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Executivas negras lançam videocast ‘Líderes Brasileiras’ para promover o empoderamento profissional feminino

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Foto: Julia Bandeira

Liderado pelas executivas Samantha Almeida, Viviane Duarte, Raquel Virginia e Helena Bertho, o videocast “Líderes Brasileiras: O Negócio Delas” é uma iniciativa inovadora focada em promover o empoderamento profissional feminino, especialmente entre mulheres negras no Brasil.

Com estreia na próxima quarta-feira, 31 de julho, a produção contará com oito episódios, disponíveis no YouTube e em plataformas de streaming musical.  Para o Mundo Negro, as apresentadoras deram detalhes sobre a criação do videocast e como suas experiências pessoais influenciaram as conversas que serão compartilhadas com o público: “Encontramos o momento perfeito para expor nossas vozes e direcionar mulheres que querem crescer no mercado de trabalho. O nosso desejo em criar o projeto “Líderes Brasileiras” emerge da visão compartilhada de liberação e progresso. Nós queremos construir um espaço onde outras mulheres, principalmente as mulheres negras, possam prosperar”, revelou Samantha Almeida.

O projeto incluirá encontros em eventos interativos e programas de mentoria, proporcionando um ambiente para o desenvolvimento pessoal e empresarial das participantes.  Raquel Virginia também compartilhou como suas experiências foram fundamentais para desenvolver o videocast: “A intenção é mostrar que nossas trajetórias, com todas as suas dificuldades e conquistas, são fundamentais para inspirar a próxima geração de líderes. Cada conversa gerada ali é uma oportunidade para discutirmos temas que influenciam diretamente o nosso sucesso e empoderamento, como diversidade, inclusão e estratégias de negócios que funcionam”. 

A publicitária e executiva, Raphaela Martins, é a convidada especial do primeiro episódio, intitulado “Socorro, virei chefe!”. “Os temas abordados têm o papel de abrir importantes conversas e trazer perspectivas sobre a jornada de liderança, sendo mulher e mulher negra. Essas conversas podem gerar impacto e inspiração ao trazerem questões como representatividade, empoderamento, desafios no mercado de trabalho, saúde mental e empreendedorismo, discutiremos as experiências únicas e muitas vezes sub-representadas das mulheres brasileiras, que representam a maioria da população do país e 96% das decisões financeiras das famílias”, explicou Helena Bertho, que também integra o videocast “Líderes Brasileiras”.

Fechando o time de executivas negras que apresentam o videocast, a fundadora e CEO da Plano Feminino, Vivi Duarte celebra a novidade e deixa um conselho especial para mulheres negras que estão começando suas jornadas profissionais e empresariais

“Meu conselho é simples, mas poderoso: acredite em você mesma e não tenha medo de se destacar. Procure desenvolver um entendimento profundo do seu mercado e esteja sempre pronta para se reinventar. Construir uma rede de apoio é fundamental; busque mentoras que tenham trilhado caminhos semelhantes e que possam fornecer orientação e encorajamento” disse.

“Cada uma de nós tem uma história única e valiosa. Use suas experiências pessoais como combustível para moldar sua trajetória. Lembre-se de que o fracasso faz parte do processo; é uma oportunidade de aprendizado. Mantenha seu foco em seus objetivos, confie em seu valor e não hesite em ser a voz que representa não apenas você, mas muitas outras mulheres ao longo do caminho. Estamos todas juntas nessa jornada, e quanto mais nos apoiarmos, mais poderosas nos tornamos”, finaliza.

Moda, identidade e resistência: Desafios e conquistas de mulheres negras que redefinem a moda

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Foto: Reprodução

Quando as pessoas entendem que a escolha do que vestir é mais do que uma atitude trivial, sendo uma maneira de estabelecer a própria identidade, passam a poder ter a intencionalidade de escolher uma peça criada por empreendedoras negras de moda autoral. 

