Um estudo conduzido pela Universidade de Michigan indica que critérios de seleção de participantes podem ter levado à subestimação do início precoce da menopausa em mulheres negras e hispânicas. Segundo os pesquisadores, a exclusão dessas populações impactou as conclusões do estudo nacional SWAN (Study of Women’s Health Across the Nation), que investiga a saúde na meia-idade e a transição da menopausa.
Publicado no International Journal of Epidemiology, o estudo aponta que a teoria do “intemperismo” (weathering) pode explicar parte do problema. Desenvolvida pela professora Arline Geronimus, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan, essa estrutura teórica sugere que o estresse crônico e fatores sociais adversos contribuem para o desgaste precoce da saúde em populações historicamente marginalizadas.
A pesquisadora Alexis Reeves, atualmente na Universidade de Stanford, analisou os dados do SWAN e identificou que mulheres negras e hispânicas atingem a menopausa cerca de 1,2 anos antes das mulheres brancas quando se leva em conta a exclusão causada pelo desgaste físico e social. O estudo original do SWAN não havia identificado diferenças raciais significativas na idade da menopausa.
“As implicações dessas descobertas são incrivelmente importantes para entender o verdadeiro impacto das disparidades raciais na saúde da mulher”, afirmou Siobán Harlow, professora emérita de epidemiologia e autora sênior do estudo.
Segundo os pesquisadores, os critérios de elegibilidade dos estudos podem ser um fator determinante na exclusão de minorias raciais e devem ser reavaliados em pesquisas futuras. “Contabilizar vieses de seleção permitirá compreender melhor e combater os efeitos negativos dessas disparidades na saúde”, disse Harlow.
Beyoncé surpreendeu seus fãs na madrugada deste domingo (2) ao anunciar oficialmente sua nova turnê mundial, intitulada Cowboy Carter Tour 2025. A série de shows promoverá o oitavo álbum de estúdio da cantora, Cowboy Carter, lançado recentemente.
O anúncio começou a ganhar força ainda na noite de sábado (1), quando a Netflix publicou uma mensagem enigmática: “Olhe aquele cavalo”, acompanhada de um link para a performance “Beyoncé Bowl”. Os fãs perceberam rapidamente que o título “Cowboy Carter Tour” havia sido adicionado ao final do especial. Pouco tempo depois, Beyoncé confirmou a novidade em suas redes sociais e em seu site oficial, publicando uma nova foto acompanhada do nome da turnê.
Apesar da euforia com a notícia, detalhes como datas e locais dos shows ainda não foram divulgados, aumentando a expectativa, especialmente entre os fãs brasileiros, que aguardam uma possível passagem da artista pelo país.
Horas antes do anúncio, Beyoncé havia prometido uma doação de US$ 2,5 milhões por meio de sua fundação BeyGOOD. Os recursos serão destinados a famílias que perderam suas casas nos incêndios em Altadena e Palisades, além de igrejas e centros comunitários que prestam assistência às vítimas.
A presença da cantora na cerimônia do Grammy, marcada para este domingo (2), também é aguardada. Beyoncé está indicada em categorias de destaque, incluindo Álbum do Ano, Canção do Ano e Gravação do Ano.
Há quase 30 anos, Eliana Bernadete Moreira Chaves Arp, uma chef baiana, vem transformando a cena gastronômica europeia com os sabores ancestrais de sua terra.
Morando na Holanda desde a década de 1990, ela encontrou na culinária um caminho para se reconectar com suas raízes e apresentar ao público europeu a riqueza da comida baiana, como o acarajé e a moqueca.
“Quando eu estou num evento gastronômico, como os que participo dentro e fora da Holanda, vejo pessoas ficarem, às vezes, pacientemente esperando em filas quilométricas pra experimentar ou degustar um prato preparado por mim. Confesso que já me emocionei várias vezes”, relata a chef em entrevista ao Mundo Negro e Guia Black Chefs.
Entre idas e vindas para visitar família, agora Eliana retornou ao Brasil para aprender mais sobre a culinária ancestral. “Estou há 3 meses na Bahia. Ando querendo me aprofundar mais na gastronomia quilombola, nas tradições da gastronomia ribeirinha às margens do São Francisco. Tem tanta coisa que me fascina e me desperta enorme curiosidade”, conta.
