Da direita para a esquerda: vice-presidente Lucia Witbooi, presidente Netumbo Nandi-Ndaitwah e presidente da Assembleia Nacional Saara Kuugongelwa-Amadhila. (Fotos: Reprodução)
A Namíbia entrou para a história ao se tornar o primeiro país do mundo a ter mulheres ocupando simultaneamente os três cargos mais altos do governo: Presidente, Vice-Presidente e Presidente da Assembleia Nacional. A conquista, celebrada durante a 80ª Assembleia Geral da ONU em setembro, foi destacada pela presidente Netumbo Nandi-Ndaitwah como um marco do progresso democrático e da igualdade de gênero no continente africano.
Empossada em 21 de março de 2025, Nandi-Ndaitwah assumiu a Presidência ao lado da vice-presidente Lucia Witbooi e da presidente da Assembleia Nacional Saara Kuugongelwa-Amadhila, formando uma equipe de liderança inteiramente feminina.
Durante seu discurso nas Nações Unidas, a presidente ressaltou que as nomeações se basearam em competência e dedicação, e não apenas em critérios de gênero. Ela reafirmou o compromisso do governo com o combate à violência de gênero, a ampliação dos direitos econômicos e fundiários das mulheres e o empoderamento da juventude por meio da educação e de oportunidades de emprego.
A conquista da Namíbia é resultado de um processo contínuo iniciado após a independência do país, em 1990. O partido governista SWAPO implementou políticas de promoção da igualdade de gênero, incluindo o sistema de cotas conhecido como “zebra”, que garante paridade entre homens e mulheres em cargos políticos.
Hoje, as mulheres representam cerca de 49% do Parlamento e 44% dos cargos ministeriais, colocando a Namíbia entre os países com maior representatividade feminina no mundo — e líder no continente africano. Esse avanço reflete reformas estruturais e o trabalho de organizações da sociedade civil que atuam na formação política, no combate à violência de gênero e na promoção da autonomia econômica feminina.
Em julho de 2025, o padre Danilo César, da Paróquia São José, em Areial, Paraíba, fez declarações durante uma homilia transmitida ao vivo em que questionou a fé de Preta Gil e associou religiões de matriz africana a “forças ocultas”.
Após a repercussão das falas, Gilberto Gil e sua família enviaram uma notificação extrajudicial ao padre e à Diocese de Campina Grande, solicitando retratação pública e responsabilização pelas declarações.
Quando não houve resposta formal satisfatória, a família ajuizou, em outubro de 2025, uma ação judicial por danos morais, pedindo R$ 370 mil de indenização. Os autores da ação incluem Gilberto Gil, Flora Gil, os irmãos de Preta Gil e o neto Francisco. A ação argumenta que o discurso do padre ultrapassou o limite da liberdade de expressão e configurou intolerância religiosa.
Paralelamente, o padre Danilo César é alvo de investigação policial por intolerância religiosa. Boletins de ocorrência foram registrados e ele prestou depoimento, afirmando que suas declarações se basearam em sua fé católica e que não teve intenção de ofender outras crenças ou a memória da cantora. Até o momento, não houve retratação pública nem posicionamento formal da Diocese de Campina Grande.
Fotos: Victor Vieira; Reprodução/Instagram; e Fabio Rocha/TV Globo
Os noveleiros de carteirinha já podem se preparar para a grande final de ‘Vale Tudo’com um evento especial. O último capítulo será transmitido ao vivo na “PALADAR da vida real”, diretamente do restaurante Kaza 123, em Vila Isabel (RJ). A noite promete telão, TVs para não perder nenhum close dramático e um bolão ao vivo com apostas sobre quem matou Odete Roitman.
O grupo que acertar o autor do crime ganhará o prêmio “mais chique (e perigoso) da TV brasileira”, como descreve a organização — um drink batizado de “Odete Roitman”. Os ingressos são gratuitos e estarão disponíveis pelo Sympla; a retirada antecipada é necessária para controle de público, porque o espaço possui capacidade limitada.