Além de todo conceito criado em cada coleção lançada e que é integrado à identidade de quem usa, estamos valorizando criadoras que aceitaram viver o desafio de ser mulher, de ser uma pessoa negra, queer e empreender no mundo da moda, comumente liderado por pessoas brancas.

Ao conversar com algumas dessas mulheres, conhecemos suas trajetórias e conselhos para quem deseja se estabelecer nesse universo. Silla Maria Filgueira, baiana, criadora da marca de calçados e vestuário, Sillas Filgueira Brand, Cecília Gouveia, artesã, marisqueira  e representante da marca de acessórios de moda Quilombolas de São Lourenço e Karla Batista, fundadora da marca de acessórios Azulerde, compartilharam com o Mundo Negro suas motivações e o que esperam do futuro da moda para mulheres negras.

Motivadas pelo talento e bom gosto

Para Silla Maria Filgueira, o fascínio pela moda começou cedo. “Desde criança, eu já brincava de fazer moda com bonequinhas de palitos de fósforos e roupas de canudos plásticos. Nasci com esse dom, voltado para moda e arte”, lembra a empreendedora que ingressou no mundo da moda trabalhando como auxiliar de estilo em uma fábrica e, após vencer um concurso de novos talentos, lançou sua marca Silla Filgueira.

Cecília Gouveia, artesã e marisqueira de Goiana, Pernambuco, encontrou nos acessórios uma forma de expressão, além de sustento para sua comunidade. “Somos em muitas mulheres e eu gostava muito de acessórios. Nosso intuito era fazer peças artesanais com conchas. Decidimos na mesma hora”, conta. A marca Quilombolas de São Lourenço surgiu dessa iniciativa coletiva.

Karla Batista, bióloga e fundadora da Azulerde, encontrou nos acessórios uma forma de afirmar sua personalidade. “Acho que escolhi acessórios para afirmar minha personalidade através das minhas peças, com o design que eu queria e com o propósito que eu achava correto. Desde o começo da marca, minhas peças foram feitas com resíduos sólidos e isso foi muito importante para toda construção da marca nesses seis anos”, explica.

O desafio de ser ouvida, compreendida e reconhecida

Ao lembrarem os desafios que vivem diariamente como donas de seus próprios negócios, as empreendedoras destacam a dificuldade para obter capital, o reconhecimento profissional e até mesmo a aceitação do design contemporâneo de suas peças.

 “O maior desafio, sem dúvida, é obter capital para investir em matérias-primas para o desenvolvimento das coleções. Eu realizo um trabalho na cidade baixa, minha comunidade, onde desenvolvo as peças com amigas costureiras que tiram dessa empreitada a sua fonte de renda. Como mulher negra e transsexual, enfrentei e enfrento diariamente todos os tipos de preconceitos”, destaca Silla.

Cecília também enfrenta barreiras significativas. “Os desafios como empreendedora incluem, principalmente, o reconhecimento profissional. Nós, mulheres afrodescendentes, enfrentamos o preconceito de ter que provar nossa competência. Devemos estar em todos os lugares, e não apenas nos que dizem ser nossos”, ressalta.

Karla menciona os obstáculos na aceitação de seu design contemporâneo e na sustentabilidade. “Acredito que ter um design mais contemporâneo é um deles. Enfrentei múltiplas dificuldades por não ser uma marca preta que utiliza elementos como búzios e estampas mais expressivas. Nesse processo de afirmação de marca, tive que fortalecer muito o branding para que todos pudessem entender a afro-contemporaneidade das minhas criações. Um outro problema imenso que sofro até hoje é permanecer sustentável depois de tanto tempo. Mas, por que eu continuo? Não consigo enxergar minha vida sem esse propósito, todo mês eu estudo possibilidades de futuro que minimizem esse resíduo sólido do meu entorno”, reforçou Karla.

