Nesta quinta-feira (6), o governo brasileiro apresentou algumas medidas para baixar o preço dos alimentos. Entre elas está zerar a taxa de importação para produtos como a carne, o ovo, o café, açúcar, milho e azeite de oliva. Este aceno do governo é importante, principalmente, para a população mais pobre do Brasil: em sua maioria a negra.
Tornou-se comum, nos últimos tempos a grande reclamação do povo brasileiro nos supermercados e nas feiras frente aos preços altos dos produtos. Isso impacta, diretamente na segurança alimentar e nutricional dos brasileiros, uma vez que atinge os produtos básicos e necessários da cesta básica.
Isso é bastante lógico: se os produtos mais saudáveis estão mais caros, as famílias, principalmente as com mais baixa renda, tendem a consumir os produtos mais baratos, em geral, os ultraprocessados. Na década de 1980, os produtos in natura eram os mais acessíveis, financeiramente, enquanto os ultraprocessados, mais caros. Há um tempo essa lógica mudou. Os produtos mais naturais se tornaram inacessíveis às famílias mais empobrecidas criando a necessidade de consumo por comidas de menor qualidade.
Não é possível garantir que o aumento dos índices de câncer no estômago e no cólon esteja ligado, somente, a alimentação de produtos ultraprocessados, mas estudos mostram a incidência destes alimentos em doenças e comorbidades. Comer bem é um direito básico! Dom Mauro Morelli (bispo falecido de Duque de Caxias e grande defensor da segurança alimentar e nutricional no Brasil) e Betinho (da ação da cidadania) tinham como lema a boa alimentação para todas as pessoas. Comer bem é comer com qualidade. E todas as pessoas precisam ter acesso a isso!
Em 2022, a população exposta à “fila do osso” demonstrava o extremo a que o povo brasileiro estava submetido. Quando o governo luta pela baixa dos preços dos produtos, mostra um esforço para que o povo não seja submetido a essa ausência de dignidade. É preciso lembrar que o mercado, historicamente, não está preocupado com os mais pobres. Sobretudo, o mercado não está preocupado com os negros. É importante a atenção, o tempo todo com uma economia que aponte para a justiça social, olhando para os mais pobres.
Fotos: Mike Coppola/Getty Images; Arturo Holmes/WireImage/Getty Images; Getty Images
Texto: Rodrigo França
O Oscar 2025 não trouxe surpresas para quem entende que premiações são menos sobre arte e mais sobre política. Como qualquer grande evento da indústria cultural, a cerimônia reflete os interesses e os dilemas de seu tempo, seja reforçando a ideologia dominante, seja tentando parecer progressista sem necessariamente romper estruturas. Este ano, Hollywood reafirmou aquilo que sempre foi: um espaço que flerta com a diversidade, mas nunca a abraça por completo. A atriz Hattie McDaniel (Melhor Atriz Coadjuvante em 1940 pelo filme E o Vento Levou) foi a primeira pessoa negra a ganhar um Oscar, mas enfrentou a segregação racial na cerimônia.
A vitória de Mikey Madison na categoria de Melhor Atriz pelo filme Anora é simbólica. Uma jovem atriz, norte-americana, em um papel que representa uma certa ideia de feminilidade e protagonismo que a indústria está confortável em promover. Era previsível que Demi Moore, mesmo entregando um desempenho fabuloso em A Substância, ficasse de fora. Não apenas porque seu filme toca em questões existenciais que incomodam, mas porque seu discurso no Globo de Ouro sugeriu uma crítica ao sistema que Hollywood não estava disposta a endossar.
A questão não é apenas etarismo, embora ele pese. A questão é que prêmios são narrativas, e Hollywood, como qualquer indústria cultural, constrói e controla as histórias que deseja contar ao mundo. Neste momento, a inclusão radical não faz parte do enredo que o Oscar quer promover. Estamos na era Trump, onde a Casa Branca, poucos dias antes da premiação, publicou um documento justificando o novo decreto presidencial que ataca políticas de inclusão, chamando-as de “radicais” e “discriminatórias”. Isso reverbera na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que nunca esteve isolada da política norte-americana.
