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Colégio Objetivo demite porteiro que denunciou racismo de alunos; instituição nega vínculo com o caso

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Fotos: Divulgação/Colégio Objetivo; e Reprodução/EPTV

O Colégio Objetivo Barão Geraldo, em Campinas (SP), negou que o desligamento do porteiro Rodnei Ferraz tenha ocorrido como retaliação à denúncia de racismo feita pelo profissional contra alunos da instituição. O caso, ocorrido em dezembro de 2025 e que veio a público nesta semana, está sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do Trabalho (MPT), que apuram tanto o crime de injúria racial quanto a conduta administrativa da escola.

Segundo o boletim de ocorrência, Ferraz relatou ter sido alvo de ofensas desumanizantes proferidas por três estudantes do Ensino Médio. Ao tentar conter uma desordem no banheiro da unidade, o funcionário teria sido chamado de “negro sujo”, “macaco” e “sub-raça”. Segundo o depoimento da vítima, um dos adolescentes teria confrontado sua autoridade afirmando que “pagava o seu salário”, reforçando um recorte de classe e raça no conflito. Rodnei, que possui duas décadas de experiência no setor, descreveu o episódio como um momento de profunda impotência e constrangimento.

O desligamento do porteiro, que trabalhava na unidade desde agosto de 2025, ocorreu pouco tempo após ele reportar o incidente à direção, gerando questionamentos sobre a transparência da instituição. Em nota, o Colégio Objetivo afirmou que a demissão foi uma decisão administrativa comum, sem nexo causal com o episódio de racismo: “atitudes indisciplinares de alunos são analisadas com rigor e proximidade”.

O colégio também afirma que realizou uma apuração interna com alunos, colaboradores e famílias. Os alunos envolvidos no crime negaram qualquer ato racista.

Atualmente, o caso segue em duas frentes jurídicas a esfera criminal, que busca identificar e responsabilizar os autores das ofensas, e a esfera trabalhista, que analisa se a rescisão contratual de Rodnei Ferraz configurou uma demissão discriminatória ou retaliatória. Enquanto o colégio reforça seu papel social e o empenho em colaborar com as autoridades, a defesa do porteiro busca reparação pelo dano moral sofrido no exercício de sua função.

Veja a nota do Colégio Objetivo na íntegra:

“O Colégio Objetivo Barão Geraldo repudia qualquer ato de racismo e todo tipo de preconceito. Os valores da escola estão respaldados na formação humana, tratada como um importante pilar no desenvolvimento dos alunos.

Trabalhos assíduos são realizados, desde a Educação Infantil, até o Ensino Médio, para a construção e o fortalecimento de princípios como respeito, empatia, convivência e responsabilidade social em diversas disciplinas e eventos.

Atitudes indisciplinares de alunos são analisadas com rigor e proximidade. Em ações que desrespeitam regras, seguimos o nosso regimento interno em que, dependendo de cada situação, o aluno pode receber uma advertência, suspensão ou até mesmo expulsão, se constatado a necessidade e respeitado o caráter pedagógico.

Em relação ao fato objeto da matéria jornalística, a escola faz os seguintes esclarecimentos:

  • Rodnei Ferraz trabalhava como porteiro na unidade desde o dia 1/8/2025;
  • O tema foi tratado com extrema cautela, profunda atenção e seriedade uma vez que envolve menores de idade, por isso, a escola fez contato com os alunos envolvidos, colaboradores e com as famílias;
  • A acusação do funcionário foi apurada internamente, tendo os alunos negado a prática de qualquer ato racista;
  • O desligamento do funcionário não teve qualquer ligação com os fatos.

Reforçamos nosso papel social e empenho em lidar com a situação de forma ética e com profissionalismo. A escola está contribuindo com as autoridades competentes”.

Homem é condenado por racismo religioso após atacar terreiro de candomblé no Pará

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Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A Justiça do Pará condenou o aposentado Arlindo Augusto dos Santos Meirelles por racismo religioso após ataque a um terreiro de candomblé em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. O réu foi condenado a 1 ano, 7 meses e 25 dias de reclusão, além de multa, em regime inicial aberto, com direito de recorrer em liberdade.

