acervo sobre Cândido para que a sociedade tenha acesso à história do ‘Almirante Negro’ e pede ao governo federal que estabeleça políticas de reparação a ele e seus descendentes.
No documento, emitido no dia 19 de março, o MPF afirmou que João Cândido é vítima de uma “perseguição sem fim”, destacando a importância de corrigir essa injustiça histórica. O documento integra um inquérito civil em curso, visando estabelecer medidas que não apenas reparem as violações sofridas pelo líder militar, mas também revalorizem sua memória, que tem sido subestimada há décadas.
A proposta do MPF solicita a criação de museus dedicados à história de João Cândido e da Revolta da Chibata, bem como a classificação de Cândido como anistiado político. Esta última medida concederia a ele direitos que lhe foram negados quando foi expulso da Marinha em 1912. Isso inclui promoções retroativas que teriam sido concedidas caso não tivesse sido expulso da Marinha e uma pensão para seus descendentes, como seu filho Adalberto Nascimento Cândido, que atualmente tem 85 anos.
Em pronta resposta, a Comissão de Anistia do MDHC anunciou no dia 25 de março que o procedimento foi instaurado, mas não estabeleceu um prazo para a análise do requerimento. O documento também foi encaminhado pelo MPF à Coordenação de Memória e Verdade da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Pessoas Escravizadas do MDHC, para conhecimento e providências, e para a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, com o pedido de apreciação do Projeto de Lei 4046/2021 (originalmente PLS 340/2018), que prevê a inscrição de João Cândido no panteão dos heróis e heroínas da pátria.
“A manifestação da coordenadora-geral de Memória e Verdade da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Pessoas Escravizadas, Fernanda Thomaz, elenca uma série de episódios que, ocorridos após 1946, indicam não apenas a omissão prolongada do Estado brasileiro em anistiar o almirante negro, mas também uma atuação proativa em vigiar, perseguir e controlar a vida e o legado de João Cândido”, destacou o procurador Julio José Araujo Junior, que assina o documento, de acordo com matéria publicada pelo órgão.
No entanto, a resistência persistente da Marinha tem sido um obstáculo nesse processo. Membros da instituição já se manifestaram contra homenagens a Cândido, argumentando que sua liderança na Revolta da Chibata representou uma quebra de hierarquia e colocou o Rio de Janeiro em risco. Documentos mostram que não havia disposição da ditadura civil-militar em parar com o silenciamento sobre a história da Revolta da Chibata mesmo depois da morte de João Cândido. De acordo com o biógrafo de Cândido, Álvaro Nascimento, a canção “Mestre-Sala dos Mares”, escrita por Aldir Blanc e João Bosco, foi vetada pelo regime militar com a justificativa de que possuía “conteúdo esdrúxulo”, “mensagem negativa”, por abordar a “chibata na Marinha”, “prostituição no cais” e “lutas inglórias”, “do trabalhador do cais e sua negritude sofrida”.
Revolta da Chibata
Em 1910, diante das injustiças e castigos cruéis impostos aos marinheiros, João Cândido e seus colegas optaram por resistir, buscando melhores condições de trabalho e o fim dos castigos corporais.
No entanto, a traição do governo veio logo após a conquista de suas demandas. Em vez de reconhecer sua luta como uma defesa legítima pelos direitos humanos, os revoltosos foram expulsos e perseguidos. O racismo e a perseguição política persistiram por décadas, evidenciados por episódios de censura, violência e intimidação contra aqueles que tentaram manter viva a memória da revolta.
O MPF enfatiza que a história de João Cândido e seus companheiros é uma lição sobre agência negra, solidariedade entre trabalhadores e os valores fundamentais da cidadania e dos direitos humanos. A luta deles deve servir como inspiração para construir uma sociedade mais justa e igualitária.
O juiz Michael Gaffey recusou o pedido da defesa do ator Jonathan Majors de anular as condenações por agressão e assédio, mantendo o veredicto proferido pelo júri no dia 18 de dezembro passado. Como a decisão do juiz, Majors enfrentará a sentença conforme programado para a próxima segunda-feira, 8 de abril.
O ator de “Creed III”, pode enfrentar até um ano de prisão, conforme indicado pelas autoridades. A defesa de Majors, liderada pela advogada Priya Chaudhry, não emitiu comentários sobre a recente decisão. Enquanto isso, o escritório do promotor do distrito de Manhattan optou por não fornecer declarações à imprensa.
Na decisão, o juiz Gaffey rebateu cada ponto da objeção da defesa. Ele afirmou que a acusação de agressão imprudente foi corretamente submetida ao júri como uma alternativa à acusação de agressão intencional. Além disso, o juiz considerou que as evidências apresentadas no julgamento foram suficientes para estabelecer a culpa de Majors pelo assédio.
A controvérsia em torno do caso de Majors se intensificou após sua ex-namorada, Grace Jabbari, entrar com uma ação por difamação contra ele. Apesar das alegações e dos desenvolvimentos subsequentes, incluindo acusações adicionais por parte de outras mulheres, Majors manteve sua posição de inocência.
A carreira de Majors tem sido afetada profundamente pelos acontecimentos recentes. Ele foi dispensado por suas empresas de gerenciamento e RP logo após o incidente com Jabbari, e perdeu papéis importantes, incluindo sua participação no Universo Cinematográfico da Marvel, interpretando o supervião ‘Kang’. No entanto, o ator continha sendo agenciado pela WME.
