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Branding Pessoal para Profissionais Negros é o tema da primeira masterclass do Mundo Negro em parceria com a Best in Black

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O portal Mundo Negro anuncia um passo importante em sua missão de valorizar a comunidade negra no mercado de trabalho e nas redes sociais: a realização de sua primeira masterclass oficial, com vagas limitadas. O evento, com o tema “Autonarrativa e Branding Pessoal Digital para Profissionais Negros”, será online no dia 25 de novembro, às 18h.

A iniciativa conta com a parceria estratégica do Best in Black, um Clube voltado para profissionais negros que promove networking estratégico através de lifestyle, bem-estar e mentorias, oferecendo eventos presenciais e recursos digitais para seus membros.

A Masterclass será conduzida por Silvia Nascimento, fundadora e CEO do Mundo Negro, que explica a motivação por trás do lançamento:

“Sentimos que chegou o momento de criar novas conexões reais com a nossa audiência e também ampliar nosso modelo de negócios para além da produção de conteúdo. Queremos usar nossos conhecimentos, acessos e experiência de 20 anos e tornar em algo que possa ajudar a nossa comunidade.”

Conteúdo Programático e Ferramentas Práticas

O curso intensivo foi desenvolvido para abordar os desafios e as especificidades da construção da marca pessoal negra no ambiente digital, focando na importância de uma narrativa autêntica e potente.

O conteúdo mergulhará profundamente nos pilares da Autonarrativa e do Branding Pessoal digital. A Masterclass ensinará estratégias e ferramentas digitais essenciais – incluindo o uso de Inteligência Artificial (IA) para otimização – que os participantes podem aplicar imediatamente, facilitando a gestão e o crescimento de sua marca pessoal no mercado. O curso reforça, ainda, a urgência de construir essa presença forte no momento atual (“Por que agora: A importância de agir já”).

Silvia Nascimento destaca o diferencial do conteúdo: “Existe ainda uma visão de produção de conteúdo na parte de carreira e negócios que ainda imita muito o que os brancos fazem e atropelam nossas potências e individualidades. Fiz estudo de perfis de pessoas negras que admiro nas redes, somado a estudos sobre IA e branding pessoal para criar essa Masterclass.”

Vagas Limitadas e Desconto Exclusivo

O Mundo Negro informa que as vagas são limitadas. O valor de investimento para a Masterclass é de R$ 360,00, que pode ser dividido em até 3 vezes no cartão. Membros do Clube Best in Black terão um desconto exclusivo de 10% na inscrição.

Serviço: Masterclass Mundo Negro

  • Data e Hora: 25 de novembro, às 18h
  • Formato: Online (Transmissão com Vagas Limitadas)
  • Condução: Silvia Nascimento
  • Investimento: R$ 360,00 (Parcelamento em até 3x no cartão)
  • Desconto: 10% para membros Best in Black
  • Inscrições, clique aqui!

‘Branco, branquitude, branquidade’: Lourenço Cardoso reúne autores para discutir desigualdades e privilégios raciais

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Foto: divulgação

O livro Branco, branquitude, branquidade, quarto volume da coleção África, Presente! Negritude e luta antirracista, organizado pelo cientista social, historiador e pesquisador Lourenço Cardoso, propõe uma reflexão aprofundada sobre a branquitude como sistema de poder e não apenas como cor de pele. “Ora as visões dos autores coincidem, ora se opõem, e o leitor será o que mais ganhará com a leitura”, afirma Cardoso, destacando o caráter plural e crítico da obra.

Ao examinar o branco como identidade étnico-racial e as formas como ele se inscreve na sociedade contemporânea, os autores deste volume desvelam as bases da branquitude, questionam seus significados e confrontam seus efeitos nas relações sociais e de poder. Entre os temas abordados na obra estão:

  • A identidade branca vinculada à escravidão e à construção histórica da raça branca no Brasil;
  • A supremacia racial à brasileira e a crítica à meritocracia;
  • A branquitude e a descolonização na África do Sul pós-apartheid e suas conexões com as desigualdades raciais brasileiras;
  • O brancocentrismo acadêmico;
  • O branco aliado, a branquitude, a geopolítica e a crítica à sociedade capitalista-neoliberal;
  • A formulação do conceito de “branquitude crítica dissimulada”;
  • A descolonização das ciências sociais no Brasil e o papel da branquitude na autocrítica branca;
  • As vivências acadêmicas de um branco estrangeiro no Brasil.

