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Em tempos de imediatismo, busque sua mais velha: Nanã

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Foto: gerada por IA

Nanã, a orixá mais velha do candomblé, ensina através de seus itans que esperar não é ficar parado, mas confiar no tempo próprio de cada conquista

O sató, ritmo grave e vagaroso reservado a Nanã, obriga o corpo a desacelerar antes mesmo de o transe começar. Os passos são curtos, os punhos cerrados, as mãos estendidas à frente, uma sobre a outra, como quem apoia um bastão e ampara um corpo cansado de uma longa jornada. Não há pressa nesse movimento porque não há pressa em Nanã, e quem já viu essa dança entende, antes de qualquer explicação, que está diante da orixá mais antiga do panteão.

Nanã chegou ao culto iorubá vinda de mais longe do que a maioria dos orixás que hoje dividem terreiro com ela. De origem jeje, do antigo reino do Daomé, na região que corresponde ao atual Benin, seu culto é anterior à própria formação do panteão nagô-iorubá, e pesquisas de Pierre Verger indicam que, nas terras onde ela era originalmente cultuada, ocupava um posto hierárquico próximo ao de Olorum, a divindade suprema. Quando os povos nagôs entraram em contato com o Daomé, Nanã foi incorporada à mitologia iorubá sem perder o peso que já carregava, e é exatamente essa antiguidade que a tradição preserva quando a chama, com carinho e reverência, de avó.

Foi Nanã quem entregou a Oxalá o barro primordial retirado do fundo das águas paradas, e foi com esse barro que os primeiros corpos humanos foram moldados. Antes de sermos gente, fomos lama, e é para essa lama que a tradição afirma que retornamos ao fim da vida. Não por acaso, Nanã é chamada de senhora da morte em muitas casas de candomblé, mas o ensinamento que os terreiros guardam não trata a morte como interrupção brusca. Trata-a como continuidade, o fechamento de um ciclo que abre espaço para outro começar, da mesma lama de onde tudo partiu.

Essa relação entre origem e retorno explica por que Nanã é tão associada às águas que não correm, os pântanos, os mangues, os lagos profundos, os lugares onde nada se move depressa. Um rio corre porque busca o mar. Um pântano simplesmente é, e permanece sendo, guardando em silêncio o que se decompõe em sua superfície até que a decomposição vire, de novo, matéria de vida.

Um dos itans mais conhecidos sobre Nanã narra o dia em que os orixás se reuniram para decidir qual deles era mais indispensável à humanidade. Ogum, senhor dos metais, reivindicou o posto, e a maioria concordou, já que o ferro havia trazido caça, ferramenta e progresso a todos. Nanã foi a única que discordou, e Ogum a desafiou a provar que conseguiria viver e realizar seus rituais sem nada do que ele fabricava. Ela aceitou. A partir daquele dia, Nanã declarou que jamais usaria o que vinha de Ogum, e seus filhos, caçadores, passaram a abater os animais destinados a seu culto com facas de madeira em vez de metal, prática que os terreiros mantêm até hoje.

O que essa disputa ensina não é apenas sobre resistência, mas sim, sobre a diferença entre o que parece indispensável no momento e o que de fato sustenta alguém no tempo. Ogum ofereceu velocidade, o corte rápido, a ferramenta eficiente. Nanã escolheu o caminho mais lento, o pedaço de madeira lascado à mão, e não perdeu poder algum por isso. Ao contrário, seu culto segue firme séculos depois, provando que aquilo que se constrói sem pressa não precisa da urgência de ninguém para se manter de pé.

O culto a Nanã atravessou o Atlântico dentro da tradição jeje, distinta da nagô que trouxe a maioria dos orixás mais populares no Brasil, e por isso Nanã costuma ocupar um lugar mais discreto nos terreiros urbanos, cultuada com a mesma seriedade, mas sem o alarde que cerca outros nomes do panteão. Seu emblema é o ibiri, um cetro de palha da costa entrelaçado com talos de dendezeiro e búzios, usado para afastar espíritos e energias que atrapalham a passagem entre um estado e outro. No Brasil, seu culto foi aproximado de Sant’Ana, avó de Jesus na tradição católica, e as duas são celebradas na mesma data, 26 de julho, uma coincidência de calendário que os terreiros transformaram em ponte entre duas ancestralidades femininas.

Numa sociedade que mede valor pela velocidade de quem chega primeiro, pedir a Nanã é pedir o oposto do que se costuma pedir aos orixás mais aclamados. Não se pede a ela um atalho, porque atalho não é da natureza de quem escolheu o bastão em vez da faca afiada, o passo curto em vez da corrida. Pede-se paciência, e paciência, na tradição que Nanã representa, não significa ficar parado esperando que a vida aconteça. Significa acalmar o coração o suficiente para reconhecer o próprio tempo das coisas, seja uma carreira que se constrói alicerce por alicerce, seja um relacionamento que amadurece porque duas pessoas resistiram à pressa de queimar etapas.