O evento está sendo organizado pela produtora Carioquice Negra do Julio de Sá, com a presença da chef Maria Júlia Ferreira. Nas redes sociais, o comediante convocou o público para assistir juntos o final da novela. “Apesar da gente reclamar a novela inteira, vai ser igual a final de Copa do Mundo. É igual a final de um jogo muito importante do teu time e do coração”, disse.
Evento: Exibição da final de ‘Vale Tudo’ Local: Kaza 123 – Rua Visconde de Abaeté, 123, Vila Isabel, Rio de Janeiro (RJ) Ingresso: Gratuito, disponível pelo Sympla. (Clique aqui)
Em um Brasil em que o trabalho doméstico era visto como uma “obrigação natural” das mulheres negras, herança direta do período escravocrata, uma voz pioneira se ergueu. Laudelina de Campos Melo, que no último domingo, 12 de outubro, faria 121 anos, não aceitou o silêncio. Em 1936, aos 32 anos, a neta de escravizadas fundou, em Campinas (SP), a Associação de Empregadas Domésticas, a primeira da categoria no país. Com este ato disruptivo, Laudelina não criara apenas uma entidade, mas plantara a semente de uma luta que, décadas depois, geraria frutos com a conquista da PEC das Domésticas, aprovada em 2013.
Conheça mais sobre a história dessa mulher que transformou um sindicato em um projeto de vida
A luta de Laudelina era prática e nascia de sua própria experiência. Nascida em 1904, na cidade de Poços de Caldas (MG), começou a trabalhar como empregada doméstica aos sete anos. Mesmo após se formar professora, viu o racismo impedi-la de lecionar, sendo empurrada de volta ao serviço doméstico. A discriminação dupla, de raça e de gênero, moldou sua visão.
A associação que fundou não se limitava a reivindicar melhores salários. Funcionava como uma rede de apoio integral. Ela organizou um clube de lazer para as trabalhadoras, um espaço onde podiam socializar e se reconhecer como comunidade, rompendo o isolamento característico da profissão. Mais tarde, criou uma creche para que as mães trabalhadoras tivessem onde deixar seus filhos, um problema que ela mesma enfrentara. Laudelina entendia que a emancipação passava por garantir direitos trabalhistas, mas também por assegurar dignidade e condições de vida.
Baile da Pérola Negra. Restaurante Armorial, São Paulo, SP, 1957. Fotografia analógica/Autoria não identificada. Acervo Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campinas/Divulgação Instituto Moreira Salles
Ela combatia a invisibilidade. Em uma época em que as domésticas sequer eram reconhecidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) de 1943, sua associação foi um ato revolucionário de reconhecimento: o serviço doméstico é trabalho, e quem o executa merece respeito. Ela abriu as portas para a organização coletiva, mostrando que empregadas domésticas podiam e deviam ser protagonistas de suas próprias histórias. Sua luta era, acima de tudo, antirracista, pois desmontava a ideia de que mulheres negras deveriam servir sem questionar.
O legado de Laudelina
Essa trajetória de resistência, que incluiu a refundação do sindicato sob a ditadura do Estado Novo e sua persistência mesmo com a perseguição política, pavimentou o caminho para que, em 2013, a Emenda Constitucional 72 fosse promulgada. Conhecida como PEC das Domésticas, ela estendeu direitos fundamentais como FGTS, hora extra, seguro-desemprego e limitação da jornada a milhões de trabalhadoras. A PEC não caiu do céu; foi conquistada sobre o alicerce construído por Laudelina e pelas gerações de mulheres que, inspiradas por ela, continuaram a lutar.
Dona Zica, associada da ONG CRIOLA e uma das lideranças que fundaram, nos anos 1980, o Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Município do Rio de Janeiro, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos Trabalhadores (PT), reflete sobre esse legado: “Laudelina nos ensina que a liberdade é uma construção coletiva. Ela desafiou sozinha a estrutura racista e patriarcal que relegava as mulheres negras aos cantos da sociedade. Sua coragem ao criar o primeiro sindicato foi um ato de afirmação da humanidade dessas trabalhadoras. A PEC é a materialização contemporânea desse sonho, uma vitória que carrega o DNA da sua luta pioneira pela cidadania plena para todas nós”.