Leia a entrevista completa abaixo:
Há quanto tempo você está atuando com o seu empreendimento na Europa e como foi o processo de introduzir a culinária baiana na Holanda e em outros países europeus?
Eu me casei no ano de 1988 com o holandês Richard Arp e mudamos pra Amsterdam
uns 6 anos depois exercendo fora os afazeres de esposa, mãe e dona de casa, ocupei alguns cargos na Holanda, mas a maternidade me fez realmente parar e me dedicar a família e foi aí que percebi que a gastronomia de minha terra era algo que além de me dar muito prazer, atraía, a princípio, a atenção de meu esposo, familiares e amigos, foi então que buscando entender qual seria a melhor maneira de canalizar toda essa energia e um certo talento de maneira positiva, e é claro, que me desse também uma estabilidade financeira em que eu não precisasse necessariamente voltar a trabalhar como empregada de uma empresa ou algum órgão. Eu queria empreender e para isso me preparei através dos cursos de apoio do governo holandês.
E aí começou a minha trajetória, a princípio com o Caipirinha Club porque eu entendi, através dos cursos em empreendedorismo, que teria que buscar um nome que tivesse ou causasse impacto. Como o famoso cocktail brasileiro na época era algo muito famoso e o que eu pretendia era levar uma mistura de elementos de minha cultura (culinária, música, dança, literatura, teatro, moda etc.), o nome Caipirinha Club me pareceu adequado e foi aprovado pelos mentores do curso.
Já são quase 30 anos empreendendo. Nesses meus 36 anos vivendo na Europa, indo e vindo visitar a família e observando as diversas vertentes da nossa culinária, – e não digo só da baiana, me atrai também a gastronomia de outros estados, Goiás e Minas Gerais, por exemplo. Ultimamente ando querendo me aprofundar mais na gastronomia quilombola, nas tradições da gastronomia ribeirinha às margens do São Francisco, inclusive de onde eu vim. Tem tanta coisa que me fascina e me desperta enorme curiosidade.
Além do sabor, a culinária baiana carrega muito de história e ancestralidade. Como você transmite isso para os seus clientes na Holanda? Eles são abertos a novos sabores?
Meu marido holandês, por exemplo, é louco pela culinária baiana, mas ele eu nem conto. Casado comigo todos estes anos e é suspeito (risos).
Mas quando eu estou num evento gastronômico, como os que participo dentro e fora da Holanda, vejo pessoas ficarem, às vezes, pacientemente esperando em filas quilométricas pra experimentar ou degustar um prato preparado por mim. Confesso que já me emocionei várias vezes.
Quais pratos são os mais pedidos pelos seus clientes europeus? Algum deles já se tornou favorito no cardápio?
Os pratos baianos mais disputados são: Acarajé e Abará completos (vatapá, caruru, saladinha e camarão seco); Moquecas (incluindo as veganas); Feijoada; Tropeiro. Os Salgadinhos brasileiros também são bem apreciados e o Pão de Queijo. As sobremesas mais degustadas são: Doce de leite; Pudim de leite condensado; Canjica.
Eu sempre apresento algo diferenciado, principalmente quando a questão é Comida Vegana e Vegetariana, dar um sabor bem baiano aos pratos deixa quem não come proteína animal bem feliz.
Existe algum prato ou ingrediente da gastronomia europeia que você incorporou ao seu estilo baiano de cozinhar?
Eu já dei minha colaboração. Muitos turistas que foram à Holanda nestes últimos 8 anos tiveram a surpresa de experimentar pratos típicos da culinária holandesa através de minhas mãos, e a surpresa era grande, viu?
Eu estive durante 8 anos, do dia que abriu até o dia que fechou a frente deste empreendimento, que não era meu, mas de uma amiga muito querida que me fez sentir tão necessária que não consegui deixa-lá na mão. E quando o negócio findou por motivos familiares, ela disse que manteria funcionando se eu quisesse assumir totalmente. A gastronomia holandesa é uma opção, mas minha devoção é a culinária de minha terra de origem, por isso agradeci e revirei a proposta.