O volume reúne textos de Cintia Cardoso, Franciéle Carneiro Garcês‑da‑Silva, Julie Lourau, Lia Vainer Schucman, Lourenço Cardoso, Lucy Valerie Graham, Marcus Vinicius de Freitas Rosa, Maria Isabel Donnabella Orrico, Paride Bollettin e Willamys da Costa Melo, garantindo uma diversidade de perspectivas nacionais e internacionais que enriquecem o debate.

No capítulo O branco aliado e a morte da dialética: análise crítica sociológica, econômica e subjetiva fanoniana numa perspectiva integral, Lourenço Cardoso explica que seu propósito foi realizar “uma análise sobre raça de forma ampla, numa perspectiva global. Ao pensar o branco aliado, e para evitar armadilhas éticas, morais e metafísicas, trilhei a análise econômica numa perspectiva teórica fanoniana marxista”. Ele detalha ainda que realizou “uma abordagem geopolítica, mostrando, por exemplo, a relação entre o Canal de Suez e a raça” e que sua crítica às abordagens subjetivas foucaultianas está implícita no texto, utilizando a subjetividade fanoniana apenas “para colaborar objetivamente com a crítica da sociedade capitalista, burguesa, liberal e branco-cêntrica”. Cardoso reforça que seu estudo não tem caráter pedagógico, jurídico ou salvacionista, mas busca analisar criticamente a difusão de literatura científica e discursos sobre raça, que muitas vezes se apresentam de forma difusa e inócua no contexto neoliberal.

Segundo Dagoberto Fonseca, organizador da coleção, “todos os autores convidados têm um olhar efetivo sobre esse contexto de branco, branquitude e branquidade, inclusive pessoas brancas que se dedicam a compreender a questão, produzir estudos e debater”. A coleção, inspirada na História Geral da África da Unesco, busca descontruir pseudoverdades científicas e produzir conhecimento autêntico sobre africanos, afro-brasileiros e indígenas, promovendo novas categorias, metodologias e conceitos da realidade social.

O volume se destina a estudantes, pesquisadores, docentes de ciências sociais, história, sociologia, ciência política, relações raciais e direitos humanos, sendo também de especial interesse para militantes do movimento negro.

Serviço:
Título: Branco, branquitude, branquidade — Coleção África, Presente! – Volume 4
Organizador: Lourenço Cardoso
Editora: Selo Negro Edições
Páginas: 176 (17 x 24 cm)
Preço: R$ 84,40 (e-book R$ 50,60)

Mundo Negro expande e lança HUB de soluções, experiências e conteúdos

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Recentemente, o Mundo Negro conquistou um milhão de seguidores no Instagram e 50 mil no LinkedIn. Para celebrar o impacto e a relevância em 20 anos de atuação com a comunidade, está sendo lançado um novo projeto: o HUB Mundo Negro. Esta plataforma de curadoria, formação e experiências foi criada para transformar o noticiário em soluções práticas.

Com o objetivo de munir a comunidade negra com as ferramentas necessárias para a alavancagem profissional, o HUB Mundo Negro inicia as atividades com o pilar de Formação Estratégica.

Em breve, serão divulgados em primeira mão para os assinantes premium da plataforma no Substack os cursos oferecidos, como Branding Pessoal e IA, com o intuito de fornecer informações e ferramentas que facilitem o trabalho e também a vida pessoal da comunidade negra.

Os assinantes também garantem a entrada prioritária em todas as Oficinas e Encontros presenciais promovidos pelo Hub, gerando conexões valiosas e networking.

“O valor da assinatura é a soma de serviços diferenciados que vamos oferecer. Queremos que a nossa comunidade esteja bem envolvida. O dinheiro da nossa comunidade também tem um potencial tão grande quanto o das marcas para manter negócios negros sustentáveis. Fazemos o Black Money acontecer”, afirma a CEO do Mundo Negro, Silvia Nascimento.

