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Sem o Brasil na Copa, torcida escolhe entre Marrocos, Egito e França

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Foto: Reprodução/@equipedumaroc/ Getty Images

Com o Brasil eliminado, veja como chegam Marrocos, Egito e França às quartas de final da Copa do Mundo de 2026, e quem ainda disputa vaga na fase.

A eliminação do Brasil para a Noruega, por 2 a 1, nesta segunda-feira (6), nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, tirou o país da disputa direta pelo título, mas o torneio segue com nomes que aproximam o público brasileiro de outras histórias em campo. Marrocos já garantiu vaga nas quartas de final e enfrenta a França na próxima quinta-feira (9), enquanto o Egito decide sua permanência na competição nesta terça-feira (7), diante da Argentina, em Atlanta.

Marrocos chega a essa fase como a única seleção africana ainda viva no Mundial depois da eliminação em sequência de Tunísia, África do Sul, RD Congo, Senegal, Costa do Marfim, Argélia, Cabo Verde e Gana. A equipe marroquina eliminou o Canadá por 3 a 0 no último sábado (4) e repete o caminho percorrido na Copa de 2022, quando chegou à semifinal e se tornou a primeira seleção africana e árabe a alcançar essa fase da competição.

O Egito depende do resultado contra a Argentina para seguir vivo no torneio. A seleção comandada por Mohamed Salah eliminou a Austrália nos pênaltis, após empate por 1 a 1, e alcançou pela primeira vez na história a fase de oitavas de final de uma Copa do Mundo. A partida contra os argentinos, atuais campeões mundiais, está marcada para as 13h desta terça-feira (horário de Brasília), no Mercedes-Benz Stadium.

A França, adversária de Marrocos nas quartas de final, também chama atenção pela composição do elenco. Do total de 26 jogadores convocados pelo técnico Didier Deschamps para o Mundial, 18 são negros. A maioria nasceu e foi criada na França, casos de Kylian Mbappé, nascido em Paris, e Ousmane Dembélé, nascido em Vernon, ambos filhos de famílias com raízes em países africanos, respectivamente Camarões e Argélia no caso de Mbappé, Mauritânia e Mali no caso de Dembélé. Esse perfil vem de longa data na seleção francesa, presente desde o título de 1998, quando o elenco ficou conhecido pelo slogan “Black-Blanc-Beur”.

A campanha coletiva do continente africano nesta edição já é considerada histórica antes mesmo do resultado de Marrocos e Egito nas próximas fases. Das dez seleções africanas classificadas para o Mundial, nove avançaram à fase eliminatória, o maior número da história da competição e o melhor aproveitamento entre todas as confederações na primeira fase. O aumento no número de vagas, resultado da expansão do torneio para 48 seleções, ampliou a presença africana em relação às edições anteriores, quando o continente costumava levar cinco representantes.

Salah chega à sequência decisiva como principal referência do Egito, depois de liderar a equipe na segunda colocação do grupo e balançar as redes nos momentos definidores da fase de grupos. Do lado marroquino, o elenco comandado por Hakimi soma três vitórias, dois empates e nenhuma derrota até aqui, número que reforça a candidatura da equipe a repetir ou superar o quarto lugar conquistado em 2022, no Catar.

Com Marrocos e Egito ainda na disputa, e a França enfrentando justamente os marroquinos nas quartas de final, a Copa do Mundo de 2026 segue, na ausência do Brasil, com mais de um caminho até a decisão, marcada para 19 de julho.

Entre vaias e comida arremessada, Kevin Hart se tornou um dos maiores nomes da comédia

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Foto: Instagram/@kevinhart4real

Kevin Hart completa 46 anos nesta segunda (6/7). Relembre como driblou as vaias no início da carreira até virar um dos maiores nomes da comédia.

Kevin Hart celebra 46 anos nesta segunda-feira, 6 de julho, data que marca também três décadas desde que o comediante deu os primeiros passos nos palcos de sua cidade natal, a Filadélfia, ainda sob o codinome Lil Kev, em apresentações que resultaram em vaias frequentes e em pelo menos um episódio no qual um espectador arremessou um pedaço de frango contra seu rosto durante o show. A trajetória, hoje contada pelo próprio artista em entrevistas e em seu audiolivro The Decision, se tornou um dos capítulos mais repetidos de sua biografia justamente por contrastar com o patamar que ele ocupa atualmente na indústria do entretenimento.

