A capoeira, expressão cultural afro-brasileira que mistura luta, dança e música, percorreu uma trajetória histórica marcada pela resistência e pela busca por reconhecimento. Criminalizada pelo Código Penal de 1890 como símbolo de insubordinação negra, a prática enfrentou décadas de repressão e estigmatização antes de ser celebrada como Patrimônio Cultural do Brasile daHumanidade. Até ganhar, um novo capítulo com a obrigatoriedade do ensino da capoeira nas escolas, uma conquista que reflete a força e a persistência de seus mestres e praticantes em transformar uma herança de luta em instrumento de educação e cidadania.
Veja a cronologia abaixo:
Aprovado dois anos depois da abolição, o Código Penal de 1890 punia a capoeira com pena de até três anos de prisão. Se o capoeirista fosse estrangeiro, a pena era de deportação.
Cerca de 1824 (Pintura: Augustus Earle)
Em 1932, com a aprovação da Consolidação das Leis Penais, a capoeira continuou sendo tratada como delito, ao lado da mendicância, vadiagem e desordem.
Foto: Divulgação
Vista como uma forma de insubordinação e sublevação negra, a capoeira sempre esteve associada à religiosidade de matriz africana, inclusive pelo uso de atabaque, ritmos, cantigas etc.
Foto: Divulgação
Em 1940, com a aprovação do Código Penal vigente, a capoeira deixou de ser crime. Foram mantidas as infrações penais de mendicância e vadiagem.
Foto: Lita Cerqueira
Em 2008, como resultado da heroica e incessante luta dos mestres de capoeira, a “Roda de Capoeira” foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Também em 2008 o Estado brasileiro reconheceu o “Ofício dos Mestres de Capoeira” como Patrimônio Cultural do Brasil.
Foto: Bruna Laja/Divulgação
Em 2014 a UNESCO/ONU elegeu a “Roda de Capoeira” como Patrimônio Cultural da Humanidade
Foto: Casa Mestre Ananias
Em 2015 os tribunais brasileiros decidiram que o “Instrutor de Capoeira” não precisa de registro nos Conselhos de Educação Física
Foto: Prefeitura do Rio
Em 2021 o município de São Paulo aprovou uma lei tornando obrigatório o ensino da capoeira e a contratação de mestres de capoeira para ministrarem a disciplina.
Foto: Marcello Casals Junior/Agencia Brasil
Há muito a ser feito até que leis como essa tenham validade na prática. Mas isso não invalida o que disse Caetano Veloso: “o grande vencedor, se ergue além da dor!!!”
Foto: Rede de Capoeira
Texto: Hédio Silva Jr., Advogado, Doutor em Direito, fundador do Jusracial e Coordenador do curso “Prática Jurídica em casos de Discriminação Racial e Religiosa”
O Brasil registrou, em 2023, os menores índices de pobreza e extrema pobreza já registrados pela Síntese de Indicadores Sociais, pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) desde 2012. Apesar da queda, a desigualdade racial permanece evidente: enquanto 17,7% dos brancos viviam na pobreza, as taxas entre pardos e pretos foram de 35,5% e 30,8%, respectivamente. A disparidade também se reflete na extrema pobreza, com apenas 2,6% dos brancos vivendo nessa condição, em comparação com 6% dos pardos e 4,7% dos pretos.
Os dados, divulgados nesta quarta-feira (4), mostram que 58,9 milhões de pessoas ainda enfrentavam condições de pobreza, e 9,5 milhões estavam em extrema pobreza. A pesquisa considera como pobres aqueles com rendimentos inferiores a US$ 6,85 por dia (R$ 665 mensais), e como extrema pobreza, os que vivem com menos de US$ 2,15 por dia (R$ 209 mensais), critérios estabelecidos pelo Banco Mundial.
