Apresentadora integrou oito dos 13 títulos da escola paulistana e se despede da Morada do Samba após duas décadas de trajetória como sambista.
A médica e apresentadora Thelminha anunciou nesta segunda-feira (1º), por meio das redes sociais, o fim de sua parceria com a Mocidade Alegre após 21 anos de história na escola de samba paulistana. Ao longo desse período, ela integrou oito das 13 conquistas da agremiação no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo.
Na publicação, Thelminha relembrou as diferentes funções que exerceu na escola. “Foram 21 anos fazendo parte dessa escola, onde construí grande parte da minha trajetória como sambista”, escreveu, ao citar as passagens como ritmista, passista, destaque de chão e destaque da comissão de frente.
Entre os momentos mais marcantes da trajetória de Thelminha na Mocidade Alegre estão o bicampeonato conquistado em 2023 e 2024 e o título deste ano, quando ela integrou a comissão de frente representando a atriz Léa Garcia, homenageada pela escola no desfile.
A apresentadora afirmou que encerra o ciclo com tranquilidade, mesmo diante das lembranças construídas ao longo de mais de duas décadas de Carnaval. Segundo ela, os desfiles inesquecíveis e a certeza de que a história ao lado da escola guarda capítulos que continuarão sendo lembrados tornam a despedida mais leve.
Thelminha também dedicou parte da publicação à comunidade da Morada do Samba, sede da Mocidade Alegre, a quem deixou uma mensagem de carinho antes de reforçar o significado de sua trajetória na agremiação. “Ser sambista é um privilégio e ter pertencido à Mocidade Alegre sempre será motivo de orgulho”, declarou.
Com o anúncio, a apresentadora encerra oficialmente uma passagem de 21 anos pela escola, sem detalhar ainda os próximos passos de sua carreira no Carnaval.
Tardezinha anuncia corrida de rua para 2027/Foto: Divulgação/Tardezinha
O cantor Thiaguinho vai levar a atmosfera do Tardezinha para além dos palcos. O artista anunciou a criação da Corrida Tardezinha, projeto que pretende unir esporte, música e entretenimento em um circuito de corridas de rua por seis capitais brasileiras em 2027.
A iniciativa terá etapas no Rio de Janeiro, Salvador, Belém, São Paulo, Brasília e Curitiba. A proposta é que os participantes tenham, além da experiência esportiva, momentos de celebração e integração ao fim de cada percurso, com música e atrações.
A Corrida Tardezinha busca reproduzir nas ruas o conceito que ajudou a transformar a Tardezinha em um dos maiores eventos de pagode do Brasil: a combinação de música, celebração e experiências coletivas.
O circuito passará por seis capitais brasileiras: Rio de Janeiro, Salvador, Belém, São Paulo, Brasília e Curitiba. Cada etapa contará com estrutura própria para as largadas e provas, seguida de uma programação de encerramento com música e atrações para os participantes.
O projeto segue uma tendência de eventos que aproximam o universo da música das corridas de rua, criando experiências que vão além da competição esportiva.
A proposta é semelhante à da Corrida 100% Você, de Bell, Rafa e Pipo Marques, que também combina corrida e música. No evento, os artistas participam da experiência ao lado dos corredores e assumem o palco após as provas.
Com a Corrida Tardezinha, Thiaguinho pretende transportar para o universo esportivo a identidade do projeto musical que já reúne milhares de pessoas em diferentes cidades brasileiras.
Recomendação do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial propõe medidas como compensações financeiras, pedidos oficiais de desculpas e abertura de arquivos
O Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD) recomendou que os Estados adotem medidas de reparação pelos danos provocados pelo tráfico transatlântico de africanos escravizados, pela escravização e por seus efeitos persistentes sobre pessoas de ascendência africana.
A orientação foi formalizada na Recomendação Geral nº 40, aprovada pelo comitê no âmbito da interpretação da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, adotada em 1965. O documento representa uma mudança na forma como o órgão aborda a reparação, deslocando o debate da responsabilidade histórica para as obrigações atuais dos Estados no combate à discriminação racial.
O comitê também indicou medidas visando a reparação histórica do que definem como o crime mais grave contra a humanidade, entre elas estão compensações financeiras, pedidos oficiais de desculpas, abertura de arquivos históricos, revisão de monumentos públicos e criação de comissões independentes da verdade.
Segundo a interpretação do CERD, a análise das responsabilidades dos Estados deve considerar as obrigações internacionais vigentes atualmente, e não apenas as legislações existentes no período em que o tráfico transatlântico e a escravização ocorreram.
A recomendação não possui caráter juridicamente vinculante, mas pode servir como referência para debates políticos e ações judiciais relacionadas à reparação.
Reparação como resposta à discriminação racial
O documento relaciona os danos produzidos pelo tráfico transatlântico e pela escravização a desigualdades e formas de discriminação racial que permanecem no presente.
A especialista do CERD e uma das autoras da recomendação, Pela Boker-Wilson, afirmou à AFP que enfrentar as injustiças históricas não pode ser separado do combate à discriminação racial contemporânea.
