Se São Paulo é reconhecida pelas suas experiências em padarias e sempre o Rio de Janeiro talvez tenha sido reverenciado pelos botecos e pela sua boemia, a Badó Pães, liderada pelo sócio gestor Igor de Oliveira, promete entregar a excelência das padocas de São Paulo no bairro mais boêmio do Rio de Janeiro – a Lapa. Igor, um jovem paulistano de 32 anos, é reconhecido pela sua trajetória em abrir empreendimentos de sucesso na Gastronomia. É ele quem lidera a operação do mais novo point carioca gastronômico.
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Badó é abreviação de Borogodó e tem como proposta entregar excelência na panificação com preços justos. Com um espaço amplo de 260m2, a Badó já se destaca pela produção de excelência de pães clássicos como baguetes, sourdoughs, focaccias e brioches, além de folhados (as chamadas viennoiseries), a exemplo de croissants, pain au chocolat, mil-folhas e palmiers. Uma das apostas da ala mais doce do cardápio é o rolinho de canela, que já é um sucesso de vendas com seu sabor equilibrado. Há também pastéis de nata, tortinhas com base de biscoito sablé, bolos, cookies, sonhos recheados e bombas de chocolate.
Há sete anos empreendendo e com formação em Gastronomia e Marketing em Gestão Empresarial, o empresário Igor de Oliveira tem a Badó Pães como seu terceiro empreendimento – sendo a Absurda Confeitaria também parte de sua trajetória empreendedora de sucesso. Igor destaca que “nos outros negócios quem dava a canetada final eram pessoas brancas” – e agora é diferente. Claro que isso acaba por repercutir na relação com seus colaboradores – o letramento racial faz toda diferença e isso possivelmente contribui para que ele possa se afirmar como liderança profissional de excelência no setor de alimentos e bebidas. Inclusive, tenho uma ex-aluna (Ana Flávia) contratada e um aluno (Caioá) como estagiário atuando na Badó Pães – eles são só elogios à proposta do ambiente de trabalho e do negócio).
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E como o espaço queridinho dos cariocas já nos primeiros meses de funcionamento, a Badó Pães abre às 08 horas da manhã e fecha às 19 horas – sendo folga coletiva às terças-feiras – decisão estratégica do sócio gestor por compreender que se fosse na onda de fechar às segundas como os empreendimentos gastronômicos vizinhos, a segunda seria “morta de possibilidades” para quem mora ou visita o bairro. No dia que visitei a padaria tinha uma pequena fila. Eu achei o máximo ter fila pois geralmente existe muita reclamação de empresários nos primeiros meses de um negócio. Na média, segundo Igor, visitam o local 250 pessoas diariamente. Pensei: “Uau, tem fila para entrar no empreendimento liderado por um homem preto! Que sucesso!”
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Se você estiver passeando pela Lapa ou se morar no Rio de Janeiro, vale muito a pena conhecer a Badó Pães. Preço justo, espaço confortável e excelência nos produtos vendidos. Fiquei com vontade de quero mais.
Preto Gourmet: Breno Cruz é o criador do Prêmio Gastronomia Preta, do Pretonomia e do Festival Gastronomia Preta. Pós-doutor, professor de Gestão na Gastronomia, Empreendedor Social e autor de 15 livros nas áreas de Administração e Gastronomia
Os novos dados do IBGE apontam que, pela primeira vez, mais da metade dos negros concluiu o ensino médio, mas taxa de analfabetismo entre idosos pretos e pardos ainda é o triplo em relação aos brancos.
Os dados do módulo de educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo IBGE, trazem um panorama agridoce para a população negra. Ao mesmo tempo em que o país registra conquistas históricas de acesso à educação básica para nossa comunidade, os indicadores deixam explícito o peso do racismo estrutural, que ainda dita quem consegue permanecer na escola e chegar ao ensino superior.
Conquista histórica no ensino médio
Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, mais da metade da população preta ou parda com 25 anos ou mais (51,3%) completou o ensino médio. O avanço é expressivo se comparado a 2016, quando esse percentual era de apenas 42,8%. Apesar do marco comemorativo, a igualdade racial no ambiente escolar ainda está longe de ser alcançada. A distância para a população branca, cuja taxa de conclusão é de 64,9%, permanece praticamente estagnada em 13,6 pontos percentuais de diferença, mostrando que o ritmo de inclusão precisa acelerar.
O peso do passado: Analfabetismo na terceira idade
O reflexo de décadas de negligência do Estado com a população negra fica nítido ao olhar para os mais velhos. Entre a população com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo de pretos ou pardos chega a impressionantes 20,6% , quase três vezes superior à dos brancos (7,3%).
Houve uma redução de 1,2 p.p. em relação ao ano anterior, mas, como define o analista da pesquisa do IBGE, William Kratochwill:
“O avanço acontece, mas evidencia um legado estrutural público de exclusão educacional.”
No panorama geral (considerando pessoas de 15 anos ou mais), o analfabetismo entre negros é de 6,5%, contra 2,8% de pessoas brancas.