Segundo a sentença, o réu abordou praticantes durante a realização de um ritual em via pública, em frente ao terreiro Ilê Iyá Omí Asé Ofá Lewá, proferindo ofensas de cunho discriminatório. Ainda de acordo com os autos, ele lançou um balde de água sobre objetos sagrados e símbolos dos orixás, interrompendo o culto e constrangendo publicamente os participantes.

Para a Justiça, a conduta teve motivação religiosa e não se limitou a um suposto conflito pessoal ou incômodo com a realização do culto, ficando caracterizado o viés discriminatório da ação. A decisão reconhece que os atos configuram crime e violam o direito constitucional à liberdade religiosa.

O caso foi acompanhado pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO). Para o advogado e presidente da entidade, Hédio Silva, a decisão fortalece a jurisprudência no enfrentamento ao racismo religioso. “A sentença reafirma que impedir ou perturbar rituais, ofender símbolos sagrados e constranger pessoas por causa de sua religião caracteriza racismo religioso. Trata-se de uma violação direta à Constituição e à legislação penal, que exige resposta institucional e responsabilização”, afirmou.

O episódio ocorreu em 2022 e teve repercussão entre lideranças religiosas e organizações de direitos humanos. Segundo Dr Hédio, “decisões como essa contribuem para o fortalecimento da proteção às religiões de matriz africana e para o enfrentamento de práticas discriminatórias ainda recorrentes no país”, concluiu.

Nobreza Globeleza: o encontro das mulheres que viraram referência do Carnaval na televisão

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Foto: Pedro Napolinário

O Carnaval brasileiro é, em sua gênese, uma tecnologia de liberdade e um prolongamento dos terreiros para o asfalto. Muito antes de ganhar as telas, ele foi gestado no silêncio dos Abaçás e na resistência dos corpos negros que se recusavam à invisibilidade. É uma celebração que herda e reencena a cosmogonia dos Orixás: a dança é o Alujá de Xangô, a beleza é o Abebé de Oxum que reflete a dignidade reconquistada, e a força é o Iruquerê de Oxóssi que garante a propagação da nossa cultura.

A avenida, nesse sentido, é o Xirê em escala monumental. O samba é a orquestração do Ogã, onde o rufar dos tambores, o atabaque que se fez bateria, convoca a ancestralidade para o tempo presente. É dentro dessa liturgia de tambor e suor que a figura da Globeleza se insere. Ela não é meramente uma personagem da cultura de massas, mas uma entidade estética que ocupou, por décadas, o lugar de anúncio visual de um “estado de espírito” nacional.

A história é viva, e como todo organismo vivo, ela exige que as narrativas amadureçam. A TV Globo entendeu que o olhar sobre a mulher negra na mídia precisava mudar de tom: sair do espetáculo visual para o reconhecimento do legado. O projeto “Nobreza Globeleza” é o desdobramento natural desse processo de escuta. É o momento em que a imagem ganha voz, corpo e ancestralidade, transformando a campanha em um marco de memória e continuidade cultural. Em um diálogo com o portal Mundo Negro, ficou nítido que, para essas mulheres, o corpo nunca foi apenas imagem, mas um território de afirmação política.

Em um diálogo com o portal Mundo Negro, ficou nítido que, para essas mulheres, o corpo nunca foi apenas imagem, mas um território de afirmação política. 

Falar de Valéria Valenssa é falar de um Brasil que aprendia a se olhar. Ela foi a pioneira que, com um sorriso, rompeu o silêncio de uma tela que raramente celebrava a pele negra com tamanha majestade. Ao revisitar sua história, Valéria transborda uma emoção profunda ao abraçar a jovem que, aos 18 anos, colocou o corpo à disposição de um país inteiro, consciente de que “quando eu gravava, eu sabia justamente que tinha milhões de pessoas do outro lado da câmera. Então o meu olhar, o meu sorriso… tinha todo esse histórico de identidade e ancestralidade”. Para ela, aquela Valéria jovem teve a coragem necessária para ocupar um lugar de fala que hoje representa todas as meninas que ela vê.

