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Após caso de racismo, USP alega “falta de tempo” para análise e mantém agressora na mesma sala que aluna negra

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Foto: IEA/USP

Um caso de racismo na USP (Universidade de São Paulo) ganhou um novo desdobramento nesta semana. Após a denúncia feita por Priscila Motta da Rocha Antônio, estudante de Nutrição do campus de Ribeirão Preto, viralizar em dezembro de 2025, a universidade agora alega “falta de tempo” para aplicar medidas protetivas, obrigando a vítima a frequentar o mesmo espaço que sua agressora.

Junto ao Coletivo Negro da USP-RP, a cientista social Jéss Machado expôs a negligência da instituição com o caso. A vítima está afastada das aulas desde o ano passado por não possuir condições psicológicas de frequentar o mesmo ambiente que a aluna que lhe proferiu insultos por ser negra e cotista.

“Em março a gente tem muita demanda. Quando a gente tiver um tempo, a gente resolve”, seria a resposta enviada pelo Conselho de Direitos Humanos da USP por e-mail. Para Jéss, a falta de agilidade já declara um posicionamento da instituição: “Enquanto vocês demoram, vocês estão sendo coniventes com o racismo”.

“A gente fez a denúncia em setembro, foi ter uma resposta da USP em outubro, com a mediação de conflitos. Depois não teve mais nada, só depois que a gente fez uma denúncia pública. E eu estou vindo aqui novamente para pressionar publicamente a USP, para que eles entendam de uma vez por todas que a gente está falando de racismo, isso é urgente”, ressaltou.

“Não tem aula, não tem demanda de evento, recepção de calouros que seja mais urgente do que a vida de uma pessoa preta. A vida de uma pessoa preta é urgente e é direito dela estar nesse ambiente”, completou.

Relembre o caso

Priscila, de 21 anos, passou a ser alvo de perseguições e piadas racistas assim que a agressora descobriu que a aluna ingressou na universidade pelo sistema de cotas. O caso, que inclui agressão física com uma chave e deboches constantes, foi levado às instâncias oficiais da universidade ainda em 2025. Na época, a USP ofereceu apenas uma “mediação de conflitos”.

“Teve um episódio que a gente foi estudar na biblioteca, ela me acertou no braço com uma chave e tinha machucado muito. Eu reclamei, tive que insistir muito para ela pedir desculpa, ela pediu desculpa de uma forma super debochada. Teve um caso que ela falou que eu ia casar com um artista famoso preto, porque ele também era cotista”, contou a vítima em entrevista à EPTV no ano passado.

Em dezembro do ano passado, Priscila relatou que está fazendo uso de medicação antidepressiva e expressou o desejo de retomar sua vida acadêmica em 2026, mas está sendo forçada a conviver com a agressora.

“Liderança com ancestralidade”: Instituto Pactuá realiza formatura de 150 Lideres Negros em uma das melhores escolas de negócios do país

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Foto: Divulgação/Instituto Pactuá

“Uma visão de presente e futuro de um líder, sempre de mãos dadas com a ancestralidade”: assim define Regina Monteiro, uma das executivas que integrou a 1ª turma que se formou na última sexta-feira, 27 de fevereiro, no Programa de Desenvolvimento de Liderança Negra (PDLN) do Instituto Pactuá, na Escola de Negócios Saint Paul, em São Paulo. 

Com a formação executiva, Regina relata que teve novas perspectivas e mudou a sua vida. “Me trouxe um novo olhar para a minha carreira, me matriculei para uma MBA, voltei a estudar inglês, fechei um intercâmbio para outubro de 2026 e, por fim, fui promovida [no trabalho]. Esse mindset veio após o início do curso”, agradeceu à equipe envolvida. 

Foto: Divulgação/Instituto Pactuá

O curso do Instituto Pactuá beneficiou 150 profissionais, distribuídos em cinco turmas presenciais, combinada com sessões de mentoria com uma carga horária total de 43 horas e aulas ministradas por professores negros, mantendo o compromisso com a valorização de referências negras na produção e transmissão de conhecimento. Os recursos foram viabilizados por meio de financiamento do Tribunal de Justiça da Barra Funda.

