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Anok Yai desabafa após perder prêmio de modelo do ano: “não quero mais isso”

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Foto: Gilbert Flores / Variety via Getty Images

Anok Yai, uma das maiores revelações no mundo da moda, desabafou no X (antigo Twitter), nesta terça-feira (3), após perder o prêmio de Melhor Modelo do Ano pelo renomado British Fashion Council, pela segunda vez consecutiva, em Londres, na Inglaterra.

“Alex, eu te amo e estou muito orgulhosa de você. British Fashion Council, obrigada, mas não quero mais isso”, escreveu Yai, também parabenizando Alex Consani, a vencedora deste ano, que se tornou a primeira mulher trans a ganhar o prêmio.

“Se você viu o esforço que eu vi Alex colocar; você entenderia o quão orgulhosa eu estou dela. Mas Alex pode estar orgulhosa e eu posso estar exausta ao mesmo tempo. Isso não tira o quanto nós nos amamos”, completou na segunda publicação.

Durante o evento, Anok chegou a publicar uma imagem do Kanye West no story do Instagram, em referência a indignação do rapper quando Beyoncé perdeu o MTV Music Awards para Taylor Swift, em 2009.

Ao longo da carreira, Anok acumula no seu portfólio grifes como Anok, que tem no currículo grifes como Victoria’s Secret, Marc Jacobs, Bottega Veneta, Givenchy, Amina Muadii, entre outras.

Alva Claire, Amelia Gray, Liu Wen e Mona Tougaard também disputavam o prêmio com Anok e Consani. Em 2023, Yai concorreu ao prêmio, mas quem venceu foi a Paloma Elsesser.

Segundo o British Fashion Council, o prêmio de modelo do ano “reconhece o impacto global de uma modelo que dominou a indústria nos últimos 12 meses”.

Beyoncé é eleita a maior estrela pop do século 21; veja lista completa com artistas negros

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Fotos: Reprodução/Instagram; Daniela Porcelli/Eurasia Sport Images/Getty Images; Kevin Winter/Getty Images for iHeartRadio; Divulgação; Reprodução

Queen B no topo! A revista norte-americana Billboard anunciou oficialmente nesta terça-feira (3), que Beyoncé é a maior estrela pop do século 21. O resultado já era o esperado, desde a semana passada, quando o veículo o divulgou que a cantora Taylor Swift ficou em segundo lugar. 

Nos últimos meses, o veículo buscou eleger 25 nomes da música tiveram impacto. Entre os artistas negros que integram a lista, também estão Rihanna, Drake e Kanye West. (Veja lista completa abaixo)

Ao longo dos anos, Beyoncé acumulou 32 estatuetas no Grammy Awards e alcançou posto de artista mais premiada da história da premiação.

No Grammy 2025, a estrela recebeu 11 indicações relacionadas ao álbum ‘Cowboy Carter’ e elevou seu total histórico para 99 nomeações.

Veja a lista completa de vencedores: 

1. Beyoncé

2. Taylor Swift

3. Rihanna

4. Drake

5. Lady Gaga

6. Britney Spears

7. Kanye West

8. Justin Bieber

9. Ariana Grande

10. Adele

11. Usher

12. Eminem

13. Nicki Minaj

14. Justin Timberlake

15. Miley Cyrus

16. Jay-Z

17. Shakira

18. The Weeknd

19. BTS

20. Bruno Mars

21. Lil Wayne

22. One Direction

23. Bad Bunny

24. Ed Sheeran

25. Katy Perry

Kendrick Lamar anuncia turnê por estádios na América do Norte com SZA após estreia de álbum surpresa

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Foto: Reprodução

Um dia após alcançar o topo da parada Billboard 200 com o lançamento surpresa de seu álbum “GNX”, Kendrick Lamar anunciou a “Grand National Tour”, que percorrerá 19 estádios na América do Norte entre abril e junho de 2025. A turnê contará com a participação da cantora SZA, que colaborou em duas faixas do novo trabalho do rapper, incluindo “Luther” e a faixa de encerramento, “Gloria”.

