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Agência Pública aponta 33 políticos com antepassados relacionados com a escravidão no Brasil 

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Fernando Collor (Foto: Lia de Paula/Agência Senado)

Uma investigação inédita feita pela Agência Pública no Projeto Escravizadores, apontou que o Brasil tem autoridades políticas com antepassados que escravizaram pessoas no país. De 116 investigados, ao menos 33 estão nessa lista. 

Entre as pessoas mapeadas, estão os ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

Dos 27 governadores, quase metade também tem essa relação familiar. São eles: Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Carlos Brandão Júnior (PSB-MA), Cláudio Castro (PL-RJ), Eduardo Riedel (PSDB-MS), Fátima Bezerra (PT-RN), Gladson Camelli (PP-AC), Helder Barbalho (MDB-PA), João Azevêdo (PSB-PB), Jorginho Mello (PL-SC), Rafael Fonteles (PT-PI), Raquel Lyra (PSDB-PE), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO).

Já entre os senadores, 16 foram mapeados: Soraya Thronicke (Podemos-MS), Marcos do Val (Podemos-ES), Augusta Brito (PT-CE), Carlos Portinho (PL-RJ), Carlos Viana (Podemos-MG), Cid Ferreira Gomes (PSB-CE), Ciro Nogueira (PP-PI), Efraim Filho (União-PB), Fernando Dueire (MDB-PE), Jader Barbalho (MDB-PA), Jayme Campos (União-MT), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Marcos Pontes (PL-SP), Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PP).

Fernando Henrique Cardoso (Foto: Reprodução/Instagram)

No caso do Fernando Henrique Cardoso, seu tataravô e coronel José Manoel da Silva e Oliveira, nascido em meados de 1771, em Minas Gerais, foi uma importante figura a comandar a exploração de ouro nas antigas capitanias de Minas e Goiás. Os registros históricos apontam que ele teria usado pessoas escravizadas para tentar achar novos pontos de mineração, em uma dessas empreitadas. Elas morreram tragicamente no caminho devido a doenças. 

“Não eram só os grandes proprietários de terra que tinham escravizados, mas [também] comerciantes, pessoas com pequenas propriedades e que muitas vezes tinham propriedades de plantio só para consumo próprio ou no máximo para venda local, mas não necessariamente para exportação e que tinham um, dois escravizados ali que faziam esse trabalho”, explica a historiadora e educadora social Joana Rezende

“Muitas pessoas tinham escravizados que, por exemplo, alugavam para outras pessoas, para outras propriedades […] Haviam essas várias formas de, digamos assim, usar um escravizado, não só para plantação, não só nas lavouras”, disse.

Tarcísio de Freitas (Foto: Divulgação/Cleiby Trevisan)

A Agência Pública revela que definiu uma metodologia de investigação com os pesquisadores de genealogia do Núcleo de Estudos Paranaenses da Universidade Federal do Paraná (UFPR), coordenados pelo sociólogo e professor Ricardo Oliveira

De acordo com o pesquisador, essas estruturas de poder e parentesco são um fenômeno genealógico, de modo que “ocorrem transmissões de heranças, de renda, patrimônio, escolaridade, e este temas são decisivos para entendermos o status quo”. 

Por esta razão, boa parte das famílias ricas no século 21 são formadas pelos mesmos grupos familiares ricos do século anterior, originada por meio de casamentos e aliás no período imperial e colonial.

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Foram investigados cerca de 500 documentos entre registros paroquiais e cartorários, jornais antigos  em hemerotecas e arquivos públicos, e trabalhos acadêmicos de diversas universidades brasileiras. Além de terem sido documentados mais de 200 parentescos. 

A Pública entrou em contato com os políticos e afirma que muitos desconheciam seus antepassados ou mantêm relação próxima com a sua linhagem. Eles puderam avaliar a genealogia e os documentos apresentados.

O projeto foi inspirado em iniciativas que foram realizadas nos Estados Unidos, pela Reuters, que apontou que mais de 110 membros da alta classe política americana são descendentes de escravizadores, e no Reino Unido, pelo Guardian, cujo conselho financiou uma pesquisa sobre as ligações do fundador do jornal e seus financiadores com o tráfico negreiro.

