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Emmy 2026: Zendaya, Ayo Edebiri e Colman Domingo estão entre os indicados da premiação

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Fotos: Shane Anthony Sinclair/ Wikidata/Getty Images/Reprodução

Television Academy divulga indicados ao Emmy 2026. Zendaya, Ayo Edebiri, Tyler James Williams e outros nomes negros se destacam na lista.

A Television Academy revelou nesta quarta-feira (8) os indicados ao Emmy 2026, e a lista trouxe presença relevante de nomes negros em praticamente todas as categorias de atuação e nas disputas de melhor série. A cerimônia acontece em 14 de setembro, no Peacock Theater, em Los Angeles.

Na categoria de Melhor Ator em Série de Drama, Sterling K. Brown concorre por Paradise, produção também indicada a Melhor Série de Drama. Em Melhor Atriz em Série de Drama, Chase Infiniti disputa por The Testaments e Zendaya concorre por Euphoria.

Na comédia, Yahya Abdul-Mateen II está entre os indicados a Melhor Ator por Wonder Man, enquanto Ayo Edebiri concorre a Melhor Atriz por O Urso e Quinta Brunson disputa a mesma categoria por Abbott Elementary. As duas séries, Abbott Elementary e O Urso, aparecem também na disputa de Melhor Série de Comédia.

Nas categorias coadjuvantes de comédia, Janelle James e Tyler James Williams concorrem a Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvante, ambos por Abbott Elementary. Jessica Williams disputa a mesma categoria de atriz por Shrinking, e Colman Domingo concorre a Melhor Ator Coadjuvante por The Four Seasons.

Em Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada, Antológica ou Telefilme, Joy Sunday concorre por DTF St. Louis. Já em Melhor Telefilme, Heads of State está entre os indicados, produção estrelada por Idris Elba.

Nas categorias de reality e variedades, RuPaul’s Drag Race, apresentado por RuPaul, disputa Melhor Reality de Competição ao lado de Dancing With the Stars, atração que também reúne elenco negro em sua formação atual.

Lélia Gonzalez eternizou no ‘pretuguês’ a certeza de que o Brasil é feito por nós

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Fotos: Projeto Lelia Gonzalez/ Reprodução

Lélia Gonzalez eternizou no pretuguês a prova de que o Brasil é feito por nós. Entenda o conceito e o legado da intelectual, 32 anos após sua morte.

Quem diz “Framengo” no lugar de “Flamengo”, quem troca “dá-me” por “me dá”, quem carrega no vocabulário palavras como moleque, quiabo, dendê e bunda, fala pretuguês, o nome que a intelectual Lélia Gonzalez deu à marca africana estrutural do português brasileiro. Nesta sexta-feira (10), a data resgata esse conceito ao completar 32 anos da morte da autora, que dedicou parte central de sua obra a provar que o Brasil não fala português, fala a língua que o povo negro moldou dentro dele.

Gonzalez apresenta o conceito de forma mais sistemática no ensaio Racismo e sexismo na cultura brasileira, de 1983, embora já explorasse a ideia em falas e textos anteriores. Para a autora, o português falado no Brasil carrega, na estrutura sonora e gramatical, marcas profundas das línguas africanas trazidas pelas pessoas escravizadas, sobretudo das línguas de origem banta, faladas por populações do Congo, de Angola e de regiões próximas. A pronúncia popular de Framengo, sem o fonema l, ausente em diversas línguas bantas e substituído pelo r, ilustra essa permanência. Gonzalez recusava tratar essa troca como erro de fala e a entendia como o registro vivo de uma gramática africana que sobreviveu à colonização dentro do próprio idioma do colonizador.

A autora observava a mesma dinâmica na sintaxe cotidiana. A construção me dá, comum na fala popular brasileira, inverte a ordem imperativa e hierárquica do português de Portugal, presente em dá-me, e aproxima quem pede de quem recebe em uma relação menos autoritária. Repetições como nhonhô, usadas por pessoas escravizadas para se referir aos filhos dos senhores, seguem um padrão de duplicação silábica típico de línguas africanas, distante da estrutura europeia da palavra senhor. O vocabulário cotidiano conserva ainda centenas de palavras de origem africana incorporadas ao uso corrente, como fubá, caçula, angu, quitute, berimbau, maracatu, cafuné e muvuca, entre outras.

Formada também em psicanálise, Gonzalez associava essa permanência linguística ao papel histórico da mulher negra na criação das crianças no Brasil, incluindo os filhos das famílias brancas para quem trabalhava como ama de leite ou empregada doméstica. Para a autora, era essa mulher, e não a mãe branca, quem efetivamente inseria a criança na cultura e na língua durante a primeira infância, o que torna a fala popular brasileira uma herança direta da voz negra silenciada pela historiografia oficial. Gonzalez definia o racismo brasileiro como uma forma de negação cultural, própria de uma sociedade que absorve amplamente a contribuição negra em sua formação, mas recusa reconhecer essa presença como constitutiva da identidade nacional. O termo, escrito também como pretoguês em alguns registros da autora, funcionava assim como instrumento político, na medida em que reivindicava a legitimidade da fala popular associada às classes mais pobres e majoritariamente negras e disputava a ideia de correção linguística como parâmetro de inteligência ou de valor social.