Acesso ao ensino superior e o abandono escolar
As barreiras raciais se tornam ainda mais profundas quando analisamos a juventude e o acesso à universidade.
Ensino superior: Na faixa de 18 a 24 anos, a proporção de jovens brancos que já concluíram a graduação (6,2%) é mais que o dobro da de pretos ou pardos (3,0%). Além disso, enquanto 33,4% dos brancos estão na faculdade (etapa ideal para a idade), apenas 18,9% dos negros ocupam esse espaço.
Exclusão: Entre os jovens que não frequentam e não concluíram o ensino superior, a esmagadora maioria é negra: 70,1% dos pretos ou pardos estão fora da universidade, contra 55,0% dos brancos.
Perfil do abandono: O levantamento aponta que 7,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos não completaram o ensino médio no país. Desse total de evadidos da escola, 72,8% são pretos ou pardos.
Os dados provam que o Plano Nacional de Educação (PNE) só conseguiu atingir suas metas de universalização e acesso no ensino superior entre a população branca.
Para a população negra, o desafio principal do país vai muito além de matricular as crianças: envolve criar políticas públicas sólidas de assistência estudantil que combatam a necessidade do trabalho precoce e garantam a permanência e a conclusão dos jovens pretos e pardos em todas as etapas de ensino.
Em entrevista ao Mundo Negro, um dos maiores intelectuais da questão racial no Brasil fala sobre sua nova obra, “14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo”
Temas ligados à questão racial são sempre garantia de engajamento nas redes sociais, com debates acalorados, julgamentos e acusações. Quando falamos de um país negro como o Brasil, falta discutir soluções embasadas em dados e em fatores históricos, por meio de conteúdos que reconheçam que a questão racial não deve ser tratada nesses fóruns públicos a partir de experiências pessoais, e sim como uma luta coletiva por igualdade.
Hélio Santos, um dos nomes mais importantes para a reflexão sobre o Brasil negro na perspectiva social e econômica, traz em sua nova obra, 14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo, um conteúdo precioso e necessário. É a contribuição de quem viveu e estudou a negritude com profundidade e produz uma literatura ancorada em dados cruzados com aspectos históricos e políticos.
“Conclamo pessoas pardas e pretas, das mais diferentes tonalidades, a permanecermos juntas. Somos uma mesma família. Se não bastassem os dados socioeconômicos que nos vinculam como grupo historicamente discriminado, temos barreiras históricas, psicológicas e políticas a superar, e só as superaremos juntos. Não nos iludamos”, reflete o intelectual.
Santos é doutor em administração pela FEA-USP, professor e escritor. Pesquisador e ativista da questão racial, publicou o livro A busca de um caminho para o Brasil: a trilha do círculo vicioso (2000). Tem colaborado com diversas organizações da sociedade civil voltadas à equidade racial, como Oxfam Brasil, Instituto Ethos, Fundo Baobá e Pacto pela Democracia, entre outras. Atualmente, preside o Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra). É também Doutor Honoris Causa pela UFBA.
“Eu me formei ouvindo intelectuais negros como o professor Hélio Santos. A vida me deu a sorte de ser um de seus milhões de aprendizes”, diz o rapper Emicida no prefácio do livro.
Nesta entrevista, concedida à nossa editora-chefe Silvia Nascimento, ele explica a proposta da obra e fala sobre a influência das redes sociais nas lutas coletivas da comunidade negra, o impacto econômico do racismo e o pardismo, tema ao qual dedicou um capítulo completo do livro.
14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo terá um evento especial de lançamento em São Paulo:
Data: 23 de junho de 2026 (terça-feira)
Horário: 19h
Local: Itaú Cultural — Av. Paulista, 149, Bela Vista, São Paulo (SP)
Ingressos: retirada a partir da data do evento, às 12h, pelo site do Itaú Cultural (@itaucultural). Limite de 2 ingressos por pessoa.
1) Professor, o título do livro fala sobre o dia após a abolição, considerado “o mais longo da História”. Sua obra analisa o Brasil destacando o papel do movimento negro nas conquistas do nosso povo. Tenho a impressão de que a Geração Z, massivamente digital, por vezes desmerece antigas conquistas e cria teorias sobre questões que são consenso entre nossos acadêmicos e ativistas mais maduros. As redes sociais, na sua visão, têm contribuído para nossas lutas ou mais confundido?
O 14 de maio é uma alegoria que trabalho há muito tempo e, de fato, é um dia que ainda temos conosco. É o dia mais longo, e dele restam pedaços em qualquer cidade do país a que a gente vá. O livro tem um componente histórico, sem dúvida. É memória do movimento negro. Mas não abrimos mão de ser propositivos. Apresentamos sugestões e encaminhamentos, até porque acreditamos que as políticas afirmativas pontuais se esgotaram. Elas precisam alcançar outro patamar.
