FLUP 2020 se expande do Rio de Janeiro até outras seis cidades fora do país

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Foto: Divulgação

Programação da 9ª edição da Feira Literária das Periferias terá como norte de discussão a sociedade pós George Floyd

A 9ª edição da Festa Literária das Periferias (FLUP), que acontece no Rio de Janeiro e tem por tradição reunir poetas, escritores, pensadores e comunidade em um mesmo lugar, terá neste ano uma versão ampliada para fora do país. Além do Rio de Janeiro, contará com debates em Paris, Edimburgo, Madrid, Lisboa, Berlim e Joanesburgo. A narrativa em torno das discussões, terá como norte os impactos na sociedade pós George Floyd. O evento será transmitido via Facebook e Youtube, e acontecerá nos dias 29, 30 e 31 de outubro; e 1, 6, 7 e 8 de novembro.

Júlio Ludemir, um dos fundadores da FLUP reflete sobre as mudanças na forma de se fazer festivais e integrar diferentes comunidades ao redor do globo. “Os festivais estão perdendo uma de suas principais características, que é o lugar dos encontros, das trocas, da criação da rede de relações. Por outro lado, estão ganhando um público que nenhum festival do mundo sequer sonhou em ter. Esse público, além de numeroso, tem sido muito mais diverso e diversificado. Agora, estamos falando para pessoas de todos os estados do país e mesmo de outros países lusófonos.”

Atrações tradicionais do evento seguem na programação, mas com diversos diferenciais e atrações internacionais. O Slam Cuir, terá o diferencial de ter uma banca de jurados formada por personalidades LGBTQIA+, e contará com performances de poetas de países como Argentina, Colômbia, República Dominicana, Chile e outros. A semifinal e a final serão exibidas também no Toronto International Festival of Authors (TIFA) – o maior e mais antigo festival de palavras e ideias do Canadá. 

Já os tradicionais painéis de discussão, terão uma versão internacional que contará com a participação de nomes como Assa Traoré, ativista francesa e o filósofo camaronês Achille Mbembe. E nas aguardadas mesas brasileiras, estão confirmados Djamila Ribeiro, Carla Akotirene, Juma Xipaya, Dorinha Pankará e Cacique Babau. 

As homenagens a nomes importantes para a história e luta das periferias, que é outra marca do evento, terá como destaque deste ano as autoras Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez.

Além de toda a extensa programação de discussões em torno da literatura e oralidade, por meio do Laboratório de Narrativas Negras para Audiovisual, o evento ainda irá oferecer uma formação para potenciais roteiristas autodeclarados negres, com encontros virtuais semanais com alguns dos mais importantes nomes do segmento, alguns deles da TV Globo. 

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

29 de outubro

18h – Solenidade de abertura

19h – Ciclo Lélia Gonzalez

Lançamento do livro “Por um feminismo afrolatinoamericano”, de Flávia Rios e Márcia Lima com mediação de Alex Ratts.

21h – Exibição do documentário Quadro Negro, de Bruno F. Duarte e Sil Bahia, produzido pela FLUP.

30 de outubro

15h – Slam Cuir

Abertura: Comikk MG (México) e Walter Gonzalez (Guatemala) 

Chave A: Patricia Meira, Luiza Loroza, Bicha Poética e Maya Dourado

16:40h – Slam Cuir

Abertura: Adriana Corredor e Pedro Montes (Colômbia)

Chave B: Abigail Campos, Márcio Rufino, Auritha Tabajara e Patricia Naya

18:20h – Slam Cuir

Abertura: Alexéi Tellerías (Rep.Dominicana) e Oscar Di (Bolivia) 

Chave C: Léo, Andrezza, Ana Moura e Julian

20h – Slam Cuir

Abertura: Diego Arbit, Maia Duek, Mhoris Emma, Vero Stewart (Argentina)

Chave B: Nega Preto, Níve, Bixarte e Bathália

31 de outubro

15h – Slam Cuir

Abertura: Guillermo (DN) e Santiago Riquelme (Chile) 

Competindo: 2 primeiros colocados da chave 1 e 2 primeiros colocados da chave 2

16:40h – Ciclo Lélia Gonzalez

Lélia Gonzalez e o pensamento do feminismo negro – Carla Akotirene e Djamila Ribeiro com mediação de Flávia Oliveira

18:20h – Slam Cuir

Abertura: Karen Chavez (Perú) e Luz de Cuba (Cuba)

Competindo: 2 primeiros colocados do G3, 2 primeiros colocados do G4

20h – Ciclo Lélia Gonzalez

Luiz Eloy Terena e Elisiane dos Santos com mediação de Eugenio Lima

01 de novembro

15h – Ciclo Lélia Gonzalez

Juma Xipaya e Sandra Benites com mediação de Majoí Gongora

16:40h – Ciclo Lélia Gonzalez

Dorinha Pankará e Cacique Babau com mediação de Eugênio Lima

18:20h – Ciclo Lélia Gonzalez

Renata Tupinambá e Jaider Esbell com mediação de Majoí Gongora

20h – Slam Cuir

Abertura:  Pabloski Zzi (URU) e Shepsa Nzinga (Costa Rica e Cuba)

Grande final!

06 de novembro

15h – Mesa 1

O Mundo de Joelhos – Angela Davis com mediação de Roberta Estrela Dalva (A CONFIRMAR)

16:40h – Mesa 2

Por que sempre que falamos em feminismo só pensamos em corpos brancos – Silvia Federici e Yuderkis Espinosa com mediação de Silvia Capanema

18:20h – Mesa 3

Meu corpo é meu país – Anderson França e Mamadou Ba com mediação de Raquel Lima

20h – Mesa 4

E se ele se chamasse George? Cristina Roldão e a deputada Beatriz Gomes com mediação de Carla Fernandes

07 de novembro

15h – Mesa 5

Esse não é um país para negras – Rita Bosaho e Lucía Mbomío com mediação de Vanesa Cadenas

16:40h – Mesa 6

Corpos dissidentes – Eunice Olumide e Shola Von Reinhold com mediação de Isabel Moura Mendes

18:20h – Mesa 7

A França diante de si mesma – Assa Traoré e Priscillia Ludosky com mediação de Mame Fatou Niang

20h – Mesa 8

Afropean – Lançamento seguido de debate de Afropean, último livro de Leonora Miano

08 de novembro

15h – Mesa 9

TIFA na FLUP –  Grada Kilomba com mediação de Desmond Cole

16:40h – Mesa 10

Necropolítica – Achille Mbembe (a confirmar)

18:20h – Mesa 11

TIFA na FLUP – O Livro dos Negros – Lawrence Hill

20h – Mesa 12

Boaventura de Sousa Santos – 50 anos de resistências populares

Homenagem aos 50 anos da tese de doutorado do pensador português, que fez trabalho de campo na favela do Jacarezinho, no auge da ditadura militar.

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