A proporção de brasileiros na extrema pobreza terminou em 4,4% no ano passado, contra 5,9% em 2022 e 6,6% em 2012. Isso significa que 3,1 milhões de pessoas deixaram essa condição no último ano. Já a pobreza atingiu 27,4% da população, uma redução em relação aos 31,6% de 2022 e aos 34,7% registrados em 2012. Nesse intervalo, 8,7 milhões de brasileiros superaram a linha de pobreza.
Mulheres e jovens também se destacam nos dados levantados. Mulheres apresentam maior incidência de pobreza (28,4%) e extrema pobreza (4,5%) em comparação aos homens (26,3% e 4,3%).
Entre crianças e adolescentes de até 15 anos, 44,8% vivem em condições de pobreza, taxa muito superior à média nacional de 27,4%. Entre jovens de 15 a 29 anos, o índice é de 29,9%. Por outro lado, idosos com mais de 60 anos têm os menores índices de pobreza (11,3%) e extrema pobreza (2%), reflexo do acesso a aposentadorias e pensões vinculadas ao salário mínimo.
O Governo Federal apresentou, nesta terça-feira (3), o Plano de Comunicação pela Igualdade Racial (PCIR), uma iniciativa pioneira para combater o racismo e promover a inclusão racial na administração pública federal. O lançamento, realizado na sede do Ministério da Igualdade Racial (MIR), em Brasília, contou com a presença da ministra Anielle Franco, do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação do Governo, Paulo Pimenta, e outras autoridades.
O plano, elaborado ao longo de sete meses por um Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), é resultado de um processo de escuta qualificada que envolveu movimentos sociais, especialistas e consulta pública. Com 19 ações prioritárias, o PCIR foca em seis eixos principais, como diversidade na publicidade, combate ao racismo digital, fortalecimento das mídias negras e capacitação em relações étnico-raciais para agentes públicos.
A ministra Anielle Franco destacou o caráter transformador do plano, ressaltando sua importância para uma comunicação mais justa e representativa. “Produzir uma comunicação para a igualdade racial na administração pública é essencial para fortalecer a democracia e o respeito a partir da comunicação. Esse plano é ponto de partida fundamental para avançarmos numa comunicação que seja mais igualitária e nos represente, que mostre a realidade do nosso país, a diversidade, nossa máxima potência”, declarou.
Um dos destaques do PCIR é o fortalecimento das mídias negras, incluindo a criação de uma incubadora de tecnologia, apoio financeiro e capacitação técnica para o registro no Mídiacad. O Mundo Negro, principal portal de notícias sobre a população negra na América Latina, foi citado como um dos participantes do processo de escuta.
Outro ponto estratégico do plano é o combate ao racismo digital, com medidas para fortalecer mecanismos de denúncia e promover a educação midiática. O ministro Paulo Pimenta reforçou o compromisso do governo em enfrentar essas questões: “Estamos desenvolvendo práticas de respeito à diversidade étnico-racial dos brasileiros e brasileiras e esse plano tem a equidade como premissa de cidadania. Também reafirma o compromisso com o combate ao discurso de ódio, ao racismo e outras formas de discriminação”, afirmou.
O PCIR não só busca transformar a comunicação governamental, mas também valoriza a participação ativa da sociedade civil. A criação de um Comitê de Acompanhamento para monitorar a implementação do plano foi anunciada, assegurando que as vozes da população negra sejam centrais na formulação de políticas públicas de comunicação. “Esse é um passo importante para que as vozes da população negra sejam ouvidas e consideradas na formulação de políticas públicas de comunicação”, concluiu a ministra.
As cenas de um policial militar jogando um homem negro de uma ponte em Carapicuíba, São Paulo, e o assassinato de um motociclista em Pernambuco após um policial se recusar a pagar R$ 7 por uma corrida de aplicativo revelam a brutalidade e o desprezo pela vida que sustentam a política de segurança pública no Brasil. Esses casos, longe de serem “excessos” ou desvios, são sintomas de uma estrutura historicamente forjada para reprimir, controlar e exterminar pessoas negras. Como bem apontou Abdias do Nascimento em seu clássico “O Genocídio do Negro Brasileiro”, vivemos sob um Estado que naturaliza e promove o extermínio da população negra, num processo que combina racismo estrutural, desumanização e indiferença social.
