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Tatiana Tiburcio fala sobre a importância do amor negro em ‘O Jogo que Mudou a História’

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Foto: César Diágones

O Jogo que Mudou a História’, nova série Original Globoplay que conta a história real de como surgiram as facções reais e o crime organizado no Rio de Janeiro, nas décadas de 1970 e 1980, estreou nesta quinta-feira, 13 de junho, na plataforma de streaming.

Na trama, Tatiana Tiburcio interpreta a Jacqueline, advogada que é casada com o Rosevan (Bukassa Kabengele), mais conhecido como Mestre. Ele é um dos líderes da Falange Vermelha, facção que se criou na época. No início da produção, ele está preso e mostra como os dois enfrentam essa situação difícil. Em meio às violências retratadas, o amor entre este casal é um momento de mais alívio e esperança na história. 

“A presença da Jacqueline e do Rosevan se faz tão importante, do amor desse casal, é um amor calçado no companheirismo, na amizade, no afeto, na família. Tem uma relação que não está atrelada à paixão, ao sexo, em um lugar de virilidade exagerada”, afirma Tatiana, em entrevista ao Mundo Negro. “Colocar esse casal, tendo uma relação atrelada a outros sentimentos e intuitos, que estão para fora dos estereótipos a nós associados, é importantíssimo. Nos permite uma visão de humanidade sobre esses corpos e é isso que buscamos quando falamos da construção de uma nova narrativa preta”, completa.

Embora Jacqueline aparente muita bravura para o marido, ela é o retrato sobre a solidão da mulher negra, por lidar com um marido preso, a sobrecarga nos cuidados dos filhos e a busca pela oportunidade de trabalho sendo uma advogada formada. “Ela é uma mulher que ainda continua na luta, guerreando contra uma estrutura que a nega em todos os sentidos, enquanto mulher, mulher negra, oriunda da classe social da qual ela vem. Jacqueline é uma mulher negada o tempo inteiro, mas que não se rende e mantém a sua dignidade e integridade nessa luta pelo direito de existir”, conta a atriz.

Durante a entrevista, Tatiana Tiburcio também reflete sobre como a série ‘O Jogo que Mudou a História’ é necessária para entender a falta de responsabilidade do Estado com a população negra e como o racismo também se conecta com encarceramento em massa de pessoas negras.

Tatiana Tiburcio como Jacqueline e Bukassa Kabengele como Mestre (Foto: Divulgação/Globoplay)

Leia a entrevista completa abaixo:

Em meio à violência retratada na série, o telespectador vai poder sentir um pouco de alívio com a aparição de sua personagem Jacqueline e seus filhos com o marido Mestre. Como você avalia a importância dessa retratação de um amor negro na trama?

Eu acho que é muito importante apresentarmos o sujeito negro para fora ou para além do estereótipo a ele atribuído. Falamos de uma série onde o estereótipo da violência está muito presente, está muito latente. Afinal de contas, estamos falando do surgimento de uma grande facção criminosa no Rio de Janeiro. Então, não tem como não estar retratado ali um dos estereótipos a nós atribuídos. Justamente por isso, a presença da Jacqueline e do Rosevan se faz tão importante, do amor desse casal, é um amor calçado no companheirismo, na amizade, no afeto, na família. Tem uma relação que não está atrelada à paixão, ao sexo, em um lugar de virilidade exagerada, que é um outro lugar estereotipado também. É muito necessário, traz uma camada muitas vezes excluída, negada a nós, que é a humanidade. Somos plurais, somos múltiplos. Colocar esse casal, tendo uma relação atrelada a outros sentimentos e intuitos, que estão para fora dos estereótipos a nós associados, é importantíssimo. Nos permite uma visão de humanidade sobre esses corpos e é isso que buscamos quando falamos da construção de uma nova narrativa preta.

Ter uma mulher preta sendo representada na década de 70 e 80 como uma advogada, ainda é uma novidade nas produções brasileiras. Ainda assim, é difícil não associar a uma personagem que sofre com uma sobrecarga nos cuidados dos filhos, por se tratar da realidade. Como você enxerga a solidão das mulheres negras, sobretudo em comparação da época com a atualidade?

