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“Quando falo sobre autocuidado e prazer, entendo o chá como fio condutor de tudo isso”, diz Flávia Barbosa

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Foto: Divulgação

Em um período em que cada vez mais pessoas recorrem ao chá como um caminho para o autocuidado, Flávia Barbosa, 35, sommelier de chás e criadora de conteúdo, convida o público a enxergar a bebida também como uma ferramenta de cura e autoconhecimento, além de, no Brasil, ter origens nas culturas dos povos negros e indígenas.

“Embora minhas ancestrais mais próximas não tenham tido uma ligação forte com esse universo e nem me passado diretamente muitos ensinamentos, ao escolher me conectar e trabalhar com o chá, sinto que continuo um trabalho muito mais antigo. Quando falo sobre autoconhecimento, autocuidado, prazer, rituais e, principalmente, pausa e descanso, entendo o chá como fio condutor de tudo isso”, conta Flávia em entrevista ao Mundo Negro e Guia Black Chefs.

Nascida em Ribeirão Preto e atualmente morando em São Paulo, Flávia iniciou sua trajetória em 2015, quando se encantou com o Masala Chai, bebida tradicional indiana que passou a servir em sua microempresa vegetariana. O encantamento foi tanto que, um ano depois, ela decidiu se mudar para a capital paulista para estudar no Instituto do Chá, onde se especializou na área.

Foto: Divulgação

“Após dois anos atuando em uma casa de chá, abri minha própria empresa, a Capins da Terra, que, em seu auge, chegou a oferecer 13 blends autorais, vendidos inicialmente na loja virtual e, entre 2022 e 2024, também em ponto físico”, diz Flávia, que recentemente decidiu encerrar as atividades comerciais para se dedicar integralmente à criação de conteúdo, além de ministrar aulas, experiências e workshops sobre chás.

Nas redes sociais, onde é conhecida com o @capinsdaterra, ela compartilha sua rotina e a sua relação com práticas de autocuidado, “valorizando processos e tudo o que for mais natural possível”. Neste momento, ela também desenvolvendo o seu novo projeto-extensão, Folhas de Ciata (@folhasdeciata), para fortalecer uma comunidade de mulheres que encontram nos chás e nas ervas uma possibilidade e uma estratégia de bem viver. “Ser uma mulher negra que propõe o que eu proponho, é sem dúvida uma forma de manter vivo o sonho das que vieram antes de mim.”

O chá para o equilíbrio

Foto: Divulgação

Questionada sobre seu chá favorito, Flávia afirma que ser difícil definir para uma amante do chá, mas explica a sua escolha: “Atualmente — considerando os aprendizados e a fase da vida em que me encontro — tenho me identificado muito com os oolongs, chás semi-oxidados que, como gosto de explicar, ficam ‘no meio do caminho’ entre os chás verdes e os pretos. Por muitos anos, vivi em extremos. Encontrar esse meio-termo, esse equilíbrio (mesmo que momentâneo) em meio à rotina agitada, foi um grande desafio — e hoje consigo experienciar isso.”

E completa: “Por isso os oolongs têm me encantado tanto: além de representarem esse equilíbrio, sua complexidade sensorial me proporciona múltiplas experiências, mostrando que é possível viver vários caminhos dentro de uma mesma jornada.”

Ser uma mulher negra no universo do chá

Foto: Divulgação

Apesar da leveza que o tema carrega, Flávia não romantiza os desafios de ser uma mulher negra nesse setor. “Além da falta de identificação recorrente como proprietária da marca e das microviolências racistas cotidianas, existe também a desvalorização e a falta de credibilidade dentro do próprio setor. Embora a cultura do chá no Brasil tenha origem nos povos indígenas e em nós, pessoas negras em diáspora, houve um sequestro histórico e apagamento de muitos rituais pelo colonizador”, explica.

Ela também chama atenção para o pensamento “místico-colonizador”, que acredita que pessoas negras que trabalham com ervas não devem monetizar seu saber. “Tudo isso dificulta construir renda exclusivamente a partir dos chás e, consequentemente, afasta muitas pessoas negras dessa área”, afirma.

Mas Flávia tem sonhos maiores que estes desafios.“Meus planos envolvem continuar crescendo na minha área, multiplicando meus conhecimentos sobre chás e impactando positivamente a vida de mais pessoas. Além disso, busco ajudar a preservar a vida e a memória das verdadeiras matriarcas dos chás no Brasil: mulheres indígenas, benzedeiras e erveiras.”