O barro que Nanã entregou a Oxalá não virou gente da noite para o dia; ele precisou de tempo para secar, tempo para tomar forma, tempo para receber o sopro que o transformou em vida. É esse mesmo tempo que a tradição pede a quem chega até ela, não a certeza de que tudo vai dar certo rápido, mas a confiança de que o que é de fato seu vai até você, no momento em que estiver pronto para sustentar o peso do que pediu.

10 celebridades negras que representam a força da cultura afro-latina e caribenha

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Fotos: WireImage /Gilbert Flores / Getty Images/Divulgação

Lista reúne celebridades da música, do cinema, da moda e do esporte com raízes em Cuba, Colômbia, Peru e Panamá, celebrando o Dia 25 de julho.

Dez celebridades que carregam ascendência latino-americana ou caribenha reúnem, cada uma à sua maneira, histórias de origem que atravessam a música, o cinema, a moda e o esporte em escala global. A lista foi organizada pelo Mundo Negro em referência ao Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, data que nasceu em 1992 durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, e reconhecida posteriormente pela Organização das Nações Unidas.

No Brasil, o mesmo dia também celebra o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em homenagem à líder que comandou o Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso, no século 18. A seleção a seguir olha para fora do país, reunindo nomes que, por herança familiar ou local de nascimento, carregam raízes de países como Cuba, República Dominicana, Colômbia, Peru, Porto Rico, Panamá, Trinidad e Tobago, Barbados e Guiana.

Rihanna

Foto: WireImage /Getty Images

Nasceu em Saint Michael, em Barbados, ilha caribenha de onde também vem seu pai, enquanto a mãe tem ascendência da Guiana, e construiu carreira na música antes de se tornar empresária à frente de marcas de cosméticos e moda íntima.

Cardi B

Foto: Gilbert Flores /Getty Images

Nasceu no Bronx, filha de pai dominicano e mãe trinitária, união que molda sua identidade caribenha dentro da cena musical americana, onde se consolidou como uma das rappers mais ouvidas do mundo.

Celia Cruz

Foto: Getty Images

Nasceu em Havana, Cuba, e tornou-se símbolo da diáspora cubana nos Estados Unidos, onde construiu carreira na música como uma das vozes mais reconhecidas da salsa latino-americana.

Zoë Saldaña

Mike Coppola/Getty Images

É filha de mãe dominicana e pai porto-riquenho, cresceu entre as duas culturas caribenhas e se consolidou no cinema como uma das atrizes latinas mais bem-sucedidas de Hollywood.

Nia Long

Foto:NY Magazine

Nasceu no Brooklyn, filha de mãe com ascendência de Trinidad e Tobago, Granada e Barbados, e construiu carreira no cinema e na televisão carregando essa identidade caribenha.

Tessa Thompson

Foto: PhilipRomano

Nasceu em Los Angeles, filha de pai com ascendência afro-panamenha e mãe de ascendência mexicana, herança que atravessa sua trajetória no cinema.

Amara La Negra

Foto: Aleesha Carter

Cresceu entre Miami e a República Dominicana, país de onde vem sua família, referência que atravessa toda sua carreira na música e na televisão.

Susana Baca

Foto: divulgação

Nasceu em Lima e tem raízes na comunidade afro-peruana do país, tradição musical que passou a representar internacionalmente ao longo de sua carreira na música.

Sheryl Lee Ralph

Foto: reprodução redes sociais

Nasceu em Waterbury, Connecticut, filha de pai afro-americano e mãe jamaicana, e construiu carreira como atriz e cantora, hoje reconhecida pelo papel de professora em “Abbott Elementary”

Caterine Ibargüen

Foto: getty images

Nasceu em Apartadó, no Urabá antioquenho, na Colômbia, região que a formou antes de se tornar referência mundial no esporte, como campeã olímpica de salto triplo.

‘Ilha da Alma’: Nicholas Oher estreia como arquiteto solo na CASACOR São Paulo 2026

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Foto: Rodolfo Luiz

Depois de anos à frente da OHMA, ao lado de Paloma Bresolin, arquiteto apresenta instalação inspirada em memória e pertencimento na 39ª edição da mostra.

O arquiteto Nicholas Oher apresenta na CASACOR São Paulo 2026 “Ilha da Alma”, seu primeiro projeto assinado individualmente depois de anos dedicados à criação coletiva à frente do escritório OHMA, fundado ao lado da arquiteta Paloma Bresolin. A instalação ocupa uma passagem da mostra, que reúne 67 ambientes em 10.161 m² no Parque da Água Branca, na capital paulista, com visitação até 9 de agosto, e parte do tema desta edição, “Mente e Coração”, proposto pela organização da CASACOR a partir de pesquisa anual de macrotendências e voltado a pensar a casa como lugar de acolhimento, autocuidado e cura.