A formação é dividida em seis módulos: 1 aula de Ancestralidade (com Grazi Mendes); 2 aulas de Liderança Estratégica (com Jaime Almeida, focando em liderança estratégica geral e específica para pessoas negras); 2 aulas de Finanças (com Jandaraci Araujo, abordando a linguagem do negócio e finanças pessoais); além de 1 aula de Inteligência Artificial (com a professora Giselle Santos, conectando tecnologia e ancestralidade).

Foto: Divulgação/Instituto Pactuá

“Ter professores negros e salas completas de executivos negros na Escola de Negócios Saint Paul, nunca tinha acontecido antes”, celebrou Iris Barbosa Barreira, presidente da organização.

Segundo a executiva, o Programa de Desenvolvimento de Liderança Negra vai continuar em 2026, em parceria com o Mover (Movimento Pela Equidade Racial). 

Foto: Divulgação/Instituto Pactuá

“O Mover achou tão relevante, que eles investiram e estão reproduzindo o mesmo curso, na mesma instituição, com os mesmos professores. E eles vão fazer outra vez com 150 pessoas, cinco turmas de diferentes empresas, que são as empresas signatárias do Mover”, concluiu com o anúncio da grande novidade.

Este conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Instituto Pactuá.

Após MP pedir arquivamento, família de Mãe Bernadete busca federalizar caso sobre assassinato de Binho do Quilombo

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Fotos: Reprodução

A família da ialorixá e liderança quilombola Mãe Bernadete Pacífico vai solicitar a federalização do caso do assassinato de Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, morto a tiros em setembro de 2017. A medida surge em resposta ao pedido de arquivamento do inquérito feito pelo Ministério Público, nove anos após o crime cometido contra o filho de Bernadete. Para os familiares e a defesa, a solicitação é considerada desarrazoada e revoltante, especialmente considerando que prisões chegaram a ser realizadas durante as investigações, mas ninguém foi responsabilizado definitivamente.

O advogado da família, Dr. Hédio Silva Jr., denuncia que o pedido de arquivamento é um novo episódio de revitimização. “Sem uma resposta judicial definitiva, a sensação de impunidade se perpetua, apesar da gravidade dos fatos e do histórico de violência relacionado a disputas territoriais no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho”, pontua.

O caso de Binho está inserido em um ciclo violento contra a família Pacífico e seu território. Em 2017, ele foi executado após denunciar os impactos devastadores de um empreendimento na comunidade. Agora, a defesa estuda a transferência do caso para a Justiça Federal, citando a grave violação de direitos humanos e a falha persistente do Estado em dar uma resposta eficaz.

“Do ponto de vista técnico-jurídico, avalia-se a incidência dos requisitos constitucionais que autorizam a federalização, especialmente diante de indícios de grave violação de direitos humanos e da persistente ausência de resposta estatal eficaz”, explicou Dr. Hédio.

Disputas territoriais e execução de liderança quilombola

Mãe Bernadete integrava a Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) e foi assassinada dentro de casa, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em 17 de agosto de 2023. Ela foi executada com mais de 20 tiros. As investigações apontam que o crime foi motivado por disputas territoriais e pela atuação da líder contra o uso do território quilombola por grupos criminosos.

A tragédia de 2023 ocorreu seis anos após o assassinato de Binho do Quilombo, que tinha 36 anos quando foi morto a tiros, próximo à sua residência, enquanto dirigia em direção a um sepultamento em Salvador. Binho foi candidato a vereador em Simões Filho e era reconhecido pela militância em defesa dos direitos humanos e da comunidade quilombola onde cresceu.

Ialorixá e liderança respeitada, Mãe Bernadete cobrava publicamente a responsabilização dos autores do assassinato do filho. Morreu sem ver a justiça ser feita. À época do crime, ela integrava o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, após denunciar ameaças recorrentes.

Julgamento adiado

Nesta semana, o júri popular dos réus acusados pelo assassinato de Mãe Bernadete foi adiado para 13 de abril. O julgamento, que ocorreria no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, foi remarcado após pedido da nova defesa, protocolado na véspera da sessão. A decisão foi comunicada pela juíza Gelzi Maria Almeida, do 1º Juízo da 1ª Vara do Júri, conforme informou o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA).

Os réus Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos respondem por homicídio qualificado, por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, além de feminicídio e outros crimes.