A luta atual contra o racismo
Hoje, mesmo com os avanços, a batalha pela valorização da categoria continua, com a informalidade e o racismo como obstáculos centrais. Mas celebrar Laudelina, que se estivesse viva faria aniversário no próximo dia 12 de outubro, é lembrar que uma mulher negra, com raízes na escravidão, mudou os rumos do trabalho doméstico no Brasil, transformando servidão em profissão.
Lúcia Xavier, coordenadora geral da ONG CRIOLA, organização que, há mais de 30 anos, luta pelos direitos de meninas e mulheres negras, fala sobre a importância de Laudelina para a causa. “Laudelina representa, no campo da atuação política das mulheres negras, um ícone da atuação coletiva. Ela não agiu somente olhando para si, mas para todo o conjunto de mulheres que, como ela, enfrentava aquela mesma situação de degradação e de trabalho precário. Nesse sentido, quando ela funda um sindicato, uma associação das trabalhadoras, e traz para o convívio social as mulheres negras na condição de trabalhadoras domésticas, ela inverte o processo político, constituindo coletivos, associações, trabalho gerado por todas elas para alcançar seus direitos”, analisa.
O legado de Laudelina é um projeto vivo. Ela não fundou apenas um sindicato, mas uma possibilidade, cultivada por gerações, que segue florescendo na luta por um país que um dia reconheça o trabalho no lar como sinônimo de dignidade e igualdade.
O ator e empresário Rafael Zulu, 43, emocionou os seguidores ao celebrar a conquista da filha mais velha, Luiza, 18, junto à mãe da jovem, Maria Clara Mesquita. Luiza participou da Cerimônia do Jaleco, evento simbólico em que estudantes que acabam de ingressar no curso de Medicina recebem seu primeiro jaleco. Em uma publicação nas redes sociais na última sexta-feira (10), Rafael relembrou sua trajetória e destacou o orgulho de ver a primogênita realizando um sonho.
Rafael relembrou as dificuldades quando morava em São Gonçalo (RJ). “Lá, sobretudo na minha época, era um lugar MUITO difícil de sonhar. Eu sonhei muito pouco inclusive. Justamente pq alguns lugares é tão óbvio que vc não vai dar certo que o sonho vira um elemento quase que intocável literalmente falando. Mas dentro de mim sempre existiu um desejo de ganhar o mundo e mudar a minha vida e de quem estivesse perto de mim”, iniciou o texto.
Zulu contou que desde pequena Luiza demonstrava determinação. “Aos 12 anos ela já falava que gostaria de ser médica. No começo era quase que uma brincadeira de criança, e eu na minha cabeça de adulto pensava: ‘imagina eu ter uma filha médica!?’ Que loucura, a primeira médica na família, de uma família com pouquíssimas pessoas que mal tem o 3° grau!”, destacou.
O ator ressaltou que a conquista da filha é também uma vitória ancestral. “Ontem eu pude sentir uma das coisas mais legais pra um pai: ORGULHO! Orgulho de olhar pra alguém que de alguma forma você contribuiu pra colocar no mundo e manter (importante isso). Ontem tive Orgulho de abraçar um abraço demorado e dizer somente algumas vezes: parabéns filhotoca, você merece e eu te amo! Nossos ancestrais devem estar orgulhosos de vc”, declarou.
O cantor Thiaguinho, amigo de Zulu, comentou a publicação e se emocionou com a trajetória da família. “Somos frutos de um povo escravizado. Muita gente lutou — e sofreu — pra que a gente pudesse ser livre. E olha o que você conseguiu, irmão… Sua filha vai ser médica. Negra. Num lugar que, por muito tempo, disseram que era ‘deles’. Mas agora é nosso também”, celebrou o artista.