A criação da Polícia Militar no Brasil remonta ao período imperial, com a formação de milícias voltadas para conter levantes de escravizados e proteger as elites agrárias. Com o fim da escravidão, em 1888, e a abolição formal do regime escravocrata, a estrutura policial foi reconfigurada para manter a ordem racial e social. A repressão mudou de forma, mas não de objetivo: os antigos escravizados e seus descendentes foram lançados à marginalização e vistos pelo Estado como inimigos em potencial. Durante a ditadura militar, a PM foi consolidada em sua lógica bélica, sendo concebida não para proteger cidadãos, mas para sufocar insurgências, principalmente as das classes populares e racializadas.
Hoje, o Brasil tem uma das polícias mais letais do mundo. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2023, mais de 80% das pessoas mortas por agentes policiais eram negras. Entre os jovens assassinados no país, 77% também são negros, segundo o Atlas da Violência. Essa violência, endossada por discursos que legitimam o “uso da força”, é especialmente estimulada por governadores como o de São Paulo, que tem adotado uma retórica ostensivamente belicista. A ideia de que “bandido bom é bandido morto”, que permeia a sociedade e o poder público, traduz-se em execuções sumárias e abusos como os de Carapicuíba. O bandido, ou o suposto bandido que merece ser morto, quase sempre é o negro. Já o criminoso de colarinho branco é amplamente protegido por um sistema que o favorece, desde a abordagem policial até as instâncias jurídicas, perpetuando a seletividade da justiça e reafirmando o racismo.
A naturalização da violência é um dos maiores triunfos do racismo. A sociedade brasileira aprendeu a aceitar, e muitas vezes a aplaudir, a morte de pessoas negras, especialmente quando mediada por uma farda. O genocídio da população negra não é apenas físico, mas também simbólico. Ele se manifesta na criminalização da pobreza, na exclusão dos espaços de poder e na desumanização cotidiana. Vidas negras são descartáveis, como exemplificam os casos recentes. No Brasil, a vida de uma pessoa negra, seja ela um homem jogado de uma ponte ou um trabalhador executado por causa de uma dívida irrisória, vale menos que o custo de um almoço. Tal lógica genocida também se expressa no encarceramento em massa. Jovens negros são as maiores vítimas de um sistema penal que pune seletivamente. O Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo, com mais de 835 mil presos. Destes, 66,7% são negros. A prisão, assim como o assassinato, é mais uma ferramenta de controle, reafirmando a herança colonial que criminalizava a presença negra nos espaços públicos após a abolição.
A violência policial e o genocídio não se sustentam sem o apoio, direto ou velado, da sociedade. Grande parte da população brasileira foi condicionada a acreditar que a segurança pública é sinônimo de repressão, e não de prevenção. O caso em Pernambuco, em que um policial militar assassinou um trabalhador por R$ 7, é uma demonstração crua de como a banalidade da perversidade opera em todos os níveis da vida cotidiana. Não foi apenas um ato individual, mas a culminação de um sistema que legitima o uso da força como resposta para qualquer conflito, mesmo os mais triviais.
Esses episódios escancaram a falência ética e moral de uma sociedade que tolera, quando não incentiva, a barbárie. Chegamos ao ponto em que uma corrida de aplicativo pode custar uma vida, e em que a violência se torna o principal mediador das relações humanas. É urgente denunciar essa lógica, que, como já apontava Abdias do Nascimento, não é um acidente, mas uma política deliberada de extermínio.
A transformação passa pelo desmonte desse modelo de segurança pública genocida e pela construção de um sistema que proteja todas as vidas, em vez de destruí-las. Isso exige enfrentar o racismo que permeia as instituições brasileiras e reimaginar o papel da polícia na sociedade. Não é uma tarefa fácil, mas é indispensável. Enquanto o Estado e a sociedade permanecerem indiferentes, a lista de vítimas continuará a crescer, não haverá democracia e a brutalidade será a regra, não a exceção.