Para a família, a busca por justiça nos dois casos, o de Binho do Quilombo e o de Mãe Bernadete, permanece indissociável. A eventual federalização é vista como uma tentativa de romper um ciclo de impunidade que, segundo os familiares, atravessa quase uma década e marcou de forma trágica a história de uma mesma família e de um mesmo território.

“Minha formação culinária é de fundo de quintal”: Mestra Kelma Zenaide, de Letras à gastronomia ancestral afro-brasileira

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Foto: reprodução

Há uma pergunta que percorre o trabalho de Mestra Kelma Zenaide: por que o alimento produzido no quintal da sua casa não tinha reconhecimento comercial e cultural? Foi essa indagação, registrada por ela mesma, que se tornou o motor de uma trajetória singular na gastronomia afro-brasileira.

Remanescente do quilombo de Pinhões, nascida em Contagem (MG), Kelma Zenaide é umbandista, lésbica, sommelier de cerveja, graduada em Letras e pós-graduada em literatura africana. É palestrante em universidades e centros culturais, e matrigestora da Kitutu, empresa de gastronomia afro-brasileira especializada em buffets conceituais. Sua formação culinária, ela define sem hesitar: é de fundo de quintal, aprendida com a mãe, o pai, a avó e, nas palavras dela, com mais uma pancada de gente.

O que poderia parecer contradição, a pós-graduação em literatura africana ao lado da cozinha aprendida em casa, é na prática a base do que faz a Kitutu ser o que é. Kelma usa a comida para contar a história do seu povo e para dar protagonismo e valor financeiro ao ofício da mulher negra cozinheira, categoria que, segundo ela, segue sendo invisibilizada apesar de ser fundadora da culinária brasileira.

“Cozinhar para uma mulher preta, muitas vezes, é uma obrigação. Ainda uma pequena parcela recebe reconhecimento, credibilidade e consegue ascensão. Muitas de nós passamos a vida na cozinha das casas como domésticas, nos afazeres do próprio lar ou na escravidão moderna dos grandes restaurantes, liderados por pessoas brancas, sobretudo empresários héteros masculinos”, escreve Kelma.

@sitemundonegro

A banana da terra é muito mais do que acompanhamento: rica em potássio, fibras e carboidratos de absorção lenta, ela sustenta, nutre e ainda cabe no bolso. Nesse vídeo, a Mestra Kelma Zenaide (@kitutuafrogastronomia) mostra como esse ingrediente ancestral vira protagonista numa preparação inusitada. O ceviche é uma técnica de “cocção a frio” com ácido cítrico (limão ou laranja), que preserva os nutrientes dos ingredientes e realça sabores sem precisar de fogo. Na mão da Mestra Kelma, a tradição encontra a ancestralidade: comer bem é, antes de tudo, voltar pras raízes. #IngredientePrincipal #TheMainIngredient #BananaDaTerra

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Ela aponta a chegada das escolas de gastronomia na virada do século como um fator que aprofundou essa segregação, tornando ainda mais invisível o que sempre esteve nos quintais e nas cozinhas coletivas das comunidades negras. “A história que nos contaram oculta a presença dos africanos, afrodescendentes e povos originários na construção das técnicas, tecnologias e hábitos alimentares da sociedade brasileira”, afirma.

Ao mesmo tempo, Kelma não faz do seu trabalho um discurso de lamento. Ela faz comida. E faz bem. Torresmo, mingau de fubá, frango com quiabo, feijoada: pratos que resistem porque carregam memória afetiva e coletiva. “Tradição nunca será algo estático. Ela se adequa ao tempo sem perder a essência”, diz.

É esse entendimento que a conecta ao conceito da campanha #IngredientePrincipal: comer bem é voltar pras raízes, não como nostalgia, mas como ato político e cultural. O TikTok escolheu o Brasil para inaugurar essa campanha global, que conta com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs como parceiros estratégicos na produção de conteúdo com 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição. Mestra Kelma Zenaide é uma deles.

Para os jovens, ela deixa um compromisso: “Saliento a importância de manter a tradição, de não deixar a nossa história se esvair.” Não como peso, mas como potência.

