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Festival ‘O Tempo é Ancestral’ celebra a Consciência Negra através da astrologia e do tarot

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Entre os dias 18 e 21 de novembro, astrólogos e tarólogos negras e negros do Brasil se reúnem para refletir sobre a Consciência Negra através das cosmologias africanas e diaspóricas no festival O Tempo é Ancestral. O evento, idealizado por Ana Zambi (@zambiastrologia), acontece de forma online e gratuita, e propõe uma experiência de quatro dias marcada por conversas, leituras oraculares, música e performances.

“O Tempo é Ancestral é um chamado de relembrança ao que nunca foi esquecido. Cada corpo negro é o tempo que retorna”, explica Ana Zambi, astróloga tradicional afrocentrada e criadora do festival. A proposta é olhar o tempo como corpo, memória e herança viva, em oposição à visão linear dominante, ressignificando a relação entre ancestralidade, espiritualidade e existência negra.

Programação

18/11 – Poéticas do Tempo e do Corpo

  • Lucas Coelho – Poéticas astrológicas negras: os céus de Beatriz Nascimento e Virgínia Bicudo
  • Arkana Preta – Mensagens diaspóricas: como o racismo se revela na leitura das cartas
  • Abertura com leituras oraculares de Black Eremita

19/11 – O Tempo que se Herda

  • Papisa – tema a definir
  • Raquel Irê Okan – O tempo que se herda: astrologia, nascimento e ancestralidade

20/11 – Céus de Levante

  • Thai Silva – A revolução dos Malês: o céu de um levante negro

21/11 – Encerramento: Retorno e Recomeço

  • Vivi Moreira – O mapa de uma existência: a astrologia pelo olhar da cosmologia banto
  • Encerramento com leituras oraculares de Black Eremita

Durante todos os dias, o festival contará com sets da DJ Ariely Lino, atravessando o evento com ritmos de travessia, transe e celebração, além de surpresas preparadas pelos participantes, como uma rifa coletiva de atendimentos oraculares.

O festival nasce da necessidade de reafirmar a presença negra nos campos da astrologia e das artes divinatórias, historicamente dominados por perspectivas brancas e eurocentradas. “O tempo é ancestral porque o saber é ancestral. Porque há memórias que resistem mesmo quando as tentam silenciar”, afirma Ana Zambi.

Festival O Tempo é Ancestral

  • 18 a 21 de novembro de 2025
  • Transmissão: @zambiastrologia
  • Com DJ Ariely Lino
  • Com astrólogues e tarólogues negras e negros de diferentes territórios do Brasil
  • Evento online e gratuito

Degustação de vinhos em São Paulo proporciona experiência sensorial guiada para pessoas negras

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O +PRETTO abre uma nova frente dentro de sua programação cultural com a realização da degustação “SENTIR-SE +PRETTO”, marcada para o dia 27 de novembro. A iniciativa propõe uma imersão no universo do vinho guiada pelo sommelier Luis Dluca, profissional especializado em rótulos de luxo e conhecido por conduzir experiências formativas na área. A atividade acontece na Vinícola Urbana, espaço que integra produção, visitação e eventos em plena cidade de São Paulo.

A proposta do encontro combina etapas técnicas e sensoriais: um passeio pelos barris da vinícola, seguido de uma aula introdutória sobre métodos, características e práticas de degustação. Ao final, o público experimenta cinco rótulos, branco, rosé, tintos e frisante, acompanhados de petiscos e música ambiente. A ideia é apresentar o vinho de maneira acessível, criando um percurso que une conhecimento, prática e observação.

A degustação integra a linha de eventos que o +PRETTO vem realizando nos últimos anos, com atividades voltadas para vivências culturais e espaços de convivência entre pessoas negras. A edição “Sentir-se” reforça esse movimento, inserindo o universo do vinho dentro de uma agenda que também inclui encontros, esportes, arte e lazer.

