Home Blog Page 185

Festival de Culinária Afro-Brasileira e Africana chega à sua 6ª edição no interior de São Paulo

0
Afrochef Marcelo Reis (Foto: Divulgação)

A 6ª edição do CULINAFRO – Festival de Culinária Afro-Brasileira e Africana, um evento que celebra a riqueza da gastronomia africana e diaspórica, promovendo o intercâmbio cultural e a valorização das tradições culinárias, será realizada dia 3 de maio, na Estação Cultura da cidade de Campinas, interior de São Paulo.

Organizado pelo Projeto Saberes e Sabores, sob a direção do Afrochef Marcelo Reis, o evento contará com a exibição de pratos icônicos, populares ou pouco conhecidos da culinária que percorreu tanto tradições africanas como as desenvolvidas em diversos territórios brasileiros onde continuaram resistindo, foram preservados e reelaborados pelos povos africanos de múltiplas origens e seus descendentes.

O Festival conta com expositores compromissados com sua proposta e também abre espaço para apresentações artísticas, Feira de Cultura Criativa e Empreendedorismo Negro, palestras e oficinas. Além de promover um espaço de intercâmbio entre os profissionais.

SOBRE O PROJETOS SABERES E SABORES

O Projeto Saberes e Sabores tem por objetivo maior a transmissão de saberes e valorização da História e da Cultura Afro-brasileira por meio do re(conhecimento) das Culturas Culinárias Afrobrasileiras e afro-americanas, surgidas com a Diáspora Negra ocorrida entre os séculos 16 e 19, sobretudo aquelas das regiões de origem dos nossos ancestrais africanos – África Ocidental, Costa Leste Africana e Golfo de Benin.

Serviço

6ª edição do CULINAFRO – Festival de Culinária Afro-Brasileira e Africana

Data: 03/05/2025
Local: Estação Cultura de Campinas
Horário: 12h00

Festival Gigantes: BK anuncia Evinha, Fat Family, Luccas Carlos e mais no primeiro show do álbum DLRE

0
Foto: Bruna Sussekind

O rapper BK’ anunciou, nesta semana, o Festival GIGANTES em celebração ao seu novo álbum! A primeira edição do evento recebe o show do elogiado e recém-lançado disco “Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer”, no dia 26 de abril, na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro.

Somando mais de 7 milhões de streams em apenas 24 horas do lançamento, sendo 5,4 apenas no Spotify, todo este barulho tomará conta do palco, e BK’ estará acompanhado de algumas das participações do disco: EvinhaFat Family, Melly, Borges, MC Maneirinho, Leall Maui. Além disso, o rapper também recebe seu parceiro de longa data, Luccas Carlos, reforçando a energia colaborativa do projeto.

A noite ainda guarda os shows de Black Alien, celebrando os 20 anos do álbum “Babylon By Gus”, o mineiro Djonga, três grandes vozes do rap feminino com Ebony, MC Luanna e Lis MC, o brime de Febem X Sain (com o projeto “HighBoys”), os shows dos DJs e produtores musicais Mse e Pauly, as DJs Aísha & Yaminah e a aposta do selo de BK’ que intitula o festival, o trapper Fye.

Transitando entre os gêneros musicais pilares da música brasileira, o repertório transita entre rap, samba, R&B e trap, o show promete se transformar em uma experiência imersiva, amplificando a celebração da música brasileira e sua diversidade sonora.

Ao todo, o público pode escolher entre quatro áreas pela Praça da Apoteose, são elas: Pista Gigantes (garantindo acesso somente deste espaço), Pista DLRE (oferecendo open de cerveja, água e refrigerante, e o acesso a pista anterior), Mezanino (com open bar de whisky, vodka, gin, cerveja, água, refrigerante, energético e suco, além de permitir que o fã circule por ambas as pistas e fique em uma área elevada com visão privilegiada do palco) e, por fim, a Arquibancada (que permite acesso somente nesta área). 

SERVIÇO
Festival GIGANTES @ Rio de Janeiro, RJ
Data: 26 de abril de 2025
Local: Praça da Apoteose
Endereço: R. Marquês de Sapucaí, 36 – Santo Cristo, Rio de Janeiro
Ingressos: https://cart.totalacesso.com/gigantes 

Governo Trump expulsa embaixador da África do Sul dos Estados Unidos por “explorar questões raciais”

0
Ebrahim Rasool (Foto: Associated Press)

O governo dos Estados Unidos declarou o embaixador da África do Sul, Ebrahim Rasool, como “persona non grata” e determinou sua expulsão do país. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (14) pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que acusou Rasool de “explorar questões raciais” e de “odiar a América e Trump”.