Em relação à solidão das mulheres negras, isso é um campo tão amplo, é tão gigante falar disso. Você está falando dessa mulher enquanto mulher no gênero feminino, em seus desejos em relação a um parceiro ou parceira. Falando dessa mulher dentro de um contexto maior em relação à maternidade, por exemplo. Falando dessa solidão em relação ao trato no ambiente de trabalho. Falar da solidão da mulher negra é algo extremamente amplo. A Jacqueline carrega vários lugares dessa solidão, nessa condição de ter batalhado tanto. No momento que ela se torna uma advogada em um país racista como o Brasil, e que ainda é muito atualmente, é uma imensa vitória. No entanto, as condições sociais que acercam e que colocam pessoas como ela, Rosevan e seus filhos, em uma condição de difícil acesso a facilitar possibilidades e oportunidades, faz com que não consiga usufruir dessa vitória e colher todos os frutos necessários e justos dessa conquista tão árdua. Quer dizer, quando você pensa em uma pessoa formada em direito, em um advogado exercendo a sua profissão, você pensa em uma pessoa estruturada economicamente. Isso se essa pessoa for branca, se ela não for, tudo fica um pouco mais complexo, entram outros elementos que vão dificultar esse caminho e, por vezes, até impossibilitar de usufruir desse êxito em toda a sua plenitude. E é um pouco o que acontece com a minha personagem, ela acha um lugar para exercer a sua profissão dentro das condições que o Estado a mantém, que impõe para ela. Eu acho a Jacqueline uma guerreira, ela não termina nunca de batalhar. E, de certa medida, tendo que colocar esses sonhos em segundo plano para conseguir manter a existência dessa família física e emocionalmente. Ela é uma mulher que ainda continua na luta, guerreando contra uma estrutura que a nega em todos os sentidos, enquanto mulher, mulher negra, oriunda da classe social da qual ela vem. Jacqueline é uma mulher negada o tempo inteiro, mas que não se rende e mantém a sua dignidade e integridade nessa luta pelo direito de existir.

E como o Estado pode intervir diretamente nessa condição que atinge as mulheres negras?

Eu acho que o primeiro de tudo é reconhecer ser racista. O estado brasileiro, a sociedade brasileira, precisam de forma clara, direta e objetiva reconhecer ser racista. Entender que a estrutura econômica, política, social da nossa sociedade como um todo, apesar de toda a sua diversidade, é estruturada a partir de uma visão racista e preconceituosa, de uma estrutura escravocrata. Toda a origem cultural e social desse país vem dessa relação. A economia desse país vem dessa relação. As estruturas, os tratos sociais, a visão sobre os agentes sociais, os sujeitos sociais da nossa sociedade brasileira vêm dessa relação. Então, não tem como discutir qualquer questão social, econômica e política dentro desse país sem colocar a questão racial na frente, ou não vamos conseguir enxergar o problema como ele realmente é. A justiça, a política, a economia, a geografia são racistas e preconceituosas. Enquanto o estado não reconhecer isso vamos ter que continuar batalhando muito acima da média para conseguir alcançar os nossos objetivos. Conseguimos, o povo preto é um povo que sobrevive ao racismo há quatro séculos. Sobrevivemos à escravidão e sobrevivemos ao racismo até hoje. Vamos continuar sobrevivendo, mas o que queremos é viver e não sobreviver. E vamos continuar lutando e batalhando para poder conseguir alcançar isso um dia, estamos plantando hoje as sementes para que os nossos lá na frente colham os frutos disso. Essa vitória virá e isso é um fato.

Jacqueline é uma personagem real ou fictícia? Como foi o seu processo de preparação para estudar esse papel?

A Jacqueline é inspirada em uma personagem real, mas durante o processo foi uma construção muito mais na direção de tudo isso que viemos falando aqui, dentro de um viés de militância e compreensão da questão racial, do que a uma associação direta a personagem real. Não negando a representatividade ou a consciência dessa personagem na vida real, mas entendendo que era uma grande oportunidade de trazer elementos mais amplos, plurais, gerais. Para além do indivíduo, e eu acho que isso foi um grande acerto.