Serviço

Evento: SENTIR-SE +PRETTO – Degustação de Vinhos
Data: 27 de novembro de 2025
Horário: 19h30
Local: Vinícola Urbana – R. Francisco Leitão, 625, Pinheiros – São Paulo/SP
Ingressos: Disponíveis no Sympla
Redes sociais: @maispretto
Site: www.maispretto.com.br

Jantar Papo de Futuro: o Brasil que se constrói na escuta, no afeto e na responsabilidade coletiva

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Foto: Divulgação

Texto: Rodrigo França

O jantar Papo de Futuro, idealizado e oferecido por Rodrigo França e pela arquiteta e secretária de Meio Ambiente e Clima Tainá de Paula, reuniu, no Rio de Janeiro, cinquenta pessoas comprometidas com pensar o país para além da retórica e das urgências de ocasião. O encontro, que nasce com o propósito de se tornar uma tradição anual, foi mais do que uma celebração simbólica: foi um gesto de responsabilidade pública e intelectual diante do momento em que o Brasil se encontra.

Entre os presentes, nomes que constroem a cultura, o direito e a educação como tecnologias de resistência: as atrizes e os atores Neusa Borges, Ava Simões, Deo Garcez, Dja Martins, Luana Xavier, Ernesto Xavier, Ju Colombo, Marco Rocha, Orlando Caldeira, Rafael Gualandi e Valéria Monã; os diretores de cinema e teatro Gigi Soares e Fernando Philbert; as escritoras Eliana Alves Cruz e Carolina Rocha; o intelectual Carlos Alberto Medeiros; e o jurista Gustavo Proença, entre tantas outras pessoas que dedicam suas trajetórias à transformação do país.

O encontro ocorreu em meio a uma conjuntura tensa no Rio de Janeiro, marcada por episódios de violência policial e pela perpetuação de uma lógica de segurança pública que ainda enxerga territórios negros e periféricos como zonas de exceção. Diante desse cenário, as falas convergiram em torno da necessidade de um novo pacto civilizatório, onde a proteção da vida negra e periférica seja princípio e não exceção. Pensar o futuro, nesse contexto, é reconhecer que não há democracia sólida sem uma política de segurança pública humanizada, que respeite direitos e promova justiça, e sem um Estado comprometido em reparar as feridas históricas que sustentam o racismo estrutural.

Foto: Divulgação

A pauta da educação também ocupou lugar de destaque. Educadores e educadoras presentes reforçaram que a transformação social só será possível com investimento real e contínuo em uma educação libertadora, antirracista e plural, capaz de romper com as hierarquias coloniais que ainda estruturam o saber no Brasil. Foi consenso que educar é o maior ato político e que o futuro do país depende diretamente da valorização dos profissionais da educação e da ampliação do acesso a políticas de formação crítica e cidadã.

Outro ponto de destaque foi a democratização do acesso financeiro e de crédito para empreendedores e empreendedoras, em especial para produtores negros e negras das artes, do teatro e do audiovisual brasileiro. Em um mercado ainda marcado por desigualdades estruturais, o financiamento público e privado raramente chega de forma justa a quem produz fora dos grandes centros e das redes de privilégio. No Papo de Futuro, reafirmou-se que a economia criativa é também uma economia de reparação: cada investimento feito em iniciativas negras é uma aposta concreta em um Brasil mais diverso, sustentável e potente.

A noite foi atravessada por discursos de esperança, mas também por senso de urgência. Cada participante foi convidado a sair do jantar com uma tarefa, um compromisso, uma responsabilidade. A partir desse gesto, foi elaborado um documento que propõe ações concretas nas áreas de cultura, educação, economia e direitos humanos. O texto é o primeiro passo de uma construção mais ampla: um pacto ético entre pessoas que acreditam que o futuro se faz com política, diálogo e ação coordenada.

Foto: Divulgação

Tainá de Paula e Rodrigo França, anfitriões do encontro, lembraram que o Papo de Futuro não pretende ser um evento isolado, mas uma metodologia de encontro. A cada edição, novas vozes se somarão, ampliando o repertório e o alcance das discussões. O jantar reafirma que pensar o futuro é um ato coletivo, que exige coragem, escuta e compromisso com o presente.