Leia a matéria completa aqui!

Economia Inclusiva: O papel das mulheres negras no fortalecimento do mercado brasileiro

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Foto: Freepik

Texto: Rachel Maia

Iniciar o mês de novembro, quando a pauta racial é uma constante, me faz pensar sobre a trajetória das mulheres negras nos avanços que conquistamos a cada década, a cada ano. Uma aldeia de saber e resiliência que se perpetua de geração em geração, para que as riquezas culturais ganhem novos mercados e, com isso, que a economia perpasse o sustento da família. 

O empreendedorismo tem se tornado uma potência mercadológica, uma oportunidade para grandes ideias de negócios ganharem forma e se destacarem no mercado. O que não é novidade, mas vamos destacar aqui, o quanto as mulheres negras têm contribuído para o conhecimento e para a economia brasileira, que está crescendo e se reinventando para fomentar novas práticas de empoderamento feminino e diversidade.

A pluralidade nas empresas é algo que almejamos e pelo qual lutamos insistentemente e, para isso, não podemos deixar de lado a valorização do trabalho e das empresas geridas por mulheres negras, cuja relevância é significativa para o mercado e para a sociedade. De acordo com o estudo Panorama do Empreendedorismo Feminino no Brasil — Elas Empreendem de agosto de 2024, disponível no portal do Governo Federal, 85% dos negócios de empregadoras mulheres são formalizados, o que mostra um comprometimento com a saúde das empresas.

Quando a gente analisa os dados que revelam as dificuldades das empreendedoras quando o assunto é raça, temos um panorama que aponta para a importância de ampliar as oportunidades de acesso ao conhecimento e também de investimentos para mulheres negras, que ainda são minoria nos negócios relacionados às atividades científicas e técnicas.

As mulheres negras, que representam 4,7 milhões dos empreendedores brasileiros, notoriamente se destacam em negócios como: culinária, beleza e arte. Mas um novo cenário aponta com grande força nos últimos anos e mostra que há um mercado desejado e buscado por novas empreendedoras pretas e pardas nas áreas de tecnologia, finanças, comunicação, audiovisual e publicidade. Um mercado inovador que se destaca por mostrar como essas mulheres driblam a escassez e fazem uso da criatividade para evidenciarem seus trabalhos e se conectarem com o público.

Na área de finanças, por exemplo, elas têm se destacado por falarem sobre finanças e investimentos, com o objetivo de alcançar pessoas que nem sequer haviam se deparado com a possibilidade de entender como funciona a moeda que gere o mundo. Elas também estão engajadas em inserir outras mulheres e em desmistificar a ideia de que para investir é preciso ter muito dinheiro.

Bons negócios se fazem com conhecimento e, para isso, é necessário que haja oportunidades. Representamos mais de 28% da sociedade brasileira e crer que podemos alcançar inúmeros resultados propiciando aprendizagem em massa para outras mulheres é a continuação do que temos praticado, fazendo assim, com que a prosperidade se estabeleça em empresas de mulheres negras, para que elas possam reproduzir seus saberes e seguir contribuindo com a economia do Brasil.

‘Vim De Lá: Comidas Pretas’: Mariana Bispo apresenta especial sobre gastronomia brasileira com origem africana

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Foto: TV Globo

Para explorar os sabores de origem africana e revelar as raízes ancestrais já integradas à gastronomia brasileira, a TV Globo apresenta, no dia 23 de novembro, o especial “Vim De Lá: Comidas Pretas”. Sob a condução de Mariana Bispo e com a participação de Milton Cunha, o programa celebra as origens e os sabores da nossa terra, em homenagem ao Mês da Consciência Negra.

“Nesse programa a gente entende que o prato do brasileiro é formado principalmente por essa influência africana. Desde a forma como a gente prepara a nossa comida, os ingredientes, é tudo muito misturado: África, Europa e indígenas, povos originários. É muito bonito entendermos que a nossa ancestralidade formou todo um povo, toda uma sociedade e um jeito de se fazer. O programa é uma viagem pelo que a gente já conhece, mas com um outro olhar. Um olhar que nos leva à África, mesmo estando aqui”, conta a apresentadora Mariana Bispo.