Sobre as redes sociais: a profusão de narrativas pulverizadas por essa revolução digital é um instrumento com que a minha geração não contou, mas que precisa se tornar uma ferramenta eficaz, e não um mero painel exibicionista. Proponho a ideia de desenvolvermos influenciadores orgânicos, aqueles e aquelas que trazem uma pegada que fortalece a autoestima e que buscam o empoderamento educacional, econômico e político.
Eu gosto da Geração Z. As pessoas mais velhas dessa geração ainda não têm 30 anos. São proativos, inovadores, gostam de causas, e já nascem na época da internet. Acredito que um jovem negro periférico tem condições de ser um influenciador orgânico, e isso é inovador. Hoje temos poucos. Algumas pessoas imaginam que ter milhões ou centenas de milhares de seguidores é, por si só, relevante. Será relevante se essa pessoa for sensibilizada nessa direção. Quanto aos que não estão, faço uma autocrítica: cabe a mim, a vários setores da sociedade e às organizações negras estimulá-los, atraí-los, desenvolver modelos em que eles se sintam bem. Vejo um grande potencial. Não podemos abdicar da juventude. A Geração Z, antes de ser um problema, é um grande potencial.
2) Falamos muito sobre o Pacto da Branquitude. O Pacto da Negritude ainda é uma utopia? Como as dificuldades econômicas, que mantêm a prosperidade distante de muitos de nós, dificultam nossa união enquanto povo?
Esta pergunta é muito mais complexa do que parece. O pacto da branquitude é um acordo não verbalizado pelo qual os descendentes de europeus mantêm privilégios. Ora, um pacto da negritude não pode ser o contrário, isto é, criar mecanismos para manter privilégios. Não teríamos como fazer isso, mesmo que desejássemos.
A gente não pode esquecer que, para cada dez anos de Brasil, sete se passaram sob a escravidão. As dificuldades econômicas e educacionais estão na base, na forma como a abolição se deu. O CEDRA, Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais, acaba de mostrar que, mantidas as atuais tendências e condições, só em 2399, daqui a 376 anos, a renda média do trabalhador negro se igualará à do trabalhador branco. Essa geração que está aí não está disposta a esperar quase quatro séculos.
Mas veja como o pacto da negritude tem de se dar: no campo político. Hoje, segundo o ex-ministro da Fazenda Haddad, temos uma evasão fiscal em torno de R$ 800 bilhões, isso sem considerar a sonegação. Não haverá recurso para desenvolver os programas massivos que defendo. As políticas afirmativas que temos hoje são importantes, mas não dão conta. Nós não somos o problema da desigualdade; somos parte da solução. O Brasil será aquele país gigante que ouvi celebrar a minha adolescência e juventude inteiras na medida em que a população negra tiver participação adequada. Isso pede uma nova cultura de desenvolvimento.
O nosso pacto da negritude não se parece com o da branquitude: este existe para preservar os brancos; aquele, para preservar o Brasil, porque redime a todos. Essa é a diferença.
3) O senhor dedicou um capítulo ao pardismo, conceito muito confundido com o de colorismo. A que o senhor atribui o crescimento desse movimento no Brasil?
A identificação negra vem desde o primeiro censo, de 1872, há 154 anos, portanto 16 anos antes do fim da escravidão. Ali foram definidas duas categorias: pretos e pardos. Essa distinção não foi pautada pelo movimento negro, como muitas vezes somos acusados. Quem conduziu aquele primeiro censo, ao criar as duas categorias, já intuía que a mistura era uma marca nossa, secular.
No centro dos equívocos dessa polêmica em torno da categoria parda está a ideia do colorismo. O colorismo, como sabemos, dispõe as discriminações raciais numa escala de cor: as pessoas de pele mais escura sofreriam mais discriminação e teriam menos oportunidades; as de pele mais clara, menos discriminação e mais oportunidades. No nosso livro, provo que isso é mentira. Apresentamos dados quantitativos que mostram que, no Brasil, não é verdade.
A primeira coisa que precisamos saber é que, pelo último censo, o Brasil tem 92 milhões de pardos e 21 milhões de pretos. Ou seja: para cada 100 afro-brasileiros, 82 são pardos e 18 são pretos.
4) Ainda sobre o tema, a que o senhor atribui o crescimento específico do movimento do pardismo nos últimos anos?
A autodeclaração, hoje utilizada em múltiplas instâncias da vida nacional, resulta de uma luta árdua e foi um dos ganhos políticos mais relevantes da epopeia contra o racismo. Antes de tudo, é preciso reconhecer que não vivemos um momento de crise da identidade racial. Ao longo do século XX, em particular nos anos 1980 e 1990, nossa identidade se firmou no sentido de unificar quem se autodeclara preto e pardo, constituindo o grupo afrodescendente, afro-brasileiro ou negro. Podemos usar qualquer uma dessas três denominações.
Desracializar uma sociedade descaradamente racista é o sonho de muita gente que sempre defende o Estado “neutro” para manter privilégios. Esse crescimento tem a ver com isso. É fundamental reconhecer, também, que o próprio ativismo negro tem contribuído para esse falso debate do colorismo. Os equívocos do pardismo incluem violências de algumas bancas contra pessoas pardas. É o que venho chamando de “ativismo de banca”: avaliadores que priorizam os pretos e vetam pardos legítimos. Esse ativismo é prejudicial e integra o que chamo, no capítulo, de equívocos do pardismo.