O Brasil que queremos só existirá quando o pensamento se transformar em prática, e a palavra, em ação. E, naquele salão, entre risos, trocas e silêncios atentos, o que se viu foi exatamente isso: o exercício mais nobre da política, aquele que nasce da escuta e floresce no encontro.

Homens negros vivem menos, e o Novembro Azul precisa falar sobre isso

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Dr. Sahna Wilbonh

O mês de novembro é conhecido no meio urológico e na sociedade em geral por ser dedicado à conscientização sobre o câncer de próstata, campanha conhecida como Novembro Azul e que, há mais de 20 anos, serve de base para que a população masculina se conscientize não somente sobre o câncer de próstata, mas também para a necessidade de cuidados de saúde global nesta população, frequentemente negligenciada. No Brasil, este mesmo mês é dedicado também à Consciência Negra, de forma que se torna oportuno para os cuidados em saúde de uma parte da população ainda mais negligenciada, o homem negro. 

Com o envelhecimento da população, doenças crônicas são cada vez mais prevalentes, e, nesse cenário, doenças cardiovasculares e neoplasias (cânceres) se tornam cada vez mais importantes pensando em prevenção e tratamento (de preferência precoce). As primeiras têm alta mortalidade decorrente principalmente de infarto agudo do miocárdio e de acidentes vasculares encefálicos (chamados de AVE ou AVC). As segundas têm maiores índices de mortalidade entre homens relacionadas a cânceres de pulmão, próstata e intestino.

Dessa forma, enquanto a expectativa de vida das mulheres é de cerca de 7 anos superior à dos homens, parte desta diferença reside no maior cuidado feminino na prevenção de doenças e na busca de saúde. Embora não haja análises específicas por grupos étnicos e socioeconômicos, sabe-se que os homens negros tendem a viver menos ainda; são muitas vezes menos assistidos, mais propensos a doenças cardiovasculares e tendem a ter formas mais agressivas de câncer de próstata. 

Assim, maiores orientações acerca de cuidados de saúde em geral (manter hábitos de vida saudáveis, com boa alimentação, prática regular de atividades físicas, cessação de tabagismo e controle de doenças pré-existentes) e específicas (como o rastreamento de cânceres) são essenciais para todos, mas devem ter enfoque nas populações de maior risco. 

Considerando o câncer de próstata, que é doença-ícone quando se fala da saúde masculina, embora seja nítido o aumento do alcance de campanhas como a do Novembro Azul, ainda há um longo caminho a percorrer, visto que boa parte dos homens ainda não realizaram exames simples para detecção precoce desta patologia. E  outras questões relacionadas à saúde do homem devem receber ainda menos atenção por não terem mortalidade expressiva, mesmo que contribuam também para redução da qualidade de vida. Assim, ainda no meio da Urologia, devem ser vistas outras afecções da próstata como hiperplasia e prostatites, cálculos urinários, distúrbios hormonais, disfunções sexuais, infecções sexualmente transmissíveis, incontinência urinária, alterações da fertilidade e outros tumores e doenças urogenitais.

Há necessidade de mudança da cultura masculina em relação à própria saúde, que muitas vezes não é priorizada também pela crença de que isso os torna “menos homens”, pelo medo antecipado de algum achado ou mesmo por não se considerarem susceptíveis a doenças. A desinformação e as crenças comuns devem ser combatidas nesta busca por longevidade e qualidade de vida. Cuido e busca por ajuda médica são fundamentais não somente para tratar de doenças, mas também para evitá-las e viver melhor.