Antes de subir a um palco de comédia, Hart vendia sapatos em uma loja da Filadélfia, ocupação que serviu, segundo relato do próprio comediante em uma aula do MasterClass, como primeiro laboratório de seu humor. Ele descreveu que transformava a repetição cansativa do trabalho, como subir e descer escadas em busca de números de calçado, em material de piada para os clientes, testando no balcão o que depois levaria aos microfones abertos da cidade. A prática ajudou a moldar um estilo baseado em observações do cotidiano e em autodepreciação, marcas que o acompanham até os especiais mais recentes.

A estreia formal nos palcos aconteceu no The Laff House, casa de comédia da própria Filadélfia, e não correspondeu às expectativas do jovem comediante. Hart foi expulso do palco em mais de uma ocasião nesse início de carreira, e um dos episódios mais lembrados envolveu um espectador que atirou nele um pedaço de frango, ainda com molho, em resposta a uma apresentação que não conquistou a plateia. Diante do tamanho do homem que o interpelou, o comediante optou por não revidar e seguiu o show até o fim.

As dificuldades continuaram na virada dos anos 2000, período em que Hart passou a disputar competições de comédia amadora por clubes de Massachusetts, região que se tornaria decisiva para o amadurecimento de seu trabalho. Foi nesses palcos menores, longe da exposição de Nova York ou Los Angeles, que o comediante abandonou a tentativa inicial de imitar referências como Chris Tucker e passou a construir um estilo próprio, apoiado em histórias pessoais e nas inseguranças que carregava desde a infância, marcada pela criação em lar monoparental ao lado da mãe, Nancy Hart, enquanto o pai enfrentava dependência química.

A mudança de rota resultou em papéis de coadjuvante no cinema ao longo da década seguinte, com participações em produções como Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família e O Virgem de 40 Anos, até a consolidação como protagonista em filmes de grande bilheteria a partir dos anos 2010. O ponto mais simbólico dessa ascensão ocorreu em 30 de agosto de 2015, quando Hart apresentou o show que originou o especial Kevin Hart: What Now? para 53 mil pessoas no Lincoln Financial Field, o mesmo estádio que recebe os jogos do Philadelphia Eagles, na cidade onde décadas antes ele levantava frangos de plateias hostis.

O reconhecimento institucional acompanhou o sucesso comercial. Hart acumula indicações a dois prêmios Grammy e a quatro Emmys, e em 2024 recebeu o Mark Twain Prize for American Humor, uma das principais honrarias da comédia americana, concedida anteriormente a nomes como Richard Pryor e Whoopi Goldberg. A revista Time já havia incluído o comediante em sua lista de cem pessoas mais influentes do mundo em 2015.

O aniversário chega em um momento de agenda ativa para o comediante. Em 2026, Hart estreou Funny AF with Kevin Hart, competição de stand-up exibida pela Netflix, e em dezembro do ano passado dividiu a apresentação do sorteio da Copa do Mundo de 2026 no Kennedy Center, em Washington. A distância entre o jovem vaiado no The Laff House e o nome hoje convidado para eventos globais de grande audiência segue como o eixo central de como Hart apresenta a própria história ao público.

De gerente de banco a referência na Gastronomia Sustentável, conheça o trabalho da chef Maristella Sodré

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Chef Maristella Sodré sorrindo em evento de gastronomia.
Foto: Misturando Sabores/Instagram

Neste Julho das Pretas, mês em que celebramos a potência das mulheres negras, o Mundo Negro e o Guia Black Chefs revelam a história da chef Maristella Raphael de Menezes Sodré, que transformou um momento de crise em uma nova oportunidade de impacto através da gastronomia sustentável.

Carioca e administradora de formação, Maristella trilhava uma carreira sólida no mundo corporativo. No entanto, após uma demissão, viu-se diante do desafio de recomeçar do zero. “A minha história com a cozinha começou através de um recomeço da vida profissional. Eu era gerente de banco e, quando fui demitida, comecei a minha vida profissional do zero. Inicialmente através da confeitaria clássica. Mas me apaixonei pela Gastronomia Sustentável e pelo sentido de um propósito dentro e fora da cozinha. O de como poderia impactar mais pessoas através da comida e do não desperdício de alimentos”, relembra em entrevista ao site.