A medida ocorre semanas após Washington suspender a ajuda financeira à África do Sul, sob a justificativa de que o governo sul-africano estaria promovendo discriminação contra a população branca.

“O embaixador da África do Sul nos Estados Unidos não é mais bem-vindo no nosso grande país. Não temos nada a discutir com ele e, por isso, ele é considerado PERSONA NON GRATA”, escreveu Rubio nas redes sociais. 

A expressão “persona non grata”, usada em relações diplomáticas, significa que um representante estrangeiro perdeu o direito de permanecer no país anfitrião. Com isso, Rasool deverá deixar os Estados Unidos.

Rubio compartilhou um artigo do site Breitbart, alinhado ao governo Trump, para justificar a decisão. O texto cita declarações do embaixador sul-africano afirmando que o presidente dos EUA estaria liderando um movimento de supremacia branca.

Rasool assumiu o posto diplomático em janeiro de 2025, quando apresentou suas credenciais ao então presidente Joe Biden. Esta era sua segunda passagem como embaixador em Washington.

A crise entre os dois países se agravou no início de fevereiro, quando Trump cortou a assistência financeira à África do Sul. Segundo o presidente americano, a medida foi uma resposta à reforma agrária promovida pelo governo sul-africano, que prevê a desapropriação de terras para redistribuição.

A legislação sul-africana busca reduzir a desigualdade no acesso à terra. Atualmente, cerca de 75% das terras agrícolas de propriedade plena estão nas mãos de brancos, que representam menos de 10% da população. Os negros, maioria no país, possuem apenas 4% dessas áreas.

O bilionário Elon Musk, nascido na África do Sul e aliado de Trump, afirmou que os brancos sul-africanos são vítimas de “leis racistas de propriedade”.

Chef Alencar celebra 32 anos de trajetória à frente do Santo Colomba com menu especial

0
Chef Alencar - Foto: Divulgação

Referência na cena gastronômica paulistana, o restaurante Santo Colomba completa 32 anos de funcionamento e celebra a data com um menu especial entre os dias 24 e 30 de março. Comandado pelo chef José Alencar de Souza, o estabelecimento mantém-se como um dos principais redutos da culinária italiana clássica em São Paulo, combinando tradição e excelência.

A trajetória do chef Alencar reflete sua ascensão na gastronomia. Natural de Botumirim, Minas Gerais, chegou a São Paulo aos 19 anos sem imaginar que faria carreira na cozinha. Começou como ajudante de pedreiro, passou por no funções operacionais em restaurantes e, gradualmente, especializou-se na culinária italiana. Trabalhou em casas renomadas, como Spaghetti Notte e Lutèce, até assumir o comando do Santo Colomba em 1993. Desde então, tornou-se um dos nomes mais respeitados do setor, reconhecido pelo alto padrão de exigência e pela hospitalidade que imprime ao serviço.

Para a semana de aniversário, Alencar preparou um menu que reforça a identidade do restaurante. Entre as entradas, há azeitonas recheadas com carne, ovos e parmesão, empanadas e fritas, além de fatias de polvo servidas com batatas, gergelim e aioli. Outra opção é a massa crocante recheada com ricota, panceta e legumes, trazendo diferentes camadas de sabor.

Nos pratos principais, as massas artesanais aparecem em versões clássicas e sofisticadas. O menu traz uma opção com creme de ervilhas e lulas, além de uma versão recheada com ricota de búfala e queijo pecorino ao creme de cogumelos frescos. Para os apreciadores de carnes, a costeleta de vitelo empanada com salada de batatas e o cordeiro assado com fregola e legumes são destaques. Já os fãs de peixes encontram uma opção grelhada, acompanhada de grão-de-bico cozido com molho de tomate e ervas aromáticas.

As sobremesas seguem a linha clássica e equilibrada do cardápio. O menu traz uma torta à base de chocolate branco e limão siciliano, uma massa folhada recheada com maçãs, uvas-passas e especiarias, além de um flan de café, chocolate e amaretto, finalizando a experiência com elegância.

Ao longo de mais de três décadas, o Santo Colomba se consolidou como um espaço onde a tradição da cozinha italiana se mantém viva, preservando o rigor técnico e o cuidado na seleção dos ingredientes. Localizado na Alameda Lorena, 1157, no Jardim Paulista, o Santo Colomba mantém seu compromisso com a tradição e a excelência gastronômica. O menu especial ficará disponível por tempo limitado, e reservas podem ser feitas pelo telefoneO menu especial ficará disponível por tempo limitado, e reservas podem ser feitas pelo telefone (11) 96324-0249 ou pelo Instagram oficial do restaurante (@santocolomba).