Lívia Rodrigues lidera a criação do primeiro anticaspa para cabelos crespos e cacheados, lançado pela Vichy

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Lívia Rodrigues (Foto: Divulgação)

Um novo produto promete transformar o cuidado com o couro cabeludo de pessoas com cabelos afro. A Vichy lançou recentemente o Dercos Anticaspa Shampoo Espuma de Limpeza Cachos & Crespos, primeiro anticaspa desenvolvido especialmente para fios com curvatura.

O lançamento representa um marco na indústria da beleza e da representatividade na ciência. A pesquisadora Lívia Rodrigues, química e líder de Valorização Científica em Cuidados Capilares e Coloração para a América Latina na L’Oréal, e uma das premiadas da Powerlist Mundo Negro 2025, foi quem comandou o desenvolvimento do produto — um processo que contou com uma equipe diversa de cientistas e escuta ativa de consumidoras negras.

“O projeto foi liderado por mim, em valorização cientifica, mas tivemos muitos cientistas envolvidos nesse lançamento e com certeza diversidade foi o ponto chave. Eu, por exemplo, sou uma mulher negra que uso tranças e sabia da necessidade de ter um produto que facilitasse a minha rotina. Somos um time diverso, mas para além disso, somos um time que coloca o consumidor no centro dos nossos desenvolvimentos e, a partir desse conhecimento, investimos em novos testes instrumentais e com consumidores com tranças e locs. Foi nessa etapa, que vimos a oportunidade de também criar um novo modo de uso, especialmente desenhado para este público”, afirma Lívia em entrevista ao Mundo Negro.

O novo Dercos foi criado para combater a caspa sem comprometer a hidratação e definição dos fios. A fórmula combina ativos poderosos como Piroctona Olamina e Ácido Salicílico, reconhecidos pela ação anticaspa e purificante, com ingredientes hidratantes que mantêm o equilíbrio da fibra capilar.

Testado em todas as curvaturas, tranças e locs, o produto traz até 74% menos frizz, hidratação duradoura e eliminação da caspa persistente, com efeito anti-recidiva de até seis semanas. Outro diferencial está na textura em espuma leve, que facilita a aplicação e o enxágue, e no bico de precisão, que alcança diretamente o couro cabeludo — ideal para quem usa penteados protetores.

Para Ana Luiza Cunha, diretora de Marketing de Vichy, o lançamento chega para suprir uma lacuna histórica no cuidado com o couro cabeludo de pessoas com cabelos crespos e cacheados. “O Shampoo Espuma de Limpeza Cachos e Crespos combina ação anticaspa com hidratação intensa, diferente dos anticaspas tradicionais que costumam ressecar os fios”, destaca a executiva.

O produto é também resultado de uma colaboração entre Vichy e o AfroSou, rede de afinidade racial do Grupo L’Oréal no Brasil.

Disponível no Dermaclub com preço sugerido de R$129,90 (200ml), o Dercos Anticaspa Shampoo Espuma de Limpeza Cachos & Crespos é mais do que um novo item de beleza: é um avanço simbólico e científico, que mostra o poder da diversidade em transformar a indústria cosmética.

Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e a Vichy.

Canal Brasil exibe programação especial durante o Mês da Consciência Negra

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Em celebração ao Dia da Consciência Negra (20/11), o Canal Brasil apresenta uma programação especial ao longo de todo o mês de novembro com documentários, filmes, séries e shows que abordam temas como racismo, religião, ancestralidade e cultura negra. A iniciativa inclui a faixa “Negritudes”, dedicada a histórias que exploram a vida, a arte e a luta de pessoas pretas, com o objetivo de ampliar a discussão sobre representatividade e protagonismo negro no audiovisual.

A programação tem início no dia 6 de novembro, com o longa-metragem “O Dia que Te Conheci” (2023), de André Novais Oliveira, às 20h. Na trama, Zeca tenta levantar cedo para pegar o ônibus e chegar uma hora e meia depois na escola da cidade vizinha, mas descobre que será demitido. A partir daí, ele desenvolve um vínculo inesperado com a colega de trabalho Luísa. Classificação: 14 anos.