A série aborda temas muito relevantes sobre segurança pública e direitos humanos básicos sendo violados nos presídios e nas periferias. Como você avalia a importância dessa produção hoje em dia, em especial para a população negra?

Eu acho que já passou da hora de refletirmos sobre as condições, o que entendemos enquanto sociedade sobre encarceramento. Isso passa muito pela resposta anterior sobre a responsabilidade do Estado em relação aos sujeitos negros. Se você olha o contingente de pessoas dentro dos presídios no Brasil como um todo, você vai ver a cor dessas pessoas. E isso não é em vão, isso não é à toa. Isso vem de uma visão racista, preconceituosa sobre a pele, a cor, a representação desse indivíduo. Isso passa pelo reconhecimento do Estado enquanto um Estado racista. A compreensão dessa condição de Estado vai levar a reflexão sobre os caminhos de estruturação das relações sociais, que vão reverberar na compreensão da estrutura geográfica, como você lida com a formação dos bairros, com o meio de transporte. Tem a visão sobre o cuidado que você tem que ter com os transportes de linha A e de linha B. Você está entendendo que tudo isso interfere. Eu acho que toda a luz que possamos jogar para um debate que possibilite a reflexão sobre essa necessidade de reestruturar o olhar sobre as grandes mazelas da construção da nossa sociedade é válida. Eu acho que é válido, é importante, mais do que isso, é necessário.

Além de ‘O Jogo que Mudou a História’, os fãs já podem aguardar por novos projetos contigo? Algo que possa compartilhar com o Mundo Negro.

Uma das coisas que eu acho mais legais na nossa profissão é a possibilidade de vivenciar e experienciar, às vezes, até ao mesmo tempo, universos tão diferentes e diversos. Ao mesmo tempo em que estou estreando ‘O Jogo que Mudou a História’ no Globoplay, estou em ‘Passinho: o Ritmo dos Sonhos’, da Disney. É um projeto como se fosse ‘High School Musical’, só que dentro de uma construção do passinho, do universo do passinho carioca. Dessa cultura do passinho que cerca todo o universo dessa dança. E sem passar pela violência, sem passar por mazelas imediatamente associadas a esse universo. Também estou muito feliz com esse projeto. Tem um espetáculo para estrear agora, no próximo mês, em julho, no SESC Copacabana, sobre a obra ‘Ponciá Vicêncio’, de Conceição Evaristo. Tem outros projetos de novela, de série, mas esses ainda não posso falar. Por enquanto, tenho que segurar um pouquinho. Teatro, cinema, televisão, streaming, tem coisas bem bacanas vindo e eu estou muito feliz. Tem muita coisa boa vindo por aí, acho que vocês vão curtir.

Nigéria enfrenta sua pior crise econômica em mais de 30 anos: 87 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza

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Foto: AP / Mansur Ibrhaim.

Desde 2015, a Nigéria tem enfrentado uma das piores crises econômicas de sua história. Duas recessões, impulsionadas por políticas econômicas mal concebidas, um colapso nos preços do petróleo e os impactos devastadores da pandemia de Covid-19,causaram danos profundos e duradouros à maior economia da África, resultando no aumento da miséria e da fome na população.

Especialistas defendem que a crise tenha piorado devido a duas grandes mudanças implementadas pelo presidente Bola Tinubu, eleito há 15 meses: a eliminação parcial dos subsídios aos combustíveis e a flutuação da moeda. Como resultado, a inflação disparou, atingindo seu nível mais alto em três décadas, enquanto a moeda local, a naira, continua caindo para mínimos históricos devido à escassez de dólares.

Foto: Shutterstock

Os preços dos alimentos, gás de cozinha, medicamentos, combustível e transporte público subiram vertiginosamente, pressionando severamente os orçamentos familiares. Com uma taxa de desemprego superior a 30%, muitos nigerianos estão sem emprego formal e dependem do setor informal para sobreviver. Atualmente, estima-se que mais de 87 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza na Nigéria, tornando-se a segunda maior população pobre do mundo, atrás apenas da Índia.

Foto: Benson Ibeabuchi/Bloomberg.