A proposta do comitê considera que medidas reparatórias podem assumir diferentes formas e não se limitam à compensação financeira. O reconhecimento público, a preservação de documentos históricos e a revisão de narrativas e símbolos também aparecem entre as possibilidades apresentadas.
A discussão se insere em um movimento internacional mais amplo pela justiça reparatória. Em documentos anteriores, o próprio sistema das Nações Unidas já havia recomendado medidas de reparação relacionadas ao tráfico transatlântico de africanos escravizados e aos legados da escravização e do colonialismo.
Estados envolvidos no tráfico transatlântico
Estados Unidos, Reino Unido, França e Portugal fazem parte dos países que compõem a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, como nações que tiveram participação histórica no tráfico transatlântico de africanos escravizados e em processos coloniais.
Em março de 2026, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que classificou o tráfico de africanos escravizados e a escravização racializada de africanos como “o crime mais grave contra a humanidade”. A iniciativa reforçou, no âmbito internacional, o debate sobre memória, justiça e reparação.
A Recomendação Geral nº 40 passa a integrar um extenso debate a cerca das rotas que os Estados devem traçar, no enfrentamento as formas de discriminação racial que permanecem relacionadas a esse legado.
Evento promove discussões, debates, entrevistas e trocas entre autores, leitores e criadores de conteúdo
A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo acontece de 4 a 13 de setembro de 2026, no Distrito Anhembi, na zona norte da capital paulista. Com o tema “Palavra e Futuro”, o evento terá programação voltada à literatura, tecnologia, inclusão e sustentabilidade e espera receber mais de 700 mil visitantes ao longo dos dez dias.
A edição deste ano reunirá cerca de 350 autores nacionais e internacionais, além de 269 expositores. Entre os nomes confirmados estão Alice Oseman, Elena Armas, Ana Huang e Lynn Painter, no grupo internacional, e Conceição Evaristo, Itamar Vieira Junior, Raphael Montes, Ana Suy e Paula Pimenta, entre os brasileiros.
Além dos encontros com escritores, a programação inclui sessões de autógrafos, lançamentos de livros, debates e atividades voltadas ao público infantil e juvenil. A Bienal também terá espaços dedicados ao mercado editorial e à formação profissional, ampliando a programação para além da venda de livros.
Uma das novidades desta edição é o sistema de cashback para estimular a visita durante a semana. De segunda a quinta-feira, após as 17h, o ingresso custa R$ 30 e dá direito a 100% de cashback para compras na feira. A meia-entrada custa R$ 15 e também oferece o benefício. Nos demais períodos, os ingressos variam de R$ 20 a R$ 42.
O evento funcionará das 9h às 22h nos dias úteis e das 10h às 22h aos fins de semana. No último dia, 13 de setembro, o encerramento será às 21h. Para facilitar o acesso, haverá transporte gratuito entre a estação Portuguesa-Tietê e o Distrito Anhembi, onde será realizada a Bienal.
Conheça os autores negros que irão palestrar
Para destacar a presença negra na programação da Bienal do Livro de São Paulo 2026, o evento reúne escritores, artistas, pesquisadores e intelectuais que têm trajetórias marcadas pela literatura, pela educação, pela cultura e pela representação da população negra. Entre nomes consagrados e novos expoentes, confira alguns dos autores negros que participam desta edição e as datas em que estarão no evento.
Conceição Evaristo
Conceição Evaristo é escritora, poeta, contista e ensaísta mineira, uma das principais vozes da literatura afro-brasileira contemporânea. Doutora em Literatura Comparada, estreou na literatura em 1990, com publicações nos Cadernos Negros. É autora de obras como Ponciá Vicêncio, Becos da Memória e Olhos d’água, vencedora do Prêmio Jabuti. Sua produção é marcada pelo conceito de “escrevivência”, que transforma experiências individuais e coletivas da população negra em matéria literária.
Presença na Bienal: 4 de setembro, às 15h30, na Arena Cultural, para a mesa “Conceição Evaristo: 80 anos de escrevivência”
Eliana Alves Cruz
Eliana Alves Cruz é escritora e jornalista carioca. Formada em Comunicação Social, construiu carreira na área de comunicação esportiva antes de se dedicar também à literatura. Estreou com Água de Barrela, romance baseado em pesquisas sobre a história de sua própria família desde o período da escravidão. Também é autora de O Crime do Cais do Valongo e A Vestida, livro vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Contos em 2022. Sua obra aborda memória, ancestralidade, racismo e a experiência da população negra no Brasil.
Presença na Bienal: 4 de setembro, às 17h30, na mesa “Escreviventes: A gente combinamos de escrever”, ao lado de Estevão Ribeiro e Marcelino Freire.
Estevão Ribeiro
Estevão Ribeiro é escritor, quadrinista, ilustrador, diretor e roteirista audiovisual. Natural de Vitória (ES), é criador das tirinhas Os Passarinhos e de Rê Tinta, personagem que acompanha uma menina negra e empoderada. Também participou de projetos como Pequenos Heróis e Futuros Heróis. Em sua produção, destaca-se a representação da negritude e a criação de personagens negros na literatura e nos quadrinhos.
