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Racismo recreativo culposo: improviso e irresponsabilidade

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Foto: Reprodução/Freepik

Texto: Hédio Silva Jr. e Ana Luiza Teixeira Nazário

A Lei nº 14.532, aprovada logo após a posse do Presidente Lula em 2023, trouxe mudanças importantes na chamada “Lei Caó” (Lei nº 7.716/89), que trata dos crimes raciais. Embora tenham ocorrido alguns avanços, essas mudanças também mostram que a lei foi aprovada às pressas e sem muita preocupação com as vítimas.

Primeiro, vale referir um ponto positivo dessa nova lei: ela agora garante assistência jurídica especial para vítimas de racismo. Isso significa que, em qualquer processo, seja ele civil (como uma indenização, por exemplo) ou criminal, a vítima deverá estar acompanhada por um advogado ou defensor público.

Esse direito está baseado na garantia constitucional de acesso à Justiça e no que diz à Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, que estabelece que todos têm direito a um tratamento justo e igual, especialmente em casos de discriminação racial.

Porém, nem todas as mudanças devem ser tão bem recebidas. A nova lei criou uma situação, no mínimo, curiosa: a possibilidade de aumentar a pena para crimes raciais quando eles ocorrem em “contextos de descontração, diversão ou recreação”. Ou seja, se alguém cometer racismo em uma brincadeira ou momento de lazer, a pena pode ser mais severa. Isso criou uma espécie de “racismo recreativo”, em que a pessoa, mesmo sem intenção de discriminar, acaba sendo responsabilizada por causar ofensa.

Esse ponto deveria chamar a atenção não só de juristas, mas de toda a sociedade, já que a punição para quem comete racismo de forma intencional (dolosa) acabou sendo inferior do que para quem faz isso sem intenção (culposa). Isso revela o verdadeiro desleixo na forma como o Congresso lidou com um tema tão sério como o racismo.

Outro problema é que a nova lei também mexe com questões religiosas, mas deforma que parece-nos proposital para não ser efetiva. A Lei nº 14.532/2023 dispõe sobre crime racial em contexto religioso ou com o objetivo de obstar, impedir ou atacar manifestação ou prática religiosa, com pena de 2 a 5 anos de reclusão e de 1a 3 anos, respectivamente. Entretanto, no Código Penal há a figura do art. 208, que trata do impedimento ou perturbação de culto cuja pena é de detenção de um mês a 1 ano.

E qual o problema aqui? A Constituição Federal prevê que o réu deverá se favorecer da norma mais benéfica, logo, de nada valem as inovações trazidas pela lei em relação ao contexto religioso enquanto o ilícito previsto no Código Penal não for revogado.

Por fim, uma das novidades mais controversas da lei é que, na interpretação de atos discriminatórios, os juízes devem considerar como discriminatória qualquer atitude que cause vergonha, humilhação ou constrangimento a grupos minoritários. No entanto, definir quem são essas “pessoas minoritárias” parece-nos bastante complexo. Desde 2020 o IBGE já mostra que a população negra é maioria no Brasil, o que pode gerar complicações na hora de aplicar a lei. Nada nos leva a desacreditar que não demorará muito para algum juiz “cidadão de bem” tratar os brancos como minoria envergonhada pelos negros algozes.

A verdade é que a Lei nº 14.532 trouxe mais retrocessos do que avanços, resultado da falta de comprometimento e empatia com que “assunto de preto” é tratado no Brasil.

Hédio Silva Jr.

Advogado. Mestre em Direito Processual Penal e Doutor em Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP). Coordenador-executivo do Instituto de Defesa dos Direitos da Religiões Afro-brasileiras (IDAFRO) e Fundador do JusRacial.

Ana Luiza Teixeira Nazário

Advogada. Mestre em Direitos Fundamentais e Justiça (UFBa). Especialista em Ciências Penais (PUCRS). Coordenadora de Projetos Acadêmicos do JusRacial.