Guias de Profissionais, Serviços e Lugares para Conhecer

Para economizar o tempo de busca e impulsionar a economia da comunidade negra, os assinantes do HUB Mundo Negro também terão acesso exclusivo à curadoria de profissionais negros que prestam serviço ou comandam lugares incríveis para conhecer.

Recentemente, a nossa newsletter publicou para os assinantes um guia de 55 profissionais negros de saúde e bem-estar, com atendimento em diferentes regiões do Brasil e on-line.

👉🏿Fique pode dentro! Clique aqui e assine o Hub Mundo Negro hoje mesmo!

“Parece que a gente está em uma reunião da Faria Lima global”, critica Jurema Werneck sobre a desconexão da COP30

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Foto: reprodução

A COP30, 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, acontece entre 10 e 21 de novembro em Belém, no Pará. O evento reúne governos, empresas, cientistas e sociedade civil para debater políticas de mitigação e adaptação climática. Apesar da relevância do encontro, especialistas apontam que as discussões frequentemente priorizam metas técnicas e financeiras em detrimento das consequências sociais da crise.

Jurema Werneck, médica e diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, atua como enviada especial da COP30 com foco em periferias e racismo ambiental. Em entrevista à Matinal, ela afirmou que a conferência está desconectada da urgência humana da crise: “Parece que a gente está em uma reunião da Faria Lima global”, criticando a predominância de discursos voltados para números e finanças em vez de soluções concretas para comunidades vulneráveis.

A ativista reforça que o ponto central da crise climática é o ser humano e que populações historicamente marginalizadas, como indígenas, ribeirinhos e moradores de periferias, enfrentam os efeitos mais severos. Werneck destaca que a degradação ambiental nessas regiões está diretamente ligada ao racismo ambiental, que invisibiliza seus direitos e limita sua participação nas decisões que afetam seus territórios e vidas.

Segundo Werneck, priorizar ações ambientais significa garantir direitos humanos básicos. A mensagem da enviada especial é clara: a agenda climática precisa deixar de lado o discurso técnico e corporativo e adotar uma perspectiva que reconheça desigualdades sociais e raciais, colocando a vida humana no centro das decisões globais sobre o clima.

“Performar feminilidade adoece mulheres negras” alerta Josi Helena, tricologista e especialista em estética negra

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Foto: reprodução

Josi Helena Souza é esteticista e tricologista, especialista em estética para pessoas negras. Com anos de atuação em consultorias, palestras e treinamentos, ela tem se dedicado a analisar o impacto das práticas de beleza na saúde capilar e emocional de suas clientes. Em suas observações, Josi identifica um problema que vai além do cabelo: a pressão estética que mulheres negras enfrentam para se adequar a padrões que não refletem sua identidade.

Segundo Josi, 80% das mulheres que procuram seus serviços desenvolveram alopecia por tração, evoluindo em muitos casos para alopecia cicatricial. Esse dado revela que a busca por cabelos longos, lisos ou moldáveis, muitas vezes estimulada pelo mercado de beleza, tem consequências diretas na saúde física dessas mulheres. Para ela, o problema não está apenas nos procedimentos, mas na pressão invisível para performar um ideal de feminilidade.

Em suas reflexões, Josi alerta: “A busca por pertencimento através da estética adoece quem mais longe está do ‘ideal’ imposto. Não é o comprimento ou textura dos cabelos que determina o que é ser feminina ou bela, mas no subconsciente de mulheres negras isso não é verdade”. Ela destaca que a indústria da beleza movimenta enormes quantias de dinheiro enquanto adoece essas mulheres, criando uma falsa sensação de escolha e empoderamento.

O trabalho de Josi Helena Souza convida à reflexão e à revisão de padrões. Questionar escolhas estéticas e priorizar a saúde física e emocional são passos essenciais para ressignificar a relação com a própria aparência. Em suas palavras: “Nada deve ser mais importante que a sua saúde”. O alerta da especialista não é apenas sobre cabelos: é sobre identidade, liberdade e cuidado com si mesma em uma sociedade que ainda impõe padrões excludentes.