Em audiência na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, o deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) fez duras críticas à escalada de violência policial no Brasil. Durante sua fala, na última terça-feira, 3, o parlamentar descreveu episódios recentes de abuso de força por agentes do Estado como “barbárie” e “fracasso ético civilizatório”, alertando para os riscos de naturalização da violência na sociedade brasileira.
As críticas do deputado ganharam destaque diante do episódio em que um policial militar foi flagrado arremessando um homem de uma ponte em Diadema, Grande São Paulo, na segunda-feira, 2. O caso foi repudiado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), que anunciou a abertura de investigações para apurar as circunstâncias e responsabilizar os envolvidos.
Henrique Vieira condenou a banalização de discursos que justificam ações violentas como essa. “Estamos a um passo da barbárie quando opiniões que legitimam execuções extrajudiciais começam a ganhar espaço no debate público. Isso é a banalização do mal e um retrocesso civilizatório sem precedentes”, afirmou.
Dados divulgados recentemente apontam para um aumento alarmante nas mortes causadas por policiais militares em São Paulo. De acordo com o portal g1, entre janeiro e novembro de 2024, 673 pessoas foram mortas por PMs no estado, uma alta de 46% em relação ao mesmo período de 2023. O número reflete uma média de duas mortes por dia, das quais 85% foram causadas por policiais em serviço.
Casos de violência policial registrados nos últimos meses chamaram atenção pela brutalidade e repercutiram negativamente junto a entidades de direitos humanos. Entre os episódios recentes estão a execução de um jovem negro em frente a um mercado, o assassinato de um estudante de medicina durante abordagem e a morte de uma criança de 4 anos durante troca de tiros.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, sob gestão de Macaé Evaristo, reiterou que as forças de segurança devem atuar em conformidade com protocolos que garantam o respeito aos direitos humanos. Em nota, o órgão reforçou que qualquer desvio de conduta precisa ser investigado com rigor para assegurar a confiança na polícia e a proteção da sociedade.
O MDHC também destacou a importância do canal de denúncias Disque 100, que acolhe relatos de violência institucional de forma anônima e gratuita. A iniciativa busca garantir que casos como o de Diadema não fiquem impunes e que sejam adotadas medidas para coibir abusos futuros.
Ao concluir sua fala, o Pastor Henrique Vieira cobrou do Ministério da Justiça e da Segurança Pública ações mais efetivas no controle externo das forças policiais. “Precisamos proteger os bons policiais e combater a organização criminosa que, muitas vezes, cresce dentro das próprias corporações”, pontuou.
Na noite da última terça-feira, 3, o Prêmio Multishow consagrou Liniker como grande destaque da edição 2024, realizada no Rio de Janeiro. A cantora de Araraquara, interior de São Paulo, levou quatro prêmios, incluindo os cobiçados Álbum do Ano, por Caju, e Artista do Ano, além de vencer nas categorias MPB e Capa do Ano, confirmando seu protagonismo na música brasileira.
Em seu discurso ao receber o prêmio de Artista do Ano das mãos de Kenya Sadee e Tony Tornado, Liniker emocionou ao destacar a luta por reconhecimento: “Eu agradeço imensamente pela possibilidade de ser ouvida na realidade de um país que silencia e amordaça de forma transparente tantas pessoas, sentimentos, realidades, como a que molda o que eu sou, e que sempre só pensou em sonhar e poder se nutrir do próprio sonho, mesmo sendo o Brasil essa imensidão potente e explosiva que somos, ser reconhecida como uma vencedora nessa categoria, com esse disco que eu sonhei primeiro sozinha e depois construí com tantas outras mãos, aponta não só ao futuro, mas brinda o presente com o melhor que eu pude fazer para mim no resgate de acreditar em quem eu sou e me permitir existir”.