Oher transformou essa provocação em um exercício pessoal de autoconhecimento, usando a própria trajetória como matéria-prima do projeto. A palavra “ilha” funciona como metáfora de um território raro e privado, ao qual apenas cada indivíduo tem acesso, enquanto “alma” representa a essência carregada silenciosamente ao longo da vida. Juntas, as duas ideias formam um espaço onde memória e presença coexistem, segundo descrição do próprio arquiteto sobre o projeto.

“A Ilha da Alma é a materialização do meu universo interior. É um lugar onde compartilho minhas referências, minhas memórias e os caminhos que me trouxeram até aqui”, afirma Nicholas Oher.

Instalado no fluxo de passagem da exposição, o ambiente funciona como uma cabana contemporânea suspensa da vida cotidiana, pensada para que o visitante desacelere, sente, observe, leia e contemple antes de seguir para os próximos espaços da mostra. A iluminação quente confere ao ambiente uma atmosfera nostálgica e cria sensação de acolhimento logo na entrada, enquanto os tons de madeira remetem ao que é sólido e permanente e os azuis profundos evocam a amplitude dos pensamentos, entre a imagem do céu e a do mar.

Cada elemento do espaço carrega um significado específico, resultado de escolhas deliberadas do arquiteto ao longo do processo de criação. Os livros expostos reúnem obras revisitadas por Oher ao longo da vida, as obras de arte selecionadas celebram a cultura brasileira do cotidiano e o desenho do piso, recorrente na linguagem criativa do arquiteto, conecta os diferentes pontos do ambiente, reforçando a ideia de continuidade entre passado, presente e futuro.

Nicholas Oher, natural de Cuiabá e radicado em Curitiba, construiu parte relevante de sua carreira à frente da OHMA, escritório reconhecido por transitar entre design, arte e arquitetura e por linhas de produtos autorais como as mesas Acayu e YIV e o espelho Reflexos. A dupla formada por Oher e Paloma Bresolin acumula premiações como o prêmio Casa e Jardim e o prêmio do Instituto de Arquitetos do Brasil no Paraná, além de ter lançado, em parceria com a plataforma Domestika, um curso sobre criação de ambientes a partir de cores e formas. Antes de “Ilha da Alma”, a dupla já havia assinado uma instalação inédita para a fachada da CASACOR Paraná 2024, e neste ano o arquiteto também representou o Mato Grosso na primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira, realizada em São Paulo entre março e abril, com o projeto “Preservação Cuiabana”.

“Ilha da Alma” marca, assim, o primeiro momento em que Oher apresenta um espaço concebido e assinado sozinho em uma mostra do porte da CASACOR São Paulo, considerada uma das principais vitrines de arquitetura e decoração do país e responsável por lançar tendências replicadas por outras edições regionais da marca ao longo do ano. A presença de um profissional negro assinando individualmente um dos ambientes mais conceituais da mostra também amplia a representatividade dentro de um mercado historicamente concentrado em poucos nomes.

A 39ª edição da CASACOR São Paulo reúne nomes brasileiros e internacionais da arquitetura e do design e segue em cartaz no Parque da Água Branca até 9 de agosto, com ingressos e horários disponíveis no site oficial da mostra. O trabalho de Nicholas Oher pode ser acompanhado no perfil @nicholasoher, onde o arquiteto compartilha bastidores do projeto e novidades sobre a atuação da OHMA em outras frentes.

Shopping pagará R$ 1 milhão após caso de racismo contra estudantes negros

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Foto: Wikipedia/Jose Reynaldo da Fonseca

TJSP homologa acordo entre MPSP e o Pátio Higienópolis após seguranças abordarem alunos negros do Colégio Equipe em abril de 2025, com obrigações por três anos

O Tribunal de Justiça de São Paulo homologou nesta semana o acordo firmado entre o Ministério Público do Estado e o Shopping Pátio Higienópolis, na região central da capital paulista, após ação civil pública motivada por um caso de racismo praticado por seguranças do estabelecimento contra três adolescentes negros, alunos do Colégio Equipe, em abril de 2025. Pela decisão da Vara da Infância e da Juventude do Foro Central Cível, o shopping pagará R$ 1 milhão ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, além de assumir uma série de obrigações voltadas à proteção do público infantojuvenil.

A promotora de Justiça Florenci Cassab Milani conduziu a construção do acordo ao lado dos promotores Renato Kim Barbosa e Moacir Menicheli Reis. As medidas propostas pela Promotoria foram aceitas integralmente pelo empreendimento, o que permitiu o encerramento do processo com resolução de mérito.

Entre as obrigações assumidas pelo Pátio Higienópolis está a manutenção permanente de um núcleo social formado por dois educadores coordenados por uma assistente social, com atuação todos os dias da semana. A partir de agora, qualquer abordagem a crianças e adolescentes nas dependências do shopping deverá ser feita exclusivamente por integrantes desse núcleo, com foco no acolhimento e no encaminhamento à rede de proteção, ficando vedada a ação direta de seguranças nesses casos.