Hoje, essa guinada se consolidou em uma carreira de enorme relevância. Maristella é empreendedora social — comandando um buffet de festas e eventos totalmente sustentável —, palestrante, apresentadora da série “Comida Que Transforma”, colunista da Rádio Roquette Pinto e professora de Gastronomia Sustentável em instituições como o SESC Mesa Brasil, o Instituto Dara e a Ação da Cidadania. Seu trabalho já recebeu reconhecimentos importantes, como o Prêmio Lixo Zero em 2020, o papel de embaixadora do Festival Raízes e o destaque na série “Ideias Para Mudar o Mundo”, do Canal OFF, em 2023.

Foto: Reprodução/Instagram

Essa transformação proposta por Maristella passa pela identidade do povo negro. Ela defende com propriedade que a gastronomia sustentável não é um conceito europeu ou moderno, mas sim um retorno para casa. “Os nossos ancestrais praticavam técnicas de aproveitamento integral dos alimentos no passado, mas infelizmente isso se perdeu com a industrialização dos alimentos e com a falta de informação sobre essas partes que jogamos fora e que fazem muito bem à nossa saúde. A Gastronomia Sustentável nada mais é do que um resgate da nossa ancestralidade”, explica.

Diante de um mercado onde o termo “sustentabilidade” muitas vezes é esvaziado e transformado em mera tendência de marketing, Maristella traz a urgência de uma mudança real de mentalidade. Para ela, a prática precisa ir muito além das redes sociais: “A gastronomia sustentável não é receita, e sim conscientização. Claro que ilustramos toda a nossa fala demonstrada através de preparações, mas infelizmente o termo sustentabilidade virou moda. Temos que mudar a visão em relação ao alimento e à preservação do planeta. Conscientização é a base para um futuro melhor.”

Olhando para frente, os sonhos e os planos de Maristella são tão grandiosos quanto o impacto do seu trabalho. Ela projeta expandir seu alcance e levar essa filosofia para o mundo. “Gostaria muito de apresentar as minhas aulas de Gastronomia Sustentável para todas as idades e meu buffet sustentável para festas e eventos”, conta, revelando suas maiores ambições: “Sonho com muitas coisas. Ser reconhecida internacionalmente e quero impactar o mundo com uma gastronomia mais consciente e sem desperdício.”

Foto: Reprodução/Instagram

Para acompanhar de perto as preparações, projetos e a rotina inspiradora da chef, siga o perfil no Instagram: @maristellasodrechef.

Beyoncé lança single surpresa e agita os fãs

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Foto: reprodução

Beyoncé surpreendeu a BeyHive ao lançar “MORNING DEW (DONK)” sem anúncio prévio. A faixa movimentou as redes sociais neste sábado.

A cantora Beyoncé surpreendeu os fãs na manhã deste sábado (4) ao disponibilizar a faixa inédita “MORNING DEW (DONK)” nas plataformas de streaming. O lançamento aconteceu sem qualquer anúncio prévio, estratégia que pegou a BeyHive de surpresa e rapidamente colocou o nome da artista entre os assuntos mais comentados nas redes sociais.

A novidade começou a circular nas primeiras horas do dia, quando fãs perceberam que a música já estava disponível nos serviços de streaming. Em poucos minutos, publicações comemorando o lançamento se multiplicaram, acompanhadas de reações de surpresa e entusiasmo.

Comentários como “A Beyoncé está de volta!”, “Ela lançou música nova do nada?” e “Acordar com lançamento da Beyoncé não estava nos meus planos” dominaram as redes, refletindo a repercussão imediata da novidade entre admiradores da artista.

Conhecida por transformar seus lançamentos em grandes acontecimentos da indústria musical, Beyoncé voltou a mobilizar o público mesmo sem campanhas de divulgação ou teasers. A estratégia reforça a capacidade da cantora de gerar grande repercussão apenas com a publicação de um novo trabalho.

Até o momento, a artista não comentou oficialmente o lançamento nem informou se “MORNING DEW (DONK)” faz parte de um projeto maior ou de um futuro álbum.