Aline Prado trouxe ao posto uma doçura magnética no olho do furacão de um Brasil que começava a questionar as formas de representação. Sua força vinha da preservação da criança que via o Carnaval como casa, escolhendo proteger a alegria como sua maior ferramenta de resistência. Aline recorda com saudade da “inocência com que eu sempre encarei o Carnaval… era uma parte comum da minha vida”, admitindo que, por causa dessa pureza, inicialmente não enxergava as problemáticas da hipersexualização, pois “a personagem que eu criei, a minha Globeleza, era a alegria do Carnaval chegando” — uma pauta que hoje ela amadurece com amor e afeto.

Nayara Justino é o brilho da noite carnavalesca. Sua eleição foi um grito de vanguarda que forçou o país a encarar a potência de sua imagem. Há uma força quase visceral em sua trajetória; Nayara sentiu os desafios de ser um marco estético e político. Hoje, com a autoridade de quem venceu barreiras invisíveis, ela deixa um recado que é puro fôlego para as meninas que o mundo tenta silenciar: “O que eu digo para as meninas pretas é que não desistam. Sei o quanto é difícil em todas as áreas pra gente… pra mulher preta é muito difícil, mas para nós é muito mais difícil. Então, pode parecer clichê, mas é verdade: não desistam, se esforcem o dobro. […] Não deixem de sonhar nunca”.

Érika Moura é a síntese da mulher contemporânea que pisa firme. Vinda do chão sagrado da escola de samba, trouxe para a tela o suor e a técnica de quem entende que a nobreza não é um presente, mas uma conquista diária. Ao despir-se do glamour, Érika revela a vulnerabilidade e o esforço monumental por trás do brilho, provando que seu sorriso é um gesto de bravura: “O pessoal vê todo o glamour, né? Mas não vê as horas de gravação… a gente ali fica ansiosa, nervosa, pensando que tem que entregar o melhor. No samba a gente chora, a gente briga, mas a gente esconde: sorri, entrega o carisma, o carão. O sorriso entrega a força mesmo no samba”.

A força desse encontro revela que a Globeleza nunca foi uma imagem estática, mas um território de poder ocupado por mulheres que fizeram de sua presença uma afirmação cultural. O “estado de espírito” que hoje celebramos não é uma abstração; ele pulsa na memória e no afeto de quem sustentou a majestade negra diante de um país inteiro.

Ao olharmos para a trajetória de cada uma delas, a gente entende que cada sorriso ali na frente das câmeras foi, na verdade, um gesto de generosidade e um jeito de dizer “eu estou aqui”. Este é um tributo à ancestralidade que caminha e à alma de mulheres que não apenas deram vida a um ícone, mas que fundaram a nossa identidade afetiva, provando que a verdadeira nobreza do Carnaval nasce do respeito profundo a quem abriu os caminhos e nos ensinou a sonhar.

Tudo isso ganha um sentido ainda mais profundo quando a gente olha para quem está no comando desse movimento. Samantha Almeida, diretora de marketing da Globo, traz para o projeto não apenas a liderança, mas a própria pele e a memória de quem cresceu assistindo a essas mulheres. Para ela, o “Nobreza Globeleza” não é sobre diversidade como pauta, mas sobre a verdade de quem sabe que essas trajetórias fundaram a nossa autoestima.

É um reconhecimento que vem do coração e que Samantha resume com a força de quem se enxerga em cada uma delas:

“Para muitas mulheres, especialmente mulheres negras como eu, elas foram referência de beleza, orgulho e pertencimento em um tempo em que diversidade ainda não era pauta. Hoje, elas fazem parte dessa roda de bambas, dessa memória afetiva coletiva, sendo homenageadas não como passado, mas como símbolos vivos da nossa história cultural. Nesta campanha, existe um reconhecimento muito genuíno com o público, porque eu não me sinto falando com ele, eu me sinto sendo esse público.”

“O conceito do que é talento é uma construção colonial”: Executiva Flávia Porto dá dicas para desenvolvimento profissional de pessoas negras

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Flávia Porto (Foto: Arquivo pessoal)

Conselheira e cofundadora do Instituto Pactuá, Flávia Porto conduziu workshop que trouxe reflexões sobre liderança estratégica, ancestralidade, negócios e tecnologia.

