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Marianne Jean-Baptiste aponta falta de papéis complexos para mulheres negras no cinema e na TV

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Foto: Ian West/PA

A atriz britânica Marianne Jean-Baptiste, conhecida por sua atuação no drama Hard Truths, destacou que ainda há “uma escassez de grandes papéis multifacetados para mulheres negras” tanto no Reino Unido quanto em Hollywood. A declaração foi feita ao Radio Times uma semana após ela ter ficado fora da lista de indicadas ao Oscar, apesar da aclamação por sua performance como Pansy, uma mulher à beira do colapso, no filme de Mike Leigh.

Jean-Baptiste, que em 1997 foi a primeira mulher negra britânica indicada ao Oscar por seu trabalho em Secrets & Lies, relembrou os desafios que enfrentou após a consagração. “Infelizmente, há uma escassez de grandes papéis multifacetados para mulheres negras desempenharem tanto nos EUA quanto no Reino Unido”, afirmou. “Não sei se isso está mudando. Realmente não sei.”

Ao Thelegraph, atriz apontou a escassez de histórias que retratem mulheres negras com profundidade como em Hard Truths. “Você não vê mulheres que são desagradáveis assim na tela”, comentou. “Os homens podem ser o charlatão, o canalha, o gênio do crime, o mafioso – esses tipos de personagens são romantizados, e nós gostamos disso. Mas as mulheres não podem ser assim, e se forem, é caricatural. Certamente não estamos acostumados a ver mulheres raivosas se expressando sem uma explicação clara do porquê são assim e, crucialmente, sem nenhuma sugestão de que vão mudar. Culturalmente, tendemos a descartar esse tipo de mulher”, reflete.

A atriz também mencionou a dificuldade de interpretar Pansy em Hard Truths. “Todos nós temos uma vozinha na cabeça nos dizendo todo tipo de coisa; eu chamo a minha de Sybil”, disse Jean-Baptiste. “Mas Pansy também se instalou lá por um tempo. Eu diria: ‘Ah, esse é um pensamento da Pansy. Lá vai ela. Cale a boca, Pansy!’ Pansy não sabe de onde vem sua dor: ela a coloca como uma dor de cabeça, uma dor de estômago, são suas costas, é o outro. Ela não está lidando com o fato de que é realmente emocional. E para mim, andando por aí como aquela personagem, explorando-a, o peso disso às vezes se torna quase insuportável.”

Sobre as melhorias na representação negra no cinema e na TV, a atriz foi cautelosa. “Quer dizer, eu poderia continuar listando atores negros britânicos que estão em filmes ou têm seu próprio programa de TV. Eu não podia dizer isso em 1997. Posso dizer isso agora. Então isso é ótimo. Mas isso responde à pergunta? Não tenho certeza se sim. Ainda parece raro ver pessoas negras vivendo vidas comuns na tela do jeito que fazem em Hard Truths”, refletiu.

Questionada sobre o impacto de um diretor branco contar essa história, Jean-Baptiste afirmou: “Acho que Mike simplesmente ama explorar a natureza humana. E ele queria trabalhar comigo novamente, mas para me colocar em um contexto que fosse natural e não um onde eu fosse a única pessoa negra… Ele queria que fosse como deveria ser. Pansy não seria simplesmente a amiga de outra pessoa, ou a assistente social, ou a enfermeira.”

Camila Pitanga fala sobre a complexidade de sua personagem em “Beleza Fatal”, 1ª novela original nacional da Max

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Foto 1: André Nicolau

A atriz Camila Pitanga, que estreou na segunda-feira (27) em Beleza Fatal, primeira novela original da Max no Brasil, interpreta Lola, uma personagem multifacetada que personifica a ambição desmedida e os dilemas éticos do mundo da beleza e das redes sociais. Em entrevista para o Mundo Negro, a atriz falou sobre o desafio de retornar às novelas em uma plataforma de streaming, a construção da personagem e as reflexões que a trama traz sobre estética, poder e representatividade.