De acordo com o The New York Times, mais de 92% dos nigerianos em idade produtiva estão no setor informal, onde não há salários e nem sindicato para lutar por eles. “Os sindicatos estão em greve para protestar contra os salários de aproximadamente US$ 20 por mês. Pessoas morrem pisoteadas em meio ao desespero para receber doações de sacos de arroz. Os hospitais estão lotados de mulheres que sofrem de espasmos causados por deficiência de cálcio”, destaca o veículo.

Além das decisões de governo, o Banco Mundial também citou os constantes conflitos armados que atingem 7 estados do norte da Nigéria como responsáveis pelos altos níveis de insegurança alimentar no país. Problemas estruturais de longa data na Nigéria mantiveram os custos dos alimentos elevados durante grande parte da última década, diminuindo consideravelmente a produtividade.

Ex-BBB Matteus Amaral e mãe são acusados de fraudar cotas raciais para ingressar em curso superior

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Foto: Reprodução

Matteus Amaral, o vice-campeão do Big Brother Brasil 24, ingressou no Instituto Federal Farroupilha, no Rio Grande do Sul, em 2014, por meio das cotas raciais se autodeclarando preto, afirma uma advogada, conhecida como Suzzy, com uma publicação no X (antigo Twitter), nesta quinta-feira, 13 de junho.

“O rapaz com o nome de Matteus Amaral Vargas cursou Engenharia Agrícola no Campus Alegrete”, mostrou a advogada com um link que leva ao edital com o resultado dos recursos e homologação das pré-matrículas da primeira chamada dos cursos superiores do Instituto. No mesmo documento, também é possível ver o nome da mãe do ex-BBB, Luciane da Silveira Amaral, que também se autodeclara como uma mulher preta. Confira aqui!

https://twitter.com/hablasuzzy/status/1801311196735238346

Após começar a viralizar a publicação, a advogada agradeceu a parceria de outros profissionais para fazer a exposição, incluindo de uma pessoa que trabalha com Sistemas de Informação. “Não divulgaria isso apenas com o print se não tivesse achado o link oficial e confirmado o domínio com seu conhecimento técnico. parabéns amigo, vc é MUITO FERA!”, destacou. 

Suzzy também deixou um convite para os seguidores participarem de um Space às 21h no X e garante que todas as informações são públicas e oficiais. “A gente falou com um técnico de informática, com dois advogados, inclusive com muito conhecimento sobre ações afirmativas, cotas. Às 21 horas vai ter o Space da Andressa, com participação de outras pessoas que fizeram essa apuração e também com esses advogados”, disse.

Até a publicação dessa matéria, Matteus e Luciane ainda não haviam se pronunciado nas redes sociais sobre o caso.

Issa Rae fecha contrato com a Televisa para impulsionar roteiristas e criadores da América Latina

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Foto: Adrienne Raquel.

A empresária e atriz Issa Rae, através de sua empresa Ensemble, assinou contrato com a Televisa para impulsionar e dar novas oportunidades para criadores da América Latina e da língua espanhola. A ideia é conectar roteiristas e profissionais da economia criativa com marcas, dando-lhes acesso a recursos de produção e treinamento de habilidades.

“À medida que executamos a nossa missão de trazer mais equidade à Economia dos Criadores, é importante que tenhamos parceiros com ideias semelhantes e que estejam prontos para proporcionar mais oportunidades aos criadores de comunidades sub-representadas”, declarou um representante da Ensemble. “Essa parceria poderosa capacitará os criadores hispânicos para se envolverem mais profundamente com marcas dentro e ao redor da cultura, independentemente da plataforma ou formato”.

Foto: Build.

A parceria também prevê acesso aos estúdios da TelevisaUnivision nos Estados Unidos, com a empresa de mídia organizando “acampamentos de criadores” ligados a alguns de seus principais eventos. Em fevereiro, Issa Rae também anunciou a criação de seu próprio estúdio para impulsionar profissionais negros.

A artista, criadora da série ‘Insecure’ é conhecida pelos trabalhados realizados para promover e valorizar negócios locais em Los Angeles, ela também tem investido em diferentes ramos de atividade. Recentemente, Rae anunciou a abertura de uma cafeteria, localizada no Centro da cidade, e de sua própria marca de vinhos.