“A sorte encontra os preparados.” Essa é uma das principais reflexões levantadas por Flávia Porto, executiva de RH, ao conduzir recentemente o workshop “Licença para Decolar”, promovido pelo Instituto Pactuá. A atividade integrou a programação do Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras (PDLN), realizado em parceria com a Saint Paul Exame, e reuniu diversos participantes para formação.

O workshop trouxe reflexões sobre liderança estratégica, ancestralidade, negócios e tecnologia. Segundo a executiva, a ancestralidade ocupa um papel central no desenvolvimento profissional de pessoas negras. “Na grande maioria das vezes, o conceito do que é talento é uma construção colonial, fazendo com que as pessoas negras, cuja trajetória ancestral é diferente, não sejam reconhecidas como tal. Com isso, o autoconhecimento, combinado com autorregulação e estratégia, é chave para a aceleração e o crescimento na vida profissional”, afirma Flávia, que também é conselheira e cofundadora do Instituto Pactuá, em entrevista ao Mundo Negro.

Flávia tem vasta experiência como executiva de RH e empreendedora, com carreira construída no Brasil e no exterior, e já atuou em grandes empresas como Dell, Reckitt e Yara Brasil.

Durante o encontro realizado on-line, Flávia propôs que profissionais passem a gerir suas trajetórias como organizações gerem seus negócios, com planos de ação contínuos. “Conhecer nossa missão pessoal, nossa visão e nossos valores conduz a estratégia de avanço, fazer análise das nossas fraquezas, riscos e oportunidades, construindo networking e planos de ação com constante atualização e monitoramento, que chamo de plano de desenvolvimento individual”, diz. A tecnologia, nesse processo, aparece como aliada, seja por meio de plataformas de networking ou do uso de inteligência artificial para simular cenários de carreira.

Outro ponto central do encontro foi abordar o equilíbrio entre performance e comunicação. “Digo que não basta termos ambição, temos que cuidar da reputação profissional, que se faz com histórico de performance e boa conduta. No entanto, apenas performar bem não é o suficiente: temos que dar visibilidade à nossa performance, não apenas ao que entregamos, mas a como entregamos”, explica.

“Precisamos dar visibilidade às pessoas que precisam saber das suas ambições — indo além das conversas protocolares de carreira que as empresas oferecem. Dar visibilidade às lideranças, pares, pares da sua liderança e outros parceiros de trabalho faz com que mais pessoas se tornem nossas ‘defensoras’ ou influenciadoras do nosso nome em oportunidades que possam surgir”, completa. Flávia lembra ainda que muitas vagas estratégicas não são divulgadas publicamente, o que torna as redes de relacionamento ainda mais decisivas.

Questionada sobre como os profissionais negros podem comunicar suas ambições de forma assertiva em ambientes corporativos que ainda são marcados por desigualdades raciais, a executiva chama atenção para a necessidade de equilíbrio.

“Muitas vezes, pessoas negras, quando altivas, são lidas como arrogantes. Conscientes disso, precisamos ser um pouco mais cuidadosos, sabendo que quem decide por nós tem lentes diferentes, nem sempre apreciativas, mas de altíssima exigência, visto que não somos naturalmente idealizados nos espaços de poder e decisão, mas de servidão e colaboração. Falar de forma objetiva, com uma conversa estruturada, compartilhando seu plano de desenvolvimento, trazendo histórias e feitos relevantes para sua trajetória é um bom começo”, afirma.

Para encerrar, como parte dos conselhos para o desenvolvimento de líderes negros, Flávia destacou a importância de assumir o protagonismo da própria trajetória. “Conhecer ocupantes de posições de seu interesse, navegar no território desejado, levar o plano de desenvolvimento individual tão a sério quanto levamos nossas responsabilidades profissionais, não esperando as oportunidades baterem à sua porta. A sorte encontra os preparados, e cuidar intencionalmente da carreira também dá trabalho — mas os resultados são relevantes.”

Este conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Instituto Pactuá.

MP pede medida protetiva para criança de 5 anos, vítima de intolerância religiosa em escola do RJ e defende afastamento de professora

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Foto: Reprodução/TV Globo

O Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou, na última quinta-feira (29), medidas protetivas em favor de uma criança de 5 anos vítima de intolerância religiosa dentro de uma escola municipal em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.