O acordo determina ainda a realização de treinamentos periódicos para os colaboradores operacionais, ministrados por consultoria externa ao menos duas vezes por ano, e a inclusão de cláusula antirracista em todos os contratos firmados pelo empreendimento. O shopping também deverá aprimorar seu canal de denúncias internas, garantindo anonimato e divulgando amplamente os órgãos externos de proteção disponíveis ao público. Está prevista a realização de um evento anual aberto à comunidade sobre respeito à diversidade e combate ao racismo, com envio de relatórios semestrais ao Ministério Público. As obrigações valem pelo prazo de três anos.

Florenci Cassab Milani afirmou que a construção do acordo pela via do diálogo revela a maturidade institucional esperada do Ministério Público, e que o valor destinado ao Fundo Municipal assegura que o compromisso resulte em políticas públicas efetivas e permanentes de proteção à infância e à juventude, segundo comunicado da Promotoria.

O processo teve origem em um episódio registrado em abril de 2025, quando um grupo de estudantes do Colégio Equipe foi ao shopping almoçar. Uma das adolescentes negras passou a ser monitorada por seguranças do estabelecimento ao ser vista recebendo dinheiro de um homem branco, que era seu pai. Pouco depois, na praça de alimentação, uma segurança abordou uma aluna branca do grupo e perguntou se os dois colegas negros a estavam incomodando. A adolescente respondeu que eram seus amigos e questionou se a abordagem tinha relação com a cor da pele dos dois jovens.

Na ação original, o Ministério Público pedia ainda a ampliação do núcleo social para incluir psicólogo em tempo integral, além da proibição expressa de expulsão de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, incluindo aqueles em situação de rua, e a condenação do shopping ao pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. A juíza responsável havia indeferido, em um primeiro momento, o pedido de tutela de urgência, decisão que seria reavaliada após a instauração do contraditório, conforme informou o MPSP.

O episódio gerou repercussão imediata nas redes sociais e na imprensa. Dias depois, o Coletivo Equipreta organizou uma manifestação em frente ao shopping, reunindo estudantes, familiares e professores do Colégio Equipe. Os manifestantes levaram cartazes com frases contra o racismo e o protesto somou-se a outras pautas locais, incluindo a mobilização contra a remoção de famílias da Favela do Moinho, situada nas proximidades.

A Comissão Antirracista de Famílias e Responsáveis do colégio divulgou nota na época classificando o comportamento dos seguranças como reflexo direto de suposições raciais, já que os adolescentes negros foram tratados como possível ameaça a uma colega branca. A comissão também relatou que a segurança teria advertido o grupo sobre a proibição de pedir esmolas no local, e afirmou que episódios semelhantes já haviam ocorrido antes no mesmo shopping, o que indicaria, segundo a nota, ausência de disposição da gestão em resolver o problema de forma estrutural. A comissão cobrou ainda investimento em letramento racial para funcionários e lojistas, além da criação de protocolos internos contra o racismo.

Em nota enviada ao Metrópoles, o Shopping Pátio Higienópolis afirmou ter lamentado o ocorrido e entrado em contato com a família dos adolescentes na época, classificando a conduta dos seguranças como incompatível com os valores do empreendimento.

Com a homologação do acordo, o Ministério Público passa a acompanhar o cumprimento das obrigações por meio dos relatórios semestrais que o shopping deverá enviar ao longo dos próximos três anos. O núcleo social ampliado e o treinamento periódico dos funcionários devem entrar em vigor de forma imediata, enquanto o primeiro evento público sobre diversidade e combate ao racismo deve ser realizado ainda dentro do primeiro ano de vigência do acordo.

Camila Pitanga e Bete Coelho dão vida à mesma protagonista em ‘Lia Lia’: “A beleza é não querer apagar as diferenças”

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Camila Pitanga e Bete Coelhos para Lia Lia
Foto: Gerson Paulino

Protagonizada por Camila Pitanga e Bete Coelho, a complexidade da existência humana ganha contornos poéticos e múltiplos na peça “Lia Lia”, que estreia no Centro Cultural FIESP, em São Paulo, no dia 24 de julho, com entrada gratuita, após uma circulação pelo interior do estado. O espetáculo traz um encontro raro e inédito nos palcos com as atrizes dividindo a interpretação da mesma protagonista e convida o público a um mergulho nas memórias, vulnerabilidades e contradições de uma mulher que recusa definições únicas.

Em entrevista à editora Halitane Rocha do site Mundo Negro, Camila Pitanga diz que o mergulho na história de Lia tem sido um processo de trocas profundas no palco, abordando temas como a relação entre mãe e filha, a finitude e a forma como nos relacionamos com a morte. “Não tem como eu apagar quem eu sou quando estou interpretando a Lia. Ela me convida a pensar sobre esses temas. Eu me sinto muito Lia no sentido de viver essas vulnerabilidades, de viver esses dilemas, essas dúvidas existenciais e, ao mesmo tempo, saborear o tesão pela vida, a celebração que é estar vivo”.

