“Mulheres Negras na Liderança”: 4ª edição da pesquisa convida profissionais para compartilhar experiências
Equipe de Rayssa Leal tenta liberação para que mãe da atleta de 16 anos possa dormir na Vila Olímpica de Paris
Faltando 8 dias para o início das Olimpíadas de Paris, Rayssa Leal, de 16 anos, chamou atenção da mídia após realizar um pedido ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB). A equipe da skatista pediu a liberação para que Lilian Mendes, mãe da atleta, possa acessar a Vila Olímpica e dormir com sua filha durante a competição. O problema é que o COB libera acompanhantes apenas para atletas menos de 14 anos.
“Estamos conversando ainda com eles. Ela não ficar na Vila é ruim por questão de logística. O que está todo mundo tentando ajudar é se a gente consegue fazer a mãe dela dormir com ela. E, se não a mãe dela, alguém que ela confia que pode estar com ela“, disse Tatiana Braga, CEO da TB Sports, agência que cuida da carreira de Rayssa.
Conhecida carinhosamente como “Fadinha do Skate”, Rayssa ganhou destaque internacional aos 13 anos ao conquistar a medalha de prata nas Olimpíadas de Tóquio-2020, tornando-se a medalhista mais jovem na história do Brasil. Nascida em Imperatriz, Maranhão, Rayssa começou a andar de skate aos seis anos e desde então demonstrou um talento excepcional na modalidade street.
Xênia França reflete sobre a construção da sua autoestima: “a música me ensinou a enxergar diferente”
EXCLUSIVO! Xênia França, além de uma ser cantora renomada, tema da novela das nove da TV Globo, ‘Renascer’, também é referência no mundo da moda e da beleza, e chegou a realizar o seu primeiro desfile de alta-costura da Chanel, em Paris, no início do ano. Mas para construir essa autoestima não foi um trabalho fácil para a artista.
“Se encaixar em um cenário é o mesmo que estar brigando com você mesma o tempo todo. Estar brigando com sua pele, com seu cabelo. Com coisas que não fazem o menor sentido. Precisei aprender a forjar uma beleza interna e reeducar o que achava sobre mim mesma e essa mudança veio a partir da minha relação com a música. Ela me ensinou a enxergar diferente”, destaca a vencedora do Grammy Latino, durante entrevista ao episódio desta quinta-feira (18), do videocast ‘Mamilos Café’, comandada por Ju Wallauer.
Além disso, a artista explica como a espiritualidade a fez enxergar o belo nas pessoas, nos lugares e na arte. “Uma das grandes artes de Oxum é a manifestação da beleza. Eu sou devota da beleza. Leio poemas, assisto filmes, converso com pessoas e acho que isso faz parte de um processo de lapidação para ver a beleza que há em tudo. É quase como se fosse um chamado”, diz.

Durante o bate-papo, a baiana também conta como foi o processo de encarar São Paulo para investir em sua carreira em uma nova cidade, sem perder as raízes. “Sou a prova viva de que existe amor em São Paulo. Escolhi a cidade mais rígida do Brasil para viver porque se fosse para morar em qualquer outro lugar, talvez não teria me projetado da mesma maneira”.
Ao fazer um balanço da sua carreira, Xênia reflete sobre a importância de abraçar os diferentes ciclos da vida e entender que tudo está em constante mudança. “Aprendi a fazer uma conexão com a minha maneira de pensar referente ao meu tempo, por exemplo, o tempo que levo para fazer uma coisa, uma música, um disco ou um arranjo. É sobre aproveitar as fases, os tempos, me colocar à disposição disso. Tenho noção de que estou construindo uma carreira, estruturando um caminho” afirma.
Janet Jackson revela incômodo com entrevistas em declaração sincera durante programa de rádio
A cantora e vencedora de cinco prêmios Grammy, Janet Jackson, falou de forma surpreendente sobre como se sente sobre dar entrevistas durante uma recente participação no programa de rádio Heart Evenings com Dev Griffin. Conhecida pelo trabalho na música, Janet surpreendeu ao dizer que não gosta de falar.
