Por que pessoas negras têm menos acesso à atividade física? 

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Por que pessoas negras têm menos acesso à atividade física? 
Foto: IA

Por: Juliana Oliveira

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Sabemos que se exercitar é fundamental nos dias de hoje, ainda mais com jornada de trabalho aumentada, tempo de tela excessivo e outras demandas do dia a dia que exigem muito de nós, é simples dizer que ‘’falta vontade’’, mas será que todas as pessoas possuem as mesmas oportunidades? 

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No Brasil, a resposta é não. 

A prática regular de exercícios, depende de alguns fatores importantes como: tempo disponível, renda, segurança, acesso a espaços públicos de qualidade, transporte e até o sentimento de pertencimento em alguns ambientes. E são esses aspectos que a população negra enfrenta cotidianamente para que possa existir a prática de exercício. 

Segundo dados do IBGE, pessoas negras são maioria entre a população de menor renda e enfrentam jornadas de trabalho mais longas e maiores índices de informalidade. Isso significa menos tempo livre e menos recursos para investir em academias, clubes esportivos ou modalidades que exigem equipamentos e mensalidades. 

Com a falta de acesso e também a falta de infraestrutura, tudo acaba se tornando uma bola de neve. A população negra apresenta maior prevalência de doenças como hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, condições que podem ser prevenidas ou controladas com hábitos saudáveis, incluindo a prática regular de exercícios físicos. Quando o acesso ao movimento é limitado, as desigualdades em saúde tendem a se aprofundar. 

Promover saúde vai muito além de incentivar as pessoas a se ‘’exercitarem mais’’, significa criar cidades com espaços públicos seguros, ampliar políticas de esporte e lazer, investir em projetos comunitários, fortalecer profissionais que atuam nas periferias e garantir que todas as pessoas possam cuidar do próprio corpo com dignidade. 

Talvez a pergunta nunca tenha sido ‘’por que pessoas negras praticam menos atividade física?’, mas sim ‘por que ainda existem tantas barreiras que impedem parte da população de acessar um direito básico à saúde?’. Quando entendemos essa diferença, percebemos que incentivar o movimento também é promover equidade.

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