No dia 13/11, às 20h, será exibido “Filhas do Vento” (2004), de Joel Zito Araújo, sobre duas irmãs que se reencontram 45 anos depois, carregando rancores do passado. Classificação: 14 anos. Já no dia 27/11, às 20h, entra em cartaz “Amor Maldito” (1984), de Adélia Sampaio, considerado o primeiro longa de uma cineasta negra no Brasil, que retrata um romance entre duas mulheres. Classificação: 16 anos.

Mostra Mês da Consciência Negra – Quintas, às 20h

  • O Dia que Te Conheci (2023) – 6/11 – 20h
  • Filhas do Vento (2004) – 13/11 – 20h
  • Amor Maldito (1984) – 27/11 – 20h

Maratona Curta na Tela – Cineastas Negros
Data: Quinta-feira, 20/11
Horário: A partir das 20h

  • “Cavaram Uma Cova No Meu Coração” (2024) – inédito, 23’, direção: Ulisses Arthur. A história acompanha uma mineradora que perfura a terra para extrair sal-gema, enquanto uma gangue de adolescentes planeja quebrar a máquina responsável pelos tremores. Classificação: Livre.
  • “Eu Me Chamo Darwin” (2021) – inédito, 11’, direção: Well Darwin. Reflexão sobre identidade a partir da memória. Classificação: Livre.
  • “Cores e Botas” (2010), 16’, direção: Juliana Vicente. Joana sonha em ser paquita, mas nunca se viu representada por ser negra. Classificação: 12 anos.
  • “Rainha” (2016), 31’, direção: Sabrina Fidalgo. Rita realiza o sonho de ser rainha de bateria, enfrentando desafios internos e externos. Classificação: 12 anos.
  • “Como Respirar Fora D’Água” (2021), 16’, direção: Júlia Fávero e Victoria Negreiros. Janaína é injustamente enquadrada por policiais e enfrenta sua relação com o pai. Classificação: 12 anos.
  • “Quintal” (2015), 20’, direção: André Novais Oliveira e Maurílio Martins. Um dia na vida de um casal de idosos da periferia. Classificação: 18 anos.
  • “Escasso” (2022), 16’, direção: Gabriela Gaia Meirelles e Clara Anastácia. Rose celebra o sonho da casa própria enquanto apresenta seu lar. Classificação: 12 anos.
  • “Remendo” (2023), 21’, direção: Gg Fákọ̀làdé. Zé trabalha reparando objetos esquecidos. Classificação: 12 anos.

Faixa Negritudes
Data: Segunda-feira, 24/11
Horário: A partir das 20h

  • “Tijolo por Tijolo” (2025) – inédito, 103’, direção: Quentin Delaroche e Victória Álvares. Uma família recifense reconstrói seu lar após evacuação por risco de deslizamento, durante a pandemia de Covid-19. Classificação: Livre.
  • “Virgínia e Adelaide” (2025) – inédito, 96’, direção: Yasmin Thayná e Jorge Furtado. O encontro entre Virgínia Bicudo, primeira psicanalista negra do Brasil, e Adelaide Koch, psicanalista judia refugiada da Alemanha nazista. Classificação: 14 anos.
  • Maratona “Escravidão no Século XXI” (2021) – 5 episódios, direção: Bruno Barreto e Marcelo Santiago. Análise das condições que configuram trabalho análogo à escravidão no Brasil. Classificação: 16 anos.
  • “Isto é Pelé” (1974), 75’, direção: Eduardo Escorel e Luiz Carlos Barreto. A trajetória de Edson Arantes do Nascimento e suas conquistas no futebol brasileiro. Classificação: 10 anos.
  • “Garrincha, Alegria do Povo” (1962), 58’, direção: Joaquim Pedro de Andrade. A carreira do jogador, com cenas das Copas de 1958 e 1962. Classificação: Livre.
  • “Arapuca” (2023), 20’, direção: Joel Caetano. Marcos retorna à antiga casa para cuidar do pai doente. Classificação: 12 anos.
  • Show Sandra de Sá – 30 Anos & Convidados (2007), 63’. Álbum também conhecido como ÁfricaNatividade, celebra 30 anos da carreira da artista. Classificação: Livre.