Lélia Gonzalez nasceu em Belo Horizonte em 1º de fevereiro de 1935, filha de um ferroviário negro e de uma trabalhadora doméstica indígena, e era a penúltima de dezoito irmãos. A família se mudou para o Rio de Janeiro em 1942, depois que um dos irmãos, o jogador Jaime de Almeida, recebeu convite para atuar pelo Flamengo. No Rio, Lélia trabalhou como babá ainda criança, concluiu o ensino médio no tradicional Colégio Pedro II e graduou-se em História e Geografia, além de Filosofia, pela então Universidade do Estado da Guanabara, atual UERJ. Fez mestrado em Comunicação Social e doutorado em Antropologia Política, área em que concentrou pesquisas sobre gênero e etnia. Lecionou na rede pública e, posteriormente, na PUC-Rio, onde chegou a chefiar o Departamento de Sociologia e Política. Foi também uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado, em 1978, e do coletivo Nzinga, dedicado às mulheres negras, em 1983.

Gonzalez morreu no Rio de Janeiro em 10 de julho de 1994, aos 59 anos, vítima de complicações cardíacas ligadas a um quadro de diabetes diagnosticado dois anos antes. Mais de três décadas depois, o conceito de pretuguês segue como referência em pesquisas de linguística, antropologia e estudos de gênero, e ganhou reforço recente na cultura popular, incluindo menções do rapper Emicida em produções documentais sobre o tema. Instituições como o Instituto Memorial Lélia Gonzalez, fundado por sua neta Melina de Lima em 2023, e projetos como o Lélia Gonzalez Vive seguem organizando acervos, entrevistas e documentos para ampliar o acesso à obra da autora, cuja produção completa segue sendo compilada e reeditada por pesquisadoras brasileiras.

Registro de mulher negra cercada por supremacistas brancos viraliza nas redes

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Foto: Cheney Orr para a Reuters

Foto viral mostra Bernita Bowlding cercada por integrantes do Patriot Front no metrô de Washington, em 4 de julho, data da independência dos EUA.

Uma fotografia registrada pelo fotógrafo Cheney Orr para a agência Reuters mostra a americana Bernita Bowlding, de 33 anos, sentada sozinha em um vagão do metrô de Washington D.C. cercada por dezenas de integrantes mascarados do Patriot Front, grupo supremacista branco. O registro foi feito em 4 de julho, data em que os Estados Unidos completaram 250 anos de independência, e acumulou milhões de visualizações nas redes sociais horas depois de ser publicado.

Bernita seguia de trem rumo a Silver Spring, em Maryland, quando o grupo embarcou na composição após uma marcha pelas ruas de Washington. Integrantes do Patriot Front usavam máscaras brancas, bonés cáqui e bandeiras dos Estados Unidos, além de símbolos confederados, enquanto gritavam palavras de ordem como “recuperar a América”. O rosto de Bernita, único descoberto entre os passageiros do vagão, ficou no centro da composição fotográfica.

Paul Bowlding, irmão de Bernita, reconheceu a irmã na imagem ao vê-la publicada no Instagram e passou a se preocupar quando não conseguiu contato com ela nas horas seguintes. Bernita não possui telefone celular no momento, e a família costuma esperar até que ela ligue ou apareça pessoalmente para ter notícias. Em entrevista ao Washington Post, Paul comparou a cena a “cães de caça cercando ela” e afirmou temer que a irmã se tornasse alvo de ataques depois que a identidade dela circulou nas redes.

A repercussão da foto levou usuários da internet a localizar um registro de prisão anterior de Bernita, posteriormente usado por perfis conservadores para criticá-la publicamente. Registros judiciais mostram que a acusação foi arquivada. Paul afirmou que o episódio no trem ocorreu durante uma crise de saúde mental enfrentada pela irmã, que já lida há anos com problemas psiquiátricos. A família só teve certeza de que Bernita estava bem quando ela apareceu na casa da mãe, na manhã de domingo, quase 24 horas depois do trajeto de trem.

Outro passageiro do mesmo vagão, Roswell Encina, relatou à revista The Advocate o desconforto ao ver o grupo mascarado embarcar no trem quando também seguia para uma comemoração do feriado em Maryland. Segundo ele, a cena provocou apreensão imediata entre os presentes, que não sabiam identificar de imediato quem eram aqueles homens.

O Patriot Front foi fundado em 2017, após a marcha “Unite the Right”, em Charlottesville, na Virgínia, que reuniu integrantes da Ku Klux Klan, neonazistas e ativistas da extrema direita. Nos últimos anos, o grupo tem promovido demonstrações públicas organizadas em datas simbólicas do calendário americano, como ocorreu na marcha que antecedeu o embarque no metrô de Washington.