Na trama, Lola é uma empresária ambiciosa que constrói um império de estética, o Lolaland, às custas de escolhas moralmente questionáveis. Camila Pitanga explica que a personagem não se encaixa no estereótipo de vilã maniqueísta. “Ela é excêntrica, despudorada e perigosa, mas também tem nuances que mostram sua humanidade. Trabalhei com a diretora Maria de Médici e o autor Rafael Mondi para esculpir essas camadas”, contou. A personagem tem ganhado elogios nas redes sociais e a interpretação rendeu uma nota 10 para a atriz na avaliação da coluna Play, do jornal O Globo: “Ela mostra mais uma vez que é uma atriz de muitos recursos”. dizia o texto da publicação.

A artista conta que apesar de suas ações cruéis, Lola tem um lado quase cômico. “Ela é tão exagerada e absurda que acaba sendo engraçada. É uma personagem que faz coisas terríveis, mas também consegue despertar empatia e risos”, explicou. A relação de Lola com Sofia (Camila Queiroz) e Elvira (Giovanna Antonelli) é central na trama, que aborda temas como vingança, injustiça e os custos da ambição.

(Foto: Fabio Braga/Pivô Audiovisual, Maria de Médicis) DIVULGAÇÃO.

Pitanga destaca a importância de Beleza Fatal não apenas como um marco por ser a primeira novela original da plataforma de streaming, mas também como um passo significativo para a expansão do mercado audiovisual brasileiro. “Sentia saudade de estar em novelas, e o público também me cobrava isso”, afirmou a atriz que ficou mais de dez anos sem gravar novelas. “Quando a Mônica Albuquerque me chamou eu sabia que havia uma missão, que esse projeto tinha um sentido maior de uma expansão de mercado, não só no mercado interno, mas de ter o streaming abraçando algo da nossa tradição, que são as novelas brasileiras, para estar em outras janelas no mundo”, afirmou.

A atriz também ressaltou que a aposta do streaming em produções nacionais fortalece o mercado interno e gera oportunidades para talentos brasileiros. “Isso cria solidez para o audiovisual brasileiro, gera emprego e movimenta a economia. É um orgulho estar à frente desse processo”, celebrou.

Beleza, estética e representatividade

A novela também levanta questões sobre o culto à beleza e a influência das redes sociais. Camila Pitanga refletiu sobre como a busca por padrões estéticos pode ser uma forma de ascensão social, mas também uma armadilha. “Muitas pessoas gastam o que não têm em procedimentos estéticos porque isso é visto como um status, um passaporte para a cidadania. A Lola representa essa obsessão, mas também a fragilidade por trás da fachada de poder”, disse.

(Foto: Adriano Vizoni/Pivô Audiovisual, Direção Geral: Maria de Médicis) DIVULGAÇÃO.

A atriz também abordou a questão racial, destacando como os padrões de beleza hegemônicos podem invisibilizar a ancestralidade negra. “Na nossa história, há um processo de eugenia que tenta transformar pessoas negras em brancas. A Lola não se reconhece racialmente, e suas escolhas estéticas refletem isso”, observou.

No entanto, Camila ressaltou que, na contramão desse padrão, há um movimento de resistência na comunidade negra que exalta a naturalidade e a diversidade de beleza. “Cada um tem que ter liberdade para ser quem é, sem ser refém de um único padrão. A pluralidade é o que nos enriquece”, afirmou.

“IMC foi pensado para homens brancos europeus”, nutrólogo explica mudanças no critério para diagnóstico de obesidade

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Foto: Divulgação

No dia 14 de janeiro, a The Lancet Diabetes & Endocrinology publicou um artigo escrito por uma comissão internacional de especialistas sugerindo que médicos adotem novas definições e critérios para o diagnóstico da obesidade, doença que afeta 1/8 da população mundial de acordo com o estudo. Até então, o Índice de Massa Corporal (IMC) era o recurso utilizado por médicos para determinar se o paciente tinha obesidade ou não.