Como os personagens negros de ‘O Urso’ reinventaram seus caminhos na cozinha

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Personagens negros em cena da série O Urso.
Foto: FX

‘O Urso’ chegou ao fim com a receita perfeita em sua quinta e última temporada. Na trama, os personagens negros ganharam arcos de transformação, conflito e reconhecimento. Além do crescimento profissional, a série mostrou como cada um deles precisa lidar com questões pessoais e com a autoestima para se considerar em um espaço de prestígio.

Tina (Liza Colón-Zayas) é um dos exemplos mais potentes dessa virada. Depois de uma trajetória marcada pela ideia de que seu destino se resumiria a fritar batatas, por já ser uma mulher mais madura, ela finalmente passou a se enxergar como chef. Servir a couve de Bruxelas aos clientes foi um grande símbolo dessa conquista.

Foto: FX

Sydney (Ayo Edebiri) também vive uma evolução decisiva. Vinda de uma formação em gastronomia, com repertório técnico e ambição clara, ela representa uma outra camada dessa história: uma jovem muito comprometida, mas que ainda precisa enfrentar inseguranças, validação externa e o peso de provar seu valor em um ambiente dominado pela pressão. Toda a sua dedicação levou a ganhar não uma, mas duas estrelas Michelin, tão sonhadas por ela.

Marcus (Lionel Boyce), por sua vez, ganha força ao ser reconhecido pela confeitaria, mostrando que a especialização pode ser também um caminho de afirmação. Tudo isso em meio aos cuidados com a mãe e, posteriormente, ao sentimento de luto. Já Ebraheim (Edwin Lee Gibson), outro personagem mais maduro da trama, teve mais resistência às mudanças, mas conseguiu superar a insegurança para investir no próprio negócio.

Foto: FX

Gary “Sweeps” Woods (Corey Hendrix) também ganha uma trajetória de valorização ao longo da série. Com algumas aparições no início, o ex-jogador de base viu sua carreira ser interrompido e encontrou no restaurante uma nova possibilidade de futuro. Enquanto atendia os clientes, estudava vinhos. Aos poucos, foi se consolidando como sommelier.

No conjunto, ‘O Urso’ atinge ao tratar personagens negros como assuntos complexos, cada um com sua própria relação com trabalho, técnica e futuro.

Steve Toussaint e a representatividade em ‘A Casa do Dragão’: “A melhor contribuição que você pode dar é ser você mesmo”

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Steve Toussaint como Corlys Velaryon em cena da série
Foto: HBO

O terceiro episódio da terceira temporada de A Casa do Dragão estreia na HBO Max no próximo domingo (5), às 22h, e deve trazer novo destaque à família Velaryon, em especial ao patriarca Corlys Velaryon, vivido por Steve Toussaint, ao se unir aos filhos após a Batalha da Goela. Em uma entrevista recente ao BuzzFeed Australia, o ator bordou a presença de atores negros na série.

Questionado sobre o que significa ver penteados naturais como parte da identidade visual dos Velaryon, Toussaint afirmou que a presença negra na produção é relevante, mas que a melhor contribuição vem de simplesmente ser autêntica. “É importante, mas, claro, você não pode simplesmente querer ser o centro das atenções; a melhor contribuição que você pode dar é, simplesmente, ser você mesmo”, disse o ator.

Ele acrescentou que uma crítica recorrente aos gêneros de fantasia e ficção científica é uma falta de diversidade, e inspirou que produções acabam refletindo o mundo no momento em que são criadas. “Às vezes, basta deixar que o público imagine; por que isso não seria algo natural?”, completou. Toussaint também ressaltou o impacto pessoal da representação: “É maravilhoso quando as pessoas — de todas as origens e etnias — vem falar comigo e dizem: ‘É muito bom ver você aí, porque a representatividade importante'”.

Corlys Velaryon é um dos nomes centrais do universo de Westeros na narrativa de A Casa do Dragão. Herdeiro de uma família de grande prestígio e riqueza — os Velaryon, aliados dos Targaryen —, Corlys é personagem cuja trajetória envolve conflitos por sucessão, alianças políticas e tensões familiares. Na terceira temporada, uma série aprofunda a trama em torno de seus filhos legítimos e não legítimos, e registra um recente reatamento de laços, o que promete desdobramentos políticos e determinantes pessoais.