Luiza também respondeu à homenagem do pai com gratidão: “Nada me emociona mais do que saber que eu realizo um sonho que também é de vocês. Obrigada por sempre acreditar em mim antes mesmo que eu soubesse o tamanho dos meus passos. Eu vim ao mundo pra dar orgulho aos meus.”
A Powerlist Mundo Negro – Mulheres Negras Mudam Histórias 2025 anuncia suas dez vencedoras, celebrando trajetórias de excelência que representam o impacto, a criatividade e a liderança de mulheres negras em diversas áreas. A cerimônia acontece no dia 17 de outubro, na Casa Manioca, em São Paulo, e reunirá homenageadas, executivas, artistas, lideranças e representantes de marcas parceiras.
Com patrocínio da Natura e do Grupo L’Oréal, a edição 2025 reforça o compromisso do Mundo Negro em destacar histórias que inspiram e transformam. Nesta edição, as premiadas foram reconhecidas por duas frentes complementares: júri técnico, responsável por seis categorias, e votação popular, aberta ao público em quatro delas.
Entre as homenageadas pelo júri técnico estão Majur, na categoria Cultura, Artes e Entretenimento, celebrada por sua força artística e representatividade; Aline Lima, Head de Diversidade, Equidade e Inclusão da Natura para a América Latina, em Liderança Corporativa; Lívia Rodrigues, pesquisadora e cientista, em Educação e Ciência; Amanda Graciano, referência em inovação e tecnologia, em Tecnologia e Inovação; Vetusa Santos Pereira, por sua atuação social e comunitária, em Diversidade e Impacto Social; e Cida Bento, reconhecida por sua Trajetória Transformadora, referência nacional na luta por equidade racial e de gênero.
Nas categorias de voto popular, as vencedoras foram Najara Black, na categoria Moda e Beleza, pelo trabalho que valoriza a estética negra; Cricielle Muniz, em Criadora Digital, destacando-se pela construção de narrativas autênticas nas redes; Sônia Oliveira Santos, em Destaque em Gastronomia, celebrada por sua atuação que une ancestralidade e inovação culinária; e Jamile Lima, premiada como Empreendedora que Inspira, exemplo de liderança e impacto econômico no afroempreendedorismo.
“A Powerlist é mais do que uma premiação, é um movimento de reconhecimento e visibilidade que afirma o protagonismo de mulheres negras em todos os espaços”, destaca Silvia Nascimento, fundadora e Head de Conteúdo do Mundo Negro. “Cada uma dessas vencedoras representa um Brasil mais plural e comprometido com o futuro que queremos construir.”
As dez premiadas foram selecionadas a partir de critérios como impacto, consistência de trajetória, relevância social e contribuição para a ampliação da representatividade. A escolha foi feita por meio de votação popular no site oficial e pela deliberação de um comitê técnico formado por 11 mulheres negras de referência em suas áreas.
Com quatro anos de história, a Powerlist Mundo Negro se firma como um dos prêmios mais aguardados do calendário de diversidade, reunindo público, marcas e lideranças comprometidas com o avanço da representatividade negra no Brasil.
Vencedoras da Powerlist Mundo Negro 2025
Majur | Cultura, Artes e Entretenimento (júri técnico)o
Aline Lima | Liderança Corporativa (júri técnico)
Lívia Rodrigues | Educação e Ciência (júri técnico)
Amanda Graciano | Tecnologia e Inovação (júri técnico)
Vetusa Santos Pereira | Diversidade e Impacto Social (júri técnico)
Najara Black | Moda e Beleza (voto popular)
Cricielle Muniz | Criadora Digital (voto popular)
Sônia Oliveira Santos | Destaque em Gastronomia (voto popular)
Jamile Lima | Empreendedora que Inspira (voto popular)
Criada em 2022, a Powerlist Mundo Negro nasceu para reconhecer e celebrar o protagonismo de mulheres negras que transformam o Brasil com suas trajetórias. Em sua quarta edição, o prêmio se consolida como um dos eventos mais aguardados do calendário de diversidade e inovação, reunindo representantes de diferentes setores e marcas comprometidas com a equidade racial.