Cynthia Erivo, por Wicked, e Karla Sofía Gascón, por Emilia Pérez, não tinham espaço nesse cenário. Karla, além de ser latina e trans, carrega polêmicas recentes – e a Academia sabe o peso que isso tem para um público que, em grande parte, ainda vê premiações como um termômetro de valores morais e não apenas artísticos. Já Cynthia, uma atriz negra britânica em um musical de grande apelo popular, também não se encaixava na narrativa desejada. Afinal, quantas vezes Hollywood já validou a presença de artistas negros enquanto eles performam dentro dos limites aceitáveis – mas evita premiá-los quando passam a ser o centro da história?
Fernanda Torres é uma atriz respeitada, talentosíssima e com uma carreira impecável, mas para Hollywood ela sempre será uma latina – mesmo no Brasil sendo branca e fazendo parte de uma arte proeminente. E isso coloca um limite invisível – mas real – sobre onde ela pode chegar. A Academia já demonstrou, inúmeras vezes, que seu conceito de diversidade tem uma moldura bem delimitada: há espaço para discursos inclusivos, mas apenas na medida em que eles não desafiem o status quo.
E o que isso ensina para quem está fora dessa hegemonia?
Primeiro, que prêmios são sempre políticos. O Oscar não premia apenas os melhores filmes ou as melhores atuações. Ele premia aquilo que, dentro de um contexto específico, faz sentido para a indústria se apropriar e promover. No Brasil, não é diferente. Editais, festivais e premiações seguem suas próprias lógicas de exclusão e inclusão seletiva. Se esperamos que esses espaços sejam sempre progressistas e subversivos, corremos o risco de nos frustrar. Há reacionários em todas as esferas, prontos para manter as engrenagens do sistema funcionando exatamente como sempre funcionaram.
Segundo, que a validação internacional, embora desejável, não pode ser o único horizonte para artistas que não fazem parte do eixo hegemônico. Vencer na categoria de Melhor Filme Internacional já é, por si só, um grande feito – porque, para Hollywood, tudo o que está fora de seu próprio circuito não é considerado universal, mas um “exótico” ocasionalmente digno de reconhecimento. Quem se vê como centro do mundo não enxerga os outros como iguais, mas como uma variação, um apêndice, algo complementar. E reforço, no Brasil não é diferente.
Por fim, a lição mais importante: façamos o nosso. Não romantizemos a casa dos outros. E, mais do que isso, não esperemos que o reconhecimento externo defina o nosso valor. Se há algo que o último Oscar nos ensina, é que o jogo continua sendo jogado com as mesmas regras – e que quem está fora do círculo precisa encontrar maneiras de existir e resistir sem depender de validações que, no fundo, nunca foram feitas para todos.
Após defender Claudia Leitte das acusações de racismo religioso por alteração na letra da música “Caranguejo”, o cantor Carlinhos Brownvoltou a causar polêmica ao reforçar o seu posicionamento no tradicional Arrastão da Quarta-feira de Cinzas, em Salvador.
“É de extrema importância o que o axé está dizendo nesse momento: que só existe uma raça, que é a humana. Não existe a ideia de que tem uma raça e que tem outra, não existe uma raça que seja maior que a outra porque só tem a raça humana, vigiada pelos extraterrestres, que são espíritos de luz que querem nos conduzir a momentos de crescimento humano”, disse Brown nesta quarta-feira (5), que foi alvo de críticas nas redes sociais.
Durante a folia, o cantor convidou Claudia Leitte para participar da abertura da festa na semana passada, que foi recebida com vaias por parte do público.
A polêmica envolvendo a cantora teve início quando ela alterou um trecho da música “Caranguejo”, substituindo a palavra “Iemanjá” por “Yeshuá” — termo que significa Jesus em hebraico. A mudança gerou ampla repercussão negativa na web.
No último sábado, 1º de fevereiro, no circuito Dodô (Barra-Ondina), Carlinhos Brown realizou seu tradicional padê, um ritual simbólico de abertura de caminhos abertos para o desfile e também refletiu sobre a influência da miscigenação no desenvolvimento do Axé Music, que celebra 40 anos em 2025.
“É a partir do que Dodô e Osmar criam que todas essas potências se evidenciam, até a chegada dos 40 anos do Axé. Embora saibamos que foram os negros os primeiros a sair nas ruas, foi a miscigenação que ordenou uma nova visão de Brasil e uma nova visão de Bahia. Quando falo isso, estou dizendo que esse é um país diferente, que se identifica por um só caminho, que é a raça humana, e depois as etnias”, falou.