Embora a série avance na representatividade, o elenco negro foi alvo constante de ataques racistas nas redes sociais. Em 2022, durante a divulgação da primeira temporada, Steve Toussaint se manifestou sobre os insultos que recebeu ao ser anunciado como um dos personagens principais. Em entrevista à Men’s Health, ele afirmou: “Parece ser muito difícil para as pessoas engolirem. Eles estão felizes aceitando dragões voando. Eles estão felizes com cabelos brancos e olhos violeta, mas não aceitam um negro? Aceitam dragões, mas não aceitam um negro rico. Isso está além dos limites”.

A Casa do Dragão é uma produção da HBO baseada no livro Fogo & Sangue, de George RR Martin. A obra narra a trajetória da família Targaryen e seus dragões cerca de 200 anos antes dos acontecimentos de Game of Thrones.

Estudantes negras receberão 1.500 bolsas da Petrobras

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Cerimônia de assinatura da parceria entre Petrobras e CNPq no Projeto Inspiração, que vai oferecer 1500 bolsas de iniciação científica para estudantes negras do Ensino Médio
Foto: Pablo Valadares/ Agência Petrobras

Projeto Inspiração vai conceder bolsas de R$ 550 durante os três anos do Ensino Médio para alunas pretas e pardas, com foco na formação em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).

A Petrobras e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) anunciaram uma parceria que vai oferecer 1.500 bolsas de iniciação científica voltadas à formação em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) para alunas pretas e pardas matriculadas na rede regular de ensino, priorizando jovens em contexto de vulnerabilidade social.

A iniciativa, batizada de Projeto Inspiração, contou com investimento de aproximadamente R$ 32 milhões da Petrobras. As bolsas terão duração de até três anos, acompanhando toda a trajetória das estudantes no Ensino Médio.

As alunas participantes desenvolverão atividades de iniciação científica, criarão currículo na Plataforma Lattes, produzirão artigos, apresentarão os resultados das pesquisas ao longo do programa e receberão um auxílio mensal de R$ 550.

O edital será lançado pelo CNPq em parceria com universidades que desenvolvem pesquisas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030. Os temas de pesquisa previstos são inovação, transição energética, tecnologias para a indústria de energia, soluções para melhoria da qualidade de vida e transformações ambientais.

A iniciativa integra um estudo realizado pelo Centro de Pesquisas da Petrobras sobre mobilização e inclusão de jovens nas carreiras STEM, em busca de ampliar a participação de grupos historicamente sub-representados nessas áreas e contribuir para a formação de novos talentos para o setor de energia.

Os dados apresentados pela empresa demonstram que, entre os profissionais de carreiras STEM da Petrobras, 87% são homens. Entre as mulheres, apenas 4,57% são pretas ou pardas, percentual que reforça a baixa presença de mulheres negras na área.

O programa também dialoga com desafios mais amplos da educação brasileira. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa 2022) mostram que 73% dos estudantes brasileiros estão abaixo do nível básico em Matemática e 55% em Ciências. Já no ensino superior, apenas 15,6% dos concluintes se formam em cursos de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

Capoeira: a grande roda que nos puxa de volta pra casa

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Foto: gerada por IA

No Dia Mundial da Capoeira, entenda por que a roda ainda une o povo negro, ligando corpo, som e memória da população negra escravizada no Brasil.

A capoeira nasceu no período colonial como resposta de africanos escravizados à impossibilidade de se defender com armas. Disfarçando golpes em movimentos de dança, os cativos criaram uma linguagem corporal que driblava a vigilância dos senhores de engenho e, ao mesmo tempo, preservava conhecimentos que a escravidão tentava apagar. Essa origem prática, porém, não explica sozinha por que a capoeira segue tão central para a identidade negra quase 140 anos depois do fim formal da escravidão. A resposta está em quatro elementos que estruturam a prática até hoje, a roda, a terra, a espiritualidade e a música, e que juntos transformaram uma técnica de sobrevivência em patrimônio cultural da humanidade.