Presença na Bienal: 4 de setembro, às 17h30, na mesa “Escreviventes: A gente combinamos de escrever”, com Eliana Alves Cruz e Marcelino Freire.
Itamar Vieira Junior
Itamar Vieira Junior é escritor e geógrafo baiano, autor de Torto Arado, um dos grandes fenômenos da literatura brasileira contemporânea. O romance recebeu o Prêmio Leya, o Prêmio Jabuti e o Oceanos, entre outros. Doutor em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), o autor também pesquisou comunidades quilombolas da Chapada Diamantina, tema que dialoga com sua produção literária.
Presença na Bienal: 13 de setembro, às 14h45, na mesa “Esse livro dá samba: quando a literatura entra na avenida”, ao lado de Socorro Acioli.
Michel Alcoforado
Michel Alcoforado é antropólogo, professor, escritor, palestrante e especialista em comportamento, consumo e inovação. Fundador do Grupo Consumoteca, tornou-se conhecido por pesquisas sobre comportamento e consumo e pela investigação sobre as elites brasileiras. É autor de De Tédio Ninguém Morre e Coisa de Rico, livro baseado em anos de pesquisa sobre os hábitos e códigos sociais dos brasileiros mais ricos.
Presença na Bienal: 4 de setembro, Às 17h30, na mesa “Coisa de Quem? Dinheiro, corpo e o direito de pertencer”.
Alcimar Frazão
Alcimar Frazão é quadrinista, ilustrador e gestor cultural, formado em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). É autor de romances gráficos como Ronda Noturna, Cadafalso e Lovistori, este último em parceria com o roteirista Lobo. Também atua como curador de programação cultural no Sesc São Paulo e participou da curadoria de exposições dedicadas à produção de quadrinhos brasileiros.
Presença na Bienal: 12 de setembro, às 19h30, na mesa “Quadrinhos e Literatura”
Bárbara Carine
Bárbara Carine é professora, escritora, palestrante e pesquisadora baiana, formada em Química e Filosofia pela UFBA, com mestrado e doutorado em Ensino de Química. É idealizadora da Escola Afro-Brasileira Maria Felipa, primeira escola afro-brasileira registrada em uma Secretaria de Educação no país. Autora de livros como Como ser um educador antirracista, vencedor do Prêmio Jabuti de 2024 na categoria Educação, dedica sua produção à educação antirracista, à ciência e à valorização dos saberes negros.
Presença na Bienal: 6 de setembro, às 10h30, na mesa “Descobrir quem somos começa cedo: letramento racial é coisa de criança”, com Kiusam de Oliveira. Ela também participa de sessão de autógrafos às 11h30.
Renato Noguera
Renato Noguera é filósofo, professor, escritor e pesquisador, com trabalhos voltados principalmente às relações entre filosofia, educação, relações raciais e questões de gênero. Autor de livros como Por que amamos: o que os mitos têm a ver com o amor? e Mulheres e deusas, Noguera também é conhecido por sua atuação na divulgação do pensamento filosófico e na reflexão sobre masculinidades e relações humanas.
Presença na Bienal: 12 de setembro, às 17h30, na mesa “Masculinidades possíveis: ser homem em 2026”, ao lado de Milly Lacombe, Alexandre Coimbra Amaral e João Silvério Trevisan, no Salão de Ideias.
Estudo da USP publicado na Science mapeou o DNA de 2.723 brasileiros e associa a miscigenação do país a um padrão de violência sexual histórica.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo concluiu que o Brasil é o país com maior diversidade genética do mundo, resultado do sequenciamento completo do genoma de 2.723 pessoas de todas as regiões do país, de capitais a comunidades ribeirinhas. O trabalho integra o projeto DNA do Brasil, do Ministério da Saúde, e foi publicado em maio na Science, uma das revistas científicas mais influentes do mundo. Segundo o levantamento, a população brasileira carrega, em média, 60% de ancestralidade europeia, 27% de africana e 13% de indígena, com a europeia predominando no Sul e no Sudeste, a africana no Nordeste e a indígena no Norte e no Centro-Oeste.
Assimetria expõe violência sexual
Os dados revelam uma diferença expressiva entre a herança genética transmitida por homens e por mulheres ao longo da formação do país. A linhagem paterna, presente no cromossomo Y, é 71% europeia, enquanto o DNA mitocondrial, transmitido apenas de mãe para filho, carrega 42% de ancestralidade africana e 35% indígena. A geneticista Tábita Hünemeier, professora do Instituto de Biociências da USP e uma das coordenadoras da pesquisa, atribui esse padrão a um processo sistemático de violência contra mulheres indígenas e africanas. “Isso conta uma história de violência, seja ela qual for, porque é pouco provável que 80% das mulheres africanas quisessem ficar só com homens europeus e os homens indígenas somem da população”, afirmou a pesquisadora ao Jornal Nacional. Para Hünemeier, os resultados ajudam a desmontar a ideia de uma miscigenação consentida que, segundo ela, ainda sustenta parte da identidade nacional.