Em Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro, a dupla encontra Tainã Rosa, uma matriarca caiçara conhecida na região pela tradição e sabor dos seus pratos, recheados de significados. Para Mariana e Milton, ela prepara um almoço especial que conta a história da sua família e revela alguns dos ingredientes que não podem faltar à mesa, como o azeite de dendê, o milho e o coentro.

Foto: TV Globo

Nascido na Bahia e criado no Complexo do Andaraí, na Zona Norte do Rio, o chef João Diamante já explorou a gastronomia em diversos países, mas após fazer um exame de genética e descobrir sua origem na Nigéria, decidiu cozinhar a comida do seu povo. No programa, ele prepara um prato com quiabo, galinha e canjiquinha, que afirma ter sabor de ‘casa’.

“Essa conexão gastronômica fala sobre quem somos, de onde viemos, e ressalta quem são as grandes protagonistas da nossa história, que são as mulheres pretas. Se hoje eu estou cozinhando uma comida ancestral é porque mulheres pretas construíram esse caminho. Foi difícil chegar aqui e é difícil resistir, mas a comida africana é festa, cor, sabor e alegria”, afirma João Diamante.

Para conhecer as cores e sabores que são cultivados no Rio de Janeiro, Mariana Bispo e Milton Cunha vão a feiras livres, uma tradição na cidade. As feiras têm origem no Egito, país que liga o nordeste da África ao Oriente Médio e nelas é possível encontrar tudo, inclusive comida preta.

Foto: TV Globo

Na Glória, Zona Sul do Rio, a apresentadora conhece a cozinheira nigeriana Latifa, uma refugiada que se tornou referência de comida ancestral. Há dez anos no Brasil, há três ela faz sucesso nas ruas com seu arroz jollof com camarão, banana da terra frita e salada. Ainda na Zona Sul, Mariana e Milton fazem uma trilha africana no Jardim Botânico e conhecem as espécies vegetais vindas da África como o dendezeiro, árvore que origina o azeite de dendê.

“Sou muito agradecido por estar ao lado de uma jornalista tão deslumbrante para mostrar o quão rico é esse trajeto da cultura africana para o mundo. Dentre tantas contribuições e tesouros riquíssimos, os negros triunfantes de África nos trouxeram a sua capacidade de temperar, criar receitas, fazer do limão a limonada. É lindo ver como o Rio de Janeiro absorveu essas delícias. O Rio é africano e a África é carioca”, afirma o pesquisador Milton Cunha.

Na casa da Dona Doroti, em Nilópolis, o almoço em família é servido por Chez Kimberly, da República Democrática do Congo, que prepara uma comida congolesa composta por cebola, pimentão e fúmbua, uma folha encontrada em abundância nas matas da África Central. Da Baixada Fluminense, a dupla parte para um Quilombo, em Niterói, e, ao som de um samba de raiz experimenta uma feijoada tradicional, símbolo de resistência e união do povo negro.

Foto: TV Globo

O programa ‘Vim De Lá: Comidas Pretas’ vai ao ar no sábado, dia 23 de novembro, logo após a novela ‘Cabocla’, para a cidade do Rio de Janeiro e para as regiões Norte e Serrana do estado, além da Região dos Lagos, pela Inter TV. O programa ficará disponível também no Globoplay.

Ministério da Igualdade Racial lança projeto para enfrentar racismo no transporte público do Rio

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Foto: Reprodução/Instagram

O Ministério da Igualdade Racial (MIR), liderado pela ministra Anielle Franco, anunciou no último dia 20 de novembro, feriado da Consciência Negra, o projeto “Brasil pela Rota da Igualdade Racial”. A iniciativa foi apresentada em parceria com o Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas de transporte coletivo da capital fluminense.

O lançamento ocorreu nas redes sociais do Ministério, com destaque para a fala da ministra, que também participou da abertura do ato Alvorada Zumbi no Rio de Janeiro, marcando o início das celebrações do primeiro feriado nacional da Consciência Negra. “Não é normal a gente ter um trabalhador que, infelizmente, toma um tiro na cabeça voltando do trabalho. Não é normal mulheres serem assediadas dentro do transporte público, como já fomos. E também não é normal que pessoas negras sejam mais de 70% da população que já vivenciou algum tipo de crime racial dentro dos ônibus”, declarou Anielle Franco em vídeo.