Vini Jr. e Alok inauguram centro de tecnologias educacionais em escola pública quilombola com foco em educação antirracista

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Foto: Reprodução/Instagram

Os Institutos Vini Jr. e Alok inauguraram nesta terça-feira, 11, o primeiro Centro de Tecnologias Educacionais Base (CTs Base) na Escola Municipal Quilombola Professora Lydia Shermam, em Búzios, Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A cerimônia contou com a presença de representantes dos institutos, alunos e professores, marcando o início de um projeto voltado à inovação educacional em escolas públicas e tem foco na educação para relações étnico-raciais.

O CT Base, resultado da parceria entre o jogador de futebol Vini Jr. e o DJ Alok, une futebol e tecnologia ao apoio a ações sociais, visando a melhoria do rendimento escolar e a promoção da Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER). Equipado com televisores, tablets, notebooks e smartphones, fornecidos pela empresa WAAW, o centro possui uma ambientação especial inspirada nos temas de futebol e música, com chão de grama sintética e decoração alusiva à dupla. Os CTs Base têm como foco o apoio ao ensino e à inclusão digital, especialmente no 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.

O projeto, chamado Base Ancestral, deve inaugurar um segundo centro na cidade de Ituberá, na Bahia, com abertura programada para o segundo semestre deste ano. Também está prevista a interação entre os personagens Vini Jr. e Alok no Aplicativo Base, que é o software educacional desenvolvido pelo Instituto do jogador e norteado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). No ambiente virtual, eles motivam e empoderam os alunos em matérias tradicionais e na seção de ERER. Além disso, o projeto oferecerá suporte contínuo aos docentes, bem como oficinas que abordam essas relações.

Segundo Victor Ladeira, diretor executivo do Instituto Vini Jr.: “essa escola, com raízes quilombolas, nos traz uma grande lição sobre a educação como um processo de troca, de valorização de saberes e de conhecimentos compartilhados entre educadores e educandos. O Instituto Vini Jr. e o Instituto Alok estão juntos para que esse espaço valorize ainda mais a sua ancestralidade e potências.”

Devam Bhaskar, diretor do Instituto Alok, destacou: “Contribuir para o melhor rendimento escolar dos alunos da escola pública é um desejo do Instituto Alok, e estamos felizes em encontrar no Instituto Vini Jr. a parceria que nos permite vislumbrar bons resultados. Temos certeza de que a presença de personagens que representam Alok e Vini Jr. no aplicativo ofertado aos alunos e professores será um estímulo a mais para as crianças, além de toda a ambientação do espaço físico nas escolas com elementos do futebol e da música.”

Bhaskar completou: “A ênfase que estamos colocando no desenvolvimento da educação antirracista e de valorização das culturas ancestrais reflete o compromisso de ambos os institutos por uma educação capaz de gerar uma nova consciência sobre a formação da civilização brasileira.”

Confira as fotos do CT:

Em Minas Gerais, fazenda coletiva lança São João com protagonismo negro, festas inspiradas em Beyoncé e no Orgulho LGBTQIA+

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Foto: HILRELI

A Refazenda Rio Xopotó, um projeto coletivo em Desterro do Melo, na Zona da Mata Mineira, lança a 3ª edição de sua festa de São João. Além das clássicas quadrilhas, abertas ao público aos sábados, o evento deste ano destaca importantes movimentos sociais e tendências contemporâneas. Entre os temas abordados estão o Orgulho LGBTQIAPN+, o protagonismo e a cultura negra nas tradições brasileiras, e o combate ao etarismo. Além disso, será feito um especial de São João dedicado a Beyoncé.

Os valores variam a partir de R$ 650,00, os quatro dias de hospedagem na fazenda, incluindo toda a alimentação local durante a vivência e o ingresso para a festança no sábado. A contribuição é estruturada em três valores possíveis, em que se pode escolher o que melhor se encaixa na realidade de quem quer participar.