A historiadora Maria Helena Machado, da USP, especialista em gênero e maternidade durante a escravidão, reforça essa leitura. “A mulher escravizada, indígena ou africana, estava a serviço do escravizador, tornando corriqueiros os assédios e estupros”, disse Machado, autora, com o historiador Antonio Alexandre Cardoso, do livro “Geminiana e seus filhos: Escravidão, maternidade e morte no Brasil do século XIX”, publicado em 2024 pela editora Bazar do Tempo. Machado descreve as mulheres escravizadas como duplamente exploradas, tanto como força de trabalho quanto como reprodutoras, e situa esse padrão dentro de políticas de Estado que, já no Brasil independente, incentivavam a mestiçagem como caminho para o branqueamento da população. Como exemplo, ela cita propostas apresentadas em 1823 pelo deputado José Bonifácio de Andrada e Silva para estimular casamentos entre mulheres negras e indígenas com homens brancos, dentro de um projeto que buscava integrar a população negra à europeia.
Décadas antes da pesquisa da USP, o ativista, escritor e político Abdias Nascimento já questionava a miscigenação brasileira como fenômeno espontâneo. Em entrevista ao jornal O Globo publicada em 1978, ele descreveu a miscigenação, do modo como ocorreu no país, como um dos instrumentos de um processo mais amplo de genocídio contra a população negra, ao lado da destruição de línguas africanas e de assassinatos diretos. Nascimento definiu esse processo como uma forma de compulsão social que empurrava pessoas negras a embranquecer para obter aceitação e ascensão social. Em sua obra “O Genocídio do Negro Brasileiro”, publicada originalmente em 1978, ele associou a miscigenação brasileira à exploração sexual da mulher negra e à ideologia do branqueamento, difundida como projeto de nação a partir do século XIX. O autor fazia questão de dizer que não se posicionava contra a miscigenação em si, mas contra a forma como ela ocorreu no Brasil, sem igualdade de condições entre os grupos envolvidos.
Além da assimetria entre linhagens paterna e materna, os pesquisadores identificaram combinações de ancestralidade africana que não têm registro nem no continente africano, resultado do tráfico de pessoas retiradas à força de diferentes regiões da África e agrupadas no Brasil, muitas vezes sem falar o mesmo idioma. “Nós estamos sequenciando genomas de ancestralidade africana e indígena que ninguém está estudando. Os bancos de dados são todos de DNA de populações brancas”, afirmou Lygia da Veiga Pereira, geneticista da USP e coordenadora do projeto DNA do Brasil, ao Jornal Nacional. A equipe também identificou mais de 8 milhões de variações genéticas nunca antes registradas em nenhum banco de dados do mundo, além de definir 18 perfis genéticos distintos na população brasileira, a maioria deles combinando mais de uma ancestralidade.
Aplicações para a saúde pública
Os pesquisadores associam o mapeamento genético a avanços concretos na área da saúde, já que centenas dos genes identificados estão ligados a doenças que vão de pressão alta a diferentes tipos de câncer. O assistente administrativo Antônio Pereira da Silva, um dos participantes da pesquisa, descobriu ter predisposição a uma doença renal crônica e passou a adotar cuidados preventivos a partir do resultado. Lygia Pereira projeta que o conhecimento detalhado do genoma nacional poderá permitir a médicos identificar grupos de maior risco para exames como a mamografia antes da idade convencionalmente recomendada, reduzindo custos e ampliando a precisão dos diagnósticos. A equipe já sequenciou outros 7 mil genomas e prevê novos resultados nos próximos meses, com o objetivo de ampliar ainda mais a representatividade de populações africanas e indígenas nos bancos de dados genômicos globais.
Duane Keffe D Davis foi condenado por assassinato em primeiro grau pela morte de Tupac Shakur em 1996, em Las Vegas. Sentença sai em 13 de outubro.
Duane “Keffe D” Davis foi condenado nesta segunda-feira, 31 de agosto, por assassinato em primeiro grau com uso de arma letal, em júri realizado em Las Vegas, cidade onde o rapper Tupac Shakur foi morto a tiros em 1996. A decisão chega quase 30 anos após o crime e faz de Davis a única pessoa já acusada formalmente pela morte do rapper. Os promotores não sustentaram que ele tenha disparado os tiros, mas o responsabilizaram por orquestrar o assassinato, categoria mais grave de homicídio na legislação dos Estados Unidos e que indica morte considerada intencional e premeditada pelo júri. Familiares de Tupac reagiram à leitura do veredicto, e Sekyiwa “Set” Shakur, irmã do rapper, chorou baixinho durante a sessão, embora não tenha havido manifestações audíveis no tribunal.
