“Discutindo formas de lutar por mais espaço de liderança com estratégia”, diz Rachel Maia sobre 1º Fórum Pacto das Pretas

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“Discutindo formas de lutar por mais espaço de liderança com estratégia”, diz Rachel Maia sobre 1º Fórum Pacto das Pretas
Foto: Divulgação

A Associação Pacto de Promoção da Equidade Racial, iniciativa inovadora que chegou para revolucionar a forma que as empresas, investidores institucionais e a sociedade civil podem contribuir para equacionar o problema da equidade racial no Brasil, celebra o sucesso do 1º Fórum Pacto das Pretas, realizado no dia 30 de julho. Alinhado ao princípio da associação, de oferecer uma métrica inovadora para as empresas mensurarem o desequilíbrio racial, com a perspectiva de desenvolverem soluções inclusivas e antirracistas, o evento teve como tema ESG “Enegrecendo a sustentabilidade nas empresas”.

Híbrido, o fórum contou com a participação de centenas de expectadores nos formatos virtual e presencial, no espaço Itaú Cultural, em São Paulo. Teve a participação da embaixadora do evento, Rachel Maia empresária, que é conselheira administrativa da Vale, Banco do Brasil e CVC, além de outras mulheres pretas advindas de diversos Estados e setores, como por exemplo, Adriana Barbosa, CEO PretaHub, Benilda Brito, pedagoga e mestre em Gestão social, Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, Prof. Dra. Em Ciências Humanas – Prof. Emérita da Universidade Federal de São Carlos.

A programação do encontro foi composta pela Palestra Magna, cujo tema foi “Protagonismo da mulher negra nas transformações sociais” – proferida pela Prof. Dra Cida BentoCo-fundadora do CEERT, além de três painéis: Como o Índice ESG de Equidade Racial pode mensurar mudanças de impacto na cultura organizacional e propor ações inclusivas e equânimes; Transformação Social: Educação, Políticas Públicas e Investimento Social; Práticas Inclusivas corporativas e o processo de emancipação social.

A programação da associação trouxe também uma exposição literária, eletrônica, denominada “Pretas Escritoras”, em homenagem a “Maria Firmina dos Reis”. A mostra teve como objetivo dar visibilidade a mulheres escritoras de ontem e de hoje que contribuíram com a educação e construção social brasileira, como Antonieta de Barros, Maria da Conceição Evaristo de Brito, Nina Ferreira, Roberta Tavares, Kika Sena, Maria Luisa Passos e a própria Maria Firmina dos Reis.

Para Rachel Maia, ver um coletivo de pretas se reunindo para falar do mercado corporativo é de uma importância sem precedente. “Porque é isso que nós estamos fazendo aqui. Discutindo formas de lutar por mais espaço de liderança com estratégia. A gente não quer falar só de forma abrangente. Não. Eu não quero só mudar o status quo. Eu quero entender quais são as estratégias que devo utilizar neste momento para encontrar espaços nas cadeiras de liderança e ser ouvida. Isso não tem preço. Então é essa a nossa batalha. É um diferencial do Pacto das Pretas”, afirmou.

Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, se emocionou durante o evento, não só por questões pessoais, mas por entender a importância da representatividade e mostrar o trabalho e a potência das mulheres negras. Outro ponto que chamou atenção da empreendedora foi o tema do racismo estrutural. “Mostrar tudo que o que está acontecendo, na atualidade, para que se torne possível dar oportunidades iguais para homens e mulheres e especialmente quando se fala da questão de raça é algo que me estiga a debater. Afinal, sou uma mulher de origem negra também. Mesmo tendo a pele clara, obviamente não sofri um racismo tão forte como quem tem a pele retinta, mas sinto que temos um caminho longo a percorrer e fazer eventos como esse faz toda a diferença. Precisamos cada vez mais mostrar toda a potência, toda a força das mulheres que estão construindo um Brasil melhor e uma sociedade mais justa, reforçou.

Como presidente do conselho do Fleury, que é uma empresa majoritariamente feminina, com uma presença preta, mestiça e de diversas minorias, Márcio Mendes, considera de extrema importância conhecer essa realidade e aprender com as diferentes experiências. “É preciso promover cada vez mais a inserção dessas profissionais em cargos de alta gerência e também nos Conselhos. Temos essa visão de futuro e queremos que o Fleury seja uma empresa que tenha esse ideal em seu DNA. Queremos, inclusive, ser um exemplo para que outras companhias continuem seguindo e avançando nessa pauta que a gente vê com muito importante”, disse.

De acordo com a Assessora Técnica do Conselho de Sustentabilidade da Fecomercio-SP, Cristiane Lima Cortez, o órgão, tem um comitê ESG e, desde que aderiu ao Pacto, como apoiador, tem discutido tudo o que foi abordado no evento. “É muito importante que as empresas entendam o papel, a necessidade de tudo que foi apresentado aqui. Eu saio mais fortalecida, e emocionada porque tudo o que foi falado é muito importante. Todos deveriam ouvir o que foi dito nestes painéis porque a gente não tem mais tempo para esperar nenhuma mudança. Nós estamos muito atrasados com tudo isso”, alertou.

Já para o diretor de impacto da Vox Capital, Daniel Brandão, o evento foi uma oportunidade de se alimentar, a partir da força dessas mulheres pretas, que militam diariamente numa luta de proporções inimagináveis. “Estou aqui para me colocar ao lado delas nessa luta, como cidadão e como profissional. Pretendo levar essa força, essa caminhada, essa aprendizagem, essa sabedora ancestral para o cotidiano do trabalho, reforçando essa pauta para dentro da organização onde atuo. Muito obrigado por essa oportunidade. Um dia histórico”. Concluiu.

Segundo o Diretor Executivo do Pacto, Gilberto Costa, um dos compromissos da Associação com as empresas que aderem ao Protocolo ESG Racial é promover o protagonismo das mulheres negras, que ocupam menos de 1% nas posições de lideranças nas grandes empresas. Ou seja, a Associação estimula a correção deste desequilíbrio profissional, na perspectiva de garantir a visibilidade, liderança e reconhecimento profissional das mulheres negras.

Costa reforça que o objetivo da associação é fazer do fórum um encontro anual, realizado sempre em julho, período de alusão a mulheres negras, afro, latino-americanas e caribenhas, e que ele entre no calendário racial dos eventos de São Paulo. “Por meio dessa iniciativa também visamos potencializar a divulgação do Índice ESG de Equidade Racial Setorial e, consequentemente, aumentar significativamente o número de adesões das empresas ao Pacto. O saldo do evento é muito positivo. Estamos muito felizes e satisfeitos com adesão em massa das pessoas e com mais esse passo que demos rumo a equidade racial no Brasil”, avaliou.

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