O que quero frisar é o seguinte: conclamo pessoas pardas e pretas, das mais diferentes tonalidades, a permanecermos juntas. Somos uma mesma família. Se não bastassem os dados socioeconômicos que nos vinculam como grupo historicamente discriminado, temos barreiras históricas, psicológicas e políticas a superar, e só as superaremos juntos. Não nos iludamos.
5) Neste momento global de retrocesso da diversidade, o que o senhor diria a quem acha que essa pauta está morrendo e não vale mais a pena lutar?
Hoje, no Brasil, os ativistas que batalham por diversidade e inclusão vêm sendo taxados de “identitários”, em tom de censura, sofrendo restrições à direita e também à esquerda. Ora, os marcadores de raça, gênero, geração, orientação sexual e outros não são meros cacoetes ideológicos, como o vendaval conservador soprado do Norte Global quer fazer crer. É preciso entender que diversidade não é salada de frutas: requer gestão.
Em 2023, a Suprema Corte dos Estados Unidos, de perfil bem conservador, vetou as cotas raciais nas universidades depois de mais de 50 anos de vigência. Desde então há uma cruzada contra essas políticas, reforçada pela eleição de Donald Trump. Não conheço maneira mais eficaz de operar contra a espécie humana do que se opor àquilo que me parece ser a sua decência: as diferenças, que consagram a nossa identidade.
Por outro lado, é preciso lembrar que, aqui no Brasil, as cotas raciais só foram formalmente autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal há 14 anos. Nós, do movimento negro, não defendemos “pautas identitárias”, termo impreciso, vago e malicioso. Defendemos, e continuaremos a defender, pautas afirmativas reparatórias. A diversidade racial é instrumento básico para o desenvolvimento do Brasil, até porque somos maioria. Esse discurso que aí circula foi importado e está mal colocado, embora muita gente navegue nessa onda. O movimento negro não é identitário: nossa pauta, repito, é afirmativa e reparatória.
Ficha técnica
Título: 14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo
A novela sul-africana “O Polígamo” chegou ao catálogo da Netflix em 12 de junho com seus 22 episódios disponibilizados de uma só vez. Baseada no romance The Polygamist (2012), da escritora zimbabuana Sue Nyathi, a produção tem chamado atenção do público ao combinar drama familiar, relações afetivas complexas e reflexões sobre identidade e poder aos olhos do público.
A trama acompanha Joyce Gomora, interpretada por Gugu Gumede, uma influenciadora digital que constrói para seus seguidores a imagem de uma família bem-sucedida ao lado do marido, Jonasi Gomora, personagem de Sdumo Mtshali. A estabilidade dessa narrativa começa a ruir quando as relações extraconjugais do empresário passam influenciar na dinâmica familiar.
Embora a história seja apresentada a partir dos conflitos provocados pelas escolhas de Jonasi, a narrativa se desenvolve principalmente pela perspectiva de Joyce. A personagem ocupa o centro da trama ao lidar com as consequências da imagem que construiu publicamente e com os desafios que surgem quando essa representação deixa de corresponder à realidade.
Esse olhar diferencia a produção das narrativas tradicionais do gênero. Em vez de concentrar o enredo apenas na descoberta da infidelidade, a novela explora as tensões entre aparência e autenticidade, questionando os limites da construção de uma vida idealizada diante do público.
Jonasi Gomora é retratado de forma complexa como um empresário bem-sucedido e figura influente em sua comunidade. O personagem vê sua posição ser gradualmente tensionada à medida que esposas e amantes ganham protagonismo na história. A produção evita construir personagens exclusivamente a partir de papéis de herói ou vilão, apostando em relações marcadas por contradições e disputas de poder.
Produzida pela Stained Glass Productions, a novela adapta para as telas elementos centrais da obra de Sue Nyathi. A autora construiu, em seu romance, uma narrativa que explora os contrastes entre vida pública e vida privada, destacando como ambições, expectativas sociais e ressentimentos acumulados podem moldar relações familiares.
A PowerList Mundo Negro 2026 entra em sua reta final. Hoje, 22 de junho, é o último dia para participação do público na escolha das finalistas da premiação, que reconhece trajetórias de mulheres negras em diferentes áreas de atuação no Brasil.
A segunda fase da edição ainda está aberta, mas o resultado depende diretamente da participação popular. Na primeira etapa, a premiação registrou mais de 3 mil votos e mais de 850 mulheres negras indicadas em todo o país. Dessa primeira fase saíram as finalistas de cada categoria.
Categorias da premiação
Entre as categorias estão Criadora Digital, Empreendedora do Ano, Profissional da Beleza, Destaque em Gastronomia e Profissional da Moda. As indicadas representam diferentes segmentos do mercado criativo, empreendedor e cultural.