Santo Colomba
Alameda Lorena, 1157
Jardim Paulista
São Paulo

Cleonice Gonçalves, primeira vítima da Covid-19 no Brasil, simboliza impacto desproporcional da pandemia sobre a população negra

0
Foto: Reprodução

No último dia 12 de março, a primeira morte por Covid-19 no Brasil completou cinco anos. Cleonice Gonçalves, uma empregada doméstica negra de 63 anos, foi a primeira vítima fatal da doença. A mulher, que trabalhava desde os 13 anos de idade, pode ter contraído o vírus na casa da patroa, que chegou da Itália e estava infectada, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro. A pandemia da Covid-19 colocou a saúde da população mundial em risco, sobretudo a das pessoas negras no Brasil, que foram as que mais morreram, de acordo com estudos publicados no período pandêmico.

A emergência de Covid-19 foi decretada pela Organização Mundial da Saúde em janeiro de 2020, e só em maio de 2023 a OMS estabeleceu o fim do alerta, nesse período, no Brasil, um total de 708.638 pessoas morreram de acordo com o DataSUS. Nesse contexto, a população negra, que foi a que mais morreu e a que menos recebeu vacinas. Outros dois estudos realizados pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde, grupo da PUC-Rio, e outro do Instituto Pólis, mostraram que negros – pretos e pardos, de acordo com a denominação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – morreram mais do que brancos em decorrência da Covid-19 no Brasil. Enquanto 55% dos negros morreram por Covid, a proporção entre brancos foi de 38%. Uma reportagem da Agência Pública revelou a diferença entre negros e brancos vacinados. Ao todo, 3,2 milhões de pessoas que se declararam brancas receberam a primeira dose do imunizante contra a Covid-19. Entre os negros, o número despencava para 1,7 milhão.

Um estudo da Oxfam, de 2021, também apontou que a pandemia foi caracterizada como um possível “genocídio dos mais pobres”, à medida que avançava nas periferias e favelas, onde a população negra é majoritária e, muitas vezes, não podia fazer home office. Como foi o caso de Mirtes Renata, em Recife, Pernambuco, que perdeu o filho, Miguel, porque precisou levá-lo ao trabalho na casa da patroa, Sari Corte Real, onde era empregada doméstica. O menino não morreu de Covid, mas o descumprimento do isolamento social foi determinante.

Mirtes Renata saiu para levar o cachorro da patroa para passear e deixou seu filho sob os cuidados de Sari, que abandonou o menino sozinho no elevador. A criança foi até o nono andar do prédio para procurar pela mãe, Miguel caiu de uma altura de 35 metros e não resistiu aos ferimentos. O caso emblemático que levou Miguel à morte é um retrato de como a classe média brasileira trata os demais trabalhadores, mantendo-os subordinados a jornadas de trabalho mesmo em condições de insalubridade, como no caso da pandemia de Covid-19, que colocou a vida de Mirtes e de Miguel em risco.

Jonathan Majors reflete sobre a infância: “Eu lidei com abuso sexual desde os meus 9 anos”

0
Foto: Frank Ockenfels/THR

⚠️ Alerta de Gatilho: Este conteúdo aborda temas como abuso sexual infantil, violência doméstica e depressão.

Jonathan Majors quebrou o silêncio desde que foi condenado por agressão de terceiro grau e uma acusação de assédio de segundo grau à sua ex-namorada, Grace Jabbari, em abril de 2024. O astro falou pela primeira vez sobre como tem sido a sua jornada de autoconhecimento após ser sentenciado a um programa de violência doméstica de 52 semanas, além de procurar dar continuidade em terapia para lidar com os traumas que sofreu na infância por abuso sexual e o abandono do pai.

“Eu lidei com abuso sexual de homens e mulheres desde os meus 9 anos. De pessoas que deveriam cuidar de você, na ausência de um pai. Eu estava ferrado”, revelou na entrevista ao The Hollywood Reporter. O ator disse que contou à mãe, que se sentiu culpada. “Eu fico tipo, ‘Não é nem um problema, mãe. Eu só quero que você saiba. E agora todos nós podemos ficar ocupados e continuar a nos conectar, crescer e aprender com isso, porque é algo que estava em nossa família’”. Para Majors, enfrentar tudo o que passou levou a entender melhor seu comportamento nos relacionamentos. “Não há desculpas, mas ao obter ajuda, você começa a entender coisas sobre si mesmo”.

Criadora pela mãe, uma pastora, Majors lembra que o seu pai foi embora quando ele tinha 8 anos e só o viu novamente quando ele compareceu para vê-lo se uma apresentação universitária, junto com a sua irmã. “Meu pai é um homem muito bonito, muito gentil, mas tinha algumas qualidades que não eram complementares à vida familiar. Ele era o melhor pai até que não era mais. E quando não era mais, ele se foi”, desabafa. O pai da estrela é um pianista clássico que, na época, estava na Força Aérea.