O exercício de gratidão que transforma o networking em conexões reais

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Foto: freepik

O escritor e empreendedor Denis Tassitano, autor do livro Powerhub – o livro do networking, compartilhou recentemente um exercício simples, mas profundamente transformador, sobre conexões humanas e gratidão. Inspirado em uma das práticas do programa “21 Dias de Meditação para Abundância”, criado por Deepak Chopra, Denis propõe uma reflexão sobre o verdadeiro significado do networking, que vai muito além das relações profissionais.

Em sua publicação, ele destaca que networking é sobre pessoas, e não apenas sobre oportunidades de trabalho. Segundo Denis, cada relação que cultivamos deixa uma marca e contribui de alguma forma para nossa trajetória. Por isso, o exercício da semana é direto, mas potente: escrever uma lista com 50 pessoas que impactaram positivamente a sua vida.

A proposta é que, ao listar esses nomes, familiares, amigos, professores, colegas, mentores ou pessoas que cruzaram o caminho em momentos decisivos, cada um possa mentalizar o que recebeu dessas conexões. E mais: se possível, entrar em contato novamente com essas pessoas para expressar gratidão. “O simples ato de reconhecer e agradecer fortalece laços, abre portas e gera novas possibilidades”, escreve.

Inspirado no programa 21 Dias de Meditação para Abundância, de Deepak Chopra, que propõe reflexões diárias sobre prosperidade e consciência, o exercício compartilhado por Denis Tassitano se alinha aos princípios de Powerhub, seu livro mais recente, que reforça a importância de um networking autêntico, humano e guiado pela gratidão.

No fim, o convite é simples, mas poderoso: reconhecer quem já somou à sua caminhada. Como lembra o autor, networking verdadeiro nasce do reconhecimento, da troca e da gratidão, e, talvez, a abundância comece exatamente aí.

Beleza com propósito real: Com o projeto Da Pele Preta, Dra. Andréa Santana oferece tratamentos gratuitos a mulheres negras em vulnerabilidade

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Foto: divulgação

Em um país onde a beleza negra ainda precisa disputar espaço dentro dos protocolos estéticos, a trajetória da Drª Andréa Santana nasce como resposta e transformação. Farmacêutica clínica e esteta, ela construiu, a partir de Salvador, uma atuação que une ciência e compromisso social, tornando-se uma das principais referências nacionais em cuidados dermatológicos voltados à pele negra. Entre publicações científicas, palestras e atendimentos, Andréa tem feito da estética um instrumento de reparação: devolve autoestima, visibilidade e pertencimento a mulheres negras historicamente excluídas das narrativas de beleza.

Há 24 anos na área, farmacêutica clínica, ozonioterapeuta, docente, palestrante e CEO da Clínica de Estética Avançada Drª Andréa Santana, ela também é membro do Grupo de Trabalho do Conselho Regional de Farmácia da Bahia (CRF/BA) e integra a rede internacional Forbes BLK, que conecta lideranças negras de destaque em todo o mundo.

Mas é no projeto social Da Pele Preta que a potência de seu trabalho se revela de forma mais profunda. Criado há dois anos, o projeto oferece tratamentos estéticos gratuitos para mulheres negras em situação de vulnerabilidade, promovendo acolhimento, escuta e reconstrução de autoestima. Em 2025, a ação beneficiou mulheres da comunidade religiosa Cumoa, em Piatã, reforçando a beleza como ferramenta de pertencimento e fé.

Em entrevista ao Mundo Negro, ela compartilhou histórias que marcam a essência do Da Pele Preta:

“Teve um momento que me marcou profundamente quando uma das mulheres, ao final do tratamento, se olhou no espelho e começou a chorar. Mas não eram lágrimas de vaidade, eram de reconhecimento. Ela disse que há anos não se olhava com amor, que a vida tinha endurecido. Ali percebi que meu trabalho vai muito além da estética, é reparação emocional e ancestral. É devolver a essas mulheres o direito de se verem bonitas, cuidadas, dignas de tempo e de toque. Cada pele que eu toco me lembra que autocuidado também é resistência.”