A família de Bernita declarou ao Washington Post que espera que ela receba o acompanhamento necessário para lidar com os desafios de saúde mental, independentemente dos desdobramentos gerados pela repercussão da foto. Paul descreveu a irmã como alguém quieto e forte, e disse enxergar nela um exemplo de resiliência diante do momento vivido.

Fifa investiga caso de racismo de torcedores argentinos contra IShowSpeed

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Foto: Getty Imagens

Fifa apura ofensas racistas contra IShowSpeed em partidas da Argentina na Copa. Streamer foi alvo de torcedores argentinos em dois jogos diferentes do Mundial.

A Fifa confirmou nesta terça-feira (7) a abertura de uma investigação sobre um episódio de racismo contra o streamer americano IShowSpeed, ocorrido durante a partida entre Argentina e Cabo Verde, disputada no dia 3 de julho no Hard Rock Stadium, em Miami, pelos oitavos de final da Copa do Mundo de 2026.

Darren Watkins Jr, nome real do influenciador conhecido como IShowSpeed, acompanhava o jogo nas arquibancadas vestido com a camisa da seleção cabo-verdiana enquanto transmitia o confronto ao vivo para milhões de seguidores em suas redes sociais. Durante a transmissão, um torcedor identificado com a camisa da Argentina dirigiu ofensas de caráter racial ao criador de conteúdo, incluindo uma expressão discriminatória. Segundo reportagens, o torcedor teria dito ainda, em espanhol, para o streamer “ir chorar no zoológico”.

Vídeos do episódio circularam rapidamente pelas redes sociais e chegaram ao conhecimento da entidade máxima do futebol mundial, que se pronunciou por meio de comunicado oficial. A Fifa afirmou ter sido informada do incidente envolvendo um torcedor e IShowSpeed no estádio de Miami e ter iniciado a apuração imediatamente após tomar conhecimento do caso.

Foto: reprodução/Youtube Ishowpeed

“A Fifa condena veementemente o racismo, o ódio e a discriminação em todas as suas formas. Essas ações não têm lugar no futebol, na Copa do Mundo da Fifa ou em qualquer espaço da sociedade”, declarou a entidade, acrescentando que o torneio deve representar valores de união, diversidade e respeito entre povos e culturas.

O episódio é o primeiro caso de suposto racismo em arquibancadas investigado oficialmente pela Fifa nesta edição do Mundial. A partida em que a ofensa ocorreu terminou com vitória argentina por 3 a 2 após a prorrogação, resultado que eliminou a seleção cabo-verdiana em sua estreia histórica em fases eliminatórias de uma Copa do Mundo.

O caso de IShowSpeed se soma a outro episódio de racismo registrado durante o torneio nesta semana. O atacante francês Kylian Mbappé foi alvo de ofensas raciais publicadas pela senadora paraguaia Celeste Amarilla em sua conta oficial em uma rede social, após a eliminação do Paraguai diante da França pelas oitavas de final. Mbappé respondeu publicamente às declarações da senadora, classificando o comportamento dela como incompatível com a representação do país.

A Fifa não informou se os responsáveis pelas ofensas contra IShowSpeed já foram identificados nem qual etapa a investigação atravessa. A entidade deve analisar as gravações da transmissão e possíveis registros de câmeras do estádio para concluir a apuração.

Will Smith e Jada Pinkett Smith voltaram a morar juntos 

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Will Smith e Jada Pinkett Smith durante aparição pública no Oscar
Foto: Reprodução

Segundo a revista People, o casal retomou a convivência na mesma casa há cerca de dois anos e voltou a fazer aparições públicas em família. 

Will Smith e Jada Pinkett Smith voltaram a morar juntos após anos vivendo em residências separadas. A informação foi publicada pela revista People nesta terça-feira (7), que afirma que o casal retomou a convivência sob o mesmo teto há cerca de dois anos.

Casados desde 1997, Will e Jada revelaram, em 2023, que estavam separados desde 2016, embora nunca tenham oficializado o divórcio. Na época, Jada explicou que os dois seguiam comprometidos com a família, mesmo vivendo uma nova dinâmica na relação.

Segundo uma fonte ouvida pela revista norte-americana People, a decisão de voltar a morar juntos aconteceu de forma discreta.

“Jada voltou a morar com Will há dois anos. Eles estão felizes, se amam e, como sempre, continuam comprometidos em apoiar um ao outro”, afirmou a fonte à publicação.

Aparição em família reforçou rumores

Foto: Getty Images

A informação ganhou força após uma recente aparição pública do casal durante a Paris Fashion Week. No fim de junho, Will Smith e Jada Pinkett Smith participaram do desfile da Louboutin ao lado da filha, Willow Smith, de Trey Smith, filho de Will com Sheree Zampino, e de Adrienne Banfield-Norris, mãe de Jada.

O evento marcou uma das primeiras aparições públicas dos dois desde 2024 e reacendeu especulações sobre um novo momento vivido pelo casal. Embora tenham enfrentado grande exposição nos últimos anos, especialmente após Jada revelar que viviam separados e durante os desdobramentos envolvendo o episódio entre Will Smith e Chris Rock no Oscar de 2022, os dois mantiveram a parceria familiar e profissional.