Foto: Loja da Victoria's Secret em Phoenix Palladium Mall, Mumbai/Divulgação
A Victoria’s Secret & Co. encerrou sua meta de promoção para trabalhadores negros e alterou a linguagem usada em suas diretrizes sobre diversidade, equidade e inclusão (DEI). A decisão reflete uma tendência crescente entre empresas que estão retirando políticas de representatividade corporativa, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ataca as iniciativas de diversidade.
O site da varejista de lingerie passou a substituir menções a DEI por expressões como “inclusão e pertencimento”, de acordo com versões arquivadas e ainda ativas da página. A seção que tratava da diversidade entre fornecedores também foi removida.
“Estamos firmes em nosso compromisso com a inclusão e o pertencimento porque é fundamental para nossa empresa e para uma cultura de alto desempenho”, disse um porta-voz da Victoria’s Secret, complementando que é “a coisa certa para nosso pessoal e negócio”. Ele afirmou ainda que a companhia continuará com “os melhores talentos com perspectivas diversas” na equipe, além de se manterem “em total conformidade com a lei”.
Em um memorando recente, a CEO Hillary Super afirmou que a empresa pretende garantir uma equipe global “inclusiva de uma ampla gama de origens, experiências e perspectivas”. Ela também disse que manterá uma “cultura de justiça e oportunidade para todos”.
A política de diversidade da Victoria’s Secret tem sido acompanhada de perto desde que a marca enfrentou acusações de má conduta sexual, assédio e intimidação contra modelos e executivas. A companhia também foi alvo de críticas por sua oferta limitada de tamanhos.
Após um processo por má conduta no ambiente de trabalho em 2021, a Victoria’s Secret prometeu investir US$ 45 milhões em iniciativas de diversidade e inclusão ao longo de pelo menos cinco anos, compromisso assumido também por sua então empresa irmã, Bath & Body Works Inc.
Um ano depois, a varejista anunciou uma parceria com o Fifteen Percent Pledge, organização que incentiva redes de varejo a destinar 15% do espaço de suas prateleiras a marcas de propriedade de negros — percentual próximo à representatividade da população negra nos EUA.
Segundo a Victoria’s Secret, a parceria com o Fifteen Percent Pledge continua. No entanto, a empresa decidiu suspender a meta de promoção de uma porcentagem específica de trabalhadores negros e está reavaliando sua política de fornecedores.
A companhia segue os passos de grandes empresas como Meta Platforms e Walmart, que também têm reduzido referências a iniciativas de DEI. No primeiro dia de sua gestão, Trump assinou uma ordem executiva para acabar com o que classificou como discriminação ilegal relacionada a diversidade. Algumas dessas medidas foram contestadas judicialmente.
O projeto Focus Moda Social e Sustentável, que há três anos ocupa o casarão histórico conhecido como Casa das Sete Mortes, no Pelourinho, em Salvador, corre o risco de ser despejado no próximo dia 10 de março. A organização, que oferece cursos artísticos e profissionalizantes para jovens de periferia, enfrenta dificuldades financeiras após o não cumprimento de um acordo de pagamento de aluguel por parte de uma empresa apoiadora de São Paulo.
A Casa das Sete Mortes, localizada na Rua do Passo, 24, foi cedida em comodato pela Casa Pia de São Joaquim em 2020. No entanto, em 2023, a instituição passou a exigir o pagamento de aluguel, que foi assumido por uma empresa de São Paulo. Essa empresa, no entanto, deixou de honrar o compromisso há seis meses, o que levou a Casa Pia a entrar com um processo de despejo. O Focus Moda Social e Sustentável, criado há dez anos pelo multiartista e ativista Jonas Bueno é um espaço que reúne mais de 150 jovens de periferia em atividades como dança, teatro, música, costura, silk, digitação e audiovisual. Além disso, o projeto já formou 250 alunos em cursos de audiovisual, com apoio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre).
O espaço também abriga uma loja colaborativa, a Hub Focus Colab, que reúne 40 afroempreendedores, além de ateliês de artistas plásticos, como Zaca Oliveira, e um estúdio de fotografia. O projeto já produziu peças teatrais como O Navio Negreiro dos Tempos Atuais e Palafitas, que refletem a realidade de comunidades periféricas de Salvador. O Focus também conta com um acervo de dez mil peças de figurino, 10 computadores, 10 cenários teatrais, máquinas de costura e uma biblioteca com 1.000 livros: “São muitos materiais, e infelizmente ainda não temos ideia de para onde levar tudo isso”, lamentou Bueno.