A cantora agradeceu à equipe que contribuiu para a produção de Caju e celebrou as pessoas que se reconhecem em suas músicas. Ela também comemorou o impacto de seu trabalho agradecendo também à Orixá Oyá pela vitória: “Obrigada Multishow e principalmente Oyá por me renascer de novo para acolher com dignidade tudo que plantei e me lembrar todos os dias que meu nome não é Liniker à toa. Viva Caju!”
Outro momento marcante foi a performance de Liniker com “Veludo Marrom”, acompanhada por orquestra e coro, arrancando aplausos de pé do público.
Anitta foi outro nome forte da cerimônia, vencendo Melhor Clipe TVZ, com Mil Veces, e Funk do Ano, com Joga Pra Lua. A artista ainda recebeu o inédito Troféu Vanguarda, em homenagem à sua trajetória. Ivete Sangalo, ao lado de Ludmilla, levou o prêmio de Axé e Pagodão, com o hit Macetando.
Gloria Groove venceu em Samba/Pagode, com Nosso Primeiro Beijo, enquanto Lauana Prado conquistou dois troféus com Escrito nas Estrelas. Viviane Batidão também marcou presença ao vencer a categoria Brasil, com uma celebração à cultura paraense.
Confira a lista completa de vencedores:
Instrumentista: Amaro Freitas Capa: Liniker Produção Musical: Pretinho da Serrinha Arrocha: Só Fé (Grelo) MPB: Liniker, por Caju Melhor Clipe TVZ: Mil vezes (Anitta) Funk: Joga pra Lua (Anitta, Dennis e Pedro Sampaio) Brega: Daqui pra sempre (Manu Bahtidão e Simone Mendes) DJ: Alok Rock: Do tamanho da vida (Barão Vermelho e Cazuza) Show do Ano: Super turnê/Rock in Rio (Jão) Hit do ano: Escrito nas Estrelas (Lauana Prado) Samba/Pagode: Nosso primeiro beijo (Gloria Groove) Brasil: Viviane Batidão Sertanejo: Escrito nas Estrelas (Lauana Prado) Forró e Piseiro: Casca de Bala (Thullio Milionário) Revelação: Zaynara Axé e Pagodão: Macetando (Ivete Sangalo e Ludmilla) Música Urbana: A dança (MC Hariel e Gilberto Gil) Pop: São Amores (Pabllo Vittar) Gospel: Benções que não têm fim (Isadora Pompeo) Álbum: Caju (Liniker) Artista: Liniker Troféu Vanguarda: Anitta
Nesta terça-feira (3), a tenista Serena Williams, de 43 anos, negou rumores de que teria clareado a pele e chamou as acusações de “ridículas”. Durante uma live no Instagram, a recordista de 23 títulos de Grand Slam aproveitou um tutorial de maquiagem para sua marca, Wyn Beauty, para abordar o assunto e reafirmar seu orgulho como mulher negra. “Eu sou uma mulher negra, de pele escura, e amo quem eu sou e como eu me vejo”, declarou.
Os rumores começaram após Serena compartilhar um vídeo em um evento escolar de sua filha Olympia, de 7 anos, no final de novembro. A tenista explicou que estava usando maquiagem de palco para a ocasião. “Estava voluntariando na peça da minha filha e gravei o vídeo com maquiagem apropriada para o palco. Estou falando sobre isso porque é absurdo”, afirmou.
Serena ainda destacou que a variação de tons de pele é natural. “Existe algo chamado luz do sol, e nessa luz, a pele pode parecer de diferentes tons”, explicou. Ela também enfatizou que respeita quem opta por clarear a pele, mas reforçou que essa não é uma prática com a qual se identifica. “Eu não julgo, mas vocês sim. Quero deixar claro: eu não clareio minha pele”, concluiu.
Além de desmentir as especulações, a atleta ressaltou o impacto que essas críticas podem ter. “Sim, estou chamando a atenção para isso porque é um tipo de julgamento que não deveria existir. Amo quem eu sou e estou bem com a minha aparência”, disse a tenista.