De acordo com os autos, o MPRJ defendeu o afastamento imediato da professora investigada do Espaço de Desenvolvimento Infantil Professor Celso de Almeida Chaves, além da proibição de qualquer contato com a criança e com as testemunhas, durante a apuração dos fatos.

As medidas foram requeridas após atuação do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro), que representa a família. Para o Ministério Público, o episódio representa risco à integridade psicológica da vítima, que passou a apresentar sinais de medo e ansiedade e chegou a se recusar a retornar à escola.

O MP também se manifestou favoravelmente à realização antecipada do depoimento especial da criança, previsto em lei, como forma de evitar sua revitimização ao longo das investigações.

O caso ocorreu em novembro do ano passado, quando a criança presenteou a professora com uma flor associada a Oxum, orixá do candomblé professado por sua família. Segundo a apuração, a docente afirmou que a flor “pertencia ao diabo”, arremessou-a ao chão e a pisoteou diante de cerca de 20 alunos.

Segundo os advogados que acompanham o caso — Hédio Silva Jr., fundador do Idafro, Arivaldo dos Anjos Filho e Rogério Gomes —, a decisão, que ainda depende de confirmação judicial, pode representar um marco inédito na resposta do Estado à intolerância religiosa contra crianças no ambiente escolar no Brasil.

Kenya Sade apresentará o intervalo do Super Bowl: “Precisamos aceitar que podemos sonhar alto“

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Foto: divulgação

Neste domingo (8), Kenya Sade estará à frente da cobertura brasileira do Show do Intervalo do Super Bowl 2026, transmitido pela TV Globo, direto da Califórnia. O evento, a grande final da NFL, é considerado não apenas o maior espetáculo esportivo dos Estados Unidos, mas também um dos momentos mais relevantes da cultura pop global, especialmente por seu tradicional show do intervalo, que neste ano terá Bad Bunny como atração principal.

Para além do caráter esportivo e musical, a presença de Kenya Sade na transmissão carrega um peso simbólico significativo. Em entrevista exclusiva ao Mundo Negro, a jornalista refletiu sobre o que representa ocupar esse espaço como mulher preta em um evento de alcance mundial, destacando o papel da educação e de sua trajetória pessoal na construção desse momento.

“Eu acho que quando eu sou convidada pra fazer uma transmissão fora do Brasil, em um dos maiores eventos dos Estados Unidos, e sendo uma mulher preta, eu só lembro da minha trajetória, né? De todos os caminhos que me trouxeram até aqui, da minha mãe, que me criou sozinha, que sempre acreditou muito no poder da educação, que a educação transforma, que a educação nos faz prosperar. Somente através da educação que a gente tem a possibilidade de ter uma mobilidade social.

Então, com essas novas oportunidades que eu venho galgando dentro da televisão, isso só me faz lembrar da minha mãe, da minha família, das mulheres pretas que me moldaram e que me ensinaram a sonhar alto. Porque eu acho que a gente precisa aceitar primeiro que a gente pode sonhar alto, que a gente pode estar nesses espaços, e esses sonhos têm se realizado.”

Ao falar sobre o impacto profissional e simbólico da cobertura, Kenya reforçou que o momento extrapola uma conquista individual e se conecta a uma história coletiva de mulheres negras que abriram caminhos na comunicação brasileira.

“Eu acho que estar à frente, junto com o jornalismo do esporte, de um dos maiores eventos esportivos do mundo, e um dos maiores palcos da cultura pop do mundo, é realmente um feito muito grande, é uma realização muito grande para uma mulher preta, nesse lugar de visibilidade, de oportunidade.”

Ela também citou o legado de Glória Maria como referência de pioneirismo e inspiração para novas gerações de jornalistas negras, destacando a importância de representatividade em grandes coberturas internacionais.

“Acho que são novos caminhos que se desenham para nós. Eu acho que a Glória Maria lá atrás, nós a víamos nas geleiras, na Antártida, na Nigéria, fazendo matérias incríveis. E eu acho que as pessoas vão se inspirar muito em ver também uma mulher preta retinta como eu, apresentando um dos maiores eventos musicais dos Estados Unidos, direto da Califórnia, sabe? Eu acho que é muito inspiracional, é muito poderoso tudo que eu venho conquistando, não só para mim, como para todas nós mulheres pretas, que vieram antes e para as que virão depois.”

