Criança etíope adotada por espanhóis é expulsa de pizzaria em São Paulo

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Entrada do restaurante Nonno Paolo, onde filho de casal espanhol foi expulso (Foto: Rafael Sampaio/G1)

Um menino negro etíope aguardava sozinho na mesa da pizzaria Nonno Paolo, na cidade de São Paulo, o retorno dos seus pais que estavam se servindo no buffet do restaurante quando foi abordado por um funcionário do estabelecimento e colocado para fora por ter sido confundido com um menino de rua.

Os pais da criança, espanhóis que estão de férias do Brasil, encontraram o filho na rua, em estado de choque. A criança de 6 anos não fala português.

A mãe do menino, que se chama Cristina não quis ter o sobrenome revelado, veio ao país com o marido Jordi, também espanhol, e o filho adotado há dois na Etiópia. Na sexta-feira (30), Cristina procurou a polícia alegando que seu filho, que é negro, foi expulso do restaurante Nonno Paolo, no bairro Paraíso, Zona Sul de São Paulo. O advogado do estabelecimento nega e diz que o menino saiu espontaneamente após ser abordado pelo proprietário.

Entrada do restaurante Nonno Paolo, onde filho de casal espanhol foi expulso (Foto: Rafael Sampaio/G1)

“Foi um desespero, a primeira coisa que eu pensei foi que alguém havia levado ele embora [o menino] e que não iríamos vê-lo nunca mais”, disse a mãe, técnica de administração acadêmica na Universidade de Barcelona. A família havia ido ao Parque Ibirapuera na manhã da sexta e decidiu, à tarde, comer no restaurante. Funcionários viram que o garoto entrou com os pais e o trataram como cliente num primeiro momento.

A família, que chegou ao Brasil em 17 de dezembro, disse estar muito abalada. A tia que hospeda o casal, Aurora, afirmou que o garoto evita falar sobre o caso e que estava chorando quando foi encontrado pelos pais. “Ela [Cristina] chegou aqui chorando, com o marido. Eu voltei [ao restaurante] com ela para saber o que houve e um funcionário admitiu que havia colocado o menino para fora.”

O casal espanhol registrou boletim de ocorrência no 36º Distrito Policial, na Vila Mariana, ainda na sexta (30). O caso foi registrado como constrangimento ilegal, mas a polícia investiga a hipótese de racismo. A mãe já foi ouvida pelos policiais.

O advogado do Nonno Paolo reconhece que o dono do estabelecimento abordou a criança. “Ele [o dono] se dirigiu ao garoto e ele não respondeu. Ele imaginou que fosse mais um dos meninos de rua da feira, e a criança saiu do local espontaneamente.”

Funcionários do restaurante ouvidos pelo jornal Globo News confirmam que o dono do local colocou o garoto para fora do estabelecimento.

“Ele me disse ‘um senhor me botou para fora’, em catalão, que é a nossa língua. Perguntamos se ele estava ferido e ele disse que foi segurado pelo braço, mas não foi machucado”, contou a mãe. A família volta nesta segunda (2) para a Espanha, mas vai acompanhar o caso e estuda entrar na Justiça caso a investigação não prossiga.

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