Ao ser questionada por Dev Griffin sobre qual pergunta ela gostaria que os repórteres parassem de fazer, Janet não hesitou em responder com sinceridade. “Não quero ser rude, mas tenho que ser honesta com você”, disse a cantora antes de completar sua resposta. “Por favor, pare de me fazer perguntas.”
Jackson, famosa por sucessos como “All for You”, explicou que nunca se considerou boa em entrevistas e que prefere ouvir as pessoas ao invés de falar. “Realmente não gosto de falar, então prefiro ficar quieta e ouvir outras pessoas falando”, acrescentou.
Em tom bem humorado, Janet Jackson reforçou seu pedido para que os repórteres evitassem fazer perguntas.
Pequena África recebe celebração do legado de Abdias Nascimento com exposição e exibição de documentário
Como parte das celebrações do Biênio Abdias Nascimento (2024-2025), o Ipeafro, Cultne e Cena Portuária realizam uma série de atividades na região central do Rio de Janeiro, na Pequena África. No dia 20 de julho, às 16h, o salão principal do Casarão Cultural João Alabá no Jardim Suspenso do Valongo receberá a exposição “Abdias Nascimento: sujeito coletivo“.
A mostra apresentará réplicas das pinturas de Abdias em diálogo com dois painéis inéditos, criados coletivamente durante quatro edições da Oficina Criativa Abdias Nascimento, ministradas no local. A exposição ficará em cartaz até o dia 25 de agosto de 2024. Além da mostra física, no mesmo dia, uma experiência virtual em realidade aumentada será lançada nos perfis do Ipeafro (@ipeafro) e do Museu de Arte Negra (@museudeartenegra) no Instagram, que exploram as pinturas de Abdias com efeitos especiais. O link para acessar a experiência ficará disponível a partir do dia 20: https://www.instagram.com/ar/1855637081588217
No mesmo dia, às 19h, o Casarão Cultural João Alabá sediará mais uma edição do Cine Jardim, sob a curadoria de Dom Filó. Esta edição exibirá documentários sobre a cultura negra, com destaque para o filme “Abdias Nascimento: Memória Negra“, dirigido por Antônio Olavo. Após a exibição, haverá um debate com Dom Filó, CEO e fundador da Cultne TV e Julio Menezes Silva, jornalista e co-gestor do Ipeafro. Os eventos são gratuitos, com direito a pipoca e churros.
Para um dos idealizadores, Thiago Viana, o filme sobre Abdias Nascimento “é um registro significativo que percorre diversos momentos da vida de Abdias e inclui depoimentos do próprio Abdias Nascimento. Além disso, traz diversos registros históricos relevantes a partir do acervo do Ipeafro, organização fundada por Abdias em 1981 e que dá seguimento a sua luta”, explica.
Para Julio Menezes Silva, a consolidação do legado de Abdias Nascimento do museu pensado por ele é, acima de tudo, um ato de reparação. “Há quase 75 anos, um grupo de intelectuais vislumbrou a criação de um espaço museológico que pudesse abrigar toda a diversidade artística sistematicamente e historicamente excluída das artes. Nós, do Ipeafro, cuja missão é difundir o legado e o acervo de Abdias Nascimento em múltiplas linguagens, vemos na realização da Ocupação Abdias no Casarão um ato de justiça para com aqueles que ousaram sonhar e plantar as sementes emancipatórias que colhemos na atualidade”, afirma.
Durante o evento, o carioca Rubem Confete também será homenageado. O radialista conhecido como o Griô do Samba, tem 87 anos dedicados à valorização da cultura negra atuando como compositor, jornalista e estudioso das questões afro-brasileiras. O salão principal do Casarão João Alabá será batizado no dia 20 de julho com o seu nome. Confete teve importância para o espaço, sendo um de seus principais incentivadores.