Camila e Bete Coelho compartilharam suas experiências ao encenar o mesmo papel e destacam como usaram suas diferenças para se complementarem. “Somos muito diferentes. Eu sou carioca, a Bete é mineira. Eu sou expansiva, Bete é mais metódica. Mas a beleza é exatamente essa convivência de a gente não querer apagar essas diferenças. O próprio processo de pesquisa e o fato de a gente estar interpretando a mesma personagem, acho que, de alguma maneira, está fazendo com que Camila e Bete possam se fundir, possam afetar uma à outra, e que eu, de alguma maneira, incorpore algo da voz da Bete e ela, algo de mim”, conta Camila.

Foto: Ricardo Cefalli

Segundo Bete Coelho, a construção conjunta da personagem partiu de um desejo mútuo entre ela e Camila de compartilharem o palco em uma encenação potente. “Não nos interessava fazer duas Lias ‘iguais’, porque a própria personagem é feita de tempos, estados e camadas muito diferentes. A Camila criou uma Lia muito própria e acrescentou camadas interpretativas distintas das minhas. A personagem se torna uma só não porque se fecha, mas porque comporta muitas formas de existir”, explica a atriz, que também assina a adaptação dramatúrgica do romance de Caetano W. Galindo, “Lia: Cem vistas do Monte Fuji”, e codirige a montagem ao lado de Gabriel Fernandes.

Protagonismo feminino em cena e nos bastidores

O espetáculo conta com liderança feminina na direção, na cenografia e na produção executiva, apresentando uma narrativa que toca em temas essenciais como a ancestralidade e a finitude. “Essa peça fala de uma mudança, de uma torção que nós, mulheres, estamos fazendo de potência e alegria em comunhão. Ainda que o protagonismo seja feito por mulheres, é uma peça que fala do humano e ajuda muitos homens a se olharem também”, analisa Camila.

A atriz completa ao refletir sobre como a peça sensibiliza o público de forma ampla: “Eu acho que as mulheres têm uma certa liderança de ter a iniciativa para comprar o ingresso, para se organizar, mas os homens estão indo e estão muito gratos ao que a peça convida a pensar e refletir.”

Foto: Ricardo Cefalli

Essa dimensão ganha camadas ainda mais significativas com a presença de mulheres negras. Além de Camila Pitanga, a atriz Laís Lacôrte integra o elenco, e jovens estudantes negras de teatro participam do coro cênico ao longo da circulação. Para Camila, embora a temática racial não seja o eixo central do texto, ocupar esse espaço carrega um forte simbolismo. “O fato de a peça ter no time mulheres negras faz com que não tenhamos como não pensar nesse nosso repertório que é só nosso — só a gente sabe o que sente frente a essas questões. O fato de estarmos ali encarnando e ocupando esse papel já simboliza e comunica isso para o público”, afirma.

Acessibilidade e formação de público

A circulação da peça é viabilizada pelo SESI-SP. A cada cidade percorrida, o projeto acolhe duas alunas do Núcleo de Artes Cênicas (NAC) do SESI no coro cênico, promovendo uma vivência prática e formativa ao lado das atrizes. Camila destaca a importância de proporcionar ao público um espetáculo gratuito e de alto rigor artístico. “Temos visto pessoas que nunca foram ao teatro e que são muito gratas pelo que a peça provocou em termos de emoção, reflexão e entretenimento. É muito bonito ver a reação da plateia”, comemora.

Lia Lia, nova produção da Teatrofilme, também conta com Lindsay Castro Lima e Roberto Audio no elenco, e tem direção de arte assinada pela Daniela Thomas.

Foto: Ricardo Cefalli

Lia Lia

Gênero: Trama existencial

Duração: 80 minutos

Classificação: 14 anos

As sessões das sexta-feiras têm tradução em Libras

Local: Centro Cultural FIESP | Avenida Paulista, 1313, São Paulo – SP

Data e horário: de 24 de julho a 9 de agosto. Quarta a sábado, às 20h; domingos, às 18h

Informações: (11) 3322-0050

Entrada gratuita – reservas de ingressos no site Meu Sesi, a partir de 20/07 (primeira semana), 27/07 (segunda semana) e 03/08 (terceira semana).

Caso Nolan Wells: autópsia independente concluiu que a causa da morte é “indeterminada”, mas não descarta suspeita de crime

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Nolan Wells
Foto: Reprodução

Um novo exame necroscópico, encomendado pela família do jovem Nolan Wells — encontrado morto após seis dias desaparecido, depois de sair com amigos em 4 de julho, nos Estados Unidos — concluiu que a causa e a forma da morte são “indeterminadas”. No entanto, o relatório apontou que partes da região da garganta não foram entregues ao médico quando o corpo chegou para análise, o que levou o patologista forense a afirmar que não pode descartar a possibilidade de crime nem lesões no pescoço como fator contribuinte ou causa do óbito, segundo o advogado da família, Ben Crump.