A acusação chegou a considerar um agravante por envolvimento de gangues organizadas, hipótese descartada ainda durante o julgamento. Segundo o vice-procurador-chefe do distrito, Binu Palal, em declaração à CNN Brasil, a decisão se deu por “questões logísticas relacionadas a testemunhas”. A sentença contra Davis será conhecida em seis semanas, no dia 13 de outubro, e até lá ele permanece sob custódia, sem direito a fiança. Caberá à juíza Carli Kierny decidir a pena, que pode chegar a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
O veredicto foi lido duas semanas antes de 13 de setembro, data em que a morte de Tupac completa 30 anos. O rapper morreu no University Medical Center de Las Vegas, a menos de três quilômetros do tribunal onde Davis foi julgado, seis dias depois de receber quatro tiros aos 25 anos. Segundo a acusação, Davis comandou o ataque como retaliação a uma briga anterior envolvendo o sobrinho dele, Orlando “Baby Lane” Anderson, supostamente agredido por Tupac e integrantes de seu grupo pouco antes do crime.
Tupac já acumulava um histórico de episódios violentos antes da morte. Em 1993, havia sido acusado de atirar em dois policiais durante uma briga em Atlanta, acusação retirada posteriormente, e no ano seguinte uma fã o acusou de abuso sexual após um encontro em um hotel, caso em que o rapper se declarou inocente e alegou relação consensual, segundo reportagem do jornal The New York Times à época. Ainda durante a deliberação desse julgamento, ele foi atingido por cinco tiros ao tentar escapar de uma abordagem em um estúdio de gravação em Nova York, passou por cirurgia e acabou condenado a 18 meses de prisão no caso de abuso sexual. Ao recorrer da sentença, fechou um acordo com o executivo Marion “Suge” Knight, da gravadora Death Row Records, para pagar fiança e seguir em liberdade, vínculo que aprofundou seu envolvimento com as gangues que disputavam espaço na cena do hip-hop californiano e que, nos anos seguintes, resultou em ataques entre os grupos rivais.ar a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
O veredicto foi lido duas semanas antes de 13 de setembro, data em que a morte de Tupac completa 30 anos. O rapper morreu no University Medical Center de Las Vegas, a menos de três quilômetros do tribunal onde Davis foi julgado. Ele tinha 25 anos quando recebeu quatro tiros e faleceu seis dias depois.
Segundo a acusação, Davis comandou o ataque como retaliação a uma briga anterior envolvendo o sobrinho dele, Orlando “Baby Lane” Anderson, supostamente agredido por Tupac e integrantes de seu grupo antes do crime.
Tupac já acumulava um histórico de episódios violentos antes da morte. Em 1993, ele havia sido acusado de atirar em dois policiais durante uma briga em Atlanta, acusação retirada posteriormente. No ano seguinte, uma fã o acusou de abuso sexual após um encontro em um hotel, caso em que o rapper se declarou inocente e alegou relação consensual, segundo reportagem do jornal The New York Times na época.
Ainda durante a deliberação desse julgamento, Tupac foi atingido por cinco tiros ao tentar escapar de uma abordagem em um estúdio de gravação em Nova York. Ele passou por cirurgia, foi condenado a 18 meses de prisão no caso de abuso sexual e recorreu da decisão, fechando um acordo com o executivo Marion “Suge” Knight, da gravadora Death Row Records, para pagar fiança e seguir em liberdade. O vínculo aprofundou o envolvimento do rapper com as gangues que disputavam espaço na cena do hip-hop californiano, cenário que, nos anos seguintes, resultou em ataques entre os grupos rivais.
Zendaya completa 30 anos nesta terça-feira, 1º de setembro. Relembre a trajetória da atriz, do futebol na infância em Oakland aos prêmios em Hollywood.
Zendaya Maree Stoermer Coleman completa 30 anos nesta terça-feira, 1º de setembro, data de seu nascimento em Oakland, na Califórnia, em 1996. Reconhecida internacionalmente por papéis em Homem-Aranha, Duna e Euphoria, a atriz e cantora construiu a carreira ao longo de mais de quinze anos sem que a vida pessoal ocupasse o mesmo espaço que os projetos profissionais, comportamento pouco comum entre astros de Hollywood da mesma geração.
A atriz nasceu em uma família formada por Claire Stoermer, diretora de teatro com ascendência alemã e escocesa, e Kazembe Ajamu Coleman, professor de educação física com raízes no Zimbábue. O nome escolhido pelos pais vem da língua shona, falada no país africano, e significa “dar graças”. Essa dupla origem aparece com frequência quando a cobertura sobre cultura negra trata da formação da atriz, já que a ascendência paterna a conecta diretamente ao continente africano.
Antes de se dedicar à atuação, Zendaya passou a infância em atividades esportivas competitivas. Ela integrou equipes de basquete ainda no jardim de infância, por incentivo do pai, que buscava reproduzir na filha o próprio histórico como professor de educação física. A prática se estendeu ao futebol, esporte que ela disputou pelo Rockridge Soccer Club, clube local de Oakland, além do atletismo. Fotos e vídeos dessa fase voltaram a circular nas redes sociais nos últimos meses, mostrando a atriz ainda criança em campo, em contraste com a exposição que marca sua rotina atual.