O projeto tem como objetivo combater as desigualdades raciais no transporte público, onde cerca de 3 milhões de pessoas negras enfrentam cotidianamente violências que vão desde o assédio e a intolerância religiosa até agressões físicas e verbais. A parceria entre o Ministério, o Rio Ônibus e a Coordenadoria de Igualdade Racial do município pretende promover ações de conscientização contra o racismo.

Além da campanha no transporte público, o MIR anunciou que o Novembro Negro 2024 trará outras iniciativas em áreas como segurança pública, educação e emprego. No Maranhão, ações de fortalecimento dessas frentes serão realizadas ao longo da semana, enquanto em Brasília será lançada a plataforma JurisRacial, que reunirá legislações e decisões judiciais voltadas ao combate ao racismo.

A programação completa do Novembro Negro está disponível no hotsite do MIR, reforçando o compromisso do governo federal com a promoção da igualdade racial e o enfrentamento às desigualdades em todo o país.

Lucy Ramos anuncia primeira gravidez e celebra 18 anos de casamento: “esperou a nossa maioridade pra chegar”

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Foto: Reprodução/Instagram

A atriz Lucy Ramos emocionou os fãs nesta quinta-feira, 21, ao anunciar sua primeira gravidez. Em uma publicação nas redes sociais, a artista compartilhou uma série de fotos exibindo a barriguinha e dedicou um texto dedicado para o bebê, celebrando também os 18 anos de casamento com o ator e diretor Thiago Luciano.

“Parece que você esperou a nossa maioridade pra chegar! Sim, são 18 anos juntos! E você chegou! Já está aqui! É lindo ver como você cresce a cada segundo, como as coisas vão se transformando ao nosso redor”, escreveu.

A atriz, ainda completou na legenda: “É lindo ver como você cresce a cada segundo, como as coisas vão se transformando ao nosso redor. Enquanto o tempo pinga à conta gotas, algo extraordinário está acontecendo…”. As fotos em que aparece mostrando a barriga foram feitas pelo marido Thiago, que registrou o momento especial do casal. Esta será a primeira experiência deles como pais.

Professor e turista argentina são indiciados por racismo após imitar macacos em roda de samba no Rio

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Foto: Reprodução/ Instagram/ Jackeline Oliveira
Foto: Reprodução/ Instagram/ Jackeline Oliveira

No primeiro Dia da Consciência Negra, oficialmente celebrado como feriado nacional no Brasil, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) indiciou por racismo o professor Thiago Martins Maranhão, de 41 anos, e a argentina Carolina de Palma. O caso, que gerou ampla repercussão, ocorreu em uma roda de samba no Centro do Rio de Janeiro, onde os dois foram filmados imitando macacos durante a apresentação.

A delegada Rita Salim, titular da Decradi, afirmou que a investigação apontou discriminação racial no episódio. “A dança imitando macaco remete a todo um racismo que é histórico, uma comparação que é feita entre animais e pessoas negras, no sentido de desumanizá-las”, explicou. O inquérito já foi enviado ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), e a pena prevista para o crime de racismo varia entre três e cinco anos de prisão.

Thiago, que vive em São Paulo, estava no Rio para participar de um fórum de educação musical. Em depoimento, afirmou que a dança fazia parte de uma expressão criativa e que, além de imitar macacos, também reproduziram movimentos de caranguejos, pássaros e até uma árvore. Carolina apresentou defesa semelhante por meio de seus advogados, negando qualquer intenção discriminatória.

“Isso não é permitido nem em tom de brincadeira, porque racismo recreativo é punido pela lei. Liberdade de expressão encontra limite no direito do outro e, no caso, feriu a dignidade da pessoa humana”, enfatizou a delegada.

As imagens do ato racista foram capturadas pela influenciadora e jornalista Jackeline Oliveira, que também testemunhou no inquérito. Para Jackeline, a repercussão do caso demonstra o impacto da mobilização coletiva nas redes sociais e na mídia. “Nenhum avanço nas questões raciais vem sem luta. O fato de esse caso avançar hoje, no primeiro Dia da Consciência Negra como feriado nacional, é simbólico e fundamental”, afirmou.