“O Índice de Massa Corporal (IMC) foi criado no início do século XIX pelo matemático e estatístico belga Adolphe Quetelet, como parte de seus estudos sobre o “homem médio”. Ele foi pensado para homens brancos europeus, ignorando diferenças raciais, de composição corporal e de gênero. Desconsidera fatores como massa muscular, densidade óssea e distribuição de gordura, o que frequentemente leva a diagnósticos imprecisos, especialmente em pessoas negras e mulheres.”, explicou o nutrólogo Dr. Gilmar Francisco em entrevista à editora-chefe do Mundo Negro, Silvia Nascimento. O cálculo do IMC é feito através do peso dividido pela altura ao quadrado. Quando o resultado é maior do que 30, os médicos costumam determinar que o paciente sofre com obesidade.

A proposta da Comissão também apresenta duas novas categorias de obesidade: a clínica e a pré-clínica. A obesidade clínica é definida como uma condição associada a sinais e/ou sintomas objetivos de redução na função dos órgãos, ou uma capacidade significativamente diminuída de realizar atividades diárias padrão, como tomar banho, vestir-se, comer e controlar a continência, diretamente devido ao excesso de gordura corporal.

Pessoas com obesidade clínica devem ser consideradas como portadoras de uma doença crônica em andamento e receber manejo e tratamentos adequados. Para que essa condição seja diagnosticada, a Comissão estabelece 18 critérios de diagnóstico para adultos e 13 para crianças e adolescentes, incluindo: 

  • Falta de ar causada pelos efeitos da obesidade nos pulmões; 
  • Insuficiência cardíaca induzida pela obesidade; 
  • Dor nos joelhos ou quadris, com rigidez articular e redução da amplitude de movimento, como efeito direto do excesso de gordura corporal nas articulações;
  • Certas alterações ósseas e articulares em crianças e adolescentes que limitam o movimento; 
  • Outros sinais e sintomas causados por disfunções de órgãos como rins, vias aéreas superiores, sistemas metabólicos, nervoso, urinário, reprodutivo e linfático nos membros inferiores.

Já a obesidade pré-clínica é uma condição de obesidade com função normal dos órgãos. Portanto, pessoas vivendo com obesidade pré-clínica não apresentam doenças em andamento, mas têm um risco aumentado de desenvolver obesidade clínica e outras doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, certos tipos de câncer e transtornos mentais. 

No entanto, vale ressaltar que a obesidade pré-clínica não significa, necessariamente, que a pessoa vai desenvolver obesidade no futuro, mas que ela possui um risco aumentado, seja por questões genéticas ou do próprio fenótipo da pessoa, ou seja, ela é grande fisicamente, mas não apresenta disfunção de órgãos e nem outra doença ligada ao excesso de gordura.

 “Os critérios mais detalhados para o diagnóstico de obesidade podem ajudar a combater preconceitos ao reconhecer que a obesidade é uma condição multifatorial e que a saúde não se define exclusivamente pelo peso corporal ou pelo IMC. O uso exclusivo do IMC muitas vezes desconsiderava as características corporais de mulheres negras, como maior densidade de massa magra, levando a diagnósticos imprecisos e reforçando estigmas”, detalhou o Dr. Gilmar Francisco.

Em junho de 2023, o Conselho de Ciência da Associação Médica Americana publicou um relatório que apresentava um parecer favorável para uma nova política de avaliação de peso e saúde nos Estados Unidos, desencorajando o uso do IMC. O relatório argumenta que o índice não considera diferenças étnico-raciais, além de ignorar fatores como a distribuição de gordura corporal e variações de idade e sexo.