Saulo Gonçalves: o nutricionista que desmistifica a ciência com humor e consciência alimentar

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Foto: divulgação

Antes de falar sobre comida, Saulo Gonçalves precisou aprender a se ouvir. Formado em Direito, com dois anos de atuação na área, ele carregava uma trajetória construída sob pressão externa: origem humilde, expectativa familiar, foco no retorno financeiro. O que faltava era o que ele chama de convicção. Faixa preta de judô, apaixonado por esporte, saúde e performance desde cedo, Saulo sabia que havia uma outra rota. E foi por ela que ele decidiu ir.

“Minha primeira formação foi em Direito. Me formei, atuei por dois anos, mas algo dentro de mim dizia que aquele não era o meu destino final. Fui influenciado pela família, foquei apenas no dinheiro, e esqueci de me ouvir completamente”, conta Saulo. A virada veio quando ele entrou para o curso de Nutrição: “com frio na barriga, mas com convicção.”

Carioca e nutricionista clínico, Saulo construiu nas redes sociais uma linguagem própria que mistura humor e consciência alimentar. Já colaborou com o Mundo Negro, participou do programa É de Casa e do Mais Você, ambos da TV Globo. Em sua prática clínica, gosta de abordar sustentabilidade, e a alimentação natural consciente é o que mais o encanta.

Na prática clínica, Saulo encontrou o que chama de verdadeiro encantamento. Não foi na nutrição esportiva, área em que a conexão com o judô seria a rota mais óbvia, mas no acompanhamento integral de pessoas que chegam ao consultório com histórias, rotinas, emoções e contextos únicos. “A clínica é a base de todas as áreas. É nela que aprendemos a enxergar o paciente como um todo, a investigar, a acolher, a compreender histórias, emoções e contextos”, explica.

“A Nutrição me mostrou que comida não é só macro e micronutriente: é cuidado, é escuta, é transformação”, afirma. Essa visão é o que conecta o trabalho de Saulo ao conceito da campanha #IngredientePrincipal: a ideia de que comer bem é um ato que vai além da composição nutricional do prato, envolve cultura, escuta e acesso.

É exatamente essa perspectiva que o TikTok e o Mundo Negro buscaram reunir nesta campanha. Escolhido pelo TikTok para inaugurar o projeto globalmente, o Brasil recebe uma iniciativa que une tecnologia, educação e impacto social para democratizar o acesso à informação sobre alimentação saudável. O Mundo Negro, com o suporte do Guia Black Chefs, entra como parceiro estratégico, produzindo conteúdo com 20 profissionais negros que são referência na gastronomia e nutrição brasileira. Saulo Gonçalves é um deles.

Para quem ainda está encontrando seu caminho, ele tem uma mensagem direta: “Não escolham apenas pelo que está na moda ou pelo retorno financeiro. O dinheiro importa, claro. Mas ele não sustenta sozinho uma rotina de estudos constantes, atendimentos, responsabilidade técnica e dedicação diária. Escolham aquilo que faz seus olhos brilharem. Profissão não é apenas ganha-pão, é propósito.”

No TikTok, Saulo prova que falar de nutrição com humor e consciência não são opostos. Que conscientizar sobre alimentação começa por falar com as pessoas, não para elas.

Joélho Caetano: o gastrólogo quilombola que transforma saberes ancestrais em voz, pesquisa e empreendimento

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Foto: divulgação

A farinha de mandioca não é só um ingrediente para Joélho Caetano. É memória, é território, é política. Para quem cresceu no quilombo de Conceição dos Caetanos, no interior do Ceará, a mandioca sempre esteve no centro da vida comunitária. O que mudou é que agora ela também está no sorvete, reposicionando um saber ancestral dentro da gastronomia contemporânea.

Com 23 anos, Joélho é gastrólogo por formação, pesquisador de culturas alimentares e empreendedor criador da Sorvete Caetanos, marca que pensa sorvetes de verdade com ingredientes da terra, valorizando os saberes e sabores do seu povo. A trajetória não começa na faculdade nem no empreendimento: começa na cozinha de dona Bibiu, sua avó e matriarca do quilombo, e nas mulheres que ele cresceu observando.

“O que me motivou a seguir na gastronomia foi a beleza que eu via nas cozinheiras que cresci vendo, como minha mãe, e a possibilidade de atuar como voz na minha comunidade através da cozinha e da cultura alimentar, porque comer é um ato político e um ato cultural lindo”, diz Joélho.