No Brasil, a transmissão do Super Bowl será exibida pela TV Globo, com início da partida às 20h30 (horário de Brasília). O Show do Intervalo será apresentado logo após o episódio do BBB 26, com Kenya Sade conduzindo a cobertura e contextualizando o espetáculo para o público brasileiro.

Mais do que um evento esportivo, o Super Bowl se consolidou como um dos maiores palcos globais da música e do entretenimento, reunindo milhões de espectadores ao redor do mundo, e, neste ano, terá uma mulher preta brasileira como rosto da transmissão no país.

CARTA ABERTA AO MINISTÉRIO DA IGUALDADE RACIAL

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Foto: divulgação

Sobre a ausência de diálogo entre o Ministério da Igualdade Racial e a mídia negra independente

Ao
Ministério da Igualdade Racial (MIR)
Governo Federal do Brasil

O Mundo Negro e o Notícia Preta, dois dos principais portais da imprensa negra brasileira, vêm a público registrar, de forma respeitosa e transparente, uma preocupação que compartilhamos há anos: a ausência de diálogo institucional contínuo entre o Ministério da Igualdade Racial e a mídia negra independente do país.

Esta carta não é uma crítica à existência do Ministério, tampouco um pedido de financiamento.  Trata-se de um apontamento responsável sobre a distância que se estabeleceu entre quem formula políticas públicas para a população negra e quem, há décadas, comunica, informa, mobiliza e forma consciência crítica dentro dessa mesma população.

A imprensa negra como patrimônio histórico da luta por igualdade

A imprensa negra brasileira existe desde o século XIX. Foi por meio de jornais como O Homem de Cor, A Voz da Raça e tantos outros que a população negra construiu narrativas próprias, combateu estereótipos e disputou espaço na esfera pública quando os grandes veículos silenciavam suas pautas.

Hoje, no ambiente digital, a mídia negra independente cumpre esse mesmo papel: informa, forma opinião, fiscaliza o poder público, produz memória e fortalece identidades. Em um país onde o racismo estrutural ainda molda oportunidades, a comunicação antirracista não é acessória, é estratégica.

Quem somos

Mundo Negro
Fundado há mais de 20 anos, o Mundo Negro é um dos portais pioneiros da mídia negra digital no Brasil. Criado e dirigido por Silvia Nascimento, jornalista negra, o veículo mantém-se de forma totalmente independente, sem apoio institucional permanente, produzindo jornalismo, cultura e formação crítica para centenas de milhares de leitores ao longo de duas décadas.

Notícia Preta
Com 7 anos de existência, fundado e dirigido por Thais Bernardes, jornalista negra, o Notícia Preta tornou-se um dos maiores portais negros do país, com milhões de pessoas alcançadas mensalmente em suas plataformas digitais, além de projetos educacionais como a Escola de Comunicação Antirracista, que já formou milhares de pessoas gratuitamente.

Ambos os veículos são liderados por mulheres negras jornalistas que, sem estruturas empresariais tradicionais, sustentam diariamente o maior ecossistema de mídia negra independente do Brasil.

Nosso papel social

  • Produzimos jornalismo com perspectiva racial e de direitos humanos
  • Combatemos desinformação e estigmas raciais
  • Formamos novas gerações de comunicadores negros
  • Conectamos políticas públicas às realidades dos territórios
  • Damos visibilidade a iniciativas, vozes e saberes historicamente silenciados

Esse trabalho é realizado, em grande parte, sem editais específicos, sem políticas permanentes de fomento e enfrentando desafios de sustentabilidade financeira que poderiam ser mitigados por articulação institucional e reconhecimento público.

O que ocorreu: tentativas formais de diálogo sem retorno

Nos últimos três anos, tanto o Mundo Negro quanto o Notícia Preta buscaram diálogo institucional com o Ministério da Igualdade Racial. Registramos abaixo, de forma objetiva, algumas dessas tentativas.