A mudança de rumo começou por volta dos seis anos, quando Zendaya passou a acompanhar a mãe no trabalho de bastidores do California Shakespeare Theater, companhia onde Claire atuava como gerente de casa durante o verão. Na função, a menina organizava cadeiras e vendia ingressos para arrecadação de fundos, mas o interesse real estava nas apresentações em si. Seu primeiro papel em um palco foi o de um bicho da seda na montagem escolar de “James and the Giant Peach”. A partir dali, ela deixou as competições esportivas para se dedicar à dança e à interpretação, decisão que não agradou de imediato o pai, que somente depois assumiu a função de empresário e passou a levá-la pessoalmente a testes e audições.
Ainda criança, Zendaya trabalhou como modelo para marcas como Macy’s e Old Navy e frequentou aulas na Oakland School for the Arts. Ela também dedicou dois anos ao hula, dança tradicional havaiana, na Academy of Hawaiian Arts, e seguiu como aprendiz do California Shakespeare Theater.
A carreira na televisão começou em 2010, quando ela foi escalada para viver Rocky Blue na série “Shake It Up”, do Disney Channel, papel que ocupou até 2013. Na sequência, estrelou e também produziu “K.C. Undercover”, exibida entre 2015 e 2018, função que ampliou sua participação nos bastidores da produção além da atuação diante das câmeras.
Em paralelo à televisão, Zendaya lançou o álbum autointitulado “Zendaya” em 2013, precedido pelos singles “Swag It Out” e “Watch Me”, este último em parceria com Bella Thorne.
No cinema, a estreia como protagonista veio em 2017, com o musical “O Rei do Show”, ao lado de Hugh Jackman e Zac Efron. No mesmo ano, ela interpretou Michelle Jones, a MJ, em “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”, primeiro dos quatro filmes que fez na franquia da Marvel ao lado de Tom Holland, sequência que incluiu “Homem-Aranha: Longe de Casa” (2019), “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” (2021) e “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, lançado em julho deste ano.
Em 2019, ela assumiu o papel de Rue Bennett na série “Euphoria”, da HBO, sobre uma adolescente em tratamento contra a dependência química. A atuação rendeu à atriz dois prêmios Emmy de Melhor Atriz em Série Dramática, o que a tornou a intérprete mais jovem a vencer a categoria.
A partir de 2021, ela viveu Chani na adaptação de “Duna”, de Denis Villeneuve, personagem que repetiu em “Duna: Parte Dois”, de 2024, e que volta a interpretar em “Duna: Parte Três”, com estreia prevista ainda para este ano. Outros trabalhos recentes incluem “Malcolm & Marie” (2021) e “Challengers” (2024), além de “The Drama”, ao lado de Robert Pattinson, e “A Odisseia”, de Christopher Nolan, ambos lançados em 2026.
No universo da moda, Zendaya recebeu o prêmio Fashion Icon do Conselho de Designers de Moda dos Estados Unidos, o CFDA, e foi incluída pela revista Time na lista das cem pessoas mais influentes do mundo em 2022.
Na vida pessoal, o relacionamento com Tom Holland, colega de elenco desde as filmagens de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” em 2016, tornou-se público apenas em 2021, após registros de paparazzi. O casamento dos dois foi mantido em sigilo por meses, período que incluiu a circulação nas redes sociais de imagens falsas, geradas por inteligência artificial, apresentadas como se fossem da cerimônia real. Questionado sobre o episódio em entrevista à revista Esquire, Holland afirmou que a própria família sabia que as fotos eram falsas porque “estavam todos lá”, confirmando a união sem detalhar data ou local da celebração.
A agenda da atriz para os próximos meses inclui a divulgação de “Duna: Parte Três” e a continuidade do trabalho como produtora, função que vem assumindo com mais frequência desde “K.C. Undercover” e que deve se estender aos próximos projetos ainda não anunciados.
Michele Crispim é fundadora do Florella Bistrô & Café/Foto: Divulgação
Vencedora da quarta temporada do MasterChef Brasil e dona do Florella Bistrô & Café, em São Paulo, a chef falou sobre delegar funções, planilha desde 2015 e o preço de tentar dar conta de tudo sozinha
“Pensem num chef de cozinha: qual é a imagem que vem na cabeça de vocês? Um homem branco.” A pergunta foi feita por Michele Crispim (@crispimichele) a uma plateia do Universa Talks 2026, evento do UOL dedicado ao empreendedorismo feminino, e serviu para explicar por que ela decidiu construir a própria imagem antes mesmo de ter um endereço físico. “Eu falei: gente, eu quero ocupar esse espaço.”
Antes de entrar na cozinha profissionalmente, Michele trabalhava com Gestão de Pessoas e acompanhava o MasterChef querendo mudar de carreira. Em 2017 se inscreveu na quarta temporada, chegou à final e venceu. Morava na Grande Florianópolis, onde abriu o primeiro restaurante. Hoje comanda o Florella Bistrô & Café (@florellabistro), na Vila Nova Conceição, em São Paulo, aberto em 2025.
A casa própria mudou o jogo de um jeito que ela descreve sem romantismo. Uma marca pessoal pode ser sustentada por talento e presença, mas um restaurante precisa funcionar todos os dias, com ou sem a chef no salão. Foi aí que apareceram os erros que ela faz questão de contar em voz alta.