Confira o calendário e as temáticas:

13/06 a 16/06 – O São João especial Beyoncé dará protagonismo à juventude negra.
20/06 a 23/06 – O São João 60+ celebrará o tradicional e ancestral do São João, com forró ‘das antiga’, evidenciando a pauta do anti-etarismo cada vez mais presente nas discussões.
27/06 a 30/06 – O São João Queer é a primeira festa São João PRIDE, onde todes serão mais que bem vindes, e toda expressão de gênero e sexualidade será celebrada.
04/07 a 07/07 – O São João Fogo no Rabo será um dos mais divertidos e democráticos, cabendo um lugarzinho pra todo mundo vivenciar a roça na casa coletiva mais disputada do Brasil.

Mais informações pelo telefone/whatsapp (32) 9923-7203. Os interessados devem preencher formulário disponível (CLIQUE AQUI).

Anielle Franco critica PL que equipara aborto a homicídio e alerta para impacto sobre vítimas de violência sexual

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Foto: Reprodução

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, criticou, na manhã desta quinta-feira, 13, a aprovação do requerimento de urgência do Projeto de Lei 1904/24, que equipara o aborto acima de 22 semanas ao crime de homicídio. O projeto, de autoria do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), penaliza mulheres e meninas vítimas de violência sexual que interromperem a gestação, prevendo penas mais severas do que as aplicadas aos estupradores.

Em publicação no X/Twitter, a ministra destacou que a aprovação do requerimento retrocede os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres no Brasil. “A Câmara aprovou ontem o requerimento de urgência do PL 1904/24, que retrocede os direitos sexuais e reprodutivos de mulheres e meninas no Brasil e concretamente agrava os casos de gravidez infantil, forçando crianças violentadas a serem mães”, afirmou a ministra.

A urgência na tramitação do projeto implica que ele não passará por comissões e será encaminhado diretamente ao plenário. Para Anielle Franco, isso representa uma falta de espaço para discussão com a sociedade e especialistas sobre a proposta. “As discussões sobre essa proposta desastrosa para a vida de meninas e mulheres no país tramitam com velocidade e pouco espaço para discussão com a sociedade e especialistas”, criticou.

Segundo o texto do PL 1904/24, mulheres adultas vítimas de estupro que realizarem o aborto após 22 semanas, bem como os profissionais que executarem o procedimento, podem ser condenadas por homicídio, com penas que chegam a até 20 anos de prisão. Franco sublinhou que essa pena é o dobro da aplicada aos agressores do estupro, cuja máxima é de 10 anos.

A ministra também ressaltou a gravidade da situação de violência sexual no país, citando dados de 2022 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Os dados são alarmantes: o Brasil registrou cerca de 75 mil casos de estupro – o maior da série histórica. Seis a cada dez vítimas eram crianças de até 13 anos, 57% eram negras e 68% dos estupros ocorreram na residência das vítimas. Outro dado revela a gravidade deste cenário: em 64% dos casos, os autores eram familiares das vítimas”, detalhou.

Ela concluiu a publicação alertando sobre os impactos do projeto. “Esse projeto representa retrocesso e desprezo pela vida das mulheres. Esse não é o Brasil que queremos”, escreveu.

A proposta de Cavalcante tem gerado controvérsia e reacendeu o debate sobre os direitos reprodutivos no país. Grupos de defesa dos direitos das mulheres e entidades de saúde se manifestaram contrários ao projeto, apontando para os riscos e impactos negativos sobre a saúde das mulheres, especialmente as que são vítimas de violência sexual.

Ed Motta diz que quem escuta hip-hop é burro e que pessoas inteligentes escutam jazz: “Eu represento o que a raça tem de mais sofisticada”

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Foto: Jorge Bispo / Divulgação.

O cantor e instrumentista Edd Motta causou polêmica nesta quarta-feira (12) após um vídeo viralizar nas redes sociais. No registro, o músico dispara que pessoas que escutam Hip-Hop são ‘burras’. “Qualquer um que ouve Hip-Hop é burro, qualquer um, sem exceção”, declarou. “O que alguém inteligente ouve? jazz, música clássica”.

Em outro trecho do vídeo, Motta declara que representa a sofisticação. “Eu sou preto. Represento o que a raça tem de mais sofisticada”, diz ele. Nas redes, o músico foi amplamente criticado. “Esses caras do MPB são tudo isso aí, acham que por fazerem esse tipo de música são melhores que os outros. A pura classe elitista da música no Brasil“, destacou um internauta.