Até o momento, não houve nenhum comentário público do casal em relação a informação divulgada pela People.

Jovem é encontrado morto após passeio com amigos nos EUA 

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Nolan Xavier Wells, jovem encontrado morto após passeio nos EUA, com amigos
Foto: Reprodução/ Instagram

Jovem de 18 anos desapareceu durante as celebrações do 4 de Julho na Ilha Horn, no Mississippi. As circunstâncias da morte seguem sob investigação.

O corpo de Nolan Xavier Wells, de 18 anos, foi encontrado na manhã de segunda-feira (6), na costa do Golfo do Mississippi, nos Estados Unidos, dois dias após o desaparecimento do jovem durante um passeio com amigos na Ilha Horn. As circunstâncias da morte seguem sendo investigadas pelas autoridades.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades locais à imprensa norte-americana, o corpo foi localizado por um guarda da região na água, a noroeste da ilha. Embora ainda seja aguardada a confirmação oficial por meio de exame de DNA, familiares e autoridades informaram que as características físicas encontradas são compatíveis com as de Nolan.

As buscas começaram no sábado (4), depois que o jovem foi visto pela última vez por volta das 15h, durante um passeio de barco com amigos no feriado da Independência dos Estados Unidos. Nolan usava bermuda azul, óculos escuros e estava sem camisa. De acordo com os relatos iniciais, ele foi visto conversando com uma jovem na Ilha Horn, localizada a cerca de 16 quilômetros da costa do Mississippi.

Até o momento, não foram divulgadas informações sobre as circunstâncias da morte, e a investigação permanece em andamento.

Família agradece mobilização durante as buscas

Após a confirmação da morte, a mãe de Nolan, Christine Wonsley, publicou uma mensagem nas redes sociais agradecendo o apoio recebido durante os dias de busca.

“Quero agradecer à nossa família, aos amigos, à comunidade, à United Cajun Navy, às autoridades policiais locais e a todos os envolvidos por todo o carinho, apoio e recursos oferecidos nos últimos dias. O pai dele, nossa família, nossos amigos e eu estamos absolutamente devastados. Meu coração está partido pelo meu querido filho, que sempre estava disposto a alegrar e incentivar outras pessoas.”

O papel do letramento em saúde na equidade cardiovascular da população negra

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Foto: gerada por IA

Por Caroline Araujo Amorim

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo, e a hipertensão arterial é um dos seus principais fatores de risco modificáveis. Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, reduzir a incidência da hipertensão ainda representa um grande desafio para os sistemas de saúde. Quando observamos esse quadro sob a perspectiva racial, a discussão torna-se ainda mais complexa.

No Brasil e em diversos países, homens e mulheres negros apresentam maior carga de doenças cardiovasculares e, em muitos estudos, maior prevalência de hipertensão arterial e de suas complicações. Durante muitos anos, essas diferenças foram atribuídas quase exclusivamente à genética. Hoje, entretanto, a literatura científica aponta para uma realidade muito mais ampla: a saúde cardiovascular resulta da interação entre fatores biológicos, comportamentais, ambientais e sociais.

Esse entendimento muda completamente a forma como pensamos a prevenção.

Não basta identificar quem apresenta maior risco. É preciso compreender por que esse risco existe e quais condições dificultam que determinadas populações consigam prevenir doenças antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas.

Nesse contexto, os determinantes sociais da saúde ocupam papel central. Escolaridade, renda, condições de moradia, acesso aos serviços de saúde, segurança alimentar, oportunidades para prática de atividade física, exposição ao estresse crônico e experiências de discriminação influenciam diretamente a saúde cardiovascular. Esses fatores não substituem a influência biológica, mas ajudam a explicar por que determinadas populações enfrentam maiores desafios para construir saúde ao longo da vida.

É justamente nesse ponto que o conceito de letramento em saúde merece maior atenção.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, letramento em saúde é a capacidade das pessoas de acessar, compreender, avaliar e utilizar informações para tomar decisões relacionadas à saúde durante toda a vida. Trata-se de uma competência essencial para a promoção da saúde e para a prevenção das doenças crônicas não transmissíveis.

Na prática, isso significa que orientar uma pessoa a reduzir o consumo de sódio (a Organização Mundial da Saúde recomenda menos de 5 gramas por dia, cerca de uma colher de chá), praticar pelo menos 150 minutos de atividade física por semana ou controlar o peso corporal pode não ser suficiente se ela não compreender por que essas recomendações são importantes, como elas atuam no organismo e de que forma podem ser incorporadas à sua realidade.

A prevenção depende de escolhas. E escolhas conscientes dependem de compreensão.

Esse aspecto torna-se particularmente importante quando discutimos equidade em saúde.