Indicadas por categoria
Criadora Digital @cynthiamariah, @misteriosdaluz, @palmiratonet, @lu_blackstylist e @sarahafonseca.
Empreendedora do Ano @fanymirandaoficial, @ednusaribeiro, @geolima_, @lacreafro e @soumariananunes.
Profissional da Beleza @dinaurafrancabeauty, @glei__souza, @leticiamaria.imbali, @pretabrasileira e @projetoraizes.
Destaque em Gastronomia @taynapassosoficial, @saintclaircezar, @felixluiza, @ajeumdapreta e @kitandadasminas.
Profissional da Moda @cangaceirafuturista, @monicasampaiosr, @ateliekeilavianna, @golinjoias e @madanegrif.
Prazo final
A votação segue aberta até o fim do dia 22 de junho. As vencedoras serão premiadas no dia 31 de julho, durante o Julho das Pretas, em cerimônia na sede da L’Oréal Groupe Brasil, no Rio de Janeiro.
Como votar
A participação é simples, e pode ser feita de forma online, pelo link: https://powerlist.mundonegro.inf.br/votar/, é só escolher a candidata na sua respectiva categoria, preencher o formulário com o seu e-mail e finalizar a ação. A mensagem de confirmação do voto registrado surge instantaneamente na tela do aparelho e vale lembrar que cada e-mail cadastrado permite registrar apenas uma escolha.
O mercado da música urbana contemporânea, muitas vezes refém de lançamentos efêmeros e fórmulas desenhadas para engajamento instantâneo, ganha um respiro de extrema sofisticação e audácia conceitual.
O duo belo-horizontino Dois Canalhas, formado por Brandu e Kairee, acaba de estrear com o single e videoclipe “Tudo o que eu preciso nessa casa”. Lançado sob o selo CRIA.co, incubadora do Grupo A Macaco, o projeto não se limita a entregar apenas uma canção: ele inaugura um universo narrativo ambicioso que promete redefinir os moldes do R&B e do Rap nacional através de uma estrutura cinematográfica.
Logo no primeiro contato com o clipe, fica evidente que o Dois Canalhas não está interessado em seguir o óbvio. Em vez de uma sucessão de singles soltos, a dupla estruturou seu trabalho de estreia sob uma lógica de “série”, onde cada faixa funciona como um capítulo interconectado, pavimentando o caminho para o EP “Dois Canalhas em Ação”, previsto para agosto. Segundo Brandu, essa escolha nasceu do desejo de liberdade criativa e de resgatar o hábito de consumir narrativas completas: “A gente sempre gostou de trabalhar um conceito maior. Lançar single também é importante pra fazer conexões com outros artistas, pros feats, pra ver se a química rola. Mas quando é um trabalho que dá pra pensar com mais calma, a gente prefere EP ou álbum, porque ali dá pra desenvolver uma ideia maior, contar uma história, ter um enredo, coisa que no single nem sempre cabe”.
Visual e sonoramente, a obra é uma celebração afrofuturista e nostálgica. É impossível assistir ao clipe e não se lembrar das sitcoms icônicas dos anos 2000, como Um Maluco no Pedaço, resgatando a leveza, o figurino marcante e o humor característicos dessas produções pretas que moldaram o comportamento de uma geração.
Contudo, o Dois Canalhas evita a armadilha da mera cópia do passado. Existe uma fusão muito interessante entre o antigo e o contemporâneo, o passado e o presente. O instrumental traz um groove refinado dos anos 90, calcado em uma pesquisa minuciosa de timbres que dialoga com o hip-hop, o boom bap, o canto gospel e o R&B clássico. Como aponta Kairee, o diferencial está em aplicar autenticidade a esses cenários: “Acredito que o diferencial pra cena é trazer autenticidade e sair do mesmo: explorar e misturar referências de forma divertida. São realmente os “Dois Canalhas” explorando sua musicalidade em vários estilos, sem preconceito, e chamando outros artistas pra somar e explorar infinitos cenários”.
Essa sinergia se reflete perfeitamente na dinâmica de estúdio da dupla. Brandu, já reconhecido por sua excelência técnica na cena de Belo Horizonte, assina a produção e os arranjos (com mix e master de Gabriel Henriques), mas assume um inédito e potente protagonismo vocal ao lado da caneta afiada e interpretação marcante de Kairee. O processo criativo fluiu de forma orgânica e horizontal, distanciando-se da figura do mero “beatmaker” para alcançar uma produção musical de fato. Eles criaram melodias e refrões juntos, costurando as batidas de Brandu com as linhas vocais e rimas de Kairee em uma identificação mútua e natural.
Outro ponto alto do lançamento é a precisão afetiva e a territorialidade. O duo trouxe para o single a participação da cantora e prima de Brandu, Cibely (Ciih), natural de Ponte Nova, cidade que também é berço do produtor. A presença dela adiciona uma camada de calor e sofisticação vocal que eleva a faixa a um patamar global e pop, apto a dialogar com qualquer canto do Brasil e do mundo. Isso sem falar do visual icônico, com beleza e estilo muito bem assinados.