No ensino médio, chegou a ser expulso por brigar com outros alunos que cometiam bullying contra ele ou seus irmãos. “Parecíamos pobres”, disse. “Éramos bem nômades, indo de escola em escola, de um lugar para outro. Eu tinha um nariz grande. Os caras pegavam no meu pé. E eu fui por muito tempo o estranho”, relatou.

Segundo Majors, apesar de ter praticar diferentes esportes como basquete, boxe e futebol, alguns professores notaram seu talento para o teatro e o ajudaram a trilhar este caminho. “Eu nunca tive um momento em que pensei: ‘Quero ser uma estrela de cinema’. Mas tive o momento em que pensei: ‘Vou atuar pelo resto da minha vida e serei o melhor que puder nisso. Vou me dedicar totalmente a isso’, e eu me dediquei”.

Relembre o caso de Majors e a ex-namorada

No auge da carreira após estrelar ‘Lovecraft Country’, ‘Creed III’ e ‘Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania’, em março de 2023, após passarem uma noite juntos, Majors e sua então namorada estavam no banco de trás de um carro com motorista quando uma mensagem no celular dele desencadeou uma discussão. Segundo o depoimento de Jabbari no julgamento, ao ver um texto que dizia “Oh, como eu queria estar beijando você”, ela tentou pegar o telefone do ator, que reagiu torcendo seu braço direito. Em seguida, ela afirmou ter sentido um forte golpe na cabeça.

Durante o trajeto, o ator pediu que o motorista parasse. Imagens exibidas no tribunal mostram o ele saindo do carro, seguido por Jabbari. Ele então a empurra de volta para o veículo antes de sair correndo. Jabbari pula novamente do carro e o segue. O único testemunho direto foi o do motorista. Ele afirmou que Majors queria se afastar de Jabbari e tentava se desvencilhar dela.

Naquela noite, Majors foi para um hotel, enquanto Jabbari seguiu para uma boate antes de retornar ao apartamento do casal. Na manhã seguinte, o ator a encontrou desacordada no chão do closet e acionou o serviço de emergência. Durante a chamada, reproduzida no tribunal, Majors afirmou: “Não sei. Ela está inconsciente. Ela é minha ex-parceira. Nós terminamos.”

Jabbari foi encaminhada ao Hospital Bellevue com um corte atrás da orelha e um dedo fraturado, além de ter passado por avaliação psicológica. Majors foi preso e acusado de três acusações de agressão de terceiro grau, uma acusação de assédio de segundo grau e uma acusação de assédio agravado, todas contravenções. Apesar da possibilidade de um acordo, ele declarou inocência e alegou que Jabbari foi a agressora. Seus advogados chegaram a registrar uma queixa contra ela, mas o Ministério Público de Manhattan recusou a denúncia.

Retorno aos cinemas

Com o apoio da namorada Meagan Good e de outras estrelas de Hollywood como o amigo Michael B. Jordan e a atriz Whoopi Goldberg, Major agora se prepara para retornar aos cinemas, estrelando ‘Magazine Dreams’, um filme independente que estreia no dia 21 de abril nos Estados Unidos. Aclamado pela crítica, ainda não foi revelado uma data para lançamento no Brasil.

OBS.: Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência doméstica ou suspeita de abuso sexual infantil, é fundamental buscar ajuda. No Brasil, denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100 (Direitos Humanos) e pelo 180 (Central de Atendimento à Mulher). Além disso, delegacias especializadas, conselhos tutelares e o Ministério Público também podem ser acionados. Em casos de emergência, ligue para o 190 (Polícia Militar). A denúncia é um passo essencial para interromper o ciclo da violência e proteger as vítimas.

5ª edição do Festival Justiça por Marielle e Anderson cobra respostas sobre mandantes do crime após sete anos

0

A 5ª edição do Festival Justiça por Marielle e Anderson acontece nesta sexta-feira (14), às 17h, na Praça da Pira Olímpica, no centro do Rio de Janeiro, com uma programação que inclui shows, atividades culturais e debates gratuitos. O evento, organizado pelo Instituto Marielle Franco, marca os sete anos do assassinato da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018.

Neste ano, o festival ocorre após o júri popular que condenou os executores do crime, mas as famílias das vítimas e organizadores do evento seguem cobrando respostas sobre os mandantes do assassinato. Luyara Franco, filha de Marielle e diretora de Legado do instituto, destacou em suas redes sociais seu compromisso para manter vivo o legado deixado pela mãe. “O dia 14 de março nunca será só mais um dia. É memória viva, é resistência, é amor que nem a violência conseguiu silenciar. A cada ano, reafirmo meu compromisso de manter sua história acesa, de não deixar que sua voz se perca, de transformar a saudade em força”.