Equidade não significa oferecer exatamente a mesma orientação para todas as pessoas. Significa reconhecer que diferentes grupos enfrentam diferentes barreiras para alcançar o mesmo direito à saúde. Homens e mulheres negros, por exemplo, podem enfrentar obstáculos relacionados ao acesso aos serviços de saúde, jornadas extensas de trabalho, menor disponibilidade de espaços públicos seguros para atividade física, dificuldades socioeconômicas e experiências de racismo que impactam direta e indiretamente sua saúde física e mental.

Por isso, estratégias de prevenção precisam considerar essas diferentes realidades.

A comunicação em saúde deve ser acessível, baseada em evidências e culturalmente sensível. Não basta disponibilizar informação; é necessário garantir que essa informação seja compreendida e possa ser transformada em decisão e em comportamento.

Nesse ponto, profissionais da saúde assumem um papel que vai além da assistência.

A promoção da saúde exige profissionais capazes de traduzir o conhecimento científico para uma linguagem clara, respeitosa e aplicável ao cotidiano das pessoas. No caso da Educação Física, isso significa compreender que a prescrição do exercício representa apenas uma parte do cuidado. Explicar por que o movimento protege o sistema cardiovascular, como ele influencia o controle da pressão arterial e quais benefícios promove ao longo da vida também faz parte da prática profissional.

Traduzir ciência é uma estratégia de prevenção.

O Brasil já possui políticas públicas que reconhecem a necessidade de reduzir desigualdades em saúde. A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra estabelece diretrizes para enfrentar as iniquidades raciais no Sistema Único de Saúde, reconhecendo o racismo como um determinante social da saúde e propondo ações voltadas para promoção da equidade, qualificação dos profissionais, fortalecimento da atenção à saúde e ampliação do acesso aos serviços.

Entretanto, políticas públicas somente produzem impacto quando alcançam as pessoas.

Isso depende da atuação integrada entre gestores, universidades, profissionais de saúde, organizações da sociedade civil e comunidades. Também depende da participação social. Os Conselhos Municipais e Estaduais de Saúde, as Conferências de Saúde e outras instâncias de controle social permitem que a população participe da construção, do acompanhamento e da avaliação das políticas públicas. Fortalecer esses espaços é uma forma concreta de transformar conhecimento em ação.

Além disso, ampliar o letramento em saúde pode acontecer em diferentes espaços: nas Unidades Básicas de Saúde, em escolas, universidades, projetos comunitários, associações de bairro, igrejas, coletivos e também nas plataformas digitais. Democratizar o acesso ao conhecimento científico é ampliar as oportunidades para que mais pessoas compreendam seu corpo, reconheçam fatores de risco e participem ativamente das decisões relacionadas à própria saúde.

Talvez esse seja um dos maiores desafios da prevenção no século XXI.

Não apenas desenvolver novos tratamentos, mas garantir que o conhecimento científico produzido seja compreendido por quem mais precisa dele.

A prevenção da hipertensão não começa quando a pressão arterial aumenta. Ela começa muito antes.

Começa quando homens e mulheres têm acesso a informações confiáveis, compreendem como diferentes fatores influenciam sua saúde, reconhecem seus direitos dentro do sistema de saúde e encontram condições reais para transformar conhecimento em escolhas.

Promover equidade significa reduzir barreiras. Promover letramento em saúde significa ampliar autonomia.

E uma sociedade que compreende melhor sua própria saúde está mais preparada para prevenir doenças, participar das políticas públicas e construir um futuro com menos desigualdades.

Como transformar esse conhecimento em ação?

A prevenção precisa sair do discurso e chegar ao cotidiano das pessoas. Algumas estratégias já encontram respaldo em políticas públicas e em recomendações internacionais:

  • Fortalecer ações de educação em saúde nas Unidades Básicas de Saúde, utilizando linguagem simples e acessível.
  • Produzir conteúdos científicos voltados para diferentes públicos, respeitando aspectos culturais, sociais e territoriais.
  • Incentivar a prática regular de atividade física em espaços públicos seguros e acessíveis.
  • Capacitar profissionais de saúde para desenvolver competências em comunicação e letramento em saúde.
  • Estimular a participação da população nos Conselhos de Saúde e nas Conferências de Saúde, contribuindo para o aprimoramento das políticas públicas.
  • Desenvolver projetos comunitários de promoção da saúde em parceria com escolas, universidades, coletivos e organizações da sociedade civil.
  • Investir em letramento em saúde não substitui o fortalecimento do Sistema Único de Saúde nem reduz a importância das políticas públicas. Pelo contrário: amplia sua efetividade, tornando a população protagonista das decisões relacionadas à própria saúde.