O que o público pode esperar da sua gastronomia após essa temporada de imersão na Bahia?
Eu estou há 3 meses na Bahia, sorrateiramente observando o que a Bahia tem de inovador; são inúmeras iguarias que com certeza levarei para Europa. Me aguardem!
Doechii, uma das vozes mais marcantes da nova geração do hip-hop, continua a consolidar o seu lugar entre as estrelas da música. Indicada em três categorias do Grammy 2025, como Melhor Artista Revelação e Melhor Performance de Rap. Graças ao sucesso de ‘Alligator Bites Never Heal’, ela também se tornou a primeira artista feminina a ser indicada com um formato de mixtape na categoria Melhor Álbum de Rap.
Além de suas indicações, na semana passada, Doechii também foi confirmada como uma das atrações musicais da cerimônia do Grammy 2025, que acontecerá neste domingo, 2 de fevereiro, em Los Angeles. O evento, apresentado pelo comediante Trevor Noah, também contará com performances de Billie Eilish, Shakira, Charli XCX, e Sabrina Carpenter – forte concorrente pela categoria de artista revelação.
Doechii já vinha chamando atenção com sua originalidade e autenticidade, mas 2024 foi o ano em que seu talento ganhou reconhecimento global. Em 2023, ela foi indicada como Artista Revelação e Melhor Artista de Hip-Hop Revelação no BET Awards, além de conquistar o prêmio de Estrela em Ascensão no Billboard Women in Music. No mesmo ano, abriu shows para Beyoncé.
Em dezembro, a artista viralizou ainda mais nas redes sociais quando foi convidada para o famoso Tiny Desk no YouTube (veja abaixo). O vídeo passou de 8 milhões de visualizações e foi listado pela NPR como uma das melhores apresentações do ano.
A atriz britânica Marianne Jean-Baptiste, conhecida por sua atuação no drama Hard Truths, destacou que ainda há “uma escassez de grandes papéis multifacetados para mulheres negras” tanto no Reino Unido quanto em Hollywood. A declaração foi feita ao Radio Times uma semana após ela ter ficado fora da lista de indicadas ao Oscar, apesar da aclamação por sua performance como Pansy, uma mulher à beira do colapso, no filme de Mike Leigh.
Jean-Baptiste, que em 1997 foi a primeira mulher negra britânica indicada ao Oscar por seu trabalho em Secrets & Lies, relembrou os desafios que enfrentou após a consagração. “Infelizmente, há uma escassez de grandes papéis multifacetados para mulheres negras desempenharem tanto nos EUA quanto no Reino Unido”, afirmou. “Não sei se isso está mudando. Realmente não sei.”
Ao Thelegraph, atriz apontou a escassez de histórias que retratem mulheres negras com profundidade como em Hard Truths. “Você não vê mulheres que são desagradáveis assim na tela”, comentou. “Os homens podem ser o charlatão, o canalha, o gênio do crime, o mafioso – esses tipos de personagens são romantizados, e nós gostamos disso. Mas as mulheres não podem ser assim, e se forem, é caricatural. Certamente não estamos acostumados a ver mulheres raivosas se expressando sem uma explicação clara do porquê são assim e, crucialmente, sem nenhuma sugestão de que vão mudar. Culturalmente, tendemos a descartar esse tipo de mulher”, reflete.
A atriz também mencionou a dificuldade de interpretar Pansy em Hard Truths. “Todos nós temos uma vozinha na cabeça nos dizendo todo tipo de coisa; eu chamo a minha de Sybil”, disse Jean-Baptiste. “Mas Pansy também se instalou lá por um tempo. Eu diria: ‘Ah, esse é um pensamento da Pansy. Lá vai ela. Cale a boca, Pansy!’ Pansy não sabe de onde vem sua dor: ela a coloca como uma dor de cabeça, uma dor de estômago, são suas costas, é o outro. Ela não está lidando com o fato de que é realmente emocional. E para mim, andando por aí como aquela personagem, explorando-a, o peso disso às vezes se torna quase insuportável.”