A cantora e atriz Queen Latifah já falou sobre o impacto do IMC em sua vida. Durante sua participação no programa ‘Red Table Talk’, em 2022, ela contou sobre quando recebeu um diagnóstico de obesidade. A artista havia contratado uma profissional para auxiliá-la em rendimentos nutricionais, e a avaliação incluía uma análise do IMC: “Ela ficou me mostrando diferentes tipos de corpo, até ela chegar ao IMC e declarar que eu me enquadrava na classe de obesidade”, contou em conversa com Jada Pinkett Smith. As duas discutiram os padrões sob os quais o índice foi criado e como ele desconsidera fatores importantes na saúde.

O Dr. Gilmar Francisco explica que novas definições contribuem para diagnósticos mais precisos e para diminuição do estigma associado ao peso corporal, beneficiando a população negra. No entanto, ele alerta que desigualdades estruturais podem dificultar o acesso a tratamentos avançados: “A Semaglutida (Wegovy) e a Tirzepatida (Mounjaro), drogas essas que têm um valor expressivo, chegam com facilidade às mãos da elite, e cujo acesso é inalcançável à maior parte da população negra pelos custos elevados. Sem políticas públicas de acesso ao tratamento a partir dessa consagração da obesidade enquanto doença que pode não depender apenas do peso seguiremos com diagnóstico e discriminação, uma vez que a resolução que é o tratamento não chega à população negra”, finaliza.

Naruna Costa estrela spin-off de ‘Irmandade’ com lançamento em 2025

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Foto: Alexandre Schneider/Netflix

A Netflix revelou a produção do primeiro spin-off baseado em uma obra brasileira original da plataforma. O filme, ambientado no universo da série ‘Irmandade’, terá o retorno de Naruna Costa no papel da advogada Cristina, como protagonista.

Ainda sem título oficial, o filme promete expandir o universo criado pela série, resgatando a ação e as tensões que conquistaram o público. A estreia está prevista para 2025, mas ainda não foi revelado uma data específica.

Lançada em 2019, Irmandade conta com duas temporadas e é ambientada em São Paulo, nos anos 1990. A trama acompanha Cristina (Naruna Costa), uma advogada íntegra que descobre que seu irmão, Edson (Seu Jorge), está preso e lidera uma facção criminosa em ascensão. Forçada a colaborar como informante da polícia, Cristina se infiltra na organização e passa a questionar seus próprios valores e sua visão de justiça.

As duas temporadas de ‘Irmandade’ estão disponíveis no catálogo da Netflix.

Claudia Leitte pode ser barrada de se apresentar no Carnaval de Salvador por acusações de intolerância religiosa

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Foto: Reprodução/Instagram

O Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afrobrasileiras (Idafro) protocolou, nesta quinta-feira (30), uma petição no Ministério Público da Bahia (MP-BA) solicitando que a prefeitura de Salvador e o governo do estado proíbam a contratação da cantora Claudia Leitte para shows no Carnaval de 2024. O pedido ocorre após a artista ser alvo de críticas e processos por trocar a palavra “Yemanjá”, entidade de matriz africana, por “Yeshua”, referência a Jesus em hebraico, ao interpretar a música “Caranguejo”.

A alteração na letra, realizada durante um show em Salvador no final de 2023, gerou acusações de intolerância religiosa e racismo. Claudia Leitte, que é evangélica, justificou a mudança afirmando que preza pelo respeito e integridade, mas o Idafro argumenta que a atitude da cantora “promove a intolerância religiosa”. O instituto também citou o Decreto nº 10.932, de 2022, que promulgou a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, para embasar o pedido.

“Os Estados comprometem-se a prevenir, eliminar, proibir e punir, de acordo com suas normas constitucionais e com as disposições desta Convenção, todos os atos e manifestações de racismo, discriminação racial e formas correlatas de intolerância”, diz trecho do documento enviado ao MP-BA. O Idafro reforça que a Constituição Federal proíbe a contratação de shows que promovam a intolerância religiosa.