O álbum “GNX”, lançado de surpresa em 22 de novembro, já é um marco na carreira de Lamar. Com 319 mil unidades vendidas na primeira semana, ele não apenas estreou no primeiro lugar da Billboard 200, como também dominou a parada Billboard Hot 100, colocando sete faixas no top 10. A música “Squabble Up” lidera a lista, seguida por “TV Off” e “Luther” em segundo e terceiro lugares, respectivamente.

Além do sucesso comercial, o álbum é mais um reflexo do momento histórico vivido por Lamar. Em 2025, o rapper será uma das atrações do show do intervalo do Super Bowl, além de ter recebido recentemente três indicações ao Grammy pela música “Not Like Us”, que encerrou sua rivalidade pública com Drake.

Os ingressos para a turnê estarão disponíveis ao público a partir da próxima sexta-feira, 6 de dezembro, às 10h no horário local, pelo site grandnationaltour.com. Haverá também uma pré-venda exclusiva para usuários do Cash App Visa Card na quarta-feira, 4 de dezembro, no mesmo horário.

A turnê, que se inicia em 19 de abril no Estádio US Bank, em Minneapolis, e se encerra em 18 de junho, no Northwest Stadium, em Washington, promete consolidar o impacto de “GNX” e reforçar a posição de Lamar como um dos maiores nomes do hip-hop contemporâneo.

Racismo obstétrico: ativista cobra respostas sobre mortes na Maternidade Albert Sabin, em Salvador

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Foto: Henrique Santos

A educadora e ativista Bárbara Carine publicou um vídeo em suas redes sociais denunciando mais um caso de violência obstétrica na Maternidade Estadual Albert Sabin, me Salvador. O caso ocorreu no dia 29 de novembro, quando Kevelin Paim Barbosa, de 22 anos, e sua bebê morreram por complicações no parto. A jovem deu entrada na maternidade no dia 27 de novembro após sentir dores e com indicação de cesárea, a equipe do plantão decidiu seguir com o parto normal e só no dia 29 decidiram fazer a cirurgia.

“Gostaria muito de saber o que o Ministério Público está fazendo no sentido da condução das investigações, das vítimas, das denúncias de violência obstétrica realizadas dentro dessa maternidade. Eu gostaria de saber do governo do Estado da Bahia, o que tem sido feito para investigar, para apurar esses casos absurdos de violência obstétrica, de racismo obstétrico nessa maternidade. Racismo obstétrico é a violência desferida contra mulheres negras e mães. Vocês sabiam que a taxa de mortalidade materna em mulheres negras é 65% superior às mulheres brancas? Porque são as mesmas que não importam a ninguém. E aí quando a gente vai falar de uma maternidade, como a maternidade de Albert Sabin, a gente está falando de uma maternidade que atende majoritariamente o público negro periférico”, detalhou.

Em outro caso recente ocorrido no dia 31 de outubro, um bebê morreu durante o parto. De acordo com Liliane Ribeiro, mãe da criança, a médica teria puxado a bebê e lesionado o pescoço da criança com a unha por estar usando uma luva rasgada. Além disso, Ribeiro denuncia ter sofrido uma série de violências, entre elas, ter sido obrigada a passar por um parto normal mesmo com a indicação de cesárea, ter sido destratada pela equipe e abandonada pela médica antes do parto ser finalizado.

Nos dois casos, as mães tinham indicação de cesárea, e as famílias alegam que os bebês tinham sinais vitais normais antes da realização dos partos. Em entrevista para a TV Bahia, a avó de Kevelin, Edilene, contou que na madrugada de sexta-feira: “A médica viu, pelo aparelho ligado para escutar o coração de Valentina, que já não estava batendo”. A avó contou ainda que depois do parto, a médica contou que a bebê havia nascido com o cordão umbilical enrolado no pescoço e não resistiu. A mãe apresentou complicações e foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e também não resistiu.