Foi ao revalorizar a Farinhada, prática coletiva ancestral do seu território, que Joélho ganhou destaque e visibilidade. A partir daí, criou um sorvete com base de mandioca que incorpora também farinha de mandioca e outros elementos que representam a cultura alimentar do seu quilombo. Mais do que uma receita, o produto é uma declaração: o que a comunidade produz tem valor gastronômico, cultural e comercial.

Ao trazer esse universo para o TikTok, Joélho explicita o quanto a cultura alimentar quilombola carrega sofisticação e ciência própria, desafiando a ideia de que gastronomia é um território que pertence a outros. A casca de banana, presente nos vídeos da campanha, aparece como extensão dessa lógica: o aproveitamento integral dos alimentos não é tendência nova, é prática que comunidades como a sua já conhecem há gerações.

É exatamente esse tipo de conhecimento que a campanha #IngredientePrincipal veio amplificar. Escolhido pelo TikTok para inaugurar a campanha global, o Brasil recebe um projeto que une tecnologia, educação e impacto social para democratizar o acesso à informação sobre alimentação saudável. O Mundo Negro, com o suporte do Guia Black Chefs, entra como parceiro estratégico, produzindo conteúdo com 20 profissionais negros que são referência na gastronomia e nutrição brasileira. Joélho Caetano é um deles.

Para quem vem de um contexto em que as oportunidades chegam de forma desigual, transformar esse legado em negócio e em narrativa pública tem peso adicional. Joélho sabe disso e fala diretamente para quem se identifica: “As oportunidades nem sempre são iguais para todos, mas sonhar é o caminho mais fácil para chegar nas oportunidades.”

Comer bem, no universo de Joélho Caetano, é voltar ao quilombo. É reconhecer que a farinha de mandioca que sempre esteve na mesa da sua avó é também gastronomia, é ciência, é identidade.

Ação promove a retificação gratuita de nome e gênero em documentos oficiais

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Foto: divulgação

No dia 26 de janeiro de 2026, o Grupo L’Oréal no Brasil realizou uma mobilização histórica em sua sede, no Rio de Janeiro, em prol da dignidade e do reconhecimento da identidade de gênero. Como parte das ações do Mês da Visibilidade Trans, a companhia promoveu o mutirão “Meu Nome de Verdade”, permitindo que colaboradores e parceiros realizassem, de forma gratuita, a retificação de nome e gênero em documentos oficiais.

A ação, desenvolvida em parceria com a Fiocruz, ofereceu suporte completo para até 150 pessoas, incluindo o custeio de transporte, alimentação, subsídio para emissão de documentos e abono de horas. O objetivo central foi remover barreiras burocráticas e financeiras que dificultam o acesso ao direito fundamental à identidade.

Além do mutirão, a sede da empresa recebeu, no período da manhã, o Encontro Regional do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+. O evento reuniu representantes de mais de 60 organizações para debater estratégias de acolhimento e empregabilidade para a população trans. O Grupo L’Oréal no Brasil, que é signatário do Fórum desde 2018, reforçou seu papel na liderança de pautas de impacto social e direitos humanos.

A agenda de 2026 trouxe ainda avanços significativos nos benefícios internos da companhia. Entre as novidades estão o lançamento da Mentoria TRANSformar, voltada para o desenvolvimento de carreira de talentos trans e não binários, e a implementação de um auxílio financeiro para o processo de hormonização de colaboradores e estagiários.

Para o Grupo L’Oréal no Brasil, essas iniciativas refletem uma cultura organizacional onde o respeito é prioridade. Atualmente, 17% do quadro de colaboradores da empresa se identifica como parte da comunidade LGBTQIAPN+, um reflexo do compromisso contínuo com a construção de um ambiente de trabalho seguro e plural.

Mundo Negro se une ao TikTok em reconhecimento à ancestralidade negra na alimentação sustentável

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O nutricionista Rafa Bastos e a Chef Solange Borges ( Foto: montagem/Ia)

O Brasil foi escolhido pelo TikTok para inaugurar a campanha global #IngredientePrincipal e a escolha diz muito sobre a relação dos brasileiros com a comida. Com um investimento de R$ 2,7 milhões, o projeto une tecnologia, educação e impacto social para democratizar o acesso à informação sobre alimentação saudável, dentro e fora das comunidades. E vai muito além do digital: em parceria com a Ação da Cidadania, o TikTok prevê a inauguração em 2026 de um hub físico em São Paulo, com cozinha solidária, escola de gastronomia, banco de alimentos e um eixo de criação de conteúdo integrado ao espaço, onde empreendedores poderão ampliar o alcance do seu trabalho e gerar mais inclusão econômica.