Ao afirmar que é “uma mulher preta de direita”, Jojo Toddynho revela que vai se candidatar nas eleições de 2026

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A cantora Jojo Todynho, anunciou no último domingo, 5, sua intenção de se candidatar a um cargo político nas eleições de 2026. A declaração foi feita durante uma live no Instagram, após a artista ser alvo de uma série de críticas nas redes sociais por aparecer em uma foto ao lado de Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Jojo rebateu os ataques, afirmando que não se arrepende de suas escolhas e que suas posições políticas sempre foram claras. “Eu nunca enganei ninguém. Minha palavra não faz curva”, disse, ao afirmar também que, embora se identifique como “uma mulher preta de direita”, seu posicionamento é pautado por princípios, e não por extremismos, de acordo com Jojo.

“Hoje não venho à política, não. Mas 2026 eu estou vindo. E aí eu quero ver a disposição de vocês, porque vocês têm uma disposição na língua para atacar os outros”, completou a artista.

Ela também falou sobre a publicação feita pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que compartilhou a foto de Jojo com Michelle e escreveu a palavra ‘Traidora’. Em resposta, Jojo questionou: “Você, como uma mulher trans e negra, não tem respeito?”.

Emmy 2024: Discurso emocionante de Liza Colón-Zayas, da série ‘The Bear’ e os looks do tapete vermelho

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A noite do último domingo, 16, foi marcada por discursos emocionantes e pela consagração da série ‘O Urso’, como uma das grandes vencedoras da noite, junto com ‘Xógum: A Gloriosa Saga do Japão’, que venceu nas principais categorias do Emmy Awards 2024. A atriz Liza Colón-Zayas, que interpreta a personagem Tina Marrero na série ‘The Bear’, ganhou seu primeiro Emmy em 30 anos de careira na categoria de ‘Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia’, se tornando também a primeira atriz de origem latina a vencer na categoria: “não achei que seria possível”, disse em seu discurso.

Ao iniciar seu discurso, a atriz confessou que não havia escrito nada por não achar que seria possível vencer: “Obrigada ao meu marido David Zayas, ele me disse para escrever um discurso e eu não escrevi porque não achei que seria possível”, disse ela. “Como, como eu poderia ter pensado que seria possível estar na presença de Meryl Streep e Carol Burnett e Janelle [James] e Sheryl Lee Ralph e Hannah [Einbinder]. Amo todos vocês do fundo do meu coração, e todas as mulheres — minha mamãe, obrigada.”

Norte-americana de origem porto-riquenha, Colón-Zayas foi considerada a primeira atriz latina a vencer na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia’. Ela também destacou o epísódio em seu discurso: “E para todas as latinas que estão olhando para mim, continuem acreditando e votem. Votem pelos seus direitos”, afirmou a artista, que venceu em sua primeira indicação à premiação.

A série culinária “The Bear” dominou o início do 76º Emmy Awards, conquistando três prêmios de atuação nas primeiras horas da cerimônia. Ebon Moss-Bachrach foi eleito o melhor ator coadjuvante em comédia, e Jeremy Allen White levou o prêmio de melhor ator em comédia, ambos repetindo o feito do ano anterior. A série estabeleceu um novo recorde ao conquistar 11 prêmios em uma única temporada, superando sua própria marca de 10 vitórias no ano passado. O criador Christopher Storer também foi premiado como melhor diretor de comédia, consolidando o sucesso de “The Bear”.

Confira as fotos do tapete vermelho

Lujul encerra as atividades em São Paulo e chef proprietário fala sobre trazer mais ancestralidade na sua cozinha

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Foto: Reprodução/Instagram

Após quase cinco anos do Lujul – Cozinha Consciente, comandado pelo chef proprietário Julio Cardoso, o restaurante fechou as portas na semana passada, em São Paulo. O estabelecimento, que ficava na Vila Madalena, foi uma grande referência da culinária italiana, vegetariana e vegana.