Serviço
Evento: Powerlist Mundo Negro – Mulheres Negras Mudam Histórias 2025
“Eles não têm videogame, às vezes nem televisão” Racionais MC’s
Os adultos negros que vieram de uma infância pobre reconhecem que o Dia das Crianças não era diferente dos outros dias do ano. A não ser pelo constrangimento de não ter os brinquedos novos para mostrarem na escola, como as crianças brancas. Os nossos pais estavam preocupados em juntar os trocados que garantissem a comida na mesa. Mesmo decorridos muitos anos, nada mudou para as novas gerações. A desigualdade racial continua presente por toda a sociedade. Tempos atrás, uma professora do ensino fundamental me contava sobre a dificuldade de concentração das crianças que iam para a escola esfomeadas, ansiosas pelo horário da merenda.
Essa falsa atmosfera de alegria relacionada ao 12 de outubro, apenas beneficia o comércio para aumentarem as vendas de produtos infantis. O cuidado que deveria garantir a dignidade humana é apenas uma discussão simbólica. Portanto, é fundamental quebrar as fantasias e denunciar as dores que envolvem as crianças negras.
Caso você não saiba, no Brasil, a população de 5 a 17 anos submetida a trabalho infantil é preta e parda! Ela representa 66% do total de crianças e adolescentes nessa condição. O encarceramento e assassinato de negros também atinge as crianças; muitas são filhas e filhos dessas pessoas.
E no meio das mazelas, diariamente testemunhamos famílias negras morando em condições desumanas. Ao redor, as crianças brincam e correm sem a exata noção dos motivos de viverem daquela maneira. Isso quando não estão maltrapilhas nos semáforos, nos centros urbanos, trens e metrôs pedindo alguma coisa para comer e dinheiro. Diante dessas questões, a pergunta continua: Feliz Dia das Crianças. Para quais crianças?
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGÊNCIA BRASIL. Trabalho infantil no país cai 21,4% em oito anos, mostra IBGE. Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-09/trabalho-infantil-no-pais-cai-214-em-oito-anos-mostra-ibge.> Acesso em: 9 out. 2025.
No cenário contemporâneo, onde a tela do celular muitas vezes se torna uma extensão de nossas mãos, o curta-metragem de animação francês “Doudou Challenge” (2023), produzido pela renomada Rubika School, emerge como uma obra pertinente e provocadora. A narrativa, que acompanha a jovem Olivia, de 10 anos, mergulhada no universo das redes sociais, oferece uma lente para examinarmos a relação da nova geração com a tecnologia e a importância de se reconectar com o mundo real.
Olivia, uma criança como muitas de sua idade, encontra-se em uma viagem de férias com a família, mas sua atenção está cativa ao brilho do smartphone. O enredo toma um rumo inesperado quando, em um descuido dos pais, ela é deixada para trás em uma área de serviço na estrada. Sozinha, tendo como única companhia seu bicho de pelúcia, Olivia é forçada a confrontar a ausência de sua conexão digital e a redescobrir formas de interação e brincadeira que transcendem o virtual.
O “Doudou Challenge” não é apenas uma história sobre uma menina e seu celular; é um espelho das discussões atuais sobre o impacto da tecnologia na infância e na adolescência. A obra convida à reflexão sobre a necessidade de equilibrar o mundo digital com as experiências offline, o desenvolvimento da imaginação e a construção de laços afetivos genuínos. A maneira como Olivia lida com a situação, inicialmente com frustração e depois com uma crescente curiosidade e resiliência, ressoa com a jornada de autodescoberta que muitos jovens enfrentam ao tentar se desvencilhar da constante demanda por atenção das plataformas digitais.
Embora o curta não aborde explicitamente questões raciais, sua temática universal sobre a infância, a tecnologia e a busca por identidade pode dialogar com o público do Mundo Negro ao promover uma discussão mais ampla sobre o bem-estar e o desenvolvimento de crianças e adolescentes em diversas comunidades, incluindo a negra. A representação de narrativas que estimulam o pensamento crítico e a valorização de experiências humanas autênticas é sempre relevante.