A família registrou o caso na 13ª Delegacia Territorial de Cajazeiras, que deve investigar as mortes. Os laudos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) devem colaborar com as investigações. Em nota, a Secretaria de Saúde da Bahia afirmou ter aberto uma sindicância para investigar o caso de Kevelin.

Já no caso de Liliane, a secretaria emitiu uma nota, dizendo:

“A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) manifesta profunda consternação diante do incidente ocorrido na maternidade Albert Sabin. Reiteramos que nossa prioridade é a segurança e o bem-estar de todos os envolvidos, incluindo pacientes, familiares e profissionais de saúde.

Esclarecemos que, após a ocorrência de um desfecho infeliz durante o procedimento obstétrico, todas as medidas de apoio e acolhimento à família foram imediatamente tomadas, em respeito à dor enfrentada neste momento delicado.

Ressaltamos ainda que uma sindicância será rigorosamente conduzida para apurar com transparência as circunstâncias do óbito, respeitando os direitos dos envolvidos e mantendo o compromisso com a ética e a excelência no atendimento.

Além disso, é inadmissível que qualquer profissional da área seja submetido a atos de violência enquanto cumpre seu dever de cuidado e assistência, e reforçamos que esse tipo de conduta jamais será tolerado em nossas unidades. Nossas equipes de saúde seguem empenhadas em oferecer o melhor cuidado possível, reafirmando a importância do diálogo e do respeito mútuo para enfrentarmos com solidariedade situações tão difíceis”.

Em seguida, publicou um novo comunicado defendendo a atuação dos profissionais:

Todos os profissionais da Maternidade Albert Sabin são orientados a dar um tratamento digno a todos as pacientes. As condutas devem ser pautadas por um bom acolhimento e melhor assistência.

A Secretaria da Saúde do Estado tem investido constantemente em todas as unidades para qualificar os espaços. A Maternidade Albert Sabin passou por diversas reformas. Na última foi ampliada e ganhou um centro de parto normal UTI infantil.

Rotas Negras: novo programa do governo federal ganha investimento para promover o afroturismo

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Foto: Gabriel de Paiva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto instituindo o Programa Rotas Negras, na última sexta-feira (29). Segundo o governo federal, a iniciativa prevê o investimento de cerca de R$ 63 milhões, até 2026, para promover o turismo voltado à cultura afro-brasileira e contribuir para a promoção da igualdade racial.

A proposta do programa é incentivar a preservação e a valorização da memória e do patrimônio cultural e histórico negro, contribuindo para o enfrentamento do racismo no país; fomentar as rotas de turismo a partir da memória, da ancestralidade, do patrimônio e da cultura negra e incentivar a adesão dos entes federativos ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) e ao Mapa do Turismo Brasileiro.

Também busca fomentar a economia criativa e circular para a geração de emprego e renda para a população negra inserida na cadeia produtiva do turismo; desenvolver novos modelos de produtos voltado à cultura afro-brasileira e serviços turísticos relacionados à cultura afro-brasileira e incentivar experiências ou serviços turísticos relacionados à cultura afro-brasileira nacional e internacionalmente.

“Ao lançarmos esse programa, reafirmamos nosso compromisso com o resgate, a valorização e o fortalecimento da história e cultura negras no país”, afirmou a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco

“É uma oportunidade de fortalecer a identidade das comunidades negras e promover um desenvolvimento econômico sustentável, sempre alinhado às políticas de igualdade racial”, colocou a diretora de Articulação Interfederativa e representante do Grupo de Trabalho, Isadora Bispo

Fontes: MIR e Agência Brasil*

‘Black Money’: Negra Li lança primeira música do seu próximo álbum

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Foto: Divulgação

Um dos maiores nomes do rap nacional, Negra Li lançou o single ‘Black Money’ na última sexta-feira (29), nas plataformas digitais. A faixa é o primeiro lançamento do seu próximo álbum, com previsão de lançamento em 2025.

Na música, a rapper reforça o conceito de empoderamento financeiro entre pessoas negras, que tem o objetivo de combater a desigualdade racial e social, além de trazer na letra diversas referências negras.

