“Eu cresci ouvindo que meu cabelo era Bombril”, diz a influenciadora crespa Luana Lima

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A influenciadora Luana Fernanda Lima - Foto : Reprodução Instagram

Muitas pessoas negras não aceitaram o pedido de desculpa da Bombril que foi acusada de racismo por conta da marca de uma esponja de inox da empresa chamada Krespinha.

Do outro lado algumas pessoas disseram que os protestos eram mimimi e que a comunidade negra reclama de tudo. O depoimento da influenciadora baiana Luana Lima prova que associar o cabelo crespo ao Bombril causa muita dor, sobretudo quando se é criança ou adolescente.

https://www.instagram.com/p/CBjesclB4Zz/

“Ver toda essa repercussão hoje me feriu por resgatar essas memórias. Quando comecei a usar química tive a falsa impressão de estar sendo mais aceita pelos meus colegas de escola, pelo meu cabelo não apresentar mais aquele ‘aspecto de duro’ pra eles. Por poder ter o cabelo ‘mais parecido’” com as outras meninas que só usavam solto enquanto mainha trançava o meu 2x na semana.Enfim, é uma série de traumas superados  pra estar aqui dizendo que SOMOS MARAVILHOSAS!!”, explicou a influenciadora que deu mais detalhes em um vídeo no perfil:

Reprodução Stories Luana Fernanda Lima

“Eu não sei quando fizeram essa associação do cabelo crespo com o Bombril, mas isso esteve muito presente na minha infância e na minha adolescência e não teve ninguém para me dizer naquele momento que aquilo era racismo. Eu sentia muita vergonha do meu cabelo” disse Luana em seus Stories no Instagram.

“Diziam que meu cabelo era Bombril e que tinha que ser colocado atrás da bucha para arear a panela. E aí uma marca em pleno século XXI, sabendo de tudo o que está acontecendo, das nossas lutas e nossas causas, lança uma bucha com o nome de Krespinho” acrescentou a produtora de conteúdo sobre cabelos crespos.  

Luana ainda diz que gostaria de falar sobre outras coisas, mas a sociedade não deixa. “Não é minha obrigação falar sobre isso não, eu nem queria, mas isso me tocou porque era algo que eu sofri na minha infância e toda minha adolescência”, detalhou.

Não tem como não pensar em nossas crianças, no racismo que uma nova geração poderia sofrer, porque empresas brasileiras vendem produtos populares sem dialogar com o público que representa.

A marca Krespinha tem 70 anos. Não dá para perdoar.

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