Serena tem usado sua plataforma para compartilhar momentos de autocuidado e reflexões sobre autoestima. Em junho, ela postou um vídeo recebendo um tratamento de radiofrequência em Paris, voltado para tonificar o abdômen após as gestações. “Meu corpo nunca será o mesmo, mas eu também não sou a mesma, porque tenho duas luzes incríveis na minha vida”, escreveu, referindo-se às filhas Olympia e Adira, de 15 meses.
Com declarações firmes e exemplos de autocuidado, Serena segue reforçando sua identidade como mulher negra e utilizando sua voz para desmistificar especulações e promover o amor-próprio. A tenista continua sendo uma referência dentro e fora das quadras, inspirando seguidores ao redor do mundo.
Kerry Washingtonganhou uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood por suas conquistas na televisão, nesta segunda-feira (2). Durante a homenagem, a atriz apareceu junto aos seus pais Earl e Valerie Washington, seus amigos Tyler Perry, Shonda Rimes, entre outros.
“Aqui estamos, mãe, pai, vocês acreditam? Uma estrela de verdade. Vocês fizeram um pedido e ele se tornou realidade”, celebrou a artista, ao fazer um discurso agradecendo sua família pelo momento especial, e por permitirem que ela “sonhasse” e “corresse atrás”.
“Agora estou girando em uma galáxia de outras estrelas, todas encorajando umas às outras a brilhar intensamente e iluminar o caminho para os sonhos de outra pessoa”, disse.
Foto: Reprodução/Instagram
“É divertido para mim imaginar uma criança com o sobrenome Washington, ou talvez o primeiro nome, Kerry, usando sua pose em uma selfie para cobrir metade do meu nome e abrir espaço para seu legado”, comentou ao relembrar do seu tio Cliff fazer essa cena há décadas atrás, feliz por ver o nome ‘Moss’, mesmo nome da mãe dele de solteira.
Vencedora do Emmy como produtora, Washington também já foi indicada como melhor atriz ao SAG e ao Globo de Ouro, sendo super aclamada por seu trabalho em cinema, televisão, teatro, mídia digital, entre outros.
Seu grande sucesso foi pelo papel de Olivia Pope na série ‘Scandal’, se tornando a primeira mulher negra a estrelar um drama de TV desde 1974. Ao longo das sete temporadas, Washington recebeu duas indicações ao Emmy, uma ao Globo de Ouro, uma ao SAG e dois NAACP Image Awards.
Entre as novidades, Kerry Washington também está estrelando ‘Batalhão 6888’, o novo filme de Tyler Perry que conta a história de heroínas negras da Segunda Guerra Mundial e estreia na Netflix em 20 de dezembro.
Durante um discurso histórico em Luanda, Angola, nesta terça-feira (3), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou: “O futuro do mundo está aqui, na África.” O líder americano anunciou um pacote de mais de US$ 1 bilhão em ajuda humanitária voltado para atender a crises de fome, deslocamento e insegurança alimentar em 31 países do continente.
Parte do financiamento, cerca de US$ 823 milhões, será direcionada pela USAID para combater a fome, enquanto US$ 186 milhões serão destinados a outras necessidades humanitárias urgentes, sob gestão do Departamento de Estado. O compromisso de Biden reforça o papel estratégico do continente africano, descrito pelo presidente como o local que, em 20 anos, poderá se tornar a maior economia global.
Além da ajuda humanitária, Biden destacou parcerias significativas entre os EUA e Angola, como o Corredor do Lobito, investimentos em energia solar e projetos voltados à segurança alimentar. “Estamos preparados para ouvir e apoiar soluções que atendam às reais necessidades do continente, transformando parcerias em ações concretas”, afirmou.