Visões para o Futuro da Moda

Para Silla Filgueira, a evolução da moda para mulheres negras passa pelo caminho da diversidade e da inclusão: “Moda não é só a arte do vestir, a moda é contar, sentir, vestir uma história, uma cultura. Eu imagino que vamos ter mais liberdade com os nossos corpos, nossas etnias e sermos mais plurais… Moda é liberdade”.

Cecília Gouveia espera ver a evolução financeira e o fortalecimento das empreendedoras negras. “Eu imagino todas firmes e lindas e contando suas histórias para outras que estarão seguindo nossos passos! A evolução financeira de todas. Isso é o que desejamos no final”, disse.

Em uma visão atemporal, para Karla Batista, o futuro continuará sendo de união entre mulheres negras:  “Claro que fazer negócios crescerem e se desenvolverem não é fácil porque sempre será necessário investimento. Mas não estamos sozinhas, sabe? Temos umas às outras. Eu tenho uma rede maravilhosa que nunca me deixa esquecer disso”, destacou.

Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Instituto C&A.

“Prezo pelo tempo de qualidade”: Rachel Maia revela os desafios e a rotina de uma executiva negra

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Foto: Arquivo pessoal

Quando falamos aqui sobre executivas negras, sempre destacamos os grandes feitos profissionais que elas têm realizado, os eventos que participam e movimentos em que estão envolvidas para impulsionar seus negócios e pares, mas pouco paramos para pensar sobre como elas conseguem conciliar a rotina profissional com a vida pessoal.

Uma das vozes mais influentes do universo corporativo e da luta pela equidade racial nesses ambientes, Rachel Maia, fundadora e CEO da RM Consulting, é uma referência. Conhecida por ser a primeira mulher negra a comandar uma grande empresa no Brasil, ela agora dedica sua carreira à consultoria em Diversidade e Inclusão e ao desenvolvimento de lideranças, além de presidir o Conselho do Pacto Global da ONU.

Com tantas atribuições profissionais, equilibrar os pratos para ter tempo para cuidar da vida pessoal, dos filhos, Sarah Maria e Pedro Antônio, além do autocuidado, essencial para a saúde mental e física, pode ser desafiador. Em uma entrevista para o Mundo Negro, Rachel abriu as portas da sua rotina multifacetada: “Eu prezo pelo tempo de qualidade em tudo que me proponho a fazer e isso significa que, em alguns momentos, é preciso abdicar de algumas demandas e prezar pelo redesenho da semana”, contou.

Como é um dia típico na sua vida?

É um dia-a-dia muito corrido e desafiador, eu me desdobro entre uma reunião e outra. São em torno de cinco, seis reuniões por dia. Fora os demais compromissos que como conselheira preciso cumprir, como palestras e entrevistas, atrelado também aos estudos – iniciei há algum tempo um MBA em sustentabilidade – e tempo com os meus filhos e família. No final do dia, há um sentimento de dever cumprido, mas nem sempre é assim e tudo bem.

Quais são os maiores desafios que você enfrenta ao equilibrar suas responsabilidades como mãe, executiva e Presidente Conselho do Pacto Global da ONU?

Eu prezo pelo tempo de qualidade em tudo que me proponho a fazer e isso significa que, em alguns momentos, é preciso abdicar de algumas demandas e prezar pelo redesenho da semana. Ou seja, remarcar uma reunião que em uma lista de prioridades, não ocupa o topo e até mesmo delegar algumas funções, que não precise que eu esteja full time. Já tive momentos em que quis estar 100% à mercê dos meus filhos e das minhas atividades do trabalho ao mesmo tempo, e aprendi que essa dinâmica não era justa com eles e nem comigo.

A lição de casa foi tentar aproveitar as minhas 24h do dia de maneira saudável e consciente, esse foi o maior desafio, sem que os compromissos profissionais engolissem os momentos de lazer com a família e vice-versa. Eu parto muito do princípio que tudo bem errar nos negócios, faz parte, altos e baixos, mas com os meus filhos, Sarah Maria e Pedro Antônio, é sempre um desafio, uma caixinha de surpresa. Quero dar o melhor, surpreender, mas nem sempre é assim.