A programação do festival inclui shows de artistas como Tássia Reis, Rashid, Mc Carol, Grupo No Lance & Eliza, Dance Maré, Os Garotin e Noite das Estrelas, além de atividades culturais e debates. O evento terá transmissão ao vivo.

No sábado (15), parte da programação em homenagem à vereadora ocorre com o lançamento do livro infantil A História de Marielle Franco, escrito pela professora Pamella Passos, integrante do conselho consultivo do Instituto Marielle Franco e comadre da vereadora. O livro narra a trajetória de Marielle, desde sua infância e juventude na Maré até se tornar uma referência na luta pelos direitos humanos. O lançamento acontece na Livraria Eduardo Da Vinci, na Avenida Rio Branco, 185, no centro do Rio, às 10h.

Marielle Franco foi eleita vereadora do Rio de Janeiro em 2016 com mais de 40 mil votos e tornou-se uma das principais vozes no combate ao crime organizado e na defesa dos direitos humanos. Ela e o motorista Anderson Gomes foram executados a tiros na noite de 14 de março de 2018, em um crime que chocou o país. Os executores confessos do crime apontaram Chiquinho Brazão e Domingos Brazão como os mandantes do assassinato. A vereadora era conhecida por seu trabalho contra a milícia e o crime organizado, o que, segundo investigações, teria motivado o atentado.

Serviço
Festival Justiça por Marielle e Anderson
Local: Praça da Pira Olímpica (Rua Primeiro de Março, 76-86 – Centro, Rio de Janeiro)
Horário: 17h
Entrada: Gratuita
Transmissão ao vivo disponível.

O caso Marielle e Anderson segue em aberto, com a sociedade cobrando respostas sobre os mandantes do crime que completa sete anos sem solução definitiva.

Relatório aponta aumento de 12,4% na violência contra mulheres em 2024 e expõe impacto desproporcional sobre mulheres negras

0

Um relatório divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança revelou um aumento de 12,4% nos casos de violência contra mulheres em 2024, nos estados monitorados, em comparação com o ano anterior. Foram registrados 4.181 eventos de violência, sendo que o dado inclui o estado do Amazonas, que passou a integrar a rede em 2024. Quando considerados apenas os estados que já faziam parte da rede em 2023, o número de casos chegou a 3.577, mantendo a mesma taxa de crescimento de 12,4%.

O estudo também destacou que a violência de gênero atinge de forma mais severa as mulheres negras, evidenciando a interseccionalidade entre machismo e racismo. Segundo o relatório, mulheres negras sofrem uma violência “duplicada ou triplicada” devido às múltiplas discriminações que enfrentam, o que as coloca em uma posição de extrema vulnerabilidade.

Dados por estado e desigualdades raciais

Na Bahia, apesar de uma redução geral nos casos de violência contra mulheres, 19,6% das vítimas com raça/cor identificada eram negras, o que reforça o papel do racismo na perpetuação da violência. No Pará, as mulheres negras foram as mais afetadas pelos feminicídios, representando 12 dos 41 casos registrados em 2024. No entanto, a falta de dados raciais consistentes em vários estados dificulta uma análise completa do problema. No Amazonas, por exemplo, 97,5% dos casos não tinham informação sobre raça/cor da vítima, enquanto na Bahia esse índice foi de 73,9%, no Maranhão de 93,7% e no Piauí de 97,2%. No Rio de Janeiro, 33 das 63 vítimas de feminicídio não tiveram sua raça/cor registrada.

Fatores estruturais e desafios

O relatório apontou diversos fatores que contribuem para a violência contra mulheres, como a persistência de uma sociedade machista, a centralidade da figura masculina como agente das violências e a interseccionalidade com outras formas de opressão, como racismo, homofobia e transfobia. Mulheres trans, indígenas e com deficiência também foram destacadas como grupos especialmente vulneráveis.

No estado de Pernambuco, o relatório destaca que, entre os nove estados monitorados, é a região do país que registrou mais casos de transfeminicídio entre todos os estados – seis do total de 12. O relatório também aponta que mulheres trans são especialmente vulnerabilizadas pelas violências institucionais, que dificultam a denúncia e o acesso à rede de proteção e até mesmo à coleta de dados.