A programação completa do Canal Brasil para o Mês da Consciência Negra oferece um panorama diverso e plural da produção audiovisual negra, combinando obras inéditas e clássicas. São oportunidades de reflexão sobre representatividade, cultura, história e resistência, reunindo artistas e diretores negros que pautam a vida, a arte e a luta de pessoas pretas no Brasil.

Exposição ‘Imaginação Radical’ celebra 100 anos de Frantz Fanon no Museu das Favelas

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Obra Robinho Santana

O Museu das Favelas anuncia a abertura de sua nova exposição, Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon, que estreia em 25 de novembro de 2025, em São Paulo, marcando também os três anos da instituição. A mostra chega após o sucesso de público de Racionais MC’s: O Quinto Elemento e celebra o centenário de um dos pensadores mais influentes do século XX, refletindo sua relevância para a arte, a política e os movimentos sociais atuais.

Com curadoria de Thais de Menezes, co-curadoria de Jairo Malta e expografia de Gisele de Paula, a exposição reúne mais de 130 obras e apresenta artistas de diversas nacionalidades, incluindo Brasil, Colômbia, Argélia, Marrocos, Bolívia, Venezuela, Angola e Espanha. Entre os destaques, estão Dalton Paula, Bruno Baptistelli, Rebeca Carapiá, JX, Juliana dos Santos, Nenesurreal, Tau Luna e Mayara Amaral, mostrando a influência contínua de Fanon sobre gerações de ativistas, artistas e intelectuais.

Segundo Natália Cunha, diretora do Museu das Favelas, a exposição reforça o posicionamento da instituição como espaço de reflexão e produção crítica. “Para Fanon, os povos historicamente marginalizados precisam narrar a si mesmos para resgatar humanidade, dignidade e protagonismo. Esta mostra é um convite para reimaginar o mundo a partir das tecnologias sociais e ancestrais das favelas, e inaugurar durante o Mês da Consciência Negra reforça ainda mais seu significado.”

A expectativa é receber mais de 80 mil visitantes até maio de 2026. O Museu das Favelas está localizado no Largo Páteo do Colégio, no Centro Histórico de São Paulo, e funciona de terça a domingo, das 10h às 17h, com entrada gratuita. É necessário retirar ingresso antecipado no Sympla ou na recepção, sujeito a lotação. Visitas mediadas devem ser agendadas previamente.

Mais informações em museudasfavelas.org.br.

Wanderson Dutch lança ‘África para Colorir’ no Dia da Consciência Negra em São Paulo

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O educador, escritor e roteirista Wanderson Dutch lança em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, o livro África para Colorir – Volume 1: Princesas e Rainhas Africanas. A obra, que une arte, educação e ancestralidade, apresenta 50 mulheres africanas que marcaram a história do continente, rainhas, guerreiras, curandeiras e líderes espirituais — em ilustrações criadas para colorir.

Mais do que um livro, África para Colorir é uma ferramenta pedagógica e afetiva que busca reconstruir a autoestima e a representatividade negra na infância. O projeto nasce em resposta à negligência do sistema educacional brasileiro em aplicar a Lei 10.639/03, que determina o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas. “Colorir é um ato político quando a cor da pele e a cor da história foram apagadas por séculos”, afirma o autor.

O lançamento acontece na Expansão Cultural, no Capão Redondo (SP), a partir das 15h, com o tema O futuro é ancestral. O evento contará com apresentações artísticas, oficinas e atividades para crianças, reafirmando o compromisso de Dutch com uma pedagogia decolonial e libertadora. Paralelamente, o autor promove uma campanha de arrecadação para distribuir 200 exemplares gratuitos do livro a crianças de periferias, fortalecendo o acesso à leitura e à representatividade.

Mais informações e apoios: acesse www.lermais.com.br, entre em contato pelo e-mail noticiaemovimento@gmail.com ou acompanhe nas redes @wandersondutch e @lermais_br no Instagram.

‘Quilombo’: a história de Ganga Zumba, Zumbi, Dandara e o poder da fé na luta contra a escravidão

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Antonio Pitanga e Zezé Motta em 'Quilombo' (Foto: Divulgação)

Neste artigo especial para o Novembro Negro e Dia do Cinema Brasileiro, celebrado em 5 de novembro, recordei do filme ‘Quilombo’ (1984), estrelado por grandes estrelas como Antonio Pitanga, Tony Tornado, Grande Otelo, Zezé Motta e Antonio Pompeo, exibido no Festival de Cannes e premiado no XXIV Festival de Cinema de Cartagena.