Como organiza seu tempo para garantir que haja espaço para momentos de lazer e autocuidado? Existe algum ritual ou hábito diário que considera essencial para manter sua produtividade e bem-estar?

Posso dizer ainda que sou uma privilegiada, conto com uma rede de apoio e uma equipe eficiente, que me auxiliam e me ajudam a ter tudo, minimamente, sobre o controle. Inseri na minha rotina agenda e aplicativos que me dão um panorama completo do que precisa ser feito e onde devo focar a minha força e energia, sem comprometer qualidade e a minha saúde, seja física ou mental. Quanto aos rituais, gosto muito de caminhar, viajar e cozinhar, são momentos que eu desligo e humanizo a minha imagem, a mulher que eu sou. Sair para encontrar amigas próximas e o famoso almoço de família também são alguns lazeres, dos quais não abro mão.

Quais são as maiores lições que você aprendeu em sua trajetória e que você aplica diariamente em sua vida e trabalho?

Desde muito nova, os estudos foram postos para mim como algo catalisador, algo que abre portas e mudam vidas. Sigo acreditando nisso e assim como meu pai fez comigo e os meus irmãos, passo isso para os meus filhos – é quase como um legado de família, e que bom que é por essa perspectiva. Alcancei e conquistei grandes oportunidades, e devo isso às formações e muito trabalho duro, me colocando sempre em posição de aprendizado contínuo. Essa é a maior lição que eu poderia ter aprendido em toda a minha vida, estudar nunca é demais, seja para mim, enquanto pessoa física, seja para a Rachel profissional.

Quais livros, autores, leituras ou personalidades te inspiram e por quê?

Me senti muito tocada com a biografia da atriz Viola Davis, e não canso de dizer. É uma história forte, com tantos desafios e conquistas, uma inspiração para mim e para tantas outras mulheres negras, independente da geração. A ex-primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, também é uma referência e posso dizer que sou fã, estou sempre atenta às suas postagens e posicionamentos. Há alguns meses, tive a oportunidade de ouvir, de perto, Oprah, em sua passagem pelo Brasil. Não poderia deixar de citá-la, assim como a Graça Machel, referência na luta pela igualdade de gênero.

Whoopi Goldberg se manifesta após vice de Trump criticar Kamala Harris por não ter filhos

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Foto: Reproduçao

A atriz e apresentadora Whoopi Goldberg respondeu aos comentários do senador JD Vance, vice na chapa de Donald Trump, que criticou políticos sem filhos biológicos. Em 2021, Vance afirmou que os Estados Unidos são governados por “um bando de mulheres sem filhos que são infelizes com suas próprias vidas”, mencionando a vice-presidente Kamala Harris, o secretário de Transportes Pete Buttigieg e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez.

Goldberg, durante o programa “The View”, falou sobre o assunto, destacando: “E como faz sentido entregarmos nosso país a pessoas que não têm interesse direto nele? Senhor. Há pessoas que optaram por não ter filhos por qualquer motivo. Há pessoas que querem ter filhos e não podem. Como você se atreve? Você nunca teve um bebê. Sua esposa teve um bebê, mas você nunca teve um bebê, portanto, não sabe nada sobre isso. E como você se atreve? E mulheres. Você ouviu o que ele pensa de você. Sim. Isso não é bom para você”, disse.

Os comentários de Vance voltaram à tona depois que Joe Biden desistiu de concorrer à reeleição, abrindo caminho para que Kamala Harris seja escolhida para liderar a corrida presidencial pelos Democratas. A campanha de Kamala Harris respondeu afirmando que os ataques de Vance são alinhados com uma agenda perigosa que visa restringir direitos reprodutivos e destruir a Previdência Social.