Crump apresentou as conclusões em coletiva realizada nesta quarta-feira (22), durante a 117ª Convenção Nacional da NAACP, em Chicago, e ressaltou que o laudo também registrou uma descoloração vermelha na parte de trás da cabeça. O advogado afirmou ainda que o documento apresenta lacunas decorrentes de ausência de partes do corpo e de procedimentos não realizados — por exemplo, o exame toxicológico não fazia parte deste laudo independente.

A autópsia independente foi realizada em 10 de julho, seis dias após o desaparecimento de Wells e quatro dias depois que seu corpo foi encontrado na costa noroeste da Ilha Horn, no Golfo do Mississippi. O exame foi assinado por Dr. Roger Mitchell, presidente da Associação Médica Nacional, o grupo mais antigo e maior de médicos negros nos EUA.

Foto: Reprodução

O legista do Condado de Jackson também realizou uma autópsia no corpo do jovem de 18 anos; seus resultados ainda não foram divulgados, pois o gabinete aguarda o laudo toxicológico do Instituto Médico Legal. Bruce Lynd, legista do condado, disse à imprensa que o relatório oficial do estado permanece incompleto.

Segundo o relatório de Mitchell, não foi possível determinar se Wells estava consciente quando entrou na água nem como ele foi parar lá. A equipe da família afirmou que a autópsia estatal “removeu e dissecou corretamente cada órgão”, o que impediu Mitchell de observar diretamente os pulmões para verificar a presença de água e de examinar o conteúdo do estômago — fatores que poderiam indicar afogamento.

O nível de decomposição do corpo também dificultou a identificação de possíveis hematomas, embora o laudo registre ausência de lacerações ou fraturas aparentes. A família rejeita a versão preliminar das autoridades de que Wells teria se afogado, alegando que ele era nadador competente e que as explicações oficiais não condizem com seu caráter e porte atlético.

Wells foi visto pela última vez em 4 de julho, durante a tarde, quando foi à Ilha Horn com amigos para comemorar o feriado. Testemunhas disseram que, diante de um problema no barco que os levava de volta, Nolan optou por ficar na ilha e combinar de retornar com outras pessoas. Ele não voltou para casa naquela noite; a família registrou o desaparecimento por volta da meia-noite. O corpo foi encontrado em 6 de julho por um guarda florestal.

Pouco foi esclarecido pelas autoridades sobre as circunstâncias da morte, deixando diversas lacunas no caso que ganhou atenção nacional. Questionamentos também surgiram sobre as roupas em que o adolescente foi encontrado: enquanto autoridades afirmaram que ele vestia apenas um sunga, a ligação entre a família e a organização United Cajun Navy indicou que ele teria sido visto com camiseta; representantes da Cajun Navy refutaram essa versão.

Crump apelou para que as autoridades locais compartilhem com Mitchell os resultados da autópsia estadual e que o patologista independente seja incluído nas análises quando o júri do Mississippi examinar o caso. Líderes de peso — incluindo o reverendo Al Sharpton, o ex-jogador de futebol americano Terrell Owens e o ator e cineasta Tyler Perry — ofereceram recompensas que somam US$ 125.000 por informações que levem à prisão e condenação dos responsáveis.

Os pais de Nolan, Christine Wells-Wonsley e Elmore Wonsley, afirmaram na convenção da NAACP que progrediram com a autópsia independente justamente pela demora e pela falta de transparência no relatório estadual. “Há tantas pessoas por aí fazendo todas essas perguntas, mas a única pergunta que temos é o que aconteceu com nosso filho”, disse Wells-Wonsley. “Nós só queremos honestidade.”

Nolan Wells foi sepultado em Ocean Springs, Mississippi, onde familiares, amigos e colegas celebraram sua vida. A família segue buscando respostas enquanto aguarda os resultados toxicológicos do Instituto Médico Legal e maior cooperação das autoridades na investigação.

Flip 2026: 5 obras afrocentradas para quem ama um bom livro 

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Cinco lançamentos de obras afrocentradas presentes na Flip 2026
Foto: Divulgação

Evento acontece de 22 a 26 de julho, em Paraty, com o lançamento de obras que abordam ancestralidade, culturas periféricas, exclusão social, espiritualidade, memória e pertencimento

A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty abre espaço para descobrir novos livros, editoras independentes e autores que ainda não são amplamente conhecidos pelo público.

Entre os dias 22 e 26 de julho, a programação da Flip 2026, das casas parceiras e da Flip Preta apresenta obras recém-lançadas ou que chegarão oficialmente aos leitores nos próximos meses, além das mesas e entrevistas com autores nacionais e internacionais. Os livros abordam temas como ancestralidade, religiões de matriz africana, culturas periféricas, exclusão social, memória e pertencimento.

O Mundo Negro selecionou cinco novidades editoriais afrocentradas que poderão ser conhecidas durante os dias do festival. 

“A cor da felicidade”, de Lília Refle

O quarto romance da escritora baiana Lília Refle, “A cor da felicidade” acompanha Zulmira, uma menina de 10 anos nascida em Itamaraju, no sul da Bahia. Sua infância é marcada pela pobreza, pela falta de afeto e por um desejo constante de aprender.