Dirigido por Cacá Diegues, um dos importantes nomes do movimento Cinema Novo, e baseado nos livros ‘Ganga Zumba’ e ‘Palmares’, o filme se passa em meados de 1650, quando um grupo de pessoas escravizadas se rebela em um engenho de Pernambuco e segue em direção ao Quilombo dos Palmares em busca da liberdade, junto aos ex-escravizados. 

Entre eles está Ganga Zumba (Tony Tornado), príncipe africano e futuro líder do quilombo, que se torna padrinho de Zumbi (Antonio Pompeo). Anos depois, Zumbi se tornará símbolo da luta pela liberdade ao confrontar as ideias conciliatórias de seu padrinho e liderar Palmares contra o maior exército já mobilizado na história colonial do Brasil, ao lado da sua companheira Dandara (Zezé Motta).

Tony Tornado em ‘Quilombo’ (Foto: Divulgação)

O filme ‘Quilombo’ retrata os nossos heróis negros que lutaram pela liberdade, perseveram a cultura e a disciplina com os rituais religiosos. Se na sociedade atual nos desanimarmos com o racismo e as desigualdades, a gente pode assistir esse filme para nos conectarmos com os nossos ancestrais de forma cinematográfica para compreender como a fé aos orixás foi importante na luta contra a escravidão.

É necessário manter uma disciplina, respirar e ouvir seus orixás, que lhe ajudarão a compreender os verdadeiros aliados em uma luta. Não é uma tarefa fácil, mas é o que mantém o nosso povo de pé até hoje.

A trilha sonora também é outro marco do longa de produção brasileira-francesa, composto e gravado na voz do majestoso Gilberto Gil. Lançado em 1984, o LP ‘Bande Originale du Film Quilombo’ foi lançado inicialmente na Europa e depois distribuído no Brasil, se tornando um registro simbólico da resistência negra e da ancestralidade. 

O filme está disponível no YouTube e o álbum está disponível nas plataformas de streaming. Viva Ganga Zumba! Viva Zumbi! Viva Dandara!

‘Carreiras Negras’: Livro destaca trajetórias de executivos de grandes empresas e organizações brasileiras

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Foto: Divulgação

Lideranças negras que ocupam cargos estratégicos em grandes empresas e organizações brasileiras compartilham suas histórias e aprendizados no livro ‘Carreiras Negras’, lançado em outubro pela Editora Jandaíra. A obra, escrita por Talita Matos e Eliezer Leal, analisa o contexto histórico e social do trabalho no Brasil e apresenta estratégias para fortalecer a presença, o poder e a permanência de profissionais negros em espaços de decisão.

Com prefácio do filósofo Renato Nogueira, o livro reúne histórias inspiradoras de executivos e executivas que atuam em companhias como Aline Lima, head de diversidade, equidade e inclusão da Natura para a América Latina, e Powerlist Mundo Negro 2025; Luana Ozemela, vice-presidente de impacto social e sustentabilidade no iFood; Luciane Malta Rodrigues, gerente sênior de Relações Institucionais no MOVER; Cosme Bispo, gerente da unidade de impacto da Fundação Lemann, entre outros.

“É um livro no qual eu e o Eliezer olhamos para as nossas experiências pessoais e para a vivência de pessoas próximas, com atenção para a construção social do Brasil. Os aprendizados vêm de projetos e encontros com mais de 2.000 profissionais negros nos últimos 5 anos. A partir disso, nós propomos algumas saídas aos desafios enfrentados por pessoas negras ao se verem em um lugar de liderança em grandes empresas, ou mesmo com conselhos para aquelas que buscam alcançar esses lugares”, explica Talita Matos, cientista social com mestrado em educação inclusiva e mais de 20 anos de atuação em diversidade e inclusão.

Eliezer Leal, sócio da consultoria Singuê, com mais de duas décadas de experiência no setor de tecnologia, além de atuar como coach e conselheiro, destaca que o livro é também uma forma de devolver à sociedade os aprendizados acumulados ao longo dessa jornada. “O Carreiras Negras vem em um momento de consolidação do nosso conhecimento, como uma devolutiva à sociedade de tudo o que aprendemos e construímos na nossa própria jornada. Enquanto os números mostrarem um ambiente desigual no mercado de trabalho, temos que falar, escrever e conversar sobre o lugar ocupado por pessoas negras”, afirma.