Nas redes sociais, Negra Li explicou suas referências no clipe que foi lançado na mesma data. “Os grillz que uso no clipe de Black Money carregam muito mais do que estilo. Eles contam histórias. Inspirados nos povos africanos que trouxeram essa tradição para as Américas e no movimento hip-hop dos anos 80, os grillz simbolizam rebeldia, sucesso, conexão com nossas raízes e a força da nossa identidade e individualidade”, escreveu.

O clipe ‘Black Money’ ainda homenageia o Partido dos Panteras Negras, um movimento que surgiu nos Estados Unidos na década de 1960 em defesa dos direitos da população negra, e o Vinicius Jr., jogador do Real Madrid e da Seleção Brasileira, além de ser um dos principais nomes no combate ao racismo no futebol.

Tyla lança clipe com cenas gravadas no Morro do Vidigal

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Fotos: Reprodução/Instagram

A cantora Tyla lançou nesta segunda-feira (2), o clipe da música ‘Shake ah’, gravado no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, em setembro deste ano, durante a sua passagem para se apresentar no Rock in Rio 2024. “Fiz uma festa na favela”, anunciou nas redes sociais com imagens inéditas. 

Em um cenário vestida com look de carnaval em um festa contagiante, ‘Shake ah’ é um dos três novos videoclipes na edição de seu álbum de estreia, TYLA+, e conta participações especiais de Tony Duardo, EZ Maestro e Optimist, outros três artistas sul-africanos.

Na semana passada, a cantora também lançou o clipe da música de sucesso ‘Push 2 Start’, que já alcançou mais de 11 milhões de visualizações no YouTube.

Vencedora do Grammy 2024 como Melhor Performance Musical Africana, com o seu grande sucesso ‘Water’, além de oito indicações no Billboard Music Award, destacou ainda mais o talento da Tyla no mundo da música. Recentemente, ‘Water’ se tornou a primeira música solo a passar o ano inteiro em primeiro lugar na parada Billboard US Afrobeats Songs.

A artista já demonstrou seu carinho pelo pelo Brasil e pela cultura do funk em alguns momentos. No Palco Sunset do Rock in Rio deste ano, durante a sua performance, ela dançou sucessos como ‘Parado no Bailão’ de MC Gury e MC L da Vinte e ‘Tá Ok’ de Dennis DJ e Kevin O Chris.

“Você seria um escravo caríssimo”: Influenciador denuncia racismo em boate em Belo Horizonte

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Foto: Reprodução Instagram

Na madrugada de domingo (1º), o influenciador Douglas Ferreira de Paula, de 33 anos, foi alvo de racismo em uma boate no Centro de Belo Horizonte. Segundo Douglas, Patrick Silva Gomes, de 27 anos, se aproximou durante o evento e afirmou: “Você tem um sorriso bonito. Se você fosse escravo, seria caríssimo.”

A fala foi presenciada por testemunhas e confirmada em depoimentos à Polícia Militar. Ainda segundo o influenciador, o agressor tentou justificar o comentário, repetindo: “Eu sou formado em história e aprendi que os negros com dentes bonitos eram os mais caros.” A situação gerou constrangimento e indignação. “O que era para ser uma noite de diversão se tornou um pesadelo para mim”, desabafou Douglas.

Com o apoio de sua amiga Janaina Rodrigues de Brito, que deu voz de prisão ao agressor com base no artigo 301 do Código de Processo Penal, a polícia foi chamada. O homem foi detido pelos seguranças da casa noturna até a chegada das autoridades. No entanto, após um processo que durou mais de oito horas, o suspeito foi liberado.

Em entrevista ao Mundo Negro a advogada Thayná Laís da Silva, que representa Douglas, classificou o episódio como crime de racismo: “Se trata de um crime de racismo, pois houve a injúria, ou seja, a ofensa da dignidade e da integridade do Douglas em razão da sua raça e da sua cor. Ao dizer que ele seria um escravo mais caro por causa dos seus dentes, o agressor fez uma conexão direta do Douglas a uma pessoa negra escravizada. E pior, tentou valorar monetariamente o que não tem valor. Pessoas negras não são mercadorias ou descartáveis”.