Jackeline destacou ainda que as denúncias de racismo têm ganhado mais força, refletindo uma sociedade mais atenta e disposta a combater a discriminação. Segundo o Instituto de Segurança Pública, mais de 1.700 denúncias de racismo foram registradas no estado do Rio de Janeiro em 2024. “Racismo não é brincadeira, é crime”, concluiu a jornalista.

Artistas brasileiros constroem uma linguagem e estética únicas do afrofuturismo

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Foto: Reprodução - Capa do EP "Pirarucool, lançado por Gaby Amarantos em 2003

Texto: Ale Santos

Você já deve conhecer o Afrofuturismo graças aos filmes do Pantera Negra, ​​o primeiro é uma obra que revolucionou a representação negra no cinema, abraçando o afrofuturismo de forma inovadora. Ele nos apresenta Wakanda, uma nação africana tecnologicamente avançada que, ao mesmo tempo, honra suas raízes e tradições ancestrais. Essa fusão entre os elementos tecnológicos, principalmente a abordagem da ficção científica com o ancestral é a essência do afrofuturismo, reescrevendo narrativas dominadas por perspectivas eurocêntricas com nosso próprio olhar. 

O que talvez você não tenha reparado é que existem, mais e mais versões desse afrofuturismo, produzido com o olhar das populações negras brasileiras que difere bastante da comunidade negra estadunidense, principalmente no aspecto fantástico: Enquanto povos negros dos EUA precisam olhar para um Egito idílico em inúmeras obras para reconstruir sua ancestralidade, temos, no Brasil, as tradições e matrizes africanas vivas como no Candomblé e o culto aos orixás, sem contar as manifestações culturais que culminaram no nosso Samba, Axé e tantas outras características próprias nossas que estão ajudando a construir uma estética afrofuturista poderosa. 

A escritora de ficção afrofuturista, Sandra Menezes é simplesmente a primeira mulher preta afrofuturista a lançar um romance literário e ser finalista do Jabuti, o maior prêmio da literatura nacional, ela fala sobre essa relação íntima com a realidade do Rio de Janeiro em suas obras. “eu procuro já colocar as minhas próprias subjetividades. Sou uma mulher brasileira criada no Rio de Janeiro, no subúrbio, no zona norte do Rio de Janeiro. Então, eu tenho uma intimidade, diária, com vários tipos de universos que compõem uma história. Eu acho que cada um, dependendo da sua sensibilidade, das suas subjetividades, como brasileira, eu procuro colocar nas histórias de afrofuturismo as visões, as questões e as vivências que eu tenho no meu lugar.”

Sua obra mais celebrada, O Céu Entre Mundos, é descrita como  um romance para ter notícias de quem veio antes de nós, pessoas cujas existências já eram futuristas no passado, pois pavimentaram estradas para que nós caminhássemos. 

Do outro lado do Brasil, cresce um movimento afrofuturista Amazônico, do qual tenho o prazer de presenciar. Na maior floresta tropical do mundo onde os povos negros e indígenas cruzam suas histórias e suas vivências, temos encontrado expressões próprias do contexto da tecnocultura local. Eu sempre cito as representações afroamazônicas presentes na música e nos clipes da Gaby Amarantos como ícones desse afrofuturismo da floresta. Uma das melhores formas de entender essa conexão é o PiraruCool, referência a um peixe muito presente na culinária regional. 

GC, um artista visual desse movimento do afrofuturismo amazônico contou um pouco dessa conexão com a ficção e a floresta. 

“Cresci ouvindo músicas de tecnobrega sem saber, e quando comecei meu trabalho como artista visual, a aparelhagem do “crocodilo prime” na época, estava ganhando espaço na cena musical de Belém. Então é uma questão de fascínio e lembrança dos jacarés quando vi pequeno, da música que sempre acompanhou minha vida e da tecnologia que está presente nas aparelhagens.”

Sua obra mais reconhecida é chamada de Príncipe Crocodilo Negro, que é exatamente uma das aparelhagens mais famosas da região. 