Dr. Sahna Wilbonh – Cirurgião geral e Urologista

O futuro é ancestral: quilombolas apresentam na COP30 suas próprias tecnologias de cuidado com o planeta

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Foto: divulgação

As soluções para a crise climática talvez não estejam nas conferências internacionais, mas nas comunidades que há séculos sabem o que é resistir. É isso que revela a pesquisa inédita lançada pelo Instituto Sumaúma durante a COP30, em Belém — um trabalho que documenta as tecnologias ancestrais e as práticas culturais e comunicacionais desenvolvidas por quilombolas em diferentes territórios do Brasil.

Mais do que um estudo, “Corpos-territórios quilombolas e o fio conectado da ancestralidade” é uma virada de perspectiva: coloca os quilombos no centro da discussão sobre justiça climática. Construída em diálogo direto com lideranças, a pesquisa mostra que o conhecimento ancestral não é memória, é prática viva, ferramenta de adaptação e cuidado com o planeta.

“A conta simplesmente não fecha”, afirma Taís Oliveira, diretora do Instituto Sumaúma. “As comunidades que mais sofrem com os impactos das mudanças climáticas são justamente as que detêm saberes e tecnologias sociais capazes de responder a eles, mas suas soluções seguem invisibilizadas.”

Para a pesquisadora quilombola Juliane Sousa, consultora convidada no projeto, o estudo também quebra estereótipos: “Ainda existe uma imagem equivocada de que os quilombolas vivem isolados, e essa não é a realidade. Assim como outras populações, nós também temos acesso à internet, frequentamos faculdade e levamos uma vida como qualquer outra. A diferença está na nossa relação com a natureza — ela vem das nossas heranças e se baseia no cuidado com todas as formas de vida.”

Ao lançar a pesquisa em plena COP30, o Instituto Sumaúma propõe um deslocamento: que as discussões sobre o clima deixem de falar sobre os povos quilombolas e passem a ser conduzidas por eles. Porque onde há ancestralidade, há também tecnologia, política e futuro.

Pré-lançamento da pesquisa
Corpos-territórios quilombolas e o fio conectado da ancestralidade: entre as agendas de justiça climática e as práticas culturais e comunicacionais
12 de novembro de 2025 — das 10h às 12h
Rua Cônego Jerônimo Pimentel, 315 – Umarizal, Belém/PA (Casa das ONGs)

Lançamento oficial da pesquisa
13 de novembro de 2025 — a partir das 8h
Passagem Paulo VI, 244 – Cremação, Belém/PA (Cedenpa)

COP 30: 5 empreendimentos de donos negros para incluir na rota gastronômica de Belém

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Foto: Reprodução/Puba Bar

Entre os dias 10 e 21 de novembro, a COP30 (Conferência do Clima da ONU) vai movimentar a cidade de Belém (PA). Além dos debates e plenárias, é uma oportunidade do público presente conhecer melhor a cultura e a gastronomia da Amazônia. Para esta experiência, o Mundo Negro e o Guia Black Chefs selecionou cinco empreendimentos de donos negros para os turistas incluírem na rota gastronômica.

Veja a lista completa abaixo:

  1. Churrasco do Preto (@churrascodopreto)
    O Churrasco do Preto é parada obrigatória. Conhecido pelo churrasco raiz e com música ao vivo, mas o restaurante também traz muita variedade no cardápio para almoço e jantar, como a deliciosa batata recheada de camarão e o hambúrguer argentino, feito com chorizo em tiras. Onde: Rua Antônio Barreto, 1820.
  1. Acarajé da Juci D’Oyá (@acarajedajucidoya)
    Seu tabuleiro de acarajé é uma grande referência gastronômica de Belém. A Mãe Juci D’Oyá, baiana de acarajé e guardiã da memória, vende gastronomia afrodiaspórica que une a tradição da Bahia com o toque especial do Pará. Onde: Ilha de Cotijuba.
  1. Puba Bar (@puba.belem)
    O estabelecimento é um bar intimista com vinhos e cardápio com sabores criados a partir da mandioca. Entre os pratos mais queridos pelos clientes, tem o delicioso atum cru com tucupi, nampla, chuchu, coentro e castanha do Pará. Onde: Rua Veiga Cabral, 649.
  1. A Casa Jambu Mineiro (@acasajambumineiro)
    O culinária mineira no coração amazônico. Com o toque caseiro, o restaurante oferece um buffet com o valor acessível e um cardápio variado como arroz de cachaça, feijão tropeiro e vaca atolada, além de um bom samba. Onde: Rua Ferreira Cantão, 278.
  1. Boá na Ilha (@boanailha)
    Pra quem quer respirar melhor a Amazônia, o restaurante Boá na Ilha pertence a uma família ribeirinha e oferece sabores inesquecíveis, como o filé de filhote na brasa, além de boas bebidas como o vinho de miriti. Onde: Ilha do Combu.