“Eu senti a necessidade de colocar um rumo nele. O destino acabou, fazendo também que tivesse um racha na sociedade do restaurante, com o fato do sócio ter pedido pra sair da sociedade por outros motivos pessoais. Então eu analisei números e situações e decidi obter por encerrar a atividade”, explica o chef Julio em entrevista ao Guia Black Chefs e Mundo Negro

No entanto, o chef já visa novas estratégias para trabalhar. “É uma oportunidade de focar em eventos que eram uma crescente do Lujul, há muito tempo, eu tenho muitos clientes de eventos. Com isso, alinhado também um desejo profundo de trazer um pouco mais de brasilidade dentro da minha cozinha, dentro do meu know-how de atuação, africanidade, pouco de ancestralidade”, compartilhou.

“A possibilidade é gigante nesse nosso mercado, principalmente em São Paulo, que é muito farto, rico, e tem paladares mais exigentes e diversos no Brasil. Eu gosto muito dessa diversidade, porque traz um pouco mais de dinamismo para o mercado de gastronomia”, diz o chef com boas expectativas. 

“O mercado de eventos de luxo quer trazer a tônica da brasilidade, querem fazer eventos para pessoas pretas, procuram um chef negro que os represente, que traga bastante influência histórica, diaspórica, então certamente o mercado está muito aberto para isso. Então eu estou bem feliz e com muitas possibilidades, muitos caminhos abertos para que isso aconteça”, completa. 

“Isso me possibilitou também andar com o restaurante da fundação até hoje, como foi, mas também pensar e repensar sobre questões pessoais, de ancestralidade e o desejo de resgatar um pouco mais dos meus antepassados através da gastronomia”, explica.

Embora ele pense no mercado de eventos, também não descarta abrir outro restaurante “com cunho de brasilidade trazendo a tônica de comidas nordestinas, nortistas, também paulistas dentro desse mar de possibilidades da alimentação da gastronomia enquanto agente transformador da sociedade”, conta.

Para o chef Julio, o Lujul representou uma projeção social muito importante. “No final do restaurante, o público negro tornou-se 50% dos frequentadores do restaurante. Então isso me deixou muito feliz e eu acredito muito nessa capacidade do negro enquanto agente da transformação da boa gastronomia, dos bons lugares que estão à disposição de serem frequentados por pessoas negras”, diz. 

“Então o Lujul foi um protagonista nesse sentido e meus clientes sem dúvida agradecem por ela ter existido porque isso eu senti muito nas últimas semanas, principalmente no último dia. Teve muitas lideranças negras, pessoas brancas, que estavam presentes e foram agradecer pela existência do Lujul e por eu estar e ter proporcionado uma alimentação bacana com muito cunho de responsabilidade. E carinha, afeto e trocas”, relata. 

Para encerrar, o chef Julio afirma que o restaurante Lujul foi um agente propulsor de ideais da sociedade. “Eu tenho certeza absoluta, porque o que ele representou, o que ele fez, e tenho certeza que vai continuar fazendo ainda através dos projetos que virão, significam que eu fiz um bom trabalho”, celebra. 

59% das mulheres negras têm medo de sofrer violência física durante deslocamentos, revela pesquisa

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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Uma nova pesquisa nacional, realizada pelos Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva com o apoio da Uber, evidenciou que 59% das mulheres negras no Brasil temem sofrer violência física durante seus deslocamentos urbanos. O estudo, intitulado “Vivências e demandas das mulheres por segurança no deslocamento”, ouviu mais de 4.000 mulheres em nove capitais brasileiras e revelou que a insegurança nos deslocamentos afeta desproporcionalmente mulheres negras e de classes mais baixas.

O levantamento apontou que, além do medo de violência física, 34% das mulheres negras relatam o temor de sofrer racismo enquanto se deslocam pela cidade. Esses dados mostram como a interseccionalidade entre raça e gênero agrava a percepção de insegurança, tornando os trajetos diários um desafio ainda maior para essa parcela da população.

Outro aspecto relevante revelado pela pesquisa é o maior uso de transporte público e de deslocamentos a pé por mulheres negras, o que as coloca em situações de maior vulnerabilidade. Cerca de 30% das mulheres negras utilizam ônibus como principal meio de transporte, em comparação com 21% das mulheres brancas. Além disso, 22% das mulheres negras costumam caminhar em seus deslocamentos diários, enquanto 36% das mulheres brancas utilizam carro particular.