Para Handemba Mutana Diretor de Responsabilidade Social da plataforma, o TikTok é mais do que entretenimento. “A comunidade do TikTok é extremamente engajada e já demonstrou seu impacto no mundo real em outros momentos, como no grande fenômeno mundial BookTok, que faz livros se tornarem bestsellers. Ao fundir o poder do engajamento digital com ações sociais concretas, transformamos o online em algo tangível, que irá se refletir em refeições servidas, educação prática e oportunidades geradas”, afirma. Segundo ele, hashtags como #Comida, #Gastronomia e #Alimentação já somam mais de 10 milhões de publicações no TikTok, o que torna o Brasil um terreno natural para dar o start dessa conversa global.

É nesse contexto que o Mundo Negro, com o suporte do Guia Black Chefs, entra como parceiro estratégico da campanha, produzindo uma série exclusiva de vídeos com profissionais negros que são referência na gastronomia e nutrição brasileira. “Colocar criadores negros como protagonistas nessa conversa é um reconhecimento da riqueza e profundidade de suas tradições culinárias e da influência direta disso na culinária brasileira contemporânea”, reforça Handemba.

“Pessoas negras têm voz, repertório e conhecimento. Esta não é a nossa primeira parceria com o TikTok, mas é a que mais irá amplificar nosso talento e excelência na gastronomia e nutrição para um grande número de pessoas. Serão ao todo 200 conteúdos assinados pela curadoria do Mundo Negro”, afirma Silvia Nascimento (@silvia_nascimentoo), CEO e Head de Conteúdo do Mundo Negro.

@sitemundonegro

O #IngredientePrincipal é a história que cada corpo carrega. Essa é a dica do nutricionista baiano Rafa Bastos (@Rafa Bastos Nutri ). Para ele, antes de falar sobre dieta ou hábitos alimentares, a gente precisa entender quem a gente é.

♬ som original – MundoNegro

A série tem início em 20 de fevereiro e reúne nomes como o chef e assistente social Edson Leite, fundador da Gastronomia Periférica e premiado internacionalmente; a cozinheira ancestral Iyá Sônia Oliveira, idealizadora do Yeyê Bistrô e premiada na PowerList 2025 do Mundo Negro; o nutricionista Saulo Gonçalves, o Saulo Nutri, conhecido por desmistificar a alimentação saudável com humor e consciência; a chef baiana Manuela Gomes, a Chef Mannu Bombom, referência na culinária afro-baiana; o afrochef Ronaldo Assis, da Larô Gastronomia Afro-Diaspórica; a pesquisadora e nutricionista Bruna Crioula, especialista em alimentação numa afroperspectiva; a chef cearense Marina Araújo, vencedora do Que Seja Doce; o confeiteiro Allan Mamede, também campeão do Que Seja Doce; a cozinheira Solange Borges, criadora do Culinária de Terreiro; o chef Lucas Amancio, do projeto Maniva; o chef pernambucano Bruno, o Preto na Cozinha; o gastrólogo quilombola Joélho Caetano, da Sorvete Caetanos; o nutricionista Rafa Bastos; a chef Bianca Oliveira, da Casa do Dendê; a matrigestora Mestra Kelma Zenaide, da Kitutu Gastronomia Afro-brasileira; e o cozinheiro Gerson Fernandes.

Acompanhe a série completa no perfil do Mundo Negro no TikTok (@sitemundonegro) e no Guia Black Chefs (@guiablackchefs).

#IngredientePrincipal #TheMainIngredient

Gastronomia ancestral e o protagonismo das mulheres negras

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Foto: Divulgação

Por: Chef Mannu Bombom

A gastronomia ancestral de herança africana ocupa um lugar central na formação cultural, social e econômica do Brasil. Mais do que um conjunto de receitas, ela representa um sistema de saberes construído ao longo do tempo, transmitido de geração em geração, principalmente por mulheres negras. Esses conhecimentos, muitas vezes aprendidos fora dos espaços formais de ensino, moldaram práticas alimentares, identidades e trajetórias profissionais que seguem influenciando o presente.