O primeiro é o mais comum entre quem entra na gastronomia pela paixão. “Eu sei cozinhar, mas um restaurante não depende só de saber cozinhar; ele depende de administração, de financeiro, de marketing. Se eu ficar fazendo só o que eu sei, eu não vou nem saber o que está acontecendo no meu negócio”, disse.
No primeiro restaurante, ela tentou ocupar todos os postos ao mesmo tempo. “Eu ia às três horas da manhã no Ceasa comprar as coisas, depois queria estar na cozinha porque não confiava, e ainda queria atender as pessoas. O que aconteceu? Me sobrecarregou.” A virada veio quando aceitou dividir, entendendo que “cada um tem que cuidar daquilo que sabe fazer e aprender a delegar funções”. O efeito, segundo ela, apareceu no caixa: “depois que eu deleguei funções, o meu faturamento aumentou muito”.
Vale um contraponto que a fala dela não cobre. Delegar pressupõe caixa para pagar alguém, e boa parte de quem empreende na gastronomia brasileira toca o negócio sozinha ou com a família, entre a cozinha de casa, o delivery e a barraca de feira. Para quem está nesse ponto, o conselho mais aplicável da Michele não é o de contratar, é o que veio antes dele: separar as contas pessoais das contas da empresa e saber, todo mês, quanto entra e quanto sai. A planilha que ela mantém desde 2015 existiu antes de qualquer sócio.
Sobre clientes, Michele separa duas coisas que costumam ser tratadas como uma só. Atrair é uma tarefa, fazer voltar é outra. “Sinceramente, para ele retornar é a comida. Eu posso ter uma série de estratégias para fazer ele ir até lá, mas para ele voltar a comida tem que ser boa.” A crítica é dirigida a quem aposta todas as fichas em ações virais que não se sustentam quando o prato chega à mesa. “Nenhum restaurante sobrevive de experiências únicas.”
A disciplina com números aparece na fala dela como método, não como dom. “Ser organizada financeiramente é indispensável. Eu tenho planilhado a minha vida financeira desde 2015, com todos os meus gastos pessoais e da empresa separadamente.” Daí ela puxa um recado sobre ambição, geralmente mais difícil de engolir do que planilha: “a gente tem medo de ser grande muitas vezes, não pode ter medo de investir no que você faz”. Metas financeiras audaciosas, nas palavras dela.
A chef também recusa a ideia de esperar o momento em que tudo estará resolvido. “Você tem que aprender no caminho. Ninguém vai estar se sentindo 100% pronta.” E trata o erro como ativo, não como derrota: “quanto mais eu erro, mais caro eu vou cobrar. Ao invés de fazer um curso, eu quebrei minha cara. Aí eu já sei o que eu errei”.
A formação em Gestão de Pessoas, que ficou para trás no currículo mas não na prática, fecha o raciocínio no ponto que atravessa todos os outros. “No final das contas, é sempre sobre lidar com pessoas. O que as pessoas têm mais dificuldade é no lidar com pessoas.” Nenhuma tecnologia, diz ela, substitui escuta e olhar atento para a equipe.
“Eu sou o meu produto principal, eu sou a minha empresa”, definiu. A frase explica o cuidado que ela teve em construir a imagem antes da casa e explica também o limite desse modelo: um negócio que depende inteiramente de uma pessoa só cresce quando essa pessoa aprende a sair do centro.
SERVIÇO
Florella Bistrô & Café (@florellabistro) Rua Dina, 76, Vila Nova Conceição, São Paulo (SP) Chef Michele Crispim (@crispimichele)
Laura Castro, Letícia Soares e Larissa Noel estão em 7 Mulheres e Um Mistério, O Musical, e a presença das três atrizes negras diz algo importante sobre a adaptação de uma obra estrangeira para o Brasil. Laura e Letícia integram o elenco principal, enquanto Larissa atua como swing. A montagem poderia simplesmente reproduzir uma determinada imagem da França dos anos 1950. Escolheu outro caminho: uma história pode nascer em outro país, em outra década, e ainda assim encontrar no palco brasileiro os rostos do Brasil.
Parece uma decisão simples. Historicamente, não foi.Durante décadas, atrizes negras estiveram à mercê de personagens previamente definidas pela raça e, muitas vezes, pelos estereótipos construídos em torno dela. A empregada, a mulher hipersexualizada, a subalternizada, a personagem cuja existência dramática precisava estar associada à pobreza, à violência ou ao racismo. Quando surgia uma família rica, uma história de amor, uma comédia de costumes ou uma personagem cuja raça não estava indicada no texto, a suposta universalidade frequentemente ganhava uma aparência bastante específica: branca.
7 Mulheres e Um Mistério ajuda a desmontar essa lógica sem transformar a escolha do elenco numa tese pronunciada em cena. Inspirado em HuitFemmes, de Robert Thomas, o espetáculo acompanha mulheres confinadas numa mansão depois de um assassinato ocorrido durante uma reunião familiar de Natal. A adaptação, músicas e letras são de Anna Toledo, com direção artística de Ricardo Grasson e Heitor Garcia. A própria adaptação amplia as motivações das personagens femininas, procurando libertá-las de uma narrativa organizada exclusivamente em torno da validação masculina.