Douglas também expôs sua indignação sobre o caso e sobre a dificuldade em enfrentar a situação: “Racismo não dá para passar. Eles tentaram de tudo para invalidar o que eu estava vivendo, mas eu não desisti. Quero que essa pessoa pague pelo que fez.” Ele destacou a importância de estar cercado por pessoas preparadas: “Tenham uma rede de apoio forte. É fundamental ter um advogado que conheça pautas raciais. Mesmo assim, enfrentei muitas dificuldades para registrar a ocorrência.”

Além da humilhação que enfrentou, Douglas relatou o impacto emocional do episódio. “Eu chorei, me senti péssimo. Foi horrível. Essa fala ainda ecoa na minha cabeça, mostrando o quão difícil é ser quem somos.” Apesar disso, ele reforçou sua determinação em buscar justiça.

O caso segue em investigação, e Douglas aguarda que o inquérito policial avance para responsabilizar o agressor. Episódios como este evidenciam a urgência de medidas efetivas no combate ao racismo e na garantia de direitos fundamentais para a população negra no Brasil.

“Agora é esperar a finalização do inquérito policial, que é um conjunto de diligências e ações anteriores à ação penal”, finaliza Thayná.

“Selton Melanina”: Jovem negro vence concurso de sósias do ator Selton Mello

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Fotos: Reprodução/Instagram e Elisabetta A. Villa/Getty Images

Um cinema de rua, na Zona Sul do Rio de Janeiro, promoveu um concurso de sósias do ator Selton Mello, neste domingo (1º), para definir a pessoa que mais se parece com o ator. 

Em um resultado inusitado, venceu Ramon Carneiro, 24, “o primeiro sósia negro do Selton Mello”, como ele mesmo se refere. Outros apelidos também foram criados pelo próprio sósia, que também se intitula como “Selton Caramelo” ou “Selton Melanina”.

O morador de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, conquistou o carinho das pessoas presentes na Estação NET de Cinema, no bairro de Botafogo, que fizeram campanha por sua candidatura. O jovem fez diversos vídeos pedindo votos. “Se você puder, vote em mim. Por que o Selton Mello tem que ser somente branco? Vote em mim pelo primeiro Selton Mello negro, a favor da inclusão e da diversidade”, disse Ramon em um dos vídeos que viralizou no TikTok.

Diversos cartazes com o rosto do ator de ‘Ainda Estou Aqui’ e ‘O Auto da Compadecida’ foram colados em postes na região, atraindo inclusive comentários do próprio Selton Mello nas redes sociais.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Como prêmio, o vencedor ganhou cinco ingressos para assistir a qualquer filme no estabelecimento, além de um liquidificador, em referência ao filme ‘Reflexões de um Liquidificador’, dirigido por Selton Mello.

O concurso contou com a participação de 16 candidatos, incluindo homens e mulheres.

Fazem de tudo para silenciar a batucada dos nossos tantãs

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Cartola, Mangueira, Rio de Janeiro, RJ, c. jul. 1957. Autoria não identificada. Coleção Diários Associados/ Acervo IMS

A criminalização de sambistas no Brasil é uma manifestação histórica de um controle  penal  racializado  que  marginalizou  práticas  culturais  afro-brasileiras. Surgido das tradições trazidas por africanos escravizados, o ritmo originário do Lundu  (ou  Lundum),  rotulado  genericamente  como  “batuques”,  identificados sobretudo nas dançasdeumbigada,o samba se tornou alvo de repressão sistemática em um contexto pós-abolição. Com a abolição formal da escravização em 1888, essas pessoas, antes privadas de liberdade, foram empurradas para a exclusão social e política, enquanto suas expressões culturais que já eram rotuladas como ameaças à ordem e criminalizadas, passaram a ser ainda mais reprimidas.

