Home office se torna aliado de mães na batalha para conciliar maternidade e trabalho

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Home office se torna aliado de mães na batalha para conciliar maternidade e trabalho
Foto: Divulgação

Veronica Alves optou por mudar de profissão para poder passar mais tempo com o filho.

O home office se tornou uma alternativa para muitas empresas e funcionários por conta do alto número de mortes pela Covid-19. De acordo com uma pesquisa da Catho, realizada no ano passado, 92% das mulheres em home office também eram as responsáveis pelos filhos, que também estavam em casa neste período. Também segundo a pesquisa, um terço das mulheres entrevistadas são mães solo e cuidam dos seus filhos sozinhas e conciliando com o trabalho.

Este também é o caso da Veronica Alves, 33, mãe do Pedro Henrique, 8. Moradora da capital paulista, ela é analista de conteúdo na XPEED, frente de educação da XP Inc. Quando se tornou mãe, ela, que trabalhava no ramo da hotelaria, decidiu mudar de profissão para ter mais tempo com o filho.

“Eu tive Pedro aos 25 anos e não foi planejado. Passei dez anos trabalhando em hotelaria, eu era gerente de vendas e fazia muitas viagens, muitos eventos e depois que você se torna mãe, isso pede um pouquinho mais da sua atenção, mais presença e foi isso que fez eu querer mudar de profissão”, ressalta.

Em 2017, Veronica iniciou a gradução de Administração para conseguir uma nova carreira, descobriu a XP Inc. e entrou na empresa como estagiária, no primeiro ano do curso.

“Foi desafiador no começo, por questões salariais e reaprender tudo com 29 anos. Mas hoje eu viajo menos, tenho mais tempo pra ele, o home office também ajuda bastante. Então tem os dias que eles estão mais carentes, existe a possibilidade dele vir me dar um abraço, me dar um beijo, algo que não era possível quando eu estava no presencial, era só uma ligação de vídeo um ‘eu te amo, beijo e tchau'”, conta.

Para alcançar a carreira ideal e partilhar o tempo com o filho, essa mudança foi muito brusca para Veronica. “Só foi possível porque eu tive minha mãe. Eu tive que perder o início da infância dele. Levantar 5h da manhã, ir para faculdade, chegar em casa, amamentar uma criança e dormir tarde de novo, apenas três horas no dia, não é fácil. Mas você colhe isso no futuro. Eu estou colhendo isso hoje. Então, eu me sinto muito orgulhosa”.

A mãe da Veronica criou os quatro filhos sozinha e foi nela que Veronica encontrou o apoio quando decidiu que não iria se casar com o pai do filho dela. “Ela esteve do meu lado durante todo o processo. É a pessoa em quem eu me espelho pra ser como mãe, uma pessoa forte e que está ali pro momento que eu preciso, seja para um desabafo ou olhar meu filho quando eu preciso viajar”.

E completa: “Se a gente não se coloca numa posição difícil ou de descoberta, talvez a gente nunca alcance. Talvez a gente fique pensando ‘se eu tivesse feito, qual teria sido resultado?’. E hoje eu sei qual foi o resultado porque eu me arrisquei. Eu pude me arriscar porque eu também tinha quem me apoiava, minha mãe. Senão, eu não poderia ter feito. Provavelmente eu teria que ter desistido e ter seguido um outro caminho”.

Um dos frutos colhidos por Veronica é a possibilidade de trabalhar perto do filho. “Hoje com o home office, eu estou no meu cantinho, ele sabe onde me achar. A gente consegue sentar no meio da tarde para tomar um chá e conciliar isso também com a nossa rotina de trabalho. Ter a pausa ali do momento da lição, porque nós somos profissionais, somos mães e professoras e somos tudo”.

Durante o horário de trabalho, Pedro também participa das reuniões com a mãe. “Ele senta do meu lado, às vezes aparece, fala ‘oi pessoal’. Então ele se sente parte da equipe também”, detalha.

Além de trabalhar em casa, Veronica também se permite viajar nas férias escolar do Pedro e deixá-lo brincar, enquanto ela trabalha o observando.

Foto: Arquivo Pessoal

Uma mãe negra na XP Inc

Sem entender muito sobre mercado financeiro durante o primeiro ano da graduação, Veronica se tornou estagiária da XP Inc e logo percebeu como as desigualdades ainda refletiam na empresa na época. “O mercado financeiro era muito fechado, tanto para mulheres [brancas], quanto pra mulheres negras. Eram poucas as pessoas negras que a gente tinha e conforme a empresa foi crescendo e evoluindo, isso mudou bastante”.

“Logo depois que eu entrei, foi criado também grupos de diversidade, onde as pessoas puderam se apoiar em questão de raça e orientação sexual. Isso facilitou muito porque eu acabei me sentindo acolhida. Quando eu entrei na empresa, no meu time eram quatro mulheres e trinta homens. Hoje tem muito mais mulher dentro do time do que homem. A gente se propôs a construir em relação a diversidade está sendo cumprido e eu me orgulho muito disso, eu tive uma rede de apoio legal dentro do grupo de diversidade”, relembra.

Como analista na XPEED, além de fazer a gestão de time terceiros na parte de atendimento da empresa, ela também educa o filho, com explicações básicas no dia a dia, como quando ele pede um presente. “[Por exemplo, ele fala] mãe, eu queria comprar um jogo, aí eu falo ‘tudo bem esse jogo custa R$100, esse R$100 vai sair do seu dinheiro. Se você comprar esse jogo hoje, você vai ter menos R$100. Quer comprar o jogo hoje? Aí ele olha pra mim e fala ‘dá pra gente esperar uma promoção, aí eu pago mais barato’, ou seja ele já tem a percepção que o que não é urgente, ele pode esperar”.

Ele me vê trabalhando todos os dias, ele sabe o quanto é custoso ganhar dinheiro. Eu me sinto muito orgulhosa porque eu estou cumprindo um papel que na minha época não tive da minha mãe porque ela não tinha esse conhecimento, e mal tinha um estudo também. Então quando eu posso proporcionar isso, já me dá a noção que ele vai ser uma pessoa melhor do que eu fui. Então acho que o papel vem sendo cumprido”.

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