O escritor Ale Santos também criticou a fala de Motta. “Se o Tim [Maia] tivesse vivo, tava descendo o cacete nas merdas que o sobrinho fala pra aparecer. Qual relevância tem o Ed Motta falando mal do Rap, atualmente?“, publicou, através de sua conta no X, antigo Twitter.

O jornalista Adailton Moura, também através do X, declarou que não é novidade a forma como Ed Motta menospreza o Hip-Hop. “Não é novidade que o ele não gosta de rap/hip hop, mas a forma que critica vem carregada de elitismo e muito, mas muito, preconceito. Dessa vez, e talvez em outras, chegou a dizer que todos que fazem e ouvem hip hop deveriam estar presos. Lamentável, mas zero surpresas”, publicou o comunicador.

Onde estão as lideranças negras no mercado de trabalho?

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Foto: Reprodução/Coletivo Pretas B

Texto: Juliane Sousa

Não é novidade para ninguém que vivemos em um país extremamente desigual. Isso se reflete em vários setores da nossa sociedade, como o mercado de trabalho. 

A população negra brasileira é maioria (55,8%), mas apenas 33,3% está inserida no mercado de trabalho formal, segundo a pesquisa “Lideranças em Construção – Por que a trajetória de profissionais negros é tão solitária?”, da Indique Uma Preta e da Cloo. 

É muito importante refletirmos por que as pessoas negras ainda precisam lutar tanto para ter acesso a direitos básicos como moradia, educação, alimentação, saúde e trabalho?

Esta desigualdade se acentua nos cargos de liderança nas empresas. O estudo aponta que faltam negros: menos de 5% nas 500 maiores companhias no país. Quando falamos de mulheres negras, somente 31% das posições gerenciais são ocupadas por mulheres negras e os demais 69,9% por mulheres brancas. Dos respondentes autodeclarados pretos e pardos, apenas 8% ocupam estas posições onde trabalham. 

O Brasil é tão diverso como desigual. Esta diversidade é vista na raça, no gênero, na origem, na cultura, na orientação sexual e em outros pilares sociais, porém não em todas as instâncias onde precisa. Há estruturas de exclusão de profissionais negros, que perpetuam e dificultam a ascensão e a retenção deles nas lideranças do trabalho.

Segundo o estudo, já começam na educação (decisiva na contratação) por falha estrutural. O analfabetismo de pessoas pretas ou pardas com mais de 15 anos é de 9,1% e de 3,9% da população branca.

Apesar de a Lei de Cotas aumentar em 205% os universitários negros, somente 21,1% dos respondentes pretos concluíram a graduação e 0,7% ingressaram na especialização. Quanto ao idioma inglês, habilidade essencial, dos 7% que responderam ter fluência, só 3% são pessoas pretas.

Nas respostas, as barreiras sociais que causam a exclusão na jornada profissional incluem discriminação, inércia das lideranças, falta de representatividade, acesso limitado a redes profissionais e para conciliar trabalho, estudos e vida pessoal.

Estas experiências negativas criam outras barreiras, as comportamentais, como sobrecarga cognitiva e bloqueios criativos por perfeccionismo, que os impedem de prosperar e os deixam sem perspectivas.

Sobre ações afirmativas de diversidade e inclusão na empresa, 44% não souberam responder.   Esta falta de oportunidades de crescimento aos profissionais negros traz sofrimento e insegurança psicológica. 

A ausência de políticas de governança e de lideranças engajadas para inclusão gera uma equipe desgastada, instável e com alta rotatividade, sobretudo, das lideranças negras.

Estratégias para incluir, desenvolver e transformar

A pauta D&I no mundo corporativo ganhou destaque nos últimos anos e processos seletivos exclusivamente para profissionais negros se tornou mais frequente, porém, para se chegar às soluções efetivas, é preciso ouvir as experiências e perspectivas desses profissionais.  

Alguns princípios são importantes para o desenvolvimento da carreira profissional de pessoas negras: intencionalidade na promoção, feedback humanizado, claro e constante, líderes engajados, treinamentos, acompanhamento dos acelerados, clareza nos planos de carreira e capacitação reversa.