Atualmente, o projeto atende 100 crianças, 200 adultos e 10 idosos, oferecendo cursos e atividades que promovem a inclusão social e a capacitação profissional. Diante da iminência do despejo, Jonas Bueno e a equipe do Focus estão buscando apoio de órgãos públicos e privados para garantir a continuidade das atividades. Em uma mensagem direta a apoiadores, autoridades e à comunidade, Bueno reforçou a importância de manter o projeto ativo:
“Como artista e gestor de cultura, quero destacar a importância vital de manter as escolas artísticas ativas e funcionando. A arte e a cultura não são apenas formas de expressão, mas sim poderas ferramentas de transformação social. Elas têm o poder de moldar o futuro de crianças e jovens, oferecer alternativas saudáveis, fortalecer a identidade de cada um e contribuir para o desenvolvimento integral dos envolvidos no coletivo”, disse.
A Casa Pia de São Joaquim, responsável pelo imóvel, não se pronunciou sobre a possibilidade de renegociação do contrato ou de uma nova cessão do espaço. Enquanto isso, a comunidade aguarda uma solução que permita a manutenção deste importante ponto cultural e social no coração do Pelourinho.
Nos últimos meses, empresas nos Estados Unidos enfrentaram pressão política e social para recuar em compromissos relacionados à diversidade e inclusão. Esse movimento gerou preocupação sobre os possíveis impactos em outros países, incluindo o Brasil. No entanto, Ana Buchaim, vice-presidente de Pessoas, Marketing, Comunicação, Sustentabilidade e Investimento Social da B3, reforça que essa pauta segue firme na bolsa brasileira, que lidera esse debate há mais de 25 anos.
“Entendo que sempre vão ocorrer os chamados movimentos pendulares. O que vemos em algumas companhias nos Estados Unidos, que abriram mão de algumas práticas de diversidade e inclusão, faz parte desse fenômeno. Mas, para nós, essa agenda não é moda. Trata-se de um caminho sem volta, uma direção que temos que perseguir e certamente não vamos retroceder”, afirma Buchaim.
O compromisso da B3 com a diversidade está alinhado com sua estratégia ESG e se reflete tanto em suas práticas internas quanto no direcionamento do mercado financeiro. A bolsa tem atuado para impulsionar boas práticas entre as companhias listadas, com a adoção de critérios que estimulam a inclusão de grupos sub-representados em cargos de liderança. “Nosso papel é mostrar a direção e estimular as empresas a avançarem cada vez mais nos temas ESG. Já existe no mercado a percepção de que as companhias que promovem inclusão, acessibilidade e representatividade são mais lucrativas”, explica. “Os investidores já perceberam isso e, em sua maioria, querem que as empresas sigam nessa direção.”
Atualmente, 26% do quadro de funcionários da B3 é composto por pessoas negras, sendo que 12% ocupam cargos de liderança. Em relação às mulheres, a companhia ampliou sua presença de 20% para 40% nos últimos cinco anos e se comprometeu a ter 35% de mulheres em posições de liderança até 2026. Hoje, esse número está em 31%. A B3 também está entre os 6% de empresas brasileiras que têm três ou mais mulheres na diretoria executiva e no conselho de administração.
Para garantir mais equidade nos processos seletivos, a bolsa adota o uso de currículo oculto, evitando vieses inconscientes na contratação. “Nossos gestores têm entre suas metas ampliar a representatividade dentro das equipes”, destaca a executiva.
Além disso, a B3 apoia programas voltados à formação de lideranças diversas. Entre eles, o Pacto Transforma, em parceria com a Associação Pacto de Promoção da Equidade Racial, que busca acelerar carreiras de mulheres negras e formar 31 lideranças em empresas brasileiras. O Programa Diversidade em Conselho (PDeC), realizado com IBGC, IFC e Women Corporate Directors, tem como objetivo ampliar a presença de mulheres em conselhos administrativos. Já o Conselheira 101 é voltado à capacitação de mulheres negras e indígenas para cargos de alta gestão.
A Justiça de São Paulo condenou Elisabeth Morrone por injúria racial e ameaça contra o humorista e músico Eddy Junior. A aposentada foi sentenciada a um ano e dois meses de prisão por injúria racial e a um mês e cinco dias pelo crime de ameaça, ambos em regime aberto, além de multa. Já o seu filho Marcos Vinicius Morrone Sartori foi condenado por ameaça a dois meses de detenção, também em regime aberto. A decisão é do juiz Fernando Augusto Andrade Conceição, da 14ª Vara Criminal, e foi proferida em 26 de fevereiro.