A relação de Zulmira com o conhecimento começa a mudar quando ela conhece Afonso Batista, um intelectual que lhe ensina gramática e literatura. A proximidade entre os dois passa a ser alvo de suspeitas de abuso na cidade e transforma o destino de ambos.A partir desse conflito, o romance discute exclusão social, acesso à educação e as fronteiras entre afeto, moralidade e violência.

Publicado pela Editora Patuá, “A cor da felicidade” terá uma sessão de autógrafos na quinta-feira (23), às 15h, na Casa Gueto, durante a Flip. 

“Escafandro: como mergulhar em nossas profundezas”, de Janaína Portella

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A obra  propõe um mergulho nas relações entre memória, pertencimento, cura e reconexão com a ancestralidade. A escritora Janaína Portella articula reflexões poéticas, espiritualidade afro-indígena e diálogos com a ciência para discutir o corpo, a natureza e os saberes ancestrais.

No livro, o fundo das águas aparece como um território simbólico de encontro com emoções, memórias e possibilidades de transformação. Janaína é fundadora do projeto Arte-Curandeira e também autora de “7 encruzilhadas”.

Durante a Flip, a escritora participa da mesa “Quem cura o mundo que nos feriu? Ancestralidade, corpo e experiências da vida”, na quinta-feira (23), às 16h, na Casa Poéticas Negras, ao lado de Aza Njeri. “Escafandro” também integra os lançamentos apresentados pela Oficinar em sua nova fase editorial. O livro chegou às livrarias neste ano.

“MC não é bandido: leituras do Brasil real”, de Dani Monteiro

Organizado por Dani Monteiro, “MC não é bandido: leituras do Brasil real” reúne ensaios, relatos e textos críticos sobre as relações entre cultura periférica, política e criminalização.

O livro discute como expressões artisticas como o funk, o rap e o hip-hop, produzidas principalmente por jovens negros e moradores de favelas, são estigmatizadas e associadas à criminalidade. Ao mesmo tempo, destaca a força econômica, social e simbólica dessas manifestações na construção de identidades e na transformação dos territórios.

Na quinta-feira (23), às 14h30, Dani Monteiro participa da mesa “MC não é bandido: cultura, juventude negra e o direito de existir”, na Casa Poéticas Negras, ao lado de Pastor Henrique Vieira e Mel Duarte.

O lançamento também integra a programação da Flip Preta no domingo (26), às 16h30, no Quilombo do Campinho. A publicação está em pré-venda pela Editora Oficinar.

“Benzô”, de Letícia Andra

Voltado ao público infantojuvenil, “Benzô” acompanha Ayó, uma menina de 11 anos que encontra no benzimento ensinado pela avó um caminho de pertencimento, resistência e conexão com a própria história.

Publicado pela Editora Aziza e ilustrado por Danise Eliom, o livro aborda espiritualidade, ancestralidade, natureza, memória e o papel das mulheres negras na preservação de conhecimentos transmitidos entre gerações.

“Benzô” será lançado no sábado (25), às 17h30, no Quilombo do Campinho, dentro da programação da Flip Preta 2026. 

“O crime do Cais do Valongo”, de Eliana Alves Cruz

A escritora Eliana Alves Cruz apresenta na Flip uma nova edição, revista e ampliada, de “O crime do Cais do Valongo”. O romance, que inaugura a série Crimes Coloniais, combina ficção histórica e investigação para abordar as marcas do tráfico transatlântico de africanos escravizados no Rio de Janeiro.

Ambientada no início do século XIX, a narrativa acompanha Muana Lomué, mulher moçambicana escravizada, e Nuno Alcântara Moutinho, livreiro mestiço e liberto, cujas trajetórias se cruzam após um assassinato na região do Valongo. A nova edição traz um epílogo inédito.

Eliana participa da mesa “O Brasil no Valongo” ao lado de Ana Maria Gonçalves, com mediação de Aza Njeri. O encontro será realizado no sábado (25), às 11h, na Casa Record.

Serviço

24ª Flip – Festa Literária Internacional de Paraty
Data: 22 a 26 de julho de 2026
Local: Centro Histórico de Paraty, Rio de Janeiro
Programação completa: site oficial da Flip
Ingressos para o Programa Principal: plataforma oficial de vendas, sujeitos à disponibilidade

As atividades citadas na Casa Gueto, na Casa Poéticas Negras e na Flip Preta são gratuitas, com entrada sujeita à capacidade de cada espaço. A Flip Preta acontece de 24 a 26 de julho no Quilombo do Campinho.

‘Parceiras no Crime’: Octavia Spencer protagoniza série sobre amizade entre mulheres 50+

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Hannah Waddingham e Octavia Spencer na série Parcerias no Crime.
Foto: Divulgação/Prime Video

A série ‘Parceiras no Crime’ estreou na semana passada no catálogo do Prime Video e alcançou o Top 10 da plataforma ao trazer ao centro da narrativa a força e a amizade entre mulheres com mais de 50 anos. A produção estrelada por Octavia Spencer e Hannah Waddingham reúne muito humor, perseguições e cenas de ação.