A percepção de segurança nas ruas também varia entre os diferentes grupos. A pesquisa mostrou que 28% das mulheres negras afirmaram que não consideram as ruas das cidades seguras, comparado a 24% das mulheres brancas. Em relação às ruas próximas de suas residências, apenas 16% das mulheres negras se sentem seguras, um número que reforça o clima de medo e insegurança.

A pesquisa também apresentou recortes sobre a violência enfrentada por mulheres negras do grupo LBT (lésbicas, bissexuais e transexuais). Entre essas mulheres, 82% afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência, como assédio, importunação ou estupro, durante seus deslocamentos.

Diante desse cenário, a maioria das mulheres ouvidas no estudo defende a implementação de políticas públicas que garantam mais segurança em suas trajetórias diárias. Medidas como maior policiamento e melhorias na iluminação pública foram apontadas como fundamentais para reduzir os riscos e aumentar a sensação de proteção.

Emmy 2024: onde assistir as produções indicadas com protagonismo negro 

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Fotos: Apple TV+ e Pamela Littky/Getty Images

Para fazer um esquenta antes do Emmy 2024, principal premiação da televisão norte-americana, que será realizado neste domingo, 15 de setembro, em Los Angeles, o Mundo Negro selecionou produções com protagonismo negro para assistir nos streamings. 

A cerimônia será transmitida no canal da TNT e na plataforma Max, a partir das 21h.

Entre os grandes sucessos indicados, estão a aclamada série “O Urso”, estrelada por Ayo Edebiri, que quebrou o recorde de número de indicações nas categorias de comédia, levando 23 no total. A série “Abbott Elementary”, estrelada e criada por Quinta Brunson, e “Sr. e Sra. Smith”, protagonizada e criada por Donald Glover. (Confira aqui a lista de indicações)

Veja abaixo onde assistir as produções indicadas com protagonismo negro:

“O Urso” 

Aclamada série sobre gastronomia com representatividade de chefs negros, a comédia dramática acompanha a história de Carmy Berzatto (Jeremy Allen White), um chef de cozinha premiado que sai de Nova York para administrar um restaurante desorganizado e repleto de problemas em Chicago. Para isso, ele contará com o grande talento da Sydney (Ayo Edebiri). Disponível na Disney+.

“Sr. e Sra. Smith” 

Estrelado por Donald Glover e Maya Erskine, eles vivem um casal de agentes secretos. Embora seja inspirado no filme, o enredo da série se destaca ao explorar a jornada desses dois protagonistas, inserindo novas dinâmicas e desafios em sua trajetória como espiões disfarçados. A proposta de um par convidado em meio às missões secretas promete uma nova abordagem para a história. Disponível no Prime Video.

“Sequestro no Ar” 

Protagonizado por Idris Elba, o suspense acompanha em tempo real o sequestro de um avião. Em sua jornada até Londres durante um voo de mais de sete horas, a trama mostra a ação movida pelos comissários de bordo e as autoridades em busca de respostas. Sam Nelson, um negociador de sucesso no mundo corporativo, precisa colocar em prática suas habilidades para tentar salvar a vida dos passageiros. Disponível na Apple TV+.

“Girls5eva”

A série é uma comédia musical que conta a história de quatro mulheres que, 20 anos após seus 15 minutos de fama com um grupo feminino, tentam voltar à cena musical, mas as coisas já estão bem diferentes de quando elas eram jovens. Disponível na Netflix. 

“Abbott Elementary” 

Uma das queridinhas da comunidade negra, a comédia mostra a realidade de uma escola pública da Filadélfia, com foco na trama da jovem professora Janine Tieges, vivida por Quinta Brunson, que também é criadora e escritora da produção. Também integram a série Tyler James Williams, Sheryl Lee Ralph e Janelle James. Disponível na Disney+.