Dados gerais

  • Aumento geral da violência: Houve um aumento geral de 12,4% nos eventos de violência contra mulheres nos estados monitorados em 2024, excluindo o Amazonas que não fazia parte da rede em 2023.
  • São Paulo registrou o maior número absoluto de eventos de violência contra mulheres, com 1.177 casos, um aumento de 12,4% em relação a 2023.
  • O Rio de Janeiro teve 633 casos, um aumento de 12 em relação ao ano anterior.
  • Os maiores aumentos percentuais foram observados no Maranhão (87,2%) e no Pará (73,2%). O Ceará também apresentou um aumento significativo de 21,1%, sendo o período mais violento nos últimos sete anos. O Piauí registrou um aumento de 17,8%.
  • A Bahia e Pernambuco apresentaram redução nos números de violência contra mulheres. A Bahia teve uma redução de 30,2%, e Pernambuco, de 2,2%. Apesar da redução, Pernambuco foi o segundo estado com mais mortes de mulheres (feminicídio, transfeminicídio e homicídio).

Feminicídio e Transfeminicídio:

  • Foram registrados 531 casos de feminicídio nos estados monitorados em 2024.
  • São Paulo teve o maior número de feminicídios monitorados entre os nove estados.
  • O Maranhão teve 54 vítimas de feminicídio, com 85,2% dos casos sendo cometidos por parceiros e ex-parceiros.
  • No Pará, 39,0% dos 41 feminicídios vitimaram mulheres de 18 a 39 anos, e parceiros ou ex-parceiros foram responsáveis por 26 desses casos.
  • Em Pernambuco, parceiros e ex-parceiros foram os autores de 35 dos 69 feminicídios. O estado também registrou seis transfeminicídios, o maior número entre os estados monitorados.
  • No Piauí, foram registrados 36 feminicídios e 57 tentativas.
  • Na Bahia, 34 dos 46 feminicídios não tiveram identificação de raça/cor.
  • No Ceará, houve 45 casos de feminicídio em 2024.
  • O Amazonas registrou 33 feminicídios em 2024.

Violência Sexual e Estupro:

  • Houve um aumento de 70,5% nos crimes de violência sexual e estupro nos estados monitorados.
  • No Amazonas, dos 604 eventos de violência registrados, 229 envolveram violência sexual. Alarmantemente, 84,2% das vítimas de violência sexual no Amazonas tinham de 0 a 17 anos.
  • O Rio de Janeiro registrou 103 eventos de violência sexual.
  • Em São Paulo, a violência sexual representou uma parcela significativa das qualificadoras, com 213 casos.
  • O Maranhão teve 61 casos de violência sexual.

Outras formas de violência:

  • Houve um incremento de 22,1% nos homicídios e 3,1% nas tentativas de feminicídio e agressões físicas nos estados monitorados.
  • Em Pernambuco, foram registradas 87 tentativas de feminicídio e agressões físicas, além de 92 homicídios. 129 eventos de violência no estado envolveram arma de fogo.
  • O Ceará teve 80 casos de homicídio e de tentativa.
  • No Pará, foram registrados 96 casos de agressão com arma de fogo e 95 com facas e objetos cortantes. O estado também teve 69 homicídios de mulheres.
  • Em São Paulo, os crimes com intenção letal (feminicídios, homicídios e tentativas) totalizaram 69,6% dos casos. 53 feminicídios em São Paulo foram cometidos com objetos cortantes.
  • O Rio de Janeiro apresentou a particularidade de ter 20,3% dos eventos violentos cometidos por agentes da segurança pública.

Dificuldade de acolhimento institucional às vítimas de violência

A falta de políticas públicas eficazes e a dificuldade de acesso a serviços de denúncia, como as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), foram apontadas como barreiras significativas. Além disso, a morosidade do sistema judiciário, a impunidade dos agressores e a falta de treinamento adequado para profissionais da segurança pública e saúde contribuem para a subnotificação e a perpetuação do ciclo de violência.

O relatório reforça a necessidade de políticas públicas que considerem as especificidades das diferentes formas de violência, especialmente aquelas que afetam mulheres negras e outros grupos vulneráveis. A falta de dados raciais consistentes e a subnotificação de casos são desafios que precisam ser superados para que haja uma resposta mais eficaz do Estado.

A Rede de Observatórios da Segurança destacou ainda a importância da luta feminista na visibilização das violências e na conquista de direitos, mas alertou para a necessidade de maior investimento em serviços de apoio às vítimas e em ações de conscientização masculina. “A violência de gênero é um fenômeno complexo que exige respostas igualmente complexas e intersetoriais”, concluiu o relatório.