A trama acompanha Debbie Claybourne (Spencer), dona de casa comum cuja vida se transforma ao descobrir que Judith Burton (Waddingham), sua melhor amiga de longa data, não é uma perita contábil como aparenta, mas uma assassina profissional internacional. Quando uma missão dá errado e o marido de Debbie se envolve em um golpe milionário contra a máfia, as duas são forçadas a fugir juntas em uma viagem caótica pela Europa para tentar sobreviver.

Aclamada pela crítica com o feito impressionante de 97% no Rotten Tomatoes, a produção ainda não anunciou a renovação já muito aguardada pelos fãs.

A primeira temporada tem oito episódios, todos já disponíveis na plataforma de streaming.

Pretos em Movimento reúne empreendedores negros em SP

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Participantes do Pretos em Movimento em encontro de negócios em São Paulo
Foto: Divulgação

Encontro será realizado em 5 de agosto, na Fulô – Casa de Eventos, e terá participação do empresário e comunicador Alê Garcia

Empreendedores, executivos, profissionais liberais e lideranças negras se reúnem no dia 5 de agosto para a 27ª edição do Pretos em Movimento, em São Paulo. Com o tema “Conexões que Geram Negócios”, o PEM27 será realizado às 19h, na Fulô – Casa de Eventos, espaço idealizado pela chef Dani Pimenta.

O encontro propõe aproximar profissionais interessados na criação de parcerias comerciais, no compartilhamento de experiências e no desenvolvimento de novos negócios. A programação terá como convidado o empresário e comunicador Alê Garcia, que abordará temas como liderança, inovação, diversidade no ambiente corporativo e construção de marca pessoal.

Criado em 2022, o Pretos em Movimento atua na formação de uma rede de empreendedores, executivos e profissionais negros em São Paulo. Ao longo de 26 edições, o coletivo promoveu encontros voltados à circulação de conhecimento, à ampliação de redes profissionais e à criação de oportunidades comerciais.

Segundo a organização, a proposta é fazer com que os contatos estabelecidos durante os eventos ultrapassem as trocas pontuais e possam resultar em relações profissionais duradouras.

“O PEM nasceu para provar que conexões genuínas transformam trajetórias e geram resultados concretos. Nosso objetivo é aproximar pessoas que desejam crescer juntas, fortalecer negócios e criar um ambiente onde oportunidades acontecem de forma natural”, afirma Ronaldo Martins, diretor de Eventos do Pretos em Movimento.

As inscrições estão abertas e os ingressos podem ser adquiridos pela plataforma Sympla. Outras informações também estão disponíveis na página do Pretos em Movimento no Instagram (@somospem) ou no site oficial do coletivo: https://somospem.com.br/sobre.

Serviço
Evento:
PEM27 – Conexões que Geram Negócios Data: 05 de agosto de 2026
Horário: 19:00
Local: Fulô – Casa de Eventos –
São Paulo Ingressos: https://www.sympla.com.br/evento/pem27–conexoes-que-geram-negocios-presenca-ale-garcia/3483512 

Leonardo Garcez vive Jorge Lafond, intérprete de Vera Verão

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Leonardo Garcez caracterizado como Jorge Lafond em espetáculo teatral
Foto: Divulgação/ Jordan Villas

Ator ressignifica experiências de racismo e homofobia ao assumir o papel em “Jorge pra Sempre Verão”, em cartaz de 25 de julho a 2 de agosto, na CAIXA Cultural Salvador.

O ator Leonardo Garcez interpreta Jorge Lafond no espetáculo “Jorge pra Sempre Verão”, que chega a Salvador para uma temporada entre os dias 25 de julho e 2 de agosto, na CAIXA Cultural Salvador. A montagem dirigida por Rodrigo França, revisita a trajetória do artista para apresentar ao público o legado que construiu para além de Vera Verão, sua personagem mais conhecida.

Aos 30 anos, Garcez encontra no papel uma conexão direta com a própria história. Durante a infância, ele era chamado de “Vera Verão” por colegas de escola em ataques de cunho racista e homofóbicos. Hoje, compreender a importância de Lafond transformou a maneira como o ator se relaciona com essa memória.

“Quando eu era criança, ouvi muitas vezes o nome de Vera Verão ser usado como ofensa. Como tantos meninos negros e gays da minha geração, cresci vendo um artista extraordinário ser reduzido a um apelido pejorativo. Hoje, a vida me dá a oportunidade de ressignificar essa história.”, compartilhou em publicação no Instagram.

A preparação para o espetáculo reuniu entrevistas, livros, registros audiovisuais e relatos de pessoas que conviveram com Lafond. Com acompanhamento da preparadora Érica Ribeiro, o ator buscou compreender a alma do artista que deu vida a uma das personagens mais populares da televisão brasileira.

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