As atividades contam com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, por meio de incentivo fiscal, e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, com recursos da Lei Paulo Gustavo.
| SERVIÇO | PROGRAMAÇÃO Ocupação Abdias no Casarão Cultural João Alabá no Jardim Suspenso do Valongo Endereço: Rua Camerino s/n (em frente ao 48) – Centro do Rio Data: 20 de julho (sábado) Entrada: gratuita Horários:- 15h | abertura dos portões – 16h | abertura da exposição Abdias Nascimento: Sujeito Coletivo – 17h | homenagem ao Rubem Confete – 19h | sessão do filme Abdias Nascimento: Memória Negra, de Antônio Olavo. Em seguida, debate com Dom Filó e Julio Menezes Silva. Para assistir ao filme do Cine Jardim, é preciso pegar gratuitamente o ingresso na plataforma virtual Sympla. Para isso, acesse o link: https://www.sympla.com.br/evento/abdias-nascimento-memoria-negra-de-antonio-olavo/2534385 Acessibilidade: o acesso ao casarão não é fácil e se dá por meio de uma escadaria Apoio: Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, por meio de incentivo fiscal, e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, com recursos da Lei Paulo Gustavo. Realização: Ipeafro, Cultne, Casarão Cultural João Alabá e Cena Portuária |
Homem é condenado a oito meses de prisão na Espanha por racismo contra Vini Jr. e o zagueiro Rüdiger
Na última quarta-feira, 17, o Real Madrid anunciou que um homem foi condenado a oito meses de prisão, na Espanha, por ataques racistas aos jogador brasileiro Vinicius Junior e ao alemão, Antonio Rüdiger.
O acusado, que não teve a identidade revelada, havia feito comentários racistas contra os jogadores do Real Madrid na seção de comentários de uma matéria do jornal Marca, da Espanha. Este é a segunda condenação por racismo no país. A justiça condenou o racista por dois crimes contra integridade moral de Vini Jr e Rüdiger. No caso do zagueiro alemão, também foram feitos ataques à sua religião.
O condenado também ficará impossibilitado de participar do fórum do jornal onde cometeu o crime por 20 meses. A justiça sujeitou a suspensão da pena de prisão caso o acusado participe de um programa de igualdade de tratamento e não discriminação.
A condenação é a segunda motivada por racismo na Espanha. No mês de junho, três pessoas foram condenados por agressões racistas a Vinicius Junior durante a partida entre Valencia x Real Madrid, ocorrida no ano passado, no estádio Mestalla. O caso divulgado pelo time europeu nesta quarta é a primeira punição por racismo cometido na internet.
Mandela: uma vida dedicada à luta pela igualdade racial
“Nossa marcha para a liberdade é irreversível. Não devemos permitir que o medo fique no nosso caminho.”
Mais um ciclo se completa e celebramos a memória daquele que inspirou diversas gerações na luta pelos direitos humanos. Nelson Mandela nasceu no dia 18 de julho de 1918, na aldeia de Mvezo, Transkei, África do Sul. Em sua homenagem, a Assembleia Geral da ONU (2019) escolheu essa data como o “Dia Internacional Nelson Mandela”. A luta que Madiba (apelido de infância) assumiu na defesa do povo negro começou na época em que era estudante de Direito na Universidade de Fort Hare. A conceituada instituição era um celeiro da minúscula classe média negra. Madiba era bolsista. Lá, participou de reuniões e cursos com militantes socialistas, comunistas e pan-africanistas. Esse ímpeto pela política ocorreu por conta das injustiças que presenciou dentro e fora da universidade.
Nesse contexto, ingressou no Congresso Nacional Africano (CNA). Esse movimento de libertação da África tinha como prática a formulação de petições, mas, após a eleição de Mandela para a executiva, os rumos mudaram. O partido resolveu a agir duramente contra a repressão do Estado. A luta armada se tornou necessária. O país havia mergulhado em um dos períodos mais cruéis e repugnantes da história. A segregação racial foi transformada em política de Estado com a vitória do Partido Nacionalista (1948); as leis implantadas (Apartheid) determinavam que pessoas brancas e pessoas negras não poderiam ocupar os mesmos lugares. Os espaços públicos eram dedicados separadamente para cada grupo racial: banheiros e bebedouros, escolas e universidades, os assentos nas praças e nos transportes públicos, os casamentos inter-raciais foram proibidos, etc.