O caso ocorreu em um condomínio na Barra Funda, zona oeste da capital paulista, em outubro de 2022. Vídeos que viralizaram na época mostram Elisabeth, vizinha do artista, chamando-o de “macaco, ladrão, sujo e imundo”. A aposentada e o seu filho, também aparecem em frente ao apartamento do humorista com uma garrafa e uma faca nas mãos.
Em nota, a defesa de Elisabeth e do filho afirmou que Marcos não poderia ter sido condenado, alegando que ele tem uma anomalia mental e que sua mãe é sua curadora legal. Segundo o advogado, não foi feito um laudo adequado para comprovar essa condição, o que, na visão da defesa, tornaria a decisão nula.
Sobre Elisabeth, a defesa sustenta que a aposentada não chamou o humorista de “macaco”, mas sim de “caco”, e que um laudo pericial atestando isso teria sido ignorado pelo juiz. Acrescentou ainda que ela já se mudou voluntariamente do imóvel.
“Vemos uma verdadeira hostilidade, a vítima se vitimizando e buscando promoção com o caso”, disse a defesa. “Elisabeth e seu filho não cometeram injúria racial, não são racistas, e vamos demonstrar que houve erro na decisão judicial.”
“O que nós vimos é uma verdadeira hostilidade, a vítima se vitimizando, galgou promoção com este fato, expôs a dona Elisabeth e o filho, que não praticou injúria racial, não é racista, e inclusive vou mostrar ao tribunal que errou o juiz. Eu estarei apelando ao tribunal, mostrando que a decisão está errada”, afirmou o advogado José Beraldo que já recorreu da sentença.
Apesar do advogado dizer que mãe e filho se mudaram voluntariamente, em julho de 2024, a Justiça de São Paulo decretou a expulsão de Elisabeth Morrone e seu filho do condomínio na Barra Funda. A decisão foi proferida pela juíza Laura de Mattos Almeida, da 29ª Vara Cível, que estipulou um prazo de 90 dias para que Morrone e seu filho deixassem o local devido ao “comportamento antissocial”.
Durante os dias de folia na capital baiana, profissionais que atuam no carnaval de Salvador, na Bahia, em especial os cordeiros — responsáveis por controlar o fluxo de pessoas em torno dos trios elétricos —, denunciaram maus-tratos e condições de trabalho análogas à escravidão. As queixas foram registradas por uma equipe do Plantão Integrado dos Direitos Humanos, liderada pela Coordenação de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae), durante fiscalização no circuito Dodô, no bairro da Barra, um dos principais pontos da festa.
Além de relatos de violência institucional por parte dos blocos contratantes, os cordeiros também apontaram agressões e desrespeito por parte de foliões. Empurrões, entradas e saídas excessivas nas cordas e agressividade foram alguns dos episódios mencionados. Na madrugada de domingo (2), o Posto Avançado da Barra recebeu cinco cordeiras que relataram situações de violência. Segundo as denúncias, os profissionais não contam com suporte ou proteção adequada durante o trabalho.
Uma cordeira, que preferiu não se identificar, contou que sai de casa todos os dias antes das 7h e retorna após a meia-noite. Moradora de Mata Escura, ela utiliza diferentes modais de transporte para chegar ao local de trabalho. Ela criticou o kit fornecido pelo bloco, que incluía apenas um par de luvas para os seis dias de carnaval e alimentos ultraprocessados. Para se hidratar, ela precisou levar água de casa, já que as quatro garrafas de 500ml fornecidas pelo bloco eram insuficientes para um dia inteiro de trabalho: “Ontem tomamos uma chuva danada e ficamos molhados, porque não ganhamos capa”, relatou.
Em uma das instalações de um bloco tradicional do carnaval de Salvador, a equipe da Coetrae encontrou trabalhadores reivindicando melhores condições. Alguns não tinham dinheiro para o transporte de volta para casa, enquanto outros pediam água. A equipe coletou dados e contatos dos profissionais para acionar órgãos municipais, estaduais e federais responsáveis pela pauta do trabalho, com o objetivo de discutir medidas de proteção e reparação para aqueles que tiveram seus direitos violados.
O Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) informou, em nota, que está de plantão durante todo o carnaval para monitorar o cumprimento das condições legais de trabalho. Este ano, os blocos foram obrigados a formalizar contratos com o nome e CPF dos trabalhadores, medida que busca garantir maior transparência e responsabilidade.