Referências

  • 1.       Organização Mundial da Saúde (WHO). Health Literacy Development for the Prevention and Control of Noncommunicable Diseases (Volume 3: Recommended actions). https://www.who.int/publications/i/item/9789240055377
  • 2.       Organização Mundial da Saúde (WHO). Health Literacy Development for the Prevention and Control of NCDs – Global Coordination Mechanism. https://www.who.int/groups/gcm/health-literacy-development-for-ncd-prevention-and-control
  • 3.       Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/equidade/publicacoes/populacao-negra/politica-nacional-de-saude-integral-da-populacao-negra.pdf
  • 4.       Ministério da Saúde. Portaria nº 992, de 13 de maio de 2009. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2009/prt0992_13_05_2009.html
  • 5.       Ministério da Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_promocao_saude.pdf
  • 6.       Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. https://abccardiol.org/article/diretrizes-brasileiras-de-hipertensao-arterial-2020/
  • 7.       Organização Mundial da Saúde. HEARTS: Technical Package for Cardiovascular Disease Management in Primary Health Care. https://www.who.int/teams/noncommunicable-diseases/cardiovascular-diseases/hearts-technical-package
  • 8.       David R. Williams. Publicações sobre racismo, determinantes sociais da saúde e desigualdades em saúde (Harvard T.H. Chan School of Public Health).

Chef Rikler Makabu celebra independência da República Democrática do Congo com evento gratuito no MUHCAB

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Foto: divulgação

Idealizado pelo chef congolês, o “Dia dos Países Africanos” estreia neste sábado (11) com gastronomia, feira ancestral, dança e debates acadêmicos.

O chef congolês Rikler Makabu Sekelembe idealiza a estreia do projeto “Dia dos Países Africanos” neste sábado (11), no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), na Gamboa. A primeira edição é dedicada à República Democrática do Congo (RDC) e marca o 66º aniversário da independência congolesa, com programação gratuita e classificação livre das 10h às 21h.

O projeto é uma realização da Chez Kimberly Food, empresa de gastronomia e produção cultural fundada por Makabu, em parceria com o MUHCAB. A empresa nasceu de encontros gastronômicos na comunidade de Barros Filho, na Zona Norte do Rio, e hoje atua como ferramenta de educação e intercâmbio cultural voltada à diáspora africana na cidade. Segundo a equipe de produção, a iniciativa busca aproximar o público brasileiro da diversidade do continente africano, que reúne 54 países, e ampliar o repertório de referências disponíveis sobre a região para além de estereótipos recorrentes.

A abertura oficial dos portões acontece às 10h. Às 11h, Maria Chantal ministra aula de dança rebolado, seguida da aula de ndombolo com Foguinho Ekiso, ao meio-dia. Às 12h30, abrem a Feira Ancestral, no Espaço Quilombinho, com expositores de moda, artesanato e literatura afrocentrada, e a área gastronômica no Espaço Zé Keti, com pratos típicos africanos preparados pelo próprio Rikler Makabu.

O ciclo de palestras e debates acadêmicos e institucionais ocupa dois blocos da programação, das 13h às 14h30 e das 15h10 às 16h, com especialistas convidados discutindo o intercâmbio cultural entre Brasil e o continente africano. Entre os dois blocos, às 14h30, o cantor Zola sobe ao palco para uma apresentação ao vivo. Às 16h, Mara Alves comanda a aula de kuduro.

A partir das 17h, o museu recebe uma apresentação de dança ancestral com Foguinho Ekiso, seguida do início da pista com os DJs Ker12 e Osana, que assumem os sets de ritmos africanos contemporâneos. O encerramento acontece entre 20h e 21h, com um último set dos DJs antes do fechamento do museu.

O MUHCAB ocupa o prédio do antigo Centro Cultural José Bonifácio, na Pequena África, região que reúne pontos de memória da herança africana no Rio, entre eles o Cais do Valongo, tombado pela Unesco como Patrimônio Mundial. Criado por decreto municipal em 2017, o museu foi aberto ao público em 2021 e tem como proposta central contar a história e a cultura afro-brasileira a partir da perspectiva de suas próprias comunidades protagonistas. É nesse território, marcado pela chegada forçada de pessoas escravizadas ao Brasil, que o “Dia dos Países Africanos” propõe agora um contraponto, apresentando ao público carioca a produção cultural contemporânea de países africanos, a começar pela República Democrática do Congo.

A independência da RDC, então Congo Belga, foi proclamada em 30 de junho de 1960, encerrando décadas de colonização por parte da Bélgica. O país é hoje um dos maiores da África em extensão territorial e reúne mais de duas centenas de grupos étnicos, com o lingala e o suaíli entre os idiomas mais falados ao lado do francês, língua oficial herdada do período colonial.