Acredito que temos muitas oportunidades de reimaginar com contexto próprio esse afrofuturismo, as oportunidades são infinitas, porque a história dos povos negros no território Brasileira é extremamente rica, em cada canto do país de Salvador à Minas Gerais ainda temos muito para nos inspirar na construção dessas histórias. Em meu recente livro, A Malta Indomável eu trouxe pro universo juvenil um pouco do que chamei de Hypercongado, com elementos também de cyberpunk esse livro é carregado de onças místicas, carros hipervelozes e um contexto escolas que muitos adolescentes pretos das periferias podem se identificar. 

Ainda existem inúmeros outros artistas visuais e escritores que estão contribuindo para essa construção do movimento afrofuturista brasileiro, alguns já são considerados até clássicos na literatura. Fica aqui meu convite para que vocês, interessados em afrofuturismo procurem os nomes que mais se conectam com suas regiões e tragam visões maiores para além dos super heróis da Marvel. 

Luminárias japonesas são retiradas do Beco dos Aflitos para resgatar memória negra na Liberdade

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O Beco dos Aflitos, na Liberdade, região central de São Paulo, passa por transformações que buscam valorizar a história negra do bairro. Após anos de pressão por parte de ativistas e entidades ligadas ao movimento negro, as luminárias japonesas foram substituídas por iluminação de LED, ressaltando o contexto histórico do local, que abriga a Capela dos Aflitos e um antigo cemitério de escravizados.

A retirada das lanternas Suzuranto, ícones da cultura japonesa, foi celebrada por organizações como a Associação Amigos da Capela. “Essa é uma reparação histórica, dando visibilidade à Capela dos Aflitos, patrimônio tombado que simboliza a resistência e a memória dos nossos ancestrais”, afirmou a entidade em nota publicada pelo portal g1.

A Capela dos Aflitos, construída em 1779, foi erguida onde antes existia um cemitério destinado a escravizados, indígenas e condenados à forca e antecede a relação da cultura japonesa com a região. O jornalista Guilherme Soares Dias, fundador do Guia Negro, destacou a importância da mudança. “A retirada das luminárias, que sobrepunham o significado do local, é um passo importante. Agora seguimos na luta pela sinalização turística, pela reforma da Capela e pela construção do Memorial dos Aflitos”, afirmou.

Em 2018, a descoberta de ossadas confirmou a existência do cemitério, até então documentado apenas em registros históricos.

Dois anos depois, a Prefeitura de São Paulo autorizou a desapropriação do terreno para a construção do Memorial dos Aflitos, que atualmente está em obras. A medida, no entanto, enfrentou desafios recentes: em novembro, parte de um prédio vizinho desabou sobre a área de escavação devido a uma obra irregular.

A Prefeitura afirmou que a substituição das luminárias foi uma resposta a pedidos de movimentos negros, buscando “equilibrar o respeito às diferentes camadas culturais e históricas do bairro”. As tradicionais lanternas japonesas permanecem no restante da Liberdade.

FOTO 3X4: Valéria Monã, Animadora Cultural, Atriz, Coreógrafa e Diretora de Movimento

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Foto: @robsonmaiavideo

Texto: Rodrigo Fança

Nesta coluna, cada texto será um retrato literário de vidas que ultrapassam molduras e inspiram pelo simples ato de existir com coragem e propósito. Um convite a conhecer histórias que transformam passos comuns em revoluções, revelando que, ao enxergar o outro, encontramos reflexos de nós mesmos.

VALÉRIA MONÃ é feita de chão e de asas. Filha da Baixada Fluminense – RJ, onde o concreto das ruas se encontra com o vento das histórias ancestrais, ela carrega nos pés o pó das batalhas e nas mãos o gesto de quem transforma. É filha de Wanda Ferreira, a ancestral estilista afro que desenhou mais do que roupas: traçou caminhos, afirmou identidades e bordou resistência. Foi Wanda quem a ensinou a ser mulher negra da base, porque é no chão que se finca raiz e se ergue o que é eterno.

Ainda menina, Valéria viu sua mãe criar o grupo Mosca, desafiando o tempo e as circunstâncias. Riu do ímpeto de Wanda desejando dançar e ouviu dela o desafio: “Você não dança”. E foi ali, aos 18 anos, que Valéria começou a escrever com o corpo a história que hoje reverbera em palcos, escolas e terreiros. A dança, para ela, nunca foi apenas arte; foi arma, foi reza, foi casa.