Ao analisar a culinária brasileira, é possível reconhecer com clareza a presença desses saberes ancestrais. O uso de ingredientes como azeite de dendê, coco, feijões, raízes, folhas e especiarias, assim como o respeito ao tempo de preparo e à coletividade, revela uma herança africana profundamente enraizada. Esses elementos não apenas estruturaram a cozinha nacional, mas também formaram modos de cozinhar que carregam memória, espiritualidade e pertencimento.

A transmissão desses conhecimentos sempre esteve fortemente ligada às mulheres. Mães, avós e outras referências femininas foram responsáveis por ensinar não apenas técnicas culinárias, mas também valores associados ao alimento, como cuidado, partilha, resistência e respeito à ancestralidade. Esse aprendizado, muitas vezes invisibilizado e desvalorizado, foi essencial para a formação de inúmeras cozinheiras e profissionais da gastronomia, que hoje reconhecem nesses saberes a base de sua atuação.

Na minha trajetória, assim como na de muitas mulheres ao meu redor, esses ensinamentos ancestrais foram determinantes para a construção do olhar, do paladar e da forma de compreender a cozinha. Aprender observando, repetindo gestos e respeitando os ensinamentos transmitidos ao longo do tempo foi o que possibilitou tornar-me a cozinheira que sou hoje. Esse mesmo processo formou outras mulheres próximas, criando um ciclo contínuo de aprendizado, troca e fortalecimento coletivo.

Esses saberes não permanecem restritos ao passado ou ao ambiente doméstico. Na contemporaneidade, eles se transformaram em ferramentas concretas de geração de trabalho, renda e autonomia. Muitas mulheres negras passaram a transformar o conhecimento herdado em empreendimentos gastronômicos, atuando em feiras populares, eventos culturais, restaurantes, serviços de alimentação e produções artesanais. A culinária ancestral, nesse contexto, deixa de ser apenas herança cultural e passa a ser também estratégia de sobrevivência e desenvolvimento econômico.

O empreendedorismo feminino negro na gastronomia tem impacto direto na economia local. Esses negócios movimentam cadeias produtivas que envolvem agricultores familiares, pescadores, feirantes e pequenos produtores, fortalecendo territórios historicamente marginalizados. Ao empreender a partir de saberes ancestrais, essas mulheres acessam o mercado com identidade, autenticidade e valor cultural agregado, ressignificando o lugar da cozinha como espaço de conhecimento, inovação e poder econômico.

Outro aspecto relevante é o reconhecimento social dessas mulheres como detentoras de saberes legítimos. Ao ocuparem espaços de visibilidade e liderança, cozinheiras negras rompem com a lógica histórica que relegava seus conhecimentos à informalidade ou ao ambiente doméstico. A gastronomia passa a ser compreendida como campo técnico, cultural e político, capaz de gerar transformação social e fortalecer identidades.

A influência desses saberes também dialoga com demandas contemporâneas, como a valorização da cultura alimentar local, a busca por alimentação mais consciente e o interesse por narrativas de origem. Nesse cenário, a gastronomia ancestral ganha destaque como prática viva, que conecta passado e presente, tradição e inovação. Mulheres negras assumem, nesse processo, o papel de protagonistas, transmissoras de conhecimento e agentes de mudança.

É importante reconhecer que esses saberes ancestrais também influenciam a forma como muitas mulheres negras se posicionam no mundo do trabalho. A experiência acumulada na cozinha, aliada à memória afetiva e cultural, fortalece a autoconfiança e amplia a percepção de valor sobre o próprio conhecimento. Ao compreender que aquilo que foi aprendido de forma oral e prática possui legitimidade histórica e técnica, essas mulheres passam a se reconhecer como profissionais, empreendedoras e formadoras de opinião.

Além disso, a gastronomia ancestral cria redes de apoio e pertencimento entre mulheres. O compartilhamento de saberes, receitas e experiências constrói ambientes de troca que fortalecem trajetórias coletivas. Muitas histórias profissionais não se desenvolvem de forma isolada, mas a partir da inspiração mútua, do incentivo e da observação entre mulheres que compartilham vivências semelhantes. Esse movimento garante a continuidade da tradição e amplia o impacto social e econômico da culinária de matriz africana.