Foto Anielle: Joédson Alves/Agência Brasil | Foto Krenak: Reprodução/g1
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e o líder indígena, ambientalista e escritor Ailton Krenak participam de um debate no próximo dia 11 de março, terça-feira, às 19h30, no Teatro Paulo Autran, do Sesc Pinheiros, em São Paulo. O evento, intitulado “Clima, Raça e Poder: A Dimensão Racial da Crise Ambiental”, integra a programação do projeto Sempre Um Papo, em parceria com o Sesc SP, e será mediado pela jornalista Semayat Oliveira.
O encontro propõe uma reflexão sobre a interseção entre racismo, políticas públicas e crise ecológica, destacando como as desigualdades climáticas afetam desproporcionalmente comunidades vulnerabilizadas. A conversa também abordará a importância do diálogo entre saberes acadêmicos e tradicionais, promovendo uma visão mais integrada e respeitosa da natureza e dos grupos sociais.
Com entrada gratuita, a mediação ficará a cargo de Semayat Oliveira, jornalista, escritora e cofundadora do site Nós, mulheres da periferia, plataforma que amplifica vozes e narrativas de mulheres periféricas. Os interessados em participar devem retirar os ingressos uma hora antes do evento na bilheteria da unidade.
Serviço Sempre Um Papo – Clima, Raça e Poder: A Dimensão Racial da Crise Ambiental Com Anielle Franco e Ailton Krenak Mediação: Semayat Oliveira Dia: 11 de março, terça-feira, às 19h30 Local: Teatro Paulo Autran, Sesc Pinheiros (Rua Paes Leme, 195, Pinheiros) Duração: 120 minutos Classificação: 16 anos Entrada gratuita. Retirada de ingressos na bilheteria uma hora antes do evento.
O mundo da música perdeu um de seus pilares mais influentes. Roy Ayers, o vibrafonista, compositor e produtor conhecido como o “Padrinho do Neo Soul”, faleceu na última terça-feira (4), aos 84 anos, em Nova York, nos Estados Unidos “após uma longa doença”, segundo comunicado publicado em sua página oficial no Facebook na quarta-feira (5). O músico influenciou nomes como Pharrell Williams, Erykah Badu, Tyler, the Creator e D’Angelo.
Ayers alcançou maior reconhecimento na década de 1970, após compor a trilha sonora do filme Coffy (1973), estrelado por Pam Grier. Na mesma época, ele formou o grupo Roy Ayers Ubiquity, que se tornou um fenômeno no jazz fusion e no soul. Álbuns como Mystic Voyage (1975) e Everybody Loves the Sunshine (1976) consolidaram seu lugar na história da música. A faixa-título deste último, em especial, tornou-se um hino atemporal, sampleado por artistas como Dr. Dre, Mary J. Blige e Common, e regravado por D’Angelo, Jamie Cullum e Robert Glasper.
Sua influência transcendeu gerações e gêneros. Nomes como Pharrell Williams, Erykah Badu e Tyler, the Creator citaram Ayers como uma de suas maiores inspirações. Pharrell, em entrevistas, já declarou que o trabalho de Ayers foi fundamental para sua formação musical, enquanto Erykah Badu o chamou de “uma força criativa que moldou o neo-soul”. Tyler, the Creator também já mencionou que o som de Ayers foi crucial para sua experimentação musical.
Nascido em Los Angeles em 1940, Ayers cresceu em um ambiente musical. Filho de uma pianista e um trombonista, ele começou a tocar vibrafone aos cinco anos, presenteado com um par de baquetas pelo lendário Lionel Hampton. Sua carreira profissional decolou na década de 1960, quando acompanhou o saxofonista Curtis Amy e integrou o The Jack Wilson Quartet. Seu primeiro álbum solo, West Coast Vibes, foi lançado em 1963. Ayers continuou ativo nas décadas seguintes, lançando sucessos como No Stranger to Love (1980) e colaborando com artistas como Eric Benet. Mesmo no século 21, ele manteve sua relevância, trabalhando com produtores e artistas contemporâneos.
Roy Ayers deixa sua esposa, Argerie, e seus dois filhos, Mtume e Ayana Ayers. Sua morte encerra uma trajetória brilhante, mas seu legado musical permanecerá vivo através das inúmeras gerações que ele inspirou.
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