Kamala Harris é casada com o advogado Douglas Emhoff desde 2014. Ela se tornou madrasta de seus dois filhos desde então.

Mulher negra latino-americana em primeiro lugar

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Foto: Pablo Grotto

Texto: Claudia Di Moura

Ser uma mulher negra latino-americana, para mim que nasci no Brasil, é um abraço doloroso. Doloroso por todos os enfrentamentos que vêm junto com meu gênero e minha cor, dentro de uma sociedade machista e racista. Quando trago a analogia do abraço, falo também de um lugar para além da dor, da reiteração de um pertencimento muito maior e poderoso, que é a identidade latino-americana. 

Sempre me senti pertencente a essa grande bandeira da América Latina. E, por mais que isso seja uma obviedade topológica, as particularidades da construção do Brasil como colônia, e depois como país, de alguma forma nos geraram esse distanciamento dos nossos vizinhos e irmãos. Primeiro pela barreira linguística, depois pela nossa grandeza territorial. Mas o reconhecimento de nossa familiaridade, na perspectiva de uma mulher afro-indígena, é inevitável. 

Somos filhas da diáspora africana e da resistência dos povos nativos americanos. Nossas interseccionalidades identitárias são visíveis mesmo nos nossos fenótipos, nos traços ameríndios e africanos que, juntos, tornam-se uma língua universal; nos nossos modelos de família, no nosso exercício da maternagem, no nosso talento para o empreendedorismo e na nossa resiliência.

E tudo isso me traz um orgulho continental. Fazer parte deste imenso quilombo feminino que não se permite a delimitação de fronteiras, que cultiva a sua raiz sem perder de vista por nenhum momento os desafios e interesses que nos irmanam globalmente, que conhece sua história, mas sabe que ela é uma obra aberta e que temos as canetas nas mãos, isso é ser uma mulher negra latinoamericana e caribenha. Isso é traçar no mundo as linhas que nos unem em nossas matrizes ancestrais e no nosso espírito de liderança que nos conduzem para o futuro. 

Somos plurais e singulares, letradas e sábias, mestras e mágicas, criadoras, transformadoras. E nossa casa não está fundada em recortes de terra, mas na costura das nossas idiossincrasias em um senso revolucionário de coletividade.

*Claudia Di Moura é uma atriz afro-indigêna e ativista. Como atriz, busca levar para o mercado audiovisual e para o teatro as múltiplas lutas pelos direitos das mulheres, do povo negro e dos povos originários.

“Para mim, o importante é o trabalho”: Neusa Borges celebra mais de 60 anos de carreira e novos projetos

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Foto: Fabio Rocha/Divulgação

Em uma entrevista especial ao Mundo Negro, em celebração ao Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, neste 25 de julho, a atriz Neusa Borges, com 82 anos, sendo 67 de carreira artística e mais de 100 personagens interpretados na televisão, cinema e peças teatrais, compartilhou a sua satisfação em continuar trabalhando muito e conquistar novos papéis.

Com a agenda cheia, só em 2024, a veterana já estrelou a segunda temporada da série “Encantado’s” e o filme “A Festa de Léo” nos cinemas. Mas ainda há muitos projetos a serem lançados, como o filme italiano “Educação da Avó” como Dona José, uma das protagonistas da trama, com cenas gravadas na Itália e no Rio de Janeiro, ao lado de outros grandes nomes como Anna Galiena e Nicola Sir.

Recentemente, ela realizou o sonho ao gravar uma personagem no filme “Uma Babá Gloriosa“, que ainda não tem previsão de lançamento. “Eu acho que já fiz tudo. O meu sonho sempre foi fazer uma freira. Eu terminei [recentemente] de gravar a freira, a mãe da Cleo Pires. Olha que chique”, celebra.  