A comunicação estratégica sobre as ações afirmativas também é uma ferramenta de mudança, inclusive, para inspirar o mercado de trabalho.

Integrar os profissionais negros os potencializa como líderes, inclusive, com função política. Neste sentido, o Sistema B Brasil tem uma agenda de ações institucionais antirracistas, como os letramentos, para auxiliar seu time e suas lideranças a serem mais ativos na promoção de novos talentos e criação de um ambiente diverso e inovador, beneficiando toda uma cadeia de vidas envolvidas.

Além disso, há o coletivo Pretas B, um espaço de encontros, trocas, conexão e acolhimento entre as mais de 100 mulheres negras do Movimento B no Brasil, entre lideranças, colaboradoras de Empresas B e Multiplicadoras B.

Este lugar seguro de aquilombamento propicia o desenvolvimento de carreira e importantes discussões para promoção de ações afirmativas no Sistema B Brasil focadas na equidade racial e de gênero.

É preciso gerar uma real mudança capaz de produzir políticas efetivas de inclusão para o progresso da carreira dos profissionais negros. Para tanto, é necessário conhecer profundamente o racismo e imergir na diversidade brasileira, que abrange diversos marcadores sociais e narrativas potentes que podem combater as desigualdades sociais no mercado de trabalho. São as ações e a procura por mudanças que transformarão esta realidade.   

 * Jornalista quilombola e Gerente  de Comunicação e Marketing do Sistema B Brasil

Obs.: A pesquisa ouviu mais de duas mil pessoas de diferentes raças e localidades do Brasil.  Indique Uma Preta é uma consultoria especializada em Diversidade & Inclusão. Cloo é uma empresa de investigação e consultoria comportamental.

Deputada estadual do RJ, Renata Souza, registra boletim de ocorrência contra ameaças de morte e ataques racistas

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Foto: Reprodução/g1

A deputada estadual do Rio de Janeiro, Renata Souza, registrou um boletim de ocorrência na última terça-feira, 11, denunciando ameaças de morte que ela e sua equipe receberam pelo e-mail de seu gabinete e nas redes sociais, na madrugada do dia 10 de junho. A parlamentar contou que a pessoa que enviou as ameaças afirma ter os dados pessoais de Souza, além de se identificar como um homem e dizer ser menor de idade.

“São ameaças gravíssimas e eu não posso naturalizar qualquer tipo de ameaça contra a minha vida ou contra a vida de qualquer pessoa, em especial, na sua atuação enquanto uma mulher negra na política. A nossa atuação incomoda porque ousamos lutar dentro de vários espaços em defesa da população vulnerável”, contou Renata em entrevista para o G1 após registrar ocorrência.

Em um comentário sobre o ocorrido no Jornal das 10, na Globo News, a jornalista Flávia Oliveira, destacou que o caso “É sobretudo uma mensagem de violência política, e digo isso não só porque ameaça uma parlamentar eleita, uma parlamentar no exercício do mandato, mas essa mensagem chegou pelo e-mail do gabinete, a ferramenta de trabalho do parlamentar, e ameaça violência física dentro do gabinete, dentro do parlamento, dentro da assembleia legislativa do Rio de Janeiro. Eu faço essa ênfase para gente conseguir qualificar todas as dimensões de violência contidas nessa mensagem dirigida a Renata Souza. E que não é um ineditismo, a gente já teve o assassinato de Marielle Franco, mas a gente já teve episódios recorrentes de racismo, de ataques, de ofensas a parlamentares mulheres, não se trata somente de uma agressão a uma mulher, a um indivíduo. Se trata de um ataque ao que ela representa e, em última instância, a democracia brasileira, porque isso produz intimidação”, destacou.

A jornalista ainda pontua que é necessário cobrar providências das autoridades: “Quantas mulheres podem desistir ou quantas mulheres efetivamente já desistiram em razão desse ambiente político absolutamente tóxico que acontece no Brasil, mas que no Rio de Janeiro já chegou a um feminicídio político. E a gente não pode ter dois. A gente tem que efetivamente, como sociedade, se levantar, se indignar e cobrar providências das autoridades constituídas”.

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