Antes de qualquer coisa: se você não assistiu, assista antes de seguir a leitura deste texto, principalmente se você é atuante, participante ou líder de qualquer grupo de diversidade racial em sua empresa. Minha análise não é gerada a partir de um ponto de vista acadêmico e sim construída a partir de um ponto de vista de vivências, de quem está desde 1997 falando e vivendo o tema racial no mundo corporativo. Da vivência de quem ajudou a criar grupos de inclusão racial em empresas e fora delas, com um único objetivo: ascensão da população preta através da educação e oportunidades legítimas e igualitárias nas empresas.
Muitos dos nossos, que hoje ganham reconhecimentos públicos, decorrentes de atuação no combate antirracista no mundo dos CNPJs e querem (ou alegam o desejo de) tornar as empresas mais inclusivas para a população preta, estavam na zona do silêncio-conveniente, até o momento em que “George Floyd” ou “ESG” viram motivadores para posicionamento.
Por estas razões, o filme Ficção Americana, do diretor Cord Jefferson, adaptação do livro “Erasure”, de Percival Everett, é uma obra prima que desafia as expectativas e explora questões profundas sobre identidade racial e o movimento negro no mundo literário, mas cabe muito bem para qualquer segmento de mercado. Este filme se torna um marco que vai muito além de uma série de indicações ao Oscar: ele se torna obrigatório, ao lado do filme Uma Noite em Miami, da Regina King, para todas pessoas pretas que querem entender porque o movimento preto corporativo se perdeu.
O filme segue a história de Thelonious “Monk” Ellison, um escritor negro que luta para encontrar sucesso em um mundo literário dominado por pessoas não negras, demonstrando através do seu trabalho suas competências técnicas que são inquestionáveis, mas não são um sucesso devido à ausência do “pack rotulável de estereótipo para pessoas pretas”: histórias tristes com plot twist de superação. Monk, desiludido com as expectativas que lhe foram colocadas, decide escrever um livro satírico através de um pseudônimo, retratando estereótipos raciais e sociais de forma exagerada como uma forma de protesto e reflexão.
O livro vira um sucesso para o desespero do personagem. Neste momento do auge, dinheiro, fama, poder, convites vips e popularidade que começam a surgir para o pseudônimo do Monk, a dualidade da causa racial aparece em uma questão que o principal desafeto de Monk apresenta em uma única frase: É ruim atender ao gosto (imaginário) das pessoas (não negras)?
Este “desafeto”, representado pela personagem Sintara Golden, é a justamente a miopia que vemos nas subcelebridades pretas do mundo corporativo, que usam a causa racial baseadas no pensamento de que mal há em “ganhar” alguma coisa dando a “eles” o que “eles” querem de nós? As complexidades do racismo sistêmico e da luta por reconhecimento e validação dentro da comunidade preta e na sociedade em geral nos levaram a este patamar.
E o que é certo e errado neste sentido? Até que ponto ser o “Monk” pode ser ruim para o discurso antirracista nas empresas? Até que ponto ser a “Sintara” pode ser ruim para o discurso antirracista nas empresas? Não sei. E quem souber, tem a resposta de milhões em mãos. A parte triste é que todos nós em algum momento já fomos a um dos dois e, portanto, não podemos julgar aqui que ponto de vista é o certo ou o errado, mas podemos falar que, ao menos no Brasil, temos muito mais ‘Sintaras’ do que Monks e isso está no levando para um lugar perigoso de regressão e não evolução.
A regressão é decorrente da ausência de equilíbrio em questões pessoais x causas coletivas e, nos tornando um bando de Sintaras, permitimos que novamente as pessoas não negras nos coloquem nos rótulos atualizados que elas desejam nos ver. A adaptação do racismo em tempos de mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) é transparente e óbvia para quem já entendeu que o individual sobrepôs o coletivo a partir de 2020. É fato que conseguimos hackear o sistema. Também é fato que o antivírus do sistema é mais eficiente e inteligente do que a zona de conforto estruturada mais em fatos isolados do que fatos concretos criados a partir do imaginário de quem se coloca no lugar de porta-voz de Wakanda.
As Sintaras do mundo corporativo deram o ok para isso acontecer. Os novos rótulos que nos deram e nós aceitamos estão aí, no modus operandi claro de vários dos nossos que perderam o foco em discussões reais para nossa evolução racial nas empresas e não aceitamos mais ouvir verdades incômodas para retorno a causa coletiva e estamos confortáveis com mentiras sinceras que me interessam (individual) e que eles podem nos contar, seja esta mentira um prêmio, uma capa de revista ou uma participação internacional especial em algum evento “topzera” que teremos que produzir conteúdo e compartilhamos em futuros “downloads de conhecimento” com zero pessoas pretas tendo acesso a este conteúdo.
Ser “Monk” é entender que a causa nunca foi sobre likes, ostentação ou sobre julgar o verbo em primeira pessoa e sim sobre mostrar a potência da população preta e como a sociedade de modo geral só perde quando não conseguem aceitar este ponto. E por isso precisamos voltar a ter o equilíbrio, recalcular a rota e voltar a termos mais “Monks” urgentemente na liderança das nossas causas para alcançar o equilíbrio de quem sabe minimizarmos os impactos do antivírus que estão ativos e bugarmos o sistema de verdade, por coletivo e por o que nós queremos e não o que eles podem nos conceder.
O filme traz questões pessoais, familiares e de interseccionalidade muito válidas para reflexão dos Monks e das Sintaras e vale cada minuto. Mas especificamente para o mundo dos cnpjs, o filme traz um “acorda geral” e que também casa com a música do MV Bill Rapstência: Botar em prática a vocação, pra quem tá, entender como que foi construído. Transição com atualização pra deixar nosso verso um pouco mais evoluído. F* as visualizações, a meta continua adentrar nos corações. Rapstência, tem potência, somos cria, só família, com vivência.