Embora o som de estreia mire em uma linguagem universal do R&B e da black music, a essência mineira está impregnada na postura artística do projeto. Kairee sintetiza com propriedade o orgulho dessa identidade: “O Dois Canalhas é isso: dois jovens músicos negros de Minas, explorando diversos cenários da black music e da diáspora de forma popular, da forma mais bonita que a gente enxerga no mundo”. Brandu ainda antecipa que a profunda pesquisa sobre a música mineira e seus ritmos tradicionais já está acontecendo nos bastidores com parceiros especializados, mas avisa que isso será revelado aos poucos nos próximos episódios.
“Tudo o que eu preciso nessa casa” é uma estreia e um cartão de visitas de alto nível pra uma dupla de artistas da nova cena. O Dois Canalhas mostra que é possível fazer música urbana com apelo popular sem abrir mão da complexidade artística, do resgate histórico e do respeito às suas origens. Quem aprecia a cultura preta em sua máxima potência estética e musical precisa, obrigatoriamente, acompanhar e degustar com atenção, os próximos capítulos dessa série. O single já está disponível em todas as plataformas digitais e o clipe no Youtube.
Atriz se pronunciou pela primeira vez uma semana após a divulgação do caso. O processo foi encerrado por acordo homologado pela Justiça do Trabalho em 2025, enquanto defesa contesta as alegações apresentadas pela ex-funcionária.
A atriz Isis Valverde se pronunciou pela primeira vez após a divulgação de um processo trabalhista movido por uma ex-cozinheira que trabalhou em sua residência. A manifestação aconteceu sete dias depois de a ação ganhar ampla visibilidade nas redes sociais e em veículos de imprensa.
Sem citar diretamente a ação judicial, a atriz utilizou suas redes sociais para compartilhar uma mensagem direcionada ao público em meio aos debates gerados pelo episódio. O pronunciamento marcou a primeira manifestação pública de Isis desde que detalhes do processo voltaram a circular na internet.
“Nos últimos dias, tenho visto interpretações e afirmações sobre mim que não são verdadeiras. Acima de tudo, que fique claro que tenho absoluto respeito pelas pessoas e pelos seus direitos. Jamais agiria diferente em relação a isso.” escreveu Isis.
O processo envolve uma ex-funcionária que ingressou com uma ação trabalhista alegando trabalhar 12h por dia e apenas tirar 20 minutos de almoço após jornadas prolongadas de trabalho, e o exercício de atividades além das atribuições inicialmente contratadas.
Segundo informações divulgadas nos autos, a trabalhadora afirmou que cumpria jornadas extensas e dispunha de pouco tempo para as refeições durante o expediente. As alegações resultaram em uma ação na Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro.
O processo foi encerrado após um acordo homologado pela Justiça em novembro de 2025. Conforme divulgado, o entendimento entre as partes previu o pagamento de R$ 30 mil, parcelado em seis vezes, encerrando a disputa judicial sem reconhecimento de culpa por qualquer uma das partes.
Diante da repercussão do processo, a defesa da atriz contestou a versão apresentada pela ex-funcionária. Isis Valverde criticou o que classificou como acusações sem fundamento por meio de suas redes sociais.
“Eu respeito a opinião das pessoas, mas não acredito neste formato baseado em acusações e afirmações infundadas e distorcidas. Decidi que vou seguir confiando que a verdade sempre encontra o seu caminho”, declarou a atriz.
O Brasil é um país majoritariamente negro (56%), mas essa maioria ainda é minoria nos espaços de poder, prestígio e decisão — e isso inclui hospitais, cursos de medicina e consultórios. A população negra enfrenta os piores indicadores de acesso à saúde e segue sub-representada entre os profissionais que ocupam a linha de frente do cuidado: os médicos.
Pessoas negras e indígenas vivem em maior vulnerabilidade social, enfrentam dificuldade de acesso a tratamentos, diagnósticos tardios e índices alarmantes de mortalidade materna e de doenças crônicas. E isso se deve ao fato de que a medicina ainda é um espaço historicamente elitizado, branco e distante da realidade da maioria da população brasileira, principalmente quando o assunto é prevenção e estética.
Estar nesses espaços e discutir o tema é um passo importante para compreender que a presença de médicos negros possui um significado que vai além da ocupação profissional. Ela ajuda a construir vínculos mais humanizados dentro do sistema de saúde, pois, para muitos pacientes, enxergar-se representado no atendimento gera acolhimento, confiança e pertencimento — algo fundamental em qualquer processo de cuidado.
Doutor Lucas Diniz é cirurgião plástico facial e doutorando em Ciências Cirúrgicas pela USP, com experiência internacional em Stanford, na Weill Cornell University (EUA) e na Mannheim Universität (Alemanha). Atualmente atende em consultório particular e realiza cirurgias em hospitais de renome em São Paulo. É cirurgião voluntário em projeto social do Barco Papa Francisco, na Amazônia, e compreende as dores da limitação de acesso na pele. Ao comemorar sua aprovação em primeiro lugar para Membro Titular da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face, ele nos oportuniza, mais uma vez, sonhar e agir.