Para assistir ao curta-metragem “Doudou Challenge” e mergulhar nesta instigante reflexão.
Ficha Técnica:
•Título Original: Doudou Challenge
•Ano de Produção: 2023
•País: França
•Escola de Produção: Rubika School
•Direção: Julie Majcher, Marine Benabdallah, Léo Campagne, Chloé Giraud, Laura Giraud, Maïwenn Le Bihan, Théo Lecomte, Anaïs Lelièvre, Antoine Marchand, Camille Marchand, Anaïs Pignot, Antoine Pirot, Anaïs Riff, Julie Roussel, Maïwenn Simon, Léa Souchon, Manon Varenne (equipe de 5º ano)
•Gênero: Animação, Curta-metragem
•Temas: Vício em redes sociais, infância, desconexão digital, autodescoberta.
Apresentação do Projeto Minha Vila Tem o Mundo - Continente Africano (Foto: Divulgação/Villa Criar)
Por: Priscilla Arantes
Educação infantil baiana protagoniza experiências pioneiras de reparação e pertencimento
Chegamos ao mês da criança, e confesso: este ano carrega um significado especial pra mim. Sou mãe de uma menina negra de seis anos, e juntas, encerramos um ciclo fundamental da vida dela: a primeira infância. Um ciclo que, para muitas famílias, é sinônimo de descobertas, alegrias e aprendizados; mas que, para famílias negras, também é atravessado pela urgência da proteção.
Porque sim, a infância negra ainda precisa ser protegida.
E não falo de proteção física apenas, mas da proteção simbólica, emocional, daquelas que moldam o que uma criança vai acreditar sobre si. De acordo com uma pesquisa Datafolha encomendada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (2025),uma em cada seis crianças de até seis anos no Brasil já foi vítima de racismo. O levantamento mostra que 10% dos cuidadores de crianças até 3 anos afirmam que elas sofreram discriminação racial, e esse número sobe para 21% entre crianças de 4 a 6 anos. Esses números não são apenas dados, são feridas abertas. E elas começam cedo.
O racismo na primeira infância não chega com gritos ou agressões. Ele se infiltra de forma sutil: nos elogios enviesados, nos silêncios, nas ausências, nas narrativas que ainda romantizam o padrão eurocêntrico de beleza e comportamento. Ele aparece quando a boneca preferida nunca tem o cabelo crespo, quando o livro da escola traz apenas uma cor de pele como protagonista, ou quando a criança aprende — mesmo sem palavras — que o bonito é sempre o outro.
A infância negra sob vigilância
Na minha casa, a vigilância é constante. Os brinquedos são escolhidos com cuidado, as referências negras estão espalhadas por todos os cômodos. Poderia dizer que vivemos em um pequeno quilombo de bonecas e livros. Na TV, evito conteúdos que reforcem padrões coloniais de beleza, preferindo animações neutras, onde ao menos a ausência de estereótipos já é um respiro. Os livros são as minhas maiores aliadas. É ali, entre histórias e ilustrações, que consigo ativar a imaginação e proteger o que considero o bem mais precioso da minha filha: a autoestima.
Mas, como toda mãe, há um momento em que o meu olhar não alcança: o tempo que ela passa na escola. E foi exatamente aí que encontrei um dos capítulos mais bonitos e transformadores da nossa jornada.
Quando a escola decide se transformar
Durante muito tempo, acreditei que o compromisso racial seria uma luta solitária, travada dentro de casa, entre conversas e reforços diários de identidade. Até perceber que não, educar para a equidade é um dever coletivo, e a escola precisa ser parte ativa desse processo.
Foi com esse espírito que encontrei a Escola Villa Criar, localizada em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, a cidade mais negra do Brasil, onde 79,7% da população se autodeclara negra, segundo o Censo de 2022. A Villa Criar é uma instituição construtivista, que segue a abordagem Reggio Emilia, valorizando a escuta, a autonomia e o protagonismo da criança. Um perfil comum para famílias de classe média branca. Mas o que realmente me surpreendeu foi algo mais profundo: a intencionalidade com que a escola decidiu se transformar.