Sobre as melhorias na representação negra no cinema e na TV, a atriz foi cautelosa. “Quer dizer, eu poderia continuar listando atores negros britânicos que estão em filmes ou têm seu próprio programa de TV. Eu não podia dizer isso em 1997. Posso dizer isso agora. Então isso é ótimo. Mas isso responde à pergunta? Não tenho certeza se sim. Ainda parece raro ver pessoas negras vivendo vidas comuns na tela do jeito que fazem em Hard Truths”, refletiu.
Questionada sobre o impacto de um diretor branco contar essa história, Jean-Baptiste afirmou: “Acho que Mike simplesmente ama explorar a natureza humana. E ele queria trabalhar comigo novamente, mas para me colocar em um contexto que fosse natural e não um onde eu fosse a única pessoa negra… Ele queria que fosse como deveria ser. Pansy não seria simplesmente a amiga de outra pessoa, ou a assistente social, ou a enfermeira.”
A atriz Camila Pitanga, que estreou na segunda-feira (27) em Beleza Fatal, primeira novela original da Max no Brasil, interpreta Lola, uma personagem multifacetada que personifica a ambição desmedida e os dilemas éticos do mundo da beleza e das redes sociais. Em entrevista para o Mundo Negro, a atriz falou sobre o desafio de retornar às novelas em uma plataforma de streaming, a construção da personagem e as reflexões que a trama traz sobre estética, poder e representatividade.
Na trama, Lola é uma empresária ambiciosa que constrói um império de estética, o Lolaland, às custas de escolhas moralmente questionáveis. Camila Pitanga explica que a personagem não se encaixa no estereótipo de vilã maniqueísta. “Ela é excêntrica, despudorada e perigosa, mas também tem nuances que mostram sua humanidade. Trabalhei com a diretora Maria de Médici e o autor Rafael Mondi para esculpir essas camadas”, contou. A personagem tem ganhado elogios nas redes sociais e a interpretação rendeu uma nota 10 para a atriz na avaliação da coluna Play, do jornal O Globo: “Ela mostra mais uma vez que é uma atriz de muitos recursos”. dizia o texto da publicação.
A artista conta que apesar de suas ações cruéis, Lola tem um lado quase cômico. “Ela é tão exagerada e absurda que acaba sendo engraçada. É uma personagem que faz coisas terríveis, mas também consegue despertar empatia e risos”, explicou. A relação de Lola com Sofia (Camila Queiroz) e Elvira (Giovanna Antonelli) é central na trama, que aborda temas como vingança, injustiça e os custos da ambição.
(Foto: Fabio Braga/Pivô Audiovisual, Maria de Médicis) DIVULGAÇÃO.
Pitanga destaca a importância de Beleza Fatal não apenas como um marco por ser a primeira novela original da plataforma de streaming, mas também como um passo significativo para a expansão do mercado audiovisual brasileiro. “Sentia saudade de estar em novelas, e o público também me cobrava isso”, afirmou a atriz que ficou mais de dez anos sem gravar novelas. “Quando a Mônica Albuquerque me chamou eu sabia que havia uma missão, que esse projeto tinha um sentido maior de uma expansão de mercado, não só no mercado interno, mas de ter o streaming abraçando algo da nossa tradição, que são as novelas brasileiras, para estar em outras janelas no mundo”, afirmou.
A atriz também ressaltou que a aposta do streaming em produções nacionais fortalece o mercado interno e gera oportunidades para talentos brasileiros. “Isso cria solidez para o audiovisual brasileiro, gera emprego e movimenta a economia. É um orgulho estar à frente desse processo”, celebrou.
Beleza, estética e representatividade
A novela também levanta questões sobre o culto à beleza e a influência das redes sociais. Camila Pitanga refletiu sobre como a busca por padrões estéticos pode ser uma forma de ascensão social, mas também uma armadilha. “Muitas pessoas gastam o que não têm em procedimentos estéticos porque isso é visto como um status, um passaporte para a cidadania. A Lola representa essa obsessão, mas também a fragilidade por trás da fachada de poder”, disse.
(Foto: Adriano Vizoni/Pivô Audiovisual, Direção Geral: Maria de Médicis) DIVULGAÇÃO.
A atriz também abordou a questão racial, destacando como os padrões de beleza hegemônicos podem invisibilizar a ancestralidade negra. “Na nossa história, há um processo de eugenia que tenta transformar pessoas negras em brancas. A Lola não se reconhece racialmente, e suas escolhas estéticas refletem isso”, observou.