Dr. Lucas Diniz (Foto: Alex Santana)
“Minha trajetória foi lapidada em casa. Filho de um eletricista e de uma agente de saúde, aprendi cedo que a educação é a maior ferramenta de transformação. Foi com essa perseverança que cheguei em primeiro lugar no ingresso em Medicina, na residência e no fellowship de Cirurgia Plástica da Face da USP. Neste mês, recebi a notícia de que fui aprovado em primeiro lugar na prova para Membro Titular da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face. Sou o primeiro homem negro a conquistar esse título. Porém, a pergunta que faço é: por que demorou tanto e o que faremos para que não demore de novo?”, questiona o Dr. Diniz.
O ingresso nas faculdades de Medicina continua sendo uma das maiores expressões da desigualdade racial no Brasil. Cursos caros e obstáculos educacionais históricos afastaram gerações de jovens negros desse espaço. O avanço das políticas de cotas é notório e nos levará a novos índices, mas os desafios para estudantes negros são muitos, e é preciso olhar para esse ponto para que a equidade seja aplicada. Combater o racismo acadêmico, a pressão psicológica e as dificuldades financeiras — fatores que ampliam essa desigualdade — é fundamental para que os alunos permaneçam nos cursos e tenham a oportunidade de competir em igualdade de condições.
“Estudo é tão essencial quanto oportunidade; afinal, ninguém se lapida sozinho. O Dr. Carlos Caropreso, chefe do serviço da USP, me viu e me estimulou. No exterior, abriram-se portas: Stanford, pelas mãos dos Drs. Thomaz Fleury e Robson Capasso; a Weill Cornell, com o Dr. Michael Stewart. Vale registrar: todos que me formaram no Brasil, inclusive meu orientador de doutorado na USP, Dr. Nivaldo Alonso, são aliados não-negros. Sou profundamente grato a cada um deles”, enfatiza o médico.
Dr. Lucas Diniz (Foto: Divulgação)
Intencionalidade e políticas públicas são a soma do investimento inicial no combate à desigualdade social e racial na saúde. Contribuir para mudar culturas institucionais, ampliar perspectivas e humanizar o cuidado é uma responsabilidade que precisa fazer parte das decisões e das pautas institucionais. Sabemos que ampliar o número de médicos negros não resolve sozinho o problema do racismo estrutural na saúde, mas é mais uma ação de transformação fundamental para essa mudança que segue atrasada, mas em curso.
“Em toda a trajetória escolar, tive um único professor negro, Estéfani Martins, que me deixou um ensinamento que carrego até hoje: ‘O que te define é como você se apresenta para o desafio no seu pior dia.’ Na faculdade, ouvia histórias do professor Odo Adão, primeiro cirurgião plástico negro do Brasil. Mas, em toda a minha formação médica, não tive um único professor negro. Precisei sair do país para ver cirurgiões negros em posição de destaque”, informa o doutor.
A presença de médicos negros tem contribuído para transformar a forma como pacientes negros se relacionam com o autocuidado, com os serviços de saúde e com a própria confiança nas instituições médicas. Essa representatividade amplia perspectivas, fortalece vínculos e traz para o centro do debate questões fundamentais para o aprimoramento das políticas públicas de saúde. A tecnologia e a produção de conhecimento baseada em dados são ferramentas indispensáveis para compreender desigualdades, desenvolver soluções e ampliar o acesso a cuidados mais equitativos.
Para o Dr. Lucas, a experiência de mentoria com o Dr. Kofi Boahene, cirurgião plástico da Johns Hopkins, o fez refletir sobre outra perspectiva, mesmo quando as estatísticas diziam o contrário. Todo profissional precisa ter acesso ao conhecimento pleno para atender às demandas tecnológicas que estão em curso. Precisamos de mais mentores médicos negros e nos preparar para plantar as tamareiras para as próximas gerações colherem os frutos.
“Dominar a inteligência artificial é a tecnologia do agora. Um estudo da IDC com a Microsoft, apresentado pela presidente da Microsoft Brasil, Priscyla Laham, mostra que 90% dos executivos C-level brasileiros veem a IA como diferencial-chave de competitividade em seus setores, e 88% a consideram o principal motor de competitividade até 2030. Se as portas do passado foram abertas por pessoas, as do futuro serão abertas por quem dominar as ferramentas”, ressalta o médico.
O Dr. Lucas faz uso de IA desde 2022 e aprendeu diretamente na fonte, no Vale do Silício, a testar diversas ferramentas para aprimorar suas técnicas e conhecimentos. Ele afirma que existe um mundo além do ChatGPT e que as habilidades do futuro, como a IA agêntica, precisam ter a nossa cor. Ao propor que nossas instituições, ABCPF e ABORL-CCF, realizem o censo — quem somos, por raça e cor —, ele reafirma a urgência dos dados para que possamos corrigir as estruturas históricas que, consequentemente, atrasam nossa evolução social e econômica.