Além da petição, Claudia Leitte responde a dois processos: um criminal, por racismo e intolerância religiosa, movido pelo MP-BA, e outro por danos aos direitos autorais, ajuizado pelos compositores de “Caranguejo”. A investigação no MP-BA foi instaurada após uma representação formalizada pela Iyalorixá Jaciara Ribeiro, sacerdotisa do Ilê Axè Abassa de Ogum, e pelo Idafro. O caso está sob análise da promotora Lívia Sant’Anna Vaz, da Promotoria de Justiça Especializada no Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa.

Dr. Hédio Silva Jr., advogado das partes denunciantes, afirmou que a mudança na letra “não é criação artística ou improvisação” e que a alteração não foi registrada oficialmente no Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD). Caso sejam comprovadas irregularidades, a cantora também poderá enfrentar acusações de falsidade ideológica.

O episódio reacendeu debates sobre racismo e intolerância religiosa no cenário do Axé Music. Pedro Tourinho, secretário de Cultura e Turismo de Salvador, criticou a postura da artista em suas redes sociais. “Quando um artista se diz parte desse movimento, saúda o povo negro e sua cultura, faz sucesso e ganha muito dinheiro com isso, mas escolhe reescrever a história, o nome disso é racismo”, escreveu.

Claudia Leitte, que ainda não se pronunciou sobre o pedido do Idafro, defendeu-se anteriormente afirmando que o racismo é uma pauta que deve ser discutida com seriedade. Enquanto o MP-BA analisa o caso, a polêmica promete influenciar as discussões sobre cultura, religião e liberdade artística no Carnaval de Salvador, um dos maiores eventos populares do país.

Colégio de elite de SP suspende 34 alunos após denúncias de bullying, racismo e misoginia em grupos de WhatsApp

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Foto: José Barbacena/DCM

⚠️ ALERTA DE GATILHO ⚠️ BULLYING – O Colégio Santa Cruz, uma das instituições de ensino mais tradicionais e caras de São Paulo, suspendeu 34 alunos do ensino médio após denúncias de bullying, ameaças e mensagens com conteúdo racista, homofóbico e misógino em grupos de WhatsApp com mais de 150 integrantes. O caso, que envolveu estudantes do segundo e terceiro anos contra calouros do primeiro ano, gerou revolta e levou a escola a tomar medidas disciplinares e educacionais.

De acordo com relatos publicados pela Veja, os alunos mais velhos praticavam um “trote” contra os novatos, exigindo que eles realizassem tarefas humilhantes, como enviar vídeos usando cueca, beber álcool e revelar preferências sexuais. Em uma das mensagens, um estudante escreveu: “Vou mandar um anão preto em cima de um porco pra te est*prar””. Outras mensagens continham ameaças de violência sexual e referências a colegas do sexo feminino como “alvos”.

Além das agressões verbais, houve relatos de violência física. Um aluno teria sido agredido por usar um banheiro supostamente “reservado” para os mais velhos. Outros foram coagidos a pagar valores via Pix para os veteranos. “Eles passaram totalmente do limite”, afirmou uma estudante ao jornal O Globo, que preferiu não se identificar.

O grupo de WhatsApp, chamado “Drinha”, existe há anos e inicialmente era usado para marcar partidas de futebol entre os alunos. No entanto, o espaço se transformou em um ambiente de hostilidade e violência. A direção do colégio, ao tomar conhecimento dos fatos, leu trechos das mensagens para os estudantes em uma assembleia, destacando a gravidade das ofensas.

Em nota, o Santa Cruz afirmou que “repudia qualquer forma de violência” e lamentou profundamente os episódios. A escola informou que iniciou uma apuração e adotou “medidas educacionais cabíveis”, além de comunicar os fatos às famílias envolvidas. Palestras e reuniões emergenciais com pais e responsáveis foram realizadas para discutir o caso e reforçar a importância do respeito e da convivência saudável.