A roda é o primeiro desses elementos e talvez o mais importante. Diferente de uma arena de combate com hierarquia vertical, a roda de capoeira organiza os praticantes em círculo, todos voltados para o centro, todos responsáveis por sustentar o canto, o ritmo e a ética do jogo, enquanto apenas dois jogadores se revezam na disputa central. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional descreve a roda como elemento estruturante da capoeira justamente por reunir, ao mesmo tempo, canto, toque, dança, jogo e ritual de herança africana recriados em solo brasileiro. Ao anunciar o reconhecimento da roda como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, em 2014, a então presidente do órgão, Jurema Machado, resumiu o motivo desse reconhecimento em uma frase direta. “A roda de capoeira expressa a história de resistência negra no Brasil, durante e após a escravidão”, afirmou. Essa organização circular, sem topo nem base fixos, onde qualquer participante pode ser chamado ao centro, reproduz de forma corporal um modelo de comunidade horizontal que a escravidão tentava impedir a todo custo entre pessoas negras, mantidas isoladas e vigiadas justamente para não se organizarem coletivamente.

A relação com a terra é o segundo elemento, e talvez o mais silencioso. A escravidão foi, antes de qualquer outra coisa, um processo de arrancar populações inteiras de seus territórios de origem, jogando-as em um continente estranho sem nenhuma ligação ancestral com o solo. O filósofo congolês Kimbwandende Kia Bunseki Fu-Kiau, especialista em cosmologia bakongo, esteve no Brasil em 1997 para uma palestra em Salvador, e chamou atenção justamente para essa dimensão ao explicar a capoeira a partir da cultura do antigo reino do Congo-Angola. “O capoeirista não pode se tornar parte se ele não conhece a terra. Porque você pode voar em cima, mas você não pode esquecer que vai voltar à terra”, disse, segundo transcrição da palestra cedida por Daniel Mattar, treinel da Fundação Internacional de Capoeira Angola. Manter viva essa relação com o chão, mesmo em território imposto pela violência do tráfico negreiro, funcionou como forma de recriar um vínculo ancestral que a escravidão havia rompido à força.

A espiritualidade constitui o terceiro pilar, e é onde a capoeira mais se aproxima de outras tradições religiosas afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda. A roda é entendida por muitos praticantes como espaço sagrado, onde saudações, cânticos e toques específicos do berimbau não apenas conduzem o jogo, mas também evocam ancestrais e canalizam energias, segundo pesquisas sobre a dimensão simbólica da prática. Fu-Kiau associou essa espiritualidade à cosmologia bantu, que compreende a existência como ciclo contínuo entre nascimento, vida e morte, sem tratar a morte como fim absoluto. “Nós aprendemos mais com os mortos do que com os vivos. Os bantu falam: escutem mais os mortos que os vivos, porque os mortos se tornaram pedras, e os vivos são capim”, afirmou, numa imagem em que os vivos, frágeis como o capim, podem ser destruídos com facilidade, enquanto os mortos, transformados em pedra, seguem como base permanente de conhecimento. Essa cosmovisão explica por que mestres mais tradicionais tratam a capoeira como prática espiritual e não apenas física, e por que a transmissão de saberes de mestre para aprendiz carrega peso quase religioso.

A música completa o conjunto, funcionando como memória viva de tudo o que a escravidão tentou silenciar. É o toque do berimbau que determina o ritmo e o estilo do jogo dentro da roda, enquanto cantigas, corridos e ladainhas narram histórias de resistência, liberdade e luta que atravessaram gerações pela tradição oral, já que a maioria dos africanos escravizados era proibida de aprender a escrever. Essa musicalidade preservou, dentro da capoeira, um repertório de palavras, ritmos e ensinamentos que sobreviveram justamente porque foram cantados, não registrados em papel, resistindo tanto à repressão física quanto ao apagamento cultural.

Juntos, esses quatro elementos explicam por que a capoeira segue ocupando um lugar tão específico na cultura negra brasileira, distinto de outras artes marciais e distinto também de outras manifestações culturais isoladas. Ela nasceu como resposta a uma violência extrema, mas se estruturou em torno de uma organização comunitária horizontal, de uma relação de pertencimento com a terra, de uma cosmovisão que recusa o apagamento da morte e de uma música que funciona como arquivo vivo de memória ancestral. É esse conjunto, e não apenas a luta em si, que o Dia Mundial da Capoeira, celebrado em 3 de agosto, convida a reconhecer.