No entanto, Camila ressaltou que, na contramão desse padrão, há um movimento de resistência na comunidade negra que exalta a naturalidade e a diversidade de beleza. “Cada um tem que ter liberdade para ser quem é, sem ser refém de um único padrão. A pluralidade é o que nos enriquece”, afirmou.
No dia 14 de janeiro, a The Lancet Diabetes & Endocrinology publicou um artigo escrito por uma comissão internacional de especialistas sugerindo que médicos adotem novas definições e critérios para o diagnóstico da obesidade, doença que afeta 1/8 da população mundial de acordo com o estudo. Até então, o Índice de Massa Corporal (IMC) era o recurso utilizado por médicos para determinar se o paciente tinha obesidade ou não.
“O Índice de Massa Corporal (IMC) foi criado no início do século XIX pelo matemático e estatístico belga Adolphe Quetelet, como parte de seus estudos sobre o “homem médio”. Ele foi pensado para homens brancos europeus, ignorando diferenças raciais, de composição corporal e de gênero. Desconsidera fatores como massa muscular, densidade óssea e distribuição de gordura, o que frequentemente leva a diagnósticos imprecisos, especialmente em pessoas negras e mulheres.”, explicou o nutrólogo Dr. Gilmar Francisco em entrevista à editora-chefe do Mundo Negro,Silvia Nascimento. O cálculo do IMC é feito através do peso dividido pela altura ao quadrado. Quando o resultado é maior do que 30, os médicos costumam determinar que o paciente sofre com obesidade.
A proposta da Comissão também apresenta duas novas categorias de obesidade: a clínica e a pré-clínica. A obesidade clínica é definida como uma condição associada a sinais e/ou sintomas objetivos de redução na função dos órgãos, ou uma capacidade significativamente diminuída de realizar atividades diárias padrão, como tomar banho, vestir-se, comer e controlar a continência, diretamente devido ao excesso de gordura corporal.
Pessoas com obesidade clínica devem ser consideradas como portadoras de uma doença crônica em andamento e receber manejo e tratamentos adequados. Para que essa condição seja diagnosticada, a Comissão estabelece 18 critérios de diagnóstico para adultos e 13 para crianças e adolescentes, incluindo:
Falta de ar causada pelos efeitos da obesidade nos pulmões;
Insuficiência cardíaca induzida pela obesidade;
Dor nos joelhos ou quadris, com rigidez articular e redução da amplitude de movimento, como efeito direto do excesso de gordura corporal nas articulações;
Certas alterações ósseas e articulares em crianças e adolescentes que limitam o movimento;
Outros sinais e sintomas causados por disfunções de órgãos como rins, vias aéreas superiores, sistemas metabólicos, nervoso, urinário, reprodutivo e linfático nos membros inferiores.
Já a obesidade pré-clínica é uma condição de obesidade com função normal dos órgãos. Portanto, pessoas vivendo com obesidade pré-clínica não apresentam doenças em andamento, mas têm um risco aumentado de desenvolver obesidade clínica e outras doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, certos tipos de câncer e transtornos mentais.
No entanto, vale ressaltar que a obesidade pré-clínica não significa, necessariamente, que a pessoa vai desenvolver obesidade no futuro, mas que ela possui um risco aumentado, seja por questões genéticas ou do próprio fenótipo da pessoa, ou seja, ela é grande fisicamente, mas não apresenta disfunção de órgãos e nem outra doença ligada ao excesso de gordura.
“Os critérios mais detalhados para o diagnóstico de obesidade podem ajudar a combater preconceitos ao reconhecer que a obesidade é uma condição multifatorial e que a saúde não se define exclusivamente pelo peso corporal ou pelo IMC. O uso exclusivo do IMC muitas vezes desconsiderava as características corporais de mulheres negras, como maior densidade de massa magra, levando a diagnósticos imprecisos e reforçando estigmas”, detalhou o Dr. Gilmar Francisco.