Fundado em 1952 por padres canadenses, o Santa Cruz é um colégio de elite localizado na Zona Oeste de São Paulo, com mensalidades que ultrapassam R$ 7 mil.

O episódio expõe uma cultura de bullying e hierarquia entre os alunos, que, segundo relatos, já existia há anos. Em 2019, o colégio suspendeu 6 alunos e advertiu outros 24 depois de um caso de bullying ocorrido durante um acampamento promovido pelo Santa Cruz fora de São Paulo. De acordo com informações da época, alunos do 3º ano do ensino médio ofenderam um colega usando apelidos “de mau gosto” que também foram estampados em camisetas utilizadas por esses alunos. Na época, o colégio adotou medidas educativas como palestras para pais e alunos.

Colorismo: diversidade, equidade e futuro 

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Foto: Juvia's Place

Texto: Rachel Maia

Qual o tom da sua pele? Essa pergunta não deveria ser determinante para que cada indivíduo se compreendesse como menos ou mais na sociedade, principalmente aqui no Brasil, onde a multiplicidade é característica principal. 

O padrão eurocêntrico foi naturalizado como referência determinante para definir o quão bela e respeitada uma pessoa seria e, infelizmente também, as oportunidades a que ela teria direito. As características africanas não eram aceitas e, com isso, a estrutura discriminatória dominou as práticas do viver e do saber. Quanto mais escuro o tom de sua pele, mais discriminação racial e menos oportunidades, ou seja: colorismo.

Colorismo, conceito usado pela escritora e ativista estadunidense Alice Walker em 1982, referência no assunto que se refere à raça negra e suas várias tonalidades de pele, aqui no Brasil se dá de várias maneiras e ganha repercussão principalmente quando o assunto são as cotas raciais.

Temos, então, o colorismo, que se trata do racismo que afeta pessoas negras de pele retinta (pessoas pretas) que são visivelmente lidos pela sociedade como são e que são historicamente excluídos de processos seletivos e publicidades por seu fenótipo, que apresenta traços marcantes, como nariz e boca avantajados, e textura do cabelo crespo. Quanto mais melanina, mais preconceito, e quanto mais próximo das características europeias, mais passabilidade. 

Pigmentocracia no Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) classifica a cor ou raça da sociedade brasileira em: preto, pardo, indígena, amarelo e branco. Os descendentes do período histórico que compõe o último século têm dificuldade de se autodeclarar racialmente e de compreender os 55 tons de peles encontrados no Brasil — divulgados pelo Grupo L’Oréal em 2023 —  por não entenderem suas origens e seu lugar de pertencimento na história brasileira.

A miscigenação, e os muitos tons de pele, que até hoje não se sabe ao certo como definir, gera conflitos na hora de estabelecer formatos para reparar os danos causados pela escravidão, que no Brasil durou 388 anos, contados a partir do que é considerado e datado na literatura como o “descobrimento do Brasil em 1500”. Hoje, essas pessoas, descendentes dos povos africano, indígena e europeu, criam maneiras de se reconhecerem na sociedade e pertencerem a ela com o devido direito. 

São muitas décadas de enfrentamento da herança do racismo e da negação cultural e intelectual de um povo que contribuiu ativamente e intelectualmente para a construção do Brasil. Como exemplo, menciono o escritor brasileiro Machado de Assis, intelectual negro, retratado como branco durante toda sua existência. 

Importante ressaltar que, para compreender e avançar, é necessário que todos entendam quem compõe a sociedade brasileira hoje e de que maneira. Para isso, é imprescindível revisitar a história continuamente e não se eximir dela. O conhecimento nos conduzirá ao saber e, com isso, a decisões que promovam práticas de equidade para reorganizar o que foi construído de maneira equivocada e excludente. 

Netflix anuncia documentário sobre a trajetória de Eddie Murphy

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Foto: Netflix

A Netflix revelou seu mais novo documentário, ‘Eddie’, que promete explorar como o Eddie Murphy redefiniu comédia, cinema e cultura pop ao longo de quase cinco décadas de carreira. Tudo contado pelos olhos do próprio astro.