Natura anuncia adesão ao Código de Defesa do Consumidor Negro

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Consumidora negra
Foto: IA

Neste 3 de julho, data em que se celebra o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial — em memória à histórica Lei Afonso Arinos de 1951, a primeira a criminalizar o racismo no país —, a Natura anunciou um passo importante no enfrentamento ao racismo no consumo. A multinacional brasileira anunciou sua adesão oficial à coalizão do Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro, iniciativa liderada pelo MOVER (Movimento pela Equidade Racial).

O projeto, que une grandes marcas do varejo, surge como uma resposta urgente e necessária aos dados alarmantes sobre o racismo institucional em lojas. O Código foi desenhado após uma pesquisa voltada ao varejo de beleza de luxo, que mapeou 21 práticas racistas explícitas na jornada de compra de clientes pretos e pardos. O estudo revelou um cenário assustador: 91% dos consumidores negros de classe A/B já passaram por situações de discriminação racial nesses estabelecimentos.

Com a ampliação do documento pelo MOVER para o varejo de grande escala, as diretrizes agora servem como um manual de autorregulação para que as empresas mudem suas posturas e parem de tratar corpos negros com suspeita ou negligência. Entre as regras que a Natura se compromete a seguir estão:

  • Treinamento e capacitação antirracista anual e obrigatória para os funcionários;
  • Proibição de qualquer barreira física ou simbólica que constranja o direito de ir e vir do cliente negro;
  • Regras rígidas e transparentes contra abordagens e revistas abusivas;
  • Implementação de metas de contratação inclusiva nas frentes de atendimento ao público.

“Combater o racismo no varejo exige protocolo, treinamento e responsabilização contínua. Em janeiro de 2025, lançamos o protocolo antidiscriminatório no Varejo que abrange diferentes formas de preconceito, como racismo, LGBTfobia, machismo, capacitismo, gordofobia, xenofobia, etarismo ou qualquer outro tipo de discriminação. Aderir a este Código é dar mais um passo no avanço do nosso compromisso para garantir que o consumidor negro seja recebido, em cada uma de nossas lojas, com o respeito e a dignidade que merece. Equidade racial é parte do nosso compromisso histórico e seguimos firmes em transformá-lo em prática cotidiana”, afirma Aline Lima, Head de Diversidade, Equidade e Inclusão da Natura.

O movimento da Natura se conecta a um histórico recente de letramento interno e representatividade. Desde 2023, a empresa garante equidade salarial por raça e gênero em sua operação brasileira. Além disso, o programa Eleva Carreiras, focado na aceleração de profissionais negros, ajudou a dobrar a quantidade de pessoas pretas e pardas em posições de liderança. Atualmente, o quadro geral da empresa conta com 40% de colaboradores negros (chegando a 60% no varejo), com a meta de atingir 30% da gerência até 2030.

A Natura já participa de outras iniciativas do MOVER, o que reforça a continuidade desta parceria. “A adesão da Natura ao Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro nos deixa muito felizes e reforça algo que acreditamos profundamente: transformar a experiência de consumo exige compromisso coletivo. O Código nasce como um convite à ação para revisar práticas, ampliar repertórios e construir ambientes em que pessoas negras sejam recebidas com respeito, pertencimento e dignidade. Cada nova adesão amplia o potencial de mudança e mostra que equidade racial não é uma agenda paralela aos negócios, mas parte do que define empresas mais relevantes, inovadoras e preparadas para o futuro”, afirma Natália Paiva, diretora-executiva do MOVER.

O movimento também é coerente com ações que já alcançam o relacionamento da Natura com o consumidor negro e com a rede de mais de 3 milhões de Consultoras de Beleza da América Latina. É o caso da linha Natura Tododia Jambo Rosa e Flor de Caju, a primeira linha de autocuidado completa do mercado dedicada a peles pretas e pardas. O desenvolvimento nasceu do Projeto Dandara (pesquisa psicossocial realizada com mais de duas mil mulheres pretas e pardas) e foi formulado com testes em mais de 120 variações de tons de pele. Esse cuidado com a pluralidade também se reflete em um portfólio robusto e integrado entre as marcas: por Natura, destacam-se os cuidados infantis de Mamãe e Bebê Cachinhos e Crespinhos, a linha Tododia Cachos e Crespos e a alta performance de Lumina para Cabelos Cacheados e Crespos.