Neusa Borges como Madre Beatriz em Uma Babá Gloriosa (Foto: Divulgação)

“Eu já fiz até personagem que eu acho que para mim é imaginário. Porque ter feito uma pomba-gira na novela Carmem, eu nem sei como é que eu fiz aquele trabalho, porque eu não frequento centro [de religiões de matriz africana]. Acho que é uma personagem abstrata. Por que quem já viveu para dizer ‘eu sou uma pomba-gira?’ E eu consegui fazer”, relembra de seu grande sucesso na novela da TV Manchete, em 1987.

Neusa também afirma que cada papel é como se fosse o primeiro. “Eu sempre converso sobre isso com os diretores. Eu não sei se eu vou conseguir fazer o que o autor quer, porque cada um tem sua cabeça. Então, eu prefiro ser dirigida. […] Eu sempre digo que sou péssima para ensaiar. Mas, quando eu escuto a palavra ‘ação’, ‘gravando’, eu não sei o que acontece, que eu entro e sempre deu certo e vai dar certo”, declara. 

“Eu sempre acho assim, papai do céu não me pôs ao mundo para ser advogada, para ser dentista. Ele falou que ia colocar essa nega lá embaixo para ela ser artista. Então, para mim, o importante sempre é o trabalho. E vai ser sempre, eternamente, como se eu tivesse  fazendo o primeiro papel. Eu fico muito nervosa, me dá desespero, me dá dor de barriga, me dá suadeira”, relata a atriz. 

Neusa Borges como pombo-gira em Carmem (Foto: Divulgação)

“Eu sempre me lembro do [ator] Mário Lago. Ele dizia que ele também passava por essa situação. Então, no dia que eu deixasse de passar por tudo isso, era melhor parar, porque é só uma coisa mecânica, não sente nada. E eu faço com garra, eu faço com amor, eu me dedico àquele trabalho. Então, todos [os personagens] que eu fiz até hoje foram muito difíceis, mas deram certo. O que eu posso fazer? É coisa de Deus, só pode ser”, completa. 

Em 2023, Neusa Borges conquistou o seu primeiro kikito, como Melhor Atriz Coadjuvante pelo trabalho em “Mussum, O Filmis“, no Festival de Cinema de Gramado, um grande feito para a carreira. Mas ela destaca que não se importa com prêmios. 

“Essa coisa que te chamam de maravilhosa, ícone de televisão, de rádio, de cinema. Eu não ligo para nada dessas coisas. Eu ligo para que me chamem para trabalhar. Isso, para mim, é muito mais importante do que prêmio”, afirma. “Eu continuo trabalhando de noite para comer de dia, trabalhando de dia para comer de noite. Então, a minha vida é a mesma. Eu não mudei em nada”, completa. 

Neusa Borges como Malvina em Mussum, O Filmis (Foto: Divulgação)

Ao refletir sobre as mulheres negras da televisão, Neusa Borges destaca: “A minha deusa, a minha inspiração, o meu tudo sempre será Léa Garcia e Ruth de Souza“. 

Universidade Zumbi dos Palmares celebra o 1º Julho das Pretas

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Foto: Divulgação

Evento contará com palestras, workshops e apresentações artísticas

No próximo dia 24 de julho, a Universidade Zumbi dos Palmares realizará o primeiro Julho das Pretas, em homenagem ao Dia de Tereza de Benguela, celebrado na véspera do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, 25 de julho. A celebração também marcará os 20 anos da instituição.

O evento incluirá palestras e apresentações artísticas, com o objetivo de destacar o protagonismo das mulheres negras, pretas e pardas, além de inaugurar as aulas no Colégio Técnico Dandara dos Palmares. A diretora administrativa da Universidade, Tatiane Couto, enfatizou a importância da iniciativa: “Acho que tivemos um papel fundamental até mesmo de referência. Porque mostramos que todas nós podemos ocupar todos os cargos e fazer o que quisermos”.