No entanto, a radicalidade de Mandela ganhou impulso no episódio conhecido como Massacre de Shaperville. Os negros protestavam contra a lei (Lei do Passe) que obrigava os negros a portarem cartões com registro oficial informando se poderiam circular na área em que se encontravam. Diante do protesto, o Estado respondeu com uma brutalidade sem tamanho. Dezenas de pessoas negras foram assassinadas e quase duzentas ficaram feridas. Nelson Mandela escreveu em seu manifesto que defendia a luta armada “no início de junho de 1961, após uma longa e ansiosa avaliação da situação sul-africana, eu e alguns colegas chegamos à conclusão de que, como a violência neste país era inevitável, seria irrealista e errado que os líderes africanos continuassem a pregar a paz e a não-violência, numa altura em que o Governo responde às nossas exigências pacíficas com a força”.
Durante a luta contra o apartheid até a sua prisão, Mandela recebeu diversas acusações: violação da Lei de Proibição do Comunismo, incitação à greve, viagem sem passaporte válido, etc. Em 1964, o sistema o condenou à prisão perpétua pelo crime de sabotagem e planejamento de invasão armada.
A África do Sul tornou-se um caldeirão de violências em que o regime racista atacava cada vez mais os civis, e as mobilizações exigindo a liberdade de Nelson Mandela saíram das fronteiras do país, internacionalizaram. As negociações com o importante preso foram intensas. Ele tinha muita influência mesmo com a liberdade suspensa, e até recebeu a seguinte proposta: impedir a luta armada para ser libertado. Não aceitou.
No dia 11 de fevereiro de 1990, conquistou as ruas. Meses depois, as leis segregacionistas foram abolidas e, em 1993, dividiu o prêmio Nobel da Paz com o presidente Frederik Willem de Klerk, responsável pela libertação e negociação com o herói sul-africano. No ano seguinte, Madiba foi eleito presidente da África do Sul. O primeiro negro a ocupar esse cargo.
E, no dia 5 de dezembro de 2013, faleceu aos 95 anos. Que Mandela siga eterno na memória de todos os povos que lutam por um mundo melhor.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOEHMER, Elleke. Mandela: O homem, a história e o mito. Tradução: Denise Bottmann. Porto Alegre–RS: L&PM, 2014.
MANDELA, Nelson. Autobiografia de Nelson Mandela – Um longo caminho para a liberdade. Lisboa: Planeta, 2009
Mulheres negras enfrentam quase o dobro de risco de mortalidade materna no Brasil, revela estudo
Um estudo recente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) expôs uma realidade alarmante: mulheres negras no Brasil têm quase o dobro do risco de morrer durante o parto ou no pós-parto em comparação com mulheres brancas ou pardas. A pesquisa, que investigou a taxa de mortalidade materna por raça entre 2017 e 2022, incluindo o período da pandemia de Covid-19, revela as profundas disparidades raciais que persistem no sistema de saúde brasileiro.
Os dados do estudo pintam um quadro preocupante: a taxa de mortalidade materna para mulheres negras no Brasil é de 125,8 mortes por 100 mil nascidos vivos, enquanto para mulheres brancas e pardas, o índice é de 64 mortes. Essa disparidade se intensifica na região Norte do país, onde mulheres negras apresentam um índice de mortalidade materna de 186 mortes por 100 mil nascidos vivos, sem diferença significativa em relação às mulheres pardas na mesma região.
Raízes do Problema: Racismo estrutural e falta de acesso à saúde de qualidade
Para a Folha de São Paulo, a professora Fernanda Garanhani Surita e equipe, apontam o racismo estrutural como a principal causa dessa disparidade. Mulheres negras enfrentam diversas barreiras no sistema de saúde, como:
- Dificuldade de acesso à saúde de qualidade: Falta de unidades de saúde adequadas em áreas com predominância de população negra, longas filas de espera e carência de profissionais qualificados.