De acordo com a sinopse oficial, ‘Eddie’ é mais que uma celebração, e acompanhará a jornada de um dos artistas mais versáteis de Hollywood. Desde seu início como fenômeno da comédia adolescente no Brooklyn até se tornar um pilar do ‘Saturday Night Live’ e um gigante das bilheterias, o documentário promete dissecar cada fase da carreira do astro.

Sob a direção do vencedor do Oscar, Angus Wall, o filme será uma mistura eletrizante de risadas e emoção, traçando um panorama que vai dos lendários especiais de stand-up ‘Sem Censura’ e ‘Delirious’ às icônicas comédias dos anos 1980, como ‘Um Tira da Pesada’, ‘Um Príncipe em Nova York’ e ‘Trocando as Bolas’. Os anos 1990 ainda trouxeram ‘O Professor Aloprado’ e o reconhecimento de crítica com ‘Dreamgirls’, enquanto a década de 2000 consolidou Murphy como uma voz inesquecível do personagem Burro, na franquia ‘Shrek’.

Além de depoimentos de amigos, diretores e comediantes que caminharam ao lado de Eddie, o documentário promete um acesso raríssimo à intimidade do ator. Entre risos e lágrimas, Eddie abre as portas de sua casa para refletir sobre os caminhos que abriu e os recordes que quebrou, revelando histórias nunca antes contadas.

Ainda sem data oficial, ‘Eddie’ chega em 2025 na plataforma da Netflix.

Will Smith encarna Neo, quase 30 anos após ter recusado o papel no clássico ‘Matrix’, em novo videoclipe

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Foto: Reprodução/Instagram

Will Smith encarna Neo, quase 30 anos após ter recusado o papel no clássico ‘Matrix’ (1999). O ator aparece em uma homenagem ao filme no clipe da nova música “Beautiful Scars”, ao lado do rapper Big Sean e Obanga. No vídeo, Smith recria cenas emblemáticas do longa, como a escolha da pílula vermelha, o famoso “bullet time” e a luta no simulador de kung fu. Apesar de ser apenas um videoclipe, a produção oferece uma visão divertida de como seria o astro no papel que marcou a carreira de Keanu Reeves.

Essa é a primeira vez que Smith revisita ‘Matrix’, mas o ator já explicou, há alguns anos, por que rejeitou a proposta dos irmãos Wachowski. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, ele relembrou a reunião com os criadores do filme em 1998, descrevendo o momento como confuso.

“Não tenho orgulho disso, mas é verdade: eu recusei Neo em Matrix. Depois de ‘Homens de Preto’, os Wachowskis me apresentaram a ideia para ‘Matrix’. Eles tinham feito apenas um filme na época, ‘Bound’. E, embora sejam gênios, a reunião de pitch foi algo difícil de entender. Eles falaram muito sobre cenas de ação incríveis, mas não explicaram nada sobre a história ou os personagens.”

Smith ainda brincou sobre como os cineastas descreveram a famosa sequência de ação: “Eles disseram: ‘Vamos colocar 50 câmeras, você vai dar um salto, e o tempo vai parar no meio do movimento…’ Eu só pensei: ‘O quê?’”.

Em vez de aceitar ‘Matrix’, o ator optou por estrelar ‘As Loucas Aventuras de James West’ (1999), um fiasco de crítica e bilheteria. “Foi a escolha errada”, admitiu, antes de elogiar os colegas que ficaram com os papéis principais: “Keanu Reeves foi perfeito como Neo. Laurence Fishburne foi perfeito como Morpheus. Se eu tivesse feito o filme, provavelmente teria estragado tudo. Como eu sou negro, Morpheus, muito provavelmente, não seria interpretado por Fishburne, porque os estúdios estavam considerando Val Kilmer para o papel na época. Então, no fim, fiz um favor ao mundo.” Com o sucesso do primeiro filme, Reeves se tornou a cara da franquia e retornou ao papel em três sequências.

