“É preciso ir além da inclusão”, diz Victor Hugo, gerente do Tik Tok

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Por Rodolfo Gomes

Estou muito feliz de poder compartilhar com vocês algumas páginas da história de Victor Hugo. Um homem, preto, nascido na periferia de São Paulo, foi criado com simplicidade e acima de tudo, muita coragem!

Victor estudou a vida toda em escola pública, e tem uma mãe que desde sua infância já lutava contra o racismo ao reafirmar todos os dias que ele não precisava abaixar a cabeça para ninguém. Filho de uma mulher que levantava fortemente a bandeira do racismo, ele entendeu desde muito novo que carregava junto a sua cor uma responsabilidade muito maior.

Os pequenos gestos de racismo sempre fizeram parte de sua vida, desde ser parado pela polícia muitas vezes de forma truculenta enquanto os brancos ao seu lado eram tratados normalmente até comentários como “Você é negro, mas é bonito”.

Em toda sua trajetória viveu o racismo nos pequenos detalhes, mas ao entrar no mercado de trabalho teve o prazer de ser entrevistado e contratado por líderes pretos, o que contribuiu para que não se sentisse inferiorizado por sua cor.

Victor acredita que o seu papel é fazer a diferença no mundo. E ainda que não seja fácil, e que tenha que se dedicar mais que os outros, fazendo diariamente as escolhas certas, e principalmente advogando todos os dias pela sua raça, se expondo e carregando a bandeira consigo para que mais homens e mulheres pretas ocupem seus espaços de direito, e consigam chegar aonde quiserem.

Atualmente, Victor é EMEA Ads Quality Manager do Tik Tok e ByteDance.  Há 9 anos ele resolveu começar uma nova vida em Dublin, na Irlanda e conta que lá tem a vida que qualquer preto merece ter, sendo tratado igual a todos os outros e ocupando cadeiras executivas, o que no Brasil seria muito mais difícil.

“É preciso ir além da inclusão, entendendo e aceitando que os pretos não são inferiores, menos bonitos, menos inteligentes. Nós, pretos, sentimos como todos os outros, e nossa cor de pele não muda isso.”

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