- Falta de cuidado qualificado: Menor qualidade na atenção recebida durante o pré-natal, parto e pós-parto, com negligência, descaso e até mesmo maus-tratos.
- Menor acesso à pré-natal adequado: Dificuldade em agendar consultas, falta de acompanhamento pré-natal completo e ausência de informações adequadas sobre os cuidados necessários durante a gestação.
Embora estudos anteriores já tivessem demonstrado maior risco de morte por Covid-19 para a população negra, os dados da pesquisa da Unicamp comprovam que, no caso da mortalidade materna, a disparidade racial é ainda mais profunda e preexistente à pandemia. A crise sanitária apenas intensificou as desigualdades já existentes, expondo ainda mais a vulnerabilidade das mulheres negras.
Diante desse cenário alarmante, o estudo da Unicamp reforça a necessidade urgente de ações efetivas para combater o racismo estrutural no sistema de saúde brasileiro. As autoras propõem medidas como:
- Fortalecimento das políticas públicas: Implementação de ações concretas para garantir o acesso universal à saúde de qualidade para todas as mulheres, independentemente da raça/cor.
- Combate ao racismo em todos os níveis: Reconhecimento e combate ao racismo estrutural em todas as etapas da atenção à saúde, desde o pré-natal até o pós-parto.
- Melhoria na qualidade da atenção: Investimento na qualificação dos profissionais de saúde e na humanização do atendimento, com foco na detecção precoce de morbidade materna e tratamento adequado de condições potencialmente fatais.
- Ampliação do acesso à informação: Garantia de acesso à informação de qualidade sobre os direitos das mulheres durante a gestação, parto e pós-parto, com foco na população negra.
Referências:
Casos de injúria racial aumentaram 610% em 3 anos no Brasil, aponta CNJ
Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou novos dados que apontam uma alta em 610% no número de processos por injúria racial em todo o território nacional, na comparação entre 2020 e 2023, sendo o aumento puxado principalmente por registros no estado da Bahia, onde há maior concentração de pessoas negras em relação aos demais estados do país.
Em 2020, foram registradas 675 ações de injúria racial no Brasil. Já em 2023, foram 4.798 casos, sendo 4.049 apenas no território baiano. Ou seja, a Bahia é responsável por 8 de cada 10 processos novos nesse período.
O sociólogo e diretor executivo do Observatório da Branquitude, Thales Vieira, afirma que “há um movimento de expansão de consciência geral para as violências vivenciadas diariamente e que antes eram consideradas comuns ou como brincadeiras”.
Porém, de acordo com o CNJ, em 2020, levava-se 1 ano e 7 meses para o primeiro julgamento. Em 2023, esse tempo foi reduzido para 1 ano e 4 meses. Um tempo ainda considerado muito longo.
Para Thales, o despreparo do poder judiciário no atendimento a essas demandas é uma expressão do pacto da branquitude que, de forma subjetiva, define quem tem direito à justiça e a uma resposta para essa violência, e quem pode ficar livre de ser responsabilizado pelo crime cometido.
“Embora haja movimentos, como no CNJ, visando formar juízes e outros atores do sistema judiciário para temas relacionados à raça, esses processos são demorados. No curso normal do rio, essas instituições condenam e punem pessoas negras e protegem os brancos naquilo que a Cida Bento [psicóloga e ativista brasileira] chamou de pacto da branquitude”, diz Vieira em entrevista à Folha de São Paulo, publicada no domingo, 14 de julho.
Em nota para o jornal, o Ministério da Igualdade Racial diz que o Brasil tem, ao longo da sua história, um “processo de naturalização dos crimes de motivação racial, o que é fruto do racismo estrutural que formata as dinâmicas sociais do país”.


