Em outro relato, ela lembra de uma mulher que chegou retraída, enfrentando a depressão e a vergonha do próprio corpo:

“Ela tinha vergonha da própria pele, quase sem cabelo, marcada por manchas e falhas. Com o passar dos encontros, começou a sorrir mais, a se arrumar, a falar sobre planos. Ver aquela mulher se reencontrando com a própria potência me mostrou que o Da Pele Preta não é só sobre estética, é sobre libertar identidades, resgatar autoestima e abrir caminhos para que mulheres negras ocupem espaços com confiança.”

Para Andréa, a estética negra é também um ato político e de afirmação.

“Quero que a sociedade entenda que cuidar da pele negra é um ato político e de amor. Por muito tempo fomos ensinadas a esconder o que somos, a clarear, a suavizar, a caber. Mas hoje, o que eu desejo é o contrário: que a nossa pele apareça, brilhe e inspire. A estética, quando aliada à consciência, se torna ferramenta de reparação, visibilidade e poder. Quero que olhem para a pele negra e enxerguem história, ciência, beleza e futuro.”

Mais do que um projeto de estética, o Da Pele Preta se consolidou como uma iniciativa de impacto social que atravessa territórios, histórias e gerações. Em dois anos de atuação, o projeto já atendeu dezenas de mulheres negras em situação de vulnerabilidade, oferecendo não apenas tratamentos dermatológicos, mas escuta, acolhimento e reconexão com a própria imagem. Drª Andréa Santana reafirma que a beleza, quando é consciente, pode ser também ferramenta de emancipação. E que cuidar da pele negra é, sobretudo, cuidar da memória e da dignidade de quem a carrega.

‘ID Corpos Negros’: Achiles Luciano inaugura em São Paulo exposição com imersão afrofuturista e sci-fi

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Achiles Luciano (Créditos Acervo Pessoal)

A exposição ‘ID Corpos Negros’, assinada pelo artista Achiles Luciano, que propõe um encontro entre o afrofuturismo, a ficção científica e a arte afrodiaspórica, inaugura neste sábado (15), no Complexo Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo. A mostra gratuita, que celebra o Novembro Negro, explora a convergência entre o analógico e o digital em um formato multidisciplinar, apresentando 10 obras inéditas com o uso de realidade aumentada.

O universo artístico de Achiles Luciano ganha vida com obras que utilizam a tecnologia para oferecer uma experiência imersiva e interativa. As ativações são geradas a partir do encontro do espectador com as obras em formato físico – que empregam materiais como canvas, madeira, impressões digitais fine art, pintura e ilustração digital. A proposta do artista é expandir o conceito do audiovisual, permitindo que os conteúdos, acionáveis diretamente por smartphones e tablets, aprofundem a abordagem urbana de temáticas afro-brasileiras através de técnicas mistas e do formato transmídia.

A mostra adota uma narrativa não-linear, conceito que, para Achiles Luciano, é crucial para a experiência, ecoando as reflexões do escritor e filósofo Nego Bispo. O artista, idealizador da exposição, explica que cada perspectiva se revela em uma nova jornada expográfica, desdobrando-se em camadas da história, arte e cultura afrodiaspórica.

Achiles Luciano. (Crédito: Anna Bogaciovas)

“A mostra ‘ID Corpos Negros’ é o fragmento de um sonho que começa a se realizar.
Nascido do meu fascínio por histórias de ficção científica, o projeto expressa uma inquietação antiga: perceber como a tecnologia, cada vez mais presente no nosso cotidiano, parece materializar aquilo que antes só existia nas páginas da imaginação, nos gibis, em filmes de ficção. Com esse trabalho, proponho uma travessia visual que oscila entre o real e o digital, o lúdico e o surreal. Uma experimentação artística que funde a arte mista com reflexões pessoais, mas que também toca questões mais amplas sobre identidade, ancestralidade e futuro”, afirma Luciano.

