O aumento da voz da comunidade negra dentro do Facebook, maior rede social do planeta não significou necessariamente em liberdade. Professores, comunicadores, estudantes. Muitos tiveram suas contas bloqueadas por discutir questões raciais, mesmo estando dentro dos padrões de comunidade da plataforma americana.

A análise dos comentários que geram bloqueios, mostra a crença no racismo reverso, onde defender temáticas negras, é traduzido como insultos ao brancos, como o mito do racismo reverso razão pela qual a maioria desses banimentos acontecem.

O caso mais recente é o da Vitória Sant’Anna, estudante de  Pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,  que foi bloqueada do Facebook, somente por estar fazendo uma campanha para arrecadar fundos que serão usados para levar crianças negras e carentes para assistir o filme Pantera Negra.

Felizmente o bloqueio não impediu que a campanha fosse um sucesso.

“No mesmo dia que conseguimos doações para 100 crianças, fui bloqueada e acusada de fazer uma campanha racista que tem o objetivo principal levar crianças negras.
Hoje, duplicamos a meta de 100 e compramos 210 ingressos para as crianças negras e de periferia assistirem o filme Pantera Negra em 3D com transporte, pipoca e refrigerante”, comemorou a futura pedagoga em sua conta no Facebook.

Wakanda brasileira no celular 

Amino é um novo aplicativo,  que assim como o Facebook tem como principal objetivo conectar pessoas, mas unindo um pouco das outras plataformas existentes, sendo muito popular entre o público geek, 
“É um espaço para os debates e compartilhamento da comunidade Afro. É possível fazer – posts do Facebook,  conversas igual o WhatsApp,  seguir pessoas igual Instagram e criar blogs individuais”, explica Claudio Renan Campos Faraias, Analista de redes de computadores, natural de Rio Grande/RS responsável pela criação da comunidade WakandaBr, nome inspirada na África utópica do recém lançado filme da Marvel Pantera Negra. 
O grupo composto somente por negros, tem um até o fechamento desse texto, 105 pessoas, uma pouco mais de 24 horas após sua criação.
Usando fotos reais, ou avatares inspirados no filme Pantera Negra, estão todos aprendendo juntos como usar a nova plataforma, onde o Brasil é o terceiro país em números de acesso. Atualmente há mais de 10 milhões de pessoas usando o Amino.
Para Claudio a autonomia das comunidades, que vem quando ela se torna grande e relevante, é um dos grandes diferenciais desse start up e ele está sendo seletivo em relação aos novos membros, para evitar a entrada de pessoas racistas e haters.
Por enquanto só entram membros por convite ou aprovação. “Evitar 100% é impossível.
Temos que evitar pela denúncia. Eu estou escolhendo as pessoas que conheço pessoalmente para moderadores que na plataforma se chamam curadores”, detalha o analista.
Claudio é otimista em relação ao aumento da presença negra no aplicativo. “A tendência é que isso ocorra naturalmente. Quando a plataforma perceber que é uma comunidade grande e engajada. Vai partir dela a iniciativa de deixar a WakandaBr com autonomia. Porque para eles é um caso de sucesso para atrair mais investidores”, reflete.
A aplicativo Amino é gratuito e está disponível para iOS e Android.

 

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