Apesar dos avanços, mulheres negras empreendedoras da gastronomia ainda enfrentam desafios estruturais, como acesso limitado a crédito, formalização, infraestrutura e políticas públicas específicas. No entanto, iniciativas de apoio ao empreendedorismo negro, redes colaborativas e programas de valorização da cultura alimentar têm ampliado possibilidades, reconhecendo esses saberes como ativos estratégicos para o desenvolvimento econômico e cultural.

Dessa forma, a gastronomia ancestral de herança africana revela-se não apenas como patrimônio cultural, mas como força viva que molda trajetórias, forma profissionais e gera impacto social. Ao analisar esse percurso a partir da vivência pessoal e da observação de outras mulheres, torna-se evidente que esses saberes continuam sendo fundamentais para a construção de autonomia, identidade e futuro para mulheres negras na gastronomia brasileira.


Texto: Chef Mannu Bombom – soteropolitana, 40 anos, cozinheira baiana e referência na valorização da culinária afro-baiana. Sua trajetória na cozinha começou ainda na infância, a partir dos saberes transmitidos pelas mulheres de sua família, onde aprendeu que cozinhar é um ato de memória, afeto e resistência. Possui formação em Gastronomia pelo Instituto Gastronômico das Américas (IGA) e segue em formação pelo Centro Universitário Cruzeiro do Sul.

Reconhecida por sua cozinha autoral, é criadora da coxinha de vatapá, prato premiado pelo programa Panela de Bairro, da TV Bahia, em 2025. Suas receitas refletem a fusão entre criatividade, influências familiares e as descobertas adquiridas em viagens, bares e restaurantes, sempre exaltando os sabores da culinária afro-baiana.

Há cerca de cinco meses, inaugurou o restaurante Sabores do Recôncavo, na tradicional Feira de São Joaquim, em Salvador, onde oferece a famosa coxinha de vatapá e outras delícias que celebram a cultura alimentar da Bahia. Além do restaurante, atua com buffet e eventos, utilizando a gastronomia como instrumento de valorização cultural e fortalecimento do empreendedorismo negro.

*Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta

Caso Miguel: Sari Corte Real passa férias na Europa com os filhos e Mirtes Renata critica justiça: “Condenada, mas segue livre”

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Fotos: Reprodução/Redes Sociais

Nesta quarta-feira (18), Mirtes Renata utilizou suas redes sociais para expressar indignação com a justiça e o privilégio de Sari Corte Real, que mesmo após ter sido condenada a sete anos de prisão pela morte de seu filho Miguel Otávio, de 5 anos, passou as férias de fim de ano em Portugal com a família.

A ex-primeira-dama de Tamandaré (PE), que agora busca ser chamada apenas por seu segundo nome, Mariana, teve suas fotos circulando nas redes sociais, desfrutando de momentos de lazer na Europa, enquanto o processo segue em fase de recursos.

“Sari segue vivendo sua vida normalmente. Viaja, tira férias na Europa com seus filhos, faz planos, segue sorrindo. E eu? Eu nunca mais poderei viajar com Miguel. Nunca mais poderei mostrar o mundo a ele. Meu filho sequer teve a chance de conhecer plenamente a terra onde nasceu”, desabafou Mirtes.

Embora a condenação de sete anos de prisão tenha ocorrido em 2023 e sido mantida em julho de 2025, a defesa de Sari Corte Real ingressou com um novo recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que adia o início do cumprimento da pena até o trânsito em julgado.

Mirtes, ex-empregada doméstica e bacharel em Direito, pede apoio aos seguidores para que pressionem o Tribunal de Justiça de Pernambuco diante da morosidade. “Ela foi condenada, mas segue livre, recorrendo em liberdade. Eu não fui condenada por tribunal algum, mas cumpro prisão perpétua na ausência do meu filho. Isso é justiça?”, lamenta.

Relembre o caso

O crime ocorreu em junho de 2020, durante a pandemia de covid-19. Mirtes, então empregada doméstica na casa de Sari no Recife, saiu para passear com o cachorro da família e deixou Miguel sob os cuidados da patroa. Imagens de segurança mostraram a ex-primeira-dama permitindo que o menino entrasse sozinho no elevador, apertando o botão de um andar superior e abandonando a criança no equipamento. Miguel se perdeu e caiu do nono andar do prédio de luxo.

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