Quando levei minhas inquietações, encontrei uma equipe que já havia desenhado um projeto antirracista robusto. A coordenadora pedagógica, Brisa Marcelino, me disse uma frase que se tornou norteadora:
“Esse é o maior legado que podemos oferecer para as crianças de hoje, que serão os adultos de amanhã. O reconhecimento das raízes africanas presentes na nossa história e o sentimento de pertencimento de quem faz parte direta dela.”
Essa fala resume o que a escola vem colocando em prática: o antirracismo como princípio educativo, não como pauta eventual. Hoje, o projeto da Villa Criar é uma carta de compromisso com a sociedade. A instituição cumpre integralmente as exigências da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e as leis federais 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, e 11.645/2008, que incluiu também a cultura indígena no currículo escolar.
Os educadores passam por formações contínuas, recebem materiais atualizados e participam de trocas com profissionais de referência em educação antirracista. As crianças aprendem sobre o continente africano com a mesma naturalidade com que aprendem sobre Portugal, entendendo o Brasil não como uma “descoberta”, mas como o encontro de povos.
As saídas pedagógicas também são intencionais: a última delas foi uma visita ao Museu Casa do Benin, no Pelourinho, com as turmas de 5 e 6 anos, um mergulho real na ancestralidade e na história viva da nossa cidade.
Quando o antirracismo é o centro e não o tema
Mas se a Villa Criar representa uma escola que se reconstrói com intencionalidade, há em Salvador uma instituição que nasceu com o antirracismo no DNA: a Escola de Educação Infantil Maria Felipa.
Idealizada pela escritora e pesquisadora Dra. Bárbara Carine e pela educadora Maju Passos, ambas especialistas em equidade racial e de gênero, a Maria Felipa é pioneira no Brasil em educação 100% afrocentrada.
Seu nome homenageia uma mulher negra marisqueira, estrategista e guerreira do Recôncavo Baiano, símbolo de resistência e liderança feminina.
Lá, cada detalhe do cotidiano escolar, da escolha dos brinquedos ao cardápio, das cores das paredes às metodologias pedagógicas, é pensado a partir da perspectiva afrocentrada.
A Maria Felipa não apenas ensina sobre o continente africano, ela parte dele. É uma escola que propõe uma revolução epistemológica: romper com a ideia de que o conhecimento válido é apenas o produzido sob lentes eurocêntricas. Em vez de adaptar o currículo às pautas raciais, ela faz da cultura afro-brasileira o centro estruturante do aprendizado.
Esse movimento, liderado por educadoras baianas, mostra o poder de transformação que a educação pode exercer quando decide ser agente ativo de mudança e não espectadora do racismo estrutural.
A Bahia ensina
Essas duas experiências, Villa Criar e Maria Felipa, se encontram em pontos diferentes da mesma estrada: a da transformação. Uma representa a coragem da reconstrução intencional dentro de uma estrutura tradicional de ensino. A outra, a ousadia de recriar o mundo a partir das nossas raízes.
E o que ambas provam é que a Bahia não é apenas um território de resistência, é um laboratório vivo de uma nova educação, onde o antirracismo não é conceito, é prática.
A educação é, por essência, um caminho sem volta. E quando uma criança negra cresce em um ambiente onde é valorizada, onde se vê representada e respeitada, não há retorno possível para o apagamento. Ela carrega em si o espelho da mudança que o país precisa ver.
A infância é o alicerce da sociedade que desejamos construir. E se o racismo começa cedo, a revolução também precisa começar cedo, nas escolas, nos livros, nos currículos e nas consciências.
Porque, no fim das contas, educar antirracista não é um favor: é uma responsabilidade civilizatória.