Em junho de 2023, o Conselho de Ciência da Associação Médica Americana publicou um relatório que apresentava um parecer favorável para uma nova política de avaliação de peso e saúde nos Estados Unidos, desencorajando o uso do IMC. O relatório argumenta que o índice não considera diferenças étnico-raciais, além de ignorar fatores como a distribuição de gordura corporal e variações de idade e sexo.
A cantora e atriz Queen Latifah já falou sobre o impacto do IMC em sua vida. Durante sua participação no programa ‘Red Table Talk’, em 2022, ela contou sobre quando recebeu um diagnóstico de obesidade. A artista havia contratado uma profissional para auxiliá-la em rendimentos nutricionais, e a avaliação incluía uma análise do IMC: “Ela ficou me mostrando diferentes tipos de corpo, até ela chegar ao IMC e declarar que eu me enquadrava na classe de obesidade”, contou em conversa com Jada Pinkett Smith. As duas discutiram os padrões sob os quais o índice foi criado e como ele desconsidera fatores importantes na saúde.
O Dr. Gilmar Francisco explica que novas definições contribuem para diagnósticos mais precisos e para diminuição do estigma associado ao peso corporal, beneficiando a população negra. No entanto, ele alerta que desigualdades estruturais podem dificultar o acesso a tratamentos avançados: “A Semaglutida (Wegovy) e a Tirzepatida (Mounjaro), drogas essas que têm um valor expressivo, chegam com facilidade às mãos da elite, e cujo acesso é inalcançável à maior parte da população negra pelos custos elevados. Sem políticas públicas de acesso ao tratamento a partir dessa consagração da obesidade enquanto doença que pode não depender apenas do peso seguiremos com diagnóstico e discriminação, uma vez que a resolução que é o tratamento não chega à população negra”, finaliza.
A Netflix revelou a produção do primeiro spin-off baseado em uma obra brasileira original da plataforma. O filme, ambientado no universo da série ‘Irmandade’, terá o retorno de Naruna Costa no papel da advogada Cristina, como protagonista.
Ainda sem título oficial, o filme promete expandir o universo criado pela série, resgatando a ação e as tensões que conquistaram o público. A estreia está prevista para 2025, mas ainda não foi revelado uma data específica.
Lançada em 2019, Irmandade conta com duas temporadas e é ambientada em São Paulo, nos anos 1990. A trama acompanha Cristina (Naruna Costa), uma advogada íntegra que descobre que seu irmão, Edson (Seu Jorge), está preso e lidera uma facção criminosa em ascensão. Forçada a colaborar como informante da polícia, Cristina se infiltra na organização e passa a questionar seus próprios valores e sua visão de justiça.
As duas temporadas de ‘Irmandade’ estão disponíveis no catálogo da Netflix.
O Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afrobrasileiras (Idafro) protocolou, nesta quinta-feira (30), uma petição no Ministério Público da Bahia (MP-BA) solicitando que a prefeitura de Salvador e o governo do estado proíbam a contratação da cantora Claudia Leitte para shows no Carnaval de 2024. O pedido ocorre após a artista ser alvo de críticas e processos por trocar a palavra “Yemanjá”, entidade de matriz africana, por “Yeshua”, referência a Jesus em hebraico, ao interpretar a música “Caranguejo”.
A alteração na letra, realizada durante um show em Salvador no final de 2023, gerou acusações de intolerância religiosa e racismo. Claudia Leitte, que é evangélica, justificou a mudança afirmando que preza pelo respeito e integridade, mas o Idafro argumenta que a atitude da cantora “promove a intolerância religiosa”. O instituto também citou o Decreto nº 10.932, de 2022, que promulgou a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, para embasar o pedido.
“Os Estados comprometem-se a prevenir, eliminar, proibir e punir, de acordo com suas normas constitucionais e com as disposições desta Convenção, todos os atos e manifestações de racismo, discriminação racial e formas correlatas de intolerância”, diz trecho do documento enviado ao MP-BA. O Idafro reforça que a Constituição Federal proíbe a contratação de shows que promovam a intolerância religiosa.
Além da petição, Claudia Leitte responde a dois processos: um criminal, por racismo e intolerância religiosa, movido pelo MP-BA, e outro por danos aos direitos autorais, ajuizado pelos compositores de “Caranguejo”. A investigação no MP-BA foi instaurada após uma representação formalizada pela Iyalorixá Jaciara Ribeiro, sacerdotisa do Ilê Axè Abassa de Ogum, e pelo Idafro. O caso está sob análise da promotora Lívia Sant’Anna Vaz, da Promotoria de Justiça Especializada no Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa.
