Google forma 1ª turma do GNI Startup Lab, programa de aceleração de startup jornalísticas no Brasil

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No dia 7 de maio, chegou ao fim a participação das dez startups da primeira edição do programa de aceleração de negócios jornalísticos da Google News Initiative (GNI) no Brasil. O projeto teve início em outubro de 2020, totalizando 20 semanas de imersão e contou com a participação de veículos de mídia comprometidos com um jornalismo de qualidade, como Agência BORI, Agência Tatu, Alma Preta, AzMina, Fervura, São Paulo para Crianças, Galápagos, Núcleo Jornalismo, MyNews e Ponte Jornalismo. Durante a última semana do projeto, nos dias 4 e 5 de maio, os veículos pariticipantes cumpriram a última etapa do programa, composta de um dia para demonstração de projetos de negócios para investidores e representantes de fundos de investimento.

Imagem: Google Initiative


A iniciativa abriu espaço para novas possibilidades no mercado nacional de comunicação, em um nicho pouco explorado por ações voltadas a impulsionar o empreendedorismo. A partir de conceitos já aplicados no Google for Startups , as empresas receberam recursos de até US﹩ 20.000 em financiamento, além de mentoria, treinamento e workshops sobre estratégia, produto, modelo de negócios, vendas e marketing, construção de comunidade e captação de recursos.
A ideia era que os empreendedores dessas startups pensassem no jornalismo como um produto, assim podendo potencializar as possibilidades de alcance de suas marcas. A pandemia do novo coronavírus afetou a indústria jornalística de maneira pesada, levando muitas empresas do setor a reduzir drasticamente despesas e pessoal. Uma das metas do GNI é manter o ecossistema de jornalismo em um patamar que não seja apenas o da sobrevivência, mas de sucesso, através de modelos de negócios e formatos narrativos inovadores. “O GNI Startup Lab incentivou os empreendedores a analisar suas empresas de outro ponto de vista, visando entender o potencial de suas ofertas atuais e descobrir como criar novas vias de receita para estabelecer, estrategicamente, modelos de negócios financeiramente mais sustentáveis, explicou Fabiana Zanni, coordenadora do GNI no Brasil.

Para que os gestores conseguissem repensar a oferta do jornalismo como um produto, foram desafiados a repensar metodologias e abordagens, encontrando maneiras sistemáticas para pensar o jornalismo por esse outro viés, usando estatégias de marketing como mapear a concorrência e a audiência para que se adaptem de maneira mais pragmática de acordo com o envolvimento com os consumidores. Tudo isso acompanhado por especialistas do Google em parceria com o Instituto de Estudo e Pesquisa (Insper) e a renomada escola de inovação, Echos .

Os veículos escolhidos tem como características o olhar da diversidade sobre a comunicação. São portais e agências que representam parcelas da população costumeiramente invisibilizadas por parte dos meios de comunicação tradicionais. Por exemplo, O AzMina, une comunicação, tecnologia e jornalismo para combater a desigualdade de gênero. O portal lidera campanhas de conscientização sobre desigualdade e violência e lançou, recentemente, o app PenhaS para combater a violência contra a mulher por meio da informação, criação de redes de apoio e produção de provas, enquanto que o Alma Preta e o Ponte Jornalismo são especializados, respectivamente, nos debates sobre conflitos raciais e na cobertura de pautas relacionadas aos Direitos Humanos.

Imagem: Google News Initiative

Essas iniciativas, muitas vezes chamada de “mídia alternativa”, tem tido cada vez mais importância para pautar os debates públicos, tendo como seus idealizadores, indivíduos que viveram na pele demandas marginalizadas.”A sociedade ganha uma pluralidade maior de vozes. Vale destacar que esse interesse em fomentar diversidade e inclusão nos programas que nós temos é padrão em todo a GNI. É uma das propostas centrais. Temos uma preocupação grande com esse tema e a atenção redobrada para não deixar de fora iniciativas que, historicamente, tenham menos oportunidades de alcançar seus públicos no ecossistema de notícias”, acrescentou Zanni.
Segundo dados do GNI, 50% dos veículos participantes do projeto foram fundados por mulheres e um terço por negros. Os representantes de são oriundos de São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Paraná e Espírito Santo, englobando três regiões do país..
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A próxima edição do GNI será lançada na América Latina com foco em empreendedores hispanoamericanos.

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