Segundo a PNAD Contínua 2024, do IBGE, 56,4% da população brasileira em idade de trabalhar se declara preta ou parda, mas a maioria ainda está fora dos cargos de comando. Os autores reforçam que repensar as estruturas corporativas é essencial para transformar esse cenário.

No prefácio, Renato Nogueira resume o espírito da obra: “O que está em jogo aqui não é apenas a ascensão de indivíduos. É a possibilidade de que as carreiras negras sejam também plataformas de inovação social, de redistribuição simbólica, de cura coletiva. São movimentos que deslocam o eixo do mérito isolado para a ética da interdependência – aquele que nos ensina que o crescimento de um só tem mais sentido quando reverbera em muitos”.

Feira Preta Festival anuncia line-up e realiza edição inédita em Salvador

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O Feira Preta Festival revelou os primeiros artistas confirmados de sua edição inédita em Salvador, que acontece entre os dias 28 e 30 de novembro de 2025 no Distrito Criativo, com atividades concentradas na Praça Maria Felipa. O evento encerra o calendário do programa Salvador Capital Afro, consolidando a cidade como um dos principais polos da cultura afro-diaspórica no mundo.

Com o tema “Axé – Revolução que dá baile”, o festival chega à Bahia destacando a força da música preta contemporânea e suas raízes. A estreia em solo baiano será marcada pelo protagonismo de artistas locais que representam a pluralidade sonora e estética da cultura negra.

“Pensamos numa programação que reflita o verdadeiro molho da Bahia e que reverencie o Axé desde suas origens nos terreiros até à contemporaneidade, com os bailes e paredões de Salvador, passando pela tradição dos blocos Afro”, explica Adriana Barbosa, fundadora e diretora executiva do Feira Preta.

Entre os nomes já confirmados estão Jau, Sued Nunes, Afrocidade, Rachel Reis, Pagode Por Elas, A Dama do Pagode, Yan Cloud, Vírus Carinhoso, Ministereo Público SoundSystem e Batekoo. A programação é gratuita mediante doação de 1kg de alimento não-perecível, destinado a instituições sociais locais

A seleção de artistas reforça o propósito do Feira Preta de valorizar a produção cultural negra em suas diversas expressões. Do pagode ao afrobeats, do reggae ao R&B, o line-up reflete a diversidade das sonoridades negras que movimentam a economia criativa e mantêm viva a ancestralidade da música baiana.

Além das apresentações musicais, o Festival Feira Preta Salvador contará com uma extensa programação que inclui feira de afroempreendedores, desfiles de moda, talks sobre empreendedorismo, cultura e economia preta, além de stand up, gastronomia, mapping, games e atividades infantis, reforçando o caráter plural e comunitário do evento.

Programação musical

Sexta, 28 de novembro
Praça Maria Felipa
18h às 20h – Alvorada dos Ojás

Sábado, 29 de novembro – Palco Axé (apresentado por Nubank)
Mestres de cerimônia: Tia Má e Ícaro Bonfim
12h – DJ Eduardo Brechó
13h – Sued Nunes convida Josyara
15h – Afrocidade convida Broken Pen
17h – Jau convida Rachel Reis
19h – EdCity Fantasmão

Palco Paredão – parceria com Batekoo e HitLab
MC: Cleidson Baby
12h – Artistas do Feira Preta Cria Música
13h15 – Batalha Rap
13h55 – Slam Fya: Do Ódio ao Amor
14h30 – Experiência Jamaica
15h30 – Shook na Voz
16h30 – Lunna Montty
17h30 – LEVYSSO
18h30 – Freshprincedabahia
19h45 – Jeffinho
20h30 – Tia Carol

Domingo, 30 de novembro – Palco Axé
MCs: Tia Má e Ícaro Bonfim
12h30 – Pagode Por Elas com Rai Pereira convidam A Dama e Nath BR
14h – Yan Cloud convida Vírus Carinhoso
15h50 – Ministereo Público
18h40 – Baile Essencial
19h – O Kanalha

Palco Paredão
MC: Tia Carol
12h – DJ Allexuz
13h – Artistas Feira Preta Cria Música
14h15 – Acerte e Ganhe com Raoni Oliveira
15h15 – DJ Allexuz
16h – Tiago Simas
17h – DJ Belle
18h – Samba Orisun
19h40 – Samba Trator

Olivier Rousteing deixa a direção criativa da Balmain após 14 anos

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Foto: © AFP via Getty Images

Olivier Rousteing, um dos nomes mais influentes da moda contemporânea, anunciou nesta quarta-feira (5) sua saída da direção criativa da Balmain, após 14 anos à frente da maison francesa. A notícia foi divulgada nas redes sociais da marca.