Novembro Negro: 10 documentários para entender a negritude brasileira

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Beatriz Nascimento (Foto: Divulgação)

Em celebração ao Novembro Negro, o Mundo Negro selecionou 10 documentários que ajudam a compreender as múltiplas dimensões da experiência negra no Brasil. São obras que atravessam música, desigualdades, fé, ancestralidade, arte e resistência. Desde produções com histórias que denunciam o racismo estrutural, às que também exaltam a excelência negra. Os filmes abaixo estão disponíveis para assistir em plataformas de streamings pagos e gratuitos.

A Negação do Brasil

O diretor Joel Zito Araújo investiga como atores e atrizes negros foram retratados nas antigas telenovelas brasileiras. O documentário é um marco do cinema negro e propõe uma análise crítica sobre a representação da negritude na TV. Onde assistir: YouTube.

Foto: Divulgação

Cidade de Deus – 10 Anos Depois

Uma década após o sucesso mundial de Cidade de Deus (2002), o documentário reencontra os atores do filme e mostra o impacto da obra em suas vidas. Entre sonhos, frustrações e conquistas, o longa dirigido por Luciano Vidigal e Cavi Borges, reflete sobre oportunidades e desigualdade racial no elenco. Onde assistir: Apple TV+.

Foto: Divulgação

Diálogos com Ruth de Souza

Um encontro entre gerações. O filme dirigido por Juliana Vicente traz conversas entre Ruth de Souza, a primeira atriz negra a conquistar destaque no teatro e cinema brasileiro, e artistas contemporâneas que seguem seus passos. Um tributo à sua trajetória e à resistência da mulher preta nas artes. Onde assistir: Netflix.

Foto: Preta Portê Filmes/Divulgação

Mães de Maio: Um Grito por Justiça

Após uma chacina de maio de 2006, um grupo de mulheres transforma a dor em luta. O documentário acompanha as Mães de Maio, movimento formado por mães de jovens negros e periféricos assassinados pela polícia, na busca por verdade e justiça. Onde assistir: YouTube.

Foto: Gabriel Guerra/ Conectas

Milton Bituca Nascimento

Mais do que um registro da carreira de um dos maiores nomes da música brasileira, o documentário celebra a humanidade e o legado de Bituca. Entre imagens inéditas e depoimentos emocionantes, vemos o artista revisitar sua trajetória e se despedir dos palcos. Onde assistir: Globoplay.

Foto: Divulgação

Mussum: Um Filme do Cacildis

Mais do que o trapalhão que o Brasil amava, o filme mostra o homem por trás das piadas: músico, sambista e símbolo de resistência. A trajetória de Mussum é revisitada em um retrato cheio de humor, emoção e consciência racial. Onde assistir: Prime Video.

Foto: Divulgação

Ôrí

O clássico narrado por Beatriz Nascimento e com destaque a sua história pessoal, o documentário apresenta os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988, além da relação entre Brasil e África. Onde assistir: CurtaOn!/Prime Video.

Foto: Divulgação

Pequena África

Dirigido por Zózimo Bulbul e apresentado por Maria Gal, a série documental mergulha na história da região da Pequena África, no Rio de Janeiro – um território que guarda as memórias da diáspora africana no Brasil. Um retrato poético sobre cultura, fé e resistência. Onde assistir: Globoplay.

