Creators negros: quem são, seus territórios e seus temas favoritos (que nem sempre são sobre raça)

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Creators negros: quem são, seus territórios e seus temas favoritos (que nem sempre são sobre raça)
Foto: Canva Imagens

Levantamento com mais de 2 mil inscritos na Vitrine de Creators Negros, base gratuita do Mundo Negro, mapeia 24 unidades federativas e mostra que 78% deles não atuam com pauta racial.

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Mais de 2 mil criadores de conteúdo negros se cadastraram na Vitrine de Creators Negros nas três primeiras semanas do projeto. A base é gratuita, foi criada pelo Mundo Negro e teve as inscrições abertas em 14 de agosto de 2026.

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Em um único dia chegaram 53% das inscrições. Na primeira semana, o cadastro já reunia mais de 90% do total registrado até agora.

As respostas ao formulário permitem traçar um perfil consolidado desse grupo: em que estados vivem, em quantas frentes produzem, em que redes atuam e sobre o que falam.

O dado central contraria a leitura mais frequente do mercado publicitário. Entre os inscritos, 78% não marcaram ativismo e negritude entre os seus nichos.

O que é a Vitrine de Creators Negros

A Vitrine é uma base gratuita de criadores negros mantida pelo Mundo Negro. O cadastro tem dez perguntas e reúne nome, cidade, rede principal, nichos de atuação e uma frase de descrição do conteúdo.

Quem se inscreve autoriza a inclusão desses dados em uma lista distribuída a marcas e agências parceiras, que usam o material para propor parcerias. A consulta pode ser filtrada por cidade, nicho e rede.

O projeto responde a uma queixa recorrente de áreas de marketing e de agências, a de que não haveria oferta suficiente de criadores negros no mercado. As inscrições seguem abertas e sem custo.

Os territórios: onde estão os creators negros no Brasil

A base cobre 24 unidades federativas e as cinco regiões do país. Foram declaradas mais de 300 cidades.

São Paulo concentra 33% das inscrições e o Rio de Janeiro, 27%. Somados, os dois estados respondem por 60% do total. Os outros 40% se distribuem pelo restante do país.

A Bahia aparece em terceiro lugar, com 11% da base, à frente de Minas Gerais. Na sequência vêm Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina e Espírito Santo.

O recorte por cidade mostra uma dispersão maior que a do recorte por estado. Fora das capitais estão 28% dos inscritos, em municípios como Niterói, Guarulhos, Campinas, Juiz de Fora, Feira de Santana, Nova Iguaçu, Osasco, Uberlândia, Contagem e Campos dos Goytacazes.

Há ainda registros de criadores que vivem em oito países além do Brasil, entre eles Portugal, Estados Unidos, Angola, Itália, Espanha e Inglaterra, e que produzem em português para o público brasileiro.

Os temas: do que falam os creators negros

O formulário oferecia 21 opções de nicho e permitia marcar mais de uma. A média ficou em quase cinco nichos por pessoa, e cerca de 80% dos inscritos marcaram três ou mais.

Beleza e cabelo lidera, presente em 55% dos perfis. Lifestyle aparece em 50%, moda em 43%, cultura e arte em 39% e diversidade em 32%. Em seguida vêm saúde e bem-estar, fitness, humor, música, viagem, educação, gastronomia e games.

Ativismo e negritude foi marcado por 22% dos inscritos. Os outros 78% não incluíram esse nicho entre suas frentes de atuação.

A descrição livre reforça o dado. Cada inscrito escreveu uma frase sobre o próprio conteúdo, e em 87% delas não há menção a raça. As palavras mais recorrentes são beleza, real, rotina, autoestima, autocuidado e autenticidade.

Entre os que marcaram ativismo e negritude, apenas um inscrito escolheu esse nicho isoladamente. A média do grupo é de mais de sete nichos por pessoa, acima da média geral da base.

Os números indicam que o repertório desses criadores é comercial e diversificado, e que a associação automática entre creator negro e pauta racial não se sustenta na amostra.

Os nichos com menor oferta

Alguns segmentos aparecem em volume reduzido, o que os torna relevantes para quem planeja mídia.

Espiritualidades de matriz africana foi marcado por 7% dos inscritos. Maternidade e família aparece em 13% dos perfis e LGBTQIAPN+ em 12%. Finanças e empreendedorismo somam 7%, tecnologia 6% e games 3%.

São territórios com pouca oferta de patrocínio e audiência de alta fidelidade, em contraste com beleza, onde a concorrência por creators é maior.

50% dos inscritos atuam em mais de uma rede

Metade dos cadastrados, 50% do total, usou o campo opcional para informar outras redes além da principal. Entre esses, 60% indicaram o TikTok e quase 10% apontaram o YouTube.

O dado sugere que boa parte da base já opera fora do Instagram, o que amplia as possibilidades de formato e de distribuição em campanhas.

Brand safety e casas de aposta

Uma das perguntas do formulário tratava de parcerias com casas de aposta nos últimos seis meses, item que costuma ser barreira em aprovações jurídicas de anunciantes.

Do total de inscritos, 99% responderam que não firmaram esse tipo de parceria no período. O restante se divide entre quem já fez e quem afirmou avaliar caso a caso.

Como acessar a base

A Vitrine segue com inscrições abertas para criadores negros de qualquer cidade e qualquer nicho, sem custo.

A lista é distribuída a marcas e agências parceiras com nome, contato, cidade, rede principal e nichos de cada creator que autorizou o compartilhamento dos dados.

Dados apurados em 4 de setembro de 2026, com base nas inscrições recebidas desde 14 de agosto de 2026. A Vitrine de Creators Negros é uma iniciativa do Mundo Negro.

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