Smith também revelou que quase recusou outro de seus maiores sucessos, ‘Homens de Preto’ (1997). “Eu tinha feito ‘Independence Day’ no ano anterior, e não queria ser o cara que só faz filmes de alienígenas. Mas Steven Spielberg me ligou e disse: ‘Faça um favor para mim. Não use o seu cérebro para isso, use o meu’. Ele foi tão convincente que eu pensei: ‘Ok, esse cara fez ‘Tubarão’. Vamos nessa.’”

Veja o videoclipe:

Donald Trump culpou diversidade de Obama e Biden por acidente aéreo e disse que quer “pessoas competentes” na segurança

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Foto: ANSA/AFP

Após o acidente entre um avião de passageiros e um helicóptero militar ocorrido na noite de quarta-feira (29), em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu diretamente aos ex-presidentes democratas Barack Obama e Joe Biden a responsabilidade por “rebaixarem os padrões” do sistema aéreo do país, relacionando com os programas de incentivo à diversidade nas Forças Armadas. Todas as 67 pessoas a bordo das duas aeronaves, incluindo três militares, morreram no acidente, sendo o republicano.

“Devemos ter apenas os mais altos padrões para aqueles que trabalham em nosso sistema aéreo. Eu mudei os padrões de [Barack] Obama de muito medíocres, na melhor hipótese, para extraordinários. Eles [os controladores de voo] têm que ter o mais alto intelecto, e pessoas psicologicamente superiores foram autorizadas a se qualificar para controladores de tráfego aéreo. Isso não era assim antes de eu chegar lá. Quando cheguei em 2016, fiz essa mudança muito cedo, porque sempre senti que esse era um trabalho (…) que tinha que ser de inteligência superior, e nós realmente não tínhamos isso. Passamos a ter. E então, quando deixei o cargo e [Joe] Biden assumiu, ele os mudou de volta para mais baixos do que nunca”, disse Trump em coletiva de imprensa convocada na Casa Branca nesta quinta-feira (30).

As críticas de Trump contra as administrações democratas vieram mesmo após o próprio presidente admitir que não sabia os fatores exatos que causaram o acidente. O chefe da Associação Nacional de Controladores de Voo, em uma carta aberta a seus membros publicada online, afirmou que é “prematuro especular sobre a causa”. Apesar disso, Trump disse que compartilhará “opiniões fortes” baseadas em observações que fez “ao longo dos anos”.

“Eu quero ressaltar vários artigos que apareceram antes de eu assumir o cargo, e aqui está um: ‘o incentivo à diversidade na Força Aérea Americana inclui foco na contratação de pessoas com deficiências intelectuais e psiquiátricas graves’. Isso é incrível. E então diz que a Força Aérea diz que pessoas com deficiências graves são o segmento mais subrrepresentado da força de trabalho, e diz ‘eles os querem, eles podem ser controladores de tráfego aéreo’. Eu não acho. Isso foi em 14 de janeiro, então foi uma semana antes de eu assumir o cargo. Eles fizeram um grande esforço para colocar diversidade no programa da Força Aérea”, completou citando um texto.

Desde que reassumiu a presidência na semana passada, Trump tem conduzido uma cruzada contra iniciativas de inclusão voltadas a grupos minoritários e historicamente excluídos na administração federal. Ele ordenou a demissão de funcionários ligados a programas de diversidade e meio ambiente, encerrou projetos federais e, em um de seus atos mais polêmicos, proibiu pessoas transgênero de ingressarem nas Forças Armadas. O decreto vai além de impor uma limitação, justificando que “a afirmação de um homem de que ele é uma mulher e sua exigência de que outros honrem essa falsidade não é consistente com a humildade e a abnegação exigidas de um membro do serviço”.

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