No terreiro de axé, encontrou não só um marco civilizatório, mas a bússola que orienta seus passos. Ali, sob o olhar cuidadoso de Omolu e o sopro incansável de Iansã, aprendeu que movimento é herança e futuro, e que a cultura negra é, antes de tudo, um ato de sobrevivência e criação.

Sua vida pulsa no encontro com os jovens do CIEP 175, José Lins do Rego, onde atua como animadora cultural. Ali, entre risos e passos, encontra sentido e renovação. “Estar com esses estudantes faz sentido à minha vida”, ela diz, e quem a ouve sabe que essa não é uma frase vazia. É ali, na base, onde os sonhos ainda são matéria-prima, que Valéria exerce sua potência transformadora.

A Companhia dos Comuns é sua extensão coletiva, o lugar onde a dança e o teatro se encontram para gritar contra o apagamento. Em peças teatrais como Contos Negreiros do Brasil e Oboró: Masculinidades Negras, Valéria dá corpo a narrativas negras que desafiam o silêncio imposto pela história. E foi com Oboró que ela recebeu o prêmio APTR de Melhor Direção de Movimento, reafirmando que seu gesto é mais do que técnica: é ancestralidade e invenção.

No cinema, brilhou em Cafundó, premiada como Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Cinema de Goiânia, e no teatro, levou o prêmio de Melhor Atriz no Festival Tamoio. Mas para Valéria, prêmios não são o objetivo final. São apenas marcos no caminho de uma vida que busca incessantemente o encontro com o que é verdadeiro. Inspirada pela mestra Carmen Luz, multiartista que faz da arte um território de luta, Valéria moldou sua visão: ser corpo é ser história, e o palco é onde essa história ganha voz e força.

Seus filhos, Ayinde Bakari e Akanni, e sua irmã Vânia Ferreira são seu eixo, sua razão, sua fonte de energia. É neles que encontra a força para continuar sonhando, porque, para Valéria, sonhar é saber o que é sonho. E ela sonha grande, com os pés no chão e o espírito no infinito.

Valéria Monã não dança para ser vista; dança para existir. É o movimento que diz o indizível, que carrega as dores e as alegrias de um povo que nunca deixou de sonhar, mesmo quando tudo dizia para desistir. Ela é corpo, palavra, resistência e amor. Um convite constante para lembrar que a arte, assim como a vida, só faz sentido quando nos move.

Silvio Almeida defende mudanças estruturais contra o racismo e critica individualismo neoliberal

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Ministro dos Direitos e Humano e da Cidadania-Silvio Almeida.

No primeiro feriado nacional em celebração ao Dia da Consciência Negra, Silvio Almeida, advogado, filósofo e ex-ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, publicou um extenso texto nas redes sociais com reflexões sobre o significado da data. A mensagem, marcada por críticas ao racismo estrutural e ao individualismo neoliberal, reforça a necessidade de conectar a luta antirracista às grandes pautas nacionais e globais.

Na publicação, Almeida afirmou que “não haverá vitória contra o racismo sem mudanças sociais profundas” e criticou o que chamou de “individualismo neoliberal”, que, segundo ele, reduz problemas sociais a estratégias de marketing. “Refletir sobre isso não serve para esconder o racismo presente na formação nacional ou ainda para nos jogar no individualismo neoliberal que reduz os problemas do povo brasileiro a puro marketing”, escreveu.

O ex-ministro também destacou a importância de entender a consciência negra como parte de um projeto nacional amplo, voltado para o enfrentamento das desigualdades estruturais do Brasil. Almeida apontou que ações como a exaltação da africanidade e as políticas de cotas, embora essenciais, não são suficientes para combater a violência e o trabalho precário que afetam majoritariamente a população negra. “A consciência negra deve também ser uma consciência global”, acrescentou.

A publicação, que repercutiu amplamente, trouxe ainda uma citação do ativista sul-africano Steve Biko, reforçando que a luta antirracista deve transformar a posição das pessoas negras na sociedade. O texto reafirma o papel de Silvio Almeida como uma das principais vozes do debate público sobre racismo estrutural, especialmente em uma data que carrega forte simbolismo histórico e político.

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