Foto: Divulgação

Projeto Memória – Lélia Gonzalez: Caminhos e Reflexões Antirracistas e Antissexistas

O documentário revisita a vida e o pensamento de Lélia Gonzalez, pioneira no feminismo negro e na luta antirracista. Com imagens de arquivo e depoimentos inspiradores, a produção resgata o legado de uma mulher que revolucionou o pensamento social brasileiro e segue ecoando nas novas gerações. Onde assistir: Cultne.TV.

Foto: Cezar Loureiro/ Reprodução

Racionais: Das Ruas de São Paulo Pro Mundo

A trajetória de um dos grupos mais importantes do rap nacional é contada com potência e emoção. O documentário dirigido por Juliana Vicente mostra como Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay transformaram a dor e a revolta das periferias em voz e identidade para o povo preto. Onde assistir: Netflix.

Foto: Divulgação

Kendrick Lamar lidera o Grammy 2026 e ‘Pecadores’ se destaca entre as trilhas indicadas

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Créditos: Divulgação e ©Warner Bros/Courtesy Everett C

O Grammy 2026, maior premiação da música mundial, divulgou nesta sexta-feira (7) sua lista de indicados, e o grande destaque é Kendrick Lamar. O rapper lidera com nove indicações, incluindo as categorias mais cobiçadas: Álbum do Ano com ‘GNX’, além de Música do Ano e Gravação do Ano com ‘Luther’, em parceria com a SZA.

Outro grande destaque na lista de indicados a trilha sonora do filme ‘Pecadores’, dirigido por Ryan Coogler e estrelado por Michael B. Jordan, que também vem sendo apontado como um dos favoritos ao Oscar 2026. O longa dominou as categorias dedicadas a trilhas e composições para o audiovisual, com cinco indicações ao Grammy, incluindo Melhor Trilha Sonora para Filme e Melhor Trilha Sonora Compilada para Filme.

A trilha de Pecadores disputa ainda na categoria Músicas Escritas para Filme e TV, com três faixas em destaque: ‘I Lied to You’, ‘Pale, Pale Moon’ e ‘Sinners’.

Ao todo, o Grammy 2026 conta com 95 categorias, e a cerimônia acontece no dia 1º de fevereiro, em Los Angeles.

Veja a lista de indicados abaixo:

Álbum do Ano

“GNX” – Kendrick Lamar
“Chromakopia” – Tyler, The Creator

“DeBÍ TiRAR MáS FOTos” – Bad Bunny
“Swag” – Justin Bieber
“Man’s Best Friend” – Sabrina Carpenter
“Let God Sort Em Out” – Clipse, Pusha T & Malice
“Mayhem” – Lady Gaga
“Mutt” – Leon Thomas

Melhor Álbum de Música Global
“No Sign of Weakness” – Burna Boy
“Sounds Of Kumbha” – Sounds Of Kumbha
“Eclairer le monde – Light the World” – Youssou N’Dour
“Mind Explosion (50th Anniversary Tour Live)” – Shakti
“Chapter III: We Return To Light” – Anoushka Shankar Featuring Alam Khan & Sarathy Korwar
“Caetano e Bethânia Ao Vivo” – Caetano Veloso e Maria Bethânia

Canção do Ano
“Anxiety” – Doechii
“Luther” – Kendrick Lamar, SZA
“Abracadabra” – Lady Gaga
“Apt.” – Rosé, Bruno Mars
“DtMF” – Bad Bunny
“Golden” – Guerreiras do K-pop
“Manchild” – Sabrina Carpenter
“Wildflower” – Billie Eilish

Gravação do Ano
“Anxiety” – Doechii
“Luther” – Kendrick Lamar, SZA
“DtMF” – Bad Bunny
“Machild” – Sabrina Carpenter
“Abracadabra” – Lady Gaga
“Wildflower” – Billie Eilish
“The Subway” – Chappell Roan
“APT.” – Rosé, Bruno Mars