O projeto, que consagra mais de três décadas de trajetória artística do paulistano, marca um momento especial para a arte contemporânea negra e as pesquisas do artista em novas tecnologias. Conhecido por construir narrativas que expandem o olhar sobre memória, território e identidade, Luciano se firmou como um dos grandes nomes da live painting, conectando essa expressão à sua vivência nas jam sessions e nas noites de jazz e blues. Seu trabalho mais recente provoca um entrelaçamento entre o sci-fi e a ancestralidade afrodiaspórica, apresentando um autorretrato da comunidade negra em obras como Corpo Oculto, Exú – Fragmentos de Sonho, Secções e CSM_K4P031R4.

“ID Corpos Negros é um gesto de visibilidade, força e imaginação. Uma tentativa de traduzir, em imagens, a complexidade de existir, resistir e sonhar em um mundo em constante transformação. Neste momento estamos vivendo, talvez, o início de uma era onde a ficção científica se torna real”, revela Achiles.

Crédito: Achiles Luciano; Detalhes da obra – Secções – fine art.

O vernissage da mostra, que acontece neste sábado, 15, das 11h às 21h, contará com programação cultural estendida, incluindo uma seleção musical especial com a artista convidada Paola Ribeiro às 15h, seguida de uma JAM session (Bahia Fantástica) às 17h com os artistas Zebb, EdBrass e Rômulo Alexis, além do duo AFF – dispositivo afrofuturista formado por Achiles Luciano nos visuais e FELINTO no ‘live pa’, que também assina a direção musical da exposição.

A visitação da mostra acontece de terça a sexta, das 10h às 20h, e aos sábados e domingos, das 09h às 18h, até o dia 14 de dezembro, no Edifício Oswald de Andrade – Centro de SP. O projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo do município de São Paulo.

SERVIÇO

[Exposição ‘ID Corpos Negros, de Achiles Luciano]
Onde: Complexo Cultural Oswald de Andrade, na Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo – SP, 01123-000
Quando: de 15 de novembro a 14 de dezembro
Dias e horários da exposição: de terça a domingo, das 10h às 20h; sábado e domingo, das 09h às 18h
Vernissage: 15 de novembro, das 11h às 21h

Programação da vernissage (a programação pode sofrer alterações): 

  • Seleção Musical – Paola Ribeiro (15h) 
  • JAM session “Bahia Fantástica” (17h)  
  • Performance audiovisual AFF – Dispositivo Afrofuturista (19h)

Gratuito

Vozes Negras – A excelência de quem canta e encarna a história

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Foto: Divulgação

Por: Rodrigo França

Há espetáculos que atravessam o tempo e se tornam mais do que arte: tornam-se documento, rito, permanência. Vozes Negras – A Força do Canto Feminino é um desses encontros raros em que o palco se transforma em território de celebração, cura e memória. A música, nesse caso, não é apenas canto; é reza, é denúncia, é afirmação. Mas o que sustenta o poder dessa montagem, que volta a São Paulo no BTG Pactual Hall, é o brilho e a entrega de suas intérpretes. Atrizes-cantoras que não apenas revivem nomes fundamentais da música brasileira, mas os reconstroem com alma, afeto e rigor técnico.

Em cena, Maria Ceiça, Lu Vieira, Maria Rodrigues, Taty Aleixo, Vanessa Brown, Analu Pimenta, Chelle e Roberta Ribeiro emprestam corpo, voz e história para que as homenageadas, de Elizeth Cardoso a Elza Soares, de Clementina a Alcione, de Sandra de Sá a Iza, voltem a pulsar diante do público. Há uma força ancestral no gesto de cantar essas mulheres, uma linhagem que se perpetua no timbre, na respiração e no olhar que se acende quando o microfone se transforma em espelho. São atrizes que dominam o ofício com precisão e beleza, transitando entre o teatro e o canto com a naturalidade de quem compreende que interpretar é também escutar — escutar a canção, a ancestralidade e o tempo.