Rousteing assumiu o comando da Balmain em 2011, aos 25 anos, tornando-se o designer não fundador mais jovem a liderar uma grande grife de Paris — e o primeiro homem negro a ocupar o cargo em uma casa de moda tradicional francesa. Sua trajetória abriu caminhos e redefiniu o que significa ocupar posições de poder em um setor historicamente excludente.

Seu trabalho foi vestido por estrelas como Beyoncé, Rihanna, Zendaya e Tyla, consolidando a estética glamourosa, poderosa e inclusiva que se tornou sua assinatura.

Foto: Divulgação

“Expresso minha sincera gratidão a Olivier por sua extraordinária contribuição à Balmain. A liderança visionária de Olivier não só redefiniu os limites da moda, como também inspirou uma geração com a sua criatividade ousada, autenticidade inabalável e compromisso com a inclusão. Estamos imensamente orgulhosos de tudo o que foi alcançado sob a sua direção e ansiosos por ver o próximo capítulo da sua jornada se desenrolar com o mesmo brilhantismo e paixão”, declarou Rachid Mohamed Rachid, CEO da Mayhoola e presidente da marca.

Matteo Sgarbossa, CEO da Balmain, também destacou a importância do legado de Rousteing: “A contribuição e a paixão de Olivier ao longo dos últimos anos deixarão uma marca indelével na história da moda.”

Em nota, o estilista celebrou sua trajetória. “Ao olhar para o futuro e para o próximo capítulo da minha jornada criativa, sempre guardarei este tempo precioso no meu coração.”

Durante sua gestão, Rousteing transformou a Balmain em uma das marcas mais desejadas do mundo. O faturamento saltou de 30 milhões de euros, em 2012, para cerca de 300 milhões em 2024. Ele também foi responsável por reviver a alta-costura da maison, em 2019, e lançar a linha Balmain Beauty, em parceria com a Estée Lauder, em 2023.

Anok Yai é eleita Modelo do Ano 2025

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Foto: Dimitrios Kambouris/Getty Images

O British Fashion Council surpreendeu o mundo da moda ao anunciar antecipadamente a vencedora do prêmio Modelo do Ano 2025. A escolhida foi Anok Yai, nascida no Egito, que tem se destacado como uma das maiores representantes da nova geração de supermodelos negras nas passarelas internacionais.

O anúncio foi feito nesta terça-feira (5) pelo perfil oficial do BFC no Instagram, quase um mês antes da cerimônia oficial, marcada para 1º de dezembro, em Londres.

Com uma trajetória marcada por conquistas históricas, Anok Yai teve um ano de destaque absoluto. A modelo abriu desfiles de marcas como Ferragamo, Coperni e Hugo Boss, e encerrou apresentações de Ralph Lauren, Fendi, Vetements e Messika, além de marcar presença em nomes de peso como Saint Laurent, Mugler, Tom Ford, Calvin Klein, Bottega Veneta e na aguardada estreia de Matthieu Blazy na Chanel.

Além das passarelas, Anok foi rosto de grandes campanhas – entre elas, a fragrância Alien, da Mugler, e ações comerciais para a Gap. Também brilhou na passarela do retorno da Victoria’s Secret e estampou capas de revistas como Vogue França, Allure e Perfect Magazine.

Diferente dos anos anteriores, em que cinco modelos eram indicadas ao prêmio, em 2025 o BFC optou por anunciar diretamente a vencedora, após uma votação conduzida por um grupo seleto de especialistas da indústria da moda. O júri contou com nomes como Laura Weir (CEO do BFC), Campbell Addy (fotógrafo), Carlos Nazario (estilista) e Sophia Neophitou-Apostolou (editora da revista 10).

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