Para o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, a celebração do Julho das Pretas é uma honra. “Esta é mais uma iniciativa que faz parte da nossa luta contra o racismo e por uma sociedade mais inclusiva e igualitária. Estamos felizes por poder reverenciar e celebrar a potência das mulheres negras que estão na base da pirâmide social, sofrendo o preço do preconceito que as exclui de diversos espaços. Nossa luta também é para que as mulheres sejam cada dia mais reconhecidas e possam viver de forma digna na sociedade mundial”, destacou Vicente.

Entre os palestrantes confirmados estão Ana Minuto, da Minuto Consultoria, a pedagoga Bruna Cristina e Cíntia Félix, da AzMina. A programação visa inspirar e educar, promovendo a visibilidade de líderes e empreendedoras negras, e discutindo temas como igualdade de gênero, inclusão social e valorização do protagonismo feminino. A iniciativa pretende reconhecer a importância histórica e contemporânea das mulheres negras, além de fortalecer a identidade cultural e promover uma sociedade mais justa e equânime.

Confira a programação:

Palestras:

  • O “Ser Mulher Negra” ao longo das gerações?
  • Interseccionalidades do Feminismo

Workshops:

  • Saúde da Mulher Negra
  • Estética da Mulher Negra
  • Relacionamento Afetivo
  • Empreendedorismo
  • Mercado de Trabalho
  • Ancestralidade e religiosidade
  • Maternidade Preta
  • Direito e acolhimento de mulheres negras

Show Artístico e Feira de Empreendedorismo:

  • Organizada sob curadoria da Confraria dos Pretos

O 1º Julho das Pretas acontecerá no dia 24 de julho de 2024, a partir das 18h, no campus da Universidade Zumbi dos Palmares, localizada na Av. Santos Dumont, 843 – Bom Retiro, próximo à estação Armênia do Metrô. A entrada é gratuita e as inscrições podem ser feitas no link do evento.

“Reparação a um erro”, diz Aline Silva sobre estreia da touca de natação para cabelos afros nas Olimpíadas 2024

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Fotos: Divulgação

Grande conquista! Os atletas de natação com cabelos afros poderão usar a Soul Cap na Olimpíada de Paris 2024, que ocorrerá entre os dias 26 de julho e 11 de agosto. A touca é feita para comportar cabelos crespos, cacheados e tranças. 

A touca havia sido vetada nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, após a Federação Internacional de Natação (FINA) alegar que o item não “seguia o formato natural da cabeça”. Mas em 2022, o acessório foi revisado e autorizado.

Para o Mundo Negro, Aline Silva, um dos principais nomes da luta olímpica e fundadora do projeto Mempodera, diz que a aprovação da touca é um ato de reparação. 

“Quando a gente fala de valores olímpicos, estaríamos falando de celebrar as diversidades e unir os povos do mundo para interagir através dos esportes. Na era antiga, as Olimpíadas eram praticadas para celebrar a paz entre as guerras. A desautorização de utilizar artigos de culturas específicas como a touca preta é o que nunca deveria ter acontecido. A autorização pra mim é mais uma reparação a um erro que um ato em prol da diversidade”, afirma.

A medalhista olímpica também recorda que as atletas francesas, de origem muçulmana, estão proibidas de usar o hijab (véu) nas competições. Em 2023, a ministra de Esportes da França, Amélie Oudéa-Castéra, proibiu atletas e membros das comissões técnicas do país, de usaram símbolos religiosos durante os Jogos Olímpicos.

“Apesar do número de igualdade dos jogos, a participação de pessoas diversas continua sendo dificultada. Daí eu pergunto, para estas atletas que são obrigadas a utilizar a hijab, as olimpíadas são inclusivas?”, critica.

A atleta também reforça que falar sobre diversidade e inclusão nos Jogos Olímpicos. “Pra mim que já participei e pude caminhar pelas vilas olímpicas com os olhos de uma pessoa com consciência racial é extremamente perturbador perceber como as Olimpíadas é um ambiente extremamente composto por pessoas brancas”, diz. 