Programação
10h: abertura oficial do evento
11h: aula de dança rebolado, com Maria Chantal
12h: aula de dança ndombolo, com Foguinho Ekiso
12h30: abertura da Feira Ancestral, no Espaço Quilombinho, e da área gastronômica, no Espaço Zé Keti
13h às 14h30: ciclo de palestras e debates, bloco 1
14h30 às 15h10: show ao vivo com o cantor Zola
15h10 às 16h: ciclo de palestras e debates, bloco 2
16h: aula de kuduro, com Mara Alves
17h: apresentação de dança ancestral, com Foguinho Ekiso, seguida do início da pista com os DJs Ker12 e Osana
20h às 21h: set de encerramento com os DJs
21h: fechamento do museu

Serviço
Evento: Dia dos Países Africanos – Edição República Democrática do Congo
Data: 11 de julho de 2026, sábado
Horário: das 10h às 21h
Local: MUHCAB – Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira
Endereço: Rua Camerino, 45, Gamboa, Rio de Janeiro
Entrada: gratuita, classificação livre
Realização: Chez Kimberly Food em parceria com o MUHCAB

Brancos ocupam três vezes mais cargos de juiz e promotor na Bahia, aponta pesquisa

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Foto: gerada por IA

Pesquisa do Observatório da Branquitude mostra que brancos, minoria na Bahia, ocupam mais da metade dos cargos de juiz e promotor no estado

Pessoas brancas ocupam cargos de juiz e promotor na Bahia em proporção quase três vezes maior do que representam na população baiana, segundo pesquisa inédita do Observatório da Branquitude divulgada nesta terça-feira (7). O levantamento mostra que o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) tem 58% de magistrados brancos e o Ministério Público do estado (MPBA) chega a 66% de promotores e procuradores brancos, mesmo esse grupo racial somando apenas 19,6% da população baiana, que é majoritariamente formada por pessoas pretas e pardas.

O índice de proporcionalidade racial calculado pela pesquisa, que compara a presença de brancos nos cargos com sua participação na população geral, chega a 2,96 no TJBA e 3,4 no MPBA. Para alcançar uma composição proporcional à população do estado, a Bahia precisaria dobrar o número de juízes e desembargadores negros e mais que duplicar o de promotores e procuradores negros nos quadros da magistratura e do Ministério Público.

A Bahia foi escolhida para o estudo por reunir a maior proporção de população negra entre os estados brasileiros, com 80% de habitantes autodeclarados pretos ou pardos, e por ter sido pioneira na adoção de cotas raciais em concursos públicos para a magistratura e o Ministério Público, com reserva de 30% das vagas desde 2014. A medida antecedeu as resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que estabeleceram reserva de 20% das vagas em 2015 e 2017, respectivamente.

A coordenadora do estudo, Carolina Canegal, avalia que a paridade racial nas carreiras jurídicas baianas só deve ocorrer em algumas décadas, mesmo com a política de cotas em vigor. “A série histórica, desde os anos 1980, mostra o corte feito no ingresso nessas carreiras. Se tomarmos como exemplo o TJBA, veremos que, entre a década de 1980 e o ano de 2009, o percentual de autodeclarados pretos é ínfimo, menos de 1%. Com a implementação do sistema de cotas, esse grupo, hoje, representa 15,4%, o que é um salto expressivo, embora a soma de pretos e pardos na geração atual da instituição ainda não espelhe, nem de longe, a população do estado”, afirma a pesquisadora.

A pesquisa também mapeou os custos financeiros enfrentados por candidatos aos concursos de magistratura e Ministério Público, com base em entrevistas com juízes e promotores negros beneficiários e não beneficiários das cotas. Segundo o estudo, a soma de despesas visíveis e invisíveis ao longo da preparação pode ultrapassar R$ 71 mil. Entre os itens levantados estão cursinhos preparatórios presenciais de elite, que chegam a custar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por ano, além de deslocamentos, hospedagens, alimentação e materiais exigidos ao longo das etapas presenciais dos concursos. Canegal explica que os custos de oportunidade também pesam na disputa. “Os custos visíveis são aqueles representados pela taxa de inscrição, deslocamentos, hospedagens, materiais e subsistência. Já os invisíveis dizem respeito aos custos de oportunidade: dedicar-se exclusivamente aos estudos e frequentar um cursinho preparatório, por exemplo. Só este último pode variar entre R$ 15 mil e R$ 30 mil por ano”, diz a pesquisadora.

Os editais dos concursos preveem isenção da taxa de inscrição para candidatos inscritos no Cadastro Único, integrantes de famílias de baixa renda e doadores de medula óssea, mas a pesquisa aponta que essa medida isolada não garante condições equitativas de competição. Canegal cita o edital do MPBA de 2023 como exemplo: nenhum dos candidatos isentos da taxa de inscrição chegou à etapa final do processo seletivo naquele ano.

O estudo identifica ainda barreiras simbólicas na fase oral dos concursos, quando os candidatos passam a ser avaliados presencialmente pela banca examinadora. Juízes e promotores negros entrevistados relataram inseguranças relacionadas à aparência e ao risco de vieses raciais nessa etapa, incluindo mudanças na apresentação pessoal e preocupações específicas com o uso de cabelos naturais. Canegal relaciona esse cenário a um padrão histórico de acesso às carreiras jurídicas. “Existe, na verdade, uma história que tornou automática a associação entre as carreiras da elite jurídica e a população branca, algo que impacta tanto a capacidade que as pessoas negras desenvolvem de se imaginarem nesse tipo de posição no futuro, quanto o cotidiano de juízes e promotores negros que já estão nas carreiras”, observa a pesquisadora. Segundo ela, estudos anteriores mostram que, até 1990, 66% dos magistrados brasileiros tinham familiares em outras carreiras jurídicas, percentual que caiu para 42% em 2011.