“Uma Questão de Química” 

O drama acompanha a história de Elizabeth Zott (Brie Larson), uma química talentosa que abandona o sonho de ser cientista para se tornar apresentadora de um programa de culinária na década de 1950. Na luta contra o patriarcado, ela se torna amiga de Harriet Sloane, estrelada por Aja Naomi King, que na época, também precisa lutar contra o racismo e pelos direitos civis nos EUA. Disponível na Apple TV+.

Projeto oferece bolsas para pesquisadores negros e indígenas desenvolverem soluções de energia no Nordeste

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Foto: Freepik

O Instituto Mancala, em parceria com o Serrapilheira, lançou um edital voltado para capacitar pesquisadores negros e indígenas a desenvolver soluções em ciência e tecnologia para suas comunidades. O Projeto Mukengi, em sua terceira edição, foca no tema “economia verde” e pretende selecionar 20 pesquisadores com mestrado ou doutorado em ciências exatas, da vida ou da saúde, em curso ou já concluídos. As inscrições, que são gratuitas, estão abertas até 20 de setembro (CLIQUE AQUI PARA SE INSCREVER).

A iniciativa, intitulada “Energia Nordestina: Empoderamento e Sustentabilidade através da Capacitação de Pesquisadores Negros e Indígenas”, visa fortalecer a formação de profissionais especializados, com ênfase em uma transição energética inclusiva no Nordeste, região estratégica para o desenvolvimento de energias renováveis. O foco é ampliar a presença de negros, quilombolas, indígenas e moradores de áreas periféricas nas discussões sobre desenvolvimento sustentável.

O programa será dividido em duas fases: a primeira, remota, com encontros sobre energias renováveis e intersecções socioambientais e raciais; e a segunda, híbrida, com pesquisas aplicadas nas comunidades participantes. Os selecionados receberão bolsas mensais e terão acesso a R$ 10 mil para o desenvolvimento de um projeto coletivo.

“O Mukengi é especial, pois não apenas treina pesquisadores, mas integra valores e perspectivas das comunidades negras e indígenas ao programa”, afirma Michel Chagas, gestor de Ciência do Serrapilheira. Leonardo Souza, coordenador do projeto, reforça a importância de incluir essas comunidades no debate: “Quem melhor para resolver os problemas de sustentabilidade do que os próprios negros e indígenas?”.

Violência contra as mulheres no mundo corporativo e a nossa parcela de responsabilidade 

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Foto: Mateus Silva

Texto: Viviane Elias Moreira

O som do silêncio que todos ouvimos, mas que somente alguns se permitem agir. O som do silêncio que vira conivência rotineira, pautada na justificativa dos nossos boletos. No último dia 28 de agosto, mais de 500 pessoas passaram o dia ouvindo as obviedades deste silêncio e seus absurdos, que nos deixaram desconfortáveis, pois a nossa parcela de responsabilidade sobre esse silêncio ficou escancarada. Fayda Belo rompeu a barreira desse silêncio e deixou claro que a nossa responsabilidade diz respeito às suas esposas, mães, filhas, sobrinhas, a você e seus afetos femininos.

Fayda Belo é o que temos de melhor. Ela é uma mulher preta, retinta, inteligente, de valores inegociáveis em prol do coletivo, o que a transformou em um contraponto de um sistema que não nos informa, mas nos condena o tempo inteiro. Muita gente aprendeu sobre seus direitos com ela, mesmo em uma simples passagem pelas redes sociais. A amplificação de suas ações em transformar o mundo em um lugar mais justo virou um livro que, a partir do Justiça para Todas Summit, faz parte de um ecossistema de provocação para a ação. “De onde você está, que você possa fazer a sua parte para que, um dia, possamos ter de fato espaços, empresas, e nosso país mais justo, mais equânime e que respeite não algumas, mas todas as mulheres.” Essa frase final dela foi o início da nossa obrigatoriedade de agir.