O presidente João Lourenço celebrou o encontro, ressaltando a importância da cooperação com os Estados Unidos para atrair investimentos diretos e fomentar o comércio. Projetos estratégicos, como o Corredor do Lobito e parques solares, foram citados como exemplos do impacto positivo dessa parceria no desenvolvimento econômico e na segurança alimentar.
A visita também reflete uma estratégia dos EUA para reafirmar sua presença em um continente onde potências como China e Rússia têm expandido sua influência. Com esse gesto, Biden busca reforçar o papel dos EUA como parceiro confiável e comprometido com o futuro da África, enquanto se aproxima do fim de seu mandato.
A condenação de Agnes Vadja, uma mulher branca, por injúria racial contra Welica Ribeiro foi recebida como uma vitória simbólica no enfrentamento ao racismo no Brasil. O caso, ocorrido em 2022 no metrô de São Paulo, chegou ao desfecho em novembro deste ano, poucos dias após o primeiro feriado nacional do Dia da Consciência Negra.
Na ocasião, a mulher pediu que Welica “tirasse o cabelo” de perto dela, alegando risco de transmissão de doença. A Justiça determinou, em segunda instância, uma pena de quase dois anos de reclusão, convertida em prestação de serviços à comunidade e pagamento de multa.
Karolyne Utomi foi a advogada responsável pelo caso, atuando como assistente da acusação junto ao Ministério Público / Foto: Reprodução
Karolyne Utomi, advogada que atuou junto ao Ministério Público, destacou os desafios enfrentados no processo, como erros administrativos e a resistência inicial em reconhecer a dimensão racial do crime. “A sentença é um avanço, um passo que já foi dado na história de Welica e na minha. É uma forma de mostrar que a pauta está viva e estamos avançando”, afirmou em entrevista ao Mundo Negro.
Inicialmente, a ré foi absolvida sob o argumento de ausência de dolo, ou seja, intenção de ofender. A defesa alegou que a fala estava vinculada ao contexto da pandemia, com receios de contágio. Porém, a acusação demonstrou que a discriminação estava ligada a características afrodescendentes de Welica. “Mostramos que, se fosse uma pessoa branca, essa preocupação não existiria”, afirmou Karolyne.
De acordo com a advogada, a reviravolta foi possibilitada pela insistência da equipe jurídica e pelo suporte de uma promotora do Ministério Público que reconheceu os elementos raciais do caso.
Apesar de a pena ter sido convertida em prestação de serviços, o que deve ser visto como uma punição branda, Karolyne acredita que a decisão tem peso simbólico, especialmente ao ocorrer em um momento de reflexão sobre a luta antirracista no país. Ela ressaltou que, caso o crime tivesse ocorrido após as recentes alterações na legislação que reforçam a tipificação do racismo, a condenação poderia ser mais severa.
Em janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei que tipifica a injúria racial ao crime de racismo, tornando o crime inafiançável e imprescritível. “Se a mudança na legislação tivesse sido aplicada, a punição teria sido mais rigorosa, pois o crime de racismo é tratado com mais severidade do que a injúria racial. Na decisão, foi ressaltado que a culminação do crime foi baseada no dispositivo legal anterior, que se refere à injúria racial”, explicou a advogada.
No metrô de SP, mulher loira perguntou se Welica poderia ‘tirar o cabelo’ de perto dela, caso contrário, poderia ‘passar alguma doença’. Tenho asco, nojo, de racistas! 🤮 pic.twitter.com/MpW4hkWh9g
Na noite de 2 de maio de 2022, no metrô Ana Rosa, zona oeste de São Paulo, a mulher branca, identificada como assistente consular no Consulado da Hungria, pediu que Welica tirasse o cabelo de perto dela, dizendo que poderia “passar alguma doença”. A fala gerou indignação entre os passageiros, que bloquearam a saída da estação até a chegada da polícia.
Welica e sua família registraram boletim de ocorrência. Desde então, o caso teve ampla repercussão, com apoio de movimentos antirracistas e organizações como o Instituto Guetto, que ofereceu assistência jurídica e psicológica à vítima.