Comunidade indígena cria criptomoeda para arrecadação de recursos

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Foto: Marcela Bonfim/AmReal

Como muitos dos povos indígenas na antiguidade, os Suruí Paiter e os Cintas-Largas, comunidades dos estados de Rondônia e Mato Grosso viviam de forma simples nos últimos anos. Porém com a chegada da pandemia do COVID-19, a parte dos impactos como o garimpo ilegal e o agronegócio, a existência de ambas as comunidades ficou comprometida. Com isso, se uniram e idealizaram a moeda OYX, que está em fase final de criação e será lançada no dia 11 de novembro no evento online Blockchain Connect 2020, às 18h. 

A ideia é garantir uma renda mínima, segurança alimentar e integração das aldeias criando um efeito de união entre elas, criando uma estrutura que possibilite o desenvolvimento de outros projetos na região. Laço de união entre os dois povos – que são, historicamente, rivais – Elias Oyxabaten Surui é uma voz da comunidade que idealizou um projeto: a criação de uma criptomoeda que viabilizasse, de forma emergencial e contínua, a arrecadação de recursos para a região. “É uma ideia minha de união. A intenção é trabalhar com os dois povos e mostrar serviço para auxiliar as duas comunidades na região”, afirma.

Os recursos gerados pelo ativo digital serão destinados a construir e manter projetos nas regiões onde vivem os indígenas, nos estados de Rondônia e Mato Grosso. A expectativa é que, com o sucesso da iniciativa, seja possível investir em mais plataformas, que permitam a venda de artesanato e criação de trabalhos para a população das tribos. Todo o restante do dinheiro será para investir em mantimentos básicos e na estrutura da região. 

“Fomos abandonados à própria sorte pelo Governo Federal durante a pandemia do coronavírus”, conta Elias, que trabalha no Distrito Sanitário da Saúde Indígena e ajuda jovens na região com o desenvolvimento de projetos. “Além dos ataques nas terras indígenas, o governo vem atacando os direitos dos povos indígenas. Queremos mudar essa história: tudo o que buscamos é um auxílio básico, que viabilize a retomada de trabalhos, artesanato e cuidados básicos de saúde”, afirma.  

Há décadas, os cintas-largas pedem maior atenção ao povo na região. Por diversas ocasiões, o garimpo ilegal ao leste de Rondônia foi tema de discussões junto ao Governo Federal, que nos últimos anos passou a ignorar as mortes provocadas pela situação.  

Para acompanhar o lançamento no dia 11 de novembro, às 18h, acesse: https://blockchainconnect.com.br/. O site oficial da OYX, em fase de construção, pode ser acessado aqui: https://oyxabaten.com/.

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