A pesquisa contrapõe os dados sobre quem ocupa cargos de decisão no sistema de Justiça baiano aos dados sobre quem é alvo de punição por esse mesmo sistema. Com base em números do Sistema de Informações da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SISDEPEN) referentes a 2025, o estudo aponta que 87% das pessoas com alguma medida restritiva de liberdade na Bahia são negras, contra 10% de brancas. “Se a gente pega a outra ponta do sistema de justiça, então, o contraste é brutal”, diz Canegal, ao comparar a sub-representação de pessoas negras nos cargos de magistrado e promotor com sua superrepresentação entre a população carcerária e sob medidas restritivas de liberdade no estado.

Os dados sobre a composição racial do TJBA e do MPBA têm como referência o Diagnóstico Étnico-Racial do Poder Judiciário, elaborado pelo CNJ em 2023, e levantamento próprio do MPBA de 2024. A metodologia do Observatório da Branquitude segue o padrão do CNJ, que soma as categorias preta e parda como população negra e reúne branca, amarela e indígena na categoria branca, permitindo a comparação dos dados baianos com estatísticas nacionais. A pesquisa completa, incluindo a metodologia detalhada dos cálculos de proporcionalidade racial e do levantamento de custos dos concursos, deve ser divulgada pelo Observatório da Branquitude nos próximos dias.

Luxo e abundância marcam edição especial do ‘Jantar Preto’ dedicada a mulheres negras

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Foto: Divulgação Fabiano Vieira

Bárbara Brito e Bella Campos reuniram mulheres negras da música, da moda e da TV na noite de 6 de julho. Veja como foi a edição Só para as Pretinhas.

Bárbara Brito e Bella Campos receberam na noite de segunda-feira, 6 de julho, um grupo de mulheres negras de destaque na cultura, na música e na comunicação, na edição especial do Jantar Preto batizada de “Só para as Pretinhas”. O encontro aconteceu no Baretto, dentro do Fasano Jardins, em São Paulo, e reuniu, entre outras convidadas, as cantoras Tasha e Tracie, Agnes Nunes, Paula Lima e Ajuliacosta, a apresentadora e médica Thelma Assis, a Thelminha, a modelo Rita Carreira,, a empresária e figura pública Robertita e a executiva de conteúdo da Globo Samantha Almeida, que já presidiu júri no Festival de Cannes.

A dupla conduziu pessoalmente a recepção das convidadas, acompanhando a chegada de cada uma delas ao longo da noite, num roteiro que incluiu um menu autoral pensado para dialogar com o padrão do próprio Fasano Jardins. A noite reservou um espaço raro de troca entre mulheres negras em posições de destaque em áreas distintas, da música ao jornalismo, colocando lado a lado gerações e trajetórias diferentes dentro de um mesmo salão. Em um dos momentos da noite, Samantha Almeida resumiu o espírito do encontro ao comentar que aquela geração de mulheres pretas será a última a carregar sozinha o peso de ser a primeira num espaço como aquele, já que o que vem depois é a pluralidade, muitas ocupando ao mesmo tempo os mesmos ambientes de luxo como herança, e não mais como exceção.

Criado em 2023 pelos publicitários Kevin David e Levis Novaes, o Jantar Preto nasceu como um encontro intimista entre profissionais negros do mercado criativo e cresceu até se tornar um dos principais circuitos de celebração da cultura negra em espaços de alto padrão, com edições já realizadas no Rio de Janeiro, em Salvador e em Brasília. Bárbara Brito assumiu a presidência do projeto em 2024, ao lado dos cofundadores, mantendo o propósito original de transformar o luxo em território de protagonismo negro. A edição “Só para as Pretinhas” nasceu com um recorte específico, dedicada a mulheres pretas que transformam caminhos e redesenham futuros, e chegou como desdobramento direto de uma pauta que as duas anfitriãs já vinham discutindo publicamente, a de que ocupar espaços de luxo sem pedir licença é, em si, um gesto político.

Antes do jantar, Bárbara e Bella concederam entrevista exclusiva à Mundo Negro em que trataram justamente desse tema. Bárbara resumiu o raciocínio numa frase direta, “não é sobre estar num lugar bonito, é sobre reescrever quem se apossou da permissão de estar ali”, enquanto Bella falou do efeito dessa presença sobre quem observa de fora, “é sobre as meninas que olham e passam a entender que esses lugares também podem ser delas”. A reunião de segunda-feira colocou essas ideias em prática, ao transformar o Baretto num ambiente majoritariamente negro por uma noite.

O evento contou com apoio da Kérastase Paris, da Chandon e da vinícola Terrazas de los Andes, marcas que já vinham patrocinando outras edições do Jantar Preto. A programação do Julho das Pretas na Mundo Negro segue ao longo do mês com outras coberturas ligadas ao tema, e a entrevista completa concedida por Bárbara Brito e Bella Campos antes do encontro está disponível no site.

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