Dr. Hédio Silva Jr., advogado das partes denunciantes, afirmou que a mudança na letra “não é criação artística ou improvisação” e que a alteração não foi registrada oficialmente no Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD). Caso sejam comprovadas irregularidades, a cantora também poderá enfrentar acusações de falsidade ideológica.
O episódio reacendeu debates sobre racismo e intolerância religiosa no cenário do Axé Music. Pedro Tourinho, secretário de Cultura e Turismo de Salvador, criticou a postura da artista em suas redes sociais. “Quando um artista se diz parte desse movimento, saúda o povo negro e sua cultura, faz sucesso e ganha muito dinheiro com isso, mas escolhe reescrever a história, o nome disso é racismo”, escreveu.
Claudia Leitte, que ainda não se pronunciou sobre o pedido do Idafro, defendeu-se anteriormente afirmando que o racismo é uma pauta que deve ser discutida com seriedade. Enquanto o MP-BA analisa o caso, a polêmica promete influenciar as discussões sobre cultura, religião e liberdade artística no Carnaval de Salvador, um dos maiores eventos populares do país.
⚠️ ALERTA DE GATILHO ⚠️ BULLYING – O Colégio Santa Cruz, uma das instituições de ensino mais tradicionais e caras de São Paulo, suspendeu 34 alunos do ensino médio após denúncias de bullying, ameaças e mensagens com conteúdo racista, homofóbico e misógino em grupos de WhatsApp com mais de 150 integrantes. O caso, que envolveu estudantes do segundo e terceiro anos contra calouros do primeiro ano, gerou revolta e levou a escola a tomar medidas disciplinares e educacionais.
De acordo com relatos publicados pela Veja, os alunos mais velhos praticavam um “trote” contra os novatos, exigindo que eles realizassem tarefas humilhantes, como enviar vídeos usando cueca, beber álcool e revelar preferências sexuais. Em uma das mensagens, um estudante escreveu: “Vou mandar um anão preto em cima de um porco pra te est*prar””. Outras mensagens continham ameaças de violência sexual e referências a colegas do sexo feminino como “alvos”.
Além das agressões verbais, houve relatos de violência física. Um aluno teria sido agredido por usar um banheiro supostamente “reservado” para os mais velhos. Outros foram coagidos a pagar valores via Pix para os veteranos. “Eles passaram totalmente do limite”, afirmou uma estudante ao jornal O Globo, que preferiu não se identificar.
O grupo de WhatsApp, chamado “Drinha”, existe há anos e inicialmente era usado para marcar partidas de futebol entre os alunos. No entanto, o espaço se transformou em um ambiente de hostilidade e violência. A direção do colégio, ao tomar conhecimento dos fatos, leu trechos das mensagens para os estudantes em uma assembleia, destacando a gravidade das ofensas.
Em nota, o Santa Cruz afirmou que “repudia qualquer forma de violência” e lamentou profundamente os episódios. A escola informou que iniciou uma apuração e adotou “medidas educacionais cabíveis”, além de comunicar os fatos às famílias envolvidas. Palestras e reuniões emergenciais com pais e responsáveis foram realizadas para discutir o caso e reforçar a importância do respeito e da convivência saudável.
Fundado em 1952 por padres canadenses, o Santa Cruz é um colégio de elite localizado na Zona Oeste de São Paulo, com mensalidades que ultrapassam R$ 7 mil.
O episódio expõe uma cultura de bullying e hierarquia entre os alunos, que, segundo relatos, já existia há anos. Em 2019, o colégio suspendeu 6 alunos e advertiu outros 24 depois de um caso de bullying ocorrido durante um acampamento promovido pelo Santa Cruz fora de São Paulo. De acordo com informações da época, alunos do 3º ano do ensino médio ofenderam um colega usando apelidos “de mau gosto” que também foram estampados em camisetas utilizadas por esses alunos. Na época, o colégio adotou medidas educativas como palestras para pais e alunos.
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