Melhor Performance Pop de Duo ou Grupo
“Defying Gravity” – Cynthia Erivo e Ariana Grande
“30 For 30” – Kendrick Lamar e SZA

“Golden” – Guerreiras do K-pop
“Gabriela” – Katseye
“APT.” – Rosé, Bruno Mars

Melhor Canção de R&B
“Heart Of A Woman” – Summer Walker”
“It Depends” – Chris Brown e Bryson Tiller
“Folded” – Kehlani
“Overqualified” – Durand Bernarr
“Yes It Is” – Leon Thomas

Melhor Álbum de R&B
“Why Not More?” – Coco Jones
“Escape Room” – Teyana Taylor
“Beloved” – Giveon
“The Crown” – Ledisi
“Mutt” – Leon Thomas

Melhor Canção de Rap
“Anxiety” – Doechii

“The Birds Don’t Sing” – Clipse, Pusha T & Malice e John Legend & Voices Of Fire
“Sticky” – Tyler, The Creator Featuring GloRilla, Sexyy Red & Lil Wayne
“TGIF” – GloRilla
“TV Off” – Kendrick Lamar e Lefty Gunplay

Melhor Álbum de Rap
“Glorious” – GloRilla
Chromakopia – Tyler, The Creator
“Let God Sort Em Out” – Clipse, Pusha T & Malice
“God Does Like Ugly – JID


Melhor Trilha Sonora para Mídia Visual
“Piece By Piece” – Pharrell Williams
“Devo” – Devo
“Live At The oyal Albert Hall” – Raye
“Relentless” – Diane Warren
“Music By John Williams” – John Williams

Melhor Canção Escrita para Mídia Visual
“I Lied To You” – “Pecadores”
“Pale, Pale Moon” – “Pecadores”
“Sinners” – “Pecadores”
“As Alive As You Need Me To Be” [From “Tron: Ares”]
“Golden” – “Guerreiras do K-pop
“Never Too Late” – “Elton John”

Veja a lista completa aqui!

Black Travel Summit 2025: Rio recebe o maior encontro global de turismo negro

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O Black Travel Summit (BTS) é o principal encontro global voltado para viajantes, empreendedores, criadores de conteúdo e profissionais negros da indústria do turismo. Criado por Anita Moreau, o evento busca celebrar a cultura negra, fortalecer conexões internacionais e promover o afroturismo como ferramenta de inclusão, economia e valorização da diáspora africana. Em 2025, o BTS terá sua primeira edição internacional no Rio de Janeiro, de 13 a 16 de novembro, com o tema “Diaspórica: Legacy in Motion”.

O evento conta com a Embratur como Destination Host, que apoiará a experiência da cidade, promovendo matchmaking B2B, sessões exclusivas e a valorização do Brasil como destino de afroturismo. Para a agência brasileira, o BTS é uma oportunidade de consolidar o país como líder em turismo negro, promovendo igualdade racial e experiências autênticas que gerem renda para comunidades locais, microempreendedores e artistas.

Entre os patrocinadores e parceiros, destacam-se o Hyatt, que apoia o evento pelo quinto ano consecutivo, oferecendo painéis e sessões voltadas para desenvolvimento de liderança e branding pessoal; American Airlines, patrocinadora do Black Travel Awards Gala; AmaWaterways, apoiadora da recepção de abertura; Benin Tourism, que lidera uma sessão exclusiva; e a parceria cultural com a AfroPunk, que proporciona ingressos com desconto e acesso exclusivo à imprensa.

A edição de 2025 contará com palestrantes de destaque, como Jason Harvey, EVP e GM do BET+, que fará o keynote, além de Malik Yoba, Sophia Costa e convidados especiais como Tania Neres dos Santos. O evento também reunirá marcas e destinos internacionais, incluindo Visit Jordan, Lunfarda Travel, Fora Travel e Visit Panama, fortalecendo a rede global de turismo negro e criando oportunidades de negócio e intercâmbio cultural.