Mundo Negro

  • Participação, a convite do próprio governo, na reunião das mídias negras para a construção do Plano Nacional de Comunicação Antirracista.
  • Após o encontro, foram enviados dois pedidos formais de devolutiva solicitando:
    • Relatório das propostas apresentadas
    • Indicação do que foi incorporado
    • Cronograma das próximas etapas
  • Até o momento, não houve resposta institucional.
  • Solicitações de entrevistas com a Ministra Anielle Franco, reforçando que a pauta seria espaço de escuta e voz institucional. As solicitações deixaram de ser respondidas após determinado momento da gestão.

Notícia Preta

  • Convite formal para participação da Ministra no programa NP Notícias.
  • Em abril de 2025, a assessoria confirmou a entrevista. Dias depois, a participação foi cancelada por agenda.
  • Novas solicitações de datas foram enviadas — sem qualquer retorno posterior.
  • Solicitações de posicionamento e direito de resposta em matérias jornalísticas também não obtiveram resposta.

Articulação pela Mídia Negra

  • Em 2024, a Articulação enviou nota técnica ao MIR denunciando apagamento institucional dentro do Grupo de Trabalho de Comunicação Antirracista.
  • Não houve resposta oficial.

Esses registros não são apresentados aqui como denúncia, mas como fatos documentados que ilustram a ausência de diálogo continuado.

O que defendemos

A construção de políticas públicas eficazes exige escuta permanente da sociedade civil organizada, especialmente de quem atua diretamente na produção de informação para a população que o próprio Ministério busca representar.

A mídia negra independente não é apenas beneficiária potencial de políticas: é parceira estratégica, formuladora de conhecimento, canal de escuta social e ponte entre Estado e território.

Sem diálogo, perde o Ministério. Sem diálogo, perde a sociedade. Sem diálogo, enfraquece-se o próprio projeto de comunicação antirracista que o governo propõe construir.

Nosso chamado

Reafirmamos nossa disposição para o diálogo institucional, transparente e contínuo. Não reivindicamos privilégios. Reivindicamos reconhecimento, escuta e articulação.

Porque comunicação antirracista não se faz apenas em planos escritos, se faz em relações vivas, permanentes e respeitosas entre Estado e sociedade.

Seguimos à disposição.

Att,

Mundo Negro
Silvia Nascimento, Fundadora e Head de Conteúdo

Notícia Preta
Thais Bernardes,  Fundadora e CEO

Justiça de SC suspende proibição de cotas raciais após STF exigir explicações do Governo

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Foto: gerada por IA

A Justiça de Santa Catarina determinou, nesta terça-feira (27), a suspensão da lei estadual que proibia a oferta de cotas raciais em universidades do estado. A decisão foi proferida logo após o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabelecer um prazo de 48 horas para que o governo catarinense e a Assembleia Legislativa (Alesc) prestassem esclarecimentos sobre a constitucionalidade da norma. A suspensão atende a uma ação direta de inconstitucionalidade protocolada pelo PSOL.

A lei havia sido sancionada pelo governador Jorginho Mello (PL) na última quinta-feira (22), após aprovação pelo legislativo catarinense no fim de 2025. O texto vedava a reserva de vagas por critérios de raça ou gênero, mantendo apenas ações afirmativas baseadas em critérios econômicos, para pessoas com deficiência e alunos de escolas públicas. A norma previa, inclusive, uma multa de R$ 100 mil por edital que descumprisse a proibição.

A lei, sancionada pelo governador Jorginho Mello (PL), tentava extinguir o critério racial, sob pena de multas de R$ 100 mil por edital. Analisando a resistência à medida, a jornalista Flávia Oliveira destacou a contradição histórica presente no Sul do país:

“Tem um artigo famoso falando disso, os ‘cotistas ingratos’, que são exatamente os imigrantes e seus descendentes que receberam políticas públicas de governo e hoje, no Sul do país, se insurgem contra as cotas. Existe uma mentalidade ainda racista que repele no Brasil qualquer coisa que seja em benefício da população afro-brasileira.”

A urgência da suspensão ocorreu no contexto do despacho de Gilmar Mendes, que destacou o risco de prejuízo a processos seletivos já em andamento, como o vestibular 2026/1 da Udesc. O ministro também abriu prazo para que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre a validade da lei.