O Justiça para Todas Summit deu um “EITA_ATRÁS_DE_VIXE” necessário para o mundo corporativo: TODOS nós somos parte desse sistema e estamos, mesmo que nos bastidores, perpetuando um ambiente que sufoca e oprime mulheres. Quando foi a última vez que você ouviu, acolheu, respeitou ou ajudou uma mulher em sua empresa, não importa o cargo que ela ocupa?

Com uma abordagem incisiva, inclusiva e relevante, vozes como as de Silvia Nascimento, Aline Midlej, Petria Chaves, Luana Pereira, Lais Franklin, Natália Falcón, Mafoane Odara, Cris Guterres, Semayat Oliveira, Raphaella Martins, Lia Rizzo, Márcia Silveira, Ana Fontes, Helena Berto, Cris Fibe, Renata Ceribelli, Danielle Tores, Cármen Lúcia, Fabiana Correa, Débora Freitas, Sheila de Carvalho, Silvia Chakian, Anne Williams, Luciana Temer, Renata Gil e Luiza Brunet se uniram a Fayda neste evento, além de um grupo de aliados relevantes como Luciano Ramos, Rogério Schietti, Luiz Pacete e Rodrigo Pardal, que não pouparam esforços para expor uma verdade que muitos preferem ignorar: a violência contra a mulher no ambiente corporativo é real e se manifesta de formas que vão além das agressões físicas ou verbais mais evidentes.

Aliás, é importante lembrar que a violência contra a mulher no ambiente de trabalho raramente se revela em gritos e insultos — isso seria até uma demonstração de franqueza por parte do agressor. O problema, como bem elucidado no evento, reside nas microagressões, no gaslighting, na desvalorização sistemática do trabalho feminino e, claro, na perpetuação de um ambiente hostil que mina lentamente a autoestima e a capacidade de contribuição das mulheres. O ápice de tudo isso: os números de casos de violência contra a mulher no ambiente corporativo normalmente são subnotificados, principalmente porque poucas empresas investem em canais com pessoas devidamente qualificadas para identificar e agir rápida e assertivamente. Muitas vezes, esses casos são tratados como meras questões de RH, ou, popularmente, como “casos de desinteligência” conjugal, nos quais a empresa não pode se meter porque acontecem da porta para fora. Só para ficar claro: isso acontece, e muito, da porta da empresa para dentro, e vai muito além do assédio que sua cartilha de boas práticas pode capturar.

Não é surpresa que a diversidade de gênero e a inclusão sejam vistas como fatores de melhoria na performance organizacional. No entanto, quando o ambiente é tóxico para grande parte de suas equipes, o resultado é um retrocesso difícil de mensurar. Ainda mais preocupante é o impacto dessa violência sobre mulheres negras, mulheres trans e mulheres 50+, que, além de enfrentarem os desafios de gênero, lidam com a estrutura silenciosa e massacrante dos rótulos diários de preconceito. A conclusão do evento foi justamente que essa dupla camada de opressão amplifica os efeitos da violência corporativa, tornando-a ainda mais devastadora.

Na música “Dandara”, Emicida traz um lembrete poderoso: “Respeite a luta, respeite o corpo / Minha história não será em vão.” O silêncio também se quebra com música, inclusive os silêncios enganadores. Muito silêncio no mundo corporativo é sinal de alerta, e a maior ironia desse contexto é que, para muitas empresas, a mudança de postura não é apenas uma questão de ética e marketing, mas uma questão de lucratividade.

Carga mental: 55% das mães assumem sozinhas as decisões do lar mesmo com parceiros

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Foto: Reprodução/Freepik

A maternidade é frequentemente marcada por uma sobrecarga mental que afeta o bem-estar das mulheres. Segundo a pesquisa realizada pelo portal Universa, 53% das mães entrevistadas se consideram as principais tomadoras de decisões no lar, evidenciando a carga desproporcional que as mães carregam no cuidado dos filhos e na gestão da casa, mesmo tendo um companheiro fisicamente presente.

A carga mental envolve a necessidade de estar atenta a todos os detalhes da vida familiar, como organizar compromissos, cuidar das finanças e gerenciar as necessidades dos filhos. Mesmo em lares onde há uma figura paterna presente, 55,84% das mães casadas e 41,32% das mães em união estável relatam ser as responsáveis por decisões cruciais, desde as compras até a escolha de produtos para a casa.