Bruna Guerin, Laura Castro, Letícia Soares, Malu Rodrigues, Paula Capovilla, Stella Miranda e Verónica Valenttino formam o elenco principal. Entre elas, Laura e Letícia podem simplesmente fazer aquilo para que foram formadas: interpretar. Podem ser sofisticadas, engraçadas, suspeitas, contraditórias, amorosas, cruéis. Podem pertencer àquela família e àquela mansão. Larissa Noel, na função exigente de swing, precisa estar preparada para assumir a cena quando convocada. Nenhuma das três precisa apresentar uma justificativa racial para estar dentro daquela ficção.
E aqui aparece uma contradição antiga do nosso ofício. O teatro gosta de repetir que o ator pode ser qualquer coisa. Pode atravessar séculos, nacionalidades, classes sociais, profissões e universos que jamais experimentou pessoalmente. Essa liberdade é considerada parte da natureza da interpretação. Mas, quando artistas negros reivindicam o mesmo princípio, surgem perguntas sobre fidelidade histórica, aparência da personagem ou intenção do autor. Se atuar é justamente a arte de habitar outra existência, por que essa liberdade encontra fronteiras quando chega a nossa vez?
A discussão ganha outra dimensão num país em que 55,5% da população se declarou preta ou parda no Censo de 2022, segundo o IBGE. O palco brasileiro não precisa obedecer matematicamente à demografia nacional, porque arte não se produz por planilha. Mas a ausência recorrente de pessoas negras também não pode continuar sendo tratada como acaso estético num país de maioria negra. Quando elas desaparecem sistematicamente das famílias, dos romances, das comédias, dos musicais e das narrativas consideradas universais, existe uma escolha sendo feita, mesmo quando ninguém assume sua autoria.
Por isso Laura Castro, Letícia Soares e Larissa Noel importam aqui. Não porque devam carregar nas costas a responsabilidade de representar milhões de brasileiras negras. Exatamente o contrário. Importam porque ajudam a afirmar o direito de uma atriz negra não precisar representar outra coisa além de sua personagem.
O talento não tem cor, repetimos há anos. O acesso aos papéis, historicamente, teve. A mudança começa quando a primeira frase finalmente produz consequência sobre a segunda.
Se você quer se entreter com um espetáculo bem cantado, bem tocado, muito bem interpretado e com um visual deslumbrante, vá ao teatro assistir a 7 Mulheres e Um Mistério, O Musical. Minha indicação tem ainda um motivo especial: ver Laura Castro, Letícia Soares e Larissa Noel, três atrizes deslumbrantes, ocupando o teatro musical brasileiro em estado de excelência, com talento, técnica e presença.
A temporada segue até 4 de outubro de 2026, no 033 Rooftop, no Teatro Santander, em São Paulo, com sessões às sextas, às 20h; sábados, às 16h e 20h; e domingos, às 15h e 19h.
Samantha Almeida estreia Masterclass da Globo/Foto: TV Globo/João Cotta
Samantha Almeida, diretora de Marketing da TV Globo, ministra o primeiro episódio do Masterclass promovido pela emissora voltado à profissionais da publicidade e propaganda. A aula faz parte do projeto Master Globo, que reúne vídeos, cursos e aulas profissionalizantes, a fim de promover conhecimento e formação sobre o mercado de mídia e entretenimento.
Com o tema “Atenção sem significado não constrói marca”, Almeida fala sobre cultura, relevância e impulsionamento de marcas e negócios.
Almeida é uma profissional notória no mundo do marketing, propaganda e produtos. À frente da TV Globo há mais de quatro anos, a profissional já passou por outros lugares de grande relevância, como o Twitter, em que atuou como diretora de planejamento e Cannes Lions, em que foi jurada por três anos na categoria Titanium Lions, categoria mais prestigiada do festival, e foi presidente do júri na categoria Social & Influencer, que discute a economia da criação e comunicação, além de Levi’s, Avon e Music2/Mynd.
A profissional é uma das principais vozes na defesa da diversidade, representatividade e inclusão de pessoas pretas na comunicação. Em 2023, passou a ocupar o cargo de Diretora de Diversidade e Inovação em Conteúdo dos Estúdios Globo.
Almeida ainda acumula reconhecimentos importantes: foi a primeira mulher negra a conquistar o Caboré, uma das principais premiações do mercado publicitário brasileiro e eleita pelo MIPAD, organização parceira da ONU, como uma das 100 Mais Influentes Afrodescendentes do Mundo, em 2020, ao lado de Kamala Harris, Michael Jordan, Oprah Winfrey, Jay Z e Beyoncé.
As aulas do Masterclass são gratuitas, on-line e a gravação do primeiro episódio com Samantha Almeida já está disponível no site Master Globo. Para participar é preciso somente se cadastrar com uma conta no globo.com.
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