FOTO 3X4: Mestre Markinhos, mestre de bateria e agente comunitário

0
Foto: @photoclubber @riotur.rio

Texto: Rodrigo França

Nas ruas de São Gonçalo, nasceu um menino que seria feito de ritmo e resistência. Criado entre o morro do Salgueiro e a Piedade, forjado no amor de uma mãe que soube ser rocha e de um pai que fez do tambor seu verbo, Mestre Markinhos (@mstmarkinhos) cresceu aprendendo que a vida se faz na cadência. Mas, no compasso de sua história, não bastava apenas tocar: era preciso afirmar-se, ser e existir com todo o brilho e força de quem carrega um legado e constrói outro.

Desde pequeno, sua sina era o samba. Quando pegou o chocalho, instrumento que muitos viam com desdém, já enfrentava os primeiros olhares tortos. “Filho de mestre tem que ser surdo, repique, caixa!” – diziam, sem entender que a grandeza do ritmo está na soma de cada batida, no entrelaçar dos sons que constroem a festa e a fé de um povo. Markinhos fez do chocalho seu estandarte, mas não demorou para que as críticas mudassem de tom. Já não se tratava mais do instrumento, e sim do corpo que vestia sua verdade. Cabelo solto, salto alto, trejeitos que a sociedade insiste em tentar encaixar em normas invisíveis. Mas Markinhos nunca pediu licença para ser. Ele chegou, ocupou e brilhou.

Na bateria, o destino já estava traçado. A escola mirim foi a primeira avenida, mas foi ao lado do pai, Mestre Marcão, que ele aprendeu o rigor e a paixão de comandar um coração pulsante de ritmo. Tornou-se diretor de bateria ainda jovem e, desde então, não largou mais o bastão. Quem vê o Paraíso do Tuiuti ressoar pela Sapucaí sabe que ali há um mestre que rege com alma, com corpo, com entrega. E faz isso no salto – não apenas o de doze centímetros, mas o salto histórico de um menino que ousou ser diferente num espaço que tantas vezes rejeitou o que não se encaixa.

Foto: @s1carnaval @s1fotografiaecomunicacao

Mas Markinhos não é só carnaval. No dia a dia, o batuque se transforma em cuidado. No posto de saúde próximo de casa, ele é agente comunitário, escutando histórias, amparando vidas, sendo ponte entre a comunidade e a dignidade. Essa dualidade é sua marca: no asfalto, no morro, na avenida ou no consultório improvisado do SUS, ele sabe que sua missão é maior do que apenas tocar. Seu sonho não é só o de ver a bateria ecoando pelo mundo – é o de garantir que sua família esteja bem, que seu espaço esteja firmado, que sua presença seja um manifesto de liberdade.

Seus pés, que já pisaram ao lado de Madonna, seguem firmes no chão da sua ancestralidade. Markinhos carrega o axé dos seus, a força de sua mãe incansável, o legado de um pai resiliente, a proteção de uma tia que lhe deu lar. Suas referências são muitas: as irmãs, as sobrinhas, os ícones da música, da política, das lutas que ampliam caminhos para outros corpos e vozes.

E se há um legado que ele quer deixar, é esse: a certeza de que ele foi inteiro, sempre. Que não há por que pedir permissão para ser o que se é. Que ninguém tem o direito de decidir que versão de si mesmo merece existir. Markinhos rege uma bateria, mas também rege sua própria história. E quem ousar desviar o olhar, cedo ou tarde, vai precisar aplaudir.

Alan Rocha reflete sobre ética jornalística e coragem de seu personagem, ‘Flávio Godoy’, no filme “Vitória”: “Um ensinamento bonito para todos nós”

0
Foto: Reprodução

Em “Vitória”, filme que estreia nesta quinta-feira (13) nos cinemas brasileiros, Alan Rocha vive Flávio Godoy, um jornalista inspirado no repórter Fábio Gusmão, autor do livro “Dona Vitória da Paz”, que deu origem ao longa. Em entrevista ao Mundo Negro, o ator falou sobre os desafios de interpretar um personagem real e a importância de retratar com respeito a história de Joana Zeferino da Paz, idosa que denunciou um esquema de tráfico de drogas no Rio de Janeiro.

Dirigido por Andrucha Waddington e com Fernanda Montenegro no papel de ‘Vitória da Paz’, o filme retrata a coragem de Joana, que, em 2005, gravou cenas de traficantes armados vendendo drogas na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana e também registrou a omissão de policiais militares que faziam “vista grossa” para o crime organizado. Com a ajuda do jornalista Fábio Gusmão, as imagens foram entregues à Polícia Civil e a reportagem divulgada, resultando na prisão de mais de 30 pessoas. No entanto, Joana passou 17 anos no Programa de Proteção à Testemunha, mantendo-se no anonimato até sua morte, em 2023.