“Quando olhamos para os resultados, podemos ficar ainda mais aterrorizados e chegar a conclusão que esporte não tem nada a ver com mérito como alguns gostam de acreditar e sim, tem a ver com oportunidades e investimento financeiro”, afirma.

Suspeito de planejar morte de Mãe Bernadete é localizado e preso na Bahia

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Foto: TV Globo / Reprodução.

Mais um suspeito de envolvimento na morte da líder quilombola e ialorixá Mãe Bernadete foi detido na Bahia. Ydney Carlos dos Santos, conhecido como “Café”, foi preso na noite de terça-feira (23) no bairro de Stella Maris, em Salvador. Ele é o quarto suspeito a ser preso por participação no crime, sendo acusado de colaborar na execução da líder comunitária.

De acordo com a Polícia Civil da Bahia, o suspeito foi encontrado com uma pistola e drogas no momento da prisão. Ele estava foragido desde novembro de 2023. Ao todo, cinco pessoas foram denunciadas por suspeita de participação no crime.

As investigações indicaram que Ydney Carlos dos Santos atuava como assistente direto de Marílio dos Santos, acusado de ser o mandante do crime. Ydney teria participado do planejamento do assassinato de Mãe Bernadete, que foi morta com 25 tiros na comunidade quilombola Pitanga dos Palmares.

De acordo com o Ministério Público, a ialorixá morreu porque lutava contra o tráfico de drogas na região em que morava e se posicionou contrariamente à construção de uma barraca em área de preservação ambiental que Marílio e Ydney usariam para vender drogas.

Mãe Bernadete era ex Secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial  na Região Metropolitana de Salvador. Ela era também mãe de Flavio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como ‘Binho do Quilombo’, vítima fatal de um assassinato em 2017, ocorrido dentro de seu carro, nas proximidades da Escola Centro Comunitário Nova Esperança, situada em Pitanga dos Palmares. 

Alê Garcia e Gil Viana criam hub de cultura negra para conectar marcas com inovações da comunidade negra brasileira

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Foto: Chico Kafouri ; Grazielle Salgado.

Alê Garcia, um dos criadores negros mais influentes do Brasil segundo a Forbes, com passagens por Nubank, New Vegas e Mynd, e Gil Viana, co-fundadora da Mugshot Music e PUNKS/SA, lançaram oficialmente a Casablack, um hub dedicado à cultura negra e inovação que se propõe a conectar profissionais do setor criativo.

“Nosso objetivo é conectar marcas e pessoas de maneira significativa, oferecendo soluções tailor-made que são culturalmente relevantes e socialmente responsáveis,” afirma Gil Viana. A plataforma também funciona como um canal de comunicação, publicando regularmente artigos e entrevistas que exploram temas variados, desde literatura e música até negócios e culinária.

A plataforma oferece uma ampla gama de produções originais — de podcasts e videocasts a documentários e vídeos exclusivos — muitas vezes em colaboração com grandes marcas. A missão da empresa é criar experiências que não só representem a cultura brasileira, mas que também estabeleçam um diálogo contínuo com ela.

Alê Garcia destaca a importância de amplificar as vozes da comunidade negra. “A Casablack é um espaço onde a inovação e a excelência afro-brasileira podem realmente brilhar. Nosso conteúdo always on é estratégico e serve como uma rica fonte de insights para nossas criações com marcas, garantindo representatividade genuína”, diz ele.

Gil Viana e Alê Garcia defendem que não estão apenas construindo uma ponte entre marcas e a rica cultura negra do Brasil, mas também fornecendo uma plataforma completa que celebra e valoriza a diversidade. “Queremos transformar a comunicação e o imaginário sobre as pessoas negras no Brasil, sempre com um olhar atento para a realidade do país,” conclui Alê Garcia.

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