“Quem chega primeiro deixa a porta aberta. Como nos mostrou a genial Rachel Maia em seu livro Meu Caminho até a Cadeira Número 1, levar a próxima geração mais longe é o meu, o seu, o nosso dever”, acrescenta o especialista.
A busca por uma sociedade mais inclusiva dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 3, voltado à saúde e ao bem-estar, e com as metas brasileiras de promoção da igualdade étnico-racial, ODS 18. Construir uma medicina mais diversa significa oportunizar esperança aos jovens estudantes negros que desejam seguir a carreira e aos pacientes negros que têm direito ao cuidado e a se verem representados.
Cofundador de MUVUKA e AUÊ, o estrategista e executivo independente leva ao festival uma perspectiva brasileira, negra e latino-americana sobre criatividade, cultura e negócios
Renan Damascena participa do Cannes Lions como jurado de Creative Strategy, tornando-se um dos representantes brasileiros na área de estratégia criativa do festival mais relevante da indústria publicitária global. Estrategista, pesquisador cultural e executivo independente, ele leva ao evento uma perspectiva construída a partir da inteligência negra, periférica e latino-americana, em um espaço historicamente ocupado por perfis distantes dessa origem.
Cofundador e CSO de MUVUKA e AUÊ, Renan atua na interseção entre inteligência cultural, estratégia criativa, tecnologia e prototipação de novos negócios. Reconhecido pela Forbes Under 30 Brazil 2025, ele representa uma geração de executivos independentes que acumula método e linguagem próprios, sem depender das estruturas tradicionais do mercado para ocupar posições de decisão.
Para Renan, a presença em Cannes não é uma conquista individual. “A cadeira que ocupo não começou em mim. Ela também é resultado de pessoas que abriram caminhos, como Raphaella Martins, Samantha Almeida, Gabriela Rodrigues, Felipe Silva e tantas outras lideranças que provaram que inteligência negra, periférica, brasileira e independente tem lugar em espaços globais de decisão”, afirma.
O executivo também chama atenção para o papel de iniciativas como Publicitários Negros e Perifa Lions, que vêm funcionando como infraestruturas de formação, visibilidade e circulação de talentos negros na indústria criativa. A avaliação, porém, vem acompanhada de uma crítica direta ao mercado. “O mercado celebra diversidade, mas ainda investe pouco nas estruturas que tornam a diversidade sustentável. Não basta chamar talentos negros quando a campanha precisa de legitimidade. É preciso financiar caminhos concretos para muitos”, diz.
A presença de Renan em Cannes integra uma agenda mais ampla de reconhecimento do papel das comunidades negras e periféricas na produção de método, estratégia e linguagem criativa, e não apenas como fontes de repertório cultural. Sua trajetória reforça também o crescimento de executivos brasileiros independentes em espaços globais de decisão, um movimento que vem ganhando consistência à medida que nomes com esse perfil acumulam visibilidade internacional sem precisar passar pelos filtros das grandes agências ou holdings.
O solo teatral de Taís Araújo ganha sessão extra em São Paulo no dia 26 de junho e chega a Belo Horizonte em agosto. Saiba como garantir seu ingresso.
“Mudando de Pele”, espetáculo protagonizado por Taís Araújo, tem duas novas datas confirmadas. A peça, que estreou no Rio de Janeiro e cumpre temporada no Sesc 14 Bis, em São Paulo, até 5 de julho, ganha agora uma sessão extra na capital paulista e anuncia sua chegada a Belo Horizonte, em agosto.
No enredo escrito pela britânica Amanda Wilkin e dirigido por Yara de Novaes, com direção assistente de Ivy Souza, Taís interpreta Mayah, uma mulher de quase 40 anos que abandona ciclos desgastados de trabalho e relacionamento para iniciar uma jornada de autodescoberta. Ao longo dessa trajetória, ela encontra Mildred, uma senhora jamaicana de 90 anos com história de luta pelos direitos civis, e Kemi, uma jovem que ocupa espaços sem pedir licença. As relações entre as três personagens constroem uma narrativa sobre identidade, ancestralidade e valor, deslocando a dor do centro da trama para dar espaço ao humor, ao afeto e à alegria. Dani Nega e Layla integram o elenco e executam ao vivo a trilha sonora do espetáculo.
São Paulo
A sessão extra acontece no dia 26 de junho, sexta-feira, às 15h, no Teatro Raul Cortez. Os ingressos estarão disponíveis a partir de 23 de junho, às 17h, pelo aplicativo Credencial Sesc SP e pela Central de Relacionamento Digital. A venda presencial começa no dia 24 de junho, às 17h, nas bilheterias da rede Sesc SP. Não será permitida a entrada após o início do espetáculo.
Belo Horizonte
A peça chega à capital mineira nos dias 8 e 9 de agosto, no Centro Cultural Unimed-BH Minas. Os ingressos estão disponíveis via Sympla. A produção é assinada pela Rubim Produções, com patrocínio do Itaú por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura.
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