O BTS não é apenas uma conferência, mas um movimento estratégico para o turismo negro, promovendo representatividade, inclusão e desenvolvimento econômico. Ao focar em experiências lideradas por comunidades negras, o evento contribui para que o turismo seja uma ferramenta de empoderamento social e cultural, ao mesmo tempo em que reforça a importância do Brasil no cenário internacional do afroturismo.

Para participar ou acompanhar a cobertura, interessados podem acessar o site oficial do evento (blacktravelsummit.com), e conferir a agenda completa, além de acompanhar o desenvolvimento do evento que promete colocar o Rio de Janeiro no centro do afroturismo global.

ENEM é pra gente também: por que a juventude negra não pode ser deixada para trás

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Por Kelly Baptista

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que se aproxima, consolidou-se como a principal porta de entrada para o Ensino Superior no Brasil e uma ferramenta crucial para a mobilidade social. Contudo, a jornada da juventude negra para acessar e prosperar neste exame é um reflexo contundente das profundas e persistentes desigualdades raciais e sociais que estruturam a educação brasileira.

Apesar de inegáveis avanços, como as políticas de ações afirmativas, a juventude negra segue enfrentando barreiras severas:

  • Evasão e Atraso Escolar: Em 2023, cerca de 72,5% das 9 milhões de pessoas que não haviam concluído o ensino médio eram pretas ou pardas. A evasão é acentuada por fatores como dificuldades financeiras (42% dos casos), responsabilidades familiares e problemas de transporte.
  • Baixa Representatividade no Superior: Esses desafios culminam em uma presença significativamente menor de jovens negros aptos a realizar o ENEM e ingressar no ensino superior. Atualmente, a presença de negros entre 18 e 24 anos atinge apenas 19,3%, em forte contraste com os 36% entre os brancos.
  • Desigualdade de Infraestrutura e Rendimento: Estudantes pretos, pardos e indígenas frequentemente estão em escolas com pior infraestrutura (Governo Federal, Nota Técnica sobre Desigualdade Racial na Educação). Essa disparidade se reflete no desempenho: em 2023, a média de candidatos pretos e pardos no ENEM foi muito inferior. Apenas 8% dos candidatos pretos obtiveram nota acima de 600 pontos em Matemática, contra 20,2% dos brancos.
  • Acesso a Cursos de Prestígio: Mesmo com o impacto positivo da Lei de Cotas, que elevou a presença de negros nas universidades federais para 49% em 2024 (comparado a 20% em 2009), a representação em cursos de maior prestígio e remuneração, como Medicina, ainda é muito baixa.

Políticas Afirmativas: A Luta Pela Permanência

A Lei de Cotas, juntamente com o ENEM, Sisu, ProUni e FIES, foi um divisor de águas, garantindo o acesso à universidade historicamente negado a dezenas de milhares de jovens negros.

No entanto, a luta pela inclusão não pode parar na matrícula. É fundamental fortalecer as políticas de permanência, garantindo:

  • Bolsas de estudo;
  • Auxílios moradia e alimentação;
  • Apoio psicopedagógico.

Essas medidas são cruciais para que a juventude negra que ingressa pelo ENEM consiga concluir o curso com sucesso e ter uma experiência universitária digna.

Garantir que o ENEM seja, de fato, para a juventude negra exige um esforço que transcende a prova. Passa por combater o racismo estrutural desde a Educação Infantil, investir em infraestrutura nas escolas públicas e fortalecer as políticas de acesso e permanência no Ensino Superior.

Deixar a juventude negra para trás é abrir mão de uma parte significativa do futuro do Brasil. A luta por um ENEM inclusivo e por uma educação antirracista é, portanto, uma luta urgente por um país mais justo, equânime e potente.

Fontes:

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua)

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)

Censo da Educação Superior

Microdados e Notas Técnicas do ENEM

Governo Federal/Ministério da Educação (MEC)

Dados sobre a implementação e impacto da Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012)

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