Afro Nation: Jornalista André Damião celebra a experiência na cobertura de grandes festivais de cultura negra

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Foto: reprodução

Aos 30 anos recém completados, criador de conteúdo brasileiro soma mais de nove milhões de impressões e desembarca em Portimão para acompanhar o maior festival de afrobeats do mundo.

André Damião, criador de conteúdo carioca-angolano, desembarca em Portimão nesta sexta-feira (3) para acompanhar os três dias da Afro Nation Portugal, considerado o maior festival de afrobeats do mundo, no Algarve. A viagem acontece a convite da AA Connect, agência preta comandada por Aretha Alves, que atua na intermediação entre criadores de conteúdo e marcas, com foco em beleza, viagens e estilo de vida.

A presença de criadores negros brasileiros em festivais internacionais dedicados à cultura afro segue majoritariamente dependente de agências fundadas por pessoas negras, que atuam na intermediação direta com marcas e eventos e ampliam o acesso a coberturas historicamente concentradas em criadores brancos. O convite recebido por Damião se insere nesse movimento.

Para o criador, estar na Afro Nation representa a convergência entre trajetória pessoal e profissional. “É uma sensação de êxtase e, ao mesmo tempo, de pertencimento. É muito bom estar em um festival que celebra quem eu sou. Eu me sinto em casa. E, como comunicador, é um prazer representar o Brasil e Angola em um festival tão plural. Quando iniciei a faculdade de Jornalismo, sempre tive como foco a comunicação preta. Estar aqui hoje significa viver uma narrativa que acompanha toda a minha trajetória, tanto pessoal quanto profissional”, afirma André Damião, em entrevista ao Mundo Negro.

Foto: reprodução

Formado em Jornalismo, Damião construiu carreira como produtor de conteúdo voltado a moda, viagens e estilo de vida, com recorte declarado desde a formação acadêmica para a comunicação preta. Segundo ele, os conteúdos que produz atualmente somam mais de nove milhões de impressões e têm alcançado públicos que normalmente ficam fora dos espaços de luxo e lifestyle tradicionalmente ocupados por criadores brancos. “Tenho vivido uma ascensão na minha carreira, alcançando mais de nove milhões de impressões com conteúdos que estão furando a bolha e ampliando os imaginários e as possibilidades para pessoas negras e LGBTQIAPN+ que se inspiram nas minhas vivências de estilo de vida de luxo. A Afro Nation também carrega esse glamour, essa potência e esse senso de pertencimento”, diz.

A viagem chega em um momento pessoal específico para o criador, que completou 30 anos recentemente. Ele associa a data ao convite recebido para a Afro Nation e ao amadurecimento das relações que construiu no mercado de influência ao longo dos últimos anos. “Este é um momento de celebração. Recentemente completei 30 anos e tenho construído conexões muito importantes dentro do mercado de influência. Quando recebi o convite da Aretha Alves para fazer a cobertura do festival, fiquei muito honrado e emocionado. Hoje sinto que estou exatamente onde sempre sonhei estar, vivendo uma trajetória alinhada aos meus propósitos”, relata André Damião, em entrevista ao Mundo Negro.

A Afro Nation Portugal reúne, entre sexta-feira (3) e domingo (5), nomes como Burna Boy, Tyla, Asake e Wizkid nos principais palcos do festival, além de participações especiais de Gunna e Kehlani. Criado em 2019 na Praia da Rocha, o festival chega à sexta edição consolidado como um dos maiores encontros de música e cultura afro fora do continente africano e opera neste ano com mais de 98% dos ingressos vendidos, segundo dados divulgados pela própria organização. A edição de 2025 reuniu mais de 40 mil pessoas de 180 países ao longo dos três dias de evento, número que consolidou o Algarve como um dos principais destinos ligados à cultura afro no verão europeu.

Foto: reprodução

A dupla identidade de Damião, entre Brasil e Angola, atravessa sua atuação como comunicador voltado à cultura preta e se conecta ao caráter plural do line-up da Afro Nation, que reúne artistas de diferentes países do continente africano, do Caribe e da diáspora latino-americana em um mesmo palco. Para o criador, essa pluralidade dialoga diretamente com a proposta que ele já desenvolve em seu próprio trabalho de conteúdo.

Damião documenta os três dias de evento em suas redes sociais até o encerramento, no domingo (5).

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