Alan Rocha, que interpreta o jornalista, que ao lado de Joana conseguiu expor os crimes, destacou a complexidade do personagem: “O Flávio Godoy é um profissional que, ao mesmo tempo em que busca a notícia, tem um cuidado enorme com a pessoa por trás da história. Ele não publica as fitas imediatamente; primeiro, garante que Joana esteja protegida. Isso mostra o respeito ao próximo e à profissão”, explicou o ator.

“O respeito dele em não publicar logo, em ter um cuidado, ter um zelo de saber que ela estaria totalmente protegida é um dos ensinamentos mais bonitos que eu vejo do Flávio nessa história. O respeito ao próximo, o respeito com a sua profissão, o respeito com a sua história e com o que ele poderia oferecer ao público fosse feito de uma forma mais honesta e mais sincera possível dentro desse respeito e desse laço que ele criou com a Dona Nina”, diz o ator ao lembrar como o jornalista Fábio Gusmão, que inspirou seu personagem Flávio Godoy, foi cuidadoso com a apuração dos fatos e ao garantir que Joana da Paz tivesse sua identidade protegida e ganhasse proteção do Estado antes da denúncia chegar à imprensa.

Para preparar o papel, Rocha buscou se aproximar do universo do jornalismo e do próprio Fábio Gusmão, que inspirou o personagem. “Eu pedi para a produção me colocar em contato com o Fábio. Queria entender o lugar dele na história, sua seriedade e comprometimento. Ao mesmo tempo, tive que acessar o Flávio mais jovem, que era menos experiente na época dos fatos”, contou.

O ator também ressaltou a evolução da relação entre Flávio Godoy e Joana ao longo do filme. “No início, ele vê nela uma fonte importante para uma grande reportagem, mas, com o tempo, percebe que está lidando com uma pessoa que precisa de proteção. A relação deles vai se transformando em algo afetivo, porque ele passa a se preocupar genuinamente com ela”, disse Rocha.

A história real de Joana, que comprou uma câmera com suas economias para documentar o crime organizado em seu bairro, impressionou o ator. “Ela era uma mulher comum, aposentada, que decidiu agir para ter paz. Sua coragem é inspiradora, especialmente em uma época em que não havia celulares para documentar crimes como hoje”, afirmou.

“A gente hoje em dia passa por momentos como esses. Mas temos nosso celular para poder mostrar muito do que vem acontecendo no Brasil de crime, de violência, de crime, de racismo e tantas outras coisas. Então eu acho que esse filme, quando mostra essa mulher, mostra a sua força, mostra a sua coragem nessa época, que não tinha como provar como hoje. Mostra que a gente tem que cada vez mais como nos proteger, nos resguardar e usar essa ferramenta como arma também para poder nos proteger e proteger os nossos também”, destacou.

Rocha também destacou a importância do filme para refletir sobre o papel do jornalismo investigativo. “O Flávio Godoy mostra que é possível fazer um trabalho sério, com ética e respeito. Ele não expõe Joana; ele a protege. Isso é um ensinamento bonito para todos nós”, disse.

Momento emblemático em cena

Ao falar sobre um momento especial vivenciado no set de gravações, Alan Rocha lembrou de um discurso de Fernanda Montenegro, que enalteceu o trabalho e o caminho de mais de 15 nos percorrido desde que a ideia de gravar o filme começou a ser desenvolvida até chegar à gravação da última cena: “Teve um momento muito emblemático para todos nós, tanto para mim como para a equipe, foi no último dia de cena. Dona Fernanda quando acabou deu um discurso tão bonito, falando do caminho que o filme percorreu até aquele momento, desde o Breno, desde um monte de coisa que foi acontecendo nesse percurso e da do Andrucha ter pego o filme e também do quanto que a gente, que a nossa cultura vem sofrendo. Então ela traz esse lugar, traz a questão de a gente estar ali com o final. E mesmo que vacinados, tinha toda a questão de pegar Covid também. A cultura vem fazendo trabalhos lindos, então ela traz isso também e o cinema vem fazendo vários trabalhos lindos, a prova disso é o ‘Ainda estou aqui’ e agora a ‘Vitória’ para que a nossa cultura seja cada vez mais valorizada. E que os patrocínios possam chegar de forma que venham fortes porque a cultura é o que move a todos nós, move um país e a gente precisa acreditar nisso e levar a cultura cada vez mais a sério”.

Além de Alan Rocha e Fernanda Montenegro, o elenco de “Vitória” inclui Linn da Quebrada, Laila Garin e Thawan Lucas. O filme é um tributo à coragem de Joana Zeferino da Paz e um alerta sobre a importância de proteger aqueles que lutam por justiça. Para Rocha, a mensagem que fica é clara: “Precisamos valorizar histórias como a de Joana e profissionais como o Flávio, que fazem a diferença com integridade”.

error: Content is protected !!