Com a decisão judicial de hoje, a proibição de cotas raciais deixa de ter efeito imediato enquanto o mérito da questão segue em debate no judiciário. Isso garante a manutenção das políticas de reparação racial nos vestibulares de Santa Catarina, impedindo o corte de verbas públicas para as instituições que utilizam o critério racial. O governo de Santa Catarina e a Alesc ainda devem responder formalmente ao STF dentro do prazo estipulado, que se encerra nesta quarta-feira (28).

Jovens que torturaram e mataram cão Orelha viajam à Disney; pais alegam férias programadas

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Foto: reprodução/divulgação

O assassinato brutal do cão comunitário Orelha, ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis, gerou uma onda de indignação nacional e denúncias de favorecimento devido ao poder aquisitivo dos envolvidos. O animal, um cão dócil de aproximadamente 10 anos que vivia no bairro, foi atraído por um grupo de quatro adolescentes durante a madrugada para ser torturado.

Orelha sofreu agressões extremas antes de morrer. Segundo relatos, o cão foi espancado brutalmente e teve a cabeça perfurada com pregos, o que resultou na exposição de seu cérebro. Ele foi encontrado ainda vivo e agonizando por moradores na manhã seguinte e levado ao veterinário, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu na mesa de cirurgia.

Além do ataque a Orelha, as investigações apontam que o grupo tentou afogar outro cachorro comunitário, um vira-lata caramelo, levando-o para o fundo do mar. Este segundo animal conseguiu escapar nadando e sobreviveu.

Os quatro adolescentes suspeitos foram identificados como Mateus Silva Ferreira, Igor Zampieri, Evandro Dauks e Pedro Kolausky. O caso ganhou repercussão pelo perfil socioeconômico dos jovens, que pertencem a famílias da elite local conectadas a grandes empresas:

  • Um dos jovens é filho do proprietário do Majestic Palace Hotel.
  • Outro é filho do dono da rede Marca na Vieiras.
  • Há também o filho da proprietária da loja Fashion Nomade.
  • Mateus Ferreira da Silva é filho de Marcos Fernando da Silva, proprietário da Audio Soluções Contábeis e da One Capital Consultoria.

A investigação enfrenta obstáculos éticos e judiciais. O porteiro que filmou as agressões para servir de prova foi ameaçado pelos pais dos adolescentes. Além disso, a juíza que inicialmente julgaria o caso declarou-se parcial por possuir relações próximas com as famílias dos agressores.

No dia 27 de janeiro, foi confirmado que dois dos suspeitos viajaram para Orlando, nos Estados Unidos, com destino à Disney. Em nota enviada ao portal DN+, uma das famílias defendeu a viagem: “O fato de nosso filho estar em viagem programada há muitos meses é transformado em algo suspeito, em fuga de responsabilidade. Nada disso procede, queremos que todo esse caso seja solucionado o mais rápido possível”.

A Polícia Civil de Santa Catarina cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos envolvidos para recolher dispositivos eletrônicos e segue com o inquérito para apurar tanto o ato infracional dos menores quanto a conduta dos adultos por suposta coação.

Cariúcha será a nova apresentadora do ‘SuperPop’ na RedeTV!

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Foto: Reprodução/Instagram

Cariúcha assinou o contrato com a RedeTV! e assumirá o comando do programa ‘SuperPop’. A informação foi confirmada pela própria RedeTV! nesta segunda-feira (26), para o colunista Flavio Ricco do Portal LeoDias. A estreia está prevista para março.

Depois de anunciar que não renovaria seu vínculo com o SBT, a artista passou a ser apontada como um dos principais nomes para assumir a atração, que marcou época sob a apresentação de Adriane Galisteu, no início, e de Luciana Gimenez, nos últimos 25 anos.

Entre diversos nomes cotados, Cariúcha foi o nome mais votado, principalmente pela possibilidade de renovar a imagem do programa.

Nas redes sociais, Cariúcha celebrou o novo momento com uma mensagem de fé e gratidão: “Eu sempre tive um sonho de ter meu próprio programa, E sempre pedi isso a Jesus e sabia que estava perto. Obrigada Jesus por tudo, sem ti nada sou!”.

A apresentadora ainda agradeceu a referência negra de quem se inspirou para o seu trabalho. “Obrigada Oprah [Winfrey] por trazer representatividade e nos fazer sonhar”.

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