Bastidores de 'Clube Spelunca' (Foto: Giro Filmes)
Após o sucesso de ‘Mussum, o Filmis’ (2023), longa dirigido por Silvio Guindane que rendeu a Neusa Borges o primeiro troféu Kikito de sua carreira, a atriz volta a trabalhar sob o comando do diretor na série ‘Clube Spelunca’, que estreia dia 17 de outubro na HBO Max e TNT. Nesta comédia, Neusa interpreta a matriarca de uma família negra decidida a reerguer um clube cultural da Zona Leste de São Paulo.
Com fotos e entrevista exclusiva para o Mundo Negro, Neusa fala sobre a alegria da nova parceria com o Silvio, o seu “filho de coração”, pois se conhecem desde que ele ainda uma criança. Quando ele a convidou para interpretar Malvina, a mãe do Mussum, no filme biográfico, ela não conteve a empolgação de ser dirigida pelo filho e posteriormente, uma surpresa no Festival de Cinema de Gramado de 2023. “E de repente, eu ganho o Kikito de ouro. Ele me dá isso de presente. Eu com já 68 anos de carreira. Ser dirigida por ele, para mim foi uma loucura. Quer dizer, esse amor continua e eu sei que a cada trabalho, se ele puder me colocar, ele vai me chamar”, conta.
A relação entre Neusa e Silvio começou durante na produção do filme ‘Como Nascem os Anjos’ (1996). Na época, Neusa foi convidada para o elenco, mas não teve como aceitar e indicou outra atriz, a mãe do Silvio. O menino a acompanhou nos testes e acabou sendo descoberto pelo diretor Murilo Salles, conquistando o papel principal do longa, que lhe rendeu diversos prêmios, incluindo um Kikito. “Eu me lembro do olhinho dele. Na época, ele superou todos profissionais mais velhos. Uma criancinha, sem dublê, sem nada. Sempre agradeceu. E eu fiquei amiga da família. Ele sempre me teve como quase uma segunda mãe”, recorda.
Silvio Guindane e Neusa Borges no lançamento de ‘Mussum, o Filmis’ (Foto: Arquivo pessoal)
Agora, ela está prestes a estrear ‘Clube da Spelunca’, com uma nova personagem que promete conquistar o público. “Ele falou que era uma coisa simples, mas que ele fazia questão de eu estar e de repente, a direção dele foi tão grande, que eu quase virei uma protagonista da série. É lindo Spelunca, série linda que amei fazer e amei ser dirigida por ele novamente.”
“Todos os meus trabalhos, eu dou a sorte de ser um diferente do outro. Os meus personagens, cada um é cada um. Eu faço questão disso porque eu não quero nunca que as pessoas vem dizer ‘a Neusa só faz aquilo’. E eu tenho um processo inclusive para decorar. Se eu não entrar dentro do personagem ou o personagem entrar dentro de mim, eu prefiro não fazer. E eu fico muito feliz de conseguir, porque, eu acho que são poucos atores e atrizes que conseguem isso. Então eu agradeço a Deus todos os dias de ser uma uma velha atriz”, afirma.
Bastidores de ‘Clube Spelunca’ (Foto: Giro Filmes)
De acordo com a sinopse oficial, “a trama gira em torno de uma família liderada por uma avó (Neusa Borges), proprietária do Clube Spelunca, tradicional espaço cultural da Zona Leste de São Paulo em decadência. Após uma série de fracassos e dívidas acumuladas com negócios na região da Faria Lima, Digão (Eddy Jr.) retorna para casa e assume a gerência do clube, decidido a recuperar o prestígio do local. O sucesso inesperado na noite de reabertura leva a matriarca a convocar todos os familiares para trabalhar no empreendimento, enquanto o protagonista aposta em planos ousados para atrair o público e garantir a sobrevivência do espaço.”
Além de Neusa e Eddy Jr., o elenco de ‘Clube Spelunca’ inclui Antônio Pitanga, Leilah Moreno, Larissa Nunes, Paulo Américo, Thayna Rodrigues e Agyei Augusto.
“Quisemos mostrar a periferia de forma real e divertida, dando voz e protagonismo a histórias que muitas vezes não chegam às telas. A representatividade é fundamental para que todos se sintam refletidos e inspirados”, afirma o diretor Silvio Guindane.