A regulamentação social e penal do final do século XIX foi desenhada para estigmatizar e controlar práticas culturais que emergiam de comunidades negras. O Código Penal de 1890, por exemplo, tratava as rodas de samba como atividades ilegais,  frequentemente  associando-as  a  “vadiagem”  e  desordem  pública. Autoridades policiais interrompiam eventos culturais e prendiam seus participantes sob a justificativa de manter a ordem pública e proteger os “bons costumes”. A justificativa para a repressão era profundamente influenciada por preconceitos sociais e visões de mundo que consideravam essas manifestações como inferiores ou incompatíveis com a ideia de progresso.

O samba não foi o único alvo desse processo. Ele compartilhou esse estigma com outras práticas afro-brasileiras, como o candomblé e a capoeira. Todas foram perseguidas e reprimidas porque eram classificadas como “africanismos” e formas de resistência cultural e social por uma população que continuava enfrentando marginalização e privação de dignidade. A repressão às manifestações culturais negras era um reflexo do medo de que essas práticas alimentassem movimentos de coesão e resistência entre comunidades afro-brasileiras.

No início do século XX, apesar da repressão, o samba encontrou espaço para se desenvolver nos centros urbanos, especialmente no Rio de Janeiro. Ele se transformou em uma das formas mais emblemáticas de resistência cultural. O

gênero  musical  cresceu  nas  periferias,  nos cortiços e nas festas populares,

conquistando progressivamente maior visibilidade. No entanto, a aceitação do samba não ocorreu sem tensões.

Durante a Era Vargas, na década de 1930, na missão de construir um projeto de Brasil “moderno e civilizado”, o governo brasileiro começou a institucionalizar o samba como um símbolo da identidadenacional. Esse reconhecimento veio com um preço: para ser aceito pela “elite”, o samba passou por um processo de adaptação e embranquecimento, perdendo parte de seus elementos originais que carregavam as marcas das tradições afro-brasileiras.

Neste cenário nasceu o samba-exaltação1, expressando o grande potencial do Estado Novo em impor seu projeto ideológico ao conjunto da sociedade, através de letras que vangloriavam a vida regrada e cultuavam o trabalho (em nítida oposição à figura do malandro até então exaltada nos sambas).

Esse processo de assimilação resultou em uma coexistência paradoxal: o samba foi exaltado como patrimônio cultural brasileiro enquanto muitas das suas raízes e seus praticantes originais permaneceram sob criminalização. Embora o samba tenha alcançado o statusde ícone cultural da brasilidade, ele nunca se desvinculou completamente das memórias de repressão que marcaram suas origens. Essa trajetória de exclusão, resistência e aceitação condicionada se repete com outras manifestações culturais contemporâneas, como o funk, que enfrentam preconceitos semelhantes por sua ligação com comunidades periféricas e majoritariamente negras.

O histórico de criminalização do samba é um capítulo emblemático de como o Brasil  lida  com  suas  identidades  culturais  marginalizadas.  Embora  hoje  seja celebrado como patrimônio cultural, o samba carrega em suas melodias e versos a memória de uma longa luta por dignidade e respeito. Essa trajetória de exclusão e resistência evidencia como o controle penal atua sobre manifestações que desafiam as normas impostas, mas também como a cultura negra, em sua essência, persiste e se reinventa, resistindo aos esforços de silenciamento.

1 A maior expressão deste período é o samba “Aquarela do Brasil”, composto em 1939 por Ary Barroso.

O samba sobreviveu à repressão porque é, acima de tudo, uma expressão de identidade e resistência das comunidades que o criaram, moldaram e carregaram consigo ao longo do tempo.

Samba, a gente não perde o prazer de cantar…

Ana  Luíza  Ọ̀pátórọ́bi  Teixeira  Nazário.  Advogada.  Mestre  em  Direitos Fundamentais  e  Justiça  (UFBA).  Especialista  em  Ciências Penais (PUCRS).

Coordenadora de Projetos Acadêmicos do JusRacial.

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