Essa realidade reflete uma dinâmica cultural que coloca a responsabilidade do cuidado infantil e da casa, majoritariamente, nas mulheres. Ainda que exista uma crescente conscientização sobre a importância do papel dos pais, a pesquisa mostra que muitas mães ainda dependem de uma rede de apoio composta principalmente por outras mulheres, como as avós. Cerca de 30% das entrevistadas mencionam contar com a ajuda de suas mães para criar seus filhos, revelando como o trabalho de cuidado é perpetuado entre gerações de mulheres.

E entre as justificativas que podem ser identificadas para que mulheres sejam essa rede está também a identificação. Avós, tias, primas, mães reconhecem as dificuldades do trabalho de cuidado uma da outra e se colocam à disposição para integrar redes de apoio mais ativas, formando um ciclo de mulheres sobrecarregadas.

Isso torna ainda mais urgente a construção de uma rede de apoio que inclua homens – pais, tios, amigos – para aliviar essa sobrecarga. Enquanto a figura paterna ainda desempenha um papel central na criação dos filhos, a ausência de uma participação ativa gera impactos emocionais e psicológicos tanto para a mãe quanto para a criança.

Em última instância, o que essa pesquisa revela é a necessidade de uma mudança estrutural. Não basta contar com a rede de apoio informal; é urgente que a sociedade, empresas e políticas públicas reconheçam e apoiem a maternidade, permitindo que as mães cuidem de si e, por consequência, de suas famílias de forma mais saudável e equilibrada.

A responsabilidade do cuidado precisa ser compartilhada!

ID_BR leva Deb, a primeira inteligência artificial antirracista do mundo, ao Rock in Rio 2024

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Crédito: Divulgação

O Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) marca presença no Rock in Rio 2024 com uma iniciativa inovadora. Conhecida por sua atuação na promoção da igualdade racial, a organização apresenta a Deb, a primeira inteligência artificial antirracista do mundo. Durante todos os dias do festival, a Deb estará disponível no Espaço Plural para interagir com o público. Por meio de promoters, ela fornecerá informações práticas sobre o evento, como o line-up e o mapa dos palcos, além de abordar temas relevantes como diversidade e inclusão. Os visitantes também podem interagir com a IA no perfil oficial do ID_BR no Instagram (@chamadeb).

Essa é a terceira participação do ID_BR no Rock in Rio. Desde 2022, a organização promove a campanha “Toca meu Coração”, que ressalta a importância da equidade racial no Brasil. A campanha conta com uma guitarra em formato de coração, símbolo que já foi autografado por mais de 20 artistas, incluindo nomes como Ne-yo, Masego, Djavan, Elba Ramalho e Liniker. Ao final do festival, a guitarra será leiloada, e os fundos arrecadados serão destinados a iniciativas educacionais promovidas pelo ID_BR.

Crédito: Divulgação

Luana Génot, CEO e fundadora do ID_BR, destaca a importância dessa iniciativa em um evento de grande visibilidade como o Rock in Rio. “É a nossa terceira participação no Rock in Rio e, pela primeira vez, a Deb (@chamadeb), a Inteligência Artificial do ID_BR, estará presente no Espaço Plural do festival para falar sobre inclusão, line-up do Rock in Rio e muito mais. Temos o compromisso de massificar e popularizar a mensagem pela igualdade racial para que ela fure bolhas, e fazer isso através da IA nos ajuda a ganhar escala e conseguir tocar ainda mais corações, especialmente em um dos maiores festivais do mundo.”

Além da interação com a Deb, os promotores do ID_BR estarão presentes próximos ao Palco Mundo. A meta é engajar o público do festival em discussões sobre a trajetória de 40 anos do Rock in Rio, bem como promover diálogos sobre diversidade e inclusão. A presença do ID_BR no festival reforça seu compromisso em democratizar o debate sobre igualdade racial e alcançar um público diverso.

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