Foto: Divulgação

O espetáculo, idealizado e dirigido por Gustavo Gasparani, com dramaturgia assinada por ele e por mim, Rodrigo França, é um mosaico de vozes femininas negras que moldaram a história do Brasil, e o elenco se revela como um dos seus maiores triunfos. Cada intérprete carrega a responsabilidade de reencarnar trajetórias que foram silenciadas ou subestimadas, e o faz com altivez e sensibilidade. É impressionante perceber como a cena se sustenta na potência delas, sem caricatura nem imitação: o que se vê é a alma daquelas mulheres traduzida em novas presenças.

Essas atrizes-cantoras são guardiãs de uma herança imaterial. Cantam como quem escreve o futuro. São artistas de técnica apurada e emoção incontornável, donas de uma entrega que emociona até o silêncio. Cada nota carrega uma história, cada gesto é um lembrete de que a arte negra brasileira é sinônimo de excelência, disciplina e invenção. Vozes Negras é, acima de tudo, uma celebração dessa excelência — e o elenco, seu coração pulsante.

Foto: Divulgação

Em um país que tantas vezes tenta apagar a contribuição das mulheres negras na cultura, vê-las em protagonismo pleno é um ato político e poético. Elas não apenas homenageiam, elas continuam a história. Porque toda vez que uma mulher negra canta, o Brasil se refaz um pouco mais inteiro.  

Serviço

De 4 de novembro a 11 de dezembro

Terças, quartas e quintas, às 20h.

BTG PACTUAL HALL

R. Bento Branco de Andrade Filho,722, São Paulo

E se fosse uma criança branca?

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Foto: Freepik

O mundo realmente tem preferência em desabar nas famílias negras. Recentemente, encontrei com um amigo de infância, conhecido como Soró. O nome dele é Alex. Não mora mais no bairro, mas aproveitava a folga para visitar os pais. Foi uma enorme alegria revê-lo, parecíamos os mesmos jovens de décadas atrás, relembrando os momentos divertidos. E no entusiasmo de contar as novidades, interrompíamos um ao outro antes de terminar o raciocínio. Estava muito engraçado.

No entanto, o assunto ficou delicado. Fiquei por um tempo calado e perplexo ouvindo o amigo. Soró é um homem negro, casado com Márcia, uma mulher negra. Eles têm três filhos, duas meninas e um menino. No ano passado, Miguel entrou para a escola. Na primeira reunião, Márcia participou e ouviu reclamações. A professora disse que Miguel era preguiçoso, não prestava atenção na aula e não fazia os deveres solicitados. Pediu para a mãe pegar no pé do filho para não ter “dor de cabeça” no futuro.

Os pais controlaram o acesso à televisão, jogos no celular e computador, entre outras coisas que o menino gostava de fazer; também deram muitas broncas! O casal ficava bastante ausente por conta da carga exaustiva do emprego. Soró trabalhava como vigilante, e a esposa trabalhava no supermercado. Era a mãe da Márcia quem cuidava dos netos. Antes das férias no meio do ano, a professora mandou um bilhete pedindo para os pais irem à escola. Mas foi a avó quem compareceu, e as reclamações se repetiram. 

No semestre seguinte, a professora saiu de licença maternidade. Soró disse que ali viu uma luz. Ele achava que a professora é que não estava ensinando direito e não gostava do Miguel. Mas para a surpresa dele e da esposa, na segunda semana de aula a nova professora chamou eles. Ela disse que leu os relatórios sobre o Miguel, e devido ao histórico e a percepção dela na sala de aula, sugeriu que deveriam procurar um psicólogo. 

Ainda que um pouco resistentes, seguiram o conselho. E, após diversos exames e consultas médicas, descobriram que o filho tinha transtorno psiquiátrico e deveria passar por um tratamento especializado. Soró entrou em choque. A esposa até começou a frequentar sessões de terapia depois do episódio. O remorso tomou conta. 

E não tinha como ser diferente. Imagine o tratamento que deram para o filho após a reclamação da professora, sendo que a situação estava muito longe de ser uma simples “preguiça infantil”. Depois de todo aquele assunto fiquei me perguntando: se o Miguel fosse uma criança branca, o julgamento e cuidado teriam sido diferente? Quantas crianças negras estão sendo negligenciadas e culpadas por aquilo que não controlam?

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